sábado, 11 de novembro de 2017

Coisa de p...

Vamos lá pra mais um assunto polêmico... um assunto que eu já comentei aqui várias vezes, é uma das coisas que me faz pensar e muito sobre como é a sociedade, ainda mais nos dias de hoje. Estamos sujeitos a uma polícia da "moral e bons costumes", que fica em cima de qualquer coisa que possa ser dita que seja considerada politicamente correta, e aí o responsável por tal ato passa a ser esquartejado na boca do povo. 


Mas, logicamente que essa vigilância só vale para alguns e para certos casos...

O caso foi o seguinte: recentemente, colocaram no ar um vídeo em que o repórter William Waack da Globo estava se preparando para entrevistar um sujeito, ali em frente da Casa Branca. No fundo, um estridente som de buzinas, o que levou o repórter a resmungar, dizendo "tá buzinando por que, seu merda do cacete?". E complementa com "deve ser um... não vou nem falar, porque eu sei quem é...". Baixinho, ele então se aproxima do entrevistado, dizendo "é preto, é coisa de preto".

Pronto. Fudeu.


O vídeo foi gravado por um dos operadores de TV, ex-funcionário da Globo, e aparentemente o episódio ocorreu há mais ou menos um ano. O vídeo caiu nas redes sociais e então o mundo veio abaixo, pedindo a cabeça do jornalista. A emissora se prontificou a afastá-lo de todos os seus programas, e o povo começou a pedir a demissão dele, e assim por diante. Grupos e personalidades que defendem os negros e combatem a injustiça racial (supostamente, pois só ligam pra injustiça quando é contra o negro) rasgaram críticas ao sujeito, como é comum de se ver em um episódio desses.

Vamos lá, pra mais uma das minhas opiniões polêmicas...

Não custa repetir o que eu sempre digo nessas situações. Racismo é errado. Preconceito racial é errado. Em todas as suas formas. Agir de forma pejorativa, preconceituosa, discriminatória e ofensiva com alguém só por conta de sua raça, sexo, idade, religião, orientação política, país de origem, lugar onde mora, time de futebol... não é legal. Independente de quem seja a vítima. Para deixar bem claro aqui, antes que venham a dizer besteira a meu respeito.

Mas... eu sempre acho muito interessante como que certos grupos sociais se apoderam da palavra "preconceito". Como é o caso dos negros, muitos deles insistem com um discurso de que racismo só é racismo quando é contra eles. Outros tipos de preconceito racial são minimizados, ou até mesmo totalmente ignorados. Uma postura que eu acho errada, é aquilo que eu costumo dizer: é o preconceito com o preconceito.

Chamar um negro de preto, macaco ou crioulo, por exemplo, é racismo; chamar um branco de Galak, leite azedo ou desbotado... ah, aí não é racismo... não tem problema.


Não estou dizendo que o William Waack está certo. Não é a postura que se espera de um profissional que está ali para dar notícias e informar a população. Na verdade, não é a postura que ninguém deve ter, de ser preconceituoso assim de graça. O cara que tava buzinando, poderia ser branco... como também poderia ser negro. E daí? Admito que era um filho da puta de um chato, ficar ali buzinando só pra incomodar os outros. Mas chato, sinceramente, tem de todas as cores. Assumir que o baderneiro era negro, não tem nada a ver...

Acontece que eu trago esse tema aqui para ver como que a sociedade é realmente muito parcial. Saiu o vídeo comprovando racismo, e o que acontece? Em menos de 24 horas, a Globo já o afasta, para não manchar a sua imagem; milhares de pessoas começam a escrever textão no "Feice" pra criticar o racismo; personalidades negras promovem um enaltecimento da raça, dando bons exemplos de "coisas de preto". É o politicamente correto se exaltando, é a justiça das redes sociais ceifando o pescoço do transgressor de forma implacável e imperdoável

Tudo bem... mas convenhamos, o politicamente correto parece só se interessar por certas causas. Ou em criticar certas pessoas. Repito, a postura do William Waack foi errada... mas eu acho que a reação foi muito exagerada.


Nesse momento, provavelmente já vão aparecer pessoas pedindo o meu pescoço também. Afinal de contas, a polícia politicamente correta não perdoa, se você não se portar 100% como eles dizem, já era, você é a escória da humanidade. Vão aparecer aqui negros me xingando de racista, pelo simples fato de eu ter dito que a reação foi exagerada... talvez para eles nenhuma reação é exagerada quando é para defender os negros. Mas não vejo a mesma postura quando é contra outras pessoas. Até mesmo contra outros negros também, mas que não seguem a mesma orientação política deles.

Por exemplo, acredito que muitos de vocês sabem quem é o Fernando Holiday. Ele é um vereador eleito democraticamente em São Paulo, e que se inclui em dois grupos que são considerados como vítimas pela onda politicamente correta: ele é negro e também homossexual. Seria mais que suficiente para que ele recebesse a benção dos defensores da justiça social. Afinal de contas, olha só como que fica bonito, dizer que ele é um vereador negro e homossexual! É a historinha perfeita na cabeça de um politicamente correto esquerdopata.


Mas... o cara é de direita. E faz parte daquele MBL...

Aí então a mesma turminha da Globo, os mesmos socialistas do Leblon e toda essa galerinha que tem "consciência social" que pediu a cabeça do William Waack, fica caladinha quando o Fernando Holiday é vítima de alguma ofensa racista. Aliás, não apenas ficam de bico fechado, mas até mesmo promovem e incentivam a agressão contra ele. Pois, na cabeça bipolar da esquerda, o negro por definição deve ser de esquerda.


Por exemplo, aquele "cantor" de rock Tico Santa Cruz, o chamou de "capitão do mato", termo usado para indicar os negros que perseguiam os escravos. Petistas têm o costume de chamá-lo de "preto de alma branca". Dá pra citar o Joaquim Barbosa, lembra como chamaram ele de "macaco"?

E, diante dessas ofensas racistas, ao meu ver equivalentes ao "é coisa de preto" do William Waack, sabe qual foi a reação da sociedade politicamente correta?


Isso aí, silêncio total. Não veio a banda do Tico Santa Cruz expulsar ele, não vieram milhares de negros pedir o boicote a ele, não apareceu o Lázaro Ramos escrevendo textão em defesa dos negros.

Por que será?

É por isso que eu sinceramente acho um grande exagero nessa história toda. A reação explosiva, ao meu ver, só se deu pelo fato de que era um repórter da Globo fazendo um comentário preconceituoso. Afinal de contas, na cabeça do politicamente correto de esquerda, a Globo sempre será golpista, por mais que ela seja sempre solidária ao PT e à causa esquerdista. Se os defensores dos negros tivessem a mesma postura diante de qualquer situação, independente de quem seja a vítima e quem seja o opressor, teriam um pouco mais de credibilidade. Dessa forma, apenas mostram que o que torna uma atitude correta ou não é quem ou contra quem é praticada, e não a atitude em si.

Por exemplo, veja a opinião que Lula, o homem "mais honesto" do Brasil, tem a respeito da cidade de Pelotas:


Pois é... Estou esperando até agora os homossexuais criticarem o sujeito...

Mas isso nunca vai acontecer... Lula é o exemplo máximo de que quando você é de esquerda, tudo pode, até mesmo ser racista e preconceituoso. Pode dizer que Pelotas exporta viado, pode zoar com Maricá e dizer que quem vai pra lá tem "alma de pobre", pode perguntar onde estão as mulheres de "grelo duro". Ostentar uma estrelinha vermelha no peito, vestir uma camisa do Che Guevara ou tremular uma bandeira com o martelo e a foice são total e irrestrito direito de falar o que quiser.

Se o William Waack tivesse clamado um "Fora Temer", seria automaticamente perdoado pela sociedade, essa é a verdade...

Termino aqui jogando uma pergunta no ar: se esse vídeo foi gravado há um ano, por que está aparecendo só agora? Em 2016 já existia Facebook e Twitter, e já existia militância pela defesa do negro. Dizer que só agora repercutiu, é impossível. O próprio operador de TV que gravou a cena diz que teoricamente compartilhou esse vídeo com movimentos negros e com a mídia, mas na ocasião ninguém se interessou...

Na boa, tá muito mal contada essa história. Ainda mais vendo que pelo menos um deles sabemos que é ex-funcionário da Globo. Divulgar só agora, por quê? Só agora o comentário dele pode ser considerado racista? Ou será que na época eles não queriam prejudicar a mão que assinava o seus contra-cheques?

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O Sobrevivente - Parte 5

Finalmente estamos chegando ao fim desse filme épico! Bom, "épico" talvez seja uma palavra muito forte, mas sem sombra de dúvida O Sobrevivente foi uma produção interessante e marcante na sua época, com sua visão apocalíptica do futuro e do domínio da televisão sobre as vidas das pessoas. E também teve o seu destaque por figurar na era de ouro do Arnold Schwarzenegger, com aqueles montes de filmes de ação e violência gratuita formadores de caráter, antes dele enveredar para aquelas comédias tosquinhas.


No último capítulo, que você pode ver aqui, Richards anotou mais uma morte pra sua lista, após fazer churrasquinho com Fireball. O pior de tudo é que as pessoas já estavam começando a torcer por ele, lá na rua todo mundo vibrando com o negão em chamas, em especial o sujeito que havia feito uma aposta 100-1 de que o Arnoldão ia causar a próxima morte. 


Provavelmente esse carinha foi espancado e roubado pelos demais vagabundos, três segundos após receber sua grana.

Lá no camarim da emissora, de novo vem a voz da organizadora, convocando agora o Capitão Liberdade. Sério, imagina só a tensão do sujeito, era como um chamado para ir pro corredor da morte. Mas, afinal de contas... o bigodudo não estava aposentado?


E sei que estarei repetindo a piada... Mas puta merda! No futuro só tem brinco escroto, que parece ter saído da imaginação de uma criança de três anos.

Chegamos então na sala de controle, onde o Gugu está perplexo. Apesar de estar explodindo na audiência, ele já fazia as contas de quanto ia ter que pagar de pensão para as famílias de todos os Sorrateiros mortos. Janete está ali com cara de paisagem, a mocinha ali da frente lamentando o racismo com a morte de um negro, a bichona ali atrás pensando na manicure e o Zangief querendo sugerir que alguém mudasse de canal e colocasse no desenho do Pernalonga.


Eis que a porta se abre e aparece o Capitão Liberdade, vestindo um aparelho de ar condicionado, dizendo um sonoro "vai se fuder" e que não iria pro jogo vestido como se fosse o mostruário das Casas Bahia.


O Gugu se emputece, dizendo que o Capitão ia obedecer sim. E que para passar uma maior credibilidade, ele deveria vestir uma armadura feita com trecos que acharam no ferro-velho, que era mais másculo que o colant azul que ele vestia no seu programa de aeróbica. Janete, por sua vez, se dá conta de que deveria ter tentado carreira de caixa nas Lojas Americanas, onde ia ver menos bizarrices no dia-a-dia.


Aí o Capitão começa um discurso inflamado, que usar armadura é coisa de viado, que no tempo dele não tinha isso, era um esporte de combate corpo-a-corpo, onde dois homens entravam e um saía vivo. E que ele seguia o Código dos Gladiadores (ui!), que não permitia que ele usasse qualquer tipo de armadura ou apetrecho para ajudar na luta, no máximo um cuecão de couro pra proteger seu parque de diversões. O Zangief fica só escutando, inconformado com toda essa esperneação, lá na União Soviética um reclamão como esse seria democraticamente mandado para a Sibéria.


O Gugu perde a paciência, ele só deixava o Silvio Santos falar grosso com ele. Ele então manda o Zangief botar aquele idiota pra fora.


O Zangief tá ali pouco se fudendo pra esses capitalistas nervosinhos. Assim, ele só olha pro Capitão Liberdade, pedindo pra ele ir embora numa boa, que depois pagava uma cerva pra ele. Ou talvez uma vodka.


Só que antes de sair, o Capitão Liberdade ainda é afrontado pelo maquiador bicha, que estava ali en-can-ta-da com o físico musculoso e rústico do Sorrateiro, imaginando-o besuntado de óleo de coco e de sunguinha amarela.


Voltando ao cenário do jogo, Richards e Amber prosseguem pelo quadrante seguinte, tentando encontrar o tal esconderijo secreto da Resistência. Realmente, era de se esperar que os inimigos da rede de televisão iam ter toda essa "audácia" de se esconder dentro do cenário do jogo.


Do nada, começam então a cair algumas grades que os prendem que nem ratos numa jaula. Fudeu, deve ser um outro Sorrateiro. O Arnoldo fica puto da vida, ainda mais pelo fato de que agora ele está trancafiado com aquela escrota que o fez ir preso.


Após mais uma troca repentina de cenário, voltamos para a central da TV. O Gugu não tem muita opção, a última tentativa era mandar o Capitão Liberdade pois ele estava aposentado, pois os outros Sorrateiros haviam pedido as contas e não queriam virar estatística nas mãos de um alucinado como Richards. Assim, ele decide apelar para um último truque na manga...


... que era usar imagens gravadas das lutas anteriores de Richards para gerar uma animação computadorizada e realista do Arnoldo, juntamente com algumas cenas antigas do Capitão Liberdade.  Aí só teriam que projetar essas imagens em cima de dois dublês, e pronto: teriam assim uma luta coreografada que eles poderiam controlar. Mostrando como nesses futuro os efeitos especiais se resumem a um copy-paste de vídeos...


Mais uma troca de cenário, e lá no quadrante aparece o Matusalém com dois de seus puxa-sacos, para dar boas vindas ao Richards, dizendo que estava de saco cheio de ficar salvando o pescoço anabolizado dele.


O Arnoldo solta o verbo, que teria sido melhor se eles tivessem levantando suas bundas enrugadas das cadeiras pra ir lá ajudar, mas Matusalém contesta, dizendo que se eles fizessem isso a rede de televisão iria descobrir seu clubinho escondido. Além disso, eles estavam mais preocupados em jogar adedanha e porrinha do que ficar se metendo em um jogo pseudo-erótico. Amber se mete na conversa, dizendo que tinha o código do satélite, assim eles poderiam fazer algo de útil, como derrubar a transmissão da ICS, ou ao menos tentar o sinal da MTV ou outra emissora.


Só que antes que ela possa ditar o código, todo mundo percebe na televisão o Gugu anunciando que os Sobreviventes estavam chegando na batalha final contra o Capitão Liberdade. Mas como, se eles estavam ali?


Lá na luta, em questão de cinco segundos o Capitão quebra o pescoço da "Amber", e depois a ergue que nem um saco de batatas. Não precisa dizer que tudo isso aqui é a encenação computadorizada que os caras da emissora fizeram, se você não se deu conta disso até agora, é muito desatento.


E a peleja continua, agora com o bigodinho brigando com o Richards de mentirinha, embora pareça mais que o Capitão Liberdade está querendo tirar fora umas melecas dele.


Pra dar uma valorizada na luta, o Arnoldo-clone começa então a dar umas porradas no Capitão. Afinal de contas, se ele só apanhasse de um professor de educação física aposentado com pinta de bundão, o público iria desconfiar da marmelada, como se fosse uma luta do Super Catch.


Mas aí o Capitão reage e dá uns golpes bem dados, mesmo que a foto abaixo dê a impressão que os dois estão dançando bêbados a mais nova música do Nego do Boréu.


O Capitão então decide dar fim à luta, pegando "Richards" e correndo com ele...


... na direção de uma grade cheia de espinhos que tinha ali num canto. É Mortal Kombat essa pôrra?


FATALITY!


A torcida vai ao delírio. Apesar de algumas pessoas estarem começando a simpatizar com Richards, parecia que o Capitão Liberdade tinha um fã-clube mais efusivo e empolgado. Bem, com um nome como esse e sabendo que americano é bem patriota, não é surpresa de que no final o defensor do Tio Sam ia ser preferido em relação a um sujeito com sotaque que lembrava um nazista.


No esconderijo da Resistência, Richards fica puto e dá um socão na mesa. Dá pra entender, tinham acabado com a reputação dele, ao fazê-lo perder para um escroto de academia que parecia um ator de filme pornô dos anos 70. Matusalém fica puto também, pois a sua mesa de estimação não tinha culpa disso pra ficar levando porrada de graça.


Na rede de televisão, a turma da Light & Magic está terminando o backup da sequência de luta que eles forjaram. Pena que eles não podiam enviar lá pra concorrer pro Oscar. A única pessoa decepcionada era Janete, pois o dublê havia sido morto sem necessidade, e ele era a sua carona pra casa. Mas o Gugu fala que no show business vale a lei da selva, e matar um dublê pra garantir a audiência e agradar o patrocinador era fichinha.


Mais uma troca de cena... e vemos que Richards está ainda furioso, de saco cheio daquela merda. Ele quer sangue, quer pegar um fuzil e sair lá no palco matando todo mundo, pra trucidar aquele Gugu filha da puta.


Matusalém pede pra ele se acalmar, que logo tudo ia terminar. Com o código, eles poderiam derrubar a transmissão e apresentar a verdade, enquanto um grupo de guerrilheiros liberados pelo Che Guevarinha ali do lado ia impedir que a rede colocasse o satélite reserva no ar.


Richards relaxa um pouco, mas diz que aquele plano era uma merda, confiar num monte de garotos comunistinhas de iPhone pra seguir com uma missão dessas era furada. Eles precisavam de um líder de verdade, com colhões, alguém que já tinha atirado com uma arma de verdade, e não apenas jogando Counter Strike, se oferecendo então pra liderar a cambada. Além disso, ele tinha prometido pro Gugu que voltaria...


Voltamos para a central, onde o Gugu agradece a todos ali por terem salvo o programa, mas que no final do dia quem ganhava o checão era ele... então que todo mundo fosse pra casa do caralho, que agora era a hora dele encerrar o show e colher os louros da vitória.


Coloquei essa imagem de propósito, pois na tela ali do lado vão passando alguns créditos de piada mesmo: "what next - I don't know", "Titles - Type M Wrong" e "Make up - Paint your face" são alguns exemplos. Ah, e não vou traduzir, se você não sabe ler inglês nem com a ajuda do Google, tu é um prego!

Após outra troca de cenário, Matusalém estava explicando que, após derrubar o satélite, ele iria fazer um pronunciamento em rede nacional para explicar que a emissora mente para a população sobre tudo. Sabendo que quando inicia algo que lembra a propaganda eleitoral gratuita todo mundo desliga a televisão, Amber saca um disquete que tem algo que teria um impacto muito maior: a gravação original do massacre, aquele que haviam acusado Richards injustamente, que ela havia roubado da emissora. E sim, num disquete. Nesse filme ainda existia disquete em 2017.


Richards, fumando um charuto cubano, então fica curioso... Como que durante todo esse tempo ela havia escondido um disquete daqueles, considerando ainda que vestiram ela com aquele macacão psicodélico do jogo que não tinha nenhum bolso?


Amber então dá uma risada safadinha, dizendo que não é da conta dele, apenas lembrando que ela podia ser pequenininha, mas as aparências enganam...


Aí nosso amigo Arnoldão já fica todo cheio de idéias, imaginando se ela conseguiria guardar seu frankfurter na garagem dela.


Depois de trocar suas calças, Richards lidera o grupo ali dentro da emissora. Assim, na facilidade e na moleza mesmo. Estamos no futuro, mas não tem nenhuma merda de câmera de segurança ali pra ver um bando de revolucionários armados invadindo.


Lá no palco, o Gugu está fazendo o encerramento, com a clássica piada do trote que o Silvio Santos havia lhe ensinado há alguns anos atrás, ligando para alguma dona de casa e perguntando se o "Al Cólico" está.


Voltando ao esconderijo, o quatro-olhos que lembra o Renato Russo finalmente consegue digitar o código para acessar o satélite, ao mesmo tempo que ele faz o download das fotos dos celulares de celebridades, para assim provocar outro episódio do Fappening. Embora pareça mais que ele esteja jogando algum joguinho do Atari.


E ele começa com algo bem simplório, dizendo que o Gugu está mentindo... Grandes coisas, como se algum apresentador de televisão estivesse dizendo a verdade...


O Gugu fica ali sem reação, não entendo o que estava acontecendo, seriam os programadores que estavam se vingando quando ele os mandou para a casa do caralho? Finalmente aparece no telão o vídeo verdadeiro de Richards, onde ele está no helicóptero e se recusa a atirar em civis inocentes, até ser sodomizado pelos demais tripulantes da aeronave.


Na central de controles, o puxa-saco do Gugu está lá com a Janete, se perguntando de onde estava vindo aquela transmissão pirata. Mas tudo bem, não tinha problemas, era só apertar um botão para colocar no ar a propaganda do Boston Medical Group, que aí todo mundo ia pensar em como surpreender a sua parceira, que era mais interessante do que um vídeo de helicóptero.


Só que o Che Guevarinha aparece ali com seus camaradas bolivarianos, incluindo um bigodudo que parece o Freddie Mercury depois da gripe. O jovem revolucionário manda a turma toda ali levantar as mãos, que ele iria começar a falar sobre a mídia golpista e do Hugo Chávez. Acho que ia ser menos sofrimento se ele puxasse logo o gatilho.


De volta no palco, o Gugu fica todo abafado, dizendo que eram problemas técnicos, que ninguém tinha que se preocupar, que logo ele iria chamar as guguzetes para o quadro da banheira, e tudo ia ficar de boa.


Mas aí a Dona Efigênia, que agora percebo que parece a velhota do Titanic, solta o verbo, dizendo que problema técnico era a puta que pariu, que ela ia se mandar daquela merda pra ficar em casa tricotando alguma pôrra de roupa para seus netinhos chatos para caralho.


Pior que no filme mesmo, essa velhinha que parece uma beata de Igreja solta uns palavrões bem descarados mesmo.

E pra completar a cagada, Richards e o restante dos revolucionários entra ali pela porta do palco, pra surpresa geral. Possivelmente muita gente ali ainda acreditando na emissora, e se perguntando se aquilo ali não era um fantasma.


O Arnoldão não perde a oportunidade, dizendo que é a hora do show, e que vai cumprir aquela promessa da tora de madeira da última postagem. Melhor preparar o KY, Gugu. E perceba a pinta do carinha ali atrás: já não basta o bigodinho escroto e o mullet, ainda precisava colocar uma boina pra ficar ainda mais ridículo.


Acontece que o palco está cheio de policiais para a segurança de todos, e aí eles começam a abrir fogo. Não se importando nem um pouco com o fato de que o lugar está cheio de civis, a maior parte deles sexagenários que mal conseguem andar.


Aí começa a zorra, todo mundo se atropelando pra fugir dali. E não tem essa de mulheres e crianças primeiro, vale a lei do mais forte. Imaginando que a média de idade ali do palco deve ser de um século, provavelmente teremos várias vovós pisoteadas pelo estouro da boiada.


Mudamos de cena mais uma vez para encontrar Amber, que está sozinha lá nos corredores da estação. Confesso que não entendi, ela não foi com Richards lá no palco, e também não estava com o Che Guevarinha pra atacar a central, que diabos ela estava tramando?


Ali perto, aparece o Marquinhos. Ele é o guarda do turno da noite, e já tinha batido o cartão pra se mandar pra casa. Era a noite de aniversário de casamento com sua mulher, que a essa altura deveria estar lá, toda lânguida e fogosa em sua lingerie da Victoria's Secret pra celebrar o matrimônio nas mais diversas posições do Kama Sutra.


Só que Amber se desespera ao ver o Marquinhos, e senta o dedo naquela pôrra de metralhadora, atirando pra todos os lados.


E é o fim da breve participação de Marquinhos, o guarda que estava no lugar errado na hora errada. Parece que a sua esposa vai ter que botar uma roupinha preta mais tarde, quando receber a ligação da funerária, perguntando se poderiam doar os órgãos dele pra transplante. Pelo menos aqueles que não estivessem cheios de furos de bala.


Amber tenta sair correndo depois da zoeira que fez ali no corredor, mas ao se virar esbarra em algo que parecia ser um porco gordo pendurado num gancho de açougue, que a joga no chão.


Pior... É o Dínamo! O seboso filho da puta ainda está vivo, e ao ver a latina caída no chão com aquela calça de ginástica coladinha, ele já fica excitado e com vontade de continuar a brincadeira lá do quadrante, dessa vez ele ia descabelar o palhaço na Caverna do Dragão dela. Não acredita? É só olhar essa cara de cachorro no cio dele, tá até com o queixo todo babado.


Amber passa por mais um momento de empoderamento feminino, e então acerta um soco nas bolas do gordão. Cacete (com trocadilho, por favor), mas já é a segunda vez que ela acerta alguém nos países baixos, vai gostar de socar bagos assim lá na casa do caralho (novamente, com trocadilho).


E pela expressão de Dínamo, a pancada no seu saco doeu até a alma.


Mas ele consegue pegar Amber, e logo já baixa as calças pra consumar o engate, expondo o seu cuecão branco, daqueles que você compra na C&A em pacote de cinco por 9,90. Mas ela é ferrenha, e consegue pegar a metralhadora, tentando se livrar de Dínamo.


A metralhadora dispara acidentalmente...


... atingindo o sprinkler de incêndio. Que pontaria! Ou seria apenas mais uma das conveniências de Hollywood, de forma que um balaço acerta em cheio um chuveirinho de menos de cinco centímetros, e em vez de simplesmente destruí-lo faz com que ele milagrosamente abra o fluxo?


Como água e eletricidade não se misturam, Dínamo acaba levando um puta choque. Amber consegue se livrar, deslizando para o lado, permitindo que a gente aprecie as suas pernas e bumbum, embalados à vácuo na calça de yoga.


É o fim do Dínamo... Morreu da mesma forma ridícula que viveu, como um gordo cheio de luzinhas piscantes e capacete de centurião romano escroto. E pra completar, sem as calças.


De volta ao palco, Richards finalmente se livrou da multidão, o que dá chance pra que ele possa atirar nos guardinhas que estão ali enchendo o saco. Como esperado, nenhum deles consegue acertá-lo...


Vamos pular o bangue-bangue genérico... Depois de muito tiroteio, o palco está deserto. Nem uma alma viva, só poças de sangue e corpos. Vai dar trabalho pro faxineiro depois arrumar essa bagunça.


Por algum motivo, o Gugu não conseguiu fugir e milagrosamente escapou de ter levado um teco. Assim, ele vai devagarinho, só no passinho, pra se mandar dali.


Só que Richards já o viu e o chama. Agora ele ia mostrar para o apresentador o que era bom pra tosse. E não era xarope...


Escutamos então alguns passos... E adivinha! É o Zangief, que vem ali pra resgatar o seu patrão. Round one, fight! Fudeu pro Arnoldo, vai ter que encarar esse russo mal encarado, que aliás não disse nenhuma frase em todo o filme.


O Gugu dá uma risadinha, pois o Zangief era invencível, um verdadeiro cão de guarda, um lutador profissional que ia pegar aquele bombado de meia tigela e dobrá-lo ao meio que nem um lápis, enquanto ele iria se mandar pra casa em sua limusine, tomando Toddynho com biscoito goiabinha.


Só que o Zangief não é bobo... Ele avalia o naipe do Arnoldão, percebe que aquele ali não era brincadeira, e diz pro chefe que se demite, que não vai brigar com um parceiro da Europa Oriental gente fina como Richards. Era melhor ir lá pro bar tomar umas vodkas.


E aí o Gugu fica com cara de cu sem pestana... Nisso que dá confiar nos russos.


Vendo que não tem muita escapatória, ele começa a explicar toda a situação, sobre como é a televisão, como que existe uma pressão pra se bater a audiência e assim eles precisavam se virar nos trinta e fazer de tudo, incluindo usar computação gráfica pra forjar uma luta. Isso ele conhecia desde o tempo em que apresentava show de calouros, que as pessoas adoram TV e eles precisavam dar pro público o que eles queriam.


Richards então concorda com o Gugu, que realmente o importante é agradar a audiência. E assim ele ia fazer algo que imaginava que os telespectadores gostariam de ver.


Aí ele simplesmente taca o apresentador num daqueles trenós, prendendo seus braços e pernas, para que assim prove um pouquinho de seu próprio remédio.


O Gugu fica todo cheio de raiva, que era inaceitável, que ele exigia respeito pela importância dele para a TV. No topo de sua fúria, ele deseja que Richards caia morto no chão.


Só que o Arnoldão não atende a pedidos, mesmo se pedir por favor...


E lá vai ele! Só nesse meio metro o pamonha deve ter se borrado todo de medo, ao ser lançado em velocidade máxima pelo túnel da montanha russa subterrânea.


Pra piorar tudo, Richards havia apertado um botão de nitro, para que a viagem do Gugu se tornasse mais rápida e truculenta, fazendo assim que ele deixasse o seu jantar pelo caminho.


E pra fuder de vez... Já tinham recolhido aquela rede de tênis que fica no final pra segurar o trenó...


O Gugu vai que nem uma bala, voando pelos ares em direção a um cartaz dele mesmo, pendurado ali sobre uma parede de concreto. Tomara que ele tenha tomado uma aspirina antes, pois o trenó não tem airbag.


Fim da linha pro apresentador, cancelado de maneira tão repentina como o programa da Angélica.


O nosso amigo Arnoldo fica então em êxtase, feliz com a excelente pontaria. Quem diria, o Gugu acertou na mosca!


Aí a galera vai ao delírio, depois da piadinha infame de Richards. É o show business, em um instante o carinha que era amado por todos vira história, com todo mundo celebrando sua morte e aplaudindo o novo herói. A galera toda fazendo um coro nas ruas, gritando "Richards, Richards, Richards!". Continuando assim, vai sair na capa da Caras.


E ele ali, pouco se fudendo, fazendo pose de boneco de Comandos em Ação, com a expressão de felicidade de uma geladeira.


Cansado de toda essa pancadaria, ele decide se mandar dali. Acontece que ele se vira para o corredor, e percebe alguém chegando. Seria o Zangief, que mudou de idéia e queria agora uma luta? Seria aquele maquiador bicha saltitando na direção dele com um maiô do Borat? Ou talvez era o Capitão Liberdade querendo fazer umas flexões com ele?


Que nada... Era Amber. E carregando uma arma. Pombas, será uma reviravolta no final do filme?


Mas sabemos que nessa altura a película está no fim, e já chega de violência. Richards e Amber merecem umas férias, seguir com aquela viagem para o Havaí pra descansar um pouco, pegar um bronze e curtir. E pra ele desvendar aquela dúvida de onde ela tinha escondido o disquete.


E depois do obrigatório beijo hollywoodiano do final, acabou o filme...


Cacetada! O Sobrevivente tem trinta anos, mas ainda é sem dúvida um filme muito empolgante, clássicaço da Sessão da Tarde. Chegamos assim ao final de mais uma sátira, outra que deu bastante trabalho. Fazer zoação com um filme cheio de tosqueira pode ser fácil por um lado, mas ficar tirando as imagens e escrevendo...

E dessa vez eu consegui manter até uma certa frequência boa. Considerando que eu comecei a escrever em junho e estamos em novembro, consegui colocar em média uma parte por mês. Agora é dar uma pausa nos filmes, voltar um pouco mais com os desenhos, e pensar no próximo filme que será zoado quando eu tiver tempo.