terça-feira, 31 de maio de 2016

Peidaço

Essa eu não resisti... Saiu em uma notícia do Globo que você pode ler aqui. Em um colégio, durante uma aula de Português, um aluno estava lá e, talvez devido a uma combinação perigosa mas mortal de repolho com ovo, soltou um peido no meio da aula. Aí a escola mandou esse bilhetinho abaixo para a mãe do garoto.


Fala sério... Fico imaginando o tamanho do estrago a ponto de prejudicar o planejamento do professor e o aprendizado dos alunos. Deve ter sido uma verdadeira bomba química, aquele que faz a tinta das paredes descascar e as árvores apodrecerem, daqueles que geram até aquela nuvem. Imagino que não tenha sido um peido-ninja (silencioso mas mortal), pois assim dificilmente iriam descobrir o autor da cornetada. 

Ou será que o aluno pagou o pato? Vai que ele foi culpado pelo peido de outro? Tipo, o professor perguntou quem tava com a mão amarela e o coitado não conhecia a piada e olhou pra própria mão? Sacanagem...


Imagina só o estrago... Acho que não precisava todo esse tipo de chamada de atenção. Por mais que possa parecer sujo, soltar um pum é algo natural. Claro que o ideal numa hora dessas é pedir licença e ir no banheiro, mas muitas vezes a bolha vem de repente e não tem como segurar. Tudo bem que tem gente que abusa disso, lógico que existe até a possibilidade do aluno ser um pestinha e ter feito de propósito para sacanear o professor. Na minha turma de colégio tinha lá um sujeito que adorava fazer "ruídos corporais", por exemplo. Tudo bem que ele era mais adepto dos arrotos, soltando alguns de tremer a vidraça, mas quando estava com disposição gostava de soltar uns gases e depois ria que nem um bocó.

Mas, pensem só nas consequências de você ser levado para a coordenação por conta disso? No mínimo o garoto já ganhou um apelido como "Peidão" ou "Cueca Rasgada".

O mais curioso é que os pais se revoltaram com esse tipo de comunicado. Afinal de contas, trata-se apenas de uma manifestação biológica do intestino após processar certos alimentos. Aí então como a moda é protestar hoje em dia, muitos sugeriram fazer um "peidaço" na frente da escola, como você pode ver aqui. Tanta coisa pior pra se preocupar em nosso país, e tem gente pensando em um protesto assim. Fico imaginando um monte de pais, todos eles se preparando previamente com uma refeição regada à feijão, brócolis, repolho e outros agentes potencialmente flatulantes, e depois baixando as calças pra peidar na frente da escola. 

Por algum motivo, me lembrei do Terrance e Phillip do South Park...


Agora, uma coisa precisa ser dita: a escola vai lá e demonstra a sua incompetência quando o assunto é ensino, ao escrever "mal" odor. Alguém lá não sabe a simples diferença entre "mal" e "mau", nem pra dar uma revisada antes? Na boa, sendo um bilhete vindo de uma escola, pega muito mal dar uma mancada dessas. Aí sim, nessa situação é "mal" com a letra L.

Sei lá, talvez tenha sido o professor de Língua Portuguesa quem escreveu... 


Só vai faltar ele dizer que errou na escrita pois estava ainda sob influência do peido do aluno. Desculpa...

sábado, 28 de maio de 2016

O caso do estupro coletivo


Honestamente, estava pensando com muito carinho se eu iria fazer uma postagem a respeito de tal assunto. Ainda mais por me dar conta de que, como ocorre na grande maioria das vezes, eu sigo por uma linha de opinião que não é compartilhada pela grande maioria da sociedade. Não sei se é algo inconsciente, devido ao fato de eu odiar multidões, se refletindo também na minha posição diante desta notícia do momento. Mas vejo que sim, tenho uma opinião bem formada a respeito do caso, e que muito provavelmente vai me render alguns comentários bem bravos por aqui. Se bem que, de acordo com as estatísticas, o site aqui passa por um período de baixa.

Bom, o papo de hoje é sobre esse caso que ocorreu nessa semana, onde uma adolescente de 16 anos foi supostamente estuprada por uns trinta sujeitos, que filmaram e depois colocaram na internet. Acho que não preciso nem dizer que aqui você não vai ver o vídeo, não sou um desalmado a ponto de fazer uma coisa dessas. Sequer vi o vídeo para poder dizer o que de fato aconteceu, e já adianto que qualquer comentário que dê detalhes a respeito não vai ver a luz do dia e será apagado. A notícia pode ser vista aqui, embora creio que você já saiba bem do ocorrido. E antes que venham a pedir a minha cabeça pelo "supostamente", usei esse termo por mero formalismo investigativo. Como os delegados afirmaram até o momento, existem indícios de que de fato isso ocorreu, mas a investigação precisa ser concluída para determinar a participação de cada um dos trinta e poucos caras citados. Não que isso diminua a gravidade do caso, pode até que apenas um tenha de fato a estuprado e os outros só assistiram, mas de uma forma ou de outra, são cúmplices.

Como esperado, o crime trouxe uma enorme repercussão nas redes sociais. Para você ver que, apesar de um monte de gravações que pintaram nessa semana, envolvendo ainda mais Lula e cia, depois da divulgação desse estupro coletivo não há outra coisa de que se fale mais. A grande maioria, logicamente, demonstrando revolta contra o ocorrido. Não demorou para algum oportunista do Facebook bolar um aplicativo para mudar a foto do perfil e para surgirem inúmeros comentários, alguns relativamente bem ferrenhos e agressivos. 

Não vou perder o meu tempo para falar a respeito de alguns seres ignóbeis que buscaram usar esse episódio como forma de atacar seus adversários políticos, considerando o atual momento de impeachment. Algo que eu só vi dos "defensores da democracia do PT". Vi que muita gente tentou de alguma forma dizer que, por exemplo, o Bolsonaro era a favor disso, teve até um alucinado que disse que isso foi consequência do novo ministro da educação ter recebido o Alexandre Frota. Na boa, esse tipo de papinho idiota de esquerdistas alienados, nem vale a pena gastar a minha saliva falando a respeito. Ou melhor, meus dedos digitando.


Mas, eu vou falar a respeito de uma enxurrada de comentários, a maioria dito por mulheres, que na minha humilde opinião estão perdendo um pouco o controle e sendo demasiadamente agressivas. Muitas se apresentando como feministas, dizendo combater a intitulada "cultura do estupro", dizendo algumas coisas que eu, como homem e como membro da sociedade, acho muito exageradas e sem noção. Tenho a consciência de que ao não concordar com elas, vou ser criticado ao extremo. Vão até ver aqui o meu site, que volta e meia tem alguma postagem sobre mulheres (como costumo dizer, ainda num nível muito mais comportado do que se vê no carnaval ou no BBB), e vão me chamar de tudo, vão pedir a minha cabeça. Mas, tudo bem... Estou aqui querendo apenas expor meu ponto de vista, e tentar mostrar que a sociedade não pode ser tão extrema e tão parcial, como algumas pessoas costumam defender, especialmente quando estão do lado de minorias que foram e são oprimidas.

A sociedade em geral é machista sim. Isso é fato. Trata-se do resultado de um histórico mundial, onde a mulher era vista como inferior. Se vamos pela linha religiosa, podemos até remeter ao tempo de Adão e Eva. Como quando eu comento do preconceito racial, é indiscutível que isso ocorreu sim. Mas estamos hoje numa condição muito melhor que no passado. Repito, melhor, mas não significa que seja a ideal. Até algum tempo atrás a mulher não podia votar, tinha menos direitos, não podia desempenhar certas profissões. Hoje, a diferença é menor. 

Embora, convenhamos... diferenças sempre vão existir. Não necessariamente a questão de um sexo ser superior a outro. O que digo é que homens e mulheres são diferentes, e é mais do que natural que em certos aspectos ainda existam diferenças. Cito dois exemplos. Pra começar, em termos de trabalho. Por mais que se venha a falar de igualdade, existem certas atribuições que ao meu ver não são adequadas ou indicadas para uma mulher. Não se trata de dizer "ah, a mulher não é boa o suficiente para fazer X", é uma questão que pode ser justificada por fatores físicos, por exemplo. Você consegue imaginar uma mulher, que não seja uma dessas bombadas como a Gracyanne Barbosa, trabalhando como "peoa" de obras? 


Exceções, podem até existir. Mas a mulher, em geral de físico mais frágil que o homem, não vai ter a princípio a força muscular para tal tarefa. Não é que a mulher seja inferior. Apenas é uma questão de que fisicamente ela pode não ser a mais adequada para aquela tarefa. E, sejamos sinceros também: quando as mulheres falam de igualdade, pode apostar que trabalhar em construção civil nem passa na cabeça da maioria delas...

Mesmo se não formos levar em conta o físico, podemos até mesmo considerar algo como o histórico clássico da profissão. Cito um outro exemplo, revertendo os sexos: professor de jardim de infância homem, não é algo muito comum, não? Quando você pensa em jardim de infância, você vai imaginar que seja uma mulher, devido a todo seu aspecto maternal associado ao fato de ser mulher, e pelo fato de que sempre foi assim.


Claro que essa questão histórica da profissão é um mero detalhe. Como aconteceu com o nosso amigo Arnold Schwarzenegger, podem haver exceções, mas historicamente no jardim de infância você espera que seja uma professora. Da mesma forma, nada impede que uma mulher seja, por exemplo, piloto de avião. Mas, vamos ser sensatos e nos dar conta de que, historicamente, é uma profissão ocupada por homens, e ainda o é. Mulheres piloto vão surgir, sem sombra de dúvida, mas ainda existe uma disparidade considerável.

Pessoal, em especial, as feministas de plantão: homens e mulheres são diferentes! Aquela pequena diferença do cromossomo X ou Y resulta em inúmeras outras diferenças, e isso sempre vai existir. Querer uma igualdade 100% entre os dois é algo inviável, foge completamente do bom senso. Vou trazer outro exemplo: o casal vai e tem filhos. Por acaso a licença-maternidade é igual à licença-paternidade? Claro que não, a mulher fica de licença mais tempo que o homem. Embora eu considere que o homem merece sim um pouco mais de tempo de licença (pois, afinal, ele é pai e também deve ajudar nas primeiras semanas de vida do recém-nascido), é indiscutível que a mulher, por toda uma recuperação do parto e de período de amamentação, tenha direito a um tempo maior de licença do trabalho. Faz sentido, é algo sensato.

Curioso é como as "feministas", que prezam tanto pela igualdade entre os sexos, não se preocupam tanto em aumentar o tempo de licença-paternidade...

Estou fugindo um pouco do assunto, vamos retornar ao tema. Meu ponto é que a sociedade é sim machista. Mas... acho que precisamos ser um pouco honestos e frios ao analisar que existem muitas coisas que colaboram para o dito machismo e que são incentivadas, aplaudidas de pé e enaltecidas pela mesma sociedade que hoje condena a "cultura do estupro". Vou até usar o recurso aqui do blog de lista com marcadores, pra deixar bem evidente alguns exemplos de coisas que existem por aí.
  • Veja as músicas e bailes funk, onde existem diversas letras que fazem apologia não apenas à putaria e à objetificação das mulheres, mas também às drogas e ao crime. É impossível não perceber, qualquer música dessas tem alguma popozuda de shortinho enfiado na bunda rebolando de forma sexualizada;
  • Carnaval é um outro exemplo disso, nos desfiles o que mais tem é mulher colocando os peitos pra fora, praticamente nuas enquanto sambam ao lado de um mané girando um pandeiro. Sem falar nos bailes e blocos de rua, onde da mesma forma muitas músicas incentivam a pegação, o "beijar na boca" de forma desenfreada, é aquele período onde a pegação ocorre livremente, sendo massivamente divulgada pela mídia;
  • Na TV, nos programas de auditório, sempre com as mulheres lá no fundo dançando, como meros acessórios de palco. Desde os tempos do Chacrinha, passa pelo Faustão, pela banheira do Gugu, pelas paniquetes, tudo é desculpa para para exibir nas tardes e noites de domingo um monte de mulheres praticamente nuas ali pra atrair a audiência, algumas que são vistas até pelas mulheres como exemplos a serem seguidos, ainda mais hoje com as paniquetes fit;
  • Vou deixar muitas mulheres putas comigo, mas preciso citar um exemplo atual do cinema, com o 50 Tons de Cinza. Vi certa vez um pedacinho desse filme, onde o cara bota a mulher pelada e se excita ao espancá-la com um cinto. Isso pode? É outro exemplo na minha opinião de incentivo do machismo, da submissão da mulher a um tarado louco por fetiches. Sem falar inúmeros outros filmes nacionais, que sempre incluem aquela cena de putaria;
  • Ainda sobre televisão, veja o exemplo do Big Brother. É um programa superficial ao extremo, onde as mulheres sempre "sem querer" deixam seus peitos escaparem do biquini na cena do banho, onde muitas não se aguentam para brincar debaixo do edredom. Um programa fútil, e igualmente aplaudido de pé pela sociedade que gosta de posar como inteligente. 
Para citar alguns exemplos. E o mais curioso de tudo isso: aposto que se você olhar na lista de seus amigos e amigas do Facebook que esses dias se revoltaram com o estupro da jovem, certamente essas mesmas pessoas curtem uma ou mais dessas coisas aí de cima...


O que quero dizer com isso é que existem vários exemplos por aí de coisas que de certa forma incentivam a objetificação das mulheres e o machismo. Mas, eu não vejo de uma forma geral a revolta dessas pessoas contra essas coisas. Como eu comentei, conheço mulheres que molharam as calcinhas vendo o Sr. Gray espancar a garota no filme cinzento, e que agora colocam mensagens no "Feice" de que a mulher deve ser respeitada; vejo algumas aí que dizem que os homens são tarados que não respeitam as mulheres, mas que compartilham letras da Valesca Popozuda que são verdadeiras demonstrações de "cultura". Vou descer ao nível de reproduzir aqui parte da letra de uma música dela, logicamente colocando os "piiiis" em forma de asterisco como fizeram nas gravações da Lava Jato, pra tentar manter o nível aqui:

Quando eu te vi de patrão
De cordão, de R1 e camisa azul
Logo encharcou a minha x***
E ali percebi que piscou o meu c*

Eu sei que você já é casado
Mas me diz o que fazer
Porque quando a p***** tem dona
É que vem a vontade de f****

Então mama
Pega no meu g**** e mama
Me chama de piranha na cama
Minha x*** quer g****
Quero dar, quero te dar

Realmente... Deixa eu ir lá me debruçar no telefone branco pra dar uma vomitada e já volto...

Sinceramente, o que você me diz disso? Qual a credibilidade que tem uma "feminista" que curte uma musiquinha "inocente" dessas? Pra completar, quero só ver a própria Valesca Popozuda, autora dessa pérola musical, se mostrar indignada com o estupro.

Aliás, deve ser feito aqui um parênteses. Não demorou para que começassem a circular postagens da menina que foi violentada, onde em muitas delas você vê que ela curtia esse tipo de baile funk. Inclusive com uma postagem onde ela dizia algo como "hoje vou pra night, pra dá pra vagabundo"... Isso já faz você pensar um pouco, pelo menos no tipo de lugar que ela gostava de frequentar, algo que está longe de ser de puritanismo incontestável.

Não estou dizendo que isso justifique o crime de estupro. Apenas atento para o fato de que a garota aparentemente curte esse tipo de baile funk, onde sabemos bem que a putaria rola solta, com as mulheres esfregando suas bundas na cara dos marmanjos, ao som de hits como aquele da Popozuda ali em cima. No mínimo, você há de concordar comigo que em tais lugares certamente as companhias não são as melhores e o risco para uma mulher é grande...


Certamente nessa hora vou levar uma tijolada nos cornos de uma feminista, que pode ter entendido que eu disse que a culpa de ter sido estuprada foi da menina. É um dos argumentos que muitas mulheres usam, de que não se deve responsabilizar a vítima, de que a mulher tem o direito de se vestir como quiser, e o fato dela estar vestida de determinada maneira não é sinal verde para que um homem venha a agarre. 

Concordo. Ninguém está aqui dizendo que a culpada é ela.

E, vamos aqui colocar as cartas na mesa: ninguém aqui pode afirmar como ela estava vestida na fatídica noite. Podia estar de blusinha transparente e short socado na bunda, ou poderia estar coberta da cabeça aos pés de burkha. Isso não muda os fatos. Dizer qualquer coisa aqui a respeito sobre como ela estava ou não vestida não passa de suposições vindas de pessoas que só querem tumultuar. Inclusive por parte do lado das feministas. 

Mas... Vamos também aqui ser um pouco mais frios... Precisamos nos dar conta da realidade em que vivemos. Uma realidade que varia de cidade para cidade, de bairro para bairro, que muda até mesmo com o horário ou época do ano. E existem locais e horários que tendem a ser mais propensos a determinadas coisas, a determinados crimes. Não deveria ser assim, não estou dizendo que seja certo. Mas é o que acontece. Não adianta achar que vivemos na Suécia onde temos garantia de segurança em qualquer hora e qualquer lugar.


Por exemplo, vamos imaginar que eu vá lá no meio da favela da Maré, às duas da manhã, ostentando em meu pulso um Rolex e um iPhone de última geração na mão. O que vai acontecer? Com sorte, eu serei apenas roubado, deixado ali só de cueca. Isso se eu não levar um tiro na cabeça ou coisa pior. Ou seja, tem que ser maluco pra ir no meio de uma favela de alto risco de madrugada e ostentar esses bens. Inclusive, esse foi um tipo de comentário proferido diante da morte daquele sujeito que andava de bicicleta na Lagoa: teve gente que chegou ao ponto de dizer que ele tinha a sua parcela de culpa, por estar "ostentando" uma bicicleta cara, o que levou os meliantes a atacá-lo.

Algo semelhante pode ser dito quanto a essa menina, frequentadora de bailes funk, estando em um lugar onde o risco de ser vítima de diversos crimes, entre eles o estupro, é altíssima. "Ah, mas então eu tenho que deixar de ir onde eu quiser?", talvez alguma feminista venha a me indagar. Bom, não é que você tenha que deixar de ir onde você queira. As pessoas podem fazer qualquer coisa. Mas é necessário um senso crítico e de auto-preservação, de avaliar que existem certas situações que são de alto risco, e que é melhor evitar. Principalmente quando se fala de uma sociedade machista. 

Por exemplo, na minha humilde opinião, se uma garota coloca uma mini-saia curtinha, um top decotado e salto alto e vai andar no meio da noite no Centro do Rio de Janeiro, ela é louca. É um risco imenso, é como você vestir um terno de picanha e ir passear na jaula do leão no zoológico. Certos trajes, em certos lugares e horários, é um risco tremendo, como querer andar na favela com Rolex e Iphone de madrugada. Digo de novo, não é certo que tenhamos que viver assim com essa neura, com essa preocupação de que podemos ser atacados, de meio que viver sob um "toque de recolher". Mas é a realidade deste nosso país, onde a insegurança e a criminalidade são maiores em certas regiões de risco, principalmente após certas horas da noite. 

Para que fique claro, eu não estou dizendo que a mulher é culpada pelo estupro se ela se veste de uma forma um pouco mais, digamos... "convidativa". Homem que é homem de verdade jamais estupraria uma mulher, isso é coisa de um animal. Mas, a mulher precisa pensar na sua integridade e segurança, que é mais importante do que o simples direito de se vestir como quiser. Pela mesma razão que qualquer cidadão, seja homem ou mulher, precisa pensar na sua integridade e segurança quando está na rua, não expondo certos objetos de valor que podem atrair ladrões. 

Eu adoraria poder andar numa boa falando no meu celular na rua, é um direito que eu tenho. Mas eu prefiro abdicar desse direito para não correr o risco de ser assaltado. Estou errado? Aposto que muitos aqui fazem o mesmo.


O grande problema que eu vejo na postura dessas feministas exageradas é que tal postura tem duas, digamos, falhas. A primeira é que a imensa maioria delas adota uma atitude muito parcial, a ponto de enxergar como se as mulheres fossem superiores aos homens. Como é muito comum por parte dos defensores das minorias: sempre aparecem com um discurso de igualdade, mas no final pregam é o favorecimento destas minorias, sob a justificativa de compensação. Tento evitar, mas fica difícil não dar uma rápida fugida do assunto e dizer que é o mesmo que se faz com os negros. Cansei de falar aqui, defensores da "igualdade racial" que acham errado apenas quando o branco é preconceituoso com o negro e se calam diante do contrário, que aplaudem políticas que favorecem aqueles da raça negra, como a política de cotas das universidades, estão na minha opinião longe de serem defensores da igualdade. Eles pregam é um favorecimento, pensando apenas no seu próprio grupo e fodam-se os outros. É a mesma coisa com as feministas.

Como eu comentei certa vez aqui neste post, onde me posicionei contra o chamado crime de feminicídio. Por que devemos tornar a morte da mulher algo que mereça maior punição do que a morte de um homem? Na minha concepção, isso passa uma imagem de que a vida da mulher é mais valiosa do que a vida de um homem... Sim, e depois se dizem defensoras da igualdade.

Na minha opinião, esse tipo de postura tende a tornar ainda mais evidente a rivalidade e a segregação, no caso entre homens e mulheres. Não é à toa que inventaram o termo "femi-nazis". Essas feministas exageradas têm a tendência de enxergar que a mulher sempre está correta, é perfeita e não faz nada de errado, e é sempre vítima dos homens e sua sociedade machista. Não é por aí. Acabam sendo até piores do que homens que são machistas de verdade. Não querendo defender, mas entendo que muitos homens são machistas meio que naturalmente, reflexo da sociedade em que vivemos, ou mesmo da formação e educação que receberam de seus pais. É como se ele fosse machista e não se desse conta disso. Por sua vez, a imensa maioria das feministas têm a consciência de que são feministas, promovendo atos e opiniões que são favoráveis apenas ao seu gênero com total noção do que estão fazendo. Machismo e feminismo ao extremo, ambos não levam a lugar nenhum.

E com essa postura extremamente radical, acaba que essas feministas agem de forma preconceituosa, na minha opinião. Reproduzo aqui uma "pesquisa" que foi feita com algumas mulheres, a respeito sobre o que gostariam de encontrar numa rua tarde da noite.


Tudo bem que se olharmos foram apenas 19 pessoas que votaram, mas duvido que considerando um espaço amostral maior mude muito. Ou seja, um homem qualquer é considerado por essas mulheres como mais nocivo do que o capeta.

Tá certo... Imagino que se elas cruzam com o capiroto quando estão sozinhas na rua de noite, ele não vai fazer nada de mal com elas, vai talvez até entregar algumas flores e levá-la pra pegar um cineminha...


Seguindo essa linha, um dos comentários que está sendo difundido com muito fervor por agora é algo na linha de que "todo homem é um estuprador em potencial". Algo que gerou um certo desconforto de muitos homens, incluindo deste texugo que aqui escreve. Não demorou para aparecer alguma entendida e tentar justificar a frase sob um ponto de vista ortograficamente mais formal, explicando que o "em potencial" apenas quer dizer que o homem tem os recursos e a capacidade de poder estuprar, de que esse comentário tenta apenas explicar a situação de medo que as mulheres passam.

Tudo bem... Mas é difícil que essa frase não passe uma mensagem meio oculta de que na visão dessas feministas, todo homem pode ser um estuprador. Ainda mais observando que muitas mulheres usam tal frase com essa intenção, fazendo questão de deixar isso claro em seus outros comentários. Muitas vezes, sequer mantendo o "pode ser", dando a impressão que no fundo todo homem é um canalha.

Para elas, a primeira coisa que pergunto, é se elas acham que seus pais podem ser estupradores. Afinal, elas devem ter pai. Pergunto também se pensam que seus namorados, noivos e maridos no fundo são estupradores. Vou mais longe além para algumas delas: seus filhos, vocês os vêem como potenciais estupradores?

Sinceramente eu vejo esse tipo de postura como um preconceito. Assumir que todo homem possa ser um estuprador é algo leviano, uma estupidez. Mas, como as mulheres fazem parte da minoria oprimida, elas parecem se ver no direito de serem preconceituosas. Repito, é um tipo de postura que incentiva a segregação, se as mulheres começarem a ver todos os homens como possíveis estupradores, estarão colaborando para que mulheres se afastem de homens e vice-versa. Vão fazer então uma sociedade só de mulheres, pombas!


Claro que vão existir justificativas. Vão dizer que não tem como a mulher saber se um determinado homem ali é ou não um possível agressor. Assim, por segurança, preferem enxergar que todo homem possa ser um estuprador, o que lhe dá o livre direito de preferir trocar de calçada, entrar numa loja ou pedir ajuda para um policial se vê um homem que considera que possa estuprá-la. E, como ela é mulher, isso não é visto como preconceito, ela está apenas evitando um risco.

Em outras palavras, o princípio da auto-conservação falando mais alto. O mesmo que é ignorado quando uma menina de 16 anos vai para um baile funk numa favela...

Sei que vão pedir a minha cabeça, mas façamos um breve exercício. Considerando que então todo homem é um potencial estuprador e a mulher tem o direito de pensar na sua segurança e assumir o pior, vamos mudar um pouco os personagens. Agora, vamos imaginar uma pessoa qualquer, pode ser homem ou mulher. Essa pessoa está andando no Centro do Rio, e então percebe um grupo de adolescentes negros, com roupas velhas, alguns sem camisa, andando em sua direção falando alto e mexendo com as pessoas na rua...


Será que essa pessoa poderá trocar de calçada, entrar numa loja ou pedir ajuda para um policial? Será que ela pode assumir que todo adolescente negro que anda em grupo de bermuda e sem camisa é um assaltante de rua em potencial?

Claro que não. Se eu digo isso, serei chamado de racista. Mesmo considerando que essa é a aparência típica de um assaltante de rua. Gostem ou não, olhem as notícias de crimes de rua e na imensa maioria esse é o perfil do pivete que furta cordão, relógio e celular nas grandes metrópoles.

Mas, nesse caso... seria preconceito.


O meu ponto aqui com essa comparação é mostrar que a postura generalista é a mesma, mas a sociedade a enxerga de formas diferentes. A mulher tem o direito de assumir a princípio que todo o homem pode ser um estuprador, mas uma pessoa não pode assumir a princípio que um adolescente com tais características citadas acima seja um assaltante. Em ambos os casos, estamos falando de um indivíduo que, baseado em experiências próprias ou em fatos observados no dia-a-dia, prioriza a sua segurança, evitando contato com aquele que apresenta as características de um possível agressor. Mas, enquanto a mulher pode pensar o pior de um homem e será aplaudida como uma que não se submete à "cultura do estupro", o sujeito que desviou dos adolescentes afro-descentendes é um filho da puta de um racista e que merece ser preso...

E viva à igualdade!

A segunda falha desse discurso na minha opinião é uma espécie de seletividade que há nesse tipo de discurso das feministas mais ferrenhas. Para não dizer hipocrisia. Volto aqui na questão que eu mencionei ali em cima, a sociedade é sim machista, mas existem muitas coisas que colaboram para isso, e que por algum motivo não geram nenhum tipo de revolta das feministas de plantão. Dá uma lida de novo na musiquinha da Valesca Popozuda. Você vê alguma feminista reclamando? Você vê alguma feminista dizendo que tal música é degradante para as mulheres?

Vou resgatar aqui um caso igualmente marcante. Você se lembra do Champinha? Ele e seus comparsas surpreenderam um casal de adolescentes que estava acampando no interior de São Paulo. Como os dois não tinham dinheiro, os sequestraram. A menina foi violentamente estuprada pelo grupo liderado pelo Champinha, com o namorado amarrado e sendo obrigado a assistir, até o momento em que um dos crápulas o matou covardemente com um tiro na nuca. Os caras continuaram a violentar a menina, até que o Champinha a levou para um matagal e a matou.


Me lembro na época que os médicos legistas que examinaram o corpo da menina não puderam acreditar em tamanha selvageria do que foi feito com ela, alguns em prantos diziam não acreditar no que viam.

Sabe onde está o Champinha hoje? Como na época ele era um "di menor", foi acolhido numa naquelas fundações de menores infratores, onde ficou até os 18 anos, tendo que ser mantido isolado para assegurar a sua integridade física. Atingiu a maioridade e ganhou ficha limpa, pois afinal de contas ele como menor de idade não tinha consciência de seus atos e não podia ser responsabilizado por eles. Como ele foi considerado um doente anti-social, uma vítima, hoje em dia ele vive em um casarão de uma instituição de saúde, onde tem cinco refeições por dia, televisão de 29 polegadas e roupa lavada, ao "insignificante" custo de 30 mil reais por mês. Legal, né?

Apenas para lembrar, esse crime ocorreu em 2003. Naquela época, por mais que não existisse Facebook para gerar toda essa repercussão, o que se via era uma parcela da sociedade que antes de se revoltar com o crime bárbaro, vinha passar a mão na cabeça do pobre "di menor", dizendo que ele era uma vítima da sociedade, um coitadinho que não podia ser responsabilizado por seus atos. Uma dessas pessoas é essa conhecida nossa...


Interessante como o mundo dá voltas... A Maria do Rosário na época defendia que Champinha era uma vítima da sociedade, chegou até a ter discussões calorosas com o Bolsonaro, que propunha a redução da maioridade penal. A mesma Maria do Rosário que agora se revolta com o caso do estupro coletivo, pedindo punição aos culpados. Quero ver o que ela vai dizer se tiver algum "di menor" no grupo, como era o Champinha...

Os dois casos compartilham muitos aspectos. Tanto a adolescente estuprada pelos trinta sujeitos como Liana, a menina vítima do Champinha, sofreram a agressão aos 16 anos. Ou seja, também menores de idade. Foram crimes bárbaros, onde foram violentadas de forma covarde por vários criminosos, verdadeiros animais. Liana, infelizmente, não veio a sobreviver.

Não gosto de fazer comparações com esse tipo de questão, pois acho que não é justo quando estamos falando de vidas. Mas, infelizmente, é necessário observar um simples fato que parece justificar o porquê de uma maior comoção e revolta da sociedade para este episódio mais recente: a adolescente é de origem humilde, moradora de comunidade, já tem um filho pequeno. Liana, por sua vez, vinha de família com mais recursos, era uma menina branca, rica de classe média.

É fato... A sociedade parece se sensibilizar mais quando a vítima de um determinado crime vem de origem mais humilde, ou faz parte de uma minoria. A classe social parece falar mais alto na imensa maioria das vezes: Liana também era menor de idade, mas pessoas como a Maria do Rosário priorizaram sua atenção para o Champinha.

É uma das coisas que mais me revolta, pois demonstra uma parcialidade destes grupos que se dizem defensores da igualdade. Existem tantos casos de agressão contra a mulher, mas apenas alguns parecem revoltar a sociedade. Arrisco até dizer, se em vez de uma menina humilde, se tivesse sido uma adolescente moradora da Zona Sul, será que a reação seria a mesma? Será que as mesmas pessoas que hoje estão sensibilizadas iriam também se comover? Eu não sei, espero honestamente estar errado... Mas vendo como existem tantos outros crimes iguais (ou até piores) acontecendo e não há uma comoção tão grande da sociedade, imagino que não estaria tão errado assim em supor isso.

Para colaborar com esse fato, vi hoje de manhã um excelente texto escrito pelo Danilo Gentili, que você pode ler aqui. Fala justamente de como a sociedade é muito parcial. Reproduzo aqui a parte em que ele cita alguns casos recentes, entre eles o do Champinha que eu já falei:
"Até quando influenciadores, líderes e formadores de opinião vão incentivar o machismo e promover a violência contra a mulher? 
Me lembro de Paulo Ghirdardelli, professor universitário, um educador, falando que a nordestina Rache Sheherazade deveria ser estuprada urgente. O motivo da convocação violenta? Ele discorda de algumas opiniões dela. 
Me lembro do líder Lula falando ao telefone que uma mulher ficou chateada porque não foi estuprada por cinco homens. Me lembro da Dilma, presidente do País, rindo com gosto desse comentário. 
Me lembro da deputada Maria do Rosário defendendo com unhas e dentes o Champinha, o cara que junto com seus comparsas estuprou e matou uma menina. 
Me lembro de Eduardo André Gaieviski, assessor da Senadora Gleise Hoffman, estuprador de criancinhas. 
Me lembro do Zé de Abreu cuspindo duas vezes no rosto de uma mulher porque o marido dela discutiu com ele. (...)"
Você vê só? Onde estavam as feministas quando um professor disse que a Rachel Sheherazade tinha que ser estuprada? Onde estava a sociedade quando Lula fez piadinha com sua assessora ter sido acordada por cinco homens, imaginando ser um presente de Deus, seguida das risadas da Dilma, aquela que é tão solidária às mulheres? Perco a conta de quantas mulheres que conheço que hoje bradam a bandeira do feminismo mas acharam ótimo o Zé de Abreu cuspir na cara daquela mulher no restaurante.

É o termo que o Danilo Gentili expressou de forma sensacional, da "cultura da indignação seletiva".


Em nenhum momento eu estou aqui dizendo que devemos aceitar o estupro. É um crime covarde e hediondo. Já falei aqui várias vezes, estuprador tinha que ser exterminado que nem barata. Um tipo desse não tem cura, não deve ser reintegrado à sociedade. Pode parecer frio, pode parecer desumano, mas tipos como o Champinha e tantos outros mereciam ser jogados num triturador ou num forno de siderúrgica. Não tem essa de Direitos Humanos para criminosos assim, que não valorizam os direitos das pessoas de bem.

Veja por exemplo, a postagem sobre o filme Comando para Matar que estou fazendo. Não lancei ainda, mas já estou escrevendo as outras partes, e quem conhece o filme sabe daquele babaquinha que é um tarado e ainda faz piadinha sobre a filha menor de idade do personagem do Arnold Schwarzenegger. Havia escrito isso antes mesmo desse caso ter vindo à tona, em que eu comento que sempre assisto esse filme nutro uma raiva por esse canalha. E me dá uma satisfação imensa ver como o Arnoldão dá um jeito nele de forma definitiva.


É o que um estuprador merece.

Mas, sejamos aqui justos. Todo tipo de agressão contra qualquer mulher deve ser combatida. Não adianta nada você, feminista, se revoltar contra todos os homens do mundo e pedir justiça para os estupradores desse caso, quando você se cala diante, por exemplo, do Lula falando de mulher de "grelo duro". Não adianta você colocar mensagem feminista no "Feice" e ficar calada diante dum crápula sugerindo o estupro de uma repórter. Não adianta nada você derramar lágrimas e sofrer quando a vítima é moradora de favela enquanto torce o nariz e diz que foi bem feito a menina de classe média ser agredida por ostentar que é rica.

E o mais importante de tudo é o seguinte. A sociedade precisa deixar de ser seletiva e se revoltar apenas com esse ou aquele crime. Principalmente no que diz respeito ao Brasil, vivemos em uma situação de grande insegurança e impunidade, onde ocorrem muitos e muitos crimes dos mais diversos, que destroem famílias inocentes. Crimes que parecem não causar nenhum tipo de revolta ou consternação das pessoas que hoje estão compartilhando mensagens pró-feminismo e mudando a fotinho do perfil do "Feice" para se mostrarem contrárias ao estupro.

Por exemplo, morrem no trânsito cerca de 40 mil pessoas por ano, que são vítimas de motoristas imprudentes que fazem ultrapassagens proibidas e dirigem embriagados. Matar uma pessoa ao dirigir bêbado é visto como homicídio culposo, sem a intenção de matar, em que basta pagar fiança e se é liberado. Se formos considerar mortes violentas, como consequência de assassinatos, conflito em favelas, latrocínios e outros crimes, morrem 150 pessoas por dia no Brasil. Como comparação, no conflito entre Israel e os palestinos morrem em média 60 pessoas por dia. Ou seja, estamos aqui vivendo em um clima pior do que muitas guerras.


Mas você não vê ninguém mudando a foto de seu perfil do Facebook por conta da violência desenfreada em nosso país. Bobeando, muitas das pessoas que hoje se revoltam com o estupro coletivo compartilham com os amigos a localização de blitzes da Lei Seca, para que assim possam encher os cornos e dirigir sem problemas. Alguns só se dão conta disso quando perdem um amigo ou ente querido por conta de um assassino que pegou no volante bêbado.

Isso sem falar de tantas pessoas que perdem a vida em nosso país pelas péssimas condições de vida e de saúde. Não tentem se criar, esquerdistas, pois governo nenhum se preocupa em resolver os problemas de saúde do país. Hospitais caindo aos pedaços, com pessoas morrendo no chão por falta de atendimento, vítimas de doenças já erradicadas em países de primeiro mundo, é só ver a epidemia de dengue e zika, todo ano é a mesma coisa, nunca se resolve esse problema há anos. Por isso, ninguém se sensibiliza, ninguém organiza passeata, ninguém escreve textão no Facebook.

Realmente, é algo de se lamentar... Com uma sociedade dessas, com uma postura extremamente parcial a ponto de se revoltar só contra aquilo que chama mais a atenção, que só chora por algumas vítimas, nós não vamos muito longe. Esse caso do estupro coletivo, é algo revoltante sim, deve ser investigado, os responsáveis devem ser punidos e a sociedade deve se organizar de forma que isso não ocorra de novo. Ninguém aqui está dizendo que devemos ignorar esse fato. Apenas digo que seria melhor se todo esse fervor, esse empenho também fosse usado diante de tantos outros casos, alguns até mesmo mais frequentes e/ou mais graves. Casos que ficam só como nota de rodapé nos jornais, casos que apenas contribuem para as estatísticas.

E digo de novo: deixem essa seletividade de lado. Não venham aqui se dizer feministas e apontar o dedo na minha cara, enquanto vocês mesmas estão curtindo a nova música da Valesca Poposuda, não venham aqui se apresentarem como defensoras de todas as mulheres enquanto muitas são agredidas de forma verbal ou física e vocês ficam caladas, pois estas vítimas não estão aliadas a sua forma de pensamento.


Sou a favor da igualdade. A sociedade tem sim que respeitar as mulheres, e é necessário sim que certas diferenças e injustiças sejam eliminadas. Mas não vamos exagerar ao ponto de achar que nenhum homem presta, que o sexo masculino é adversário a ser vencido, de que todo sujeito é no fundo um estuprador. Não é por aí, como disse é esse tipo de postura revanchista e agressiva que faz com que o feminismo seja tão criticado.

Está errado o homem acha que deve andar na frente da mulher se achando superior, isso pra mim é machismo; mas também está errado a mulher querer andar na frente do homem e se achar superior, isso pra mim é o feminismo exagerado. Os dois têm que andar lado a lado, aceitando as diferenças que existem e vão existir, se respeitando mutuamente. Isso é igualdade de gênero. E o mesmo deve valer para a questão de raça, de idade, de crença religiosa, de nacionalidade. 

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Apostas para a Euro 2016

Confesso que recentemente tenho acompanhado menos futebol do que eu estava acostumado. Talvez seja pelo fato do meu Botafogo estar meio mediano, mesmo depois de ter voltado para a primeira divisão no ano passado. Sinceramente, torço de maneira mais fervorosa quando o alvinegro joga contra os mulambos, pois não tem satisfação melhor do que ver o Flamerda se dar mal, principalmente quando perde para meu time de coração.

Mas acompanhar as partidas internacionais é algo que ainda me apetece. Copa do Mundo é algo muito legal, acompanho mesmo, e da mesma forma que acho engraçado o Flamengo perder, me divirto quando a prepotente seleção brasileira se dá mal. Alguns anos atrás, eu devia ser um dos poucos rindo de gargalhada quando os alemães meteram 7 a 1 no nosso time medíocre. 


Acontece que Copa do Mundo só daqui a mais dois anos, mas isso não quer dizer que não teremos algo legal por agora, com a Euro. As seleções européias são de longe das mais fortes do mundo, e uma competição de seleções entre elas é algo que vale a pena acompanhar, a partir de junho na França. Há praticamente quatro anos eu fiz essa postagem tentando prever os resultados, e dessa vez não será diferente, tentando acertar quem é que passa. Dessa vez, vou ser mais comedido, e fazer apenas a previsão da fase de grupos, e depois eu vou atualizando de acordo com as próximas fases. Passam os dois primeiros de cada grupo, assim como os quatro melhores terceiros lugares.

Detalhe que precisei mudar o padrão das bandeirinhas por conta da droga da Irlanda do Norte. Por algum motivo, no pacote de PNGs com bandeiras tremulando não tem a desse país.


Grupo A

1º Lugar - França
2º Lugar - Suíça
3º Lugar - Romênia
4º Lugar - Albânia

Os anfitriões vão contar com o apoio da torcida, acho que é principalmente por isso que os bleus vão se dar bem nessa competição, como foi aquela Copa alguns anos atrás. A segunda posição deve ficar mais disputada, mas diria que a Suíça tem uma equipe já mais bem estabelecida, Romênia só nos anos 90 que podia assustar um pouco. E quanto à Albânia, sinceramente não sei o que ela está fazendo nessa competição, embora tenha conseguido se classificar no lugar da Dinamarca.  


Grupo B

1º Lugar - Inglaterra
2º Lugar - Rússia
3º Lugar - Eslováquia
4º Lugar - País de Gales

Outro grupo relativamente fácil na minha opinião, a Inglaterra deve se classificar na liderança sem ter que suar muito a camisa. Rússia é um time mais ou menos, mas vejo que tem mais força e tradição do que os outros dois. Eslováquia eu nunca soube o que teve de bom em termos de futebol, mas imagino que ainda passa em terceiro. País de Gales, fala sério. Pode ter uma bandeira maneira (afinal, nada mais foda do que uma bandeira com um dragão), mas eles devem ser o saco de pancadas do grupo. 


Grupo C

1º Lugar - Alemanha
2º Lugar - Ucrânia
3º Lugar - Polônia
4º Lugar - Irlanda do Norte

Fala sério... Aqui não tem como os campeões do mundo não passarem em primeiro, em um grupo relativamente fácil para o poder de fogo germânico. A segunda e terceira posição serão bem disputadas, quis o destino que Ucrânia e Polônia, que sediaram a última edição, estivessem no mesmo grupo. E aposto aqui na Ucrânia, talvez muito mais na esperança de vermos a torcida feminina da ex-república soviética nas arquibancadas. E na lanterna, vai a Irlanda do Norte. Mesmo sabendo que ela ganhou seu grupo nas eliminatórias, acho que ela não tem bala na agulha. 


Grupo D

1º Lugar - Espanha
2º Lugar - Turquia
3º Lugar - República Tcheca
4º Lugar - Croácia

Me parece que esse grupo será bem disputado. Não espero que a Espanha venha a passar o mesmo vexame da época de Copa, e se classifica em primeiro numa boa. Do restante, será bem disputado na minha opinião. Vou chutar que a Turquia possa surpreender, com a República Tcheca ficando em terceiro. Croácia até que tem um time razoável, mas alguém tem que ficar na última posição, e vou chutar que vai ser aquele com uma toalha de mesa como bandeira.


Grupo E

1º Lugar - Itália
2º Lugar - Bélgica
3º Lugar - Suécia
4º Lugar - Irlanda

Seria esse o grupo da morte? Esse tem cara de ser um grupo enjoado, mas mesmo assim vou jogar na segurança e apostar que a Azzurra vai liderar, mas depois de muito apanhar. A Bélgica sempre vem sendo muito badalada, assim que vou chutar que ela fica em segundo, seguida da Suécia, única representante dos países escandinavos. Para a Irlanda, deve amargar mais uma lanterna apesar de todo seu esforço.


Grupo F

1º Lugar - Portugal
2º Lugar - Austria
3º Lugar - Islândia
4º Lugar - Hungria

Aqui não tem muito que inventar, o Cristiano Ronaldo certamente vai fazer a diferença para colocar os lusitanos na frente. Do resto, times de pouca expressão, vou apostar que a Áustria deve conseguir passar em segundo. Arrisco aqui a surpreendente Islândia ficando em terceiro, apenas para apimentar um pouco, deixando assim a Hungria em último.

Vamos ver quantas eu acerto...

sábado, 21 de maio de 2016

Comando para Matar - Parte 1

Demorou, mas chegou. Eu havia prometido fazer mais uma sátira de filme, embora fazer essas postagens é algo extremamente longo e cansativo. A última que fiz, do Robocop, levou quase um ano pra ser concluída, por isso que pessoalmente acabo dando uma certa prioridade às sátiras de desenhos, mais curtinhas, que num fim de semana inspirado consigo finalizar. Agora, pegar um filme todo, tirar as imagens e fazer piada... Dá trabalho, viu? A sorte é que estou pegando filmes clássicos, que conheço de cor e salteado, e que também beiram o absurdo, a ponto de facilitar as piadinhas.

E como havia falado, a mais nova sátira seria de outro dos filmes formadores de caráter dos anos 80, presença constante na programação do Sessão da Tarde, e que fez uma geração de garotos se divertir. Trago aqui sua excelência, Arnold Schwarzenegger, no clássico Comando para Matar.


Esse é um daqueles filmes que fazem você pensar em como Hollywood ficou muito boçal com o passar dos anos. Não só Hollywood, mas a sociedade em geral. Comando para Matar tinha violência de sobra, foi inclusive um dos filmes do Arnoldo onde ele mais matou gente, de todas as maneiras possíveis, algumas bem "gráficas" por assim dizer. E apesar de toda a violência gratuita, aliada às frases de efeito do Governator, foi um filme que passava numa boa na televisão. Como disse, era clássico da Sessão da Tarde, a garotada se divertindo com a matança depois de chegar da escola, e depois indo reproduzir cenas com seus Comandos em Ação...


Sim, eu fazia isso! Pena que não tinha nenhum boneco que personificasse bem o Arnoldo... E antes que alguém pergunte, essa figura é um customizado que alguém fez... Se soubesse onde vendia, já teria comprado um.

Enfim... Esse filme passava numa boa, e toda uma geração se criou e se formou... Segundo os entendidos de hoje, era pra que essas pessoas que cresceram na década de 80, assistindo Comando para Matar, Duro de Matar e outras pérolas, terem se tornado verdadeiros facínoras. E não foi bem isso que aconteceu... Tudo bem, posso não ser o sujeito mais equilibrado da face da Terra... Mas pelo menos não virei um maníaco homicida. Diria até que certas pessoas da mesma faixa etária do que eu acabaram é se tornando pessoas decentes... Embora muitos, ao criar os seus filhos, os tratam de maneira frágil como se fossem de cristal, construindo uma nova geração de aborrescentes emocionalmente idiotas... Mas, isso é assunto para outro post...

Vamos então começar com mais uma sátira! E estou vendo que vou mais uma vez exagerar na quantidade de fotos...

Por algum motivo, o filme começa com um caminhão de lixo... Tudo bem que geralmente filmes que começam com caminhões costumam ter uma boa dose de testosterona (vide o Aventureiros do Bairro Proibido), mas caminhão de lixo é meio que sacanagem.


E em uma das casas da vizinhança, vemos um casal que está dormindo profundamente, depois de mais uma noite marital sem graça. Como já sabemos que a participação deles será mínima, os chamarei de Astolfo e Judite.


Do nada, o caminhão de lixo dá aquela típica "peidada" quando o motorista força no acelerador. Isso faz com que o casal acorde todo grogue. Astolfo pergunta pra sua mulher se ela gostaria de aproveitar que acordaram pra brincar de algo como "esconder o palito", mas Judite está com dor de cabeça, e manda seu marido ir lá levar o lixo pra fora.


E então nosso amigo Astolfo vai lá, esvaziando o pipi-cat no saco de lixo, se dando conta que vai ter que brincar com o palito sozinho... Tá foda, não adiantou de nada aquela borrifada de Brut antes de dormir, sua mulher parecia mais frígida do que a geladeira de um esquimó.


Diferente do Brasil, lá nos Estados Unidos parece que a população dá uma mãozinha pros lixeiros. É só ver como o Astolfo veio lá de sua casa, carregando dois latões de lixo na maior camaradagem, com aquele senso bíblico de ajudar ao próximo, para que os lixeiros não tivessem que subir toda a ladeira.


Em retribuição... os lixeiros sacam suas metralhadoras e fuzilam o coitado do Astolfo!


Pode isso, Arnaldo? Puta que pariu, o cara só queria ajudar e ficou mais furado que um queijo suíço! Claro que aqueles que já conhecem o filme entendem o que está acontecendo, mas para quem vê pela primeira vez, deve dar aquele desespero ao ver que com 2 minutos de filme alguém já bateu as botas assim de forma gratuita.


Mudamos de ares, e vemos que o mesmo negão lixeiro lá de cima ganhou na Mega Sena e agora está todo arrumado na loja de carros de luxo de outro sujeito, que chamarei de Dedé Santana. Ele vai ali, com aquele papo de merda de vendedor, dizendo que tem o carro certo pro seu cliente, com uma promoção imperdível.


E arruma ali um Cadillac, explicando todos os detalhes, lembrando que certos acessórios como volante e acelerador vinham à parte, mediante o pagamento de uma pequena taxa adicional. Não só era um carro super maneiro pra pegar mulher, mas que um mano como ele jamais seria parado no trânsito pela polícia, mesmo sendo de cor.


Puto com a piadinha racista do Dedé, o negão ali dá uma marcha a ré pra zonear a loja toda...


... e depois atropela o carinha, voando com o carro pela vidraça.


Como você viu no Robocop... Nada mais sensacional do que alguém voando pela vidraça. Ainda mais quando se é atirado junto com um carro. Esse aí não vai acordar mais e fazer piadinhas preconceituosas.


A cena seguinte nos leva então para o porto. E encontramos um bigodinho andando calmamente por ali, de boa na lagoa, pensando em quanto vai cobrar pelas sardinhas que vai pescar. Já dá para imaginar o que deve acontecer com ele, mas eu vou resistir a tentação de dar pra ele um nome de piada como Nigel Mansell ou Freddie Mercury, você vai ver depois por que.


Aí então ele olha pro pier, e começa então a se cagar de medo...


... pois olha só quem está lá.


Cara... Sei que vai ter gente aqui que vai me crucificar e me chamar de racista... Mas vamos lá. A gente aqui já sabe que esse negão aí é bandido, já matou dois sujeitos lá em cima. Só que vamos nos colocar no lugar do bigodinho, que não faz idéia de quem ele é. Sério... Se você está lá no seu barco, e vê um negão com essa pinta ali, parado, olhando pra você com essa cara de peixe morto, tá na cara que boa coisa não vem.

Querendo cuidar de sua vida, o do bigode liga seu barco, pra ir pescar alguma coisa.


E nosso amigo afro-descendente saca um daqueles controles remoto de carrinho de brinquedo, com uma antena escrota...


E KABOOOOOOMMMM!!!!


Lá se vai o barco, junto com o bigodinho. Três caras aparentemente inocentes foram brutalmente assassinados, e até agora ninguém sabe por que tudo isso. Começa então a tocar aquela musiquinha típica dos anos 80, e então surgem alguns pés andando no meio da areia...


... e depois temos um close homo-erótico em um bíceps bombado. Pela musiquinha, talvez a pessoa que está assistindo pode se perguntar se alguém não o sacaneou e colocou uma fita pornô gay.


Mas aí vemos que aquele era nosso amigo Arnoldo, o Governator. Apesar de quase inventar um nome de zoação pra ele também, chamarei pelo personagem mesmo, John Matrix. Afinal de contas, temos que respeitar o Schwarzenegger. E o filho da mãe tá lá carregando uma árvore no braço, tudo pra você se sentir um merda, que mal consegue arrastar o sofá de casa sozinho.


Depois de caminhar pelo meio do mato levando uma tora nas costas (sem trocadilho, ou ele vai enfiar esse tronco de árvore no meio da tua bunda), ele finalmente chega no seu modesto sítio em Atibaia. Muito bom, a única merda era aquele vizinho escroto de nove dedos que sempre aparecia pra pedir cerveja.


E, caralho! Já falei que ele tá levando um tronco de árvore inteiro no braço? E eu aqui que fico com o braço mole depois de carregar uma mala até o elevador... Tenho que fazer algum tipo de exercício.

Para o pavor dos ambientalistas, Matrix tinha destino certo praquela árvore que ele tinha derrubado: seria pra fazer um churrasco de urso-panda. Pra isso, primeiro tinha que dar umas machadas pra caber na churrasqueira.


Bom... Só que tem alguém chegando... Será que é aquele negão lá de cima?


Porém, diferente do Astolfo, do Dedé Santana e do bigodinho, nosso amigo Arnoldo é esperto... E pelo reflexo no machado ele consegue ver que tem alguém chegando. Pode apostar que teremos uma cena digna do Conan, com uma cabeça voando.


Que nada! Era só a adorável filhinha de Matrix, Jenny, que queria trollar seu pai mas foi pega de surpresa... Que meigo.


Aí temos então uma sequência de cenas melosas de pai e filha juntamente com os créditos, que nessa época costumavam aparecer no início dos filmes, já prevendo que depois do " the end" todo mundo levanta o rabo da cadeira e se manda do cinema.


E tenho que dizer... Ver nessas cenas um Schwarzenegger todo boboca é realmente algo sofrível... Pior é ver depois que ele fez "obras de arte" como Júnior e Irmãos Gêmeos.

As cenas de pai e filha continuam, com o austríaco ensinando a pequena a dar chute na cara dos amiguinhos tarados do colégio...


... e dando comida para um veado, que depois vai parar na grelha.


Chega... tá na hora de começar o filme de verdade. Mas antes, cabe fazer a observação que a menina que faz a filha do Arnie se chama Alyssa Milano, e que viria depois a ter uma relativa fama na televisão e cinema. Digo relativa fama, pois representar a filha do Tony Danza numa série familiar genérica e estrelar no filme do Double Dragon seria algo lamentável de se expor em seu currículo. Talvez ela possa se destacar mais por ter sido uma das bruxas daquela série Charmed que passava na Sony... Tá, também não é nada para se orgulhar...


Embora, convenhamos que algo não se pode negar: ela cresceu e virou uma über gata!

Bom, vamos seguindo, com pai e filha se preparando pra bater um rango preparado por Jenny. Nada além de um sanduíche de presunto como o do Chaves, juntamente com um suco que deve ter mais corante que uma aquarela. Enquanto isso, nosso grande amigo Arnoldo está lá sacaneando a revista teen de sua filhota, cheio daqueles bichinhas de gel no cabelo e camisas coloridas. Imaginem o Restart com roupas mais ridículas e mais gel no cabelo e você terá uma idéia de como era a juventude dos anos 80.


Jenny fica então toda chateada, e Matrix então começa a contar histórias de quando ele era moleque na Alemanha Oriental, ele e seus amigos costumavam pegar esses baitolas e amarrar no poste pra torturá-los, tipo enfiar uma espiga de milho escaldante no fiofó ou bater na cabeça deles com uma corrente de bicicleta, e era o que ele ia fazer se ela arrumasse um namoradinho como aquelas pústulas coloridos.


Sim, ele cita Alemanha Oriental. E para você que não faz idéia do que se trata, vale a pena lembrar que nos anos 80 o mapa-múndi era bem diferente. Haviam duas Alemanhas, uma americana e outra soviética, resultado da partilha da Segunda Guerra; tinha a Iugoslávia, que juntava todos aqueles países como Bósnia e Sérvia e demais outros dos quais não me lembro; a República Tcheca, famosa exportadora de atrizes pornô, e a Eslováquia formavam a Tchecoslováquia; e existia ainda a União Soviética, a U.S.S.R. de onde vinha o Zangief, que depois viria a se pulverizar na Rússia e um porrilhão de outros países como Ucrânia, Bielo-Rússia, Casaquistão, Turcomenistão e outros "istão"...


Assim eu me sinto velho, imaginando que eu sou do tempo que a gente comprava um atlas na papelaria e haviam esses países todos. Algum dia eu conto a história de como na minha época de escola o mapa do Brasil era diferente, quando só existia um Mato Grosso e não haviam inventado o Tocantins.

Enfim... Depois dessa aula de Geografia, vamos deixar os dois comerem um pouco. E Matrix fica meio desconfiado do sanduba que sua filha preparou, cheio de uma gororoba verde. Devia ser mais uma das tentativas dela de forçá-lo a comer de forma saudável. Onde já se viu, pombas? No sanduba do Arnoldo tem que ter proteína, tem que ter pelo menos meio quilo de carne. Era melhor que aquele troço verde fosse presunto estragado, ou ele ia botar Jenny de castigo.


Matrix então se levanta e vai na direção da janela. Jenny já começa a imaginar que seu pai, após fuçar o recheio natureba de repolho e maionese light do sanduíche, ia escarrar longe a refeição que ela fez com todo carinho...


... mas na verdade ele foi lá pra conferir um helicóptero do exército que estava invadindo a sua propriedade. Justamente hoje que ele havia mandado seu canhão anti-aéreo pra oficina.


Cabe explicar um pouco. Matrix é um coronel aposentado do exército, talvez por ele ter matado muitos soldados inimigos e assim não ter sobrado mais ninguém pra terra do Tio Sam justificar um exército. E com isso ele largou as forças militares pra ficar ali de boa com sua filha. Jenny fica preocupada, imaginando que alguém está vindo ali pra levar seu papi embora, mas ele garante que seus tempos de caserna acabaram.


Do helicóptero saem dois Comandos em Ação, juntamente com o general Boechat. Sem perder tempo, ele manda os dois protegerem o perímetro... Pois dizer "protejam o perímetro" soa legal pra caramba! Experimente você também.


O general Boechat tá lá atrás de John, pra esclarecer por que ele ficava recebendo aqueles trotes de madrugada. Afinal de contas, o telefone vermelho de emergência do Pentágono não era para aquelas brincadeiras de ginásio.


E sem ele perceber...


... YOINK! Matrix é mais rápido e pega a arma do Boechat, pra mostrar quem manda naquela pôrra. Curioso como o Arnoldo, com seus quase dois metros de músculos, consegue ser tão silencioso e sorrateiro pra dar esse susto no coroa.


Começa então a troca de gentilezas, com um "como vai, seu puto senil?", "vou bem, sua bichona bombada, já aprendeu a falar inglês?" e essas coisas que amigos do peito dizem um para o outro.


Jenny também aparece, com uma cara de quem comeu e não gostou (talvez foi o sanduíche), dizendo que eles interromperam o almoço de pai e filha e era melhor eles se mandarem, pois seu papai não ia mais brincar de guerrinha, agora ele só brincava de casinha e chá da tarde com os Ursinhos Carinhosos.


Matrix manda Jenny ir lá limpar a louça, o que dá uma oportunidade para ele conversar com seu ex-patrão. O general Boechat começa a dizer que alguém está matando todos os integrantes de sua antiga unidade. O Astolfo, o Dédé, até mesmo Bennett, o bigodinho. Apesar deles estarem com identidades secretas, algum maluco foi achando os cabras e matando um a um. E tudo indicava que Matrix seria o próximo.


Por isso, o general havia escolhido ali dois soldadinhos de chumbo pra protegê-lo. Matrix então dá aquele suspiro, dizendo que aqueles dois bostas não durariam cinco minutos, o Boechat já podia preparar dois sacos pretos e mandar uma cartinha para as esposas deles.


O Boechat então volta pro helicóptero, pois tem que ir correndo pra apresentar o Jornal da Band, deixando John e Jenny na companhia de dois soldados, que iriam certamente protegê-los de qualquer terrorista que chegasse perto.


Só que então... Matrix começa a ficar meio encucado...


... e bate em retirada, antes que o filho da puta do fuzil que tava ali na mata atirasse nele! Caralho! Como é que ele percebeu?


Como previsto, os soldados ali não duraram nem cinco minutos. Já viraram estatística.


Matrix consegue proteger a sua filha dentro de casa, e o soldado negão ali, apesar de ter levado alguns tecos, consegue se salvar também. Sem perder tempo, Matrix diz que precisa pegar sua arma pra atirar de volta, e pede pra Jenny ir pro quarto se esconder. Mostrando que não está nem aí para um processo racista, ele larga o G.I.Joe afro-americano entregue para a própria sorte.


Como em qualquer filme, Jenny escolhe se esconder no lugar mais previsível: debaixo da cama. Um puta casarão enorme, certamente com vários lugares melhores, e ela vai pra debaixo de sua cama, tipo o primeiro lugar que alguém ia procurar. Alguns anos depois, vimos a filha do Bryan Mills fazer a mesma coisa e ser facilmente capturada.


Mais facilmente é como John conseguiu sair correndo pelos cantos de sua casa, até chegar no galpão onde ele tem a sua arma. Aqueles canalhas iam aprender uma valiosa lição sobre invasão de propriedade que eles jamais esqueceriam.


Rapidamente ele chega no galpão, e digita a complexa senha "1-2-3".


Sim, a típica senha que um idiota colocaria em sua maleta.


E essa senha que qualquer criança de seis anos iria tentar de primeira serve para guardar algo bem inofensivo: simplesmente um arsenal de dar inveja, maior do que as forças armadas de muitos países por aí.


Jenny por sua vez está lá, escondida debaixo da cama. O dia que começou tão alegre, vendo Xou da Xuxa e comendo sanduíche de pasta verde, estava se tornando tão desesperante. Teria sido melhor ter decidido por ficar com sua mãe lá na Flórida, em vez de ficar no meio do nada com seu pai maluco.


Então... chega lá um par de botas na frente da cama dela. Sério, parece que imitaram toda essa cena no Busca Implacável.


Aliás... Já pensou um filme onde o Arnold Schwarzenegger e o Liam Neeson se juntam para resgatar as suas filhas? Dinamite pura!

Matrix não perde tempo e corre pro quarto de Jenny, antes que seja tarde demais...


... e se depara com o cadáver do negão, que estava sorrindo pelo pescoço. Viram só? Nem cinco minutos...


Matrix entra no quatro com a arma preparada, e então se depara com um merda ali, sentado na cadeira, olhando pra ele.


E ainda por cima com um coraçãozinho? What the pôrra is that? O sujeito, que chamarei de Hector (típico nome de latino em filmes), começa a dizer que eles levaram a filha dele, que ela está bem, mas que agora ele tinha que andar no sapatinho e ir com eles também. Se ele cooperase, tudo ia ficar numa boa. Certo?


Errado!


BANG!


E lá se vai uma bala, atravessando o crânio do Hector e a parede ali atrás, encerrando sua breve participação nesse filme, que será lembrado como o primeiro cara que o Matrix matou.


Aliás, me deu uma idéia agora... Me lembro de quando eu era garoto, certa vez eu decidi assistir a esse filme e contar quantos bandidos o Arnoldo detonava. Arrumei uma folha de papel e ia marcando os tracinhos pra dar números à carnificina. E me deu vontade de fazer isso aqui também. Com isso, senhoras e senhores, começaremos o kill count do Arnoldo!

Kill Count do Arnoldo = 1

Seguimos... Depois de estourar o primeiro capanga do dia, Matrix sai correndo pelo telhado...


... a tempo de ver os outros filhos das putas indo embora com sua filha. Como sempre, os bandidos usam sempre um furgão, é o veículo clássico de sequestro nos filmes de algumas décadas atrás.


Ele então não perde tempo e corre para seu carro. Como todo machão que se preze, o Arnoldo tem um puta carrão daqueles estilo Explorer. Só não era um Hummer pois nessa época ele ainda não havia sido lançado, me fazendo perceber mais uma vez como estou ficando velho. Mas ele percebe que o capô tá meio aberto.


E então ele se dá conta de que fuderam com toda a fiação. Sem ter como dar a partida, sem freios e sem ter como ligar o toca-fitas pra botar uma música de perseguição...


Só que ele não quer nem saber e vai sem freio... Uma demonstração de bravura, ou o uso exagerado de hormônios fez com que ele perdesse um pouco da inteligência. Que se foda, vamos empurrar a porcaria do carro ladeira abaixo e acertar em cheio aqueles bandidos.


Sorte do Matrix que o carro é tão bruto como ele, voando pelo morro sem freio que nem um gordo destrambelhado.


Confesso que não sei qual era a idéia na cabeça de Matrix. Com o carro sem freio, o que ele planejava? Acertar em cheio o furgão onde estava a sua filha? Ia acabar matando a todo mundo, tô de dizendo que os esteróides fuderam os neurônios de nosso amigo. É a mesma conclusão que o negão, aquele mesmo lá que matou os carinhas no início da postagem, confabula com seu amigo, branco de olhos azuis.


Sim... Eram os anos 80. Como no Miami Vice, nada mais comum do que aquela típica cena ebony and ivory pra demonstrar a fraternidade étnica.

Bom, como esperado, Matrix quase provoca um puta acidente na estrada, mas o negão consegue driblar o carro que desce que nem um bode bêbado.


Azar que nessa época não tinha essa de air bag, deve ter doído a pancada!


Só que estamos falando do Arnoldo, pombas. Ele não precisa de air bag coisa nenhuma, e mesmo depois de capotar umas trinta vezes ele sai sem nenhum arranhão. E, como esperamos de um filme de ação, nada como uma explosão do carro segundos depois que ele foge dali.


Quem dirigiu essa merda? Michael Bay?


Depois de explodir sua charanga, Matrix é cercado por um bando de capangas genéricos, armados até os dentes com rifles automáticos. Qualquer pessoa normal numa hora dessas ia levantar os braços e dar uma de francês, erguendo a bandeira branca e se rendendo.


Mas não nosso chapa Arnoldo. Pouco se fudendo se vão atirar nele, Matrix parte pra cima dos calhordas, desarmando os sujeitos...


... até que um tarado dá mais um daqueles patenteados abraços por trás, como dos Super Amigos, e o imobiliza. Infelizmente, nessa cena nenhum bandido bateu as botas, embora alguns certamente perderam uns dentes.


Eis que então, quem aparece?


Sim, Bennett, o bigodinho. Mas, puta merda! Ele não tinha voado pelos ares algumas cenas lá em cima, juntamente com seu barco e montes de peixe podre? E que roupinha de bicha é essa?

Matrix também não acredita, se perguntando se ele por acaso estava tendo um sonho gay, em que ele está sendo agarrado por um monte de caras e seu velho companheiro de quartel aparece com um modelito cheguei. E vemos que alguém acertou um teco de paintball nos cornos dele.


Bennett faz um discursozinho de merda, dizendo que estava puto por que ele não ligava mais pra ele, pensando só na sua casa e na sua filha, deixando de lado as calorosas noites de pôquer de terça. Só que agora ele ia se vingar...


... E PLUFT! Sim, não foi BANG por que essa é uma arminha tranquilizante...


Como que eu sei? Por que já vi o filme, pôrra! E convenhamos que dificilmente a estrela do filme iria morrer logo aos quinze minutos de filme.

Sim, o post tá imenso e foram só quinze minutos! Caraca, exagerei mesmo nas fotos, mas acho que esse filme merece, não concorda? Mas vamos dar uma pausa por aqui, para darmos uma respirada, e logo voltamos com a continuação desse clássico de ação do Schwarzenegger.