terça-feira, 29 de agosto de 2017

O Chuveirinho do Roxy

Eu sei, estou bem atrasado nesse assunto! Admito, tem horas que eu perco o tempo das coisas e demoro pra lançar aqui uma postagem para comentar de um assunto, que só vai pro ar quando todo mundo já se esqueceu. Mas eu insisto, por mais que não vou conseguir aproveitar o embalo de uma notícia polêmica pra aumentar aqui o meu contador de visitas, tem assuntos que me dá vontade de comentar, e esse eu não quis deixar passar.

E na verdade, eu estava com esse texto pronto, mas quis escrever primeiro sobre a professora que foi agredida, para não perder o fio da meada, e com isso atrasei ainda um pouco mais esse texto aqui.

Pior que me dou conta que nem fez tanto tempo assim, foi notícia que apareceu lá pro início do mês. Realmente, agosto demora pra passar... Mas vamos lá, sem perder o foco.


A situação é a seguinte: aqui no Rio de Janeiro existe o cinema Roxy, quem vive aqui certamente o conhece, um dos poucos cinemas de rua que ainda resiste, no coração de Copacabana. Como é comum nessa região, o estabelecimento fica no térreo de um edifício residencial, o que deve ser muito bom para seus moradores, pois pra pegar um cineminha só precisam pegar um elevador. Acontece que o local, bem na esquina com a principal avenida do bairro, também é o reduto de muitos moradores de rua, que ficam ali como se a calçada fosse apenas deles. Ficam o dia inteiro, de noite e de dia, incomodando os moradores do edifício. 

Aí os moradores do condomínio bolaram a seguinte idéia: instalaram um sistema com canos ali na marquise, algo como um chuveirinho, que molha a calçada de noite. E com isso espantando os moradores de rua, que deixam de se acomodar ali na frente do prédio. Como pode ser visto aqui na notícia.


Certo de que muita gente vai me criticar, mas digo: uma idéia genial!

Mas, logicamente que isso iria a gerar uma repercussão negativa. Não demorou para os jornais irem lá averiguar, prefeitura logo estava vendo ali o que estava acontecendo, a secretária de Direitos Humanos começou a chiar e a sociedade politicamente correta iniciou os protestos, contra aquela atitude desumana e criminosa. Teve babaca que até começou a promover boicote ao cinema Roxy, que não tinha nada a ver com essa questão.

Pois muito bem... Vamos lá para mais um assunto polêmico.

Pode parecer sim um tratamento desumano contra os moradores de rua que tentam dormir ali. Mas, se uma atitude dessas foi tomada, certamente foi porque não havia outra saída. A situação aqui no Rio de Janeiro está cada vez pior, com mendigos espalhados pelos cantos da cidade, em todas as esquinas, debaixo das marquises e na porta de bancos. Outro dia estava caminhando justamente ali por Copacabana, e me impressionou o fato de que praticamente a cada quinze metros se via um grupo de moradores de rua ali, dormindo ou pedindo esmola. Muito desagradável...


Desagradável principalmente pelo fato de que, no meio desses moradores de rua, tem muitos assaltantes e drogados, que ameaçam a população.

Sei que já deve ter ente aqui me xingando, acusando-me de estar sendo generalista a ponto de dizer que todo morador de rua é bandido. Provavelmente as mesmas pessoas que dizem que todos os homens brancos e heterossexuais são machistas e racistas. Não estou generalizando, mas infelizmente boa parte dos mendigos fez ou faz algo de errado, e eu honestamente prefiro ser "injusto" ao assumir que um deles tem más intenções do que correr o risco de ser agredido ou roubado.

Não faltam casos... Uma conhecida me contou certa vez que sua mãe, uma senhora já de idade, foi agredida na porta de um banco. Os vagabundos estavam ali, sentados na frente do banco, e provavelmente viram que ela sacou dinheiro. Quando saiu, pediram uns trocados, e ela disse que não tinha, e os putos disseram que ela estava mentindo, chegando ao ponto de tentarem roubar sua bolsa. Não conseguiram, e deram no pé porque já apareceu gente ali pra acudir a senhora, que com o puxão acabou caindo na calçada e se machucou. Uma cidadã de bem, agredida por um bando de vagabundos que depois deviam dormir debaixo da marquise do Roxy.


Ah, e não aparece nenhuma feminista ou defensora dos Direitos Humanos com pena da senhora...

Esse é um exemplo de que os moradores de rua são um risco sim, pois no meio deles podem ter muitos aí que têm más intenções, que se tiverem a oportunidade vão roubar, mesmo que tenham que agredir os transeuntes. Principalmente considerando o fato de que muitos são drogados, e o desespero pra dar uma cheirada num pó ou fumar uma pedra acaba fazendo com que eles partam pra violência.

Sem falar o fato de que é muito desagradável, pois a mendigada é suja e sem pudor. Eu me lembro quando eu era um pequeno texuguinho, estava na rua com minha mãe, indo em alguma loja, sei lá. E me recordo que passando perto da loja todo mundo percebeu algo absurdo, era um mendigo, cabelão comprido e barbudo, todo sujo, que estava simplesmente sentado ali num canto sem calça e com a "jibóia" na posição de sentido! Puta que pariu, e eu ali na minha inocência que nem entendi o que estava acontecendo...

Mas é isso que se vê, com os moradores de rua ali maltrapilhos e fazendo nojeira. É velha ali com os peitos de fora, é sujeito cagando atrás do carro, é bêbado vomitando no meio da calçada, é casal trepando à luz do dia, é doente todo cheio de pereba tentando pegar você pelo braço, e coisas ainda piores.


E não venham me dizer que não tem nada demais! Se você acha que é frescura minha, vai então na rua dar um abraço num mendigo e dividir com ele um refrigerante no canudinho, pombas!

Com tudo isso, dá pra entender porque os moradores do condomínio do Roxy decidiram tomar tal atitude com o chuveirinho, pra enxotar os mendigos que ficavam ali. Imagina só, debaixo de seu prédio e um monte de moradores de rua se apoderando da calçada, berrando alto, brigando entre si, trepando e cagando tudo. Duvido que alguém iria achar agradável essa turma ali debaixo de sua janela...

Acontece que aí aparece o pessoalzinho dos Direitos Humanos, do Viva Rio, os politicamente corretos, e ficam revoltadinhos com uma atitude "desumana" contra os pobres coitados dos moradores de rua. Dizem que é inaceitável, que isso é uma atitude de preconceituosos sem coração, burgueses inimigos do povo, nazistas adoradores do Trump e do Bolsonaro...

Engraçado como quando é pra defender vagabundo, o poder público se move rapidinho... Mas pra defender o cidadão inocente e pagador de impostos, aí não dão a mínima.

Eu pego aqui a fala da secretária municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (já dá pra imaginar o que deve vir), a tal da Teresa Berger, que se pronunciou sobre o caso:


"Essa situação é absurda, um ato de desumanidade. Devido à legislação, não podemos obrigar o morador de rua a permanecer em abrigos, mas isso não dá liberdade para que os proprietários do prédio utilizem esse tipo de violência contra quem está ali. Não vamos permitir isso. Procuraremos o síndico e, caso necessário, multaremos o condomínio."
Interessante mais uma vez a iniciativa em querer buscar justiça com tanto ímpeto neste caso, quando é para defender o pobre e inocente morador de rua e punir o maléfico cidadão morador da Zona Sul. Não me lembro de ter visto declaração tão revoltada e veemente da nobre secretária diante da morte de quase 100 policiais no Rio de Janeiro, não vi ela condenar a violência que a população sofre na cidade todos os dias por conta de marginais, não me recordo dela repreender a desumanidade de criminosos que esfaqueiam ciclistas na Lagoa ou que arrastam crianças penduradas pelo cinto de segurança do carro. Parece que só bandido e mendigo tem direito aos Direitos Humanos na cabeça dela...

Agora, eu penso o seguinte: se essa secretaria de Direitos Humanos está tão preocupada com a dignidade destes moradores de rua, por que deixa que eles fiquem nessas condições? Por que nada fazem pra tirar os mendigos da rua? Seria melhor para eles, serem levados para um abrigo, onde terão o mínimo de condições de vida, e melhor para a população também. Ou será que eles acham perfeitamente aceitável e humano que uma pessoa durma ali na calçada, debaixo de um pedaço de papelão e se alimentando de resto de comida? Diante de um problema social grave como esse, o poder público não faz nada para dar para essas pessoas uma vida mais digna, está pouco se fudendo se os moradores de rua estão ali largados, com fome e com frio. Só acham errado e se mexem quando colocam um chuveirinho pingando na cabeça deles...


No vídeo na reportagem, a Teresa Berger diz que são feitas várias ações para levar esses moradores para abrigos, mas que a maioria não quer, e que a lei não os obriga a ficarem ali. Essa é a "justificativa" que eles parecem dar para que a situação fique do jeito que está.

Sejamos aqui um pouco frios: eu entendo que ninguém deve ser obrigado a fazer algo que não queira. Mas, existe a situação de quando o indivíduo é considerado um incapaz. Não falo de forma pejorativa, me refiro a uma pessoa que não esteja em condições de tomar uma decisão lúcida para o seu bem. Por exemplo, um bebê recém-nascido é um incapaz, ele não tem condições de saber que é a hora de comer ou de dormir, que precisa tomar uma vacina ou ir a um médico. E nessas situações, vai ter uma pessoa ou pessoas que assume(m) a responsabilidade por esse incapaz. No caso do bebê, seriam seus pais.

É a mesma coisa que eu penso a respeito de muitos moradores de rua, como drogados ou doentes. Eles não têm noção do que está acontecendo, não têm condições de tomar uma decisão por conta própria, se deixar o cara vai ali destrambelhado e atravessar a rua no meio do trânsito e ser atropelado. São moradores de rua que podemos caracterizar como indivíduos incapazes. E, na ausência de familiares ou amigos que possam assumir a responsabilidade por eles, e entendo que cabe ao Estado fazer a sua parte e cuidar deste indivíduo.

Mas não é bem assim... Você já viu o Estado se preocupar com o cidadão?


Aí eu acho que é uma grande omissão por parte de entidades como os Direitos Humanos. Se dizem preocupados com o povo, mas na hora em que podem fazer algo pelos mais necessitados, simplesmente levantam as mãos e dizem "não podemos obrigar ninguém a ficar nos abrigos". Nessa hora, ninguém tá preocupado com o morador de rua, não é problema deles... Vale mais respeitar o "direito" desses mendigos de ficarem onde quiserem, em vez de insistir para dar para eles uma vida um pouco melhor.

Agora... quando teve Olimpíadas e Copa do Mundo aqui, não teve essa de "a lei não os obriga a ficar no abrigo". Pra deixar a Cidade Maravilhosa bonita pra gringo ver, aí então o poder público tem mão de ferro pra levar os mendigos para um abrigo. Pois nessa hora é interesse dos políticos e das entidades públicas limpar a cidade, tirar o morador de rua da vista. É como varrer a sujeira pra debaixo do tapete: vão lá os carinhas de colete azul, colocam todo mundo na van, passa lá a Comlurb pra limpar o local, e deixam eles guardadinhos em algum lugar. Termina o evento, acabam as Olimpíadas, e colocam eles de volta...


Realmente, mostra como o Estado e o pessoal dos Direitos Humanos estão mesmo muito preocupados em respeitar o direito dos moradores de rua ficarem onde quiserem...

De qualquer forma, eu entendo um pouco que essa Teresa Berger disse dos mendigos não quererem ir para o abrigo. Afinal de contas, temos uma população idiota e estúpida que passa a mão na cabeça desses vagabundos e colabora para que eles fiquem na rua.

Muitas pessoas por aqui são sensíveis demais e ajudam os moradores de rua, dando esmola e comida. Ainda mais aqui em Copacabana, onde tem tantos idosos que se somassem a idade do bairro deve dar uma era pré-histórica. Senhores que não dão valor ao pouco dinheiro que tem e senhoras que querem reservar seu espacinho do Céu ao praticar o bem ao próximo, geralmente ajudam e muito esses moradores de rua, dando a eles tudo. Não só pessoas idosas, vejo muitas pessoas jovens, ainda mais hoje com essa onda do politicamente correto, onde tá cheio de gente que tem "consciência social" e que adora fazer tudo para ajudar as "vítimas da burguesia e do capitalismo".


E essas pessoas exageram na ajuda, colaborando para que os moradores de rua fiquem dependentes de esmola gorda.

Certa vez, eu estava num mercado, fazendo algumas compras. Aí eu percebi dois garotos, com toda a pinta de moradores de rua. Não tinham cara de pivetes, tem aqueles que você olha e já percebe as más intenções, não era o caso. Eles estavam ali caminhando no mercado, e me pediram pra comprar um biscoito para eles. Eu disse não, pois eu não ajudo. Podem me xingar, podem me chamar de insensível, mas não ajudo. Meu princípio é simples: por que ajudar estes e não outros? Além disso, repito que trata-se de um problema social que o poder público entrega para a população, e a população já está fudida demais pra ter que cuidar disso também. É só cortar alguns bilhões do fundo partidário que teremos dinheiro pra que ninguém passe fome nesse país.

Enfim, continuando a história, os meninos encontraram a "presa fácil", uma senhora baixinha de cabelos brancos. Eu estava ali, vendo as minhas compras mas também acompanhando a situação, com a velhinha toda comovida com aquelas pobres crianças, que deviam estar usando de toda a sua meiguice pra dobrar a senhora, dizendo tipo "vó, compra um biscoito pra gente?". A senhora concordou, e por estar ali perto dela, pegou um pacote de biscoito Maria pra comprar para os pimpolhos...


Sabe qual foi a reação dos moleques? Acha que eles agradeceram? Que nada! Ficaram é putos, disseram que não queriam aquele biscoito, que era uma merda (palavras deles mesmo). Aí o mais novo deles foi lá do lado e pegou dois pacotes de Chocolícia, dizendo que eles queriam aquele ali, um pacote pra cada!


Puta merda! A velhinha querendo ajudar, fazendo ali uma caridade, e eles abusando da boa vontade dela? Deu vontade de chamar o gerente do mercado, pra dizer que tinham dois moleques de rua incomodando os clientes, pra botar eles pra fora.

Mas não tive chance de fazer isso... Pois a senhora foi lá toda sorridente e comprou um pacote de Chocolícia pra cada um!


Explica por que moradores de rua não querem ir para abrigo. Pra que ir para um lugar onde provavelmente vão ter que fazer alguma atividade, vão ter que estudar, onde vão comer arroz, feijão e bife duro, se pode ficar na rua pra ganhar marmita com lasanha e uma latinha de Coca-Cola, comer Chocolícia e ainda faturar uns trocados sem fazer muito esforço graças a um bando de trouxas?

Eu sei que muita gente aqui vai criticar a minha falta de coração, dizendo que eu não tenho nenhum tipo de compaixão com os seres humanos mais necessitados. Mas, sinceramente, eu acho um abuso! Casos como esse que eu comentei não são raros, na minha opinião o fato de você estar passando por necessidades não te dá o direito de querer levar vantagem. Tá cheio de trabalhador aí, que passa horas num ônibus pra chegar no trampo, que rala que nem um corno pra pagar suas contas, e na hora de botar comida na mesa tem que comprar carne de segunda, tem que se contentar com biscoito Maria... enquanto que morador de rua se acha no direito de ser exigente, de abusar da solidariedade e cobrar pelo biscoito mais caro da prateleira?

Estou me desviando do assunto... comecei a ir numa linha dos pedintes, dos moradores de rua, e fugindo da questão do chuveirinho...


Mas em certo ponto tem a ver sim. Por que esse episódio mostra a hipocrisia e a indiferença do poder público de nosso país. Não só do poder público, mas da sociedade em geral. Eles se revoltam diante de uma atitude que sim, pode ser considerada como extrema, mas é compreensível, tomada por moradores que pagam um dos maiores IPTUs da cidade e não têm respeitado o seu direito de dormir em paz, de viver em uma vizinhança tranquila e de ter a calçada de seu edifício livre de visitantes indesejados.

Penso que a turminha politicamente correta vive num faz-de-conta, pensa que aqui é a Suécia ou outro país desenvolvido. Não se dão conta que toda essa questão de moradores de rua está deixando de ser apenas um problema social para ser problema de segurança. Pois é indiscutível que tem muitos criminosos no meio desses moradores de rua, não estou dizendo que são todos, mas tem sim gente muito mal-intencionada. Acontece que a Teresa Berger, os politicamente corretos e os partidários do Partido Socialista do Leblon não percebem isso, quando andam em seus carros blindados ou do alto de suas coberturas.

O poder público fica aí, parado, sem mexer um dedo pra resolver esse problema social e de segurança. Deixam o morador de rua ali vivendo na merda, sem dignidade, e deixam também o cidadão desamparado e exposto a violência que encontra terreno fértil pra brotar nessa condição.

Aí quando o cidadão decide tomar alguma atitude, para ao menos diminuir um pouco o problema de segurança... o mesmo poder público acorda e toma uma atitude imediata e severa.


Realmente, esse país tá foda...

Enfim, essa é a minha opinião. Muito provavelmente deve aparecer gente aqui me xingando, dizendo que eu sou insensível por concordar com uma atitude desumana como botar um chuveirinho pra enxotar mendigos, que vão dizer que eu sou nazista homofóbico preconceituoso machista burguês amante do Trump e do Bolsonaro. Podem falar, não estou nem aí...

Digo o mesmo que um colega meu disse: se tem pena do morador de rua, leva pra casa. Toda essa turma aí que está chiando, a começar pela Teresa Berger, todos esses politicamente corretos que adoram morador de rua, que são tão solidários a eles, que ficam com dó... Façam alguma coisa! Ficar com peninha é fácil, sejam então um bom exemplo e acolham uma família de moradores de rua na sua casa, ceda a sua cama e a sua comida pra eles, façam esses sacrifícios e tomem uma atitude prática pra resolver o problema, pra dar um pouco de dignidade para os outros.

Ficar falando bonito e criticando os outros é moleza... quero ver é fazer algo de verdade.

domingo, 27 de agosto de 2017

Navios de Guerra - Yamato

E aqui vamos nós, estreando a primeira postagem do marcador "navios"... Se bem que na verdade a primeira postagem sobre o assunto foi aquela em que apresentei a minha intenção de escrever aqui sobre alguns dos navios de guerra do passado, então na prática esse seria o segundo post. Mas, você entendeu o que eu quis dizer, e finalmente, depois de algum tempo, consegui aqui escrever o primeiro texto sobre um navio. 

Pensei muito sobre qual seria... E admito que optei pela decisão mais fácil: escolhi aquele que me chamou a atenção para esse assunto, há muitos anos. Venho para falar do couraçado Yamato, do Japão.


Eu já contei a minha história particular no post de abertura aqui. E acredito que não poderia ter escolhido navio mais icônico e famoso. O Yamato é tido por muitos como o mais poderoso navio de guerra que já existiu, mas que não teve uma carreira à altura de suas dimensões extravagantes. Sem entrar muito na história, a classe de couraçados do Yamato surgiu na década de 30, como uma clara afronta dos nipônicos aos limites que lhes foram impostos pelo Tratado Naval de Washington.

Você deve estar se perguntando o que diabos foi isso. Pois bem, esse tratado estabelecia alguns limites sobre a construção de navios de guerra para cada nação, em termos de quantidade, tonelagem e armamentos, e que era bem restritivo com o Japão. Na época havia sido um duro golpe para os japoneses, que se viram obrigados a cancelar uma série de projetos de novos navios de guerra possantes.

Mas, alguns anos depois o Japão saiu dessa "organização", não se sujeitando mais aos limites do tratado. Assim, a classe Yamato foi algo como um dedo médio para os outros países, um projeto que prometia ser superior a todos os navios de seu tempo, para que assim o Japão pudesse seguir com o seu plano de expansão territorial no Pacífico.


Veja bem aqui que eu me refiro à classe do Yamato. Embora ele tenha sido o mais famoso, ele teve alguns irmãos, sobre os quais vou falar um pouco aqui. Mas sem dúvida o destaque maior será para ele.

Na teoria cinco navios foram propostos para dar um upgrade na esquadra nipônica. Os dois primeiros, Yamato e Musashi, foram lançados ao mar em 1940, sendo que o Yamato entrou em serviço em dezembro de 1941, alguns dias depois do ataque japonês a Pearl Harbor, e o Musashi na metade de 1942. Foram na verdade os únicos dois que foram lançados conforme o previsto. O terceiro deles, Shinano, teve a sua construção interrompida no mesmo ano de 1942. Isso em função dos japoneses terem perdido uma porrada de porta-aviões naquele ano, e com isso ele foi convertido e terminado como um porta-aviões, somente no ano de 1944. Outros dois estavam planejados, denominados apenas por números, sendo que o navio 111 até tinha sido começado a ser construído mas foi desmontado e o 797 sequer existiu.


A classe Yamato era mesmo do caralho em termos de tamanho. Cada um tinha cerca de 250 metros de comprimento e pesava 75 mil toneladas com carga máxima. A blindagem variava para cada região, em alguma delas tinha pouco mais de 600 milímetros de espessura (ou 60 centímetros, para quem não sabe fazer conta e não sabe que 10 milímetros é igual a 1 centímetro). Sua propulsão era capaz de fazer o navio atingir uma velocidade de cerca de 27 nós, que é equivalente a mais ou menos 50 quilômetros por hora, e tinha uma tripulação de mais de 2000 pessoas. Para completar, o grande destaque era seu armamento principal, com nove canhões de 18 polegadas (460 mm), os maiores jamais embarcados em um navio de guerra, dispostos em três torres triplas, duas na frente e uma atrás. Cada canhãozão desses media pouco mais de 20 metros e pesava sozinho perto de 145 toneladas, capaz de causar um verdadeiro estrago com projéteis de uma 1,5 toneladas cada... Sem contar com o armamento secundário.

Sem dúvida um navio repleto de superlativos. Embora alguém possa até pensar que esse exagero de tamanho tenha sido influenciado pelo fato dos japoneses terem algum complexo de tamanho pequeno...


Brincadeiras à parte, o Yamato e seu irmão Musashi foram os maiores e mais poderosos couraçados do mundo. Na verdade, por mais que os Estados Unidos tenham feito navios que eram um pouco melhor projetados e que se mostraram mais eficientes, nenhuma outra embarcação chegou perto desses monstros em termos de poder de fogo e dimensões.

O grande problema foi que na prática eles eram navios fora de seu tempo...


Se você já leu algo sobre a Segunda Guerra Mundial, sabe que nela a aviação foi a arma mais decisiva e importante nas batalhas disputadas. Os aviões eram mais rápidos, podiam operar em qualquer região (pois, afinal de contas, ar existe em qualquer lugar) e tinham grande versatilidade. E em se tratando de combates navais, foi nessa época que surgiram os porta-aviões, que permitiam levar essas aeronaves pelos sete mares, proporcionando uma forma de ataque muito mais efetiva do que o duelo de canhões. Os próprios japoneses foram, no cenário do Pacífico, os grandes pioneiros disso, ao lançar o ataque aéreo ao porto de Pearl Harbor com a ajuda de seis porta-aviões. Verdade seja dita, foram poucos os casos de batalhas navais em que eram apenas navios atirando uns contra os outros, as grandes e principais operações envolviam sempre o apoio aéreo.

E justamente por essa razão é que eu comento que o Yamato estava fora de seu tempo. Em uma realidade em que os aviões eram a principal arma de combate, ele ficava ali escondido, nas últimas linhas de batalha, e raramente teve a oportunidade de disparar seus putas canhões. Se li bem, a única batalha de maior importância que ele participou no início da guerra foi em Midway, onde os japoneses levaram uma surra e perderam quatro de seus porta-aviões, e mesmo assim o Yamato não fez nada de útil. Pra você ver que em um determinado momento da guerra, ele e o Musashi atuaram mais como transportes de munição e tropas para algumas das ilhas sob controle dos japoneses...


Se por um lado eles ficaram um bom tempo sem fazer muita coisa, eles também não se expuseram muito aos americanos. Entre o final de 1943 e início de 1944 cada um deles sofreu um ataque de submarinos, mas coisa pouca, com danos que logo foram reparados, mas que já mostravam que os gigantes tinham uma certa fragilidade contra torpedos. Na verdade, havia uma união entre as blindagens que era muito fraca, que gerava uma zona extremamente vulnerável perto da linha d'água, exatamente onde os torpedos geralmente atingem. Resumindo, uma verdadeira cagada de projeto, e que se mostraria como decisiva para selar o destino dos três navios.

A grande operação em que o Yamato e o Musashi participaram foi o embate conhecido como a Batalha do Golfo de Leyte, em outubro de 1944, perto das Filipinas, e que consistiu de uma série de pequenas campanhas. Os dois gigantes faziam parte da frota principal que tentaria impedir o desembarque norte-americano nessas ilhas. E logo na primeira batalha, no Mar de Sibuyan, eles sentiram a força da força-aérea inimiga (com trocadilho, por favor). Foram vários ataques sobre a frota, e o Musashi foi o azarado escolhido como o alvo principal pelos pilotos.


Também, com todo esse tamanho, era moleza pros pilotos acertarem...

Segundo relatos, foram 17 bombas e 19 torpedos que atingiram o Musashi durante uma série de vários ataques promovidos pelas esquadrilhas de porta-aviões dos Estados Unidos, acredito que nunca na história um navio recebeu tanta bomba e torpedo. Embora não tivesse afundado depois dessa surra, ele sofreu danos muito severos. Sua proa estava quase afundando, e os danos foram suficientes para ele cair para uma velocidade de 6 nós (tipo, 10 quilômetros por hora), e lentamente começava a tombar para um dos lados. Todo arrebentado, ele foi deixado para trás pela sua frota, e tentou vagarosamente navegar até uma praia para encalhar, até ele adernar e encontrar seu descanso no fundo do mar. Um destino bem simplório, para um navio que não fez muita coisa de útil na guerra.


O Yamato ainda seguia nas batalhas, e também foi diversas vezes atingido. Mas pelo menos conseguiu finalmente atirar em um navio inimigo, um pequeno porta-aviões de escolta, contribuindo para seu afundamento. Mas foi só isso, ele meteu o rabo entre as pernas e se mandou dali, até finalmente voltar para o Japão para reparos.

Estou aqui e nem falei do irmão mais novo da classe, o Shinano. Como disse acima, ele seria o terceiro couraçado do grupo, mas a construção mudou de rumo e ele virou um porta-aviões. Logicamente que ele na época ganhou o título de maior embarcação do tipo, mas que não durou muito com a chegada dos porta-aviões modernos, verdadeiros gigantes dos mares. Sua conversão foi realizada em grande segredo, os japoneses não queriam que ninguém soubesse que estavam ali fazendo um imenso porta-aviões. Por esa razão que inclusive são raras fotos dele.


O curioso é observar que, apesar de seu imenso tamanho, o Shinano levava apenas cerca de 50 aviões. Pouco se comparado com os porta-aviões adversários, que podiam levar até 100 aviões cada. A verdade é que ele havia sido projetado não apenas para lançar ataques aéreos, mas também para levar em seus grandes depósitos aviões e peças de reposição extras, que poderiam ser usadas para reabastecer bases ou mesmo outros porta-aviões.

Apesar dessa inovação, o Shinano pouco fez na guerra. Na verdade, quase nada. Após ter o seu lançamento apressado para outubro de 1944, em sua primeira viagem ele já se deparou com um submarino americano. Manobras foram realizadas de forma inconsequente, e ele foi atingido por quatro torpedos, que causaram uma série de inundações em compartimentos de seu lado direito. Os destróieres que o acompanhavam tentaram rebocá-lo, mas eles eram muito fraquinhos para puxar o imenso navio. Algumas horas depois o Shinano afundou ali no sul do Japão, encerrando a sua muito breve carreira.


Enfim, só sobrava o Yamato... E o destino reservou para ele o final mais trágico, mas também mais marcante.

No início de 1945, os Estados Unidos estavam cada vez mais próximos do território japonês, tomando a ilha de Okinawa, que era praticamente no "quintal" deles. Diante dessa situação, o alto comando seguiu com uma operação extremamente ousada, que seria liderada pelo Yamato. Juntamente com alguns navios menores, ele tinha o objetivo de navegar até Okinawa e enfrentar os navios americanos que estivessem ali, para então encalhar na ilha e servir como um forte até ser destruído.


Em outras palavras, uma missão suicida, para a qual o Yamato levava combustível apenas para a viagem de ida.

Pra fuder de vez, os americanos interceptaram os planos dos orientais, e logo prepararam um mega ataque aéreo pra afundar o gigantesco Yamato. Era quase que uma questão de honra, pois o Yamato era considerado como o navio líder de toda a esquadra japonesa, e seu afundamento teria um grande impacto na moral dos orientais. Em um período de praticamente uma hora, foram três investidas de bombardeiros e torpedeiros contra o couraçado, danificando-o de maneira impiedosa. Chegou ao ponto em que o seu leme ficou travado e ele ficou navegando em círculos, que nem um bêbado depois da pinga.


O Yamato agonizou por mais alguns minutos, já estava quase virado de cabeça para baixo quando um de seus depósitos de munição explodiu. Pareceu um cogumelo de explosão atômica, fico imaginando o tamanho do esporro que foi quando os projéteis "pequenininhos" dele explodiram. Deve ter japa que escutou lá de casa essa explosão.


Foi o fim do maior navio de guerra da História, que agora descansa no fundo do mar perto do Japão. A explosão foi tão violenta que ele partiu ao meio, como mostra essa maquete.


Não tem como não ficar fascinado, ou ao menos um pouco pensativo, com essa missão fatídica do Yamato. Era uma clara ação desesperada e suicida, contra probabilidades extremamente desfavoráveis. Temos que tirar o chapéu para a coragem e determinação dos japoneses, acho que faz parte de sua cultura não dar para trás diante de uma missão, diante de seu dever. No final da guerra, eles já estavam partindo para essa postura suicida, como com os aviões kamikazes que causaram um grande estrago. E o Yamato foi, se não o único, o mais icônico dos navios que seguiu em uma missão suicida...

Alguns podem dizer que era burrice embarcar em uma missão dessas. Tem até gente que compara os kamikazes japoneses com os homens-bomba do Estado Islâmico, uma comparação infundada em minha opinião, pois os barbudinhos se explodem pra promover o terror, matando gente inocente. Por sua vez, os japoneses viam isso como um sacrifício em uma guerra para proteger sua nação, algo que pode ser tido até como honroso e nobre. Por isso é que o Yamato e sua tripulação sem dúvida merecem o respeito e a consideração, por esse gesto desesperado.

Não é à toa que o Yamato e a sua história ganharam um grande destaque para as gerações seguintes, sendo lembrada até hoje. Por exemplo, há pouco mais de 10 anos fizeram um museu em homenagem ao navio, incluindo uma imensa maquete em escala 1/10. Ou seja, é um monstro com pouco mais de 25 metros de comprimento! Veja só ele do lado das pessoas.


Além do museu e de vários filmes feitos sobre o navio, outra grande referência cultural é o desenho Patrulha Estelar. Obra prima que passava na saudosa Rede Manchete, como disse na postagem inicial dessa série, ali o Yamato era recuperado do fundo do mar e transformado em uma mega nave espacial. Um desenho marcante de toda uma geração, e que é tido por muitos como um dos grandes clássicos de animação japonesa.


Sem sombra de dúvidas, o Yamato foi um dos mais famosos navios de guerra da história, não apenas por ter sido de longe o maior e mais poderoso já construído, mas também por sua marcante missão suicida no final da guerra. Curioso ver como que são as coisas, como que o destino reservou ao gigante nipônico um final digno de cinema...

Espero que tenham gostado da primeira postagem de navios, agora é hora de escolher qual será o próximo...

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O soco na professora

Mais um assunto polêmico aqui, e dessa vez eu consegui chegar um pouco mais perto da notícia, em vez de escrever semanas depois do ocorrido. Mais um assunto que está com uma grande repercussão, e como sempre venho aqui pra dar a minha opinião, sempre controversa e que não agrada a muita gente.


Pois muito bem, comecemos do começo. No início dessa semana, uma professora chamada Marcia Friggi, de uma escola lá em Santa Catarina, passou por uma situação bem desagradável, em que ela levou um monte de socos de um aluno de 15 anos, que ela havia chamado atenção por mau comportamento. Tupo por causa de um livro, que segundo eu li o garoto estava colocando entre as suas pernas (seria algum fetiche?) e quando a professora pediu para ele colocar o livro sobre a mesa, disse que colocava o livro onde quisesse (talvez onde o Sol não brilha). Aí, levando o mal-criado para a diretoria, a professora foi agredida pelo aluno.   

Não demorou para o caso vir para as redes sociais, inclusive pelo fato da professora ter publicado em sua página do Facebook uma declaração sobre a agressão que ela sofreu, juntamente com fotos de seu rosto todo arrebentado. A sociedade de comoveu, revoltada com esse ato de violência, vários jóinhas e compartilhamentos em solidariedade com a professora.


Bem...

Antes de continuar a história, acho válido colocar aqui um breve parênteses, até porque eu sei que mais adiante vão começar a me xingar. Eu acho errado esse tipo de agressão covarde, ainda mais contra um professor. Costumo dizer que a educação é um dos bens mais valiosos de uma nação, e os professores em geral devem ser reconhecidos por isso. Digo em geral pois, como ocorre em qualquer profissão, existem os maus professores, aqueles que estão cagando e andando para o ensino, ou que usam de sua posição como forma de doutrinação (vocês sabem bem o que eu quero dizer). Mas, em linhas gerais, o professor deve ter sim uma grande consideração por parte da sociedade, pelo seu papel de estar formando cidadãos e profissionais.

E comento que esse tipo de episódio tem uma grande influência da ideologia extremamente passiva e permissiva que temos hoje, aquela que prega uma liberdade exagerada e super-protetora para crianças, mesmo aquelas que não sabem se comportar. Antes, na escola havia disciplina, tinha que respeitar os colegas e os professores, tinha que fazer os deveres de casa e se comportar. Toda uma disciplina rígida que, ao meu ver, é necessária para impor os limites, para ensinar às crianças que existem deveres e responsabilidades. Resumindo, dentro de sala de aula, o professor é a autoridade, e deve ser respeitado e obedecido. Mas, tudo isso mudou hoje em dia, com uma postura muito mais flexível e tolerante, em que o aluno pode fazer o que quiser, que se ele vai mal, a culpa é do professor, que não tem que se portar bem em sala de aula. Toda essa ideologia "tuti-fruti" não coloca limites, e aí chega uma hora em que acontecem coisas como essa agressão.


O mais curioso de tudo isso é ver que casos assim de agressão, seja física ou verbal, não são tão raros... E que muitos educadores, psicólogos e entendidos, que defendem essa tolerância exagerada com alunos mal-criados e sem respeito, são os primeiros a se revoltarem com cenas como essa, de uma professora sendo agredida.

Com isso, repito aqui: acho errado esse tipo de agressão. Não é certo um aluno se portar dessa maneira e violentar uma professora, que é a autoridade na sala de aula. 

Agora... acontece que tem algo mais pra se comentar desse caso...

Afinal de contas, a Internet não perdoa. As mesmas redes sociais que podem ser usadas para conquistar a solidariedade alheia, podem mostrar o seu verdadeiro lado, a sua ideologia e os seus valores... E aí o tiro pode sair pela culatra.

Digo isso porque não demorou para que as pessoas começassem a olhar as outras postagens da professora Marcia em seu Facebook, algo natural uma vez que seu caso chamou a atenção do Brasil, e ela mesma escreveu seu desabafo ali. Postagens em que descobrimos que ela é de esquerda (aliás, extrema esquerda), e como a maioria dos esquerdistas, promove ações e idéias que não ficam muito longe da violência que ela sofreu...

Por exemplo, lembra a aluna que jogou um ovo no Bolsonaro? Veja o que ela escreveu sobre essa cidadã (imagem do Socialista de iPhone):


Lindeza? Curioso, não?

Eu sei que nessa hora devem aparecer esquerdistas petralhotários dizendo que eu estou aplaudindo a agressão da professora, só porque ela é de esquerda. Afinal de contas, muitas pessoas da esquerda adoram colocar palavras nas bocas daqueles que não pensam como eles, como forma de justificar e incitar o ódio, pra tentar inflamar ainda mais a rivalidade e as discussões. Pessoas bipolares, que acham que existe apenas o certo (lado deles) e o errado (quem não pensa como eles), e só o fato de eu ter citado isso já vão começar a assumir que eu adorei o fato dela ter sido agredida.

Mas não estou dizendo nada disso. Não acabei de escrever ali em cima que acho errado esse tipo de agressão contra um professor? Repito mais uma vez, não estou dizendo "bem feito" pra ela por ter apanhado, só por ser de esquerda. Sei que tem muitas pessoas fazendo isso, e na minha opinião elas estão erradas.

Acontece que uma situação como essa me faz pensar em como são as coisas... 

Lógico que devemos guardar as devidas proporções, um monte de socos não se compara com um ovo arremessado. Mas, ambos têm algo em comum: são atos de violência sim, ações de grande falta de respeito e covardes, gestos que são repreensíveis e que não devem ser tolerados em uma sociedade de bem. Se por um lado dar um soco em uma professora seja algo errado... jogar ovo em uma pessoa, mesmo sendo um político, é algo errado também.

Não é o que ela pensa... como escreveu alguns dias antes de ser agredida.


Ou seja: parece que para a professora Marcia, não há problema em agredir alguém que seja de orientação política diferente da sua. Na cabeça dela, há situações em que a agressão física é justificada, é a resposta. Além disso, veja que ela se refere à ovada como agressão física em um primeiro momento, algo que depois ela veio dizer que não é bem assim... Afinal de contas, o post acima foi antes dela ser também vítima de agressão física.

Eu gostaria muito que ela viesse aqui no meu site para se explicar. Sério, eu acredito que seria muito interessante e educativo. Pois eu gostaria de entender como que ela se sente, ao ser vítima de uma agressão, quando em suas postagens ela incita agressão contra pessoas que pensam diferente, que possuem uma afinidade política diferente da esquerda. Mais uma vez, repito que não estou dizendo que ela mereceu ser espancada, reitero que é absurdo um tipo de violência assim. Mas eu fico curioso pra saber com que moral ela hoje faz um desabafo sobre algo que ela aparentemente aprova... desde que seja com os outros, é claro.

Vamos então começar aqui com algumas perguntas que eu gostaria de fazer pra ela. Eu vi uma entrevista da professora para uma rádio, em que ela diz que não considera que jogar ovo no Bolsonaro seja violência, não é agressão (mudou de idéia rapidinho, em relação ao post de menos de uma semana antes). É na verdade uma revolução... E quando o radialista perguntou se alguém jogasse um ovo nela, a digníssima professora disse que ele estava "partindo para o lado da política" e o chamou de neo-nazista. E que em certas situações pode jogar ovo sim.

Vai aqui o vídeo com a entrevista, vale a pena.


A primeira pergunta que eu faço é a seguinte, professora Marcia: se então existem situações onde pode jogar ovo, será que posso comprar uma dúzia e tacar na cara desse aí de baixo?


Provavelmente para a senhora isso seria violência, seria uma agressão, certo? Se alguém jogasse ovo na Dilma, na Gleisy Hoffman, na Jandira, no Lindbergh, talvez você venha dizer que isso é inaceitável, que não pode, que estão querendo calar a oposição, que são nazistas contrários à democracia. Não vai falar de revolução, não vai dizer que é um direito ou liberdade de expressão.

Mas, jogar ovo no Bolsonaro, a senhora aprova. Ou fazer "ovo ao alvo" com o Dória também, como a senhora mesmo comentou, com essas exatas palavras.


Ah, professora Marcia, eu sei que a senhora removeu todas as suas postagens anteriores ou colocou algum tipo de bloqueio no seu Facebook. Afinal de contas, penso que neste momento não seja de seu interesse compartilhar livremente a sua opinião a respeito de jogar ovos em seus desafetos, ou mesmo coisas piores. Acontece que existe uma coisa chamada printscreen que é implacável. Caiu na rede, já era... Não adianta querer esconder agora.

Então, vendo essas suas postagens, me explica como que a senhora vem acusar os outros de estarem partindo para o lado da política, se aprova uma agressão como jogar ovos (como a senhora mesmo disse) contra pessoas contrárias à sua opinião política?


Esse é um dos grandes problemas dos radicais extremistas que existem dos dois lados, mas que visivelmente são mais comuns na esquerda, talvez até por conta de alguns dos ideais socialistas. É aquela postura de não condenar o ato em si, mas apenas quando é praticado por alguns. É achar que dar ovada no Bolsonaro, no Dória ou no Aécio é uma lindeza, é revolução, é algo a ser aplaudido; mas dar ovada no Lula ou na Dilma, é inaceitável, é errado, tem que ser punido. Mesmo peso e duas medidas.

Vou trazer aqui um exemplo, minha cara professora Marcia. Novamente, vamos guardar as proporções, em nenhum momento estou menosprezando a agressão que a senhora sofreu. Mas, por um momento vamos enxergar isso que aconteceu como um ato de desrespeito de um aluno ao seu professor. Vamos concordar que foi sim uma grande falta de respeito que esse aluno teve, desde o momento em que não obedeceu a sua autoridade em sala de aula. Diante de uma situação dessas, solidariedade para a senhora, todo mundo vai dizer que é errado o que ele fez, como eu também disse.

Agora... vamos lembrar de um acontecimento há cerca de um ano. Ocorreu na Unicamp, onde um professor estava dando sua aula, quando alguns alunos, membros daqueles movimentos que queriam ocupar a faculdade, invadiram a sua aula, e chegou ao ponto de um deles ir ali e apagar o que ele estava escrevendo. O professor ia lá de novo, escrevendo sua equação, e o aluno lá paradinho, esperando ele terminar, pra apagar outra vez...


Me diga, professora Marcia, o que a senhora acha disso? Na minha opinião esse é um tipo de agressão também. Pode não ser um soco, mas é uma grande falta de respeito com o professor que está lecionando, e também com a turma que está assistindo a aula e querendo aprender. Outra situação de falta de respeito com um professor...

Mas, será que pra senhora uma situação dessas é inaceitável? Ou, por serem alunos que estavam ali sendo motivados por partidos de esquerda e pela UNE, impedindo uma aula durante a greve, a senhora vai aplaudir essa agressão?

Honestamente, eu acho que pessoas que têm esse tipo de postura não tem nenhuma moral para dizer nada. Assim, elas perdem a razão. Como as pessoas que dizem lutar contra o preconceito, promovendo mais preconceito. O cara se diz contra o racismo mas acha que branco precisa apanhar só porque é branco, a feminista se diz contra o machismo, mas em vez de promover a igualdade ela luta para que as mulheres prevaleçam sobre os homens. E é a mesma coisa com você, professora Marcia. Ninguém aqui está levando para o lado político, na verdade as postagens que a senhora costumava compartilhar e que agora as escondeu mostram que no seu caso sim, muita coisa é baseada no lado político, quando a senhora se diz contrária às agressões físicas, mas aplaude o uso da violência contra aqueles que a senhora considera como inimigos.

Vide essa sua outra postagem...


Me explique isso, professora Marcia... Então a senhora acha que "um pouco de violência é melhor que a passividade perniciosa", e que podem contar contigo "pra partir pra porrada, porque tem muita gente merecendo um olho roxo". Tudo isso umas duas semanas antes da senhora sofrer um pouco de violência, levar porrada e ficar com olho roxo...

Não estou defendendo o que aconteceu com a senhora, digo isso mais uma vez... Mas entendo o fato de muitas pessoas estarem dizendo que foi bem-feito você ter sido agredida. Não é justificável, mas acho algo compreensível quando as pessoas se dão conta de que você promove coisas como nesta postagem acima.

Pra você ver... Percebi muitas pessoas que no início se sensibilizaram com a senhora, acharam um absurdo o ocorrido. Mas, que quando descobriram que a senhora incita a violência, que a senhora se coloca à disposição pra partir pra porrada porque muita gente merece olho roxo... Essas pessoas deixaram de ter pena da senhora, toda a solidariedade foi por água abaixo. Admito e reconheço que parte dessas pessoas mudaram de opinião por motivação política ao saberem que você é de esquerda, não nego isso; mas outras pessoas, talvez até algumas simpatizantes da esquerda também, mudaram de opinião por não aceitarem a sua hipocrisia, condenando apenas a violência que a senhora sofreu mas incitando violência contra os outros.

Hipocrisia que domina o discurso de pessoas extremistas, exatamente como a senhora. Faço questão de mostrar essa outra postagem sua, em que comemora a condenação do Bolsonaro naquele caso com a Maria do Rosário.


Veja bem, como ela comemora a "vitória das mulheres", em uma acusação que na minha opinião é muito infundada, pois não entendo que o Bolsonaro tenha incitado estupro. Mas, deixaremos essa questão de lado, professora Marcia, pois já está muito claro o que a senhora pensa a respeito dele.

Mas faremos o seguinte, vamos focar em outras coisas correlatas. Vamos aqui relembrar uma outra postagem, feita por um colega de profissão da senhora. Trata-se do professor de filosofia da UFRRJ Paulo Ghiraldelli, que na virada de 2013 para 2014 fez não uma, mas duas postagens em que desejava que a apresentadora de telejornal do SBT Rachel Sheherazade fosse estuprada.


Rápido parênteses: o professor logo negou na época, disse que tinham hackeado a sua conta, contou toda uma historinha triste, pediu desculpas e etc. Mas diversas outras postagens dele (como você pode ver aqui nessa matéria) mostram que ou ele tem um pensamento esquerdista-extremista e deseja sim o pior para os que pensam diferente dele, ou é uma ingênua vítima constante de hackers...

Mas vamos lá, professora Marcia. Esse caso aí tem mais de três de anos, e durante todo esse tempo não me recordo de nenhum comentário indignado da deputada Maria do Rosário, mesmo o professor tendo postado algo que indiscutivelmente incita o estupro. Por que será que a Maria do Rosário nunca disse nada? Por que não condená-lo por incitar estupro? Será que nesse caso não tem problema? Será que na cabeça da digníssima deputada a Rachel Sheherazade merecia mesmo ser estuprada?

E pergunto para a senhora, professora Marcia, o que a senhora opina a respeito de um professor universitário, que se diz defensor das mulheres, escrever algo como isso? Pode me explicar?

Vou mais longe ainda, minha cara professora Marcia. Na época em que ocorreu essa suposta agressão do Bolsonaro, ele estava defendendo a redução da maioridade penal, após um caso que chocou o país, em que o crápula do Champinha e seu bando mataram um casal de adolescentes no interior de SP, sendo que a menina foi violentamente estuprada por dias por esse marginal, que na época era "di menor". Uma redução de maioridade penal que Maria do Rosário nunca foi favorável. E muito pelo contrário, ela sempre defendendo que esses menores fossem punidos segundo o que diz o Estatuto da Criança e Adolescente (o ECA), em que as penas são brandas, todo mundo passa a mão na cabeça do "coitadinho" e ao completar 18 anos o "di menor" fica livre e com a ficha limpa.


Diga-me a sua opinião a respeito, professora Marcia. Acha correto que um marginal tenha estuprado e matado uma menina, e aos completar 18 anos fica com a ficha limpa? Acha isso certo? A Maria do Rosário, que você aplaude, pensa assim.

E digo mais ainda: e como vamos olhar para esse caso do menor que agrediu a senhora? Preso, ele não pode ser, só pode ser detido. Não podemos dizer que ele a agrediu, ele cometeu um ato infracional semelhante à violência física. Atingindo a maioridade, esse episódio será apagado de seu histórico, será como se a senhora nunca tivesse sido agredida. Como disseram na época do Champinha, esse seu aluno é um menor que não tem consciência dos seus atos, que não pode ser responsabilizado por eles.

Sinceramente... Penso que diante de uma situação dessas, pessoas como a Maria do Rosário devem entrar em parafuso. Imagina só a dúvida, como é que vai defender um "di menor" quando este agride uma mulher e ainda por cima simpatizante da esquerda? De que lado essas pessoas vão ficar?

Ah, já sei... É só dizer que o aluno é fã do Bolsonaro... Aí então tudo bem, ele vira o demônio, e a turminha do ECA e dos Direitos Humanos vai esquecer toda essa peninha que eles têm dos menores infratores...


Esse é o ponto que eu comento aqui, minha cara professora Marcia. Não devemos aqui aplaudir esse tipo de violência. Estão errados aqueles que estão agora rindo da sua cara e adorando o fato de você ter sido agredida; mas a senhora também está errada ao incitar a violência e a agressão, como as suas postagens mostram bem. Pense nisso.

E não adianta vir aqui com o mesmo papo que você teve na entrevista para a rádio gaúcha, aquela história de "antes de tudo sou uma cidadã brasileira, e tenho direito à expressar a minha opinião". A senhora pode dizer isso a partir do momento em que respeite outros cidadãos que também têm direito à liberdade de opinião e pensam diferente da senhora. Não duvido que se a senhora vier aqui no meu site, onde expresso a minha opinião, vai ler muita coisa que não concorda, considerando que a senhora indiscutivelmente tem uma orientação política de extrema esquerda, vide as suas postagens. E não ficaria surpreso de que a senhora me agredisse aqui com palavras, me xingando de um monte de coisas, promovendo uma agressão contra a minha pessoa motivada pelo ódio resultante de eu não pensar como a senhora.

Todo um ódio que incita atos violentos como o que a senhora sofreu, e que eu condeno, acredite ou não.


E sobre a liberdade de expressão, ninguém aqui está dizendo que a senhora não possa pensar e escrever o que quiser. Todos têm esse direito... Bem, todos que vivem em uma nação livre, diferente da Venezuela (aliás outro tema sobre o qual adoraria escutar sua opinião). Não tem problema nenhum que você seja de esquerda, que tenha ódio dos "coxinhas", que ame o Lula e por aí vai. A senhora é livre pra escrever o que quiser na sua rede social... apesar de, após a repercussão deste caso ter preferido apagar ou esconder postagens comprometedoras, que atestam as suas opiniões, para talvez não deixar evidente o que a senhora pensa sobre a violência. E lembro que não cabe dizer que é censura, que você foi impedida de expressar a sua opinião... A senhora removeu as postagens porque quis.

Acontece que a liberdade de expressão tem sim alguns limites. Existem certas, digamos... "regras" de convívio, boas práticas de convivência em sociedade, que definem condições onde deve haver um certo limite à liberdade de expressão. E pra deixar bem claro, isso não é censura.

Cito o exemplo dos pichadores. Há quem diga que seus piches são arte, e que deve ser garantida a sua liberdade de expressão...


Mas, me diga, professora Marcia: a senhora gostaria que alguém pichasse o muro de sua casa? Certamente não. Em um momento como esse não acredito que a senhora iria tolerar algo como o que picharam no muro acima, defendendo a liberdade de expressão do pichador. Principalmente se ele estivesse escrito um monte de palavrões ou desenhado órgãos genitais...

Existem limites, né? Mesma coisa na sua sala de aula, professora: será que tá tranquilo se um aluno se levantar e interromper a sua aula para falar sobre o que ele quer? Será que neste momento ele, antes de ser um aluno, será um cidadão brasileiro com direito a ter a sua opinião e expressá-la?

Apenas digo isso, professora Marcia, pois eu fico pensando em como devem ser as aulas da senhora. A sua liberdade de opinião e de expressão são garantidas, ninguém aqui está dizendo o contrário. Se a senhora quer defender a agressão contra os "coxinhas" em sua rede social, é direito seu.

Acontece que em sala de aula, temos uma situação dessas com limites, professora. Em um lugar como esse, existem opiniões que não devem ser expressadas. E não falo nem de sua posição política, embora eu particularmente penso que política e ensino não devem se misturar, algo que eu tenho a certeza que a senhora não concorda (a não ser que o professor tenha um discurso pró-direita ou anti-esquerda, aí certamente não pode). Me refiro ao seu discurso de violência, de dizer que algumas pessoas merecem um olho roxo. Na minha cabeça, esse tipo de conduta em prol da violência e da agressividade não combina com o que se espera de um profissional do ensino. A não ser que seja um professor de judô ou jiu-jitsu.


Me pergunto se esse é o tipo de opinião que você expressa livremente em sua sala de aula... Se sim, aí sinceramente não estaria surpreso que um aluno a tenha espancado...

Torno a repetir: não estou aqui aplaudindo a agressão que ela sofreu. Mas eu acho que seria bom para toda a sociedade se as pessoas começassem a agir de uma forma diferente do que a professora Marcia Friggi, que tolera e até mesmo incentiva atos violentos e agressivos, quando praticados contra determinados grupos que pensam de forma diferente. Seria muito melhor se as pessoas seguissem aquela frase que muitos consideram bobinha, mas que retrata um pensamento mais correto e mais sensato:

"Não deseje para os outros aquilo que você não gostaria que acontecesse com você."

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Pense Bem

Você se lembra de seu primeiro computador? Algo que hoje é tão trivial e todo mundo tem, lá nos anos 80 e 90 era bem mais difícil de se ter. Sequer existia ainda o Windows, não tinha nada de duplo clique ou internet, computadores eram vistos como aqueles apetrechos de difícil acesso, algo que apenas a NASA teria. Tá bom, posso ter exagerado... Mas era como a criançada da época via, grandes caixas cheias de luzes piscantes e que podiam fazer qualquer coisa.

Ter um computador caseiro nessa época era meio complicado. Além de caros, eles não tinham assim tantos recursos como hoje em dia que justificassem seu uso em um lar, era algo restrito mesmo ao trabalho. Junto com a chegada do Atari nos anos 80, começaram a aparecer alguns computadores caseiros, de ligar naquela caixinha na TV, mas que eram bem limitados. Faz você pensar como que a informática avançou tanto em algumas poucas décadas, imaginar que lá nos primórdios esses computadores pessoais tinham memória de 48 kbytes e que dependiam de uma fita cassete para gravar um programa tosquinho depois de horas digitando linhas de programação, e hoje temos celulares com capacidade centenas de milhares de vezes maior que cabem no seu bolso e fazem miséria...


Enfim, mas chega dessa introdução, pois aqui a idéia é lembrar daquele que foi de fato o meu primeiro computador, embora não passasse de uma diversão eletrônica. Antes de ter aqui meu PC, lá quando era um pequeno texugo, eu tinha um Pense Bem.

A Tec Toy era a fabricante de brinquedos que nos trouxe o Master System, os mini-games e muitas outras diversões eletrônicas, e uma delas foi o Pense Bem. Acho que foi outro dos brinquedos de um de meus Natais, e que me encantou muito pois eu já tinha um certo interesse por computadores. Confesso que não sei mais onde está o meu, não sei se está guardado ou se ele pifou e já foi desta para melhor...

Vamos explicar como ele era então. Bom, ele tinha realmente o visual de um computador, mas naquele estilo quase como o jurássico Apple II, em que tudo era um conjuntão com teclado e monitor. Logicamente que o Pense Bem era mais modesto, trazendo um teclado mais limitado, composto por uma carreira de botões amarelos que vou explicar mais adiante, outra com números, botões azuis com as quatro operações aritméticas fundamentais e quatro botões grandes e coloridos, além das teclas de ligar, desligar, um botão "livro" e a manjada tecla Enter. Faz você pensar como lá atrás não teve a frescura de aportuguesar a tecla como Entra, que ficaria muito escroto.


Seu monitor por sua vez era na verdade um visor daqueles tipo uma calculadora. com sete dígitos. O motivo pelo qual colocaram um número ímpar como sete, permanece para mim um mistério. E a "impressora" ao lado era apenas decorativa, um detalhe no plástico de sua estrutura. Parece aquelas que tem nos caixas eletrônicos de banco.

Pra fazer o bichinho funcionar, era complicado. Ele precisava de seis pilhas médias, aquelas de tamanho C. Pilhas essas que começavam a ficar cada vez mais raras no mercado, perdendo espaço para as pilhas AA e AAA, mais práticas para equipamentos portáteis. Era guloso esse Pense Bem, mas a Tec Toy bolou uma forma legal de contornar isso, pois ele funcionava também na energia elétrica, por meio de um adaptador AC. Claro que esse adaptador não era incluído na caixa original, e você tinha que convencer os seus pais a comprar um, provavelmente usando como desculpa uma futura economia de pilhas fundamentada em uma boa-prática ecológica. Digo que meus pais não pensaram duas vezes, e vendo o quanto eu jogava no Pense Bem, logo viram vantagem em arrumar um adaptador de força.


No final das contas, o Pense Bem estava mais para calculadora do que computador. Ou melhor, um pequeno videogame baseado em uma calculadora. Os jogos se dividiam em dois grupos, aqueles que já vinham embutidos nele e os livros de atividades. Vamos falar deles um pouco pra lembrar como era.

Começando com os jogos padrão, os cinco primeiros eram de matemática bem simples, em que você devia dar a resposta para dez contas, baseadas na operação matemática escolhida no jogo. Na quinta modalidade chamada "aritmética", cada questão apresentava uma operação aleatória. Era só digitar o número e apertar Enter, acertando a resposta o Pense Bem tocava ma musiquinha feliz e ia pra próxima; errando, vinha o som meio apreensivo e você tentava de novo, e se errasse três vezes danou-se, questão perdida. Era apresentado o resultado correto e ia pra próxima.


Um outro jogo matemático, que eu particularmente gostava muito, era chamado "operação". Nele, o Pense Bem apresentava dois números e uma resposta, e você tinha que usar as teclas azuis para identificar a operação correta. Por exemplo, se ele mostrasse algo como "7 ? 5 = 35" era necessário escolher o sinal de multiplicação. Mesmo esquema, com dez questões com operações aleatórias, com três chances para acertar em cada uma.

Os dois jogos seguintes eram musicais, que eu não curtia muito. O primeiro, "Siga-me", era na verdade algo como o Genius, onde o programa tocava uma nota e você tinha que tocar ela de novo, e a cada rodada ele acrescentava mais uma nota musical. E o segundo, "Memória de Tons" era apenas um gravador, onde você podia digitar uma sequência de sons para gerar uma música e depois tocá-la.

Não sei você, mas realmente eu não era muito chegado nesses jogos musicais. Matemática, tudo bem, isso tem a ver com computação; mas Dó-Ré-Mi, não rola.


Por fim, os dois últimos jogos também eram numéricos, mas um pouco mais elaborados. O "Número do Meio" era algo como encontrar a média, eram mostrados dois números e você tinha que digitar aquele que vinha exatamente entre os dois. E em "Adivinhe o Número", você precisava adivinhar o número (dããã...), após dar uma tentativa o Pense Bem dizia entre que números estava. Confesso que não me lembro bem desse aqui...

A maioria dos jogos tinha um sistema de pontuação de zero a cem, que era mostrada no final. Mas não tinha nada como um placar, onde você poderia ver os seus resultados anteriores. Pensando bem (com trocadilho, por favor), eram jogos tão simples que com o passar do tempo alguém bom de matemática conseguiria atingir a pontuação máxima sem muitas dificuldades.

Bom em matemática ou que trapaceasse com uma calculadora do lado! Algo muito deprimente pra se fazer, considerando a facilidade das questões, e que só mesmo um lesado iria apelar pra isso.


Pra complementar esses jogos básicos que vinham no Pense Bem, a Tec Toy bolou também os livros, um deles já vinha com o brinquedo, mas outros deviam ser comprados separadamente. Cada livro era na verdade algo como um caderno de múltipla escolha, dividido em cinco capítulos com 30 questões cada um. Pra jogar, você tinha que digitar um código de três dígitos correspondente ao livro e seu capítulo, e aí começavam as perguntas. Além dos cinco capítulos padrão, você podia tentar o sexto capítulo, que na verdade era uma revisão com questões aleatórias de todos os anteriores.


Iniciado o capítulo, era então ficar com o livro ali do lado junto com o Pense Bem. Pra cada questão, era indicado o seu número e você tinha que escolher uma das quatro opções indicadas no livreto, associadas a cada um dos quatro botões coloridos. Acertando, você ia pra próxima; errando, tentava mais uma vez, até um máximo de três tentativas (afinal de contas, numa questão de quatro opções, após errar três fica bem evidente qual era a resposta correta). Assim você ia e no final recebia a sua pontuação, podendo ir para o próximo capítulo.

Os livros eram de temas variados... alguns eram focados em matérias escolares como história ou geografia, e tinham aqueles que eram tipo uma história baseada em personagens clássicos, como a Turma da Mônica, o Pato Donald, a Família Dinossauros e outros. Tinham até alguns baseados em personagens de videogame, como Sonic e Street Fighter. Afinal de contas, a Tec Toy estava muito relacionada com os jogos da Sega na época, nada mais natural que aproveitar seus personagens nos livrinhos.


É legal dizer que na prática o código do livro era o que definia quais eram as questões certas, algo como se já houvesse na memória do Pense Bem a sequência de respostas corretas pra cada questão de um determinado livro. Assim, mesmo que você não tivesse o livro, poderia inventar um código qualquer (lembrando que os dois primeiros dígitos indicam o livro e o terceiro seu capítulo), e com isso até mesmo criar um livro seu.

Digo isso pois eu me lembro que certa vez eu tentei criar um livrinho do Pense Bem. Chutei um número qualquer nele, e saí testando as respostas, só pra descobrir qual letra era a certa, criando assim uma lista de todas as questões e suas respectivas opções corretas. Aí, era só deixar a imaginação rolar, bolar uma pergunta, pensar em três respostas erradas pra completar e distribuí-las entre as quatro letras, apenas tomando o cuidado de associar a resposta certa à opção correta do Pense Bem.


Isso mesmo, quando a grana é curta e eu já estava ficando enjoado dos mesmos livros que eu tinha, a criatividade trazia boas idéias. E penso hoje como eu era meio bobo, pois não tinha muitos amigos com Pense Bem e eu acabei jogando esse livro que criei eu mesmo. Sem noção, afinal de contas faria muito mais sentido eu criar um livrinho para que outras pessoas tentassem responder...

Tentei me lembrar que quais livros eu tinha... Me lembro que havia um de História e outro de Geografia. Também tive esse aí de cima, que era do Senninha, e o da Família Dinossauros. Acho que tive algum também da Disney, não em lembro qual.

Foi um brinquedo que foi bem aproveitado, isso posso dizer. Pode parecer papo de caxias, mas na época parecia que eu estava mais interessado em brincadeiras mais educativas, que faziam pensar. Sempre tive um certo gosto pela matemática, e como o Pense Bem tinha muitos jogos focados nessa matéria, era realmente algo legal até para aprender. Talvez um dos poucos brinquedos que eu podia brincar antes das provas, pois servia até como estudo.

Uma curiosidade que eu nem me lembrava: alguns anos mais tarde a Tec Toy lançou uma versão melhorada do original, chamada Pense Bem Multi. Não me lembro como ele era pois não tive esse, e sequer achei muitas referências dele na Internet, assim se algum visitante teve, fique à vontade para colocar nos comentários as suas impressões.


A única coisa que já dava pra perceber é que ele era mais perto de um computador, trazendo teclado mais completo com as letras, ganhando uma tela de LCD e aparentemente era compatível com os livros do Pense Bem original. Fico imaginando o tipo de jogos que vinham nele, certamente mais sofisticados que no original.

Além disso, cabe ressaltar que em versões do Master System e do Mega Drive lançadas aqui no Brasil incluíram na memória uma adaptação dos livros do Pense Bem, feita por uma empresa brasileira chamada Devworks. No final das contas, apenas reproduzindo um jogo de perguntas de múltipla escolha, mas que acertou ao resgatar a referência ao computador de brinquedo de anos antes, incluindo as teclas coloridas.


Realmente este foi um brinquedo bem interessante, e que talvez sobreviveria ao tempo, devido ao seu perfil mais educativo. Acontece que hoje em dia, competindo com os tablets e telefones, o Pense Bem certamente não teria muitas chances...

...

Ou será que teria?

Parece que alguém lá na Tec Toy (que ainda resiste) acredita que sim. Pois recentemente a empresa anunciou o relançamento do velho brinquedo, exatamente igual ao original de nossa infância. Sairá por 300 reais, o que pode ser um pouco salgado para uma calculadora vitaminada. Mas que sem dúvida vai agradar aos saudosistas, imagino muita gente na casa dos 30 e 40 que vai desembolsar essa graninha pra reviver as lembranças de uma época mais simples, em que a informática engatinhava aqui no Brasil. Até mesmo penso que a criançada de hoje pode se interessar, pra variar um pouco em relação aos celulares modernos, trazendo brincadeiras mais educativas e saudáveis.

Vamos ver como serão as vendas do Pense Bem, que logo chega aos seus 30 anos de idade.

E só mais um comentário: pode parecer que essa postagem aqui surgiu depois desse anúncio de seu relançamento. Mas verdade seja dita, eu já tinha terminado esse texto lá no final de abril, e estava com ele guardado aqui, esperando uma boa oportunidade pra colocar no ar. Veio então um belo dia semana passada e vi que iam relançar o Pense Bem, e ficou claro que era o momento, só precisei dar essa acrescentada aqui. Pra comprovar que não estou de ondinha, tirei um print da minha página de rascunhos pra mostrar a data, logicamente escondendo os títulos dos outros posts, pra não estragar a surpresa...