quinta-feira, 28 de maio de 2015

Tratamento de Estrelas

Uma notícia que esteve muito comentada recentemente foi o incidente aéreo que ocorreu com os apresentadores da Globo Luciano Huck e Angélica. Eles estavam a bordo de um pequeno avião juntamente com seus filhos e duas babás, quando o aparelho sofreu uma pane nas bombas de combustível, obrigando o piloto a fazer um pouso forçado em um pasto, quando voavam sobre o estado do Mato Grosso do Sul. O desfecho foi positivo, apenas alguns ferimentos relativamente leves.


Bom... Quem já acompanha aqui o meu blog sabe minha opinião quanto ao casal, em especial em relação ao Luciano Huck... Eu sempre o achei babaca, e continuarei achando, mesmo depois do ocorrido. Não vou ser hipócrita a ponto de mudar minha opinião a respeito de uma pessoa só por conta desse episódio que ele e sua família passaram. Não desejo o mal pra ele, tampouco vou adotar uma postura do tipo "que pena que eles escaparam", mas por outro lado não serei como muitas pessoas de mente fraca que vão achar ele e a Angélicas as melhores pessoas do mundo só por terem passado por um incidente desses que podia ter sido fatal. Digo que na verdade o Luciano Huck é quem deveria talvez mudar um pouco a sua postura em relação à vida, deixando um pouco de falar bobagens polêmicas sem pensar, como comparar a derrota do Brasil na Copa com o atentado ao World Trade Center, se aproveitar de um acontecimento de racismo pra vender camiseta ou perguntar para uma tetraplégica se ela sentiu dor quando fez uma tatuagem na perna. Vamos ver se depois dessa ele começa a ter um pouco mais de noção e bom senso...

Mas, no fundo eu imagino que não vai mudar em nada, ele vai continuar na mesma... Bobeando, ainda vai tentar capitalizar em cima do incidente, no mínimo fazer uma matéria toda emotiva no seu programa, pra faturar audiência.


De qualquer forma, o motivo que me trouxe a escrever aqui tem a ver com o incidente pelo qual eles passaram, com alguns fatos ocorridos que repercutiram de forma negativa contra o casal global. Podem até pensar que eu estou sendo filho da mãe a ponto de procurar coisas negativas, mas eu não sou o único, foram observações feitas por outras pessoas e que não tiveram uma repercussão muito positiva.

A primeira é em relação a como a mídia anunciou o fato. Na imensa maioria dos meios de comunicação, na hora de divulgar a lista dos passageiros a bordo do avião, geralmente é algo do tipo "estavam a bordo Luciano Huck, Angélica, seus três filhos Benício, Joaquim e Eva e duas babás, além do piloto e copiloto da aeronave". Reproduzi inclusive uma dessas imagens publicadas em jornais que vem sido divulgadas de forma maciça na Internet.


Bom, quando se trata de acidentes aéreos, é meio que comum que a tripulação seja falada por último, afinal de contas, eles são parte sempre presente. Pegue qualquer notícia de acidente aéreo e é sempre algo do tipo "estavam a bordo N passageiros e mais tantos tripulantes". Nesse caso em particular da família global, até em geral citam os nomes dos dois tripulantes à bordo, inclusive pelo fato de que o piloto Osmar Frattini foi sem dúvida responsável por evitar um desastre maior, identificando rapidamente o problema, pensando rápido para encontrar um lugar razoável para o pouso de emergência e demonstrando habilidade para ter êxito, certamente tendo em tudo isso o apoio do copiloto José de Souza. De qualquer maneira, pelo menos o nome do piloto é geralmente mencionado nesse tipo de incidente, uma vez que ele está comandando a aeronave, tendo geralmente contribuição para o destino, seja ele positivo ou negativo.

Agora, a grande repercussão negativa a respeito disso você pode ver na imagem. Falam da tripulação, colocam lá a fotinho dos dois apresentadores da Globo, falam dos nomes dos filhos, com direito até a silhuetas que os representam de alguma forma... E as babás? Só se sabe que estavam presentes duas babás, sem sequer mencionar seus nomes.

Tudo bem que, em se tratando de acontecimentos que envolvam celebridades, sempre elas ficam em destaque, os demais praticamente só servem de estatística. Por exemplo, é só olhar o acidente de carro que vitimou o ator Paul Walker, da série Velozes e Furiosos. Da forma como tudo foi noticiado, parece que foi só ele quem morreu ali, se esquecem de que havia outro sujeito com ele no carro que também não resistiu. Mesmo na hora de incidentes infelizes como esse, os astros e estrelas recebem todo o destaque. Pra você ver que certamente muitas pessoas em um primeiro momento acharam que era Paul quem estava dirigindo e morreu sozinho, talvez induzidas pela sua fama com a franquia de filmes de corridas de carros, inclusive com gente (que provavelmente não gostava dele e/ou desses filmes) dizendo que ele morreu tentando imitar na rua o filme de Velozes e Furiosos. Tudo isso para descobrirem depois que ele estava no banco do carona, e o carro estava sendo guiado pelo seu amigo.


Enfim, voltando ao caso da queda do avião do Luciano Huck e Angélica, o desfecho não foi tão severo, mas muitas pessoas acharam errado e preconceituoso o fato das duas mulheres que acompanhavam a família serem referidas como somente "duas babás", como se não tivessem nem nome.

Não sei até que ponto é um exagero... Tudo bem, acho meio errado não mencionar o nome das duas mulheres, ainda mais considerando que haviam tão poucos passageiros. Babá também é gente, afinal de contas. Além disso, sabe-se lá quantas babás o casal global tem, imagina só os familiares de cada uma delas ver essa notícia, dizendo que haviam duas babás a bordo, seria o desespero em saber quem é que estava lá. Foi mancada sim de muitos desses meios de comunicação em não falar a respeito delas, fica sim uma impressão de que elas não são tão importantes assim, mesmo considerando o fato de estarem com dois famosos.

Mas também acho um certo exagero de certas pessoas, fruto do "pobrismo" que comove boa parte da nossa sociedade (colocando nesse grupo o próprio casal de apresentadores, em especial o Luciano Huck). Aqui no Brasil sempre é feito um estardalhaço quando alguma minoria menos favorecida é vítima de alguma coisa, seja de um crime ou ato de preconceito. O mesmo pobrismo que faz com que a sociedade se comova se é um homem pobre morador de favela que foi morto mas que se cala quando a vítima tem mais recursos e mora na Zona Sul, por exemplo. Imagino que muitas babás se sentiram revoltadas por acharem que sua categoria foi menosprezada pelos meios de comunicação, ao chamar as duas mulheres meramente de babás, sem nome, sem identidade qualquer. Assim como parte da população que se julga defensora dos frascos e comprimidos, que não perde uma oportunidade para dizer que as classes menos favorecidas são vítimas de preconceito...

Mais uma vez, acho que sim foi errado não mencionar o nome das babás. Mas por outro lado, esse é o perfil da sociedade, as pessoas famosas são colocadas em um pedestal e com isso todo o restante, os meros mortais, são relegados a cidadãos de segunda categoria. Penso que seus nomes não foram citados pelo fato delas serem babás, mas pelo fato delas terem sido ofuscadas pelo Casal 20 da rede do plim-plim. Se não fossem babás, se fossem dois outros passageiros ali que não tivessem nada a ver, a notícia certamente seria "estavam a bordo Luciano Huck, Angélica, seus três filhos Benício, Joaquim e Eva e mais dois passageiros, além do piloto e copiloto da aeronave". Isso é fruto do endeusamento que fazem com essas celebridades, algo que muitas das pessoas que se revoltaram com as babás sem nome certamente devem fazer, essas mesmas pessoas que acharam absurdo as duas não terem suas identidades reveladas muito provavelmente adoram folhear a Caras pra ver a casa do fulano que trabalha na novela ou assiste o TV Fama ou mesmo o programa Estrelas de própria Angélica pra ficar por dentro de tudo que acontece no mundo das celebridades.


Da mesma forma que o sujeito que estava com o Paul Walker no carro, os demais passageiros que estavam a bordo do avião que caiu com o Ritchie Valens (aquele do La Bamba) e tantos outros que perderam suas vidas ou quase ao lado de celebridades, as babás foram relegadas ao anonimato, pois a sociedade em geral está mais preocupada com o Luciano Huck, a Angélica e seus filhos, aquela que a mesma sociedade chama de família perfeita...

Aliás, a quem interessar possa: os nomes das babás que estavam com o casal global são Francisca Mesquita e Marcileia Garcia.

Bom, esse foi o primeiro fato que repercutiu de todo o incidente. Mas o mais grave na minha opinião, e que me traz mais revolta, foi todo o tratamento de alto nível que eles receberam no posto médico onde foram atendidos. A ponto de revoltar um coordenador do SAMU da região, como pode ser visto nessa notícia aqui. A revolta dele foi principalmente pelo fato de que foi dado um prontíssimo atendimento à família dos apresentadores, recebendo resultados de exames em poucas horas e chegando ao ponto de bloquear o CTI da casa de saúde para que eles tivessem maior privacidade e evitassem o assédio.


Tudo isso enquanto os pacientes "comuns" precisam esperar dias para ter um mínimo de atendimento. Segundo o mesmo coordenador, quando um mero mortal vai fazer uma tomografia semelhante a que o Luciano Huck e a Angélica fizeram, levam-se vários dias para que os resultados do exame cheguem. Tudo isso com pacientes mais pobres, que estavam esperando nas unidades de pronto-socorro (as tais das UPAs) liberar um leito na mesma casa de saúde onde os globais foram recebidos imediatamente. O coordenador citou até um fato de uma senhora que estava em condições severas após sofrer um infarto, e que a tal Santa Casa disse que não havia leitos disponíveis para ela... isso no mesmo dia que os astros da Globo chegaram. Ela precisou ser levada para um outro hospital, onde não resistiu.

Aí já é realmente um ponto que eu acho meio chato... Na minha concepção, a prioridade para o atendimento de emergência em uma clínica,casa de saúde ou hospital deve levar em consideração a gravidade do caso, o risco que a pessoa está correndo. Não pode ser priorizado o atendimento de um astro da televisão que está levemente machucado em detrimento de uma pessoa que corre sério risco de morrer... O correto é que seja feita uma avaliação por um médico ou enfermeiro, considerando todo mundo que está ali aguardando, para que seja atendido primeiro aquele que está numa situação mais grave.


Resumindo... a família global "furou a fila" na frente de várias pessoas que estavam aguardando atendimento. Só pelo fato deles serem famosos. É justo isso?

Ainda mais considerando que eles não se feriram com relativa gravidade... Ah, o Luciano Huck estava caminhando com dificuldades, com suspeita de uma fratura numa vértebra? A Angélica estava com suspeita de problema na coluna? Um dos filhos estava com cortes no rosto? Na boa, com todo o respeito, mas isso é pinto se comparado com o que a população passa nas filas de hospitais, isso não é nada com gente atropelada com a perna toda fudida tendo que esperar no chão, grávisas parndo seus filhos em cadeiras na recepção de pronto socorro, idosos sendo obrigados a subir escadas pois o elevador tá com defeito...

E também é revoltante ver como que para eles foi dada toda uma agilidade no atendimento. Não estou dizendo que deveriam ter andado devagar, afinal exames precisam ser disponibilizados o mais rapidamente possível, pacientes precisam ser recebidos por um médico sem muita espera. O problema é que absurdo como que com o Luciano Huck e a Angélica a casa de saúde foi exemplar em seu atendimento, enquanto no mesmo tempo leva uma eternidade para atender a população geral. De novo sobre a tomografia: se conseguem fazem uma tomografia neles e dar o resultado em duas horas, por que quando vai uma pessoa humilde fazer o mesmo maldito exame, ela precisa esperar dias?

Isso mostra que é possível sim dar um atendimento de qualidade. O problema é querer. O problema é que parece que o pessoal só acha importante atender com urgência e rapidez quando é uma celebridade, um VIP. Quando é o Seu João ou a Dona Mariazinha, aí então tem que esperar...

O pior ainda é vir um monte de filhos das putas, como repórteres e blogueiros financiados pelo PT, chegando com toda a arrogância, dizendo que o casal de apresentadores foi atendido com perfeição em um hospital do SUS, comprovando a indiscutível eficiência do sistema de saúde brasileiro, e que esses problemas como falta de leitos, mal atendimento, equipamentos ultrapassados e tudo mais não passa de invenção dos coxinhas puxa-sacos do PSDB e da mídia golpista que quer sujar o maravilhoso governo da "presidenta" Dilma.


Fala sério... Vai tomar no cú! Sim, ser atendido no SUS é uma maravilha só se você é celebridade, pois aí param o hospital pra você. Vai perguntar pro povão que está morrendo o que eles acham? Mais uma vez, o atendimento foi de primeiro mundo só porque era o Luciano Huck e a Angélica. Se fosse outro com os mesmos sintomas, iria primeiro pruma UPA qualquer, ia esperar uma eternidade pra liberar um leito em algum hospital da região, chegando lá ia ter que torcer para ser bem atendido. Vai se fuder, Paulo Henrique Amorim, seu merda! Fica achando que essa merda aqui é a Noruega, toma esse caso extremamente excepcional como retrato da realidade a qual a população está submetida. Não fode!

Encerrando, eu não quero que pensem que eu torço pelo pior para as estrelas da rede do plim-plim. Que eles se recuperem de seus ferimentos e, principalmente, superem todos os traumas psicológicos que certamente deixaram marcas mais profundas do que os ferimentos físicos. Agora, eu acho que temos que ter a consciência de que esse tratamento exemplar só ocorreu pelo fato deles serem celebridades. A saúde pública do Brasil está na merda, gente morrendo em hospitais por que não recebem tratamento semelhante ao que a Angélica e o Luciano Huck receberam. Tratamento que pode ser sim fornecido com justiça para as pessoas, se houver mas seriedade na saúde pública.

Tomara que eles dois, como figuras públicas de grande influência na sociedade, aproveitem esse episódio como oportunidade para cobrar das autoridades um tratamento hospitalar de qualidade para todas as pessoas, que comprovem que são gente de bem que se preocupam com os mais necessitados que no dia-a-dia estão longe de ter esse tipo de atendimento quando precisam.

sábado, 16 de maio de 2015

Perdoando Ladrão

Às vezes fico me perguntando como que eu sou tão diferente da maioria das pessoas. Vejo a minha forma de pensar, as minhas opiniões em relação a muitas coisas que acontecem, e percebo como eu acabo sendo quase sempre "do contra", remando contra a maré da maioria. Pior de tudo é que não faço isso por sacanagem não, não se trata de uma vontade de ser contrário ao que quase todo mundo pensa só pra ser contrário, vejo que realmente eu devo ter uma percepção do mundo muito diferente. Muitos certamente dizem que eu sou anormal... Mas eu penso que não estou tão errado assim.

Tudo isso é porque eu vou comentar uma notícia que tomou as manchetes nesses últimos dias,como você pode ver aqui ou aqui. Um sujeito lá do Distrito Federal estava fazendo compras no mercado, e na hora de pagar a conta viu que havia se confundido em relação à data em que receberia o dinheiro do Bolsa Família, estando com menos de dez reais no bolso. Com isso, ele acabou escondendo 2 quilos de carne na bolsa. Pelas câmeras de segurança o furto foi descoberto, o dono chamou a polícia e o cidadão foi levado pra delegacia.


Até aí, você pode pensar que não é nada demais, certamente delitos como esse ocorrem praticamente todo dia. O detalhe que levou essa história para os jornais é que, uma vez na delegacia, o homem disse que estava desempregado e sem comer há dois dias, uma vez que havia deixado a pouca comida que tinha em casa para seu filho se alimentar. Com isso, os policiais se sensibilizaram com sua história, e assim alguns deles se juntaram pra fazer uma vaquinha para pagar a sua fiança, e depois foram com ele em um mercado, onde fizeram uma mega compra do mês para o sujeito e sua família.

Que lindo, não? Você olha ao redor e vê muitas pessoas se sensibilizando com essa história, que parece filme da Disney. Dá pra imaginar senhoras de idade com os olhos lacrimejando de comoção, religiosos dizendo que os policiais estavam sendo guiados por Jesus, pessoas de todas as idades comentando sobre como é bonito ver as pessoas terem compaixão pelo pobre sujeito que só queria alimentar a sua família.


Bom... chega então a hora que todo mundo vai pedir o meu pescoço...

Tudo bem que o pobre coitado não é um bandido, está longe de ser um criminoso como um Fernandinho Beira-Mar ou a quadrilha do Mensalão ou Lava-Jato. É um sujeito que fraquejou diante de uma situação de desespero, ao ver que não conseguiria levar comida para sua família. Não questiono isso, tenho a consciência de que um certo ponto de vista o cara tinha uma boa intenção...

Acontece que de boa intenção o inferno tá cheio...

Pode parecer uma comparação besta, mas é como quando o zagueiro chega e mete a mão na bola dentro da área e o juiz marca pênalti. Nunca vai ser a intenção do jogador colocar a mão na bola, lógico. Mas a bola foi na mão, não interessa, é pênalti. Não tem o que discutir. Logicamente, estou desconsiderando aqui a opinião de comentaristas que, quando presenciam seu time amado cometendo uma penalidade máxima, vem com um papo de que "ah, mas ele não tinha a intenção, não precisava ter marcado pênalti".


É a mesma coisa que eu penso que termos de crime. Me surpreende, e até me preocupa, como que a sociedade acaba tendo uma postura assim tão condescendente quanto a delitos em certas situações, olhando muito mais para o autor do delito, suas características e suas intenções do que para o ato em si. Em outras palavras, pelo fato de que o sujeito estava desempregado e queria alimentar a sua família, por definição ele passou a ser visto como a vítima da história, como a parte merecedora da compaixão e compreensão da sociedade, em vez do dono do mercado que sera lesado pelo furto. Talvez até tenha aparecido alguém criticando o dono do mercado, dizendo que ele é um desalmado por denunciar um pobre pai de família que só roubou aquela carne por desespero, para que sua família tivesse o que comer.

Vamos imaginar que fosse eu, que tivesse chegado lá no mercado e furtado dois quilos de carne, mas as câmeras me flagrassem e eu fosse preso. Será que a reação seria a mesma? Certamente não. Seria colocado em uma cela, e se não tivesse dinheiro para pagar a fiança os guardas não fariam uma vaquinha pra me soltar. Ia mofar na cadeia, até que alguém me pagasse a fiança, ficaria com o nome sujo na praça. A sociedade me veria como um pária, um cafajeste roubando comida de um mercado, provavelmente alguns estabelecimentos colocariam meu retrato na porta e não me deixariam entrar... E todo mundo diria que isso é a justiça sendo aplicada.


Mesmo delito... Mas a diferença é que eu não teria contado uma história triste. Mesmo delito e penas diferentes, isso é justiça?

Eu acho isso errado. Eu entendo que as pessoas devem ser julgadas pelos seus atos, e não por outros fatores externos, por mais que tente-se comprovar alguma justificativa. É a mesma razão que eu acho errado que se considere que somente os negros podem ser vítimas de racismo, o preconceito racial pode ocorrer contra qualquer um, mesmo brancos; é pelo mesmo motivo que acho absurdo o tal crime de feminicídio que criaram (como eu falei aqui), a pena por matar uma pessoa deve ser a mesma, não importando se ela é homem ou mulher; é por isso também que acho inaceitável o "pobrismo" de nosso país, que assume que o pobre, o desempregado e/ou desalojado, o morador de favela, entre tantos outros grupos menos favorecidos, é sempre de bem, é sempre honesto, justo e trabalhador, como se ser miserável fosse um atestado de pureza e decência. Crimes iguais, punições iguais. Um ou outro grupo não pode ser protegido por algum motivo qualquer, parte da sociedade não pode ter um tratamento especial só por conta da cor de sua pele, sexo ou renda. Isso só incentiva ainda mais as diferenças.

Bom, eu sei que nessa altura deve ter muita gente me xingando, dizendo que eu sou um filho da puta sem coração, criticando minha postura contrária ao ocorrido. Muito provavelmente deve ter gente torcendo pra que eu perca meu emprego e passe fome para passar pela mesma necessidade do sujeito da história. Mas eu tenho direito ao meu ponto de vista (ou não?), e eu imagino que não falei nada de errado. Leis estão aí para serem cumpridas, e se na lei há lá uma punição para quem comete um crime, essa punição deve ser aplicada, não importa quem seja. Se começa com esse papo de "veja bem", de querer buscar quais são as intenções por trás dos atos, de começar a arrumar justificativas... bom, então não podemos reclamar dos políticos que roubam de maneira indecente, que desviam bilhões ao seu bel-prazer. Então ninguém pode achar errado quando um certo ex-presidente de língua presa e nove dedos disse que "não sabia"...


Na minha concepção, justiça deve ser igual para todos. Pode parecer meio severo demais, mas é o que tem que ser. Do contrário, sempre se arruma alguma brecha, algum motivo para que a pessoa tenha uma pena mais branda ou mesmo seja inocentado. Aí não precisa de lei, não precisa de justiça, é só cada um arrumar uma "desculpa" pra se safar. Sei que é necessário o bom senso muitas vezes, mas não podemos confundir bom senso com tolerância exagerada. Pensa só o exemplo que esse sujeito deu para seu próprio filho: mesmo tendo as suas razões, ele comete um crime, roubando comida de um mercado. E não aconteceu nada com ele, muito pelo contrário, ele foi até mesmo beneficiado por ter cometido esse ato impróprio. Passa a imagem de que o crime compensa, de que se você tiver um bom motivo você pode fazer qualquer coisa. Amanhã o filho dele vai achar que pode roubar um biscoito de um mercado, por exemplo, só porque está com fome e o pai não tem como comprar aquele biscoito pra ele, e achando que está tudo bem. Não estou dizendo que o cara é um criminoso de alta periculosidade e vai incentivar seu filho a cometer crimes; mas criança é que nem esponja, absorve tudo que os adultos fazem, especialmente os pais. É que nem o garoto que vê o pai dirigindo e atravessando o sinal vermelho, dando a desculpa que está com pressa, que não tem problema. Esse garoto vai crescer imaginando que não tem problema em ultrapassar um sinal vermelho se você estiver com pressa, ou que quando se tornar adulto não precisa obedecer o sinal fechado.

E assim que começa... Começa com coisas simples, como jogar lixo na rua, passar o sinal vermelho, furar fila de banco, colar na prova, roubar comida do mercado... A origem da impunidade, que faz com que bandidos perigosos de verdade sejam colocados nas ruas depois de cumprir parte de sua pena ou lhes dê uma liberdade "temporária" nos indultos de dia das Mães ou Natal, que faz com que os "di menor" cometam os crimes mais hediondos e fiquem com ficha limpa aos 18 anos, que faz com que políticos que foram julgados culpados de grandes esquemas de corrupção e que acabam soltos, pra serem eleitos para roubarem mais uma vez... a origem dessa impunidade está aí, nessas pequenas coisas... Nesses pequenos delitos que são perdoados, que são ignorados...

Antes que venham a colocar palavras na minha boca, eu não estou dizendo que o sujeito deveria fritar numa cadeira elétrica por ter roubado dois quilos de carne. Vamos guardar as proporções, ninguém está dizendo que as punições aqui tem que ser no padrão norte-coreano, onde um militar que cochilou durante uma reunião foi executado por um míssil anti-aéreo.


Mas que tem que ter alguma pena... Isso tem que ter. Por exemplo, numa situação dessas, o cara roubou carne pra alimentar a família, é um pobre coitado que não tem emprego. Eu penso que o que poderia ser feito é estimar mais ou menos o prejuízo que ele deu, contando com a sua fiança, e então colocar ele pra trabalhar, por exemplo, duas semanas. Algo como um trabalho forçado, em que ele pague as suas dívidas com a sociedade, após esse período ele seria liberado, não devendo mais nada à justiça.

Também não precisam pensar bobagem, não estou dizendo pro cara ficar ali com uma bola de ferro no tornozelo quebrando pedras, como no desenho do Pica-Pau. Digo alguma atividade que ele possa executar. Por exemplo, se ele conhece de construção, coloca ele pra trabalhar numa obra da prefeitura. Se sabe cozinhar, que vá ajudar na cozinha de uma escola pública, preparando a merenda das crianças. Arruma-se alguma coisa, nem que seja trabalhar de gari varrendo as ruas da cidade. Que até se dê pra ele um vale-transporte e um vale-refeição, das oito às cinco ele teria essa obrigação de trabalhar para a sociedade. Não seria algo justo?

Enfim... Essa é a minha opinião. Sei que muitos pensam diferente, sei que vou ser chamado de tudo que é coisa. Mas é minha visão, justiça precisa ser justa. Falam tanto na igualdade das pessoas, então que comecemos a enxergar as pessoas como iguais, responsabilizando-as da mesma maneira quando cometem os mesmos delitos. Se vamos continuar com essa postura de perdoar aqueles que têm uma história comovente pra contar o que fazem parte deste ou daquele grupo da sociedade, então que não venham ficar marchando em protestos contra a corrupção e exigindo que a justiça puna os outros.

sábado, 2 de maio de 2015

Robocop - Parte 3

Já estava na hora! A saga de nosso amigo de lata, o robô-tira, segue aqui no blog. Um mega clássico dos anos 80, que certamente dá de dez a zero na nova versão lançada recentemente, que vamos continuar aqui acompanhando. Caso você esteja perdido, recomendo dar uma passada na primeira e segunda partes que eu mostrei há pouco tempo.

E como fizemos um intervalo, nada como voltar com uma das propagandas escrotas que passa no meio do filme, sobre um joguinho tipo War, onde duas duplas de dois parecem ficar se xingando um ao outro, até que alguém aperte o botão vermelho e cause uma pequena explosão atômica no meio da sala de jantar, e todo mundo dá risada como o final do desenho do He-Man. Escroto pra cacete.


Quem está rindo à toa é nosso amigo Bob Morton. Graças ao sucesso do Robocop ele foi promovido a vice-presidente, ganhando um upgrade no salário, uma vaga de garagem mais perto da entrada e uma secretária particular para atender o telefone e para outros afazeres laborais. E logicamente com isso ele começa a ganhar sua trupe de puxa-sacos, como o Juninho, que vai lá cumprimentá-lo e dizer que se ele precisar de um capacho pra ir no Starbucks buscar o café, é com ele mesmo.


Tentando se livrar daquele pleura, Morton desconversa e diz que precia dar uma mijada, se dirigindo então para o WC. Só que Bob ainda não recebeu o seu cartão fidelidade American Express para o banheiro executivo, e Juninho já aproveita a deixa pra dar uma babada de ovo.


Os dois vão lá dar uma mijada, mostrando que puxa-saco é assim mesmo, ajusta a própria bexiga para urinar na mesma hora que o chefe. E por algum motivo, vemos tudo de um ângulo meio inusitado, de alguém que está ali sentado no trono de calças arriadas e soltando um barro bem na hora do expediente. Nada como uma cagada remunerada, não é mesmo?


Juninho então começa a encher o saco de Bob, perguntando como que ele se sente por ter sido promovido, e principalmente por ter sacaneado pra caramba o Zé Pinto, que devia estar meio puto com ele pelo sucesso do Robocop. De quebra ele ainda avisa pra Bob que se ele estivesse com preguiça, poderia dar uma balançada no seu pinto depois que ele terminasse de mijar, até se quisesse poderia passar um lenço pra não deixar nenhum pingo cair na cueca.


Sinceramente... Eu odeio mictórios, acho muito desagradável ficar ali diante de uma cuia na parede com seu bilau de fora mijando, ainda mais por muitas vezes aparecer alguém do seu lado para fazer também o número 1. Prefiro ir na casinha, onde posso mijar em paz, sem correr o risco de um papo insuportável de banheiro, uma espiada de um boiola ou uma respingada desastrada de um vizinho de mictório.

Bob diz para Juninho tirar os olhos dali, que ninguém vai balançar nada... Tentando mudar de assunto para afastar a investida homo-erótica do puxa-saco, ele comenta que o Zé Pinto é um baita dum velho gagá lazarento e peidão, com pinta de que curte Restart e One Direction, que fez um projeto de merda com o ED-209 e agora ia ter que pegar todos os lotes daqueles robôs escrotos e enfiar no rabo.


Após Morton falar essas palavras, todo mundo que estava ali no banheiro se manda, todos desesperados, muito provavelmente borrando as suas calças...


... isso porque naquela casinha ali que a gente tinha visto, estava o próprio Zé Pinto, que já tinha terminado de colocar o Robinho na aula de natação.


Na boa, eu não sei como é que aqueles babaquaras sabiam que era o Zé Pinto quem estava lá dentro. Será que reconheceram ele pelas canelas, ou talvez pelos urros quando ele estava fazendo força pra descarregar o churro?

Somos então agraciados com um close na calça do Juninho, que na pressa de se mandar, acabou se mijando todo. Fica aí se oferecendo pra dar uma balançadinha pro Bob Morton mas não consegue nem deixar a calça livre de respingos esse merda.


E ainda sai sem lavar as mãos.

Bob, que tem um pouco mais de consciência com higiene, vai lá tranquilo na pia para dar uma lavada depois da mijada, enquanto Zé Pinto chega ali, todo cheio de raiva pelas palavras que havia escutado. Por via das dúvidas, Bob fica ali encarando ele pelo espelho, para que o Zé não tente descer a porrada nele... Ou enrrabá-lo, sei lá.


Zé Pinto então solta os cachorros, dizendo que aquela merda de Robocop que Morton havia inventado tinha fudido com seus planos, que ele tinha um monte de encomendas para modelos ED-209 que eram muito mais maneiros, mas que agora estavam ali encalhados no estoque, dependendo de alguma promoção tipo Casas Bahia pra serem vendidos. Tudo por conta de um executivozinho de merda que ficava ali apontando problemas como um mero estagiário fuzilado e alguns bugs. Afinal de contas, Windows é cheio de bug mas você não vê ninguém reclamando dos problemas.


Bob mantém a compostura, dizendo que para o velho, o presidente da empresa, importava o projeto mais barato, e que ele havia ficado muito sentido com a destruição da sua maquete que ele tinha feito quando era criança. Ele termina mandando Zé Pinto ir num médico, pois parecia que a cara dele precisava de uma operação de fimose.


Zé Pinto então fica mais calmo... Não ia descer ao nível de uma briguinha que parecia coisa de primário. O que era importante é que o velho lá poderia falar o que fosse, mas um dia ele iria bater as botas, e na OCP quem assumia a presidência não era o VP, mas o mais velho. Graças ao renovado estatuto do idoso, que garantia um percentual de cargos de chefia para os sexagenários, o que deixaria o Zé Pinto de boa na lagoa depois do velho morrer.


E então por algum motivo ele começa a acariciar a cabeça de Bob! Caralho, esse Zé Pinto deve dar marcha ré no quibe, aproveitando que estão só eles dois ali no banheiro privativo. Dá pra perceber a cara de nojo de Morton, já era a segunda investida de um boiola ali desde que entrou no banheiro, será que venderam pra ele a versão rosa do desodorante Avanço? Lembrando-se que o Zé Pinto não lavou as mãos, que devem estar fedendo a bosta.


Mas o Zé Pinto não está a fim de carícias, está ali pra descer a porrada em Morton de uma forma extremamente máscula: puxando o cabelo. Ou então ele viu 50 Tons de Cinza e curte um sexo meio violento.


Bob se livra da mão suja do Zé Pinto... Que dá uma risadinha dizendo que ele ainda vai fuder com Morton, de um jeito que ele nunca vai esquecer. Velho tarado esse cara, viu?


Bom, vamos sair dessa cena do banheiro e voltar lá pra delegacia de polícia, onde encontramos o Robocop bem na hora da sua sonequinha. Sim, por mais absurdo que possa parecer, ele é um robô que precisa dormir e descansar... Enquanto isso, estão ali dois técnicos formados pelo programa de cotas para retardados, um deles lendo ali o Meia Hora, posicionando a perna de forma a esconder a ereção que estava prestes a ter após chegar na página com uma gostosa com as bazingas de fora.


Do nada então, dá uma tremedeira no Robocop...


... percebida imediatamente pelas máquinas que mais parecem sismógrafos pra detectar terremotos, e devidamente ignorada pelos dois técnicos de merda ali que só estão esperando dar a hora de ir embora.


Absurdo mesmo. Tá lá o Robocop se contorcendo, fazendo um mega barulho, e os dois ali distraídos, na boa, o idiota lá lendo a entrevista da Mulher Melão falando sobre como ela não consegue dormir de bruços e a outra cretina ali vendo a lista de cavalos das próximas corridas no jóquei. E ainda dá pra perceber que nas telas de baixo aparece a imagem de Clarence Boddicker, mostrando que o Robocop está tendo um pesadelo com aquela hora em que ele, ainda como Murphy, foi fuzilado.


Sim, isso mesmo... Um robô dormindo e tendo pesadelos...

As máquinas continuam ali a registrar os sinais vitais, tremendo mais que lagartixa sambando...


... e o Robocop se debatendo, como um adolescente curioso perdendo sua virgindade anal.


Finalmente os dois se dão conta de que alguma coisa está errada, mas não fazem nada. Na verdade é um esperando que o outro faça alguma coisa, e o outro esperando que o um faça alguma coisa, e com isso os dois vão acabar se fundendo e sendo despedidos.


Depois de tudo, os sinais se tranquilizam... O pesadelo acabou aparentemente.


O Robocop então decide se mandar. Como ele não tem pinto, certamente não está indo no banheiro pra dar uma mijada depois desse pesadelo com Clarence Boddicker matando ele. Os técnicos ali ficam sem saber o que fazer, e ele se manda.


A doutora zolhuda chega correndo juntamente com aquele aspone lá da última postagem, e os dois se dão conta de duas coisas: primeiro, que o Robocop parecia ter ficado maluco depois de um pesadelo, causado por memórias passadas de seu cérebro humano; e segundo, eles precisavam arrumar dois técnicos novos, pois aqueles dois imbecis ali ficaram só de sacanagem, em vez de desligar a chavinha ON/OFF do Robocop para que ele não saísse dali.


Enquanto caminha pelos corredores para se mandar dali, ele cruza com a policial Lewis, que juntamente com um de seus novos parceiros (que conseguiu a façanha de durar a primeira missão) havia prendido Jô Caolho, um bandidão que roubava selim de bicicletas só para ver se algum desavisado ia sentar sem querer no cano, e que tem um estilo bem escroto de usar um tapa-olho com óculos.


Lewis ainda está encucada com o robozão, principalmente depois de ter visto ele fazendo aquele truque com a arma. Ou então ela parece ter uma tara muito problemática por aparelhos mecânicos e estava querendo dar em cima do Robocop, chegando ali toda cheia de dengo e amor pra dar. Impressionante como a mulherada nesse filme não resiste ao herói de lata. Mas na verdade ela o questiona se ele era seu antigo parceiro Murphy. Ela ainda estava se sentindo muito magoada por ter largado ele sozinho lá com os bandidos o que resultou em sua morte. Mas se ele pudesse dizer para seus colegas que não tinha sido culpa dela, pelo menos ajudaria a acabar com sua fama de pé-frio.


Lógico que chegar alguém e dizer que você morreu é brabeira, ainda mais depois do pesadelo que o Robocop teve. Ele então diz para Lewis que está ocupado, que precisa fazer algumas coisas de robôs e não tem tempo para ficar falando sobre sua morte. "Beijinho, beijinho, tchau, tchau", ele diz, seguindo seu rumo.


O aspone alcança Lewis e taca um mega esporro, dizendo que não era pra mulher nenhuma ficar ali flertando com o Robocop, pois ele ia se dar conta que não poderia fazer nheco-nheco e com isso ele poderia dar um tilt.


Bom, se ele não tivesse ali parado pra ficar falando com Lewis ele o alcançaria... E lá vai o Robocop, dar uma volta.


Em função da crise, a doutora zoiuda ligou para Bob Morton, interrompendo o seu jantar com uma modelo exótica que havia prometido fazer um show privativo em seu apartamento que envolveria oito potes de mousse de chocolate e nada mais. Teria sido um vírus que o Zé Pinto implantou, um bug no sistema operacional? Ou será que teria sido uma artimanha bolada pela doutora para trazer Bob Morton para a delegacia, para ver se assim ele tascava outro beijo nela?


Como sabemos, na hora da merda a corrente sempre quebra no elo mais fraco. E isso caberia ao aspone do laboratório, e por isso ele foi mais rápido trazendo Lewis ali para levar a culpa toda, dizendo que ela havia invadido ali a jaula e sentado no colo do Robocop, e com isso fez com que ele ficasse acanhado e se mandasse. Lewis retruca que sentado no colo dele o caralho, que ela só tinha perguntado o maldito nome dele. Afinal, quem é que fazia um robô assim e não o batizava? Morton só acha graça, nessa hora só mesmo rindo pra não chorar, ao imaginar uma modelo voluptuosa deitada em sua cama besuntada de mousse de chocolate, e ele ali tendo que resolver aquelas criancices...


Morton se manda dali, mas não sem antes dedicar alguns minutos para mais alguns xingamentos racistas contra o delegado Hightower, como era comum nos anos 80, e que não reproduzo aqui para depois não ser o meu na reta.


Depois que ele vai embora, Hightower solta o verbo, dizendo que aquele filho da puta do Morton era um arrombado dum viado sem vergonha, que tinha mais que sentar num hidrante em vez de ficar bancando a bicha louca sobre o seu robozinho despirocado, que os dois fossem pra puta que pariu, pois desde que eles invadiram a pôrra da delegacia dele tinha sido só problema. Mas que ela também parasse de fazer merda, pois por conta dessas babaquices de perguntar o nome para aquela pôrra de robô ele foi obrigado a escutar caladinho os xingamentos do Morton sem poder dizer nada, e que já estava de saco cheio de Lewis ficar arrumando um monte de problema também. Da próxima vez que ela fizesse uma cagada dessas, iria colocá-la patrulhando a zona portuária.


Mudamos de ares, vamos agora para um posto de gasolina onde o frentista, que chamarei de Dexter, está lá resolvendo alguns problemas de matemática, para ver se assim ele consegue passar num vestibular, que está cada vez mais difícil para homens brancos de meia-idade que não tem direito a nenhum tipo de cota.


Mas que dera que o problema dele fosse esse... Pois quem apareceu era o nosso amigo Farofa, sumido desde a primeira postagem, mandando um "perdeu, playboy" pro coitado.


E depois de pegar toda a grana, ainda pede para ele liberar uma bomba de combustível, pra encher o tanque de sua moto, pois a gasolina tá cara pra cacete graças à Dilma. Te digo que ia ser hilário se ele se enrolasse e enfiasse o cano da metralhadora no tanque em vez da mangueira de combustível, iam ter que recolher os restos dele com uma esponja.


Bom... e para o azar dele, imagina quem tá na vizinhança?


Demonstrando que vai fazer tudo para se fuder ali mesmo, o Farofa ainda vai e me acende um cigarro ali no posto de gasolina. Gosta de viver perigosamente, ou é meio acéfalo esse cretino.


Ele pergunta então pro Dexter o que diabos estava lendo ali, e então ele, com as cuecas borradas de medo, mostra o livrinho de geometria plana, onde está fazendo a lição de quadrados, pentágonos e outros polígonos menos famosos. E descobrimos que os atletas amadores dos EUA estão na merda, pedindo um dólar de esmola para poderem competir.


Isso faz então o Farofa inicialmente cair na gargalhada, pois ele achava muito engraçado um nerdzinho escroto ali estudando, que aquilo era uma viadagem, pois homem de verdade ia estar folheando uma Playboy e vendo alguns peitos em vez de ficar lendo um livrinho de geometria. E então ele o desafia, para ver se ele é mais esperto que uma bala.


Aliás, piada do filme mesmo, achei sensacional! Como já disse, os bandidos aqui do Robocop têm um bom senso de humor.

E então nessa hora chega o Robocop, apontando sua arma e dizendo sua frase de efeito "vivo ou morto, você vem comigo".


Bom, se você se lembra da primeira postagem, essa é a mesma frase que ele falou para o mesmo Farofa, quando ele ainda era Murphy. Se não se lembra, pôrra! Já esqueceu? O Farofa que não é lá essas coisas que lembrou, e com isso se mijou todo, pensando que estava vendo ali um fantasma.


Mais uma vez alguém fala que ele tinha morrido... Por via das dúvidas, o Robocop liga o seu gravador de vídeo para registrar bem a cara do Farofa, que então decide se mandar.


Tudo isso começa então a causar um mega turbilhão na cabeça do Robocop. Primeiro foi aquele pesadelo onde ele estava sendo fuzilado, depois aquela oficial dizendo que o nome dele era Murphy e que tinha morrido, e agora um merdel dum bandido dizendo que eles tinham matado ele. É demais para o processador 386 na cabeça dele. E o pior é que no tiroteio a mangueira de gasolina se arrebentou, encharcando tudo com o líquido inflamável.


O Farofa dá uma última baforada em seu cigarro, e tem a idéia de fazer um churrasquinho de homem de lata.


E não demora e o posto vai pelos ares. O Dexter já tinha se mandado dali, não se esquecendo de levar os livros, ou pagaria multa na biblioteca. Pelo menos é o que esperamos.


Ignorando que metade dum quarteirão foi riscado do mapa, o Robocop finalmente acorda em si, e manda um balaço na direção da moto do Farofa. Pela primeira vez ele não ia atirar para matar, pois aparentemente aquela bicha sabia algo sobre ele.


Uma bala acerta bem no pneu, e então o Farofa se dá conta que se fudeu.


Ih, rimou!

E a pancada não foi pouca, voando de cara num carro que estava parado ali. Certamente isso vai deixar uma cicatriz meio feia no seu rosto. Mas, bem... é melhor do que levar um banho de ácido nas fuças, não acha?


Tenho certeza de que os fortes entenderão a minha piadinha com o ácido... Se não entendeu, espere para o final do filme.

O Robocop chega até o Farofa, perguntando se onde ele comprou aquela jaqueta não tinha pra homem, e por que diabos ele estava falando que o havia matado. Um merda como ele jamais conseguiria matar alguém, nem mesmo no videogame. A resposta do Farofa antes de desmaiar é algo como "bleaaarghhh...", o que não ajuda em muita coisa.


Sem conseguir nada do bandido, o Robocop decide então ir para o centro de inteligência da polícia. Todos os oficiais ali ficam surpresos, em especial o sargento Wally, que não quer saber se ele é um robô do futuro super-poderoso, pois ali era uma área restrita, e só podia entrar ali depois que ele pagasse um cafezinho.


De saco cheio, o Robocop manda ele tomar dentro, mostrando a agulha pro Wally, e que se ele não se calar, ia fazer um exame de próstata com aquela merda.


Bom, a tal agulha serve não só para assustar gente enxerida e mandar os outros tomarem no rabo, mas também para que o Robocop possa se conectar em computadores. Tipo um conector USB, mas um pouco mais perigoso de se usar.


A intenção de nosso amigo de metal era fazer um reconhecimento facial daquele bostinha que ele havia prendido assaltando o posto. Graças às leis de conveniência dos filmes, em questão de alguns poucos segundos ele consegue então encontrar a ficha do Farofa, sabendo que ele nasceu em Queimados, que gosta de churrasco na laje, roupas de couro coladas e torce para o Bangu.


Ele então começa a procurar pelos seus comparsas, passando pelo Motumbo, pelo China, pelo Fonzie, até que então esbarra na ficha do Clarence Boddicker, reconhecendo o sujeito dos seus pesadelos.


Esse é o cara, o puto que estava assombrando seu soninho. De curiosidade, ele começa então a rolar pela ficha de crimes, mostrando que Boddicker começou sua vida de bandido aos 7 anos quando trocou as pílulas anti-concepcionais de sua professora por um laxante para cavalos, tendo praticado de tudo, como assassinatos, roubos, tráfico de drogas, estacionamento proibido e furar fila do banco. Até que uma hora ele passa por um dos crimes, a morte de um oficial de polícia chamado Murphy.


Nessa hora dá aquele estalo na cabeça do Robocop, não porque um transistor foi pro saco, mas ao se lembrar daquela policial chata que o estava chamando por esse nome. Tudo bem que Murphy não era um nome tão incomum assim como Jodiscláudio ou Suellinsen, mas era muito suspeito...


Como a curiosidade matou o gato, ele então decide ver a cara do tal Murphy, e realmente aquela queixada lhe parecia familiar. O Robocop decide então anotar no seu Notepad que já vinha instalado o endereço para dar uma olhada lá na casa do Murphy. Descobrimos também que ele ganhou o prêmio Miranda por ter boa conduta e bravura, embora pareça um nome mais associado a um prêmio de culinária ou manicure.


No dia seguinte, depois de tirar um cochilo no seu troninho, Robocop decide então ir no tal endereço, vendo que o lugar já está à venda pelo programa "Minha Casa, Minha Vida".


Aparentemente no futuro uma profissão que vai deixar de existir é agente imobiliário, pois como podemos ver, um computador com uma gravação de uma versão mais nova do Raul Gil o recebe, dizendo que aquela casa era sensacional, em uma vizinhança sem negros e hispânicos, onde poderia morar tranquilo com sua família.


O Robocop começa então a andar pela casa, vendo que quem morava ali nem se deu ao trabalho de levar o sofá. Deve estar sobrando grana para os antigos inquilinos pra largar móveis assim dessa forma.


Mas isso começa então a trazer memórias na cabeça do robô, lembranças que ele inclusive teve na hora em que estava na mesa de operação pronto para bater as botas. Aquele sofá, aquela sala de estar... E então ele se lembra de um garoto, vendo um seriado escroto onde o herói gira a arma no dedo, e chamando ele de papi.


Ele fica então perplexo... Quando foi programado, colocaram no Robocop uma série de informações a respeito da anatomia humana e a forma de reprodução. E considerando o que ele não tinha ali entre as pernas que pudesse ser usado para gerar uma criança, jamais ele poderia ter um filho, a não ser que ele fosse humano antes de virar robô.


Indo na cozinha ele percebe uma pilha de coisas queimadas, entre livros e outros papéis, encontrando ali uma foto que ainda está relativamente inteira. Não, não é uma foto da vizinha pelada...


... mas sim uma foto de uma família, onde está o mesmo moleque vestido de diabinho, o tal do Murphy que ele tinha visto no sistema e uma mulher. E no fundo da foto, um quadro do Luciano Huck fantasiado de Dom Quixote.


E lá vão as lembranças também, onde o Robocop começa a se lembrar desse dia, da mulher fazendo careta em abóboras e o garoto filando biscoito antes da hora da janta.


Cá entre nós, que sabemos de toda a história: mas que tipo de mulher é essa, que depois da morte do marido pega todas as suas coisas e queima assim? Tá bom, deve ter dado uma tristeza imensa perder um ente querido, e isso deve dar um sentimento de raiva em determinadas horas, mas para chegar a ponto de queimar fotos antigas do Murphy, acho meio forte demais. Como se quisesse apagá-lo de suas lembranças.

Andando mais pela casa, ele chega então no quarto, onde vê a mesma mulher, só de roupão rosa, com toda uma história de fio-terra e tudo mais... Tava na cara que aquela lambisgóia tarada ali era a sua esposa...


Finalmente cai a ficha... Robocop era Murphy, e haviam transformado ele num robô, depois dele ter sido morto pela gangue do Clarence Boddicker, aquele filho da puta que ele viu nos seus sonhos. Tudo aquilo, aquela mega casa, aquela mulher que curtia brincar na porta dos fundos, aquele guri retardado e o seu pinto, tudo isso havia sido tirado de sua vida. Puto dentro das calças (embora o Robocop não use calças), ele acerta um soco na cara do Raul Gil na televisão, pra ele calar a pôrra da boca, que já tava enchendo o saco.


Depois dessas lembranças, o Robocop decide dar uma relaxada, indo em um clube punk. E sabemos que, como nos ensinam todos os filmes dos anos 80, punk é aquela turma de gosto musical duvidoso, penteados exagerados e que normalmente são sempre os bandidos. Talvez ele decidiu ir lá pra espancar alguns punks para se sentir bem consigo mesmo.


Mas na verdade ele estava atrás do Fonzie, amigo do Farofa que costuma cair na balada naquela pocilga, para ver se iria descobrir onde estava o Clarence Boddicker.


Fonzie não tá pra brincadeira. Ele tava lá dançando com uma mina que era conhecida como Boca de Veludo, e não ia ser um sujeito vestindo uma fantasia engraçada de lata de sardinha que iria atrapalhar sua investida na moça. Se ele quisesse saber onde estava o Clarence Boddicker, que procurasse no raio que o parta.


Só que apesar de ser feito de lata, o Robocop é mais rápido que o mané do Fonzie, dando um tapa e jogando a arma dele pra longe, mostrando como que esses bandidos são meio frouxos.


A pistola vai cair nas mãos de um punk escroto, que logo tem a brilhante idéia de fazer a Dança do Revólver com sua parceira, mostrando como em certos aspectos a juventude dos anos 80 só tinha merda na cabeça.


Sem perder tempo, Foznie decide partir pra força bruta, desferindo um chute no saco do Robocop.


BONG!

Acontece que o Robocop não tem saco, mas sim uma placa de aço, de forma que o Foznie quebra o pé em vários pedaços depois dessa tentativa esdrúxula de tentar nocautear um robô com um chute nas partes íntimas.


O mais bizarro de tudo é que os outros punks ficam ali rindo à toa, achando super divertido um dos seus estar sendo preso por um policial robô. Ou são as drogas e a bebida agindo a mil por hora ou trata-se de um senso de camaradagem zero por um de seus semelhantes. Se fosse num outro lugar, ia juntar uns trinta em cima do Robocop pra descer a porrada nele. Tudo bem que todos eles iam apanhar que nem cachorro de pobre, mas pelo menos poderíamos curtir uma cena de porradaria na discoteca que seria épica.


Cansado dessa viadagem toda, o Robocop leva o Fonzie pelos cabelos para bater um papinho lá no canto. Considerando que o puto deve passar um litro de gel na cabeleira, nosso amigo robô vai ficar com a mão toda lambuzada.


Mudamos um pouco de ares, e chegamos então na mansão do Bob Morton, que está se divertindo ali com duas putas, numa festinha particular regada a muito vinho, fumo e farinha. Logicamente que são mulheres da vida dos anos 80, com penteados bufantes e roupas brilhantes.


Pela cara de Morton, ou ele se cagou nas calças todo, ou está se amaldiçoando pelo fato da agência de acompanhantes ter enviado duas mulheres que mais parecem balzaquianas taradas na menopausa.

Uma delas é tão desesperada e despirocada que chega a ponto de pegar um punhado de pó e jogar em cima de seus peitos caídos, pra que Morton desse uma fungada mamária. E se você tá achando que esse pó branco é talco, deixa de ser inocente...


Alguém toca a campainha, e Bob aproveita a chance pra se desvencilhar das duas coroas fogosas, pra ver se consegue aproveitar e se mandar pra zona, onde poderia arrumar algumas ninfetas de 18 aninhos cheias de amor pra dar e sem pelancas, largando as duas ali.


Que nada... Quem estava ali era o Clarence Boddicker, o bandidão do filme. Mas que diabos ele estava fazendo ali? Afinal de contas, ele não era o tipo de bandido pra ficar invadindo casa pra roubar televisão ou estéreo.


Sem perder tempo, ele manda as putas se mandarem dali de forma bem direta. Sim, a frase dele no filme é simplesmente "bitches, leave", algo como "putas, fora". O pior de tudo é a puta loira ali, toda sedenta de sexo, perguntando se depois um deles quisesse afogar o ganso, ela estaria lá fora esperando de quatro.


Interessante é a naturalidade das duas mulheres da vida. Quando a reação mais esperada seria as duas gritarem e espernearem como galinhas cacarejando, as duas simplesmente se levantam na maior tranquilidade, pegam seus sapatos e saem dali sem mais nem menos. Devem estar acostumadas a esse tipo de situação, talvez estivessem pensando que Boddicker era na verdade o macho de Morton, morrendo de ciúmes.

Mais interessante é Boddicker, filho da puta como ele é, ter deixado as duas irem embora. Chame isso de lapso, ou de consideração pela categoria que tem a profissão mais antiga do planeta, mas eu esperaria que ele meteria uma bala na cabela de cada uma, não deixando nenhuma testemunha viva pra contar a história... Bom, vamos voltar.

Acontece que o bandidão não está aqui atrás da bunda de Bob Morton, tem coisa aí. E com a frieza de quem está matando uma mosca...


... Boddicker enche as pernas de Morton de tiros, deixando que nem uma estrada brasileira, cheia de buraco.


Puto por ter sido atingido, e mais puto ainda por ter estragado sua calça de moleton favorita, Morton grita de desespero, dizendo que a combinação do cofre é 24-69 e que se ele quiser pode levar toda a grana e a sua coleção de relógios que ele ganhou da Petrobras após faturar uma licitação fraudulenta.


Boddicker então pega um DVD e caminha em direção ao mega sistema de áudio e vídeo de Morton. Se por um lado o filme acertou em cheio ao imaginar que no "futuro" a gente iria começar a usar pequenos disquinhos para gravar filmes, é curioso ver como em toda essa era high-tech da pôrra ainda existe um maldito tocador de fitas K7, coisa já extinta há mais de uma década.


Bom, não se tratava de uma gravação pirata do novo filme da Bruna Surfistinha... mas uma mensagem do Zé Pinto, rindo à toa, dizendo que ele ia cumprir a promessa de fuder com Bob Morton. Aposto que o jovem executivo ia preferir que o velhote cumprisse a promessa, só que no sentido bíblico da coisa.


Depois de limpar a mesa com seu nariz, Boddicker então começa a preparar o salão para a festa, mostrando pro Bob uma granada, que mais parece um Kinder Ovo...


... e a coloca no meio da zorra de cerveja e cocaína. Parece que alguém vai voar pelos ares.


Boddicker se manda, fechando a porta. Como se fosse fazer alguma diferença, considerando que em alguns poucos segundos só vai sobrar uma cratera ali no local.


Reunindo suas últimas forças, Bob tenta desesperadamente pegar a granada. Não sei o que ele pretendia com isso, a não ser que ele quisesse estar o mais perto possível da explosão. Em vez de se arrastar para atrás dum sofá ou outra coisa (o que não ajudaria muito), ele vai lá achando que vai desarmar a granada ou jogar ela longe pra se salvar.


KABUUMMM! E de forma explosiva acaba a participação de Bob Morton nesse filme.


Acho melhor dar uma parada por aqui. A postagem já está ficando imensa, e o pior é que foi só uma hora de filme. Está tudo caminhando para uma sátira em cinco capítulos, até a próxima.