sexta-feira, 28 de junho de 2013

Apaixonite Aguda II

Cara, estou perdendo a noção... Toda semana passa em frente de banca de jornal e fico apaixonado! Isso é um retrato de como a situação aqui está ficando cada vez mais difícil, e este pobre texugo chega cada vez mais perto daquele momento de jogar a toalha e assumir que pelo resto da vida só vou dormir em cama de casal quando estiver em hotel durante viagem de serviço.

Há praticamente um mês fiz um post onde comentei sobre duas paixões de cinco minutos que tive durante uma mera viagem de ônibus pela Zona Sul do Rio de Janeiro, como quando vemos aquela garota sensacionalmente linda andando na rua e o coração dispara mais acelerado. Só que nesses últimos tempos, por algum motivo eu estou acabando por me derreter por simples capas de revistas ou outdoors espalhados pela cidade. Talvez pelo fato de que capas de revistas não vão se sentir ameaçadas e ficar pensando que eu sou um tarado ou uma vez que um outdoor costuma ficar ali sempre no mesmo lugar por um bom tempo, até ser substituído por uma propaganda de farmácia.

Não demorou e passando pela banca de jornal, encontrei outra capa simplesmente fantástica, com uma mulher muito gata que me deixou apaixonado.


A moça da vez é a atriz Sophie Charlotte, que com esse nome todo sofisticado que combina com a beleza elegante e clássica que exibe na capa, mostrando que realmente um penteado bem feito pode fazer maravilhas.


Sensacional!

sábado, 22 de junho de 2013

Momento Histórico


Sem sombra de dúvida estamos diante de um momento que podemos chamar de histórico. Há praticamente duas semanas, várias manifestações estão parando diversas cidades do Brasil, motivadas pela luta contra mais um aumento do nosso sempre precário transporte público, mas que também protestam contra a Copa das Confederações e todo o desperdício de dinheiro destinado a esses grandes eventos esportivos, assim como contra a corrupção de nossos governos. Alguns governantes decidiram desistir do aumento, mas a idéia é que os protestos devem continuar ainda por algum tempo.

Esses protestos ganharam todo essa dimensão (outro dia aqui no Rio foram mais de 300 mil protestando nas ruas do Centro) com o apoio das redes sociais: militantes marcam dia, hora e local, e a informação se espalha como fogo, e então uma multidão mascarada, munida de cartazes e cantando o hino nacional, se aglomera, normalmente começando na hora do rush no fim do dia e se estendendo até a noite. Logicamente, como esperado quando se tem uma multidão desse porte, não demora para que em um determinado momento a violência se inicie, com manifestantes combatendo a polícia.

Bom... Venho então escrever agora um pouco sobre a minha opinião a respeito dessas manifestações. Quem me conhece sabe que eu não tenho rabo-preso com ninguém, e sempre venho aqui expor a minha visão sobre certos acontecimentos e fatos da atualidade, procurando ter uma postura fria e relativamente imparcial sempre que possível. Não sou um rebelde sem causa, que contesta só pelo desejo de ser do contra, tampouco sou do tipo que vai com a maré e adota a postura da maioria, como muitas pessoas ao meu redor fazem ultimamente.

Sei que vou desagradar a muitos, mas vamos lá então...

Longe de mim querer contestar a motivação desses protestos. Discordo completamente dos aumentos abusivos do transporte público de nosso país, é um absurdo os governantes terem a cara de pau de sempre procurar alguma justificativa para aumentar o preço dos ônibus, trens e metrô. Embora existam cidades no mundo onde se paga mais caro pelo transporte do que em nossas principais metrópoles e mesmo considerando que na ponta do lápis, pode-se considerar que o aumento dessas passagens esteve próximo (ou mesmo um pouco abaixo) da inflação, é fato de que o preço que pagamos não é coerente com a péssima qualidade dos serviços. Ou seja, o preço da passagem não subiu tanto se formos comparar com o aumento geral das coisas, mas esse aumento vem muitas vezes vem com uma piora da qualidade dos serviços.

Já citei aqui várias vezes como por exemplo o metrô carioca vem ficando cada vez pior, chegando ao ponto de termos engarrafamento nos trilhos e superlotação desumana... Só o filho da puta do Serginho Cabral acha que a gente tem o melhor metrô do mundo...


Soma-se a isso o fato de que eu concordo que é uma pouca vergonha o país gastar uma fortuna para a realização de grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. É realmente revoltante vermos como o dinheiro sai tão fácil para construir estádios pelo Brasil afora, com obras que custam muito mais do que deveriam para erguer verdadeiros elefantes brancos em estados onde o time melhor classificado está na série C do brasileiro, enquanto que temos hospitais caindo aos pedaços, a educação entregue às moscas e a população sofrendo com a violência.

E também concordo com diversos outros pontos levantados, como a revolta contra a PEC 37, que iria evitar que políticos corruptos fossem investigados pelo Ministério Público, assim como o pedido pela cabeça do Renan Calheiros, que é presidente do Senado, inclusive alvo de um abaixo-assinado que comentei aqui.

Concordo com toda a motivação dessas manifestações... Acontece que não concordo muito com a forma como elas estão sendo feitas. Por mais que tentem engrandecer o fato, eu não consigo ficar animado com tudo isso, não tenho esperança de que todos esses protestos venham a levar a alguma coisa. Eu já sou um texugo relativamente vivido, e já conheço muito bem o povo brasileiro para ficar sonhando que a História está sendo mudada com passeatas e palavras de ordem.

Uma das primeiras coisas que eu não gosto nesse tipo de protesto é como todas essas manifestações sempre prejudicam primeiro (muitas vezes unicamente) e bastante aqueles que não tem nada a ver com isso, que não tem nenhuma culpa no cartório. 

É de lei: esses protestos são tipicamente feitos no final da tarde, e sempre acabam percorrendo vias importantes da cidade, bem na hora que o trabalhador está querendo voltar pra casa. Tá lá o sujeito, cansado depois de um duro dia de labuta, louco pra chegar em casa, tomar um banho e ficar com a família, e aparece uma manifestação no caminho, fechando a rua. Estraga a vida do coitado, que vai ficar horas mofando num ônibus, que vai ter que caminhar a pé vários quilômetros para evitar o tumulto, chegando tarde em casa e mal tendo como descansar. Fode a vida dele e de tanta gente, muitos que até concordam com os manifestantes, mas que sofrem as consequências como se fossem os culpados.


Vai aparecer alguém dizendo que é assim mesmo, que não tem jeito, que é necessário "atingir" as pessoas para divulgar sua mensagem. Mas eu acho isso uma sacanagem, pois sempre atingem o lado mais fraco, o lado que mais vai sofrer, enquanto que os verdadeiros responsáveis não são diretamente atingidos. Fechando as ruas você atrapalha a vida do trabalhador; mas enquanto isso o Dudu Paes está voando por aí de helicóptero. Uma covardia, uma falta de respeito com pessoas que não tem nada a ver.

Isso sem entrar no mérito da violência também. Violência que vem dos dois lados, do lado da lei por parte de policiais que acabam sendo exagerados na contenção dos manifestantes, mas que vem destes também, vandalizando a cidade e destruindo o patrimônio público e privado. Está errado sim o policial disparar gás de pimenta à queima-roupa na cara das pessoas...
 
 
Mas está errado também o manifestante quebrar vidraça, queimar carros e destruir bancos.


E agora vai aparecer alguém dizendo que esses vândalos são minorias, que são pessoas que querem se aproveitar para quebrar as coisas. Mas, não sei não... Tudo bem que certamente existem marginais que se aproveitam do fuzuê para cometer crimes, no final dessa semana mesmo alguns filhos das putas vandalizaram uma concessionária de carros de luxo na Barra. Bancos e edifícios, apesar de tentarem se proteger com portas de ferro e tapumes, foram depredados por malandros oportunistas que estão pouco se fudendo com o movimento.

Só que acho que é uma inocência e demagogia assumir que todos os vândalos são marginais que não tem nada a ver com o movimento. Duvido que não tenham protestantes que sejam defensores da violência, se você for ver muitas das pessoas que estão protestando dizem com todas as letras que precisa fazer bagunça, precisa quebrar tudo, pois só caminhar e cantar musiquinha não vai dar em nada, que somente com imagens fortes é que o movimento vai ganhar destaque nos jornais do Brasil e do mundo.

Inclusive, até digo o seguinte: como a opinião pública em geral assume por definição que toda pessoa vandalizando não seja participante do evento, isso dá uma certa "segurança" aos manifestantes mais exaltados serem violentos.


A verdade é que esse movimento no final das contas não tem uma liderança. Ou melhor, talvez até tenha, certamente devem ter algumas pessoas que comandam essas manifestações, que definem local e data dos protestos, mas uma liderança relativamente fraca e que não tem controle sobre o movimento, que acaba se tornando uma verdadeira baderna. Tentam criar um protesto que seja aberto para todos, e nessa brincadeira permite que gente apareça para causar problemas.

Com toda essa liberdade, permite-se que manifestantes pró-violência apareçam, pessoas que acham que só na base da porrada e enfrentando a polícia vão conseguir alguma coisa; permite-se também que vândalos, que só querem quebrar tudo e aproveitar a zona para não serem pegos; e, por que não, permite-se também que pessoas contrárias ao movimento se infiltrem e incitem a violência para prejudicar os protestos. Fato é que não se tem o controle de quem está lá, se deixar dá para um assassino ir lá no meio da multidão e ninguém vai impedí-lo. É só ele consultar no Facebook onde vai ter a concentração, e pronto.

Quanto à reação da polícia, eu sinceramente procuro ser um pouco comedido na minha opinião. É indiscutível que existam policiais que não estão preparados, isso vale não somente para a contenção de multidões mas para outras atividades também. Só que eu não adoto a postura de ódio pela polícia, tão comum à nossa sociedade. O povo já se acostumou a ver a polícia como inimiga, como sempre a errada. Se tem um tiroteio no morro e alguém é atingido, cinco segundos depois os favelados usam seus poderes de perícia para já falarem que foi bala da polícia, nunca é um tiro proveniente de traficante. E mesma coisa nesses protestos.


Uma grande responsável por isso é a mídia (entenda-se aí principalmente a Rede Globo, sensacionalista e sempre querendo distorcer os fatos). Sempre falam que a polícia é violenta gratuitamente, sem falar muito de que sempre o estopim desses confrontos é uma provocação mais violenta por parte dos manifestantes, que jogam pedras e disparam rojões contra os policiais. Nessa hora, a polícia precisa ter mão firme e agir, e para isso ela precisa partir do pressuposto que todos ali podem ser uma ameaça, goste ou não. O sujeito isolado e encurralado estendendo bandeira branca e dizendo "sou da paz" podia há alguns minutos atrás ter tacado uma pedra na policia. Você se estivesse ali na pele do policial, iria correr esse risco?

Só que a mídia procura sempre demonizar os policiais, não sei qual o objetivo que essas emissoras têm de jogar a população contra a polícia. Por exemplo, achei ridículo um repórter da Globo que estava filmando o tumulto em frente ao prédio da Prefeitura do Rio nessa quinta e levou um teco de bala de borracha no meio dos cornos. Numa situação dessas, uma pessoa normal iria direito para um hospital ser tratado. Só que o interesse em divulgar para todo o Brasil a violência sofrida pela polícia era maior, e não demorou para ele aparecer com a cara toda ensanguentada.


Sério... É uma postura tão pilantra... Faz questão de não limpar o sangue (bobeando até deve ter rolado uma maquiagem para que ficasse mais dramático) e fazer a cara de vítima. Devia era ter levado uma bala de borracha no meio do saco, quero ver se aí iria posar para as câmeras. No mínimo ia falar com voz fina.

Novamente devem aparecer pessoas aqui condenando a minha postura, dizendo que sou um filho da puta por defender a polícia. Não estou defendendo, repito que tem muito policial mal preparado. Mas a função da polícia é manter a ordem pública, usando da força se necessário. Por que os manifestantes acham que está tudo bem que eles promovam a violência para que o movimento apareça, pois caminhar e cantar musiquinha não vai resolver, mas se é a polícia que tem uma reação mais dura contra essa violência não pode? Ou você acha que se os policiais fossem lá na conversa, pra pedir por favor que parassem de destruir o patrimônio público e privado, cantando "We are the World" e distribuindo flores para os encapuzados baderneiros, iria conter os vândalos?

Aliás, falando de encapuzados... Na minha opinião tinha que chegar nesses protestos e todo mundo que estivesse com touca ninja, camisa enrolada na cara ou qualquer outro tipo de máscara, já tinha que ser preso. A imensa maioria das pessoas que vandalizam estão lá com os rostos cobertos, para assim não serem facilmente identificados, tá escondendo a cara é porque boa coisa não deve querer. E isso vale inclusive para os "modinhas" que ficam colocando aquela máscara escrota do bigodudo, bando de viadinhos metidos à besta e que querem só aparecer.


E toda essa violência vai continuar, principalmente pelo fato de que é evidente uma das coisas que os manifestantes estão buscando em primeira instância: um cadáver. Sim, todo esse incentivo à reação mais violenta da polícia certamente é nutrido pelo desejo de alguns (provavelmente muitos) de que alguma pessoa seja morta pela polícia, alguém que sirva de mártir para conferir ao movimento o apoio da opinião pública. Afinal de contas, se a mídia e a população já nutrem um ódio pela polícia e simpatia pelos manifestantes (por mais violentos que sejam) quando estes saem só feridos, imagina só se um deles for morto?

Até o momento só duas pessoas morreram, mas não de uma ação direta dos policiais: um garoto em Ribeirão Preto foi atropelado por uma pessoa que lançou seu carro contra um grupo que fechava a rua, e uma mulher de Belém que teve uma parada cardíaca devido a um infarto quando manifestantes jogaram uma bomba perto dela (como você pode ver aqui). Mortes "acidentais", como a própria notícia diz... Claro que se tivesse sido uma bomba da polícia ou alguém atropelado pelo caveirão, não seria nada de acidental, e a porradaria iria correr solta. 

Apesar de muitos prefeitos e governadores terem metido o rabo entre as pernas e baixado o preço das passagens, certamente muitos protestos ainda estão por vir, algo que imagino que deva durar até o final da Copa das Confederações, enquanto muitos dos olhos do mundo estão voltados aqui para nosso país. Provável que algo parecido possa ocorrer no final do mês que vem, quando o Papa Chico vier aqui, embora tenho por mim que como brasileiro é um povo exageradamente religioso que não deve ter arruaça.

Agora, uma das grandes questões que levanto é o seguinte: embora sejam várias bandeiras que sejam erguidas nesses protestos, podemos assumir que todas elas têm em comum o repúdio contra a corrupção e a roubalheira de nossos políticos. Acho ótimo, mas gostaria de fazer algumas perguntas para os manifesantes que estão tomando as ruas de nosso país:

  • Você estaciona em local proibido ou fura o sinal vermelho?
  • Você alguma vez já colou em uma prova do colégio ou faculdade?
  • Você joga lixo no chão?
  • Você divulga ou acompanha a localização das blitz da Lei Seca quando sai pra beber com os amigos?
  • Você quando chega dos Estados Unidos cheio de muamba vai sem pestanejar para a fila do "Nada a Declarar"?
  • Você fica quieto quando vai numa loja e recebe troco a mais?
  • Você tem TV a cabo graças a um Gato-NET?
  • Você olha pro lado ou finge que tá dormindo quando está no assento preferencial no ônibus ou metrô e chega uma pessoa idosa?
  • Você baixa música da Internet e compra programa pirata na Uruguaiana?
  • Você procura sempre levar vantagem com o famoso "jeitinho brasileiro"?

Se você respondeu "sim" em algumas dessas perguntas, então vai tomar no meio do seu rabo! É muita hipocrisia querer criticar a corrupção dos políticos quando se é corrupto em pequenas coisas do dia-a-dia. Como dizem, o povo tem os governantes que merece.

Essa hipocrisia diante da corrupção é uma das razões pelas quais eu, apesar de achar válido o protesto do povo, não acreditar que isso venha a melhorar alguma coisa. Legal, conseguiram voltar o preço das passagens de ônibus, mas quem garante que alguns meses depois isso não venha a ocorrer de novo? Por exemplo, nosso ilustre prefeito filho de uma puta, Dudu Paes, se reelegeu ano passado dizendo que não iria aumentar a passagem, mas menos de um mês depois de ganhar as eleições anunciou que haveria um aumento.


Pergunto por que naquela época não teve tanto protesto como agora...

Sem falar que são inúmeros casos de hipocrisia, vários exemplos de pessoas que faziam todo um teatrinho de serem contra a corrupção, de defender os direitos do povo, de pedir a cabeça de políticos ladrões, mas que quando tiveram a oportunidade de chegar em cargos políticos, o egoísmo e o interesse no enriquecimento próprio falaram mais alto. 
Por exemplo, lembra do Lindbergh?
Há alguns anos ele era um dos caras-pintadas que foi às ruas pedir o impeachment do presidente Collor. O Lindbergh devia ter o mesmo discurso desses jovens que hoje protestam, tinha a mesma postura de condenar a corrupção, de exigir que os políticos investissem mais na educação e saúde. Não demorou e logo entrou na política, e acabou se tornando igual àqueles que criticava, roubando pra caralho, sendo acusado agora de corrupção quando ele foi prefeito de Nova Iguaçú. Engraçado, né? Como um colega meu costuma dizer, o Lindbergh deixou de ser pedra pra ser vidraça. 
E se preparem: não duvido logo que algumas dessas pessoas desse movimento atual, as lideranças que se destacam um pouco mais, vão acabar seguindo o mesmo caminho. 
Brasileiro é um povo idiota, acha que tem um senso cívico de patriotismo, mas na verdade tá cada um preocupado com seu próprio umbigo. Diante da oportunidade de levar vantagem ou sob o risco de sair prejudicado, some todo esse papo de "verás que um filho teu não foge à luta" e passa a ser um bordão mais na linha do "cada um por si" ou "primeiro eu, que se fodam os outros". Todo esse nacionalismo exacerbado é como fogo de palha, logo logo isso aí passa, e cada um vai voltar a viver a sua vidinha, pouco se fudendo para o país, se esquecendo de tudo.

Falando no Collor, quer prova maior de que o brasileiro esquece fácil? Provaram que o cara era um ladrão sem escrúpulos, um verdadeiro canalha. Passados alguns anos de inelegibilidade e o Collor veio se candidatar de novo, e teve gente que votou nele. Mesma coisa com tantos outros corruptos: Garotinho é chefe de quadrilha, líder de máfia, e está aí cumprindo mandato de deputado; Maluf é um bandido tão grande que tem países que ele se pisar vai preso, mas está aí na Comissão de Justiça da Câmara. Comissão de Justiça, minha gente!


Inclusive fico me perguntando quantos desses manifestantes nas ruas devem ter votado na Companheira Estela, no Serginho Cabral e no Dudu Paes. O que me dizem agora? Lá atrás vocês acreditaram na conversa mole deles, nas promessas ilusórias que qualquer pessoa bem informada saberia que não passava de cascata. A culpa do aumento das passagens, da corrupção na política, não é só dos políticos não; os eleitores que os colocaram lá no poder também são culpados, e pintar o rosto e marchar pelas ruas não diminui essa responsabilidade, principalmente se a cada quatro anos eles cometam o mesmo erro nas urnas.

É o grande problema de nosso país, não adianta nada todo esse discurso contra a corrupção se o povo não sabe votar, se o povo se deixa enganar por promessas de campanha. Repito, brasileiro tem memória curta. Tanto que a gerentona ontem, em discurso em cadeia nacional, veio prometer uma série de coisas que já haviam sido prometidas quando ela se elegeu, vendendo essas idéias como se fossem novidade, como se fossem ações que ela está tomando devido aos protestos. E tem gente que acredita. Esse é outro motivo que me leva a crer que esse movimento não leva a nada. Não adianta nada protestar contra a corrupção e chegar ano que vem e colocar a Dilma e tantos outros bandidos no poder. De novo.


A melhor forma de enfrentar o governo corrupto não é segurando cartazes e cantando, tampouco partindo pra violência urbana, pra atingir eles precisa atacar onde dói mais, no voto. É chegar e diante da urna não votar nesses canalhas, e mostrar para o restante da sociedade que esses cretinos não merecem o nosso voto. O que inclui até mesmo um esforço em mostrar para o povão quem esses governantes são de verdade. Mais efetivo do que ocupar a Presidente Vargas, é subir nas favelas e mostrar para os pobres que o Bolsa Família é uma palhaçada, de que é uma esmola destinada a manter a pobreza e conquistar votos. Só que isso dá trabalho, isso não choca a sociedade, não aparece em destaque no Jornal Nacional...

A verdadeira causa de tudo isso está há 513 anos atrás, quando Pedro Alvarez Cabral achou por engano essa merda. Desde então que nosso povo sempre priorizou o seu interesse próprio, em explorar a tudo e todos pensando somente em seu próprio benefício. Antes de apontar o dedo contra os outros, que cada um seja crítico, olhe para si mesmo e mude. Só que isso é difícil, pra não dizer impossível. Como digo quando levantei aquelas perguntas lá em cima, já está no nosso sangue querer sempre levar vantagem, mesmo que isso seja de forma ilícita, o que pejorativamente é chamado de jeitinho brasileiro. Enquanto isso fizer parte de nossa sociedade, podem fazer protestos todos os dias, que nada vai mudar...

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Como odeiam a classe média!

Eu não costumo ler muito revistas, cada vez mais eu estou me distanciando do mundo do papel, muito mais pela questão das informações e notícias serem atualizadas muito mais rapidamente na Internet e para reduzir o peso dos livros na minha pasta que já estava fudendo com minha coluna, do que por uma questão meramente ecológica. Mas sempre tem aquelas situações onde temos que recorrer às publicações físicas, como quando vamos no consultório médico e presenciamos aquela infeliz coincidência da bateria de meu telefone estar baixa e de eu ter esquecido meu Kindle em casa com a presença de pessoas chatas na sala de espera, falando de assuntos extremamente agradáveis como doenças e hospitais.

Nessas horas não tem jeito, tive que recorrer à cesta de revistas e acabei lendo uma Época, para me atualizar das novidades do Brasil e do mundo, assim como ver qual era a beldade que estampava as páginas de frases da semana.


Sério, acho engraçado isso: toda a semana sempre tem alguma mulher exibindo a sua beleza nessas seções de frases da semana. Ela pode ter falado qualquer merda, mas ganha seu espaço...

Enfim, a edição daquela semana falava a respeito de como a classe média brasileira é a que paga o pato nesses tempos de inflação. Sempre ela, que se encontra naquela fronteira entre os ricos que têm grana saindo pelo rabo e os pobres que são cada vez mais favorecidos pelo assistencialismo do governo. Já não é de hoje que a classe média costuma ser mesmo a maior vítima das falcatruas do governo, tendo que pagar impostos exorbitantes e precisando se virar nos trinta. E a reportagem (que parte dela você pode ler aqui neste link) fala a respeito disso, mostrando principalmente como que essas pessoas da classe média precisaram se reorganizar para não chegar no final do mês no vermelho, sendo obrigadas a mudar hábitos, cancelar ou postergar planos e fazer as contas.

Me considero um texugo de classe média. Faço até questão de pegar parte do texto que descreve esse grupo do qual faço parte:
"Fazem parte desse contingente os assalariados e os empresários de pequeno e médio porte relativamente bem-sucedidos, com um patrimônio conquistado quase sempre com o próprio esforço, além dos profissionais em ascensão na carreira. Em sua maioria, eles têm diploma universitário, nível cultural elevado e estão acostumados a frequentar restaurantes, bares, cinemas e shows. Sempre que possível, viajam para fora do país com a família ou com os amigos."
Trata-se de pessoas que chegaram onde chegaram muitas vezes depois de muito esforço. Eu, por exemplo, ralei nos meus estudos, meti os cornos para conseguir entrar em uma boa faculdade e me formar bem, buscando sempre cursos adicionais para incrementar o meu currículo. Me esforcei para ter meu teto, meus bens, conseguidos graças ao trabalho duro, mesmo tendo que pagar altos impostos e por serviços que deveriam ser oferecidos pelo nosso governo. Não nasci em berço de ouro e tampouco precisei contar com esmola do governo ou política de cotas para conquistar o que eu tenho hoje. E que agora, como muitas outras pessoas, preciso rever meus gastos, deixar de fazer coisas para que eu possa chegar no próximo mês sem perder os cabelos e acumulando dívidas. 

Ao longo da reportagem, vários casos semelhantes são apresentados: é o sujeito que deixou de ir em bares e passou a comprar cerveja no mercado para beber com os amigos em casa; a família que abriu mão do costumeiro programa de ir no cinema e comer em um restaurante para baixar um filme no Netflix depois de fazer um lanche no Bob's; a mulher que abriu mão da empregada diarista para se virar com uma faxineira mensal; o casal que postergou a viagem para o exterior e passou as férias em casa... Por aí vai...

Bom... Essa revista era de alguns dias atrás, e acabou que nessa semana tive que ir no mesmo médico novamente, para entregar exames e tudo mais. Novamente, a espera foi tremenda. E mais uma vez, eu não estava com meu inseparável leitor digital. Tive que recorrer novamente à revista, e estava lá a Época seguinte. Fui ali folheando a revista, e me intrigou bastante quando cheguei na seção de cartas, onde alguns leitores haviam tecido suas opiniões a respeito da matéria de capa da semana anterior. 

Vou te dizer que, ao ler as opiniões de três leitores, me senti extremamente puto! Fiz questão de sacar meu celular e tirar uma foto das cartas, para que eu pudesse vir aqui, reproduzi-las e comentá-las.


Para que você possa ler com maior facilidade, seguem as cartas.
"Se a intenção do governo atual é diminuir a desigualdade social e tirar o país do nível de pobreza, é aceitável que o crescimento de renda seja maior para os mais pobres para que os mais ricos e que o Bolsa Família represente 35 vezes o consumo da classe média tradicional"
Vanuza Valcazara, São Paulo, SP
"Nossa, como sofre a classe média. Ter de comer na praça de alimentação do shopping e abandonar a hidratação facial é mesmo uma lástima. E a vida real mandou lembranças para essas pessoas."
Paulo Velasque, São Paulo, SP
"Tantas pessoas passando fome, sem um lugar para morar, em situação de extrema pobreza. E, no entanto, a reportagem retrata o sofrimento de quem não pode fazer viagens caras ou ter uma empregada doméstica. Daqui a pouco, até transporte público esses pobres coitados serão obrigados a usar. Que absurdo, não!?"
Flávio Serpa, Rio de Janeiro, RJ

Na boa, eu gostaria muito de ter a oportunidade de dialogar com esses três energúmenos. Nunca vi tanta concentração de babaquice em tão poucas palavras, uma postura certamente bem parcial de ódio mortal pela classe média. Gostaria de poder argumentar contra todas essas baboseiras vindas desses três, que não duvido que alguns deles (se não todos) devem fazer parte da mesma classe média que criticam.

Começo dirigindo minhas palavras para a Vanuza da primeira carta. Minha cara, imagino que se você acredita que o governo tem o interesse de reduzir a desigualdade social e acabar com a pobreza, deve acreditar também em Papai Noel e coelhinho da Páscoa. Até parece que o governo iria acabar com uma das mazelas que é a maior responsável por garantir os seus votos nas eleições.

Acabando com a pobreza, você passa a ter uma população não apenas com maior renda, mas também que acaba se instruindo mais, que começa a raciocinar mais, que procura se informar e que começa a ser muito mais crítica. Uma população que seria mais difícil de se alienar, mais complicado de conquistar com políticas assistencialistas e conversa de campanha. Pobre não tem quase nada, e se você der qualquer esmola e prometer um monte de coisas ele fica contente, por isso é melhor que continuem com quase nada, que aí o esforço para comprar seus votos será menor.

É só você ver o exemplo dessa bosta do Bolsa Família, que é citado nessa carta. Essa merda não passa de voto de cabresto, esmola para os pobres para que eles apoiem Dilma e companhia. E que nunca vai erradicar a pobreza, nada mais é que o governo sustentando pobres com o nosso dinheiro.


Vou falar uma coisa aqui e tenho a certeza de que serei mal interpretado, mas tudo bem. Na minha opinião, um dos grandes problemas é que o pobre em geral não tem educação. Calma, não estou falando sob um ponto de vista acadêmico ou de postura como cidadão. Me refiro ao fato que em geral as pessoas pobres não são instruídas a ponto de entender como que são as coisas, de como é a vida e dos reais interesses do governo. Pobre em geral se ilude fácil, se deixa enganar por pessoas mal-intencionadas que fingem que estão os ajudando mas na verdade querem levar vantagem. Talvez uma palavra maior seja dizer que eles são ingênuos. É por essa razão que se costuma dizer que, se fossem pegar todas as riquezas do mundo e distribui-las igualmente entre todas as pessoas, não demoraria até que a desigualdade voltasse a ocorrer, com as pessoas que eram pobres voltando a ser pobres.

Vou explicar... Como diz na própria reportagem, a classe média está hoje revendo os seus gastos, deixando de fazer certas coisas para não estourar o orçamento. São pessoas que normalmente possuem uma consciência financeira elevada, que sabem o valor das coisas, e que sabem definir o que é mais importante na hora de escolher o que fazer com seu dinheiro, que não ficam acreditando nas baboseiras que a gerentona diz que não tem inflação e a economia brasileira está numa boa.

Agora, o pobre em sua maioria não pensa assim. A consciência financeira do pobre é muito limitada, principalmente nos momentos de aparente calmaria. Se a Dilma fala que a economia está boa, se o Lula falar que as pessoas podem consumir sem problemas, essa parcela da sociedade acredita, e acaba torrando o pouco que tem para comprar eletrodomésticos novos, roupas e tudo mais. Claro que entrando em parcelamentos imensos onde vão pagar 100% do valor do bem só em juros, caindo no cheque especial ou precisando pegar dinheiro emprestado.


Claro, não estou sendo generalista: sei que tem muitas pessoas humildes que sabem o valor do dinheiro que têm, que procuram planejar seus gastos. Mas é fato que a maioria não é assim.

Cito o exemplo da senhora que faz a limpeza em nosso escritório. Estava toda contente pois seu marido tinha comprado uma TV 3D de mais de 40 polegadas pra ver a Copa das Confederações, pagando só 100 reais por mês. Certamente uma dívida que vai se alastrar até a Copa do Mundo no mínimo, e que se você colocar na ponta do lápis sairia muito mais barato se eles esperassem e economizassem durante um tempo, pagando menos parcelas maiores ou mesmo à vista, reduzindo assim o custo de juros. E o mais legal é o seguinte: eu aqui ainda segurando a minha televisão de tubo de vinte e poucas polegadas...

Aí nessa hora me dirijo à segunda carta, a que provavelmente me deixou mais puto. O tal do Paulo comenta com tom de deboche aquilo que ele considera como uma frescura da classe média ao considerar sofrimento abrir mão de certos luxos, dizendo que a "a vida real mandou lembranças"...

Sério, vai se fuder, pôrra!


Como a revista comenta no trecho que destaquei, a classe média chegou onde está devido ao próprio esforço, após batalhar muito para ter uma renda que atenda não somente às demandas do dia-a-dia, mas que também permita que faça aquilo que gosta, aquilo que dá prazer. Deixando claro isso, que primeiro vem a obrigação, as despesas fundamentais, como pagar conta de água e luz, plano de saúde, aluguel, escola dos filhos, e depois se sobrar alguma coisa, usar para seus planos próprios, para fazer algo que goste, um lazer para aproveitar a vida. Tudo de forma planejada, de forma a não estourar o orçamento.

E aí essa pessoa faz o que ela quiser, Paulo! Se a pessoa quiser fazer hidratação facial, jantar em restaurantes, ir ao teatro, pagar acupuntura para seu poodle, viajar para a Letônia ou seja que for, fazendo algo que lhe dê prazer usando o dinheiro que ela conquistou e economizou com seu próprio esforço, qual o problema? O dinheiro é dela, ela faz o que quiser, e não é da pôrra de sua conta, caralho!

Dá até a impressão que esse sujeito na verdade ficou é revoltado, expressando sua raiva contra pessoas que fazem aquilo que ele gostaria. Deve estar zangado porque nem na praça de alimentação de um shopping ele consegue ir, tendo que se contentar com um salgado e um refresco da birosca da esquina. Ou até mesmo pode estar putinho pois sente que seu rosto está muito ressecado e precisa de uma sessão de hidratação facial.

Esse é um reflexo de nossa sociedade, onde as pessoas têm essa inveja contra aqueles que têm condições de ter e fazer coisas que não podem. Sempre julgando isso da pior forma possível: aí nós temos a parcela mais humilde da sociedade olhando para esses "riquinhos exibidos" com ódio, com aquela visão de que tais "burgueses" têm tudo aquilo por causa da sua pobreza, como se por exemplo o sujeito tem um carro importado ou a mulher um vestido de griffe tivesse quase que tirado o dinheiro dos pobres. Em outras palavras, uma visão alinhada com a luta de classes que os petralhotários e outros vermelhos adoram.


Claro que essa revolta só é dirigida para parte da sociedade. Essa parte corresponde à (adivinhe?) classe média, como se fosse errado que essas pessoas façam certas coisas e tenham certos luxos, que faço questão de repetir, conquistados com seu esforço e dedicação. Outras classes não sofrem essa inveja, é visto até como algo legal, algo a ser valorizado.

Por exemplo, para pessoas como esse Paulo e boa parte da sociedade, é absurdo e revoltante, é exibicionismo e superficialidade se for, por exemplo, uma advogada moradora de Ipanema ir em um salão fazer hidratação facial, pagando com o dinheiro que ela ganha com o trabalho dela. Trata-se de uma mulher que não tem noção de como é a vida real, uma convencida, uma dondoca...

Agora, se a Xuxa tem um spa particular em sua mansão, todo mundo aplaude, acha bonitinho, não tem nada de exibicionismo, ela pode, é a Rainha dos Baixinhos e merece nossa admiração. E se a Dona Crezileide, empregada de New Iguáçu, gasta metade de seu salário pra ir no salão pintar as unhas de laranja e colocar um Mega Hair, também está tudo bem, acham maravilhoso, enaltecem a inclusão social, que ela merece se cuidar...

O mais legal de tudo é ver que as classes mais pobres são as que mais parecem não ter noção de como é a vida real. Como comentei acima, essas pessoas têm pouco, e acabam sempre caindo nas armadilhas das dezenas de prestações e outras práticas do comércio pra fisgar pobre. Em detrimento de coisas realmente importantes, como educação de seus filhos, saúde e etc. Ao contrário do que ocorre com a classe média, conforme é dito na reportagem, que tem a consciência financeira sobre o que é prioritário e o que pode ser deixado de lado. Algo que os mais pobres não fazem: qualquer empregada ou moto-boy anda por aí com celular de última geração pra ficar jogando Candy Crush e postando no "Faice" e TV de alta definição pra aproveitar a seleção completa de canais do gato-Net...

Principalmente quando o dinheiro vem sem esforço, como no famigerado Bolsa Família. Repito, uma política assistencialista que no final das contas é esmola para os pobres, que usam isso da forma que querem. Você se lembra daquela mulher dessa postagem, não lembra?

"Só ganho 134 reais, não tá dando pra comprar nem uma calça pra minha filha que tem dezesseis anos, porque uma calça pruma jovem de dezesseis anos... É mais de 300 reais."
Pergunto pro Paulo: isso aí é vida real?

Ou seja, o governo vai lá, dá uma ajuda financeira pra mulher, para que ela possa comprar comida e se manter, até para que ela possa pagar um curso para sua filha... Mas na cabeça dela ainda é pouco o que ela recebe, pois não dá para fazer coisas mais importantes como comprar uma calça pra filha...

Me diga agora o que é mais, digamos, insensato: uma mulher de classe média pegar um dinheiro que ela tem à disposição para pagar uma hidratação facial sem prejudicar as contas da casa, ou uma mulher pobre que provavelmente mal tem o que comer torrar seu Bolsa Família pra comprar uma calça?

Aposto ainda que vai ter gente me criticando, argumentando que as pessoas mais pobres têm direito a ter e fazer essas coisas também, julgando que eu pense que só a classe média tem direito a luxos. Estão enganados, os pobres têm direito sim a ter esses luxos e comprar essas coisas, como disse cada um faz o que quer, desde que arquem com as consequências desses gastos. Todo mundo tem que saber o valor do seu dinheiro, tem que saber quais as suas prioridades, para definir o que não pode faltar e o que pode esperar. Isso vale para todos, independente de classe social.

Ou seja: não adianta ficar chorando por aí, dizendo que está passando fome, se você depende de um Bolsa Família e gasta mais de trezentos em uma calça pra sua filha de dezesseis anos. Que vá fazer as contas e planejar seus gastos de forma coerente, sem estourar seu orçamento.

Ou vai chorar pra Dilma, pra que ela crie um Bolsa-Calça.


Tom semelhante tem o autor da terceira carta, que adota aquela postura de alguém que tem consciência social, criticando o fato da revista falar do "sofrimento" da classe média enquanto que existem pessoas de classes mais humildes que passam por problemas mais graves. Dá vontade de perguntar para esse meu conterrâneo carioca se ele faz alguma coisa em prol dessas classes mais humildes. Ele podia adotar um menor abandonado ou abrir as portas para uma família sem-teto, se é tão preocupado assim com os problemas desses mais pobres.

Eu não discuto quanto à questão de que as classes mais pobres passam por problemas realmente graves. É evidente que existem pessoas que não têm condições de ter três refeições por dia, que vivem em condições precárias, extremamente nocivas para sua saúde, que não tem acesso a coisas tão básicas da sociedade como luz, água encanada e esgoto, que sofrem com o transporte público precário... A lista é grande, não digo que vida de pobre é fácil. Embora torne a repetir que muitos desses que se enquadram nessa classe não tem uma educação financeira adequada para às condições em que vivem, e que um pouquinho de bom senso ajudaria a tornar suas situações menos piores. Não estou dizendo que os pobres são os únicos culpados por sua pobreza. Mas gastar o pouco que tem com televisão nova ou calça de mais de 300 reais pra filha não ajuda.

Mas isso não invalida a situação que a classe média passa. Só porque as pessoas têm uma condição de vida relativamente um pouco melhor, elas não têm o direito de reclamar que cada vez mais pagam impostos, que cada vez mais a inflação abocanha suas contas bancárias, obrigando-os a abrir mão daquilo que estavam acostumados a ter ou fazer? Lembrando mais uma vez: com dinheiro suado, conquistado com muito esforço.

O Brasil é o país onde mais se paga imposto, trabalhamos meses só para sustentar esse governo filho da puta. Abra seu contra-cheque e todo mês está lá o IRRF, o INSS, abocanhando o seu salário. Chega início do ano, tem que pagar IPTU, IPVA... Você vai numa loja comprar alguma coisa e nem consegue ver o quanto está pagando de imposto naquela mercadoria, principalmente se for um eletrônico (como comentei aqui, onde na época um iPhone saía mais de cinco vezes mais caros que nos EUA). Até uma bala Juquinha, metade dela deve ser só de imposto.

Pelo amor de Deus... Até aqueles que fazem a declaração de Imposto de Renda e têm a infelicidade de descobrir que não vão ter restituição, precisam pagar um imposto para pagar o imposto devido!

Acontece que boa parte desses impostos é proveniente da classe média.

Por exemplo, quem mora num bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro paga um dos IPTUs mais caros da cidade, tem moradores que devem pagar quase mil reais de imposto pela propriedade todo o ano. Agora, você acha que o sujeito que tem um barraco no Morro do Cantagalo, estrategicamente colocado entre Copacabana, Ipanema e Lagoa com uma vista exemplar, paga algum centavo de IPTU?


E posso dar vários outros exemplos: moradores de favela não pagam por energia elétrica, não pagam por coleta de lixo. TV a cabo pagam só uma taxazinha lá pro dono do morro pra ter uma seleção de canais muito maior do que eu que tenho a assinatura oficial. Quase todas as favelas têm lugares para a prática esportiva gratuita, vem aqui embaixo no asfalto e o único jeito é pagar para entrar em um clube. Morro do Alemão até teleférico tem! Todo um tratamento especial que nossos governantes dão à essas pessoas. Pessoas que contribuem muito menos com  impostos do que a classe média.

Antes que venham me criticar, não estou dizendo que a classe mais pobre não mereça a atenção dos governantes. Mas não só ela. A classe média também. O governante deve representar, deve trabalhar em prol de todo a população, não apenas de uma parcela, mesmo que ela seja mais necessitada.

O meu ponto aqui é que é meio exagero achar que a classe pobre só sofre, e a classe média tem tudo de bom. Cada uma tem suas vantagens e seus problemas.

Na minha visão, comparar os problemas da classe pobre com os da classe média é como comparar maçãs com laranjas, são coisas bem distintas. Um não invalida o outro. Só que na cabeça bitolada de criaturas como petelhos, só os problemas dos pobres são dignos de revolta, só eles podem se sentir prejudicados. É a síndrome de terceiro mundo que a maioria da população desse país de merda tem.

Claro que tem outra coisa também: há classe média e classe média. A classe média que é alvo de críticas, que é crucificada por pessoas como os autores das três cartas, corresponde àquelas pessoas que fazem parte dessa parcela da sociedade mas que não são seguidoras da mentalidade comunista dos partidos de esquerda. Apenas aqueles que não compactuam com os ideais vermelhos, que não apoiam Dilma e Lula, é que são vistos com ódio por pessoas como a tal de Marilena Chauí, professora da USP (antro de petralhotários) que mais parece o cruzamento da Vovô Mafalda com o Dick Vigarista, que proferiu com todas as sílabas que "odeia a classe média".


Sim, essa puta declamou seu ódio em um evento do PC do B, e o mais legal de tudo isso é que disse isso na frente da Dilma, que tem como maior sonho que o país seja composto somente pela classe média (algo bem irônico, não?). Fico me perguntando de que classe essa mulher faz parte: pobre ela não deve ser, seria ela então rica? Ou talvez ela faça parte da "outra" classe média. Afinal de contas, se você defende os ideais de esquerda, então tá tudo bem, mesmo que você seja de classe média. Classe média que não presta é só aquela que não segue a cartilha vermelha, se você é de classe média mas acredita no Lula e na Dilma, então você é cidadão de bem, não é alvo das críticas de paspalhos como os três que escreveram as cartas mencionadas.

Bobeando ela deve fazer hidratação facial e jantar todo dia em restaurante.

E digo mais: teria até uma terceira parcela da classe média que é "de bem", que tem todo o direito de exercer seu direito de gastar com  que quiser. São muitos dos favelados desse país, que com todas políticas assistencialistas do governo e se omitindo deliberadamente de vários impostos, já conseguiram alcançar uma renda que os confere o status de classe média. Como você pode ver nessa reportagem, em torno de 65% da população que mora nas "cumunidades" tem uma renda melhor que anos atrás e pode ser classificada na classe média.

Resumo da ópera então: se você é da classe média mas defende o PT e/ou mora em favela, você pode fazer o que quiser com o seu dinheiro; do contrário, você é uma desgraça para a sociedade que não tem direito a reclamar de nada.

Essa é a mentalidade do PT e seus adeptos: perpetuar uma luta de classes, onde eles por definição são os donos da verdade, os bonzinhos que amparam os pobres coitados das classes menos favorecidas que merecem tudo, enquanto que tudo que tem de ruim, os vilões da sociedade são sempre aqueles que trabalham duro para ter o que tem, que sustentam com seus impostos o mesmo governo que os critica.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Photoshop Sensacional

Todos nós sabemos que a pequena Emma Watson, que começou a se tornar famosa nos filmes do Harry Potter, se tornou essa über gata...


Aliás, não sei dizer se essa foto dela, com uma blusinha meio transparente é real... Se não for, por favor não me digam e me deixem acreditar!

Mas enfim... Será que ela tem como ficar melhor ainda?

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Vai pensando...

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Que tal assim?



Sinistro... 

Adobe Photoshop: 'há quase 25 anos sempre ajudando caras a turbinar suas celebridades preferidas...

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Caxirola

Sim, eu sei que esse assunto pode estar um pouco atrasado. Mas estive meio enrolado por aqui, muitas coisas para serem feitas, juntamente com o trabalho que está comendo meu couro ultimamente. São aquelas horas em que o blog fica de lado, e me pergunto se vou continuar com isso aqui, só que eu sempre acabo desistindo desistir e invento mais uma postagem.

Sem falar que nos últimos dias a minha internet esteve de mal a pior. Impressionante como nessa pocilga de país nós pagamos uma fortuna para ter uma conexão de banda larga, mas que é de péssima qualidade se comparado lá fora. E nessa semana estava foda, toda hora caindo e com uma velocidade lenta pra burro. 

Skavurska!

Depois de todos esses percalços, consegui finalmente chegar aqui para escrever sobre mais um dos micos de nosso governo brasileiro. Lamentável só é ver que se trata de mais um mico que foi financiado com o nosso dinheiro, que poderia estar sendo usado para coisas realmente úteis, como educação e saúde. Não adianta, principalmente quando se trata desses petralhotários sem-vergonha, fazem sempre uma festa com o dinheiro de nossos impostos.

Trata-se da palhaçada da caxirola, aquela merda de instrumento que estavam propondo para a Copa.


Podemos dizer que a história dessa bosta começa na última Copa do Mundo, que ocorreu na África do Sul. Durante os jogos, principalmente da seleção local, um barulho chato para caralho disputava com os gritos da torcida e o apito do juiz. Esse barulho vinha daquelas vuvuzelas, mega cornetas que são uma tradição local, fazendo aquele barulho pesado que incomodava muito. Só não incomodava mais que o Galvão Bueno.

Gostasse ou não, as vuvuzelas ficaram conhecidas como o instrumento daquela Copa. Claro que nunca antes houve essa estupidez de instrumento musical da Copa, no máximo eles inventavam aqueles mascotes, cada um mais sem graça que o outro. E na prática, já existiam vuvuzelas antes mesmo da competição, podemos dizer que já era uma tradição daquele país.

E com a chegada da Copa no Brasil, não demorou para que alguém tivesse a brilhante idéia de propor um instrumento musical para fazer o som brasileiro, alguma coisa para ser a trilha sonora dos estádios pelo Brasil afora. Claro, sabendo que essa idéia veio do governo, não havia dúvidas de que um dos objetivos seria lucrar ao máximo. Qualquer coisa que se faça nesse país sempre tem alguma maracutaia, alguém levando uma grana...

Bom, tomada a decisão de que teria que ser criado um instrumento para a Copa, o governo (provavelmente com o apoio dos ministérios da cultura e esporte) me vem e chama o Carlinhos Brown para bolar o tal instrumento...


Na boa... Sei que gosto musical não se discute. Mas chamar um pleura desses, responsável por criar atrocidades como Tribalistas, era furada na certa.

Surgia então a caxirola, um chocalho de plástico que parece aquelas merdas que usam pra capoeira, que segundo o próprio cantor teve a ajuda de engenheiros acústicos para que ela produzisse um som agradável mas que respeitasse os limites impostos pela FIFA. Confesso que não tive a curiosidade para ver o som da caxirola. Curiosidade e estômago, pois deve ser uma merda.

Claro que o governo aplaudiu a idéia, a gerentona Dilma ficou super animada no lançamento do instrumento (você pode ver aqui), como você pode ver nessa declaração dela:


"E eu tenho certeza que principalmente as crianças desse país vão ter uma experiência muito fantástica com a caxirola... Eu acredito que a caxirola faz parte não só do futebol, mas da imensa capacidade do nosso país de fazer um instrumento muito mais bonito que a vuvuzela."

Agora percebi uma coisa... Essa caxirola me parece mais com uma granada...

Deve ser uma das razões pelas quais Dilma gostou da caxirola, pois provavelmente deve ter lembrado ela dos tempos de "Camarada Estela" quando praticava terrorismo na época da ditadura... E também tem a ver com a discussão do momento: realmente os "di menor", acostumados a carregar armas e fuzis, vão ter uma experiência muito legal ao ter um instrumento que lembra uma granada.

Na verdade, vi na Veja onde foi curiosa a comparação, pois considerando as argolas para os punhos, ela acaba parecendo também uma mistura de granada com soco-inglês... Faz sentido, considerando que seria o instrumento de um dos países onde a violência caminha a passos largos e impunes.


Como pode ser visto na reportagem, estavam prevendo começar a vender mais de 10 milhões de caxirolas, que iriam custar entre R$ 15 a R$ 30. Preço meio salgado para um chocalho... Mas sabemos bem que o povo precisa pagar os jantares caros e os carros importados dos ministros do esporte e cultura, alguém precisa pagar essa conta...

Aí é que veio o mais hilário: para apresentar a caxirola ao público, escolheram um jogo do campeonato baiano, na prática o clássico Bahia e Vitória, onde distribuíram para o público caxirolas de graça, para testar o instrumento. Bom, aí você pega vários torcedores do tricolor baiano e coloca na mão de cada um deles uma merda de plástico que parece a mistura de uma granada com soco inglês. Imagina só o resultado quando o Vitória fez dois a zero...

 Ironicamente, um "bom exemplo" para mostrar pro mundo.

Nego tacou as caxirolas no gramado, para certamente tentar acertar nas cabeças dos jogadores do Bahia (bem que podiam acertar nos cornos daquele filho da puta do Souza) ou para protestar contra a incompetência de seu time. Você pode ver aqui nessa reportagem do Globo Esporte, onde se fala desse mico homérico que o Brasil pagou para o mundo, que foi conhecido como Revolta das Caxirolas.

Era de se esperar, não é? Dar instrumentos como caxirolas é como distribuir para os torcedores pedras ou pilhas tamanho D usadas, é pedir para que elas virem armas. Ainda mais considerando um povinho boçal e mal-educado como o brasileiro.

E não deu outra: praticamente um mês depois desse episódio vexaminoso, a Justiça decidiu proibir a caxirola de entrar em qualquer estádio, seja na Copa das Confederações ou Copa do mundo (notícia aqui). Mal surgiu, e o instrumento oficial da Copa foi cortado.

Nessa brincadeira quem se fudeu legal (e muito bem feito) foi o Carlinhos Brown. Crente que ia encher os bolsos de dinheiro, agora vai ter que arrumar onde enfiar esse monte de caxirolas.


O pior de tudo é imaginar o quanto deve ter se gasto para projetar e produzir essa merda. Digo novamente, apesar do fracasso completo desse instrumento, alguém ganhou grana com certeza. Minha única satisfação é que esses filhos das putas vão lucrar menos do que esperavam, vão ter que arrumar outra forma de roubar o dinheiro do povo. Pena que eles sempre arrumam outra maneira...

Essa é a história curta dessa estupidez de caxirola, que se junta à palhaçada da Copa do Mundo brasileira, que tem sido motivo de vergonha e falta de noção. Temos o mascote mais escroto que já se viu, com um nome absurdo como Fuleco...


... e um logotipo feio para caralho, que até agora ninguém me conseguiu explicar direito o que se trata. Só entendi a putaria sem-vergonha e descarada de terem colocado ali um pouquinho de vermelho nas cores do logotipo...


Afinal de contas, na bandeira do Brasil não tem nada de vermelho. Mas sabemos muito bem a que partido político e ideologia essa cor remete.

Soma-se a isso a pindaíba dos estádios, tudo sendo feito nas pressas e de qualquer maneira. Como tudo nesse país, é uma vergonha mesmo. Nessas horas eu até tenho vontade que a Copa das Confederações seja um fracasso em termos de segurança, logística e organização, para que a FIFA desista de fazer a Copa do Mundo aqui. É o que esse paizinho de merda merece.