sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Liberdade de Gênero Esportiva?

Eu já vinha acompanhando essa questão há algum tempo. Estava me organizando aqui para escrever, mas sempre deixando para depois. Porém acredito que chegou a hora, aproveitando a repercussão que esse caso está tendo, principalmente depois das declarações da ex-jogadora de vôlei Ana Paula, em uma carta aberta ao Comitê Olímpico Internacional. Como você sabe, eu gosto de uma polêmica, gosto de mostrar aqui meu ponto de vista muitas vezes bem particular... Mas fico de certa forma satisfeito ao ver que parece que existem outras pessoas que pensam como eu.


O assunto de hoje é sobre a "jogadora" de vôlei feminino Tiffany Abreu, que compete pelo time do Bauru. Assim mesmo, entre aspas. Pois Tiffany nasceu como Rodrigo, e é mais um dos exemplos de pessoas que em um dado momento na vida se sentem incomodadas e insatisfeitas com o gênero de nascimento, e assim se convertem ao outro, de forma psicológica, social e até mesmo física. Não seria surpresa se alguns de vocês, que desconhecessem essa "jogadora", olhasse para a foto ali em cima e pensasse que se tratava sim de uma mulher, em vez de uma transexual.

E para aqueles que estavam por fora do assunto, é isso mesmo que você leu: temos aqui uma "jogadora" trans competindo junto com outras mulheres. Realmente, deve ser algo para o Brasil se orgulhar, junto com BBB e outras porcarias.

Vale ressaltar que antes de mudar de sexo, Rodrigo já atuava em campeonatos de vôlei masculinos. Começou então a sua transformação em 2012, com a realização de cirurgias e consumo de hormônios. Tudo isso para ser autorizada, agora como Tiffany, a competir profissionalmente com outras mulheres a partir do ano passado, na Itália. Vi num site, logo no primeiro jogo conseguiu a impressionante marca de 28 pontos. Veio então para o Brasil, onde está destroçando todos os recordes em meia dúzia de jogos. Por exemplo, ela tem uma média de 5 pontos por set, acima dos 4,91 de uma das craques da seleção feminina. 


O mais curioso é ver como existem pessoas, incluindo a mídia, que aplaudem a Tiffany, como se ela fosse um grande fenômeno. Já pedem sua convocação para a seleção, tem gente dizendo que ela é a melhor jogadora dos últimos tempos.   

Pois muito bem...

Sinceramente eu acho uma verdadeira escrotidão tudo isso. Fala sério! É um absurdo deixar uma pessoa que nasceu homem competir junto com outras mulheres. Não faz o menor sentido, e está longe de ser justo.

Uma pequena pausa para os politicamente corretos me xingarem.

...

Eu disse que era uma pequena pausa. Pois esses hipócritas não merecem tanto. Continuemos...

Repito o que eu sempre disse aqui: existem apenas dois gêneros, ou é homem ou é mulher. Logicamente, deixando de lado nesse momento as exceções, como os hermafroditas. Biologicamente falando, o ser humano tem essas duas opções, ou é XX ou XY. Ponto. Isso não se discute. É a mais pura e simples genética.

E com isso, cada gênero tem as suas características. Focando no aspecto físico, que é o que vai nos interessar nesse caso Tiffany, homens e mulheres são diferentes. Mais uma vez, isso é inquestionável. Cada um possui suas características próprias, devido às diferenças genéticas. Diferenças hormonais e físicas, como sabemos bem.


Eu não poderia me expressar melhor...

Claro que nesse momento devem aparecer as feministas, pedindo pela minha castração, dizendo que as mulheres podem fazer tudo que os homens fazem. Sosseguem o faixo, digo mais uma vez que estou falando de aspectos físicos. Por exemplo, a mulher pode engravidar, pois ela tem o aparelho reprodutor destinado a isso; o homem não. Essas babaquices de "homem grávido" não existem, não passa de mulheres que se transformaram externamente para parecem ser homens, mas que por dentro são iguais às outras mulheres. Mas isso não vem ao caso agora.

Dentre as diversas diferenças de origem genética, é perfeitamente sabido que os homens em geral tem uma capacidade muscular maior que as mulheres. Tudo isso graças aos seus hormônios, ao seu próprio mapa genético. Podemos até perceber que, do ponto de vista de musculatura, existem sim muitas diferenças, basta você perguntar para seus amigos fitness, que certamente vão mencionar questões como os homens serem geralmente mais fortes nos braços e as mulheres nas pernas. 

Claro que há exceções... Por exemplo, essa aí deve ter mais testosterona que um time de futebol americano.


Aí, vamos então olhar para a Tiffany. Até alguns anos atrás, ela era Rodrigo. E tinha ali toda uma estrutura física (óssea e muscular) de homem. De uns anos para cá, começou então a se transformar em mulher. Acontece que, por mais que tenha tomado hormônios e feito cirurgias (que acredito que tenham sido muito mais estéticas do que direcionadas ao vôlei), como alguém pode garantir que ela é fisicamente igual a uma mulher? Será que alguém pode afirmar que ela tem a mesma capacidade muscular e óssea de uma jogadora do sexo feminino?

O curioso é que os defensores da Tiffany se amparam numa recente definição que o Comitê Olímpico Internacional define que o requisito necessário para que uma atleta seja considerada mulher o suficiente para competições femininas é que ela não tenha mais de 10 nanomols de testosterona por litro de sangue.


Que diabos é nanomol? Sei lá. Mas tá na cara que é alguma unidade de medida...

Agora, eu pergunto: será que é tão simples assim? 

Não sou um profundo conhecedor de genética... Mas eu acho muito difícil que um tratamento hormonal seja assim tão definitivo a ponto de eliminar por completo toda uma formação física desenvolvida durante a vida adulta. Será que cinco ou seis anos seriam suficientes para que a Tiffany perdesse toda a capacidade e explosão muscular que adquiriu ao longo dos anos em que ainda era Rodrigo? Acredito que não...

Repito mais uma vez: homens e mulheres são diferentes. Esportivamente falando, isso justifica a existência de modalidades masculina e feminina, que levam em conta as peculiaridades físicas de cada um. Veja o próprio exemplo de vôlei: para os homens, a rede fica a 2,43 metros do chão, e para as mulheres fica a 2,24 metros. No atletismo também, no arremesso de peso ele pesa mais para os homens. Nem precisa falar da ginástica artística, onde existem aparelhos específicos para homens, mais direcionados ao uso da força, e outros para as mulheres, onde o foco é a leveza e agilidade. Como a própria Ana Paula citou em sua carta, se você pegar a competição de 200 metros de nado livre, a recordista mundial feminina com os seus 1:53.61 fica bem atrás do Michael Phelps com seus 1:42.96.


Não estou dizendo que as mulheres sejam inferiores, não é isso. Apenas percebemos que fisicamente homens e mulheres têm capacidades distintas, e consequentemente terão rendimentos distintos. Os poucos esportes onde homens e mulheres podem competir de igual para igual são aqueles onde tais capacidades físicas sejam menos importantes. Por exemplo, no hipismo, onde o atleta entra com o controle e adestramento do cavalo, quem faz o esforço físico aí é o equino.

Essa é uma das razões para que achar errado que alguém como Tiffany, que nasceu e cresceu como homem, venha a competir junto com outras mulheres. Por mais que sua transformação possa ter tirado parte de sua capacidade física, repito que é muito difícil que ela a tenha perdido por completo. Não estamos falando de uma mulher trans que mudou de sexo ainda nova, ainda como Rodrigo ela passou pela puberdade e se desenvolveu como um homem adulto, dotado de maior força e resistência. É só ver alguns de seus lances, onde dá para perceber a sua explosão muscular e força nas cortadas. Não é certo, é uma grande injustiça, é uma covardia.


Como a Ana Paula comenta em sua carta, daqui a pouco vamos ter casos parecidos em outros esportes. Será uma jogadora de futebol trans, uma lutadora de boxe trans, uma velocista trans... Que vão chegar para detonar os recordes, que vão destruir suas adversárias. É justo isso?

Acontece que essa é mais uma das merdas que a sociedade politicamente correta traz. Todo esse papinho de igualdade, de tolerância, de liberdade de gênero, e tudo mundo fica aí achando lindas essas historinhas de contos de fadas cobertas com glacê de tuti-fruti e confeitos de coraçãozinho. O que você iria esperar de uma sociedade que elege Pablo Vittar como a maior cantora de 2017?

O grande problema é que as pessoas hoje ficam cheias de dedos para falar certas coisas. A patrulha do politicamente correto é implacável, está sempre atenta para divulgar e criticar aqueles que não concordam com os seus ideais, tidos como leis que devem ser seguidas e aplaudidas por todos. É uma hipersensibilidade, em que aparentemente você só pode ter sua opinião se ela estiver alinhada com a ideologia politicamente correta; do contrário, você será um pária, um preconceituoso, um conservador atrasado e racista.


Por exemplo, aposto que muitas jogadoras da Liga de Vôlei não devem aceitar que Tiffany jogue junto com elas, por todas as razões já comentadas. Mas elas não vão dizer nada. Afinal, falar algo contrário a uma jogadora transexual, mesmo que seja algo com fundamento, sempre será visto como preconceito. Aí, elas devem simplesmente engolir e aceitar a desvantagem, correndo o risco de serem ofuscadas por um homem que decidiu virar mulher e agora joga com elas.

Eu não. Eu falo mesmo. Afinal, eu tenho direito a ter a minha opinião. Não estou aqui discriminando a Tiffany, não estou dizendo que ela seja inferior. O indivíduo tem todo o direito de viver a sua vida como quiser, um homem tem toda a liberdade para mudar de sexo, se isso o fará feliz. E ele não deve ser excluído ou oprimido pela sociedade por conta disso.

Mas na minha visão eu não vejo como justo que uma mulher trans venha a competir junto com outras mulheres, pois ela levará uma vantagem desonesta sobre as demais jogadoras. Não é certo, pois Tiffany possui, digamos, um doping natural e aceito pelas entidades esportivas, que lhe proporciona uma maior força física que as demais mulheres. Não dá para sermos ingênuos ou hipócritas diante de uma injustiça dessas. Pensam nos direitos de uma mulher trans, mas e os direitos das mulheres poderem competir de forma igual, por que ninguém fala nada?

E fico feliz em ver que cada vez mais pessoas estão colocando a boca no trombone, e não estão baixando a cabeça para os politicamente corretos. Aplausos aqui para a Ana Paula.


Eu já a admirava muito como jogadora, me lembro de épocas áureas do vôlei feminino em que ela jogava com um timaço, com Fernanda Venturini, Leila e Virna. E recentemente ela vem demonstrando que tem uma forma de pensar totalmente desapegada da ideologia politicamente correta de hoje, o que me faz admirá-la ainda mais.

Agora, cabe também mencionar uma coisa muito legal, algo que reforça o fato de que os politicamente corretos são na verdade muito hipócritas, e que mudam os seus discursos de acordo com o que é mais conveniente no momento. Certamente eu não ia perder essa oportunidade.

O que eu quero destacar aqui é a estrondosa reação das feministas, ao ver uma atleta que nasceu homem se transformar em mulher e superar de longe as demais mulheres...


Isso mesmo. Nenhuma reação, né?

Onde que está toda a defesa pelo espaço da mulher? Cadê aqui aquela conversa de que as mulheres são superiores aos homens?

Gostaria de entender por que as feministas exageradas, que adoram criticar as situações onde os homens exercem supremacia sobre as mulheres, não dizem nada ao ver uma mulher trans, originalmente homem, não dar colher de chá para as outras mulheres, invadindo o espaço delas. E aí, o que será que elas vão dizer se os times femininos de vôlei começarem a contratar apenas jogadoras trans, ex-homens?

Provavelmente não vão dizer nada. Pois devem estar em parafuso. Afinal, se as feminazis forem defender as mulheres e criticar a presença de Tiffany nas quadras, serão taxadas de preconceituosas e homofóbicas, entrando em conflito com a agenda politicamente correta. Mas aí, deve dar um nó na cabeça pois ao vermos Tiffany detonando as adversárias mulheres daria a impressão de que os homens são superiores às mulheres e podem invadir o espaço originalmente delas. Nessa situação, fica difícil escolher pra quem elas vão levantar a bandeira...


Ou, pior ainda: devem é aplaudir a Tiffany. Se as feministas dizem que o "Vai Malandra" é um hino do empoderamento feminino, certamente não vão achar nada errado ao ver um homem competindo e derrotando as mulheres em uma competição esportiva.

Porque é assim que os politicamente corretos agem. Depende do momento, depende de quem é a "vítima" e quem é o "agressor". Como Tiffany está sendo criticada por grupos da sociedade considerados por eles como conservadores, então os babaquinhas politicamente corretos partem em defesa da jogadora, mesmo que um grupo social que eles tanto defendem, como as mulheres, acabem sendo prejudicadas pela mesma Tiffany. Além do mais, fica fácil dizer depois que as mulheres de verdade, que venham a se sentir incomodadas ou mesmo critiquem a presença de Tiffany num time feminino, são conservadoras retrógradas amantes do Bolsonaro que não merecem o apoio das feministas...

Como provavelmente vai acontecer com a Ana Paula. Daqui a pouco vai ter vagabundo xingando ela, dizendo que ela merece ser estuprada e tudo mais... E as feministas vão reagir com a já esperada motivação e revolta...


Me pergunto sobre o que vai acontecer... Se continuar assim, logo teremos times de vôlei feminino em que a maioria dos jogadores serão mulheres trans. Afinal de contas, se abriu um precedente, se o time do Bauru pode, por que não os outros? Sendo algo autorizado pela federação de vôlei, você acha que algum técnico vai ser idiota a ponto de não querer uma "jogadora" de capacidade física superior àquelas que ele tem? É um caminho aparentemente sem volta, graças à ideologia politicamente correta, que insiste em forçar os seus valores absurdos e estúpidos para a sociedade. Coitadas das mulheres de verdade, que estavam aí lutando pra ter o seu espaço, e precisam agora competir com homens de saia, com a benção de uma minoria que grita muito...

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Como Não Odiar os Correios? (II)

Eu continuo puto. Ainda mais puto do que eu estava. Sinceramente, eu estou começando este ano de 2018 nutrindo um ódio cada vez maior pela merda dos Correios. Puta que pariu! É realmente uma piada o que temos que aturar por conta desses imbecis! Já sabemos que a qualidade dos serviços públicos por aqui é sofrível, mas eu preciso realmente destacar o nível de incompetência e absurdo desses Correios malditos.


Há pouco eu fiz um post, que pode ser visto aqui, onde eu falava a respeito. Comentava sobre duas encomendas que eu estava aguardando, uma delas saindo do interior de São Paulo e outra vinda dos Estados Unidos. Narrei ali toda a demora dessas encomendas, sempre com a manjada e temida mensagem de "objeto ainda não chegou à unidade". Até tinha colocado uma atualização, em que uma encomenda vinda de São Paulo levou mais de quinze dias, e a do exterior praticamente um mês.

Mas acontece que eu estava esperando outra encomenda...

Essa aí eu não citado pois na época eu não tinha informação de seu número de rastreio. Sim, mesmo sendo algo tão simples, era uma loja pequena lá nos Estados Unidos que não mandava essa informação. Embora eu ache isso absurdo, ainda mais se estamos falando de um envio internacional em que o fornecimento desse código é algo fundamental, eu não estava preocupado com essa loja. Afinal de contas, já havia comprado coisas com eles há algum tempo, levando aí uns vinte dias pra chegar aqui. Mas dessa vez os Correios estavam preparando uma merdarama imensa que eu preciso desabafar.


O mais interessante é que ela saiu mais ou menos na mesma época da encomenda internacional que eu citei no outro post: aquela lá havia sido postada no dia 27 de novembro, e essa nova foi enviada no dia 30. Assim, eu imaginava que deveria estar recebendo ela mais ou menos pela mesma época aqui. Como você pode ter visto na atualização na outra postagem, a primeira encomenda finalmente chegou em minha casa no dia 26 de dezembro. Logo depois do Natal, a tempo de eu não poder abrí-la no feriadão. Acreditava, ingenuamente, que essa outra chegaria ainda em 2017.

Pois muito bem... Vamos contar a jornada desse pequeno e singelo pacote até ele chegar em minhas mãos.

Haviam se passado vários dias e nada, já estava logo antes do fim de semana do Réveillon. A minha primeira reação foi entrar em contato com a lojinha lá de fora. Eu já havia feito isso há algumas semanas, provavelmente o cara estava fora pelas festas de fim de ano. Mas ele finalmente respondeu e me passou o código. O que me surpreendeu é que ele disse que a informação que ele tinha é que havia sido feita uma tentativa de entrega no dia 20 de dezembro, sem sucesso, e que voltaria no dia seguinte.


Como assim? Impossível! Não dava pra acreditar que esse pacote já havia chegado por aqui antes do Natal. E não conseguiu entregar? Não tem como, meu prédio tem porteiro que recebe todas as encomendas... 

Mas se você olhar no printscreen da tela de rastreio do US Postal Service, é exatamente essa a informação que consta lá.


Repito mais uma vez como que o USPS tem uma informação muito mais detalhada (embora, nesse caso, certamente receberam uma informação mentirosa dos Correios daqui). Que nem da outra vez, vou escrever uma breve narrativa, colocando as distâncias.
  • A encomenda foi postada no dia 30 de novembro, em uma cidade pequena do estado de Ohio, começando assim a sua longa jornada;
  • No mesmo dia 30 de novembro, ela já havia chegado em Cleveland, que é a principal cidade do estado, percorridos 55 quilômetros (em linha reta, para facilitar);
  • No dia seguinte, 1º de dezembro logo depois da meia-noite, ela saiu para Chicago, a 495 quilômetros dali. Chegou lá mesmo dia de tarde. Perceba bem, praticamente 12 horas pra percorrer uma distância ligeiramente menor que o trajeto Curitiba x Rio de Janeiro.
  • Durante esse dia 1º e o dia 2, a encomenda passeou um pouco pela Cidade dos Ventos, passando por alguns centros de distribuição do USPS até chegar no aeroporto de Chicago no dia 3.
  • No mesmo 3 de dezembro, meu pacote viajou de Chicago até Miami. São 1917 quilômetros, chegando lá no mesmo dia de noite.
  • No dia 4 de dezembro, de manhã, ela saiu de Miami, com destino a São Paulo. Uma viagem de 6566 quilômetros. Chegou no aeroporto de Guarulhos no dia 5 de dezembro.  
Se você comparar com a outra encomenda, verá que até aí não teve muita diferença. Perceba que uma encomenda vinda dos Estados Unidos leva aproximadamente 5 dias para pisar em território nacional.

Não deu para entender como que constava lá a informação que uma tentativa de entrega havia sido feita... Mas eu ainda não havia olhado no site dos "Cúrreios". Fui lá pesquisar e lá apareceu o filho da puta do X vermelho.


É exatamente isso: dois dias depois de chegar em Guarulhos, minha pobre caixinha levou dois dias para ir para Curitiba, no dia 7 de dezembro. A fiscalização aduaneira foi mais uma vez impressionantemente rápida, para que ela viesse a ser liberada no dia seguinte, para então viajar de Curitiba até o maldito centro de tratamento de Benfica.

E depois, nada... Ninguém sabe informar. Dia 20 colocam lá a mensagem padrão de que a encomenda não chegou à unidade.


Dessa vez eu comecei a me mexer mais. No dia 30 de dezembro, fiz uma reclamação no site dos Correios, que é o primeiro canal que você deve acessar. Lancei todas as informações, como manda o figurino, questionando a demora e a ausência de informações. Não era possível que a encomenda estava a vários dias ainda a caminho do Rio. Repito, ela havia saído dos Estados Unidos na mesma época da outra, que já tinha sido entregue. Lançada a reclamação, restava então esperar o prazo de cinco dias úteis para que eles respondessem. Considerando o dia 1º de janeiro como feriado, teoricamente deveria esperar até o dia oito.

Mas eu sou um texugo muito impaciente. Ainda mais com a incompetência do serviço público. Passaram mais alguns dias sem nenhuma atualização, e então na quinta-feira, 4 de janeiro, 35 dias depois da minha encomenda haver sido postada, eu decidi ligar lá para o número de atendimento, me preparando para ser mentalmente estuprado pelo certamente péssimo serviço de telemarketing.


Vou te contar... precisa ter paciência!

Fui ali seguindo pelas opções do menu automático, sem obter nenhuma informação mais. Até mesmo para ver o andamento da minha reclamação pela Internet foi complicado, pois por algum motivo ela não aparecia. Decidi falar então com um atendente, falei com uma mulher que, de forma ríspida e grossa, mandou eu esperar até dia 8 de janeiro, pois o envio ainda estava no prazo...

Como assim estava no prazo, cacete? Trinta e cinco dias e não havia chegado ainda? Estava ali perto de completar um mês desde que havia saído de Curitiba, e a mulher teve a pachorra de dizer que estava no prazo?


Tá de sacanagem...

Aí fiquei aqui que nem um babaca esperando. Fico imaginando a satisfação que essa cidadã teve ao mandar-me esperar. Deve ser um sentimento orgásmico de falar para o cliente que não pode fazer nada e que ele precisa ficar esperando de forma impotente. E se ele não gostar, que enfiasse os dez dedos no rabo e rasgasse.

Chegou então o dia 8 de janeiro... Foi um dia marcante, por assim dizer. Meu pacote estava prestes a completar 40 dias de viagem, sendo que 30 deles para percorrer uma distância astronômica que separa a Unidade de Distribuição de Curitiba da Unidade de Tratamento do Rio de Janeiro. Era o dia que a dondoca lá havia dito para que eu ligasse. E também era o dia em que completava o prazo de resposta por e-mail de minha reclamação. Era hora de ligar mais uma vez.

Aliás, pausa para algo que eu esqueci de dizer: quando você vai fazer uma reclamação, é comum que digam que a ligação será gravada, nos informando na sequência um número de protocolo do atendimento. Algo que você pode usar caso o problema não seja resolvido. E sabe como é esse código quando você liga para os Correios?

É uma sequência de vinte e oito números!


Isso mesmo que você leu: vinte e oito algarismos! Que logicamente são ditados pelo sistema automático, com uma voz difícil de entender se ela disse "seis" ou "três", e sem a oportunidade de pedir para que fosse repetido.

Pra piorar, os canalhas informam uma parte dos números e dão uma pausa, aí você pensa em um primeiro momento que acabou, que agora dá pra respirar e baixar a caneta. Mas logo depois eles continuam! Filhos das putas! Confesso que na primeira ligação eu caí direitinho e não consegui anotar todo o número. Tudo parece ser feito pra dificultar, pra quê tanto número, pôrra? Vai tomar na bunda, acho que nem uma conta de banco deve ser tão grande assim...


Voltando, nesse dia eu fui atendido por um sujeito que pelo menos foi um pouco mais educado e que parecia querer ajudar. Acho legal ter tido essa sorte, pois a maioria dos operadores costumam ser estúpidos e/ou grossos, como a jararaca da primeira chamada. O problema é que geralmente essas pessoas que fazem o atendimento telefônico muitas vezes não tem o poder para resolver o problema.

O carinha disse que realmente havia algo errado, e que os Correios tinha a obrigação de responder por e-mail até aquela data. Ele relatou um pedido de urgência, dizendo que responderiam ainda no mesmo dia, e caso não chegasse, eu poderia ligar.

Não precisa nem dizer que não chegou nada...

Já estava ficando muito puto. Não liguei no mesmo dia, pois não iria adiantar. Esperei até o dia 9, mas acabou que eu me ocupei com outras coisas e não liguei. Honestamente, eu já estava desistindo... Ia ter que ficar esperando até os caras terem a boa vontade de fazer o favor e me entregar a encomenda que havia sido enviada a quase um mês e meio. Não era possível que ainda estava a caminho de Benfica.

Aí no dia 10 de janeiro, finalmente houve uma atualização, como mostro abaixo.


Mas como assim, pôrra?

Como de costume, eu não vou entrar aqui em detalhes de onde eu moro. Mas posso dizer que é em um bairro perfeitamente normal. Do jeito que estava ali, parece que eu moro numa ilha deserta.


Lembrando que essa mensagem geralmente é usada também para indicar que o destinatário reside em uma área de risco, onde os Correios não podem realizar a entrega, devido a restrições de segurança. E tampouco eu moro numa favela ou cortiço.

Nesse dia eu fiquei muito fulo. A primeira coisa que eu fui fazer foi olhar no próprio site dos Correios como que estava a situação do meu CEP. Entrei ali os dados, e como esperado apareceu a mensagem verdinha dizendo "Não há restrições de entrega para o trecho informado".

Lógico, seus merdas! Nunca houve nenhum tipo de restrição aqui! Na véspera havia chegado uma série de correspondências, será que sem eu perceber, minha casa havia se mandado para a Lua?

Liguei mais uma vez para os "Cúrreios". De novo, depois de passar por todas as opções do menu e de anotar o protocolo quilométrico, falei com um atendente que parecia meio enrolado. Expliquei meu problema, ele anotou minha reclamação, mas não soube informar muita coisa. Apenas que eu deveria esperar, e que se houvesse ocorrido o extravio, o remetente deveria abrir um chamado no site dos Correios e encaminhar toda uma documentação para tentar algum tipo de reembolso.


Isso mesmo. Eles esperam que o remetente, que reside fora do Brasil e que muito provavelmente não fala português, acesse o site e fale com eles para abrir uma reclamação. Questionei isso com o atendente, pois a pessoa que me enviou a encomenda não teria condições de abrir essa reclamação, e se eu não poderia fazer isso, na eventualidade do pacote ter sido extraviado. Mas aí veio a resposta pronta de manual, dizendo que não cabia ao destinatário fazer esse pedido... Mais uma vez, tudo para dificultar o recebimento.

Já havia desistido... Estava me preparando para arcar com o prejuízo. Começava a procurar maiores informações sobre como jogar os filhos das putas dos Correios na Justiça. Apesar de ter a certeza de que aqui nessa merda de país de oitavo mundo a Justiça tá mais preocupada em garantir os seus salários exorbitantes, suas mordomias extravagantes e em colocar na rua criminosos e bandidos condenados...


Aí, olha só: no dia seguinte, 11 de janeiro, exatos 42 dias depois de sair de sua origem, chego em casa e vejo que a minha encomenda havia chegado!

Não acreditei! Quando o porteiro disse que tinha um pacote pra mim, eu surtei, não consegui acreditar. Confesso que estava meio pessimista, esperava até mesmo que a caixa estivesse destruída, como se tivesse sido pisoteada, mas tudo estava ali são e salvo. Finalmente, depois de uma longa jornada, eu havia recebido o que eu havia comprado há um mês e meio atrás.


Realmente é impressionante a lentidão e a incompetência dos Correios aqui do Brasil. Não tem como explicar essa demora imensa. Tudo bem, eu sei que tiveram as festas de fim de ano, o que aumenta consideravelmente o volume de encomendas... Mas repito o que eu escrevi no outro post, todo mundo já sabe disso! Prevendo essa maior demanda, os merdas poderiam se organizar para absorver essa maior quantidade. Coloca trabalhador temporário, coloca jornadas maiores com remuneração extra, melhora a logística. Faz qualquer coisa!

E digo novamente: não cola essa desculpa de maior demanda pelo fim de ano. Como eu disse, eu recebi uma encomenda que saiu na mesma época, e chegou em um mês em casa. O fato de ter saído quatro dias depois resulta em uma demora de quase quinze dias adicionais? Que preguiça é essa, pombas?


Existe uma coisa que me revolta... O que mais me deixa puto é que os Correios não parecem ser de todo lentos, e tampouco se enrolam no rastreamento. Pois existe um pequeno trecho dessa longa viagem que ocorre de forma veloz, que é quando a enviam do ponto de chegada até Curitiba, para passar pela fiscalização da Receita.

Lógico que nós sabemos o porquê. Pois essa é a parte que interessa pra eles. Porque nesse momento existe ainda a possibilidade de que a Receita Federal determine que a encomenda precisa pagar uma imensa taxa de importação (que certamente é repartida com os Correios). Uma taxa que incide sobre o valor do produto, do envio e até mesmo do seguro, e que pode incluir outros adicionais, a ponto de resultar em um imposto quase do valor do produto comprado. Por isso a velocidade, fica descarado como que os "Cúrreios" prezam pela rapidez na hora em que podem faturar uma graninha a mais com a taxação; depois disso, quando só falta entregar... puxa, aí já perdeu o interesse, aí é só trabalho pra eles, não tem motivo pra ser rápidos... Principalmente numa situação como a minha, em que não poderia taxar nem um centavo.

E essa taxação eu imagino que se torne mais frequente, pois os Correios e a Receita Federal estão fazendo de tudo para tornar esse processo ainda mais constante, incluindo uma série de "facilidades" para que você possa pagar para liberarem a sua encomenda. Até pagar os tributos pela internet agora pode.


Isso aí, Correios! Ficou mais fácil sim... Ficou mais fácil pra vocês tirarem dinheiro da gente! E pode apostar que mesmo fazendo tudo isso, ainda vou ter que esperar mais de um mês pra minha encomenda chegar.

Realmente, é um dos piores serviços que eu já vi. Tinha mais que privatizar essa porcaria, limpar a corja de lesados que tem lá hoje, para assim melhorar um pouco a qualidade do serviço. É foda, pensar que podem taxar sua encomenda em 60% no mínimo e ver ela levando mais de um mês pra ser entregue. Um serviço pífio, em que não conseguem sequer informar onde a sua encomenda está, em que não conseguem cumprir os prazos, em que levam uma eternidade para andar com as entregas dentro do território nacional. Caramba, são cinco dias pra viajar de países distantes até pousar aqui no Brasil, e depois podem ser meses pra percorrer uma distância infinitamente menor.

Só de brincadeira, deixa eu calcular as velocidades de novo, como fiz no outro post. Considerando o trajeto realizado da postagem até chegar no Brasil, que durou 5 dias, era como se a minha caixa estivesse andando a cerca de 75 km/h. Aí, considerando os 35 dias de viagem de Curitiba até aqui, é como se estivesse se rastejando a impressionantes 1 km/h.

E pensar que há algum tempo atrás os Correios colocaram o Pápa-Léguas como mascote...


Como saideira, mais uma pra destacar a eficiência, e talvez até mesmo a filhadaputagem dos Correios, em mais um exemplo do péssimo atendimento ao cliente, comprovando como parece que eles acham que nós somos idiotas. Você se lembra que eu tinha aberto um chamado na internet, certo? E que o prazo de resposta era de cinco dias úteis, vencidos no dia 8 de janeiro. Em duas oportunidades, liguei pra lá reclamando da falta de resposta, de que nenhuma informação havia sido enviada.

Pois muito bem... Na sexta-feira, dia 12 de janeiro, já mais aliviado de ter recebido a minha encomenda, eu estou lá olhando os meus emails, e percebo uma resposta dos Correios, enviada alguns minutos antes, que faço questão de mostrar aqui.


Fala sério... Sou só eu, ou me parece que foi uma resposta meio debochada? Lógico que é do meu conhecimento, pôrra! Assim é mole, depois que o problema foi resolvido aí mandam uma resposta inútil dessas? Onde estava a presteza e o interesse em atender o cliente durante o prazo previsto pelo próprio site dos Correios?

Parece piada... Repito, privatiza essa merda! 

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Navios de Guerra - Mogami

Voltamos aqui com as postagens de navios, fico até surpreso como elas estão tendo uma boa repercussão. Acho legal mudar um pouco os ares (ou seria mudar os mares?) aqui e tentar um tema um pouco mais sério, escrever sobre fatos históricos, que é algo que acredito que gere menos problemas. 

Porém, uma coisa eu tenho percebido aqui nessas postagens: acho que elas ficaram um pouco sérias demais! Até tento arrancar uma piadinha ou outra, mas o nível de zoação sem dúvida está longe das sátiras de filmes. Por essa razão, decidi dessa vez escolher este singelo cruzador japonês chamado Mogami, pois creio que aqui terei mais espaço para as piadas. 


Isso porque o Mogami provavelmente pode ser considerado como um dos navios mais desastrados e azarados que eu já vi!

Bom, mas vamos começar com os fatos da origem desse cruzador. Em uma marinha, geralmente os cruzadores representam aquela classe de navios com um bom equilíbrio entre poder de fogo e velocidade: não eram velozes e ágeis como um destróier, tampouco eram parrudos e carregavam armamento pesado como um encouraçado. E nas décadas de 20 e 30 o Japão estava colocando ao mar uma série desses navios, sendo que cada classe tentava ser uma melhoria em relação à anterior. 

Só pra encher de nomes japoneses engraçados, eles começaram com a classe Furutaka, incluindo seu irmão Kako (que não tinha nenhum parentesco com o Caco dos Muppets), sendo seguida por uma classe muito semelhante da qual participava o Aoba e o Kinugasa (que também não é da família do Oliver Tsubasa, dos Super Campeões). Veio depois os primeiros cruzadores que passaram do limite daquele Tratado de Washington que eu sempre falo, a classe Myoko com seus irmãos Nachi, Haguro e Ashigara; e depois veio a classe Takao, com cruzadores pesados muito bem blindados, da qual faziam parte também os seus irmãos Atago, Chokai e Maya. 


Sim, esses nomes japones eram bem engraçados mesmo...

Enfim, a classe que viria depois seria justamente a do tal Mogami sobre quem eu falo nesse post, lançada na segunda metade da década de 30. Teoricamente eram para ser navios melhorados em relação aos seus predecessores, mas que depois se mostraram como grandes fracassos de projeto. Mostrando que japonês, quando quer, também consegue fazer merda. Tanto que houve depois uma classe adicional que tentou corrigir essa lambança, com os cruzadores Tone e Chikuma.

Algumas teorias sobre esse projeto ruim comentam que a classe era originalmente para ser de cruzadores leves. De fato, no plano original eles deveriam levar canhões de 6.1 polegadas (algo como 155 mm), e no meio do caminho decidiram transformá-los em cruzadores pesados, partindo para canhões de 8 polegadas (ou 203 mm). Além disso, foram implementadas várias inovações na época, como uso de alumínio e um tipo de solda diferente. Resultou que os navios nasceram com muita instabilidade, e com uma série de defeitos.


Acontece que se por um lado os japoneses fizeram uma cagada de projeto original, eles conseguiram fazer uma recauchutagem nos navios em 1939, conseguindo assim corrigir alguns de seus problemas. Melhoraram a estabilidade, refizeram as soldas mal-feitas e colocaram os canhões mais possantes. Embora muitos considerem que a classe Takao anterior ainda como superior, os Mogamis eram navios bons, velozes e que prometiam contribuir na guerra que estava para começar.

Comentando sobre suas características depois dessa reforma, o cruzador tinha 200 metros de comprimento, pesando 10 mil toneladas quando carregado. Conseguia fazer impressionantes 37 nós, equivalente a 70 quilômetros por hora, rápido para um cruzador pesado. Seu armamento definitivo era composto por 10 canhões de 8 polegadas, dispostos em torres duplas, sendo três na frente e duas atrás, além dos diversos canhões de menor calibre e os anti-aéreos. 

Faltou apresentar os nomes das crianças. Além do Mogami, tinha o Mikuma, o Suzuya e o Kumano. Os três primeiros foram lançados em 1934 e o último em 1936.


Aqui eu não vou dedicar muito tempo a contar da carreira deles... Até para não me alongar muito, mas pelo fato de que eles não tiveram nada de muito marcante, fora as lambanças do Mogami que comento mais adiante. Os quatro faziam parte da Divisão 7 de cruzadores, seguindo uma constante mania que os japoneses tinham de colocar todos os navios de uma mesma classe juntos em um mesmo grupo. No início da guerra, em alguns momentos eles se separaram, geralmente o Mogami pareando com o Mikuma e o Kumano acompanhando o Suzuya, e participaram de algumas campanhas no Oeste do Pacífico, chegando até o Índico. A mais expressiva foi a Batalha no Estreito de Sunda, onde o Mogami e o Mikuma afundaram alguns cruzadores americanos e australianos.

E, apenas como comentário paralelo, o Estreito de Sunda não tem nada a ver com o saudoso Bussunda.


Já nesse momento, o nosso amigo Mogami começou a sua fama de desastrado. Nesta batalha, o Mogami e o Mikuma estavam acompanhados de alguns destróieres, ajudando no desembarque nas ilhas da região, até que um navio japonês identificou dois cruzadores aliados, o norte-americano Houston e o australiano Perth. Possivelmente em um momento de afobação, o Mogami disparou seis torpedos contra o navio americano, conseguindo a façanha de acertar cinco deles!

Só que... os cinco na verdade atingiram navios japoneses...


Cacetada! Não sei dizer se o navio americano conseguiu se desviar, ou o cara que atirou era zarolho. Mas o fato é que os torpedos erraram feio e foram atingir um grupo de navios que estava indo para o desembarque, lá longe. Um navio caça-minas e quatro transportes de tropas foram afundados sem misericórdia. Os torpedos japoneses tinham a fama de terem um longo alcance, e foi tanto que pegaram os coitados que não tinham nada a ver com a história...

O pior de tudo é que naquele momento, foram culpar um destróier japonês pelo incidente! Mas descobriram depois que o estrago havia sido causado por torpedos maiores, transportados por um cruzador, e baseado no horário do afundamento, estava claro que os inocentes navios haviam sido vítimas de fogo amigo vindo do Mogami.


Ou seja, além de desastrado, ainda foi um filho da puta, ao tentar culpar outro navio! Sacanagem!

Pois muito bem... Não demorou muito para que o Mogami viesse a chamar atenção com alguma lambança. Alguns meses mais tarde, ele e seus irmãos viriam a participar da Batalha de Midway, sobre a qual eu comentei quando escrevi sobre o Enterprise. Eles faziam parte de um grupo de escolta de navios de transporte, com o objetivo de fazer o desembarque. Fico imaginando se os caras nos transportes não estavam preocupados de serem torpedeados pelo Mogami por engano...

No final da batalha eles estavam ali se aproximando de Midway, até que em um dado momento, deram a ordem de pisar no acelerador para se aproximar da ilha. Só que logo depois desistiram da idéia, provavelmente porque naquela altura os japoneses já tinham perdido todos os seus porta-aviões e era hora de meter o galho dentro e bater em retirada. Acontece que, por algum motivo, os quatro cruzadores só se deram conta dessa ordem algumas horas depois, deixando para trás os transportes e seus destróieres de escolta que já tinham dado meia-volta. Eles estavam vindo tão alucinados que chegaram a poucos quilômetros da ilha.

E por ali tinha um velho submarino americano esperando...


Os navios estavam seguindo em fila, liderados pelo Kumano, que avistou o submarino na superfície. Vendo que estavam ali como uma presa fácil, foi dada uma ordem para todos eles virarem para bombordo... que na linguagem dos marujos significa virar para a esquerda. A idéia era se desviar de possíveis torpedos que o submarino yankee poderia ter lançado. Algo que na verdade não aconteceu, ele estava ali na dele, apreciando a paisagem, e aparentemente só veio a perceber os japoneses muito depois.

Aí é que começou a cagada. A ordem vinda do Kumano era para fazer uma curva de 45° para a esquerda, seguida de forma correta pelo Suzuya, que vinha logo atrás. Só que o Mikuma, terceiro navio na fileira, entendeu que era pra fazer uma curva de 90°. Talvez o cara do rádio tinha tomado muito saquê e entendeu a ordem errada, ou então o navegador tinha dificuldades para trabalhar com ângulos. Enquanto isso, o Mogami, que vinha na retaguarda, seguiu a ordem correta, virando para a esquerda apenas 45°.

Bom, pra facilitar, veja esse esquema que eu fiz, que mostra o ocorrido.


Ou seja: o imbecil do Mikuma virou demais e assim ficou na trajetória do Mogami. E já dá para imaginar o que aconteceu...

Eu não sei... Tudo bem que estava escuro, era de madrugada na hora do incidente, e os navios estavam seguindo quase na sua velocidade máxima de 70 quilômetros por hora. Assim, não tinha muito como não acontecer o acidente, em que o Mogami acertou em cheio o meio do seu irmão Mikuma. A foto aí de baixo é do Mogami, a caminho do Japão depois dessa porrada, em que dá pra ver a frente toda amassada.


Mas... puta merda! Tudo bem que eles estavam rápidos, mas estamos falando de navios, grandes pra burro. Não é como se os quatro estivessem num racha estilo Velozes e Furiosos, acho que daria tempo para eles perceberem a merda e desviarem. Além disso, como é que ninguém no Mogami enxergou que tinha um navio ali no caminho? Carambolas, os caras conseguem enxergar um submarino pequenininho, mas não vêem um cruzador ali perto? Enfim... Dizem que no Mogami também fizeram cagada, pois ao fazer a curva eles viram um navio distante, pensando que era o Mikuma que ia logo adiante, mas na verdade era o Suzuya, que tava na dele fazendo a curva corretamente lá longe, e por isso acharam que tava tudo sussa.

Na verdade, as manobras foram feitas tão no desespero, que quase a mesma coisa aconteceu com o Kumano e o Suzuya. Pelo mapa abaixo, mais realista que a piadinha que fiz, dá pra perceber (os números indicam a hora da posição de cada navio). Clique pra ampliar, a não ser que você tenha visão microscópica.


Depois da pancada, o Mikuma ficou todo arrebentado na lateral, mas ainda estava relativamente inteiro apesar de estar vazando que nem um balde furado, já que era uma região relativamente blindada. Enquanto que o Mogami levou a pior e destruiu sua frente inteira, que foi amassada quase até chegar na primeira torre de canhões. Seus outros irmãos deram no pé, deixando os dois navios danificados para trás, acompanhados por dois destróieres. Cabe ressaltar que o Mikuma, apesar de avariado, estava em melhor estado, mas ficou para trás para acompanhar o danificado Mogami.

Talvez por solidariedade ao seu irmão ferido... ou por remorso por ter sido culpado pela barbeiragem.

O Mikuma e o Mogami seguiram vagarosamente, e então sofreram sucessivos ataques da força aérea norte-americana. O mais irônico é que o Mogami, por mais arrebentado que estivesse e mesmo tendo levado seis bombas, conseguiu escapar. O Mikuma, por sua vez, não teve a mesma sorte: as bombas causaram um estrago maior e ele foi praticamente destruído, principalmente depois que seus torpedos explodiram. Pouco depois, ele acabou afundando.


Tudo bem que o Mikuma foi quem fez a merda, ao errar a curva... Mas o Mogami também foi desastrado ao porrá-lo daquele jeito. E saiu de fininho...

O Mogami voltou para o Japão para reparos, depois da trapalhada em Midway. E naquele momento os japas tentaram uma iniciativa meio louca para compensar a massiva perda de porta-aviões que eles haviam sofrido, que era converter navios para o transporte de aeronaves. Fizeram isso com dois encouraçados, e aparentemente pensaram em dar o mesmo destino para o Mogami, já que ele estava todo arrebentado. Assim, toda a sua traseira foi recauchutada, tipo o que fizeram com a Kim Kardashian. Os canhões posteriores foram removidos e fizeram uma pequena pista de pouso, para que ele pudesse lançar aviões. Virou assim um cruzador-porta-aviões, carregando onze hidro-aviões de reconhecimento.


Ou seja, não fazia bem nem uma coisa nem outra! Reduziram o seu poder de fogo para levar um punhado insignificante de aviões, iguais a que todos os outros navios levavam para fazer o reconhecimento da área. Teria sido melhor limpar todo o convés, botar uma pista de pouso completa e transformá-lo em um porta-aviões de verdade. Talvez faltou verba... ou talvez os japoneses estavam querendo inventar moda com o conceito de cruzador-porta-aviões.

A conversão foi concluída em abril de 1943. E um mês depois ele vai lá e me faz outra cagada...


Sério, pode parecer piada, mas logo depois de ter voltado à ativa, o Mogami acabou batendo em um petroleiro, enquanto manobrava na baía de Tóquio. Diferente de Midway, em que eles estavam ali em uma zona de guerra, esse acidente foi como bater o carro na garagem de casa, verdadeira estupidez... Por sorte, os danos foram leves, acredito que esse navio em que ele bateu estava vazio. Pouco se fala sobre esse incidente, sobre de que foi a culpa... mas imagino que tenha sido do Mogami.

Ou no mínimo ele era um baita dum pé-frio! Parece que ele estava cheio de urucubaca, azarado pra caramba! Imagino que sim, pois um mês depois de bater no petroleiro, ele estava certo dia ancorado ao lado do couraçado Mutsu, quando este inexplicavelmente explodiu pelos ares, em um dos maiores mistérios da história naval.


Mas eu aposto que foi culpa do azarado do Mogami também!

E alguns anos mais tarde, o desastrado cruzador japonês viria a passar por outra situação tosca e bizarra, dessa vez na Batalha do Golfo de Leyte, sobre a qual falei na postagem do Yamato. Mais especificamente, ele participou do combate conhecido como Batalha do Estreito de Surigao. Ele estava em uma força liderada por dois velhos couraçados, que foram ferozmente atacados por destróieres e lanchas torpedeiras norte-americanas. Os grandões se deram mal, mas o Mogami saiu ileso, o que pra mim só contribui para sua fama de azarado (para os outros). Acontece que logo chegaram alguns cruzadores inimigos que mandaram bala, destruindo boa parte de sua estrutura e armamentos. Todo arrebentado, o Mogami deu meia-volta e bateu em retirada para o sul.


Bom... mas tinha uma força de cruzadores japoneses, que havia ficado um pouco para trás, e que seguia a todo vapor para o norte.

Eu acho que você já adivinhou o que deve ter acontecido, né?


Realmente é difícil acreditar que o mesmo navio se envolveu em dois incidentes desse tipo durante combate, mas é verdade. O Mogami foi atingido de lado pelo cruzador pesado Nachi, que ficou com sua proa danificada. O pé-frio levou a pior dessa vez, pois o choque fez com que cinco torpedos explodissem, o que estraçalhou o navio ainda mais, destruindo um de seus dois motores. Mas o filho da puta ainda ficou inteiro. Como diz o velho ditado, vaso ruim não quebra fácil!

Todo estropiado, ele continuou a sua fuga vagarosa para o sul, até ser encontrado pela mesma esquadra de cruzadores onde estava o Nachi, que também estava se mandando dali. Um destróier foi escalado para a ingrata missão de escoltar o Mogami, que foi atacado pelos canhões de cruzadores americanos, mas que conseguiram a proeza de não causar nenhum estrago nele. Parecia que o pobre e azarado cruzador ia fugir de novo...


Só que não seria dessa vez, já que algumas horas mais tarde o outro motor pifou, e assim ele ficou totalmente sem propulsão, um alvo fácil para aviões americanos, que mesmo atingindo ele algumas vezes, não conseguiram mandar o Mogami para o fundo. Parece que nessa hora os norte-americanos jogaram a toalha, estavam gastando muito suor pra acabar com um monte de sucata flutuante que não iria para lugar nenhum.

Enfim... e assim terminou a saga do navio mais azarado da história. Largado ali no oceano, sem nenhuma chance de ser recuperado, o destróier que o acompanhava deu o tiro de misericórdia, afundando-o com um torpedo. Fim da linha pro Mogami, que pôde assim descansar no fundo do mar.


Impressionante como um navio conseguiu ter uma história tão desastrosa como ele. Além do incidente onde atirou em navios amigos, ele conseguiu a proeza de se chocar nem uma nem duas, mas três vezes com outras embarcações aliadas. Tudo bem que colisões assim podiam acontecer, ainda mais no calor da batalha ou por ajuda de mau tempo... Mas três vezes, é demais, pombas!

Apenas para não deixar a história da família incompleta, os demais navios da família não duraram muito. O Suzuya acabou sendo afundado no mesmo dia em que o Mogami foi sacrificado, na Batalha do Mar de Samar, depois de ataques aéreos que causaram a explosão de alguns de seus torpedos. Por sua vez, o Kumano sobreviveu a essa série de combates, apesar de ter perdido parte da proa por conta de um torpedo certeiro. Algumas semanas depois, ele foi atacado por submarinos norte-americanos enquanto escoltava um comboio, levando dois torpedos. Conseguiu ser rebocado para um porto, mas acabou afundado por ataques de porta-aviões enquanto estava sendo reparado.

Curioso, não? Repito, é uma das razões pelas quais eu sempre me interessei pela história de navios, pois cada um possui a sua bibliografia, seus feitos e, no caso do Mogami, seus muitos desfeitos. O pior é que ele não é um dos mais azarados, outro dia eu volto aqui pra contar as loucuras de outro navio, que não foi exatamente o mais azarado, mas que fez muita merda pelos cantos.