domingo, 31 de julho de 2016

Uma Viagem Interessante

Eu sou um texugo que está constantemente viajando de avião pelos cantos. Seja a trabalho ou a lazer, pode apostar que pelo menos uma vez por mês estou dentro de um mega cilindro de metal com asas, indo para algum canto aqui do Brasil. Pena que a grana tá curta pra fazer uma viagem internacional, embora que com meu inglês de cursinho só daria pra ir pros Estados Unidos. Nada contra, mas às vezes daria vontade de viajar para outros lugares, embora não faça idéia de como iria me comunicar em alemão ou francês. Mas isso é assunto para outro post.

Enfim, e eu já contei aqui em diversas ocasiões alguns "causos" que eu passei em viagens. E sempre situações chatas, incômodas, de tirar do sério. Pra variar um pouco, eu tive uma viagem onde aconteceu algo de muito surpreendente, sob um ponto de vista positivo. Pode parecer até piada, talvez tem gente que pode até estranhar e achar que eu estou inventando só pra encher linguiça... Mas foram coisas que aconteceram sim, de verdade, pois mais inimaginável que possa parecer.


E vou contar agora como foi... Senta que lá vem história...

Estava eu lá, chegando no aeroporto. A pocilga chamada Aeroporto Internacional Tom Jobim, mas que para mim sempre será Galeão. Talvez um dos piores aeroportos do Brasil no quesito de infra-estrutura, e olha que já tivemos a Copa do Mundo aqui e disseram que ele estaria preparado, mesmo pras Olimpíadas que estão chegando tem muito que melhorar. Eu simplesmente odeio ir por esse aeroporto, pois ele fica longe para caralho e ainda por cima demora uma eternidade pra se decolar. Seria mais um daquelas viagens curtas, nas quais toda a minha bagagem ia na mão. Bagagem de mão conforme o padrão, uma mala pequena levando algumas trocas de roupa e outras coisas. Diferente da maioria das pessoas que cisma em embarcar levando três malas imensas, ocupando o espaço dos outros no bagageiro...


Dentre o monte de coisas insuportáveis de uma viagem em um aeroporto brasileiro, uma das poucas coisas boas que inventaram foi o check-in eletrônico. Nada bate a comodidade de você poder já lançar o seu check-in desde casa pelo computador ou mesmo pelo celular, sem ter que encarar aquelas filas dos guichês de atendimento, cheias de pessoas enroladas e atendentes lerdos. Pior que levei tempo para usar esse recurso, em geral eu ia num dos totems do aeroporto para dar entrada no vôo. Mas dessa vez, eu já estava até com o bilhete impresso. Melhor de tudo é poder já ter o assento marcado, assim eu já tinha meu lugar na janela garantido.

Em todo caso, eu estava lá caminhando pelo aeroporto na minha, quando perto dos totems da Gol eu vi uma garota simplesmente linda. Demais mesmo. Corpo escultural, com uma poupança de chamar a atenção e um par de bazingas desafiando a gravidade, trajando uma calça jeans justinha, parecia embalada à vácuo, e uma blusinha verde clara.

Para ilustrar um pouco a postagem e de quebra atrair alguns meladores de cueca para aumentar o contador de visitas que já acumula poeira, diria que ela era muito parecida com essa moça abaixo, excluindo as tatuagens.


Antes que venham a perguntar ou imaginar que eu sou um tarado, essa aí é uma das paniquetes daquele programam de TV. Certo dia, sem muito o que fazer numa sexta à noite, zapeando pelos canais, passei pelo Pânico e vi a dita cuja, e me lembrou muito a garota do aeroporto, e assim ela vai servir de imagem para ilustrar a minha história incrivelmente inacreditável. Continuemos.

Enfim, a garota estava lá em um dos totems, e enquanto eu caminhava podia ver uma certa frustração em seu rosto, como se algo estivesse errado. Ela olhava para os lados, possivelmente procurando algum sujeito de laranja pra ajudar, mas torno a lembrar que estávamos no Galeão, onde nada funciona direito. Era um dos totems que ficava meio separado, não eram daqueles que ficavam em um espaço da Gol, onde geralmente tinha ali uma tia pra ajudar. Sendo que "ajudar" é muita boa vontade, pois o que normalmente fazem é indicar que você pegue a maldita fila do check-in em vez de resolver o seu problema...

E então, por algum trejeito do destino, ela se virou em minha direção, justamente na hora em que eu ali, cuidando da minha vida, a observava. Então, ela me olhou com aquele olhinho de cachorro sem dono, como se pedisse ajuda.


E você acha que eu iria recusar?

Cheguei lá e ela me explicou, com uma voz doce e bonita, que estava tentando fazer o check-in no seu vôo, mas o totem estava dizendo que ele já havia sido feito. Ela estava preocupada, pois não sabia o que fazer, era a primeira vez que usava aquele terminal e a fila do guichê estava imensa. Sabe, me encantou como ela era bem, digamos... bem versada nas palavras. Dava para ver que ela era carioca, mas não tinha aquele jeito truculento e cheio de gíria que costumamos escutar. Tipo, quando o carioca diz "bixshcoito" ou como aquelas ratas de academia de voz enjoada como se tivessem um jiló na boca... A moça falava bem, e apesar de em um primeiro momento eu ter sido atraído pelos seus dois atributos mais chamativos que tentavam meu olhar, aquela voz doce e educada me cativou. Percebia ainda outros detalhes, como os expressivos olhos castanhos e um discreto piercing no nariz.

Olha que eu não sou muito de curtir piercing, ainda mais de nariz, que sempre me faz pensar em como seriam os percalços de um resfriado... Mas até que o dela era bem discreto e bonitinho.


Não, o piercing dela não era assim como desse boi acima... ou búfalo, sei lá! Era aqueles que parecem uma pequena bolinha que fica do lado do nariz, bem meio como da moça das fotos... Aliás, agora fico me perguntando por que diabos as pessoas colocam esses anéis no focinho de um boi. Não consigo ver nenhum tipo de serventia pra isso, alguém sabe me explicar? Será que é pra amarrar uma corda e puxar o coitado?

Bom, vamos esquecer o piercing do boi e voltar à história... E lá foi este nobre e cavalheiro texugo ajudar a doce donzela. Ainda bem que foi fácil e não paguei um mico: na verdade ela (ou a pessoa que comprou sua passagem) já havia feito o check-in, tinha só que ir na opção "imprimir bilhete" e pronto. Foi visível o alívio e a felicidade dela, quando os papéis começaram a sair da máquina. Ela me lançou um lindo sorriso, agradeceu muitas vezes pela ajuda, que eu tinha salvo a vida dela.


Hipnotizante era o olhar dela... E também o decote da blusinha que até então eu não havia percebido. Realmente, eles pareciam estar mandando Isaac Newton para o raio que o parta, desafiando a Lei da Gravidade... Não tem jeito, sei que a mulherada vai me chamar de porco chauvinista, mas digo com todo o respeito que não há nada que este texugo ache mais lindo e feminino do que um belo par de seios.

Super agradecida, ela então me perguntou o que fazia com a bagagem dela, que iria despachar. Sabe como são as mulheres, em viagens sempre levam um monte de coisas, dava pra imaginar que aquela grande mala rosa ao seu lado deveria estar abarrotada com metade de seu guarda-roupa e outras tralhas que dificilmente seriam usadas. Expliquei que ela teria que ir ao guichê, o que a fez fazer um beicinho de tristeza ao imaginar que teria que pegar a fila, muito fofa e cuti-cuti. Imaginando que ela estava preocupada com a fila, disse que havia uma outra destinada ao despacho de bagagem, que era bem menor e mais rápida, era só mostrar o bilhete e pronto. Mais aliviada, ela agradeceu e se dirigiu ao guichê.

Nessa hora eu comecei a me amaldiçoar! Puta merda, por que eu havia dito onde era? Idiota! Era pra eu ter falado "deixa que eu te mostro onde é", para assim render um pouco mais a conversa. Tempo de sobra aos montes e eu dou uma mancada dessas! Coisas de um cara tremendamente atrapalhado com as mulheres. Fiquei ali, parado que nem um paspalho, vendo ela se dirigindo ao guichê da Gol lá longe, admirando o mexe-remexe de sua retaguarda. Que burrada a minha, desperdiçando uma chance como essa... Cheio de raiva de mim mesmo ao me dar conta de que jamais a veria de novo, me dirigi para o detector de metais, para ir logo para meu portão, fulo da vida...


Sentei ali num canto meio distante, algo difícil na bosta do Galeão, onde parece que em alguns terminais economizaram na quantidade de cadeiras. Nessas horas eu prefiro até ficar meio afastado do portão que eu vou embarcar, em um lado mais tranquilo, mas é algo que só era possível no Santos Dumont, na época em que ele estava cheio de portões em obras. Enfim, arrumei meu canto ali, escutando música e esperando até chamarem o meu vôo. Até que então, minha vista recaiu sobre um rosto (e um corpo) conhecido...

Dessa vez não tem foto, seu mané! Só pra ver se você tá lendo a história ou só babando pelas fotos da loira. Pombas, tá afim de sacanagem, vai no Google procurar foto de mulher pelada, cacete!


Enfim, era a loirinha do terminal da Gol quem estava ali desfilando pelo corredor. Me deu uma satisfação grande ao vê-la mais uma vez, fiquei ali hipnotizado com a beleza da garota. Ela estava ali andando, olhando para os lados procurando alguma coisa, talvez o banheiro ou uma lanchonete. Sabe, deu até vontade de me levantar e ir lá falar com ela... Mas aí bateu aquela sensação de cair na real e saber que eu sou um merda, que certamente toda aquela doçura alguns minutos atrás era algo natural que as mulheres fazem para conseguir ajuda, que agora eu não tinha mais serventia pra ela. Fiquei ali admirando aquele corpo maravilhoso, tendo a certeza de que ela certamente iria curtir muito mais um marombado de academia do que um bolha sem graça como eu. O momento já havia passado, pensei. Era como estar num ônibus e ver aquela garota linda, que você jamais verá de novo... Ela foi se afastando, e fiquei por ali.

Começaram então a chamar o meu vôo. A Gol em geral faz o embarque seguindo uma metodologia interessante: primeiro são embarcadas as pessoas da janela, depois as que sentam no meio e por fim as do corredor. Faz todo o sentido, meio que preencher os assentos "de fora pra dentro". Mas isso acaba não funcionando quando mais de um terço do vôo é das prioridades por lei, em que todo mundo abusa, tipo um coroa de 60 anos se passando por 65 ou a família com uma criança de 12 anos de colo, assim como os "bonzões" dos programas especiais, que olham para o restante dos passageiros com desprezo. Não adianta nada esse tipo de embarque se essas pessoas estão no corredor, por exemplo.


E claro, não podemos esquecer que brasileiro é um povinho de merda... Um povinho escroto que adora levar vantagem, assim o carinha que está com a passagem do corredor se faz de desentendido e entra na primeira fila que está embarcando, pra entrar na frente dos outros. Sempre funciona, pois os merdas dos funcionários da Gol, ou de qualquer companhia aérea, deixam esses "ixpertos" embarcarem na frente, em vez de afastá-los e mandá-los esperar na fila certa.

Bom... Como eu estava mais pro final do avião, onde alguns bagageiros são bloqueados para uso dos comissários, e não queria passar pelo risco de não ter lugar para minha mala de mão dentro dos padrões corretos por conta de algum mané levando um container, fui logo para a fila e peguei um dos primeiros lugares. Depois das muitas prioridades, entrei no avião e me acomodei. E começava então o desejo para que não tivesse ninguém sentado do meu lado... A segunda pior coisa que tem em uma viagem é ir com alguém encostado no teu lado (a primeira é ter que sentar no meio), pois sempre é uma pessoa expansiva, que toma o braço da cadeira e fica te empurrando. Certa vez viajei com uma gordona do meu lado que me esparramou no canto... Só pra você ter uma idéia do tamanho da criatura, ela precisou da extensão do cinto de segurança, e não tinha espaço pra ela baixar a mesinha...


Fiquei ali na costumeira apreensão ao ver as pessoas passando... Com aquele relativo alívio quando via aquele sujeito mais adiposo passando pela minha fileira. Bastava não ter ninguém no meio, pois quem fosse sentar no corredor dificilmente viria pular para meu lado, o que me daria um pouco mais de folga. Eis que então (não estou de sacanagem, eu juro!), quem que aparece?


Sim, a loirinha! Ela então olhou pra mim e me reconheceu, com um lindo sorriso, que eu prontamente retribuí. E aparentemente ela estava ali sentada do meu lado! Inacreditável! Quem poderia imaginar que ela estaria no meu vôo? E do meu lado? Era bom demais pra ser verdade...

Depois de colocar a mala de mão no bagageiro, ela se sentou na poltrona à minha esquerda, falando a respeito da coincidência, de como era legal que estávamos no mesmo vôo. Na ânsia de ajudá-la alguns minutos lá no totem, nem havia percebido o vôo e assento dela, até porque era só dar um print no bilhete, que ela prontamente pegou. Fico pensando a sorte e até a certa compreensão dela, ao perceber que eu não era um tarado que havia visto onde ela ia sentar (o que não tinha como eu fazer, mesmo que eu quisesse), pra buscar um lugar ao lado dela. Só que como diz o velho deitado da montanha... Alegria de pobre dura pouco...


Apareceu ali um sujeito de terno e gravata (que tinha essa mesma cara de bunda do vampicha, só que um pouco mais velho) que interrompeu a nossa conversa, perguntando para a loirinha qual era o assento dela. Dentro de um avião, essa é a típica pergunta que alguém faz já sabendo a resposta. Não deu outra, ela estava sentada no assento errado, aquele lugar ao meu lado era do engravatado. Na verdade ela estava sentada na fileira oposta, no assento do corredor. O pior de tudo é que o filho da puta sequer se ofereceu para trocar de lugar com ela, poderia ter imaginado ali que nós estávamos viajando juntos e por uma desventura no check-in ficamos em lugares diferentes. Talvez passou pela cabeça dele que se estivéssemos juntos, azar o nosso, que tivéssemos marcado assentos lado a lado. Ou talvez ele olhou pra mim e imaginou que nunca, jamais eu estaria junto de uma gata como aquela. Por mais que possa parecer até menosprezo da minha parte, admito que concordaria, a loirinha era de longe muita areia para meu caminhãozinho. Ela pediu desculpas, se levantando e sentando no outro lugar.

Cara, fiquei muito puto. Pra completar o engravatado era todo expansivo... Sacanagem. Já falei aqui, tem muita gente que só porque bota um terno e gravata se acha superior aos demais, fica ali com aquela pose de "sou foda". Essa teoria do Barney só vale mesmo lá fora, e não aqui no Brasil onde qualquer "adevogado" ou segurança de boate fica achando que peida cheiroso só porque tá de terno e gravata... Mas isso é assunto de outro post, que aliás eu fiz há muito tempo. Vamos continuar com a história.

Muita sacanagem mesmo, a loirinha ter que se levantar e dar lugar praquele bosta de gravata. Só restava pra mim afundar na poltrona, e ficar ali olhando pela janela a movimentação do aeroporto, amaldiçoando a minha falta de sorte. Me senti como ele:


Mas, espere. Você verá a reviravolta mais sensacional...

Terminado o embarque, começaram então a passar as comissárias, checando se tudo estava ok, fechando os bagageiros (assim como espremendo as malas que estivessem ali um pouco para fora), lembrando os boçais que tinham que apertar o cinto de segurança e contando as cabeças para planejar o lanchinho da viagem. Aí o engravatado chamou uma aeromoça, para perguntar se tinha algum lugar disponível mais na frente, pois ele tinha uma conexão e precisava sair rápido do avião assim que ele chegasse. Ela disse que havia, e então ele apressadamente pegou as suas coisas e correu pra lá. Aquela velha e costumeira pressa que as pessoas têm para desembarcar... Te digo que certa vez vi até um site que dava dicas sobre como economizar tempo em uma viagem, sentando o mais na frente possível e no corredor era uma delas. Agora, quem diria que essa postura que eu sempre achei extremamente escrota e idiota viria a salvar o meu dia?

Porque... depois de alguns minutos, eu olhei para o lado e vi a loirinha pedindo licença para a mulher que estava sentada no corredor, se ela podia sentar ali!


Não dava para acreditar... Apesar da mulher do corredor ter ficado um pouco puta, pois provavelmente iria querer usar o assento do meio para botar sua bolsa, ela não criou nenhum problema, se levantando para que a loirinha pudesse sentar ao meu lado. Eu sinceramente não acreditei no que estava acontecendo, uma coisa seria a coincidência dela estar sentada ao meu lado, um fruto do acaso, uma camaradagem do destino comigo para variar um pouco; agora, algo surpreendente era a garota ter trocado de assento, por livre e espontânea vontade, para se sentar do meu lado!

Na boa, durante toda a minha vida sempre acontecia o oposto, da garota bonita estar sentada do meu lado e trocar de lugar para sentar longe de mim. Ou mesmo de se levantar para ficar em pé, como aconteceu certa vez no metrô, sentei do lado dela no Largo do Machado e ela se levantou e ficou de pé no corredor até a Uruguaiana, a ponto de eu depois ter dado uma checada se o desodorante tava vencido ou se eu tinha pisado em bosta de cachorro. Nunca antes na história desse texugo havia acontecido uma situação de uma garota bonita sentar do meu lado, tendo a opção de não fazê-lo. O que estava acontecendo? Será que depois de décadas, finalmente o efeito Axe estava surtindo efeito?


Após se sentar ao meu lado, acomodando a sua bela retaguarda no assento e afivelando o cinto ao redor de sua cintura fina, a loirinha veio dizendo que estava feliz pelo engravatado ter se levantado, que ele devia ser um advogado metido a gente importante. Ainda por cima, ela zoava a prepotência dos advogados, como eu muitas vezes costumo fazer. Finalmente nessa oportunidade nos apresentamos formalmente, logicamente que com respeito a sua privacidade não divulgarei aqui o nome da donzela que protagoniza esse post. Enquanto o avião ficava ali ainda parado, já estávamos conversando numa boa, contando sobre o que a gente fazia, qual o motivo da viagem, e por aí vai. Me impressionava como que ela parecia assim tão interessada, não tinha pinta de ser uma mera "faladeira" que puxa papo com qualquer um.

Bom, passados alguns minutos o avião começou a andar, e algo me fazia perceber que ela parecia ser meio novata em termos de viagens aéreas, olhando para os lados, como se questionasse todos os barulhos que o avião normalmente faz durante a preparação para decolagem. Sei lá, em diversas oportunidades eu já tinha voado com "virgens" de avião, assim que já via os típicos trejeitos e olhares de alguém que não está acostumado. E isso veio se comprovar no momento em que ela, com uma doce e tímida voz baixinha, pediu para que eu segurasse a mão dela na decolagem...


Não só veio a comprovar que ou ela nunca tinha viajado ou então tinha medo de avião... Mas veio também a fazer meu coração quase ser cuspido pela minha boca. E, claro... ela não estava assim tão à vontade como a foto ilustrativa acima mostra, é só pra atrair mesmo os mela-cueca. Afinal de contas, até onde sei a Gol é uma companhia de família, que não liberou topless na cabine.

Logicamente que não neguei, e segurei a mãozinha dela, macia e suave como você espera que seja a mão de uma garota. A segurei com aquele misto de firmeza, que dá aquela sensação de proteção, e de delicadeza, que mostra o carinho pelo sexo feminino que um homem deve ter. Ela sorria de maneira tímida, dava pra ver suas bochechas se corando um pouco. E eu então, por algum motivo que ainda não sei explicar, comecei a compartilhar o conhecimento aeroviário adquirido após mais de uma centena de viagens e de ter assistido aqueles programas do Discovery, explicando um pouco o que estava acontecendo, para tentar acalmá-la. Tipo, dizendo "esse é o barulho dos flaps sendo ajustados pra decolagem"...


Por que sempre nas horas mais impróprias meu lado mais nerd decide dar o ar de sua graça?

Mas, felizmente para mim a loirinha parecia se sentir confortável com as minhas explicações, escutando com atenção, ou pelo menos tendo a educação de não me pedir pra fechar minha matraca. Ela sorria docemente, com seus olhos brilhando. Seus delicados dedinhos se moviam na minha mão, até a hora em que o piloto acelerou e decolou, fazendo com que ela ficasse um pouco assustada e apertasse meus dedos com maior força. Claro, força é algo relativo, e mesmo que ela estivesse dando um aperto de mão estilo The Rock, ia manter ali a minha compostura.

A viagem transcorreu então numa boa, e nós íamos conversando sobre diversos assuntos. Confesso que são raras as oportunidades em que tive um papo assim tão descontraído com uma mulher, com exceção de membros da família ou colegas de trabalho. A loirinha era muito simpática, e demonstrava uma educação e doçura que um bosta como eu, que tanto se arrebenta com a mulherada, jamais poderia imaginar. E o mais impressionante era que eu a princípio não parecia estar fazendo muito esforço para parecer ser algo mais do que sou, tipo quando a gente não fala sobre certas coisas das quais não nos orgulhamos, como aquele hobby sem graça ou mania estúpida. Só na hora do lanche é que eu dispensei o sanduba que eu normalmente compro (apesar de ser caro), pra transparecer algum tipo de idéia de que pelo menos tento ser saudável. Afinal, tava na cara que ela pelo menos valorizava sua boa forma, assim que nada demais em tentar mostrar uma intenção de que a barriguinha aqui deste texugo estava sendo trabalhada para ser reduzida...


Felizmente, para meu conforto e privacidade, a senhora ali do corredor estava dormindo, assim como alguns dos passageiros relativamente próximos. Não havia comentado ainda, mas era um vôo noturno, assim que passado o lanche as comissárias apagaram as luzes, para assim deixar o pessoal mais à vontade para puxar um ronco. Mesmo ali no escurinho, eu e a loirinha continuávamos conversando, e então começando a assuntos um pouco mais... íntimos.


Calma aí! Não vamos pensar bobagem! Quando eu digo assuntos mais íntimos não estou falando de sacanagem, mas sim de coisas mais pessoais. Ela começou a falar um pouco de sua família, eu comecei a falar a respeito de meu trabalho, ela então passou a comentar sobre sua infância, e eu falando da minha... O papo estava bem inocente, mas apenas disse "assuntos íntimos" pois são coisas de nossas vidas que normalmente não compartilhamos assim tão abertamente diante de alguém que você conheceu a pouco tempo.

E assim ia... Chegando então até àqueles momentos engraçados e embaraçosos, que sempre são divertidos e demonstram de forma hilária como a vida de ninguém é perfeita. Contei para ela daquela vez que as bichas tentaram me agarrar no carnaval, e ela contou sobre uma entrevista de emprego em que um pombo havia cagado na cabeça dela e ela só percebeu quando voltou para casa. Várias conversas engraçadas, até que uma hora eu falei sobre uma situação onde estava no metrô e uma moça veio correndo, tropeçou e quase caiu por cima de mim, com sua blusa abrindo e seus peitos quase pulando para fora. Ela riu, precisando se conter para não gargalhar e acordar todo o avião. E nessa então ela contou uma história em que estava em algum lugar e uma senhora começou a falar mal dela, pois achava que ela era uma falsa por ter colocado silicone...


Sim... Ela falou sobre isso... E depois de rir após contar o episódio... ela me olhou de um jeitinho meio sedutor...

Nessa hora, dei uma tremida na base... Será que ela estava tentando jogar um charme para mim? Bom, na boa... Eu é que tinha começado ao contar o caso da mulher atabalhoada do metrô que caiu de peitos em cima de mim. Foi sem perceber, juro! E ela então veio contar aquela história? Parecia algo artificial demais, afinal de contas, por mais que muita gente velha seja chata, não vejo porque uma senhora iria implicar com ela de tal forma. Até porque, apesar de bem bonitos e fartos, os seios dela não eram assim tão exagerados a ponto de alguém achar que era silicone, diferente da moça dessas fotos do post, que certamente fez uma plástica. Teria ela inventado aquela história para dar uma deixa?

E de fato era uma deixa... Pois então, ela deu um sorriso, se aproximou e me perguntou se eu achava que eles eram de silicone...


Vou ser sincero, talvez certas pessoas poderiam dizer que essa era uma situação como cair do cavalo... Mas acho que a expressão é fraca demais. Eu acho que nem em sonho eu imaginaria que uma garota daquele jeito ia se insinuar assim para mim. Começava a me perguntar se não era pegadinha do João Kleber. Pombas, será que ela era um traveco? Sei lá, quando a esmola é muita o santo desconfia, mas a doce loirinha ficou ali esperando uma resposta. Eu disse que eles eram perfeitos...


Sério... Assim que eu disse aquilo, eu me preparei para levar uma bifa no meio da cara. "Perfeitos"? Tudo bem, de fato eram... Mas não era coisa pra se dizer pruma mulher, era? Digo, assim, após termos apenas nos esbarrado no aeroporto, meros estranhos até poucos minutos atrás. Que tipo de maluco diria algo assim numa situação dessas? Vai lá no ônibus dizer pra cidadã que ela tem seios perfeitos! Tu corre o risco de ir em cana ou de levar um bico no meio das pernas... Ou ambos.

E o que ela vem e diz?

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Ela me pergunta, com uma voz bem baixinha para não chamar atenção, se eu queria tocar neles para comprovar!


Eu estou falando sério! Juro! Não conseguia imaginar o que estava acontecendo... Era inacreditável... Respirei fundo, achando que diante daquela pergunta uma certa demora poderia soar como charme, ou com uma falsa indicação de que eu era gay e curtia mais tocar numa salsicha... Mas por dentro eu estava ali explodindo, não acreditando, nunca poderia pensar que uma garota faria tal proposta. Sério, com a minha sorte, eu imaginava que assim que eu começasse a acenar a cabeça o avião ia explodir do nada... Mas, parecia que era algo real mesmo. Dei um leve sorriso (que imagino que não pareceu algo macabro, pois ela sorriu de volta), e acenei com a cabeça. Ela se aproximou de forma cautelosa, para não chamar muito a atenção, e começou então a folhear a revista de bordo, dando a deixa para a minha mão boba vir por baixo de seu braço e chegar no dito cujo...


Podem me chamar do que for... Mas foi uma sensação indescritível!

Ela perguntou então se eu havia gostado, e lógico que nessa altura do campeonato não havia resposta que não fosse sim. Passado o momento, a conversa voltou para temas mais "normais", embora parte de mim nem prestava muito mais atenção, pois estava nas nuvens. A loirinha continuava a falar agora sobre o que ela queria fazer, de gostar muito de dançar e de viajar... E em certos momentos dando aquelas olhadas mais sensuais, enquanto brincava com os cabelos e discretamente tocava em seu busto...

Aí então...

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...

...

Ela me pergunta se eu queria ver um pouquinho...


Amigo... Eu sei que isso aqui pode estar parecendo mentira... Confesso que eu mesmo estou escrevendo isso aqui e tenho a certeza de que ninguém vai acreditar em mim, parece que estou bolando aqui um conto de ficação. É bem absurdo, mas foi realmente algo que aconteceu comigo, e eu ainda me questiono, me pergunto se não tinha puxado um ronco durante o vôo e estava tendo esse sonho quase molhado...

Um breve parênteses tem que ser escrito... Ainda bem que eu sou um texugo solteiro e desprezado pelas mulheres. Digo isso pois eu me conheço muito bem... Apesar de ter a certeza de que muita gente vai dizer que é cascata, sou um cara que tem uma admiração e respeito pelas mulheres, um eterno sonhador na tentativa de ter uma namorada legal, um relacionamento sadio e especial com uma garota que me faça feliz, mesmo me dando conta de que pareço estar destinado a voltar ao pó sozinho. Eu sei o tipo de pessoa que sou, e se tivesse passado por essa situação em um momento em que eu estivesse com alguém, talvez lá atrás, desde a situação no totem de auto-atendimento, já teria esfriado o momento.

Como eu estava solteiro...

Discretamente ela se aproximou de mim mais uma vez, tentando buscar um ângulo favorável. Uma forma para que ninguém do lado pudesse perceber, tampouco que alguém ali atrás pudesse espiar pela fresta entre as poltronas. Parecíamos duas crianças prestes a fazer arte, esperando o momento certo em que os adultos não estariam olhando. Bem sorrateiramente... ela então baixou um pouco a blusa, para que eu pudesse ser formalmente apresentado ao objeto que despertou minha atenção desde os corredores do Galeão...


Nesse momento, só conseguiu pensar uma coisa: "uau"!

Sinceramente, acho que preciso colocar um pouco de ordem aqui... Me dou conta que isso tá quase parecendo uma postagem erótica, daqui a pouco vou ter que mudar a classificação do site. Se bem que confesso que eu estou muito mais comportado do que o que aparece na TV no Carnaval ou nos filmes brasileiros.

Depois de cubrir-se rapidamente, ela ficou com o rosto todo vermelho, sorrindo de maneira tímida. Eu me dava conta de que estava sorrindo também, e devia estar meio avermelhado como um pimentão. Era hora de voltar para a nossa conversa, antes que alguém suspeitasse do que estava acontecendo. Fico me perguntando se a senhora ali do lado estava realmente dormindo ou se ela estava escutando tudo. Vai ver que ela tava até curtindo, pois do contrário já teria dedurado para uma aeromoça e eu teria sido jogado pela saída de emergência...

Mais alguns minutos e o capitão acendeu as luzes e comentou que estávamos iniciando o processo de descida. Isso soou de certa forma como um soco no estômago para mim. Pois foi a dura porrada da realidade para lembrar que muito em breve a loirinha desinibida e simpática que havia conhecido iria logo seguir o seu rumo, para nunca nos falarmos. A conversa continuava, até que ela uma vez mais me pediu para segurar sua mão, enquanto o avião pousava. Sem pestanejar, segurei sua maõzinha delicada mais uma vez, fazendo questão de sentí-la muito bem, meio que para memorizar a sensação super incrível que aquele momento reservava.


Touchdown, avião no chão, turbinas no reverso (o que a assustou um pouco) e uma breve cantada de pneu na frenagem, e o vôo estava quase terminado. Já dava para escutar o click-clack dos cintos sendo desafivelados antes da hora, acompanhados das musiquinhas de início de telefones sendo ligados por ansiosos que não aguentavam alguns segundos a mais para conferir as mensagens do "zapzap" e as postagens do "feice". Eu e a loirinha continuávamos em silêncio, até que ela me disse que eu já podia ter soltado a mão dela...

O avião finalmente parou, e então começava como de costume o estouro da boiada, com nego quase pulando do assento para abrir logo o bagageiro e se espremer no corredor, para sair o quanto antes. Já falei aqui, parece que as pessoas são atacadas por algum tipo de neurose aguda que faz com que elas tenham uma ansiedade enorme para sair o quanto antes do avião. Muitas vezes isso ocorria antes mesmo do aviso de atar cintos se apagar, sempre me fazendo desejar com todas as forças que alguém levasse um tombo. Se eu fosse capitão, eu ia dar uma acelerada só pra derrubar esses apressadinhos todos...


Felizmente a loirinha não era muito apressada, e esperamos até o tumulto passar. Como o cavalheirismo dita, eu prontamente peguei a mala de mão dela do bagageiro, e juntos nos dirigimos para a saída do avião. Batia aquela sensação de um pouco de tristeza, como quando a criança vê que tá na hora de ir embora da Disneylândia ou quando chegamos no domingo e vemos que é hora de dormir para encarar mais uma semana.

Fomos até as esteiras de bagagem, conversando sobre a pressa excessiva das pessoas que viajavam, ela achando graça como que tem gente ansiosa nos aeroportos. Sério, eu estava gamando nessa garota! Até nas coisas que eu acho curioso e estúpido nas pessoas, ela pensava como eu! Esperamos a mala dela chegar, e então logo veio aquela mala grandona. Fazendo aquela pose para demonstrar a força que eu não tenho, peguei a mala dela e coloquei no carrinho, e depois fui empurrando pelo aeroporto até a saída, com ela ao meu lado, sorridente.


O mais engraçado era ver alguns marmanjos olhando pra mim com certa inveja... Tenho que confessar, embora eu seja um dos primeiros a adotar uma postura de "foda-se o que os outros pensam", dava um certo prazer presenciar como que os sujeitos ficavam ali imaginando estarem no meu lugar com uma garota daquelas. Mesmo que na prática não rolasse nada ali, pelo menos era a imagem que se passava.

Os derradeiros minutos daquilo que parecia um sonho se aproximavam... Ela estava ali para ficar na casa de uma amiga, e eu na direção oposta para o hotel escolhido pela minha empresa. Propositalmente eu empurrava o carrinho devagar, para render ao máximo a conversa ali. Eu teria apenas dois dias pela frente, ela ficaria lá toda a semana, e arrisquei perguntar se a gente poderia combinar de sair um daqueles dias, talvez jantar fora em algum lugar legal... Sim, talvez estava exagerando, alguns vão dizer... Mas como diz o ditado, "o não a gente já tem", então não custava perguntar para ver se eu iria vê-la de novo...


Como de costume, ela sorriu docemente, agradecendo o convite e dizendo que seria um prazer... Um breve silêncio, o que já indicava o esperado "mas-todavia-contudo-porém-entretanto", e que de fato veio, quando ela explicou que infelizmente ela já tinha alguns planos com a amiga dela, e ficaria chato mudar assim tão em cima da hora, ainda mais considerando que a tal amiga estava ali se disponibilizando para acompanhá-la. Era o balde de água fria esperado, mas tudo bem... Também eu tinha a consciência de que as muitas reuniões de minha viagem certamente não iam acabar tão cedo, o que impossibilitava qualquer tipo de plano. Mas ela topou que a gente tomasse um suco ali no aeroporto, antes de cada um seguir seu rumo.

Pelo menos, eram mais alguns minutos. Eu já começava a sentir o sono chegando, mas foi só não pedir um suco de maracujá e eu aguentaria mais um tempo. Continuamos ali conversando, ela toda meiga e simpática... Falamos um pouco da viagem, e ela ficou super agradecida por eu ter ajudado. Ela então veio, toda meiga e pediu meu número de celular, pois ela gostaria de manter contato comigo.


Essa eu também não esperava!

Ditei os algarismos de meu humilde telefone, e ela prontamente mandou pelo Whatsapp uma carinha mandando um beijo. Pronto, eu já tinha a certeza de que aquele era mesmo o telefone dela, nessas horas um merda como eu acaba sempre esperando que a garota vai pedir o número e nem vai anotar. Saímos então da lanchonete e nos dirigimos até os táxis.

Era o momento da despedida... Ela agradeceu a companhia, e que tinha sido um prazer enorme ter me conhecido. Eu disse o mesmo, e ainda tentei mais uma vez arrumar um possível encontro, dizendo que qualquer coisa, se os planos dela mudassem, ela podia me ligar. Ela sorriu e então trocamos um abraço e um par de beijinhos no rosto, disse para ela se cuidar e com um belo sorriso ela entrou no carro, acenando para mim pela janela enquanto se afastava de minha vida...


Na boa, eu estava ali nas nuvens... Mas tinha me dado conta de que certamente já tinha terminado ali. Nem dar mais uma insistida, pelo menos ter sugerido que quando estivéssemos no Rio da gente se encontrar de novo. Confesso que até mesmo o diabinho em meu ombro havia sugerido para convidá-la para passar lá no hotel... Afinal de contas, tão logo ela já estava oferecendo seus peitos para que eu os tocasse... Mas no outro ombro tem ali um anjinho meio boçal, que sempre ganhava com sua postura boboca... Era isso, parceiro. Era hora de pegar o meu táxi e ir para o hotel.

O dia seguinte passou voando... Pudera, eu ficava ali pensando na loirinha do vôo da Gol, imaginando que talvez ela poderia me passar uma mensagem, dizendo que a amiga tinha cancelado os planos e a gente poderia sair naquela noite. Mas as reuniões enjoadas e maçantes seguiram sem que meu celular apitasse para algo útil. Toda hora que o Whatsapp bipava, eu ia dar uma conferida e era mais uma daquelas mensagens de grupos de piada, a ponto que eu até coloquei em mute para não me distraírem à toa, e tampouco ficarem me dando falsa esperança.

Voltei para o hotel, e deu aquela vontade de passar uma mensagem... Mas, sei lá... bateu aquele complexo de babaca, e fiquei com medo de parecer carente demais...


Fiquei ali pelo hotel passando o tempo... Olhava para o celular, pensava em ligar ou mandar uma mensagem, mas no final eu acabava desistindo. Fui comer alguma coisa no restaurante do hotel, nem vontade para sair eu tinha, fiquei ali mastigando um frango à parmegianna que parecia ter sido requentado no microondas, pensando se eu devia mandar uma mensagem. Mais um bipe, e deu aquela sensação de desânimo ao ver que o mute de oito horas do grupo de piadinha havia acabado... Nunca uma piada da Dilma me pareceu tão sem graça como naquela hora.

Você pode se perguntar por que eu fiquei assim todo meloso e babaca... Bom, quando você é um texugo que acumulou mais fracassos na vida amorosa do que o Flamengo passou vexames históricos, quando surgem esses raríssimos momentos bons, dá aquela sensação de dúvida sobre se eu deveria ser um pouco mais ousado, se eu deveria arriscar mais. Sempre me perguntava se o meu fracasso com o sexo oposto se dava pelo fato de eu pensar muito e por eu ser muito... digamos, educado. Havia passado ali quase duas horas me perguntando se eu entrava em contato ou não, em vez de fazer jus a meus colhões e ligar de uma vez. Voltei para o quarto, e decidi passar uma mensagem.


E então, dois minutos depois... ela respondeu!

Perguntei como ela estava, e então ela me contou que estava tudo bem, que ela ia sair com a amiga dela para ir no cinema. Perguntou como que eu estava, disse que estava tudo certo, não tive a coragem de dizer que havia passado oito horas em reuniões chatas para caralho enquanto pensava no dia anterior. Ela disse então que tinha que ir, mas que havia ficado feliz com minha mensagem.

Ganhei o dia! Viu só como valeu a pena ter feito crescer um par de bolas?


O último dia de minha viagem transcorreu sem maiores novidades... Mais algumas reuniões, e quando me dei conta já estava de novo no aeroporto. Dessa vez eu certamente não iria ter a mesma sorte, difícil superar aquela viagem... Era de noite, e estava ali perto do portão esperando a hora de chamarem para o embarque, enquanto em minha cabeça passavam cenas de filme imaginando que aquela linda e simpática loirinha iria aparecer correndo pelo terminal, para me encontrar e se despedir de mim antes de minha viagem, em que nos abraçaríamos e nos beijaríamos, ao som de aplausos de todo o aeroporto...

Sim, eu sei... Sou patético.


Mas eu preciso dizer que não errei tanto assim... E digo de novo, True Story. Não estou de bobagem, não estou inventando... Mas logo meu celular bipou e era ela!

Não podia acreditar no que estava acontecendo. Ela havia se lembrado de que meu vôo era por aquela hora, e queria me desejar boa viagem. Muito doce, ela ainda lamentou o fato de que não tivemos uma chance de nos vermos durante aqueles dias. Mais uma vez, me sentia nas nuvens, ao ver que ela estava muito feliz por ter me conhecido.

E para fechar... Adivinha o que ela aprontou? Ela chegou e disse que tinha uma surpresa para mim, algo para que eu não me esquecesse dela (como se isso fosse possível).


Cara... Pela primeira vez na minha vida, uma garota havia me mandado um nude!

Sério, eu fiquei sem palavras... Não podia acreditar no que estava acontecendo. A foto era discreta, parecida com a de cima, sem mostrar nada da "zona do agrião", como diria o Silvio Luiz, mas mesmo assim algo de tirar o fôlego. Me dei conta de que estava ali no aeroporto, e felizmente eu estava sentado em um banco perto da parede, de forma que a tela do meu celular tomada pelo corpo nu da loirinha não estava ali escancarada para todos os transeuntes que passavam. Olhei de novo, e agradeci aos cromossomos XY que tenho, o que me permitia apreciar a beleza do corpo feminino em sua glória.

Logo ela passou uma mensagem, perguntado se eu havia gostado, seguida de uma carinha envergonhada. Respondi com a carinha piscando, dizendo que ela era linda. Por fim, ela se despediu e me desejou boa viagem.

Realmente é algo de se surpreender... Eu sempre fui um cara que me dei mal com as mulheres, apesar de sempre buscar respeitá-las e tratá-las bem. Tantas tentativas, tantas garotas de quem gostei e por quem fiz tanto... Um dia ainda conto aqui de forma superficial algumas das coisas extremamente absurdas que eu fiz, das quais não sei se me arrependo, mas que sei que banquei o idiota. Tudo isso, sempre fazendo de tudo, e nunca fui valorizado. Aí, num belo dia num aeroporto, uma mera ação gentil e descompromissada de ajudar uma moça com seu bilhete de viagem e em um par de dias eu já estava ali recebendo fotos dela como veio ao mundo... Vai explicar.

Ainda mantemos contato, nos falando pelo Whatsapp algumas vezes por semana, e eventualmente com uma rápida ligação. Infelizmente, as agendas não são muito coincidentes a ponto de permitir ligações mais frequentes. Mas o fato dela escrever, muitas vezes tomando a iniciativa, é algo legal, mostra pelo menos que a loirinha do vôo da Gol ainda tem interesse em manter contato comigo. E ainda mandando umas fotinhos mais calientes...


Não sei no que isso vai dar, admito que uma parte de mim fica ainda alimentando uma sonhadora esperança de que algo mais possa rolar, mas eu tenho a consciência de que a tendência é que ela logo arrume um cara mais compatível com ela... O fato da distância, ao descobrir algumas mensagens depois que ela não mora aqui no Rio de Janeiro, colabora para tornar as coisas mais complicadas. Por enquanto, sigo sem esperar nada a mais. Apenas algumas conversas confortáveis e descontraídas entre uma e outra fotinho mais picante que ela insiste em me enviar. Se o destino realmente planeja algo mais próximo, veremos o que acontece.

Realmente... É difícil de acreditar, mas foi a mais pura verdade. Foi sem sombra de dúvida uma viagem muito interessante...

sábado, 23 de julho de 2016

Comando para Matar - Parte 2

Bom, pessoal. Espero que vocês tenham se divertido até agora, pois vamos continuar aqui com a zoação do filme Comando para Matar, após uma longa jornada de postagens sobre a Euro. Uma verdadeira obra de arte de nosso chapa, o Arnold Schwarzenegger, derramando sangue para todos os lados nas tardes de depois da escola. Um puro formador de caráter, pode apostar que esses adolescentes boiolinhas de hoje entrariam nos eixos depois de ver esse filmaço.


Estou vendo que a cada filme que faço eu começo a exagerar mais e mais na quantidade de fotos. Espero que depois eu não estoure o limite daqui... Para quem perdeu o primeiro capítulo, é só dar uma passada aqui antes.

Antes do intervalo, alguns capangas haviam sequestrado a filhinha de Matrix, e Bennett, o bigodinho que todos achavam que tinha morrido no barco junto com algumas toneladas de tainhas, apareceu do nada e deu um teco de arma tranquilizante em nosso herói musculoso. Passado todo esse tempo, ele acorda com uma mega ressaca...


... e se vê cercado por os sujeitos mais escrotos que você podia imaginar. Por algum motivo, me lembrei dos Trapalhões.


Bennett então explica que ele havia usado um dardo de tranquilizante para gorilas pra deixar ele desacordado. Vendo a cara do bigode e essa roupinha fashion, podemos até suspeitar que deve ter rolado uma surubaça ali, a ponto de que a bunda de nosso amigo Arnoldo deve estar meio ardida e precisando de uma generosa dose de Hipoglós.


E então, por algum motivo qualquer, a câmera corta para um panariço de óculos escuros feios para caralho fumando um cigarro.


Preciso desabafar. Desde que eu assisto esse filme, eu me pergunto por que diabos eles mostram esse puto! Pra que dar um close nessa bichona de cigarro na boca? Com mil trovões! Alguém me explica por que disso!

Faço ainda outro comentário, embora possa parecer repetitivo. Eram outros tempos, em que não havia a polícia do politicamente correto, de forma que não havia nenhum problema em um dos personagens do filme estar fumando um cigarro. Por mais que eu condene esse vício, que ninguém nunca soube me explicar o que tem de bom, acho também exagero que hoje em dia tente se proibir que apareça um cigarro num filme, pois isso incentivaria as pessoas a fumarem.

Depois no final, vejamos a conta de quantos bandidos o Arnoldo mata nesse filme, e nem por isso eu e muitos outros nos tornamos assassinos. Continuemos...

Matrix então manda Bennett se fuder, que aquela arminha de tranquilizante era coisa de viadinho que a mamãe não deixa brincar com arma de verdade. O bigode então fica puto, dizendo que ele tava quebrado desde que foi demitido da Oderbretch e assim não tinha como comprar uma arma de fogo que prestasse.


O latino ali então interrompe o acesso de bichisse de Bennett e chega pra conversar com Matrix. Ele é Arius, um general de um país sulamericano de mentirinha chamado Val Verde, com mania de grandeza e defensor da "democracia" como a Dilma. Logicamente que, para fins de piada nessa zoação, o chamarei de Hugo Chávez, por motivos óbvios.


Aliás, essa era outra das tendências da época, usar nomes fictícios dos países dos bandidos, para evitar qualquer tipo de constrangimento entre nações, ou talvez para não ter que pagar royalties. Era pela mesma razão que no FIFA Soccer original o atacante da seleção brasileira era chamado de Janco Tianno. Nessa época, muitos filmes colocavam ou os soviéticos ou os latinos como bandidos, e em se tratando de América Latina sempre era algum país inventado para representar uma nação tomada pelo tráfico de drogas como era a Colômbia antigamente. Tempos de Pablo Escobar, em que a nação sul-americana amargava essa alcunha não muito agradável de país da cocaína.

Sinceramente, prefiro pensar mais na Colômbia como um simpático país exportador de misses universo. Na boa, arrisco dizer que aqui na América do Sul as mulheres colombianas parecem ser de longe as mais belas.


Tudo bem, chega de mulherada. Foi só para dar uma quebrada na testosterona desse post, que só tem marmanjo bombado de camisa "mamãe sou forte".

O Chávez continua ali o seu discurso, dizendo que vai transformar Val Verde em uma nação poderosa, em que vai instituir programas como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, pois ele pensa nos pobres e quer o melhor para eles. Mas para isso, ele precisava que Matrix fosse lá e matasse o presidente, para que assim, democraticamente, o Hugo Chávez pudesse assumir o poder em Val Verde. E Bennett tá lá, pensando na morte da bezerra.


Matrix então responde secamente: foda-se!


Bons tempos em que o herói do filme podia secamente dizer um sonoro "fuck you" sem se preocupar com a censura. Embora que, com o sotaque pesado do Schwarzenegger, parecia algo mais como um "fök yull".

Bennett então dá uma risadinha... Ou por ele saber como dobrar Matrix, ou por imaginar a cena do Chávez se auto-fornicando a si mesmo, que deveria ser hilária.


Eis então que eles fazem a ameaça, trazendo Jenny, toda amordaçada numa cadeira de rodas que os bandidos roubaram de uma velhinha no estacionamento. Por esse perfil percebemos também que o vilão Bennett cultivou ali uma generosa pança de chopp. Essa é nova, arrumaram um bandido barrigudo...


O Chávez então solta o papo reto, dizendo que se Matrix cooperasse e matasse o presidente, receberia sua filha de volta e tudo estaria resolvido, e eles viveriam felizes para sempre. Se não, eles iriam jogar ela numa debulhadeira enferrujada e mandar os pedaços dela via Sedex a cobrar. Vendo que não tinha opção, Matrix então relaxa na mesa e aceita a missão.


Sabemos muito bem que não se deve confiar em bandidos. Tá na cara que os caras vão matar a garota, independente do que aconteça. Mas vamos fingir que eles estão falando sério, pelo menos para passar para a garotada que se deve cumprir suas promessas.

De volta no sítio de Matrix em Atibaia, o General Boechat se dá conta da merda que fez, seu passeio de helicóptero por ali atraiu a bandidada. Depois de mandar ensacar os dois soldados, que serão levados para serem enterrados com honras militares, e de pedir pros seus subordinados jogarem o cadáver do Hector na fogueira, ele diz para todo mundo se preparar, que vai faltar espaço no IML se Matrix ainda estiver vivo.


Estamos agora no aeroporto de Los Angeles, onde os bandidos levam Matrix para pegar o próximo vôo para Val Verde. E vemos que arrumaram um blazer de quinta categoria na C&A, só para que ele não parecesse um pé rapado e pudesse ir de primeira classe. Afinal, os capangas queriam que Matrix fosse confortável, deve estar sobrando grana na conta do Chávez.


A idéia é a seguinte: o panariço lá dos óculos escuros, chamado Sully, vai ficar lá no aeroporto pra garantir que Matrix entre no avião. Por sua vez, o negão de chapéu escroto chamado Henriques iria voar com ele, pra garantir que ele chegasse em Val Verde. E o negão parece estar cheio de saliência pra cima de Matrix, parece que vai querer que o grandão fume um charuto cubano durante a viagem.


Bennett fica lá que nem um babaca, dizendo que era bom que Matrix passasse na farmácia pra comprar um tubo de vaselina, dizendo também que ofereceram uma bufunfa preta pra ele se rebelar contra seu ex-coronel, mas que topou trabalhar de graça só pra se vingar de Matrix. Pois vingança é um prato que se come frio e de graça. E preciso dizer, o cara parece mesmo o Nigel Mansell, piloto britânico dos tempos áureos da Fórmula 1. Mas como ele é o vilão do filme, vamos manter o nome original dele.


Bom... Bennett entra no carro pra cuidar de sua vida, mas Matrix fica puto e parte pra cima...


E então temos aquele momento de suspense, que aqueles que já viram o filme ou mesmo qualquer outro fã do Arnoldo sempre esperam ansiosos. Silêncio no recinto, que lá vem a frase mais aguardada da postagem:


"I'll be back!"


Hooray!


Na boa... Um filme do Schwarzenegger não é filme do Schwarzenegger se ele não diz "I'll be back".

Os três vão seguindo pelo aeroporto, passando numa boa pelo detector de metais. Repito, eram os anos 80, estávamos longe dos atentados no WTC que resultaram em um aumento exponencial da segurança nos aeroportos dos Estados Unidos. Nunca hoje em dia três sujeitos com essa pinta, sem levar nenhum tipo de bagagem para um vôo internacional, passariam assim sem serem levados para a salinha para responderem algumas perguntas e para uma busca em suas cavidades. Especialmente o Henriques.


E uma coisa precisa ser dita. Esse Henriques, com camisa havaiana, blazer e calça branca e chapeú de palha, parece um boçal saído de uma roda de samba. Só faltava um pandeiro ou um cavaquinho pra parecer um pagodeiro. Chamarei ele de Seu Jorge, pra descontrair um pouco.

Na porta do embarque, nos damos conta que o Seu Jorge é ainda maior que o Arnoldo. Explica por que arrumaram a primeira classe, pois um sujeito dessa envergadura não iria durar muito viajando no aperto da classe econômica. E Sully dá uma gorjeta pra Matrix como forma de agradecimento, pois quando ele voltar para o QG, vai ver se o tapete da filha dele combina com as cortinas, e descobrir se ela é do tipo que cospe ou engole.


Piadinhas à parte, no filme Sully fala algo parecido mesmo, dizendo pra Matrix tomar uma cervejinha em Val Verde pra dar mais tempo pros capangas ficarem com Jenny, mostrando que não passa de um tarado pedófilo. Matrix então olha torto pra ele, dizendo que ele é um cara engraçaralho pra cadinho, e por isso vai matar ele por último.


Essa é a frase do filme mesmo. Comando para Matar tem umas frases de efeito sensacionais e formadoras de caráter, e que precisam ser reproduzidas e registradas para a posteridade.

Os dois entram no avião da companhia genérica, que na época tinha que entrar por escada mesmo. E o Seu Jorge faz o sinal da pistolinha pro Sully, se achando o maioral. Outra atitude que hoje em dia faria com que uma dúzia de agentes do FBI pulassem em cima dele.


Os dois então entram na primeira classe, que não parece grandes coisas, já vi avião da Azul mais confortável. Matrix está na 17A, que fica na janela, mas o Seu Jorge gosta da janelinha, e corta na frente. Não adianta, você pode ser um terrorista de dois metros e mau gosto pra roupas, mas na hora de voar de avião tem a necessidade infantil de ficar na janela, pra ficar olhando as nuvens. Tudo bem que eu também prefiro a janela, mas é mais por motivo de conforto, e pra que ninguém derrube uma bagagem na minha cabeça se estou no corredor.


A aeromoça chega toda sorridente como é de costume, e pergunta se eles tinham alguma bagagem de mão. Matrix não perde a piada e diz que a única mala é aquele cara feio pra burro ali do lado dele. Outra frase espirituosa do filme. Bons tempos, em que se podia fazer piada com um negro sem que a polícia do politicamente correto viesse chiar.


O avião vai se preparando para decolar. Matrix pede um cobertor e um travesseiro e começa a se preparar para puxar um ronco antes da viagem longa, enquanto que o Seu Jorge lê as instruções de segurança, para que ele esteja preparado para qualquer problema durante a viagem e assim possa garantir a sua sobrevivência caso ocorra algum acidente.


Apenas para se certificar, Matrix vai lá dar uma conferida nas horas, e ao fazer isso acerta sem querer uma cotovelada no queixo do Seu Jorge...


... e depois então só pra garantir que ele está bem, dá aquele abraço e quebra o pescoço do negão, encerrando a breve participação do Seu Jorge no filme. Ele só saiu mais rápido no Trope de Elite.


Kill Count do Arnoldo = 2

O mais engraçado é que ninguém percebe, com a força da pancada era até pra quem estivesse na econômica ter escutado. Ou pelo menos quem estivesse sentado ali do lado. Matrix então dá aquela disfarçada pra esconder o defunto, cobrindo ele com o cobertor e o chapéu.


A aeromoça passa e Matrix aproveita pra perguntar a duração do vôo. A moça diz que são exatamente 11 horas até Val Verde, uma precisão londrina que certamente não podemos acreditar quando o assunto é viagem aérea. E pra completar, nosso grande Arnoldo pede para que não incomodem seu amigo Seu Jorge, pois ele está morto de cansaço.


Entenderam? Morto "de cansaço"! E é essa a frase do filme também. Nem preciso fazer esforço para as piadas.

Alguns minutos depois, Matrix se levanta e a aeromoça paga um esporro nele, dizendo que durante a decolagem ele deve ficar sentado. De forma seca, ele responde que está enjoado, e se ela não quisesse que a primeira classe ficasse fedendo a vômito, ia deixar ele chamar o Hugo lá no banheiro. Imagina só que deve passar na cabeça da comissária, vendo aquele marmanjo fortão com quem ela queria compartilhar uma turbulência no banheiro sendo na verdade um frouxo que sente enjôo enquanto o avião taxiava.


Só que o Arnoldo na verdade não está enjoado, mas sim planejando uma forma de se mandar do avião. E pra isso ele ia pegar um mini elevador que levava pra cozinha.


Pra quem está acostumado a viajar apenas em aviões pequenos, em aeronaves de maior porte é comum que existam esses elevadores, que dão acesso a uma área inferior onde geralmente guardam os carrinhos de comida, ou mesmo onde ficam os alojamentos para a tripulação dormir. Algo típico nos filmes de ação, quem se lembra do Passageiro 57 sabe que havia essa mesma jogada do elevador.


Matrix vai então até o depósito de carga, sendo recebido por um vira-lata dentro de uma jaula. Essa é a única cena em todo o filme que o Arnoldo se assusta, comprovando aqui a grande ameaça que são os bandidos... Fico pensando como que deve ser para um cachorro viajar dessa forma, preso numa gaiola com a barulheira dos motores e o frio. É pra ficar puto mesmo.


Com uma imensa facilidade, Matrix chega ao compartimento do trem de pouso dianteiro. Tão fácil chegar nesse local crucial da aeronave, te digo mais uma vez que eram os anos antes do atentado de 11 de setembro, onde a segurança deixava a desejar. Era só rasgar uma tela de lona escrota para ter acesso ao trem de pouso, molezinha. Se ele quisesse, era só arrebentar alguma coisa ali pra fazer o avião cair.


Enquanto isso, o calhorda do Sully está lá no terminal, certo de que Matrix está a caminho de Val Verde. Assim, ele coloca os seus óculos escuros e faz a sua patenteada pose de babaca como lá de cima.


Sério... Apenas pelo comentário pedófilo e pela sua pinta de escroto, é fácil que qualquer um assistindo essa película crie um ódio pelo Sully, torcendo para que ele seja morto pelo Schwarzenegger da forma mais violenta possível, no estilo do Conan o Bárbaro. Eu olho esse puto e adoraria acertar a napa dele com uma perna de mesa e depois jogar ele debaixo de um ônibus.

Mal sabe ele que Matrix está agora pendurado no trem de pouso. Vai ser louco assim na puta que pariu! Qual a idéia dele? Vai bater asa e voar?


Tem que ter muito culhão pra fazer uma loucura dessas, pular de um avião durante a decolagem. E sem pára-quedas! Parece que vamos ter uma cena digna dos desenhos do Papa-Léguas, com uma fumacinha depois que ele se estabacar no chão.


Que nada! Esse Matrix é pior que o John MacClane. Na última postagem ele voou pelos ares numa caminhonete, você acha que algo tão simples como pular de um avião iria causar algum arranhão? Ele acabou caindo num pântano e o único revés foi cagar a calça de lama. Dá-lhe Arnoldo!


Vendo o avião indo embora, ele então pensa em ajustar o seu cronômetro para as onze horas de duração. Era o tempo que ele tinha, enquanto os bandidos imaginariam que ele estaria em viagem junto com o Seu Jorge, e assim ele poderia tacar o zaralho de consciência tranquila.


Sim, nos anos 80 já existia relógio digital com cronômetro... Tudo bem que mais parece um genérico comprado por dez "reau" na Urú, mas tá valendo.


Em mais uma demonstração do nível nulo de segurança dos aeroportos de outrora, Matrix sai ali correndo pela pista para voltar para o terminal. E ninguém percebe... Impossível que não tivesse ninguém ali olhando, pelo menos aqueles babacas que ficam lá nas janelas apontando para os aviões decolando e pousando teriam visto um puto ali no meio da pista.


No aeroporto, Sully está ligando para o Chávez, dizendo que o avião foi embora, tudo xuxu beleza, inclusive tinha pedido na companhia aérea uma refeição vegetariana para sacanear o Matrix. E na frente dele está uma comissária sorridente, feliz pelo fato de seu vôo para o Afeganistão ter sido cancelado, aproveitando assim para ligar para o namorado que estava supostamente sozinho em casa.


Você, garoto ou garota nascido no final dos anos 90, deve estar achando estranho o aparato usado pelo Sully. Trata-se de um telefone público, você usava ele para ligar para seus amigos e familiares, depositando algumas moedas. Mas, antes que você venha torcer o nariz ao imaginar um mundo sem celular, observe que sim, já haviam celulares nessa época. Como esse que o Chávez está usando...


Sim, muito escroto. Tanto que Jenny diz que seu papi vai pegar aquele celular inteiro e enfiar na bunda do Chávez, a ponto de forçá-lo a ter que fazer um interurbano toda vez que tivesse que soltar um barro. Desbocada essa menina! Mas, o que você esperaria de uma menina criada por um ex-militar bombado?


De volta ao aeroporto, Matrix está ali procurando o calhordinha do Sully. Interessante como ninguém acha nem um pouco estranho um sujeito daquele tamanho, todo suado e sujo, andando ali de forma suspeita no terminal. Já disse e torno a dizer, eram outros tempos, em que você podia entrar num aeroporto de turbante gritando Alah Ackbar e a única coisa que te fariam seria dar uma esmola.


Sully já fez a sua ligação, e como é um tarado de carteirinha, já está pensando em outro tipo de conexão agora. Uma conexão envolvendo a bundinha daquela comissária que parecia a mulata da Globeleza.


Um breve comentário, já comentei em alguns momentos que eu não resisto também ao encanto das aeromoças. Algo nas roupas elegantes e sorrisos constantes (ih, rimou!), talvez influenciado pela idéia de que elas estão lá para servir os passageiros. Pra muitos homens, realmente é algo bem agradável de se ver...


Bom, quanto ao Sully... Nem precisa desse fetiche, pra esse aí serve qualquer coisa. Tem toda a pinta de que pra ele vale qualquer fechadura pra colocar sua chave.


A comissária fica ali meio incomodada enquanto fala com seu namorado, sem se dar conta de que ele havia aproveitado que ela estaria viajando pra convidar a vizinha de 20 anos pra visitá-lo, em quem faria um exame de amígdalas. Se dando conta de que perdeu o namorado de vez, e ainda levando uma cantada dum babaquinha com pinta de pervertido, ela vê que não é o dia dela.


Iria também fazer piadinha com o nome dela, chamando por exemplo de Valéria Valenssa. Mas para evitar alguma notificação sobre uso não-autorizado de nome e para simplificar a minha digitação ao longo desses posts do filme, manteremos o nome dela no filme, que é Cindy. Depois de desligar, ela tenta se livrar do Sully, que não quer perder a chance de encaixar o Lego com ela. Vemos também como ele é um tampinha.


Matrix então tem uma idéia. Ou então se lembrou que esqueceu o forno ligado em casa. Ou precisa dar uma mijada. Convenhamos, atuação não é o forte do nosso amigo Arnoldo, só não é pior que a Bella do Vampicha.


Cindy chega na garagem do aeroporto, e então se dá conta que aquele bosta a estava perseguindo descaradamente. Para um baixinho de perna curta, até que ele a alcançou bem rápido. Nessas horas que era bom ter uma latinha de spray de pimenta ou um taser...


Sully então chega ali pra dar mais uma cantada, perguntando se Cindy gostaria de um pirulito, pois ele tinha um bem grande no bolso de sua calça, que ela adoraria dar uma chupada.


Fala sério... Não é um babaca em que você adoraria dar uma tijolada na cara?

Cindy perde a paciência, dizendo que não encostaria nele nem com uma vara de seis metros. Era melhor ele se mandar dali, antes que ela chamasse a polícia ou um veterinário pra castrar ele.


Sully a chama de vagabunda e se manda, vendo que essa aí não vai dar mole pra ele. É como essas tarados pensam, se a mulher não dá pra ele, é vagabunda... Tua hora vai chegar, seu merda! Até o terno dele é escroto pra caralho! Como odeio esse cara!


Cindy então pensa que está tudo bem. Cancelaram o vôo dela, o seu agora ex-namorado estava cavalgando alguma puta que ele conheceu num bar e ela teve que aturar um escroto pervertido no estacionamento. E, pra completar o dia, aparece uma mão pra agarrar o seu pescoço. Danou-se.


Era Matrix. Fico pensando que ela teria imaginado que era naquele dia que seria estuprada, ao ver um troglodita fedido como aquele a agarrando pelo pescoço. Teria sido menos perigoso ter dado mole pro imbecil do Sully, que pelo menos parecia ser um fracote que nunca iria ter força pra machucá-la, embora era um panaca que parecia ter todas as DSTs conhecidas e desconhecidas.


Matrix manda Cindy entrar no carro, e depois, com a mesma facilidade que eu e você quebramos um palito de fósforo ao meio, ele simplesmente arranca a pôrra do banco do carona do carro dela. Tudo isso pra que ele não aparecesse muito, pois com toda a sua estatura ele poderia ser facilmente visto.


Sully está lá, entrando em seu Porsche amarelo. Pois, se você vai comprar um Porsche, tem que ser numa cor berrante pra que todo mundo veja. Ainda bem que eram os anos 80, em que abusar das cores era algo tolerável. Como ele não conseguiu arrumar uma piriguete ali no aeroporto, era melhor dar uma volta num shopping pra descolar uma mina e não ter que se contentar com a velha luta de cinco contra um mais tarde de noite no banheiro.


Matrix manda então que Cindy o siga. E precisamos destacar o quanto ridículo ele fica ali, abaixadinho no carro.


Cindy está ali uma pilha de nervos, imaginando o que aquele bombado de academia fedendo a pântano estava planejando fazer com ela, provavelmente algo não muito bonito. Matrix a acalma, dizendo que não vai matá-la. Pois, o Arnoldo respeita a Lei Maria da Penha e não bate em mulher.


A não ser na Sharon Stone, naquele filme Vingador do Futuro. Não o remake idiota, mas o original, aquele que tinha a mulher com três peitos. Aliás, taí outro filme que poderia fazer uma sátira.

Depois de alguns minutos dirigindo, Sully então entra na garagem do shopping. E vemos que o filho da puta sequer sabe estacionar direito! Puta merda, tá torto, seu bosta!


Outro comentário: o shopping em questão é chamado Galleria, que é o mesmo shopping daquela cena do Exterminador do Futuro 2, também com o Governator. Talvez ele tenha algumas ações de lá e era uma forma de fazer uma propaganda gratuita de seu estabelecimento. Ou simplesmente pelo fato de ser o shopping mais próximo do estúdio.

Matrix e Cindy vão atrás pela escada rolante...


... e então Matrix a coloca contra a parede, explicando toda a história, de que sua filha foi raptada e o Chávez o mandou matar o presidente de um paíseco qualquer, e se aquele cretino do Sully o ver ou fugir, ela estará morta. Assim, ele pede que Cindy tente seduzir o Sully, trazendo-o até ali, que ele daria conta do resto. E ainda a deixaria dar um chute nas bolas daquele pervertido, como vingança pela cantada de pedreiro lá de cima.


Quando você escuta a história, percebe o quanto ela é ridícula mesmo... Será que a Cindy vai cair nessa?

E quando olha pra cima, vejo que já coloquei imagens pra cacete, e já está na hora de dar uma pausa no filme, pra que vocês possam dar um pulo no banheiro ou até que o pacote de dados se recupere para a sequência dessa sátira.