domingo, 10 de junho de 2018

Oska Deskmates

Às vezes por algum motivo eu me lembro de alguma coisa que de certo modo marcou meu passado. Sou meio assim, uma mistura de doido e nostálgico, que em alguns momentos travo minha mente em lembranças. Difícil explicar por que isso acontece, talvez eu veja ou presencie algo que age como um gatilho, que traz de volta essas lembranças. E dessa vez decidi até comentar isso em um post, para falar dos Deskmates, criados há alguns anos por uma empresa chamada Oska.


Você deve estar se perguntando: que pôrra é essa?

E realmente, confesso que nem sei como fui conhecer isso. Vamos voltar numa época em que surfar na Internet era bem diferente do que temos hoje. Lá pelo final dos anos 90, quando os computadores eram lentos para caramba, ainda tinham drive de disquete, os monitores eram catódicos e a gente podia se divertir horas desenhando no Paintbrush. Tive o prazer de crescer nessa época, podendo presenciar como que a informática avançou de forma alucinante nessas duas décadas.

Quando o assunto era Internet, ainda era muito mais limitada do que temos hoje. Não tinha Youtube, não tinha Facebook, e o Google estava aparecendo. Não tinha a diversidade de distrações como temos atualmente... E o que tinha de mais legal na época eram as lendárias animações e joguinhos em Flash.


Naquele tempo o Flash da Adobe era algo mais direcionado para fazer animações para sites, graças aos diversos recursos, algo como uma programação rudimentar que permitia fazer coisas interessantes. Tipo, criar botões que se mexiam ou com sons, coisas assim. Mas aos poucos a criatividade começou a levar pessoas a usar esse programa para desenvolver desenhos animados, geralmente de piadinhas, e até mesmo jogos, alguns muito bem elaborados a ponto de rivalizar com os videogames da época.

Quem é daquele tempo deve se lembrar de sites como Joe Cartoon, que tinha aquele gadget do sapo no liquidificador...


... ou do super legal Miniclip, que começou a trazer joguinhos super empolgantes e as hilárias piadas como o Dancing Bush...


... ou a comunidade Newgrounds, onde desenvolvedores de Flash de todo mundo compartilhavam dicas e suas animações, com uma imensa base de dados de vídeos e joguinhos, com destaque para paródias de videogame, como a sátira homoerótica do Altered Beast (que você pode ver aqui).


Aliás, sites esses que continuam até hoje, alguns mantendo as animações Flash, e outros, como no caso do Miniclip, chegando até aos aplicativos de celular. Vale a pena conferir.

No meio de um monte de outros sites, havia o pessoal do Oska Software, que nasceu na Austrália em 1997. Eles tinham aparentemente um perfil mais profissional, diferente dos sites acima que começaram de forma mais improvisada. E a Oska ganhou grande destaque com os tais Deskmates.

Mais uma vez... eram outros tempos, e a diversão nos computadores não era como hoje, onde é moleza achar um site de jogos ou distrações, onde podemos passar horas assistindo Netflix e outras coisas mais. E naquele tempo, uma das idéias que bolaram eram os chamados assistentes de Windows, que consistiam de programas que ficavam ali em segundo plano, geralmente com personagens passeando em seu desktop. Um que talvez você se lembre era aquele gorila roxo chamado BonziBuddy, toda hora aparecendo em banners nos sites.


Eram assistentes que tinham a intenção de ajudar na navegação, avisando quando chegava um email ou gerenciando downloads, alguns se utilizando de um programa de assistência nativo do Windows, apenas incorporando um visual diferente, e até mesmo atuando como screensaver. E que tinha geralmente um toque de humor, pois o personagem ficava ali fazendo algo pra chamar a atenção, ou tinha alguma reação se você clicava em cima dele.

E esses programinhas também tinham a fama de virem repletos de vírus, como spywares e adwares, pra fuder com seu computador.


Mas que mesmo assim muita gente instalava, pois era algo bem inovador na época. Era como um personagem animado com vontade própria, que as pessoas achavam um barato. Trazia uma certa interatividade diferente do que havia nos jogos, quase como uma realidade virtual, e como o símio roxo, era algo que podia auxiliar no uso do computador, servindo como mecanismo de busca na Internet ou ferramenta para avisar da chegada dos emails. Ou seja, teoricamente eram para ajudar a você usar melhor o seu PC, interagindo com o usuário.

Algo como o que temos hoje nos celulares, como a Siri do iPhone, o Google Now do Android ou a Cortana do Windows. Mas que apelavam mais para o lado de brincadeira, pela graça de ter um personagem vivendo em seu computador, diferente dos aplicativos de hoje em dia, que ajudam em diferentes tarefas práticas... ou ao menos para dar aquela sensação orgásmica de estar controlando um telefone com a voz.


Houveram vários exemplos de programas semelhantes, boa parte deles que era no final das contas um esconderijo para vírus indesejados, ou no mínimo não passava de um aplicativo que enchia mais o saco do que ajudava, pipocando na tela em um momento inoportuno ou consumindo a memória do computador. Cabe lembrar que naquela época os recursos eram bem mais limitados, ter 128 megabytes de RAM era luxo naquele tempo... Outro exemplo clássico de assistente virtual era aquele clip de papel do Office, lembra?


Esse era muito chato! Você estava digitando ali e do nada o puto aparecia, sugerindo algo que você não tinha perguntado... E que você podia mudar seu visual, para parecer um mago ou um cachorrinho.


E era mais ou menos isso que os Deskmates da Oska faziam. Na verdade, a Oska surgiu como uma empresa que aparentemente era voltada para educação e treinamento, conforme dizia o descritivo de sua página (que eu só pude acessar graças a sites de arquivo de Internet). Lá nos primórdios alguém teve a idéia de colocar o seu mascote, um koala com o mesmo nome da companhia, como um assistente para o usuário. Tudo isso para deixar o programa mais legal de se usar, além do próprio site ter comentado que aquele era pra ser um diferencial da empesa. Embora fosse algo equivalente ao clip de papel do Office.

Aparentemente, a idéia vingou... E percebendo que poderiam ganhar uma grana com isso, eles então desenvolveram um programa só com esse ursinho, e assim nascia o primeiro Deskmate em 1998. Era disponibilizado em uma versão gratuita de demo, com poucas animações, mas outras poderiam ser adicionadas comprando o programa, que dizia incluir atualizações futuras, com novas animações.


Segundo o desenvolvedor, o aplicativo não trazia nenhum tipo de vírus. Considerando que a versão completa custava 20 dólares na época, imagino que era mesmo um programa "limpo", ia ser muita putaria pagar vinte pratas por um programa virótico. E pelo que me lembro, o Norton nunca xingou nada na época em que eu brinquei um pouco com esses Deskmates. A proposta era a mesma, um ursinho que ficava ali na tela, que reagia de acordo com o clique de seu mouse, ou que ficava ali fazendo alguma coisa se você o deixasse quieto. Na verdade não tinha nada de assistente, pois Oska só servia mesmo como brincadeira, mas tava valendo. O legal é que ele tinha locais específicos para o clique: ou seja, dependendo de onde você clicasse nele, isso iniciava uma determinada animação, o que tornava a brincadeira mais legal, ao tentar localizar cada uma delas.


Foi um sucesso. Todo mundo se divertindo com um koala brincalhão que ficava passeando pelo seu desktop. Depois dele, a empresa começou então a bolar vários outros personagens, buscando atender a diversos públicos. Confesso que não encontrei em nenhum lugar a sequência real em que eles foram lançados, assumi isso a partir do que observei dos arquivos do site, onde é possível ver diferentes versões dele ao longo dos anos.

E o personagem seguinte viria a ser um que cativaria este texugo... e que foi quem motivou essa postagem. Em 2000, surgiu a gracinha da Tahni.


Eu sei que você vai dizer: sou patético. Mas eu admito que a bela modelo ruiva foi uma de minhas apaixonites de adolescência, na categoria personagem de faz de conta, que inclui as beldades dos desenhos animados e videogames. Não sei explicar bem o porquê, pois certamente haviam muitas outras mulheres bem melhor desenhadas, algumas com um par de magumbos tão chamativos como ela... Mas talvez o fato da interatividade, e de uma certa doçura desta mocinha foi que me chamou a atenção.


A idéia era a mesma do Oska, mas logicamente trazendo dessa vez uma garota que ficava ali na sua tela, reagindo aos seus cliques ou iniciando sozinha uma animação depois de um tempo de inatividade. Tahni foi criada como uma modelo, e que tinha ali seu estilo aventureiro, tipo "empoderamento feminino", mas sem a frescurada e exagero de hoje em dia. Tanto que muitas de suas animações eram piadinhas mesmo, com a garota imitando personalidades como Lara Croft e Elvis, mas que também tinha as suas animações mais sedutoras, como quando ela fazia uma dança com balões colados pelo corpo.


Logicamente que a escolha dessa personagem tinha a clara intenção de atrair adolescentes panacas como eu, que caíamos direitinho. Era como se Tahni fosse uma namoradinha que vivia dentro do computador. Difícil resistir. Por conta disso, foi de longe a mais baixada do site, mais de 30 milhões segundo dizem lá.

Tanto que ela veio a incorporar algumas animações 18+ em seu repertório, como outra forma que atrair a garotada. Mas... eu sinceramente digo que não era nada tão explícito e exagerado, estava longe de ser uma pornografia extrema. Era ela apenas ficar rebolando de fio dental ou eventualmente abrir o bikini pra fazer um topless relativamente inocente. Tem coisa muito mais obscena nos desfiles de Carnaval ou nas novelas da Globo.


Bom, acho que já dediquei bastante tempo para a ruivinha. E eu me conheço, ela certamente vai reaparecer aqui no post...

No mesmo ano, outro personagem que apareceu como assistente de tela foi um gorila chamado TeeCee. Talvez influenciados pelo BonziBuddy, os desenvolvedores da Oska trouxeram um primata também, só que ele fazia um estilo mais bonachão e engraçadinho.


Certamente TeeCee veio para ser uma atualização em relação a Oska, o koala, mas com um maior toque de humor. Enquanto o ursinho australiano vinha como o bichinho fofinho e meigo, que agradaria às meninas e faria os meninos serem zoados, o gorila azul era um desajeitado e engraçado personagem, pensando realmente em divertir. O mais bizarro é que ele por algum motivo usava uma fralda...


Realmente, um gorila simpático, embora nunca o tenha instalado, parecia ser mais legal que o Oska. E certamente mais inofensivo e bem-vindo do que o BonziBuddy, seu parente roxo, cheio de vírus como um macaco com Ebola...

Nessa época, eles criaram o tal site Cards-n-Toons. Era a típica página de animações em flash, incluindo vídeos de piadinha e até alguns jogos básicos, mas que também se especializou em gerar cartões animados. Esses cartões eram quase como os Deskmates, um personagem aparecia na tela e fazia alguma animação, geralmente apresentando uma mensagem de feliz aniversário ou outra coisa parecida.

O interessante é que algumas das animações e cartões traziam Oska, Tahni ou TeeCee, servindo como uma forma de propagandear os personagens dos Deskmates, que eram quem certamente sustentavam a empresa. Tudo seguindo a mesma estratégia: um download gratuito com poucas animações, e se você quisesse poderia comprar a versão completa.


Muitas dessas animações eram bem interessantes e engraçadas. Para esses flashes surgiram alguns outros personagens, como um tal de Guido, que era um babaca peludo metido a gostosão, e Amos, um tamanduá asqueroso, que certamente tinha a intenção de parodiar os desenhos lá da década de 30, com um visual muito semelhante a um dos Animaniacs, mas com piadinhas com um discreto cunho sexual (novamente, sem nada explícito, tudo nas entre-linhas). Me lembro também de algumas sátiras do jogo Pong, onde bonequinhos dentro das raquetes gigantes saíam na porrada, ou iam atrás do Pac Man para enchê-lo de pancada.


Uma alma caridosa nos fez o favor de colocar algumas dessas animações no Youtube. Vale a pena ver pra rir um pouco.


Mas vamos voltar aos Deskmates. E no ano de 2001 outros dois personagens ingressaram no grupo. Vou começar com a mais agradável, que era a loirinha Kahli, que nunca soube explicar muito bem o que ela era. Falavam como se fosse uma garota do futuro, talvez uma alienígena ou ciborgue, sei lá. Só sei que ela trazia uma roupa extremamente provocante, de cair o queixo.


Como Tahni, ela tinha a intenção de atrair os meladores de cueca de plantão... Mas também sem muita vulgaridade, trazendo também animações engraçadinhas e de zoação, onde ela imitava o Robocop, a Mulher Gato, o Megaman e outros heróis. Aliás, a grande sacada era que Kahli imitava muitos filmes, algo que sem dúvida era bem legal, ao perceber as referências de grandes produções de Hollywod, prato cheio para os nerds da época. E que mantinha o mesmo toque sutil de sensualidade em algumas interações mais provocantes, sem nenhuma vulgaridade, no máximo um ou outro topless...


Bonitinha. Só que honestamente, em minha opinião... Tahni era mais meiga e graciosa.

Uma curiosidade é que inicialmente ela iria se chamar Bambii. Mas eu acho que seria um nome meio exagerado, parecendo a alcunha de uma mulher de vida fácil. Ou estavam querendo manter imaculada a inocência do Bambi, o veado da Disney.


Eu disse veado... Vamos com calma... Embora o fato dele ficar com uma borboleta pousada em seu rabo enquanto está em um campo de flores não o torne muito másculo.

Seguindo, outro Deskmate que apareceu no mesmo ano já havia dado as caras no site do Cards-n-Toons em algumas animações e cartões. Podemos dizer que era o completo oposto de Kahli: era um gordo seboso de óculos escuros e boné, geralmente sem camisa, chamado Fat B.


Esse era muito engraçado... Já nos desenhos em flash, Fat B era um personagem asqueroso, abusando das piadas de peidos e arrotos, sem nenhuma vergonha de sua abundância adiposa, muitas vezes aparecendo de cuequinha ou até mesmo pelado, com sua banha cobrindo o seu pinto. E o Deskmate dele não era diferente, com animações bem nojentas e porcas, como essa loucura abaixo.


Embora não tivesse o mesmo apelo das personagens femininas, imagino que o Fat B fez sucesso, pois era muito hilário. Lembre-se que adolescentes em geral acham graça de coisas nojentas como peidos, melecas e arrotos, e o gordão aqui não deixava barato. Imagina só você escrevendo alguma coisa no computador e do nada aparece esse lunático, soltando uma bufa na sua cara? Sem dúvida era um personagem engraçado e divertido.

Os criadores não pararam por aí, aparentemente querendo manter uma taxa mínima de um novo Deskmate por ano. E a partir dessa época, só vieram personagens femininas, aparentemente eles se deram conta que a maioria do público era mesmo composto por adolescentes com os hormônios a mil. Por mais que esses jovens certamente fossem se divertir com um peidão como Fat B, dava pra imaginar que eles iam preferir uma gatinha passeando pelos seus computadores. Tanto que em 2002 quem apareceu foi Maeka, para se juntar ao time feminino.


Sinceramente, aqui eu acho que começaram a forçar um pouco a barra. Maeka era uma personagem de fantasia, imagine como se fosse uma Xena mais feminina e sem uma companheira lésbica, e assim trazia algumas animações envolvendo luta de espadas e magias. Era até bem jeitosinha, apesar de ter um par de olhos extremamente exagerados (sim, me refiro aos olhos!), certamente agradou aos nerds fãs de jogos de RPG, que poderiam agora deixar de imaginar personagens exageradamente sensualizadas e se deliciar com uma passeando em seus monitores e fazendo poses insinuantes, sempre esbanjando um largo sorriso.


Acontece que, apesar do jeitinho meiguinho da animação acima, Maeka começou a apelar muito mais para a nudez... Podem me chamar de puritano, mas eu acho que os desenvolvedores exageraram, com muitas animações onde ela está de roupa transparente ou com os peitos de fora, e até mesmo algumas onde estava completamente sem roupa, dando chance assim para que todos... digamos... para que todo mundo pudesse ver se o carpete combinava com as cortinas.


Ainda assim, Maeka não era nada pornográfica, diria que era até mesmo engraçadinha, como que tentasse insinuar uma maior sensualidade, mas sem nada muito explícito. Só acho que exageraram, não precisava forçar tanto assim, mostrando suas partes.

Bom, estou me cansando um pouco disso aqui... Até porque Maeka foi uma das últimas que eu vi com mais atenção. Desde então, comecei a achar esses Deskmates um pouco apelativos. Ao mesmo tempo, a Internet estava ficando cada vez mais popular, com vários outros sites com jogos e vídeos em Flash. Mas, vamos seguir, ia ser sacanagem parar no meio do histórico dos personagens criados pelo site. Vai que tem alguém aqui realmente interessado na história dos Deskmates...


Eu sei... Acabei de escrever isso e comecei a rir, pois provavelmente não deve ter ninguém interessado. Mas vamos seguir, não sou um texugo de deixar o post pela metade.

No ano seguinte, surgiu Johlee. Ela foi um grande marco, pois foi o primeiro Deskmate 3D a ser lançado, deixando de lado o estilo de desenho animado dos anteriores. Descaradamente era uma cópia da Lara Croft, com o visual de agente secreta. Por mais que tivesse algumas animações legais, era visível o mesmo nível de apelação de Maeka, com um exagero de nudez. Por qualquer motivo, ela botava os peitos pra fora e os ficava balançando.


Seria lançado no mesmo ano outro personagem... ou melhor, personagens. Também no estilo 3D, Sugar and Spice eram duas garotas sapecas, provavelmente amigas que se curtiam. Pelos nomes (e não faço idéia quem é quem), uma devia ser a mais meiga e outra a mais travessa. Só pelos previews, já dava pra ver que aqui abusaram, com muitas animações onde as duas estavam inteiramente peladas. Acontece que eu pessoalmente achava as duas meio estranhas, pareciam na verdade dois travecões se pegando. Essa foto aí foi a que achei mais normal.


Em 2004, a Oska seguiu por uma última vez com um assistente em desenho bidimensional. Na verdade, um monte de assistentes, pois Dancing Girls trouxe como grande novidade o fato de trazer várias garotas, todas elas dançarinas, dezesseis ao todo. Vários estilos de dança foram retratados, como can-can, disco, dança do ventre e cheerleader, uma idéia muito bem bolada. Aqui, controlaram um pouco a nudez, embora ainda tenham algumas que mostrem um pouco a mais...


E nesse mesmo ano alguém teve a sacada de utilizar os mais novos recursos computacionais em três dimensões para trazer de volta uma Deskmate de grande sucesso. Isso mesmo, a doce Tahni viria a ganhar sua versão 3D.


Eu pessoalmente ainda preferia a original, o estilo tridimensional ainda não estava muito legal... Mas Tahni 3D não era de se desprezar. Aparentemente ela não abusava da nudez como as outras Deskmates, mantendo ainda um certo nível de bom gosto sem exageros.


Algo bem legal na minha opinião é que muitas de suas animações eram as mesmas da original. Alguns podiam ter ficado chateados, esperando algo novo. Mas na minha opinião era uma jogada interessante, pois mantinha as mesmas brincadeiras típicas de alguns anos antes, sendo mesmo uma adaptação. Até porque, se fossem colocar coisas novas, provavelmente iam partir pra putaria.

E repito: ela é uma gracinha!

Bom, no ano de 2005 continuaram os personagens 3D, e agora usando a mesma estratégia das dançarinas acima, propondo um único programa que vinha com várias garotas diversas. Começou com o Screen Sirens, trazendo 23 beldades vestidas de forma sensual, con lingerie e biquinis, com a clara intenção de trazer um pacote com mulheres sensuais. Mais uma vez, apelando para um certo exagero...


Como pode-se ver, aqui o estilo 3D tentou ser um pouco mais "realista", fugindo do visual ainda de desenho das anteriores. Mas, ainda assim muito artificiais.

Com uma proposta semelhante, veio no mesmo ano o Fantasy Girls. Mesma coisa do anterior, várias garotas em um programa, agora com 26 personagens. Aqui, ao menos tentaram algo um pouco diferente, colocando mulheres com estilos do passado, presente e futuro. Tipo, tem uma parecendo a Cleópatra, uma de odalisca, uma sereia e até mesmo outra que lembra a Tempestade dos X-Men.


Interessante observar como havia cópias da Kahli e da Maeka mas em 3D, e até mesmo uma que lembra um pouco a Tahni.

Pois muito bem... mas nesse ano de 2005 o nível realmente desceu... Acho que foi um momento onde chutaram o balde e partiram para a putaria mesmo, com o Deskmates 2005, onde começaram a colocar mulheres reais. Pelo que diz no site, vinham doze diferentes, cada uma vestida de forma provocante. E o programa passou a ter um controle para o modo comportado e o NSFW.


Se você não sabe o que isso significa... Pombas! Você não entra na Internet não? NSFW é a sigla para Not Safe for Work. Ou seja, certamente era um modo onde você via algo mais...

Eu sei lá... Como disse, depois da Maeka eu perdi um pouco o interesse por esse site. Digo que apenas cheguei a ver na época até a Tahni 3D, todas as demais dali em diante eu só tomei conhecimento agora ao fazer essa postagem. E vejo que eu larguei de mão na hora certa, pois nesse momento a Oska estava enveredando para uma linha muito apelativa. Difícil imaginar que era a mesma empresa que havia criado um dócil e brincalhão ursinho koala há alguns anos...


Pode me chamar de escroto, ou até mesmo hipócrita. Mas eu penso que estragaram a idéia. Os Deskmates surgiram como algo divertido, pra brincar no computador. Mesmo Tahni e Kahli, com algumas sequências um pouco mais sensualizadas, ainda tinham um estilo relativamente comportado e inocente, com suas piadinhas e referências aos filmes. Neste momento, os Deskmates acabaram virando um programa para descascadores de banana sem noção...

Enfim... olhando no site deu uma impressão de que eles se arrependeram dessa idéia, lançando em 2006 outra personagem 3D. Talvez com a intenção de jogar na segurança e ao mesmo tempo atrair o pessoal das antigas, surgiu nesse ano a reedição tridimensional da garota do futuro Kahli.


Embora trouxesse animações um pouco picantes (mais do que na sua fase bidimensional), tive a impressão de que Kahli era relativamente mais comportada. Não havia versão adulta, e como foi feito com Tahni, diversas animações clássicas foram refeitas. Além disso, era visível como a qualidade da modelagem 3D havia melhorado, nada mal.

Acontece que Kahli 3D foi um breve suspiro de bom senso. Pois no mesmo ano e no seguinte, vieram outras Deskmates reais. Nem vou me dar ao trabalho de dar muito ibope para elas. Eis que apareceram, na ordem, a morena Arianna, a loira Tavia e a latina Jewel.


Da mesma forma que a primeira versão em carne em osso, essas garotas vinham com um modo comportado e outro NSFW. Na verdade, a Oska estava naquele momento seguindo a linha de alguns muitos outros desenvolvedores, que criavam "desktop girls", que ficavam ali dançando e  rebolando na área de trabalho. Nunca cheguei a ver essas, mas provavelmente deveriam ter alguma sequências mais pornográficas...

Chegaram a lançar até uma outra, em um site chamado Deskmate Ultra, chamada Trinity. E que era putaria total, com uma loira que fazia poses pra lá de abusadas, fazendo strip na sua tela, de ficar totalmente sem roupa mesmo...


O mais engraçado era ler no rodapé da página o nome completo da empresa: Oska Educational Systems. Tá certo, altamente educacional isso aí. Só se for pra aula de biologia, no capítulo do aparelho reprodutor...

Não sei se por esse motivo, ou pelo fato do grande avanço da Internet que trouxe outras formas de distração online (tanto inocentes e divertidas como os assistentes originais, como na linha da putaria das versões mais recentes), mas logo os Deskmates começaram a cair no esquecimento. Mesmo o site paralelo Cards-n-Toons viria a acabar alguns anos mais tarde, diferente de outros exemplos mais bem sucedidos como os que mencionei no início do post. Baseado no site de arquivos de internet, o site do Deskmates saiu do ar em meados de 2011, enquanto o Cards-n-Toons rodou no ano seguinte. Algumas das animações podem ser vistas em alguns poucos sites que as compartilhavam, ou em vídeos do Youtube como o que eu coloquei acima. Os Deskmates, por sua vez, até têm suas versões gratuitas que podem ser baixadas de sites de programas, enquanto que os programas completos devem estar por aí em torrents, caso alguém queira experimentar ou matar a saudade.


Como comentei acima, os Deskmates nasceram com uma idéia simpática e relativamente inocente, até a fase dos cinco primeiros personagens. Apesar das duas integrantes mais sensualizadas, com a lindinha da Tahni e a futurista Kahli, era ainda algo muito comportado, sem muita maldade nas animações e poses, nada muito explícito. E essas eram até poucas se comparadas com as sequências engraçadas. Logicamente, acompanhadas de Oska, TeeCee e Fat B, que eram focados no humor mesmo, diria que até bem acessíveis para a garotada mais nova. Ou seja, um bom equilíbrio.


Mas, a partir de Maeka, a mistura de Xena com Mulher Maravilha, tudo desingrolou de vez. Não sei se nesse momento mudaram a direção, ou se contrataram um desenhista muito tarado ou eles tentaram faturar com adolescentes no cio. Sei que a partir daí exageraram muito, apelando para a completa nudez das personagens, embora ainda de forma animada. Foram idéias que na minha opinião podiam ter sido melhor executadas, mas que se perderam totalmente. Por exemplo, o Dancing Girls tinha uma premissa até legal, mostrando diferentes estilos de dança... mas a partir do momento em que isso vira uma desculpa para botar metade das dançarinas com a "zona do agrião" à mostra, acho que é uma total perda de noção.

O visual tridimensional foi uma outra tentativa interessante, embora apenas Kahli 3D mostrou um nível de qualidade comparável com alguns dos jogos da época, as anteriores era ainda muito artificiais, e a maioria delas também apelando para o erotismo exagerado. Na boa, parece que a primeira delas, Johlee, surgiu graças a algum designer pervertido que adorava a Lara Croft do Tomb Raider, e aproveitou a oportunidade para gerar uma cópia mais safadinha dela.


E repito que o nível baixou quando partiram para as modelos reais fazendo strip-tease e mostrando tudo que tinha direito. Foi o momento em que os Deskmates se igualaram aos vários programinhas de mulheres dançando no computador, que eram (e ainda são) anunciados nos sites de putaria... Virou sacanagem mesmo, sem vergonha nenhuma.

O mais engraçado de tudo é que arrumaram umas mulheres meio estranhas. Sei lá, acho que elas deviam ser ex-participantes de um Big Brother da Austrália ou eram coadjuvantes de show de auditório, tipo aquelas garotas que ficam dançando no fundo do cenário do Faustão.


Na boa, podem me chamar de babaca... Mas eu prefiro muito mais a Tahni, com sua doçura e elegância...


Enfim, acho que já falei demais sobre esses Deskmates. Realmente, foi legal lembrar um pouco de uma época em que a Internet era bem diferente de hoje, cheia das animações em Flash. Dá um pouco de saudades, eram tempos antes dessas baboseiras de hoje, como os selfies, os textões do "Feice", das piadinhas do gemido e do negão da p... no "ZapZap", das fotinhos no "Insta" na academia ou do prato do almoço e outras futilidades escrotas, que espero que desapareçam como aconteceu com os Deskmates.

Vou ficando por aqui. E deixo pra vocês mais uma animação de saideira.


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Navios de Guerra - Couraçados Sulamericanos

Continuamos com mais uma postagem sobre navios de guerra. Dessa vez, vou mudar drasticamente de ares... ou melhor, de mares, e vou sair do combate no Pacífico entre o Tio Sam e o Jaspion, e vir para mais perto de nosso continente. É hora de contar um pouquinho da história de couraçados que fizeram parte de marinhas de países sulamericanos.


Mas pombas! Quer dizer então que países aqui da América Latrina tiveram navios de guerra desse porte? Sim, e o mais curioso é que o Brasil foi uma dessas nações, ao lado da Argentina e do Chile. Todos esses navios foram adquiridos no início do século XX, estando operacionais durante a Segunda Guerra até o final de suas carreiras, lá pela década de 50, mas sem terem visto muita ação. 

Vamos começar com o Brasil, até porque foi o primeiro país a investir na aquisição de encouraçados, seguindo a onda dos "dreadnoughts"...


Pausa. Afinal de contas, que diabos é um "dreadnought"?

Na verdade, Dreadnought era o nome de um couraçado inglês que inaugurou uma tendência que viria a se tornar o padrão de couraçados: navios de grande porte, carregando apenas canhões de grosso calibre e com propulsão a vapor. Antes disso, tais embarcações eram movidas a carvão e traziam canhões menores, dos mais diversos. Por isso, é comum se referir aos navios lançados antes de 1906, ano em que o Dreadnought nasceu, como "pré-dreadnoughts". 


Enfim, na época só a Inglaterra e os Estados Unidos tinham embarcações que se classificavam como "dreadnoughts", e surpreendendo a todos, o Brasil foi o terceiro país a encomendar navios desse tipo. Sério, antes mesmo de marinhas mais tradicionais como da Alemanha. As reações das demais nações foram das mais diversas, parte destacando o fato de que na época os navios brasileiros em construção eram os mais poderosos do mundo, enquanto outra parte criticava a estupidez e megalomania de um país que havia acabado de promulgar sua República e que poderia estar investindo esse dinheiro em obras de infra-estrutura mais úteis para a população. 

Mostra como desde cedo o governo brasileiro tem prioridades absurdas, sempre pensando no povo...


Interessante observar que o presidente norte-americano da época, o Theodore Roosevelt, juntamente com o embaixador dos EUA daqui, tentaram dissuadir o governo de seguir com a compra desses navios, não apenas pelo elevado custo que isso teria, mas também pelo risco de inflamar uma disputa armada no continente sem a menor necessidade (o que acabou acontecendo). Mas mesmo assim os brasileiros cagaram pra isso e pediram três navios. Acontece que apenas dois deles foram concluídos, o Minas Gerais foi lançado em 1908 e o São Paulo em 1909.


Cada navio tinha aproximadamente 165 metros de comprimento, pesando cerca de 20 mil toneladas quando totalmente carregado. Chegavam numa velocidade máxima de 21 nós (perto de 40 quilômetros por hora). Quanto ao armamento, tinham doze canhões de 12 polegadas (305 mm), organizados de uma forma bem peculiar: duas torres na frente, duas torres atrás, e uma torre de cada lado do convés. Talvez você ache estranho esse design, mas foi justamente esse o estilo proposto pelo Dreadnought e que foi replicado por vários outros navios da época.

Logo que chegaram ao Brasil, os dois couraçados protagonizaram aquele episódio que ficou conhecido como a Revolta da Chibata. Meu conhecimento de história brasileira é pouco, e meu interesse por ficar pesquisando sobre ela menor ainda... Mas digo essa revolta foi um motim promovido por marinheiros negros, descendentes de escravos (lembre-se que a Lei Áurea havia sido assinada menos de trinta anos antes), que tomaram os dois encouraçados e outros dois navios menores, como forma de protesto contra as terríveis condições que eles viviam ali dentro, que incluíam um tratamento na base da porrada, com chibatadas e tudo mais. Acabou que o motim terminou sem maiores problemas, com a anistia de seus participantes, embora muitos deles acabaram dispensados da Marinha.


Em todo caso, tinha tudo pra dar uma merda grande. Dizem que a sorte é que os amotinados não sabiam operar todos os equipamentos dos navios, incluindo os canhões de 12 polegadas.

Durante a Primeira Guerra, o Brasil se ofereceu para ajudar... Mas na verdade os aliados, liderados pela Grã-Bretanha, não se interessaram muito pelo apoio de navios obsoletos, e que não estavam recebendo uma boa manutenção (como esperado...). Na década de 20 eles receberam uma modernização nos Estados Unidos, mas nada muito especial. Em 1922, os dois navios participaram da Revolta Tenentista, aqui no Rio de Janeiro, onde o São Paulo atirou contra o Forte de Copacabana, que havia sido tomado por soldados rebeldes e estavam atirando contra a cidade.


Dois anos mais tarde, outro motim, dessa vez no São Paulo, em que os oficiais queriam pressionar o governo a soltar os presos da Revolta Tenentista. Foi curioso, pois a tripulação do Minas Gerais não topou esse motim, levando o pessoal no São Paulo a atirar com os canhões de menor calibre no seu irmão. Ele se mandou para Montevideo, sendo que no meio do caminho seus motores pifaram, o que limitou a sua velocidade para míseros 9 nós (em torno de 17 quilômetros por hora). Chegando lá, os revoltosos pediram asilo político, e os demais marinheiros levaram o navio de volta para casa.

Na década de 30, o Minas Gerais recebeu uma modernização mais completa, sendo que o maior destaque foi terem juntado suas duas chaminés em uma só. Por sua vez, o São Paulo não ganhou nenhuma recauchutagem pois estava ainda muito fudido depois do motim acima. Na Segunda Guerra, embora o Brasil tivesse entrado do lado dos aliados, seus dois maiores navios não tinham condições de fazer muita coisa, e foram ancorados em portos no Nordeste para atuar como baterias costeiras, o São Paulo em Recife e o Minas Gerais em Salvador.


Acabada a guerra, os dois encouraçados brasileiros viriam a ser desativados alguns anos depois. O Minas Gerais, por estar mais moderno, veio a sair do serviço só no início da década de 50, sendo vendido para um ferro-velho na Itália. Quanto ao São Paulo, seu fim foi mais trágico, e podemos dizer até mesmo misterioso.

O navio saiu do Brasil em setembro de 1951, sendo rebocado por dois navios ingleses que o levariam para a terra da rainha pra virar sucata. A bordo do São Paulo, estavam oito pessoas só pra cuidar do navio. Depois de várias semanas de jornada, os navios esbarraram com uma mega tempestade ao norte da Ilha de Açores, jogando os navios para os lados. Um dos rebocadores precisou soltar o cabo pra evitar uma colisão, enquanto que o cabo do outro não resistiu e se rompeu. O navio ficou a deriva, e logo os ingleses o perderam de vista no meio da tempestade. Passado o temporal, ninguém conseguiu encontrar o São Paulo, que afundou em algum lugar do Atlântico, e nunca mais foi encontrado...

Misterioso, não? Tem até alguns doidos que acreditam que foi o trabalho de extra-terrestres, que abduziram o navio para o espaço...


Enfim, esses foram os dois encouraçados que o Brasil teve. Cabe comentar que a Marinha brasileira quase adquiriu um outro, depois de ver as demais nações sulamericanas se armando com navios de guerra, que você verá que eram melhores que o Minas Gerais e o São Paulo. Como falei, eram pra ser três navios da classe, mas depois de algumas postergadas por conta de problemas políticos e econômicos, as autoridades brasileiras pediram para mudar o projeto e fazer um encouraçado mais poderoso, o Rio de Janeiro. Foi toda uma enrolação, digna da lerdeza de nosso governo, juntamente com uma indefinição sobre o tamanho dos canhões (vencida pelos apoiadores dos canhões de 12 polegadas), a ponto que em 1912, com o navio já em construção, os brasileiros achavam que ele já ficaria obsoleto. Por exemplo, várias marinhas já estavam fazendo canhões de 14 polegadas, de forma que o Rio de Janeiro já estava ultrapassado antes mesmo de terminar...


Pois é... como muitas das obras aqui, que começam prometendo serem as mais modernas do mundo, mas demoram tanto pra ficar prontas que ficam obsoletas antes mesmo de cortarem a faixa.

Como brasileiro tem mania de grandeza, pediram pra fazer com canhões de 15 polegadas, idéia que os ingleses não toparam. Mas aí melou tudo: a conta já estava ficando cara, juntando com a crise das exportações da borracha e do café, e faltou grana pra pagar. Assim, antes mesmo do navio ficar pronto, o Brasil o colocou à venda, e no final o Império Otomano (que viria a se tornar a Turquia) aceitou comprar o navio, que se chamaria Sultan Osman I.

Acontece que os turcos se fuderam nessa, pois os ingleses seguraram o navio pra eles, já que o Império Otomano decidiu ficar do lado dos alemães durante a Primeira Guerra, e eles não seriam tolos de dar um navio novinho pro amigo de seu inimigo. Depois de todo esse rolo, o navio que seria o Rio de Janeiro finalmente saiu, com o nome de Agincourt, servindo à real marinha britânica, participando de importantes batalhas na Primeira Guerra. Seria um navio fuderoso pro Brasil, com seus 14 canhões de 12 polegadas...

E estes foram os encouraçados brasileiros. Não fizeram muito de útil, isso é verdade, se envolvendo muito mais em revoltas internas aqui no país. Vale a pena comentar brevemente, na verdade se formos olhar pela real definição da palavra, o Brasil teve ainda dois outros encouraçados antes do Minas Gerais e do São Paulo, mas que se enquadravam na categoria dos "pré-dreadnoughts", que iniciaram serviço ainda na época do Império. O Riachuelo havia sido lançado em 1883, e era na época um navio relativamente poderoso, com quatro canhões de 9,2 polegadas (234 milímetros) em torres duplas, ligeiramente deslocadas para os lados em relação ao centro do navio. Mas ele não chegou a combater, sendo que seu maior destaque foi ter escoltado a família imperial ao exílio, depois de promulgada a República.


O outro era o Aquibadã, muito semelhante ao Riachuelo e carregando o mesmo tipo de armamento, se diferenciando pelo fato de ter uma única chaminé. Como o navio acima, foi construído na Inglaterra ainda na época imperial. Este teve uma vida mais ativa, mas que se restringiu a rebeliões e motins (curioso ver como os navios brasileiros se envolviam muito mais em conflitos internos), e afundou em águas rasas depois de ser torpedeado por um cruzador.

Em 1894 ele foi recuperado, e passou no cartório pra mudar de nome duas vezes: primeiro ele passou a ser chamado de 16 de Abril, e depois virou 24 de Maio, seguindo o mesmo hábito de usar datas para batizar ruas... Voltou a ser Aquibadã logo depois e foi remodelado.


E ele teve um fim trágico também... Em 1906 ele estava escalado para levar um ministro, e enquanto aguardava ancorado na região de Ilha Grande, aqui no Rio, um de seus depósitos de pólvora explodiu, afundando o navio...

Agora sim, a lista de encouraçados brasileiros está completa. Eu ia focar apenas nos dois maiores, mas como além deles foram só o Riachuelo e o Aquibadã, decidi dar espaço pra eles aqui também.

Mas não foram os únicos navios de guerra de grande porte que navegaram aqui pela América Latina. Argentina e Chile já vinham com uma certa disputa entre eles, principalmente com toda uma briga pela região da Patagônia, no sul do continente. Ainda na era dos "pré-dreadnoughts", com navios menores e de armamento mais singelo. Os chilenos começaram, encomendando o Captain Prát dos franceses, um navio ainda de propulsão a vapor, com cerca de 100 metros de comprimento e quatro canhões de 9,3 polegadas (equivalente a 240 milímetros), dispostos em torres simples, uma na frente, uma atrás e uma de cada lado, além de canhões menores, como era comum nos navios da época.


Os argentinos revidaram... pois argentino que se preze tem um ego imenso, e eles não ficariam para trás. E encomendaram da Inglaterra em 1889 dois navios de uma mesma classe, que eles classificaram como "encouraçados de rio", devido às suas dimensões. Eles se chamavam Libertad e Independencia. Eram menores que o navio chileno, tinham apenas 75 metros de comprimento, e cada um levava dois canhões de 240 milímetros.


Tá certo, não eram superiores ao Captain Prát, mas eram dois.

No início do século XX, a disputa continuou, e dessa vez os chilenos partiram pra cima, encomendando da Inglaterra dois couraçados maiores, o Constitución e o Libertad. Bom, acho que não preciso traduzir os nomes, e me pergunto por que essa mania de sempre chamar um navio de guerra por algo nada a ver com guerra como "liberdade", mas tudo bem. Esses seriam gigantes (para os padrões da época) com 145 metros de comprimento e quatro canhões de 10 polegadas, ou 254 milímetros.


Disse seriam pois esses navios não chegaram a ser entregues para o Chile. Na sequência, os argentinos vieram pedir cruzadores blindados pra compensar, e os ingleses, que tinham interesses econômicos com os dois países e não estavam afim de uma guerra entre eles pra fuder tudo, mandou as duas nações pararem com a viadagem de brincar de navio de guerra e interromper aquela corrida armamentista sem sentido. Foi firmado em 1902 um pacto de que nem Argentina nem Chile iriam construir ou comprar navios de guerra pelos próximos cinco anos, e que deveria ter um aviso prévio de 18 meses quando fossem fazer isso. Se quisessem brincar de guerrinha, que pegassem uns pedaços de papel e jogassem batalha naval.

Enfim, mãos foram apertadas, papéis assinados e todo mundo concordou. Os encouraçados encomendados pelo Chile ficaram com a marinha britânica, e os cruzadores blindados em construção para a Argentina foram vendidos para o Japão. E tudo ficou tranquilo na América do Sul.

Até o Brasil megalomaníaco fuder a pôrra toda e encomendar o Minas Gerais e o São Paulo...

A Argentina foi a primeira a se mexer, pois os dois novos navios brasileiros poderiam literalmente destruir as marinhas argentina e chilena juntas. Os governantes tentaram de tudo, tinha até uma idéia louca de pedirem para o Brasil dar um dos encouraçados para eles, pra assim tudo ficar de boa... e se o Brasil não aceitasse, eles iriam invadir o Rio de Janeiro, enquanto os novos navios ainda estavam sendo construídos.


Sim, parece piada... Mas lembre-se que argentino odeia brasileiro. A sorte é que esse plano doido foi descoberto pela imprensa, e todo mundo achou ridículo.

Os hermanos tentaram de novo a oferta de comprar um dos navios brasileiros em construção, o que foi declinado. Assim, o senado argentino decidiu meter a mão no bolso e comprar dois encouraçados pra fazer frente à marinha brasileira. Da mesma forma que aqui, muita gente achou isso sem sentido, pois era um dinheiro que poderia ser usado para coisas mais úteis para o povo. Sim, papo de comunista... mas em se tratando de América Latrina, era realmente melhor ter gasto essa grana com coisas mais práticas para a sociedade do que em navios de guerra que provavelmente serviriam só pra ficarem se exibindo... que foi o que aconteceu.

E como argentino é um povo escroto... todo o processo de "licitação" com os diversos estaleiros do mundo foi feito na maior sacanagem. Tipo, cada um dava ali uma proposta de navio, e os argentinos diziam que iam pensar, e depois cancelavam tudo, estabelecendo outros critérios, que certamente eram baseados na melhor proposta que eles haviam recebido anteriormente. E claro, pedindo mais por menos. Foram três tentativas, e no final ganharam os Estados Unidos, que jogaram o preço lá embaixo e se comprometeram a construir dois encouraçados, e um terceiro caso o Brasil viesse a fazer três navios. Era o nascimento do Rivadavia e do Moreno.


A construção dos dois começou em 1910, sendo que o Rivadavia ficou pronto em 1914 e o Moreno em 1915. Eram grandes navios, com cerca de 180 metros e deslocando 30 mil toneladas quando carregado. Quanto ao armamento principal, levavam doze canhões de 12 polegadas (ou 305 mm), dispostos em torres duplas, com duas na frente, duas atrás e uma de cada lado. Em outras palavras, eram navios equivalentes em poder de fogo ao Minas Gerais e ao São Paulo, mas eram maiores e melhor blindados.

Em todo caso, foi curioso que mesmo antes dos navios ficarem prontos e serem entregues para a Argentina, já tinha gente no governo planejando vendê-los logo em seguida, logicamente por um preço maior do que a compra. Pra você ver que existia a chance do Rivadavia e do Moreno serem vendidos para o Japão, o que deixou os americanos putos. Além disso, havia uma pressão das nações européias sobre os Estados Unidos, pois haveria o risco dos navios serem vendidos para uma nação inimiga (o que quase aconteceu). Isso fez com que o Tio Sam agisse diplomaticamente, exigindo que os argentinos ficassem com os navios.


Pois muito bem, parecia que os hermanos iam ter que segurar o rojão sozinhos. Os encouraçados chegaram e não fizeram muito de especial, em grande parte por conta de uma crise de abastecimento no país que limitava o combustível, e dessa forma os navios se restringiram a poucas missões diplomáticas. Na década de 20 os dois foram para os Estados Unidos para passarem por uma modernização, envolvendo uma melhoria em seus maquinários, que passaram a usar óleo combustível em vez de carvão, e na instalação de canhões anti-aéreos.

Mas tudo isso não fazia muita diferença, pois o Rivadavia e o Moreno permaneceram apenas com missões diplomáticas, a maioria aqui na América do Sul, envolvendo a participação em celebrações como o centenário da independência do Brasil e algumas visitas à Europa. Veio a Segunda Guerra, e como a Argentina permaneceu neutra os dois encouraçados nada fizeram. Passada a guerra, o Rivadavia e o Moreno foram colocados na reserva, sendo que o primeiro teve várias de suas peças removidas para serem usadas em navios mais novos e o segundo serviu como prisão para os integrantes de uma revolução.


Por fim, os dois foram vendidos como sucata na década de 50, sendo que o Rivadavia foi desmontado na Itália e o Moreno no Japão. Foi o fim de suas carreiras praticamente inúteis, aos menos os encouraçados brasileiros haviam participado de algumas revoluções internas e haviam disparado seus canhões...

Mas e o Chile? Onde ele fica nessa história toda?

Os chilenos estavam passando por dificuldades ainda maiores que os demais países sulamericanos, graças a um terremoto em 1906. Mesmo assim, eles estavam atentos aos desenvolvimentos dos seus vizinhos, em especial ao ver a Argentina investindo pesado em dois novos encouraçados. Dessa forma, eles também se dispuseram a escutar ofertas de vários estaleiros, embora eles já tinham meio que definido que comprariam com os ingleses, parceiros de longa data. O contrato foi firmado em 1910, para a construção de dois encouraçados grandes, o Almirante Latorre e o Almirante Cochrane. Verdeiros "super-dreadnoughts", com 190 metros de comprimento, deslocando 32 mil toneladas e com 10 canhões de 14 polegadas (ou 354 milímetros) em torres duplas, duas na frente, duas atrás e uma no meio, sem aquela idéia dos demais navios de colocar no lado.


Ou seja: eram pra ser os encouraçados sulamericanos mais poderosos, pra calar a boca do Brasil e da Argentina.

Acontece que esse navio estava ficando pronto muito perto do início da Primeira Guerra, e quando ela começou a construção foi interrompida. Os ingleses, que não eram bobos, precisavam maximizar o tamanho de sua esquadra para enfrentar os alemães. Dessa forma, eles decidiram comprar o Almirante Latorre do Chile, já que ele estava quase terminado, sendo rebatizado como Canada e servindo com a real marinha britânica a partir de 1915. Ele inclusive participou de grandes batalhas contra os chucrutes, e com o fim da guerra foi colocado na reserva.


Terminada a guerra, os chilenos que haviam ficado chupando o dedo decidiram voltar a falar com os ingleses, com a intenção de comprar alguns navios que eles estivessem querendo se livrar. Tentaram oferecer de tudo, mas no final o Chile optou por pegar definitivamente o Canada, que seria originalmente feito para eles. E se deram bem, pois pagaram um terço do valor que gastariam no passado, aproveitando a promoção britânica, pra limpar o estoque de navios velhos da guerra. 

Mas a vida desse ex-combatente da Primeira Guerra veio a ser um marasmo depois, participando de missões diplomáticas e carregando o presidente chileno pelos cantos. Modernizado na década de 30, foi nessa época também em que ocorreu um motim em alguns navios chilenos, incluindo no Almirante Latorre. Depois disso, nada muito especial na vida dele... Curioso observar que os Estados Unidos até chegaram a fazer uma oferta pelo encouraçado, depois de vários de seus navios terem sido afundados em Pearl Harbor, mas logo depois ele se deram conta de que esse era um navio bem ultrapassado e que não ajudaria muito.


O Almirante Latorre amargurou seus últimos dias como um navio-depósito, até ser vendido para desmanche em 1959. Era o fim do único grande encouraçado chileno. 

Mas não eram dois? É, no início os chilenos tinham solicitado dois encouraçados, mas no final apenas um foi comprado. E foi isso mesmo, pois aquele que devia ter sido o Almirante Cochrane, que estava mais incompleto na época do início da Primeira Guerra, ficou com os ingleses e acabou sendo convertido em um porta-aviões. Passou a se chamar Eagle, e foi uma das primeiras embarcações desse tipo da marinha inglesa.


Agora sim, chegamos ao fim, varrendo todos os encouraçados que navegaram (ou quase isso) nas marinhas sulamericanas. Depois da Segunda Guerra, em que o poder aéreo se mostrou decisivo, navios de grande porte como esses caíram no desuso de uma forma geral, e isso foi observado também nas esquadras desses países daqui. Com um foco maior em cruzadores, fragatas e destróieres, navios grandes por aqui foram apenas os porta-aviões... e acho que vou falar deles em uma outra postagem parecida no futuro.