domingo, 29 de março de 2009

Vice de novo?

Começou a temporada 2009 de Fórmula 1. Fico puto com essas primeiras corridas que são do outro lado do mundo, e que passam aqui de madrugada. Afinal de contas, eu sou um texugo trabalhador e o fim de semana é o raro momento que posso dormir tranquilo, sem hora pra acordar, e o cansaço ultimamente é tanto que mesmo uma corrida de Formula 1 não vence a minha confortável cama.

E logo nessa primeira prova, uma grande surpresa, pois a corrida foi dominada pela equipe estreante BrawnGP, com direito a uma dobradinha de seus dois pilotos: o britânico Jenson Button conquistou o lugar mais alto do pódio depois de uma corrida impecável, liderada de ponta a ponta, e para completar Rubens Barrichelo ficou em segundo, depois de herdar duas posições devido à uma batida no final da prova.

Sem querer menosprezar o Rubinho, que fez uma boa corrida e mostrou que ainda tem gás para correr, mas fico imaginando se não veremos ele ficar limitado ao segundo lugar, como na era Schumacher...

Afinal de contas, esse degrau do pódio ele conhece bem...

sábado, 28 de março de 2009

De volta ao passado

Como você já deve ter percebido em alguns de meus posts, vivi minha infância nos anos 80 e 90. Confesso que fico feliz de ter presenciado essa época, pois trouxe muita coisa boa em diversos campos da sociedades, como filmes, seriados, músicas e brinquedos. Na minha opinião, uma época muito superior aos anos 60 e 70, assim como aos recentes anos 2000. E para a minha grande felicidade, é legal ver como vários desses ícones marcantes de um passado recente estão de volta.

Pegando um exemplo bem famoso, lembra dos Transformers? Os incríveis carrinhos que viravam robôs eram um brinquedo muito legal, logo aparecendo nas telinhas também como um desenho animado (alías, na época era descarado o uso de desenhos animados para vender os brinquedos). E algumas décadas depois Autobots e Decepticons retornaram, dessa vez nas telonas no filme. Os tempos modernos e a computação gráfica fizeram os robôs ganharem um aspecto muito mais high-tech, embora perdendo o pouco o charme dos originais, que mesmo na forma humanóide mantinham bem as caracterísitcas de suas transformações rodoviárias, como pneus e faróis. Apenas Optimus Prime (ou Supremus Absolutus, no desenho aqui no Brasil) é que ficou bem legal, os outros fugiram um pouco do visual original (por exemplo, cadê a super-arma do Megatron?).


A diferença é gritante inclusive nos brinquedos: olha só a diferença entre o Bumblebee original (que era um fusquinha) para o novo, agora um moderno Camaro.


Chegando muito em breve na televisão (paga) brasileira é o Knight Rider, ou Super Máquina. Confesso que antigamente não assistia muito a série, mas o carro preto que falava é inesquecível. O carrão K.I.T.T. era muito maneiro, e que jogue a primeira pedra aquele que nunca sonhou quando garoto ter um carro com personalidade e cheio de apetrechos, como ganchos e armas lasers. No original, era um inconfundível Pontiac Firebird Trans Am. Na nova série, ele agora será representado por um Ford Mustang Shelby GT500KR, e vou dizer, ficou muito maneiro!


Outros que estão voltando são os G.I.Joes. Assim como os Transformers, nos bons tempos era um brinquedo que tinha seu desenho animado. Embora várias versões dos bons Comandos em Ação sempre foram lançadas, apenas recentemente a série volta para as suas origens, com bonecos que comemoram os 25 anos do lançamento (certamente vão ser tópico aqui no blog). E para esse ano ainda vem um filme deles com atores reais, e a esperança é que tenha o mesmo sucesso que os Transformers.


Além de estar ansioso por ver um dos meus brinquedos favoritos na infância (e até hoje) virar filme, posso dizer que se no Transformers a gente podia se encantar com Meggan Fox, no filme dos G.I.Joes vamos babar pela Rachel Nichols, que faz a Scarlett.


E pra terminar, um desenho que também ganhou uma nova roupagem: o Pica-Pau. Me lembro da minha infância de ver as aventuras desse pássaro malandro, com os clássicos episódios do vudu e das cataratas. Recentemente a ave mais engraçada dos desenhos está de volta, porém pessoalmente perdendo a graça. Inclusive os personagens secundários, a Minnie Ranheta virou uma bruxa, o Leôncio perdeu o sotaque de português e o Zeca Urubu mais parece o mascote do Flamengo agora.

Mas o destaque fica para um personagem que quase nunca aparece, mas deixa a sua marca com a sua única fala e cara de maluco...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Mundo precoce


É impressionante como hoje em dia as crianças estão crescendo cada vez mais rápido...

13 de fevereiro: Garoto de 13 anos é um dos pais mais jovens do Reino Unido

15 de fevereiro: "Farei o exame de DNA para calar a boca das pessoas" diz menino que virou pai

26 de março: Britânico de 13 anos não é o pai de filha de menina de 15 anos, diz tabloide

Em pouco mais de um mês, o moleque passou de garanhão pra corno!

domingo, 22 de março de 2009

Chama o Governator!

Quando se fala de filmes de ação, sempre lembramos de uma série de personagens como Braddock, e John McClane. Mas eu diria que nenhum deles supera John Matrix, o veterano de guerra representado pelo Arnold Schwarzenegger no filmaço, "Comando para Matar". Esse filme tem mais de vinte anos, mas ainda é um clássico das telinhas, e de longe um dos filmes que formou meu caráter.

Inspiração para muitas das minhas brincadeiras com Comandos em Ação, nesse filme vemos o Schwarzenegger em toda a sua glória, antes da fase das comédias infantis e da carreira política, e acabando com todo um exército de terroristas para salvar a sua filha. Me lembro que quando garoto teve uma vez que assisti esse filme contando quantos caras o Arnold exterminava, passavam dos 100, contando com as explosões.



Mas talvez o mais legal eram as frases de efeito que o grandalhão usa para detonar os bandidos, principalmente os principais. E não foi apenas o patenteado "I'll be back", ao longo do filme são diversos one-liners nos momentos mais oportunos, como os que mostro abaixo, baseados na antiga dublagem que passava na Globo.

No aeroporto: "Você é engraçado, Sully. Gostei de você. É por isso que vou matar você por último."

Aeromoça sorridente: "Alguma bagagem de mão?"
Apontando para o negão Henriques: "Só esse cara."

Para a aeromoça, depois de enforcar o Henriques no avião: "Ah, por favor não incomode meu amigo, ele está morto de cansaço."

Levando Sully para a beira do precipício: "Acho sua lealdade muito bonita, mas ela não é agora a coisa mais importante de sua vida. O que importa agora é a Lei da gravidade."

Ainda na beira no precipício: "Você lembra quando eu prometi matar você por último?"
Sully, desesperado: "Isso, você prometeu!"
Matrix: "Pois é, eu menti."

Ainda tonta, a moça pergunta: "O que você fez com o Sully?"
Matrix responde: "Ele foi embora..." (embora eu prefira o original "eu soltei ele")



Depois de ter matado o Cooke no motel: "Vamos levar o carro do Cooke... ele não vai precisar mais."

Depois de atravessar o Bennett com um cano: "Deixe sair um pouco dessa energia, Bennett!"

Uma coisa que é sempre interessante observar é como os vilões de Hollywood sempre cometem o mesmo erro de contratar bandidos que são simplesmente PÉSSIMOS de mira! Durante todo o filme, apenas o bigodudo Bennett é quem consegue acertar duas balas no Matrix: a primeira, com o dardo tranquilizante, foi moleza, e a segunda no final atingindo o herói pelas costas no braço. Fora ele, apenas um dos González (nome genérico para os soldados) que consegue machucar Matrix, com os estilhaços de uma granada. Fora eles, ninguém consegue acertar um tiro!

Ah, e não dá para esquecer de observar como o tempo passa e o tempo voa... Quem diria que a Alyssa Milano, a gracinha de menina que faz a filha de Matrix, viria a se tornar uma gata fantástica dessas?

sábado, 14 de março de 2009

Papagaio de Pirata

Você talvez se lembre de uma postagem minha que eu falava de um fato ridículo ocorrido no Bom Dia Brasil da TV Globo, onde dois sujeitos se degladiaram para aparecer nas câmeras durante uma entrevista. Tudo isso para aparecer na telinha... Mas os dois sujeitos que lá estavam brigando e se empurrando para aparecer ao fundo entre a repórter e o entrevistado são meros amadores, não chegam aos pés desse profissional, que chamo de "Bigode".

Veja os vídeos abaixo, disponíveis no site da Globo e observe a figura ao lado, em uma verdadeira busca no melhor estilo "Onde está o Wally?". Coloquei links para não aumentar muito o post, sem falar que os vídeos da Globo são muito grandes e não cabem legal aqui no blog. Dependendo da época, pode ser que algum dos vídeos tenha sido tirado do ar (felizmente para minha diversão, tenho todos aqui no meu PC).


É simplesmente hilário como o Bigode gosta de aparecer nas entrevistas. Começa a matéria (sempre realizada no Centro do Rio) e lá vem ele, com seu andar desengonçado, fazendo de tudo para parecer um mero transeunte que está andando na rua, quando na verdade ele busca se posicionar estrategicamente na frente das câmeras. Fico imaginando qual é a história dele, se ele acorda cedinho e procura por um carro da Globo apenas para aparecer na TV, talvez com sua família ansiosa em casa para vê-lo...

Embora os vídeos acima varrem apenas o período entre final de 2008 e início de 2009, o Bigode já está no ramo há muito tempo, tem alguns anos que eu já presenciava essa figura aparecendo sorrateiramente ao fundo das matérias. Muito engraçado é ver como ele se esforça para parecer natural, olhando para os lados como se não fosse com ele. Também é legal observar alguns detalhes, como o fato dele na grande maioria das vezes estar sempre com a mesma roupa, sua incrível habilidade de encontrar o mínimo espaço para aparecer e uma curiosa mania de consultar o seu relógio frequentemente, veja abaixo!

E o Bigode também está fazendo escola, ensinando aos desocupados que cedo madrugam a como se portar diante das câmeras com toda a elegância de um pingüim perneta. Ultimamente é comum ver também um sujeito engravatado (com péssimo gosto para gravatas, aliás) que se apresenta juntamente com o clone do Super Mario. Os dois sempre juntos, sem brigas e empurrões, misturando-se ao cenário de forma natural e fraterna, ao contrário do salafrário do post original, violento e egoísta cidadão com metade do bigode e penteado bizarro, (que depois descobri ser flamenguista, tinha que ser...) querendo sempre ser o único a aparecer... Sabe, daria até para fazer uma série, do tipo "Bigode-man e Gravata Prodígio contra o Satânico Meio-Bigode".

Um exemplo a ser seguido, o Bigode, juntamente com o seu fiel escudeiro de gravata amarela. Ele poderia profissionalizar a profissão de Papagaio de Pirata, termo usado para representar os anônimos que fazem de tudo para mostrar as suas caras atrás de um entrevistado, apenas pelo simples orgulho de aparecer na televisão. Se você, jovem desocupado, deseja praticar essa arte, acorde cedo alguns dias e acompanhe o Bigode, e veja um verdadeiro mestre em ação.

Observação 1
:

Hilário também é o companheiro do Bigode, com um péssimo gosto para roupas... Mas nada bate o "modelito menino do Rio" do último vídeo, com a camisa laranja e os óculos escuros!

Observação 2:

Também no último vídeo, observe no final um pequeno deslize, no qual a repórter quase reescreve o calendário como conhecemos.

Observação 3:

Se tem um tipo de mulher que me atrai bastante são as repórteres e apresentadoras de telejornais, sempre elegantes, bonitas e simpáticas. Com isso, aplausos para as apresentadoras Ana Luiza Guimarães e Ana Paula Araújo, e para as repórteres Karina Borges e Flávia Travassos (essa última uma gracinha de simpática, que agora está na Band).

domingo, 8 de março de 2009

A injustiça com Snake-Eyes

E aí, quem se lembra dos Comandos em Ação? Os famosos bonecos que surgiram na década de 80 aqui no Brasil marcaram época juntamente com a Barbie, o Playmobil e o Lego, e até hoje eles continuam aí: novos itens vem sendo lançados anualmente, inclusive uma série comemorativa de 25 anos com bonecos incrivelmente mais realistas e articulados, sem falar no filme com atores de carne e osso que está para sair e eu certamente vou assistir. Inaugurando a “Sessão Nostalgia” do Texugo Maluco, venho aqui retratar uma das maiores sacanagens e injustiças que a Estrela, fornecedora dos Comandos em Ação aqui no Brasil, fez com um dos mais incríveis e queridos personagens da série, o Snake-Eyes.

Me lembro até hoje do surgimento dos Comandos aqui no Brasil, onde tivemos a sorte de acompanhar o início da série de brinquedos. Os primeiros bonecos eram os mais simples, fora a agente secreta Scarlett (chamada aqui de Atena...), todos os Comandos vinham com suas vestimentas verdes e diversos armamentos, como rifles, morteiros, bazucas e até armas laser. E não adiantava nada ter o exército completo se não tivessem os bandidos para serem combatidos, da organização Cobra. Nos primóridos, não haviam muitos tipos de inimigos, originalmente havia apenas o Oficial Cobra com sua roupa azul escura e a Infantaria Cobra, de azul claro – o sádico Comandante Cobra só viria a ser lançado no Brasil alguns anos depois, em sua versão de armadura. Mas havia aqui também uma tropa de infantaria, com ar sombrio e todo de negro, chamado Cobra Invasor da foto, extraída do site YoJoe (aliás uma excelente referência para todos os comandos já feitos no mundo, recomendo).

Agora faça como eu, volte alguns anos no tempo e se lembre das suas brincadeiras com os Comandos em Ação. Estou me recordando de algumas delas, e me lembro da minha pequena porém terrível tropa de Cobras, com um oficial que fazia o papel de comandante, um soldado, o Cobra de Aço que para mim era tipo um cyborg, dois invasores e também o original Cobrão, que era da cintura para baixo um Cobra Invasor e da cintura para cima um oficial, montado a partir de restos dos dois bonecos que certa vez achei dentro de uma caixa de estalinhos amarela com a cara de um índio no playground de casa (caramba, voltei uns 20 anos no passado agora!). Lembre-se bem do momento onde um de seus comandos, rechaçando o ataque dos Cobras, atirasse contra o Cobra Invasor escondido no alto da estante ou atrás da planta do jardim. Lembrou? E o que você me diria de que por culpa da Estrela na verdade o sujeito de preto não era apenas mais um terrorista abatido, mas sim uma vítima de fogo amigo?

Isso mesmo, imagina só a minha decepção ao saber, alguns muitos anos depois, que aquele que era chamado de Cobra Invasor era na verdade o Snake-Eyes, o valente soldado mudo que viria a se tornar ninja alguns anos mais tarde, um dos principais heróis da série. Particularmente, eu só vim a descobrir esse fato muito recentemente, depois de pesquisar na Internet pelos Comandos em Ação e vi em um site essa informação. Fiquei pasmo, por anos eu via aquele boneco preto com uma submetralhadora com desprezo, pois ele era um dos bandidos, quando no fundo ele era um soldado do bem, um grande guerreiro da justiça e liberdade. E o pior era que, por ser visto como infantaria, nas minhs brincadeiras ele sempre era daqueles que viravam “estatística” de guerra. Me senti sujo, envergonhado e incapaz de olhar nos olhos de plástico deste boneco outra vez...

Mas por que a Estrela, responsável por boa parte de meus sonhos de criança e jogos divertidos como Explosão e Cara a Cara, havia criado tamanha mentira? Será que era tão difícil assim manter os papéis originais e deixar o velho e bom Snake-Eyes lutar do lado dos mocinhos? Será que ela não fazia idéia do erro que fazia ao estampar na cartela de um dos mais famosos personagens dos Comandos em Ação aquele carimbo de “Cobra – Inimigo”?

E o pior é que a Estrela acabou repetindo o erro: alguns anos mais tarde, já na época dos braços que giravam, foi lançado aqui no Brasil o Cobra Comandante Negro, que uma vez mais era o grande Snake-Eyes, agora em sua segunda versão, que vinha com uma espada e o cachorro branco. Bom, pelo menos ele havia subido um pouco mais na hierarquia militar, deixando de ser um mero soldado de infantaria. Dessa vez eu havia percebido em minha infância a mancada da Estrela, pois nessa época já passava o desenho dos Comandos em Ação e tinha o álbum de figurinhas, que retratavam o Snake-Eyes como um dos mocinhos. Mas o Cobra Invasor, que na verdade era a mesma pessoa, continuava como um dos bandidos, muito provavelmente sendo enfrentado pelo próprio Snake-Eyes...

Nunca entendi o porquê da Estrela ter mudado duas vezes a definição deste personagem. Tudo bem que os nomes de muitos Comandos foram mudados aqui no Brasil (lembram-se da série clássica com Gládion, Elétron, Furion?), e alguns bonecos originais foram criados aqui unindo partes de outros bonecos (como o Cobra de Aço e os soldados da primeira Força Naja, exclusivamente brasileiros), mas tornar um mocinho bandido foi a gota d’água. Seria como dizer que o B.A. do Esquadrão Classe A era um terrorista ou que o Rambo era um bandido. Sacanagem com o Snake-Eyes...

Acredito que a razão que levou a essa troca era o próprio aspecto sombrio de Snake-Eyes: afinal, como que um cara vestido todo de preto poderia ser um dos mocinhos? Como era a época de vilões vestidos todos de preto como Darth Vader e o Capitão Nascimento ainda não havia surgido, acho que a Estrela achou que poderia ser um mau exemplo para as crianças aquele cara vestido todo de preto como um herói. Pessoalmente, uma discriminação cromatológica sem tamanho. Até porque existiam na época tantos outros personagens de trajes negros, como Zorro, Mandrake e Batman. Por que o Snake Eyes não tinha o direito de se vestir só de preto, se haviam tantos outros antes dele seguindo a mesma tendência de moda?

Termino aqui com o meu humilde pedido de perdão a um verdadeiro herói, e incentivo todos que assim como eu foram ludibriados por uma fabricante de brinquedos: desculpa, Snake-Eyes!

sábado, 7 de março de 2009

Continuando com a ditabranda...

Estou aqui voltando nesse tema, a repercussão está sendo tremenda. Nessas horas fico até mais aliviado ao ver que quase ninguém vem por essas bandas, pois logo estaria cheio de comentários raivosos contra a minha pessoa. Mas vou correr o risco de falar mais um pouco sobre a tal "ditabranda", basicamente comentar algumas das respostas dadas por outras pessoas em blogs mais movimentados onde o assunto está correndo, bem como acrescentar mais alguns pontos que julgo importantes.

Honestamente, eu acho muito cínica a postura dessas pessoas ao insistir em condenar a Folha. Como eu comentei em meu primeiro post, assim como uma minoria de pessoas em outros blogs, a Folha expressou o ditabranda em seu editorial, tratando-se de uma opinião do grupo. Até onde eu sei, o jornal tem esse direito, posso estar enganado mas acho que isso é a tal liberdade de expressão, correto? E essa liberdade também lhe confere o direito de concordar ou discordar dessa opinião. Agora, o que vimos foram várias pessoas, lideradas pelos tais professores Comparato e Benevides, condenarem o jornal, exigindo que ele se desculpasse publicamente pelo comentário tido como uma atrocidade. Não entendo, acho que esses professores devem ser os detentores da verdade, e a palavra deles é incontestável. Será que chegamos ao ponto de que precisaremos nos desculpar por ter uma opinião contrária a alguém? Será que a partir de agora nós teremos que moldar nossas opiniões baseado no que um grupo define como sendo o correto? Na minha opinião, isso pra mim é censura, é uma total falta de liberdade de expressão, vinda de "intelectuais" que se dizem defensores da mesma, que definem o que é certo e errado na História da maneira que mais convém aos seus ideais políticos. Acho que no fundo essa turma defende algo como "você tem direito a expressar a sua opinião, desde que ela esteja de acordo com o que penso".

Impressionante como tem tantas pessoas reclamando da matéria da Folha e que insistem em ignorar ditaduras muito mais violentas. Será realmente que o autor do editorial errou tanto ao dizer que a ditadura militar brasileira foi mais branda do que outras? Sinceramente, se formos colocar na ponta do lápis, no período de 1964 a 1985 houveram em torno de 500 vítimas da ditadura, entre mortos e desaparecidos, embora certamente alguém vai falar que esses números são falsos, forjados pelos militares para esconder a matança; mas são os números que existem até que alguém comprove uma estatística diferente. Agora, será que seria errado dizer que foi um ambiente mais brando que a Argentina, durante o regime militar de 76 a 83, onde as vítimas rondaram os 30 mil, ou que Cuba, onde esse número ultrapassa os 100 mil? Isso sem falar na ditadura nazista de Hitler, que só em Auschwitz exterminou mais de um milhão de pessoas, ou o regime totalitário de Stalin que também vitimou milhões. Sob esse ponto de vista, é indiscutível que a ditadura brasileira foi menos sangrenta que muitas outras.

Antes de me compararem a um cubo de gelo devido à análise fria acima, em nenhum momento estou minimizando a perda de centenas de famílias diante a ditadura militar. Mas é necessário observar que sob uma ótica de número de vítimas o que tivemos aqui no Brasil foi muito menos expressivo do que em outras ditaduras. É indiscutível que para as famílias dessas vítimas o período da ditadura não teve nada de brando, mas pergunto: o que diria a família que durante esses anos de regime militar não sofreu nenhum tipo de violência, mas agora nos anos de democracia e liberdade de expressão viu um de seus entes queridos ser morto por um traficante, sua filha estuprada por um vagabundo ou um de seus familiares ter sido sequestrado e torturado por bandidos? Posso apostar que para essas pessoas período triste seria agora e não as décadas de 60 e 70. Agora, quero ver alguém chegar para essa família e criticá-la por pensar assim, quero ver se vai aparecer algum desses intelectuais dizendo para essa família em luto que o sofrimento que ela está passando é "brando" se comparado ao que passaram as vítimas da ditadura...

Ainda sobre essa questão, cito outro exemplo: qual a cidade mais violenta, Rio de Janeiro ou São Paulo? Mais uma rivalidade entre as duas metrópoles, certamente cada uma vai querer empurrar o título para a outra. E se chegamos à conclusão, por exemplo, que o Rio de Janeiro é mais violento que São Paulo em função do número de mortes, será que isso estaria desprezando o sofrimento das famílias das vítimas paulistas? Apareceria alguém dizendo que tal comentário é uma injustiça por definir a severidade da violência urbana carioca apenas pelo número de vítimas? Será que os "intelectuais" iriam promover protestos em São Paulo, condenando aquele que disse que a violência paulista é mais branda que a do Rio? Comparações sempre vão existir, principalmente de aspectos que são mensuráveis, como quantidade de vítimas. Sinceramente, se todos esses revoltados acham ser incorreta uma comparação desse tipo, então que sejam extintos todos os comparativos, vamos aproveitar a onda da Reforma Ortográfica para excluir palavras como mais, menos, maior e menor de nosso vocabulário, vamos reescrever a matemática e acabar com o "<" e o ">" também, e dessa forma evitar injustiças para com uma das partes em relação à outra.

Volto a focar os holofotes um pouco mais em Cuba, cujo regime é tão defendido pelos críticos da Folha. É impressionante os absurdos que li na Internet, tem pessoas que achariam muito melhor se tivéssemos tido uma ditadura como a cubana em vez da militar! Outros dizem que em Cuba não existe ditadura e sim uma democracia! Vi até um sujeito mencionando que nessas horas é que devia ter aqui no Brasil uma censura dos meios de comunicação como há em Cuba para impedir "absurdos" como o proferido pela Folha. Curioso como são pessoas que defendem a bandeira da liberdade de expressão, embora condenem o editorial da Folha, não permitindo que ela expresse a sua opinião, e que lutam pelos Direitos Humanos, tão "respeitados" em Cuba... Me lembro certa vez na faculdade de uma professora defendendo a ilha, dizendo que tinha viajado para lá e que era uma maravilha, muito melhor que "aquela porcaria dos Estados Unidos", segundo palavras dela. E um colega nosso ergueu o braço e perguntou "Ô professora... Se Cuba é tão bom assim, por que tem um monte de gente querendo fugir daquela merda lá pros EUA?". Só pra citar um caso recente exposto na mídia, veja aqueles boxeadores cubanos, que fugiram para os EUA. Por que eles fugiriam, se lá é tão bom, a ponto de que eles foram impedidos de praticar o boxe depois da primeira tentativa de fuga? Lá em Cuba, paraíso socialista do século XXI, a vida é boa para uma minoria, vai ver como que está sobrevivendo o povo.

E é interessante como um argumento bastante usado por muitas pessoas é dizer que a ditadura cubana não é a questão, que está se falando da ditadura brasileira. Falam como se fossem coisas totalmente distintas, o que discordo completamente. Em primeiro lugar, retomo aos argumentos que lancei abaixo, pois ambas foram ditaduras, ou melhor, lá em Cuba ainda é. Repito a todos esses revoltados, principalmente aos professores, assumidos defensores do regime cubano, se vocês condenam a ditadura como regime, devem condenar todas! E se condenam apenas o que tivemos aqui e fecham os olhos para o que aconteceu (e acontece) em outros países, isso é uma hipocrisia sem tamanho! Em segundo lugar, não podemos ter uma postura isolacionista e ignorar o que acontece no restante no mundo, ao contrário do que pensam certos "engajados" que dizem que o que importa apenas são os fatos que ocorrem no Brasil. O mundo está cheio de bons exemplos a serem seguidos e maus exemplos a nunca serem repetidos. É curioso observar como essa postura de esquecer o que acontece fora de nossas fronteiras só ocorre quando alguém decide falar mal de países com os quais esses "intelectuais" têm simpatia, como Cuba, Venezuela e China; mas quando são os EUA bombardeando o Iraque, essas mesmas pessoas mudam completamente a sua forma de pensar, nessa hora de criticar o Tio Sam os acontecimentos do exterior se tornam tão importantes que até se esqueceriam da ditabranda... E em terceiro lugar, não há dúvidas de que a Revolução Cubana sempre foi o exemplo seguido por aqueles que combateram a ditadura, logo dizer que Cuba não tem nada a ver com o período de regime militar brasileiro é uma tolice. Ou vai me dizer que os militantes que lutaram contra a ditadura (e que hoje dão aula na USP ou estão no governo), além de se vestirem de vermelho e ostentarem bandeiras com o martelo e o foice, não tinham um pôster do Che Guevara no quarto? Aposto inclusive que muitos ainda o têm... E isso, juntamente com comentários como "ah, seria melhor se tivéssemos um ditador como Fidel do que aqueles militares malditos" só comprova o desejo imenso desses revoltosos em derrubar os milicos e instaurar uma ditadura de esquerda por aqui naquela época.

Seguindo com essa linha de raciocínio, é sempre importante lembrar que os líderes da ditadura não foram os únicos que promoveram crimes, os militares não foram os únicos a matar e torturar. Os revolucionários que lutaram contra o regime não foram santos, eles também fizeram das suas, promovendo sequestros, roubos e mortes. Vi alguém comentando em um blog que os líderes da ditadura nunca foram atingidos, que quem morria eram apenas os "soldados rasos" que não estavam bem preparados e tomavam tiros e bombas na cabeça. E de quem é a culpa da morte desses soldados? Tenho certeza que os "donos da verdade" vão dizer que os culpados são os generais que comandavam a ditadura, mas e o terrorista que puxou o gatilho? Como se espera, as responsabilidades da ditadura são colocadas nas costas apenas dos militares, enquanto que os militantes que enfrentaram a ditadura são tidos como inocentes. Uma vez mais, insisto que essa é a palavra que descreve os revolucionários da ditadura que pegaram nas armas e cometeram crimes, são bandidos, terroristas e malfeitores. E não tem essa de dizer que os fins justificam os meios, tá cheio de pessoas tendo verdadeiras diarréias verbais ao defender a luta armada contra regimes ditatoriais e totalitários. Sendo assim, por que então que essas pessoas não aplaudiram a Guerra do Afeganistão, quando os EUA atacaram o país para derrubar os fdps dos Talibãs? Ah, já ia me esquecendo... Rebeldes podem pegar em armas para derrubar ditaduras de direita, mas se for para derrubar uma ditadura de esquerda ou se forem os EUA usando da força, não pode...

Pior: muitos desses revoltosos não apenas foram julgados como inocentes, mas como heróis e vítimas! E aparentemente eles "sofreram" tanto que tiveram direito a indenizações astronômicas, pagas pelo governo. A candidata à presidência Dilma Roussef ganhou 20 mil reais por ter sido presa e torturada, o "honestíssimo" José Dirceu levou uma bolada de quase 60 mil por ter sido obrigado a abandonar o país, o José Genoíno levou simplesmente 100 mil reais de indenização por ter ficado preso, a viúva de Carlos Lamarca, militar desertor que cometeu uma série de crimes, muitos com mortes, recebeu uma indenização de 300 mil reais além de uma pensão de 12 mil reais por mês. Exato, muitas dessas "vítimas inocentes" da ditadura ainda recebem pensões vitalícias, entre eles o nosso ilustre presidente, só de pensão são 3 mil por mês, fora a série de outros benefícios. Até o Ziraldo, puta que pariu, ganhou uma indenização recentemente de 1 milhão de reais além de uma pensão mensal de mais de 4 mil! Só porque fez uma charge contra o governo. E ainda ironizou e sacaneou as pessoas que reclamam desses valores absurdos de indenização, bem que ele podia fazer agora uma charge sobre isso, com o Menino Maluquinho nadando em rios de dinheiro e rindo de um amiguinho sujo e maltrapilho vestindo uma camisa com a palavra "Povo" escrita... (ironia on) É gratificante ver o dinheiro de meus impostos ser usado para pagar indenizações para "heróis", premiando atos como roubos, sequestros e mortes, e ainda viver para ver essas mesmas vítimas governarem e roubarem, e uma vez mais saírem inocentes, como a turma do mensalão e dos dólares na cueca (ironia off). Enquanto isso, e os militares que foram vítimas desses terroristas? Pelo que pesquisei, um dos únicos militares vivos, que perdeu uma perna em uma explosão de bomba, ganha sim uma pensão... de 500 reais.

Além disso, é interessante lembrar que um dos objetivos do governo é rever a Lei da Anistia, em especial para julgar e punir os militares acusados de tortura. Embora eu ache certo que essa anistia aos torturadores seja válida, eu considero que todos devem ser julgados e punidos, e isso inclui também os militantes que enfrentaram o regime militar com mesma violência e que foram "penalizados" com gordas indenizações. Mas sabemos muito bem que isso não vai acontecer, até porque muitos desses militantes perseguidos pela ditadura agora estão ocupando cargos no governo e eles vão punir a si mesmos? Claro que não. Mais curioso é que um dos defensores do fim da anistia aos militares seja o Ministro da Justiça Tarso Genro, outro militante da época da ditadura, que não viu nenhum problema em anistiar o italiano Cesare Battisti, um de seus camaradas que lutava pelo comunismo na Itália e matou quatro pessoas. Muito "justo"...

Enfim, vou encerrando por aqui, pois ver toda essa hipocrisia e falsidade vinda de pseudo-intelectuais comunistas me dá nojo. Fico cada vez mais revoltado ao ver como esses esquerdistas, que hoje criticam a Folha de São Paulo pela ditabranda, se dizem defensores do povo, dos Direitos Humanos e da liberdade de expressão, mas no fundo são grandes hipócritas egoístas que pensam apenas em seus próprios umbigos, ignoram o desrespeito dos direitos mais fundamentais por parte de criminosos que compartilham da mesma posição política e que combatem e censuram aqueles que têm opiniões diferentes das suas.

terça-feira, 3 de março de 2009

Ditadura ou Ditabranda?

Afora a Internet, os únicos dois lugares onde busco notícias sobre o que acontece no Brasil e no mundo são nos telejornais da Band, em especial no jornal da noite (com boas reportagens do Boechat, comentários direto ao ponto do Joelmir Beting e de quebra a belíssima Ticiana Villas-Bôas que apresenta o tempo) e na Revista da Semana. Esta revista me agrada por ser bem sucinta, a maioria das matérias com no máximo meia página, abordando de forma resumida porém não menos informativa os principais acontecimentos. E apenas para deixar claro, não ganhei nenhum centavo com a propaganda acima...

Na edição desta semana há uma reportagem sobre um assunto que passou despercebido, pelo menos por mim, durante este Carnaval: o jornal Folha de São Paulo publicou em seu editorial um texto falando a respeito do plebiscito da Venezuela, que culminou na vitória de Chavez com a aprovação da reeleição infinita. Entre uma série de comentários, o editorial descreveu como “ditabranda” o período de ditadura militar ocorrido aqui no Brasil, e isso provocou a ira e a revolta de inúmeras pessoas, com cartas enfurecidas para o jornal reclamando da postura do grupo. Duas cartas foram tidas como as mais marcantes, ambas com duras e inflamadas críticas. A primeira delas escrita pela socióloga Maria Benevides da USP, chamando de infâmia o termo usado pelo jornal e argumentando que a violação de direitos humanos deve ser combatida independente de números e importância. A segunda carta escrita por Fábio Comparato, professor de direito também da USP, defendendo que o autor do editorial fosse colocado de joelhos em praça pública para se desculpar para o Brasil. A resposta do jornal foi bem direta e severa, chamando os dois intelectuais de cínicos por nunca terem expressado publicamente repudio à ditaduras de esquerda, como em Cuba.

Eu não presenciei o período de ditadura com olhos mais críticos, apenas era um pequeno e simples texuguinho que estava aprendendo a ler e escrever. Logo, eu não posso expressar uma opinião muito profunda a respeito de como era na época, mas acho interessante levantar alguns pontos que acho importantes, o que gerou talvez um dos meus maiores posts. E o primeiro deles é definir o que é ditadura, afinal: a ditadura é um regime de governo onde o líder (ou líderes) não responde à lei, podendo, mas não necessariamente, ter conseguido o seu posto sem o voto do povo. É comum confundirmos ditadura com totalitarismo, que seria um governo opressor e que tem forte controle sobre o povo. Claro que normalmente a ditadura também é totalitária, e diria que um governo totalitarista não deixa de ter traços de uma ditadura, daí a confusão... E apenas para reforçar, o termo “ditabranda” não existe, tendo certamente sido criado pelo jornal de forma coloquial: o sufixo –dura de ditadura não tem nada a ver com severidade, é apenas usado para transformar o verbo ditar em substantivo. Logo, é apenas um jogo de palavras, para reforçar a opinião do jornal de que a ditadura no Brasil havia sido menos severa do que em outros países da América do Sul.

A primeira pergunta que faço é quem são as pessoas que se revoltaram contra o editorial? Acredito que não apenas os familiares das vítimas do regime, mas uma boa parte deve ser de simpatizantes do PT, pseudo-intelectuóides de esquerda, grupos de Direitos Humanos e afins. E certamente alguns deles que lutaram nessa época pela “liberdade”... Mas será que era pela liberdade mesmo?

Honestamente, eu nunca gostei muito de política, principalmente aqui no Brasil, já que o nosso povo é extremamente egoísta e interesseiro. É evidente que os nossos políticos se lançam em campanha com o objetivo final de ganhar rios de dinheiro às custas do povo, cujos interesses e necessidades ficam sempre depois do benefício próprio. É só ver como estão a educação, a saúde e a segurança pública. Não gostaria de generalizar, certamente existem políticos honestos que representam bem o povo de seu estado ou município, mas sabemos bem que são uma pequena minoria no meio de pilantras com seus castelos, fazendas, carros importados, viagens e salários astronômicos (sem falar na série de benefícios e “verbas idenizatórias”). Mas para o político ter tudo isso, ele tem que ter um cargo público, como deputado, senador, prefeito, ministro ou presidente, que coloque os nossos impostos à sua disposição.

Com isso, diria que em qualquer regime, se pegarmos a massa de políticos, sempre terá a turma da situação e a turma da oposição. O pessoal da situação é que está no governo, que conquistou o cargo, seja por voto popular, indicação ou golpe. Resumindo, são os caras que tomam as decisões e determinam o destino do dinheiro público, algumas vezes para suas carteiras. Por sua vez, o pessoal da oposição é o que luta contra o governo vigente, busca os seus podres e faz de tudo para derrubar o pessoal da situação e assumir o seu lugar. E se nessa luta entre situação e oposição esta última consegue tirar a primeira do poder, os papéis se invertem e o ciclo se reinicia.

Acontece que nesse círculo vicioso temos sempre a questão que envolve as vantagens do cargo público. Convenhamos, ninguém iria ser político se não tivesse algo de bom, se não compensasse o esforço. Um deputado terá todo o seu “trabalho” recompensado no fim do mês com salários exorbitantes de dezenas de milhares de reais, sem falar de todas as regalias que os políticos “têm direito”. E sabemos muito bem que o fato de ter as verbas públicas tão próximas também leva aos abusos que já estamos cansados de ver em jornais e revistas. Quem já viu o filme A História do Mundo do Mel Brooks se lembra da clássica frase “It’s good to be the king”, e aqui no Brasil certamente também deve ser muito bom ser ministro ou deputado. Com isso, enquanto a situação está sentada no trono tomando vinho e comendo caviar, a oposição normalmente está no banco de bar comendo arroz e feijão, enquanto luta para derrubar a situação de seu trono. E quando isso acontece, a oposição vira situação e passa a comer caviar... Enquanto isso, independente de quem esteja sentado no trono, o povo fica eternamente sobrevivendo na base do pão preto dormido com água morna.

Volto agora à minha pergunta, sobre o fato da oposição composta pelos “guerreiros da liberdade” lutando contra a ditadura militar que representava a situação: será que essa luta pela liberdade era realmente tão honesta e correta assim, ou será que havia algum interesse por trás? Refaço a minha pergunta, questionando se realmente essas pessoas que estavam lutando contra a ditadura como regime ou contra aqueles que estavam no poder naquela ditadura? Em outras palavras, será que esse grupo de rebeldes queria instaurar um outro tipo de regime no Brasil, ou o interesse era em tomar o lugar dos militares e passar a liderar uma nova ditadura de esquerda? Como disse acima, na maioria das vezes o objetivo principal da oposição não é mudar o país, mas sim garantir o seu caviar...

E para deixar evidente que esse raciocínio não é tão exagerado, é só ver Cuba. Durante a década de 50 havia na ilha caribenha a ditadura de Fulgencio Batista (que até tinha reconhecimento pelos EUA), que após 7 anos de regime totalitário foi deposto pelo golpe militar liderado por Fidel Castro. E com essa revolução toda, completamos meio século de ditadura em Cuba, com o barbudo de charuto à frente. Ou seja, derrubou-se uma ditadura para colocar outra, antes era o Batista que comia caviar e depois passou a ser o Fidel. Por essas razões me questiono se os militantes brasileiros da época, que ainda hoje se mostram grandes defensores de Fidel e do comunismo, não pretendiam o mesmo aqui no Brasil. O mais engraçado é que para essas pessoas quando se fala de ditadura em Cuba elas se referem apenas ao período de Batista, enquanto Fidel é “esquecido”. Dizem que em Cuba o regime é diferente do que estamos acostumados, mas não é uma ditadura. Tá certo, e eu ganhei o título de mais sexy de 2008... Fica claro que para esse pessoal se a ditadura tem origem socialista, não tem problema, já vi pessoas bostejando coisas como “a ditadura do proletariado é a verdadeira democracia”. Exatamente o ponto destacado pelo jornal, em resposta aos dois intelectuais inflamados acima que condenaram a ditadura militar e que supostamente nunca fizeram um pio em relação ao regime cubano.

Sob meu ponto de vista, acho que não podemos nunca ter essa situação de um peso e duas medidas. Por exemplo, é interessante observar como a esquerda brasileira contesta o fato de que uma mesma lei só é aplicada ao pobre enquanto o rico não é atingido, e exigem igualdade para ambas as classes. Muito bonito, concordo plenamente. Porém, na hora de contestar regimes totalitários e ditaduras, só falam da ditadura dos militares. Pergunto: será que as ditaduras de Fidel Castro, com inigualável liberdade de expressão e respeito pelos direitos humanos, ou de Stalin, com apenas milhões de pessoas exterminadas, são exemplos de governos democráticos? Ah, acho que já sei a resposta, tudo isso não deve passar de mentiras boladas pelos Estados Unidos, para justificar o embargo à Cuba e a Guerra Fria...

Afinal de contas, se a ditadura é um regime tido como opressor e desumano que deve ser combatido, isso deve valer para todas as ditaduras, independente de sua posição política. Nesse ponto concordo completamente com a Folha, acho que não apenas os “intelectuais” Benevides e Comparato mas todos os críticos da ditadura militar só podem condená-la se também condenarem todos os regimes ditatoriais, a começar por Cuba. Me desculpe, mas acho que realmente é uma hipocrisia e cinismo por parte de professores defensores dos Direitos Humanos ignorarem o que acontece na ditadura caribenha, onde é evidente que tais direitos não são respeitados em sua totalidade por meio século. E o que teriam a dizer a respeito das ditaduras do Leste europeu, será que Stalin seria um exemplo de respeito aos Direitos Humanos na extinta URSS? E podemos citar outros exemplos na Ásia, com a China de Mao e o Camboja com Pol Pot e o Khmer Vermelho, ambas ditaduras de esquerda extremamente violentas. O que os “intelectuais” falam a respeito? Perdoe-me a grosseria, mas esse papo de “ditadura do proletariado” é o car@%#$, é ditadura do mesmo jeito, e se você é contra o regime deve se opor também a esses governos, que comprovadamente mataram e ainda matam aos montes e cospem em cima dos Direitos Humanos.

Outro ponto que deve ser levado em consideração (e que aparentemente foi esquecido pelos críticos da Folha e da ditadura) é a liberdade de expressão. Para quem não sabe, o editorial é um espaço onde o jornal expressa a sua opinião, onde o tal cometário da “ditabranda” ocorreu. Em nenhum momento tal definição foi usada em uma matéria do corpo do jornal, cuja função é meramente informar os fatos e deixar que o leitor tire as suas próprias conclusões. E opinião é que nem o esfíncter, cada um tem o seu (versão politicamente correta do ditado popular). Afinal de contas, acredito que uma das coisas que a liberdade de expressão, tão defendida pelos críticos da ditadura, prega é que cada um tem o direito a ter a sua opinião e esta deve ser respeitada. O que não ocorreu com o editorial da Folha a partir do momento que os dois professores e muitos outros leitores desceram a porrada no jornal como se tivesse escrito uma atrocidade terrível como 5+7=57 ou que Paris é a capital da Austrália. Fico me perguntando qual seria a reação dessas mesmas pessoas se o editorial fizesse duras críticas aos EUA ou exaltasse o Hugo Chavez, algo que certamente é encontrado nos jornalecos comunistas, com suas notícias escritas sempre sob influência da esquerda e do governo, que certamente deve injetar alguma grana nesses jornais para dizer o que ele quer. E viva à liberdade de expressão!

Apenas para jogar lenha na fogueira, muito se fala de coisas positivas durante a era da ditadura do regime militar, reforçando a minha teoria de que nada nesse mundo é 100% positivo ou negativo: por exemplo, grandes obras que são hoje muito importantes para a nação, como a usina hidrelétrica de Itaipú e a ponte Rio-Niterói, foram feitas durante esse período; maior segurança nas ruas, sem a quantidade absurda de crimes diários nos grandes centros; punição severa aos criminosos (podiam se chamar de lutadores pela liberdade, mas praticavam sequestros, roubos e assassinatos – será que os fins justificam os meios?), inclusive com pena de morte. Realmente, estamos bem melhores hoje, com obras do PAC destinando o meu e o seu imposto para favelas que destróem a paisagem natural de nossa cidade e são redutos de traficantes, com pessoas de todas as idades, sexos e classes sociais morrendo indo para a escola ou para o trabalho, e com milhares de criminosos, bandidos e ladrões cometendo crimes e tendo toda a proteção dos Direitos Humanos, mordomias nos presídios e tendo até o direito de sair da cadeia para visitar a mamãe no feriado, com a esperança das autoridades de que eles voltem... Realmente, é pra ter um imenso orgulho do Brasil-il-il...

E para concluir, pergunto sobre o que temos hoje: será que é muito diferente de uma ditadura? Eu retorno à definição de ditadura, que diz que os líderes de governo não respodem à lei. Familiar ou será que isso é algo que não acontece hoje em dia, depois de vermos por exemplo a turma do mensalão que roubou e ficou por isso mesmo? Acredito que só mudaram os personagens, mudaram algumas restrições e problemas, mas no fundo é a mesma merda. Se antes não havia a liberdade de expressão, hoje não temos a liberdade de ir e vir, saímos de casa para trabalhar e não sabemos se vamos voltar, se não vamos tomar uma bala perdida na testa, ser sequestrado ou roubado. Censura, será que realmente foi extinta? O que dizer de uma série de jornais que tem o rabo-preso com o governo, escondendo o podre de nossos governantes e forjando pesquisas de opinião para dizer que todo mundo tá satisfeito? Inclusive “calar” a Folha pelo embasamento político de seu editorial, algo que alguns estão defendendo, seria o quê, liberdade de expressão? Sem falar da violência, talvez os defensores dos Direitos Humanos e intelectuais só se comovam com os mortos da ditadura, hoje morre mais gente nas grandes cidades do que em muitas guerras. Ah, me desculpe, os Direitos Humanos estão aí sim, perdoe-me a ignorância. O fato de que eles só aparecem para passar a mão na cabeça de bandidos mortos e estupradores espancados é um detalhe sem importância...

Enfim, acredito que certamente a ditadura teve muita coisa negativa, e que a posição tomada pela Folha de taxá-la de branda não é muito correta. Mas não acho justo ignorarmos outras ditaduras que sem dúvida foram e ainda são mais severas do que a que tivemos, fazer isso acaba mostrando que a revolta não é contra o regime e sim para tomar o lugar da situação. Eu adoraria fazer para os professores Benevides e Comparato e para as demais pessoas que estão criticando o editorial do jornal uma simples pergunta: “E o que você tem a dizer sobre a ditadura de Cuba?”

Acho difícil que alguém venha a contestar o regime do Fidel também, mas esse alguém seria pelo menos uma pessoa coerente, pois deixaria claro que de fato não aprova o regime ditatorial, independente do país e de suas origens políticas. Mas tenho certeza de que a maioria responderia coisas como “Ah, Cuba é diferente”, “Cuba não tem nada a ver com a ditadura criminosa dos militares do Brasil” e “não tenho que condenar a suposta ditadura de Cuba para criticar a ditadura militar” (esta última que resume a essência de muitas das cartas enviadas ao jornal). Repito, se um indivíduo critica a ditadura militar porém não critica a ditadura de Cuba, então ele não contesta a ditadura de fato, apenas é contra quem estava no comando da ditadura, condena os militares que eram situação na época e não o tipo de regime. O que na minha opinião não passa de uma grande hipocrisia e falsidade ideológica, reforçando ainda mais a hipótese de que estes “heróis revolucionários” apenas queriam “mudar o lado” da ditadura, criar uma ditadura de esquerda. Ou seja, queriam sentar no trono e comer caviar...

domingo, 1 de março de 2009

Fogão Campeão!

Fonte: Terra

Você já percebeu que os texugos são preto e branco? Então, não é à toa que sou botafoguense, e hoje é dia de comemorar mais um título vencido com competência e na bola, ao contrário de certos times que só ganham roubado... Com a conquista da Taça Guanabara, o Botafogo já está classificado para a decisão do estadual, a ser disputado contra o campeão da Taça Rio que começa a seguir.

Mas fica o mérito para o time do Resende, que jogou bonito e se esforçou. E principalmente por ter eliminado o Flamengo! Qualquer time que tenha causado um vexame homérico para o time rubro-negro merece sempre a consideração e o respeito dos botafoguenses. Ao contrário do menguinho, que entrou em campo de salto alto e tomou uma pancada do time do interior do estado, o Botafogo veio na humildade e jogando um futebol de gente grande mostrou como se ganha um jogo.

Comemore, torcida alvinegra!