sexta-feira, 30 de maio de 2014

Quero esse jogo

Sei que é de zoação... Mas é só uma desculpa para me lembrar daquela gracinha da Natalia Poklonskaya, a procuradora geral mais linda da Criméia...


Já disse isso e digo de novo... Os japoneses são o povo mais tarado e absurdo que existe. Claro que esse jogo não é de verdade, mas não duvido nada que algum doido o torne realidade...

sábado, 24 de maio de 2014

Outra bandeirinha polêmica

Pra começar, desculpem a demora em aparecer aqui. Meu computador decidiu me dar uma sacaneada nesses dias e pifou, e se agora eu consegui voltar aqui à ativa. Foi complicado, pois estava com esse post já bem iniciado e agora já passou um tempo da notícia. Mas, enfim... Vamos em frente.

Futebol sempre foi, e provavelmente sempre será, um esporte repleto de polêmicas. Claro que essas polêmicas se alastram para todos os lados, inclusive fora do campo, com as roubalheiras de tapetão, o favorecimento descarado para certos times mais populares, as lambanças e micos que certos jogadores passam fora dos gramados, como quando o Ronaldo pegou aqueles três travecos. Mas por enquanto eu vou me focar somente nas polêmicas que ocorrem entre as quatro linhas, ou mesmo perto delas. Só isso já dá pano pra manga, envolvendo as trapalhadas da arbitragem em jogos, muitas vezes sempre favorecendo certos times escrotos...


Fico às vezes me perguntando por que não fazem uma revolução no futebol para evitar a influência subjetiva do trio de arbitragem. Todo fim de semana, sempre é de se esperar que ocorra algum lance onde o senhor de apito ou um dos bandeirinhas cometa um erro crasso, que muitas vezes venha a prejudicar o resultado final do jogo de forma decisiva. Tipo, um pênalti mal marcado, um impedimento que só o juiz viu, um cartão vermelho sem muita razão... Erros que ocorrem por conta de uma interpretação mal feita, por golpe de vista, ou mesmo por conta de um certo medo em apitar certas coisas contra certos times.

Sim, estou mandando várias indiretas contra o Framengo sim! Sério, não conheço um time no futebol brasileiro que tenha sido mais favorecido pela arbitragem, como sempre digo, é bem comum os rubro-negros entrarem em campo com doze jogadores, sendo um deles com roupa preta e apito na boca. A arbitragem sempre favorece esse timinho escroto, muitas vezes pelo fato do juiz e/ou bandeirinhas terem uma simpatia pelo mais odiado do Brasil, ou seja pelo medo de apitarem alguma coisa contra um time que infelizmente tem uma força política grande. Se um juiz comete um erro contra o Flamengo, é inadmissível, está errado, é uma vergonha, o time faz tudo para que ele seja punido; se o juiz comete um erro a favor do Flamengo, era um lance difícil, errar é humano, essa é a graça do futebol, é choro de perdedor...

Enfim... Mas o motivo da postagem é para falar a respeito de um caso que chamou a atenção em uma das rodadas passadas do Campeonato Brasileiro desse ano, mais particularmente no clássico entre Cruzeiro e Atlético Mineiro. O Galo ganhava de 2 a 1, quando no final do segundo tempo um atacante cruzeirense recebeu a bola em posição legalíssima. Mas o auxiliar marco impedimento.

Ou melhor, "a" auxiliar.


Sim, naquele dia quem corria ao lado da linha naquele lado do campo era a bandeirinha Fernanda Colombo Uliana, catarinense de 25 anos, que enxergou um impedimento inexistente, Um erro que levou ao dirigente do Cruzeiro soltar o verbo, dizendo que se ela era só bonitinha, que fosse posar pra Playboy. A auxiliar já havia cometido um erro grave em um jogo do São Paulo alguns dias antes, e depois dessa mancada no jogo entre os times mineiros ela foi afastada para uma reciclagem.


Todo o episódio logicamente levantou uma série de questões a respeito do machismo no futebol, criticando a postura do dirigente do Cruzeiro ao dizer que ela só servia para posar para revista masculina. Teve gente que até criticou a postura dela ser afastada dos gramados, sob a alegação de que outros juízes cometem erros semelhantes (como o árbitro da mesma partida) e eles não sofrem nenhuma represália, nenhuma punição.

Bom, quanto a esse último aspecto, eu penso que no fundo o que existe é uma putaria associada a proteger certos times, uma postura de que somente os membros de arbitragem que erram contra certos times são punidos, enquanto outros passam na boa. Eu não penso que a auxiliar Fernanda tenha sido afastada por ser mulher, mas sim por ela ter cometido um erro contra um time que no momento está em evidência no futebol nacional e que tem a simpatia dos meio de comunicação. Afinal de contas, estamos falando do Cruzeiro, atual campeão brasileiro e até aquele momento único representante brasileiro que restava na Libertadores. Ou seja, um time da "modinha" agora, exaltado pela Rede Bobo, que sabemos bem que manda no futebol brasileiro. Por isso, era inaceitável que alguém que tivesse prejudicado o Cruzeiro permanecesse impune.

Resumindo: se a Fernanda tivesse errado contra o Atlético, acho muito difícil que ela teria sido afastada; e se tivesse sido um bandeirinha homem que tivesse errado descaradamente contra o Cruzeiro, ele seria afastado da mesma forma.

Isso é fato, somente quando erram contra certos times que há punição. Como o Flamerda, é claro. Por exemplo, no campeonato desse ano tivemos um lance no clássico entre os mulambos e o Vasco, onde em uma cobrança vascaína a bola entrou descaradamente dentro do gol (que comentei nessa postagem aqui). A comissão reconheceu o erro, admitiu que o Flamengo foi beneficiado... Mas não puniram o auxiliar que estava em pé em cima da linha, dizendo que se ele estava lá e não marcou, é porque não viu... Palavras de Jorge Rabello, presidente da comissão de arbitragem carioca.

Sim, ele não viu... Muito difícil... É como se a gente olhar para essa foto aqui de baixo e dizer que não vimos nenhuma mulher nela...


Agora, por outro lado, alguns anos atrás o mesmo rubro-merda perdeu para o Boa Vista por 2 a 1. E logicamente, quando o Flamerda perde, é sempre porque a arbitragem roubou, é discurso padrão da mulambada, seu time de merda nunca perde por jogar menos ou ser pior que o adversário. Mas, dessa vez, o juiz que cometeu erros foi afastado para reciclagem. O mesmo Jorge Rabello veio dizer que nesse caso erros desse nível são inaceitáveis, que o juiz influenciou diretamente no resultado da partida.

Tá, e a bola do Vasco que entrou, não influenciou o resultado da partida? Ou o gol impedido do mesmo Flamengo na final contra o Vasco, não influenciou o resultado do jogo e do campeonato?


Pôrra, faça-me o favor... Fica descarada essa postura de proteção a times como o Flamerdinha. Só punem aqueles que prejudicam times assim, quando eles levam vantagem, vão com esse papinho de "errar é humano". Vai se fuder.

Não estou dizendo que um juiz ou bandeirinha que cometa um erro grave desse não deva ser punido. Deve sim, deve ser mandado pra reciclagem, ou mesmo em situações gravíssimas, onde resultados de campeonatos inteiros sejam afetados, deveriam ser banidos eternamente das competições, ser proibido até de apitar partida de futebol de botão. Mas a regra tem que valer para todos, não pode haver essa conivência a ponto de tolerar erros quando estes favorecem os times que são mais valorizados pela mídia. Fica tão evidente que até perde a graça, certos times como Flamengo, Corinthians, Cruzeiro, Grêmio e São Paulo são sempre "protegidos", se alguém erra a favor deles não há problema, parece que há uma preocupação em não prejudicar times que tenham grandes torcidas, pois enquanto esses times estiverem ganhando, é uma torcida grande que fica satisfeita, que vai comprar jornal e assistir o Globo Esporte.  Em compensação, quando o erro ocorre contra certos times, como meu Botafogo, fica por isso mesmo, vira até motivo de piadinha...


Passada essa questão da punição, que ao meu ver não tem nada a ver com o fato dela ser mulher, tem toda a polêmica envolvendo o fato da bandeirinha ser mesmo bem bonita e acabar sendo alvo comentários machistas. Vale para o que disse o dirigente do Cruzeiro, mas vale também para a torcida do Atlético com seus gritos de "gostosa" depois que Fernanda anulou o lance do atacante cruzeirense.


Como eu já comentei aqui, sempre repudiei o machismo e o preconceito contra as mulheres. Por mais que possam pensar o contrário, em especial aqueles que já passam aqui no meu site há algum tempo e conhecem as postagens de categoria "mulheres", embora sempre diga que por aqui as coisas são oitocentas vezes mais comportadas do que muitos outros sites por aí. Mulheres merecem respeito sim, e podem sem dúvida fazer tudo que os homens fazem também, da mesma forma e com a mesma qualidade, de uma forma geral. Claro que vão haver coisas que homens naturalmente tenham mais facilidade ou habilidade para fazer, e vice-versa, mas que não significa que não existam exceções. Todos são iguais, mas possuem as suas diferenças, que necessariamente não tornam este ou aquele sexo superior ou inferior. O que eu condeno é uma postura exagerada de "igualdade", tipicamente defendida por feministas mais ferrenhas, aquelas que acham que os homens são inferiores, que eles não prestam, que as mulheres estão sempre certas e são sempre melhores. Aquelas que querem defender igualdade entre homens e mulheres exigindo regalias e vantagens para elas, enquanto pedem deveres e punições contra eles.

Como sempre disse, não é certo combater preconceito com preconceito. Nada justifica uma postura feminista exagerada a ponto de dar mais vantagens para as mulheres sobre os homens, de forma a compensar o preconceito que elas sofreram no passado. Da mesma forma como ocorre com negros e outras vítimas de preconceito, mas isso é assunto para outra oportunidade.

Digo isso pois eu sinceramente fico me perguntando quais os reais motivos que levaram não somente a auxiliar Fernanda, mas também tantas outras, a seguir na carreira de arbitragem. Não estou dizendo que mulher não possa apitar jogo de futebol ou atuar como bandeirinha. Mas, trata-se de uma "profissão" tipicamente masculina. Coloco entre aspas pois na prática não é uma profissão como as outras, é quase como um bico, é só ver a quantidade de árbitros que trabalha normalmente em outros empregos, só pendurando o apito no pescoço nas quartas à noite e fins de semana. A própria Fernanda, quando não está nos gramados, trabalha como personal trainer e dá aulas de hidroginástica.


O que eu pergunto é: será que ela realmente gosta tanto assim de futebol? Será que profissionalmente falando não é muito mais interessante que ela investisse em uma carreira mais "séria"? Com uma formação em Educação Física, alguém como ela certamente conseguiria trabalho fácil em academias, por exemplo, trabalhando full-time como personal trainer, certamente ganhando mais e tendo menos dor de cabeça do que teria ao atuar como bandeirinha.


Eu não sei, posso estar até mesmo enganado, eu admito. Mas infelizmente a vida sempre me ensinou a questionar, a ter aquela "pulga atrás da orelha", a ponto de ser sim um pouco desconfiado em relação a certas coisas... E é o caso dela. Por mais que tentem me convencer, fico me perguntando se tudo não se passa de uma jogada que a Fernanda está fazendo para ganhar os seus cinco minutos de fama.

Vamos por partes. Como as fotos que ilustram essa postagem mostram, não resta dúvida que Fernanda é uma garota linda. Aliás, acho que Santa Catarina é o lugar onde tem a maior concentração de beldades no Brasil. Estranho ela própria dizer que não sabia que era assim tão bonita: tudo bem, em um lugar onde garotas loiras de olhos claros e super bonitas é mais comum que suburbano fazendo farofada na praia de Copacabana, talvez ela possa achar que sua aparência não é assim tão de destaque. Mas acho que no fundo ela sabe que tem sim uma beleza de chamar atenção, só o fato de ser formada em Educação Física já é algo que ajuda a ter aquele corpo saudável e atraente que faz todos babarem. Mulher sabe quando tem beleza sim. E sabe muito bem como usar isso ao seu favor.


E aí pense comigo: em um ramo como personal trainer, certamente ficaria difícil ela se destacar. Dá um pulo numa academia e veja como são as personal trainers que trabalham lá, todas garotas em seus vinte e poucos anos, lindas, com corpos esculpidos graças a muita ginástica e alimentação saudável, cobertos por aquelas roupinhas de ginástica justas e coladinhas. Não querendo adotar aqui uma postura chauvinista e porca, mas é a mais pura verdade, sem entrar no mérito da qualidade profissional que elas certamente têm, mas personal trainers são normalmente garotas nesse estilo, dotadas de uma aparência de tirar o fôlego. Num universo desses, Fernanda seria somente mais uma, talvez até mesmo uma que não chamaria tanto a atenção.

Mas, por outro lado, quando você fala de um meio como o da arbitragem de futebol, estamos falando de outra realidade, uma realidade onde a imensa maioria é de homens. E em um ambiente desses, uma loira bonitinha certamente se destaca, chama a atenção. Goste ou não, seja isso intencional ou não. Decidindo por ser auxiliar de arbitragem, certamente Fernanda iria se destacar, sem precisar fazer muito esforço. Pode apostar que, mesmo antes dessa polêmica do jogo do Cruzeiro, ela já ganhava um certo destaque, não duvido que ela já foi entrevistada em programa esportivo, que ela atraía as câmeras nos jogos de futebol que apitava.


Só que claro, isso só não basta. Como muitos dizem, a boa arbitragem é aquela que passa despercebida. Quando você pouco percebe a a atuação de um juiz ou bandeirinha, é porque eles estão fazendo um bom trabalho, fazendo as regras serem seguidas e permitindo que os jogadores façam seu espetáculo. Mas, quando um deles faz uma lambança, uma polêmica... Aí seu nome aparece nos jornais, ele será entrevistado no final da partida, vai ter maior destaque. Quando um juiz ou auxiliar está aparecendo mais, é porque está fazendo alguma merda.

E esse é o ponto que eu queria chegar: se Fernanda tivesse marcado os lances corretamente, certamente ela não estaria em toda essa evidência que está hoje. Eu por exemplo não estaria fazendo aqui um post sobre ela. Quer ela goste ou não, e tenha ela feito isso de forma proposital ou não, os erros que ela cometeu nas duas partidas a tornaram conhecida, a colocaram nas páginas de jornais e revistas, fizeram ela aparecer mais na televisão. Mais do que ela iria aparecer se tivesse acertado nos lances.

Difícil não se lembrar numa situação desses de Ana Paula Oliveira. Quem é botafoguense como eu se lembra bem, da bandeirinha que fudeu o alvinegro em um jogo contra o Figueirense na Copa do Brasil de 2007, anulando dois gols legítimos do Botafogo, o que fez com que ele fosse eliminado. Fez essa cagada toda, ganhou seus cinco minutos de fama, o que foi suficiente para que ela fosse sondada pela Playboy, posando pelada para a revista. Nunca mais atuou como bandeirinha, mas garantiu certamente seu pé-de-meia e hoje aparece de vez em quando comentando esportes na televisão e participando daquele programa tosco da Fazenda.


Você acha que não vai acontecer algo parecido com a Fernanda? Não tenho dúvidas que 24 horas após o polêmico jogo, a Playboy deve ter entrado em contato com ela para convidá-la para posar nua. Afinal de contas, sabemos bem que a revista do Sr. Hefner não perde a oportunidade de despir uma personalidade do momento, sabendo que a marmanjada vai adorar ver os air bags e a periquita daquela atriz da novela que está fazendo sucesso, da ex-participante do BBB que apareceu sem roupa nas câmeras e outras semi-celebridades que estão estampando as páginas de Caras nas últimas semanas. Já dá até para imaginar, um ensaio ambientado na Copa do Mundo, com Fernanda usando somente meiões e chuteiras, segurando a bandeirinha vermelha e amarela em frente ao seu corpo...

É, até que não é má idéia... Playboy, se vocês me pagarem um cascalho, podem usar essa idéia.


Claro que nesse momento a Fernanda fala que não, que não pensa em posar sem roupa, e que quer paz para não ficar tanto em evidência assim, querendo deixar a poeira baixar para que ela possa aos poucos voltar à participar de partidas. De novo, não estou dizendo que seja impossível que ela pense assim, afinal de contas ainda quero acreditar que existem pessoas que têm um pouco de decência e bom senso. Mas eu digo novamente que não seria muita surpresa ela aproveitar esse momento único em sua vida, onde ela está na boca do povo, para conseguir ganhar o máximo com isso.

Vamos ver o que acontece... Quem sabe daqui algumas semanas não volto com mais um post dela? Depende do que ela vai querer fazer com seus cinco minutos de fama que tem agora...

terça-feira, 6 de maio de 2014

Vida Pessoal x Vida Profissional

Eu estava ultimamente de férias, um bom período para relaxar e me livrar do trabalho. Nada como durante um mês poder acordar a hora que eu quiser, ficar livre das ligações e e-mails do serviço, fugir do trauma de pegar transporte público na hora do rush e não ter que participar daquelas reuniões cansativas que não decidem nada e só tomam tempo. Férias é a melhor coisa que se tem, e confesso que mesmo após ter acabado de voltar já estou pensando em quando vou poder sair de férias de novo... Ou pelo menos quando será o próximo feriado prolongado.


Cada uma das minhas férias tem as suas peculiaridades, nunca uma é igual a outra. Mas tem uma coisa que é comum a todas elas: eu não mexo em nada do trabalho, esqueço completamente de tudo da minha vida profissional. Chego até ao ponto de preferir nessas situações sair com amigos de outras épocas, como da faculdade ou colégio, evitando ao máximo os colegas de trabalho para que não chegue aquela hora em que o assunto será alguma coisa do serviço. Férias pra mim é isso, é um momento para você se desligar do trabalho por completo. Se não, não seria férias!

Entretanto, foi engraçado quando eu retornei das minhas férias em uma certa oportunidade, não nessa última, mas recordar é viver. A maioria do pessoal veio dar as boas-vindas, perguntar o que eu tinha feito e etc, algo natural quando você fica fora algum tempo, embora sempre tem aquelas pessoas que parecem fazer a questão de te ignorar. Depois de alguns minutos, estava na minha mesa me preparando psicologicamente para ver a montanha de e-mails que havia chegado nas últimas semanas, e um supervisor do escritório veio falar comigo, me chamando para a sala dele.


Claro que nessas horas bate aquela sensação de "fudeu", como se eu fosse ser despedido. 

Sim, eu já vi uma vez isso acontecer em meu antigo emprego, o cara saiu de férias e quando voltou foi mandado embora, já tinha até um sujeito entrevistado e contratado para ficar no lugar dele. Deve ser uma dessas táticas do agressivo empreendedorismo moderno, como aquela que sugere que a demissão seja feita na sexta-feira no final do dia, teoricamente para "proteger" os demais funcionários de qualquer conversa de corredor, mas que no final acaba causando também um impacto maior ao funcionário que é mandando embora, que terá que amargurar seu fim de semana sabendo que está desempregado.

Enfim, o supervisor começou perguntando como tinham sido as férias, aquele falso interesse na minha vida pessoal para quebrar o gelo. Aí ele me perguntou se eu tinha visto os meus e-mails do trabalho durante as minhas férias.


Dafuq?!

E-mail de trabalho durante as férias? Naquela hora eu certamente não entendi nada, essa expressão não faz o menor sentido pra mim. Na boa, "e-mail de trabalho nas férias" é tão absurdo e inconsistente quanto dizer "faz calor no Pólo Norte" ou "petista honesto". Respondi prontamente que não, que não vi e-mail nenhum, pois afinal de contas estava de férias.

Aí o supervisor veio e disse que sabia disso, pois tinha gente que havia mandado mensagens para mim, algumas delas urgentes, e eu não havia respondido. Comentou também que sabia que eu tinha deixado meu celular da empresa desligado, pois todas as vezes que alguém tentou me ligar caía na caixa postal. Ele até pediu para eu ligar o celular, o que eu ainda não havia feito (afinal de contas, havia acabado de chegar no escritório, e eu costumo deixá-lo desligado fora do horário de serviço), e constatei ali o aviso de mais de cinquenta ligações perdidas. Cinquenta!

Ele então começou um longo discurso, chamando a minha atenção para a postura pouco profissional da minha parte, que era inaceitável eu ficar completamente offline durante as minhas férias, que coisas importantes precisavam ser decididas e dependiam de alguma ação ou opinião minha, e que atrasos e problemas ocorreram devido à minha ausência. Não estava pedindo para eu ficar 100% à disposição, porque afinal eram as minhas férias (sim, ele disse isso!), mas pelo menos deveria estar olhando os e-mails ao final de cada dia e deixando o celular da empresa ligado para qualquer emergência. Resumindo, que eu tinha que ficar à disposição para o que fosse necessário durante a minha folga.


Disse inclusive que era por isso que ele particularmente era contra férias de 30 dias, mesmo elas tendo sido aprovadas pelo departamento pessoal. Normalmente na minha empresa as férias são autorizadas em dois períodos, um de 10 dias e outro de 20 ou então em dois períodos de 15 dias cada, embora muitos gerentes incentivem que o funcionário venda parte de suas férias, minimizando assim o seu tempo fora do escritório. Inclusive ele veio dizendo que devido à minha importância na empresa de que ele gostaria que eu nunca mais tirasse 30 dias seguidos de férias.

Bom, pelo menos nessa hora deu a entender que eu não estava levando um chute no traseiro e sendo mandando embora...

Enfim, o monólogo continuou por mais alguns minutos, fiquei quieto pois esse supervisor é daquelas pessoas que se você interrompe para argumentar alguma coisa ou expor sua opinião ela te ignora completamente e volta para o início da frase, falando as exatas mesmas palavras com as mesmas vírgulas. Continuou falando outras coisas, como dizendo que é um sinal de responsabilidade continuar focado no trabalho durante os períodos de descanso como férias, feriados e fins de semana, que eu estava assim sendo um mau exemplo para os mais novos, blá blá blá...


Até parece que quem trabalha nas horas vagas fica assim sorridente

Nessa hora eu estava ali puto da vida, imaginando o quanto era absurda aquela idéia. Mau exemplo? Depois que ele terminou e perguntou se tinha alguma coisa a dizer, eu respondi que entendia, mas não concordava com tudo aquilo, e comecei a argumentar uma série de coisas, algumas delas que escrevo aqui também, certamente não com as mesmas palavras mas com a idéia geral.

Eu discordo totalmente dessa postura workaholic de hoje. Já escrevi sobre isso aqui algum tempo atrás, inclusive com alguém comentando que hoje é assim mesmo, tem que ficar online ou corre o risco de ser despedido. Não, não pode. Tem que ficar online pôrra nenhuma. Não é pra ser assim, principalmente quando se trata de férias. Já não basta o trabalho muitas vezes exigir que a gente almoce correndo, tendo que comer qualquer bobagem em menos tempo do que a uma hora de almoço à qual temos direito? Já não bastam as reuniões convenientemente agendadas para às quatro e meia da tarde, segurando todos depois do horário? Já não bastam as viagens de serviço sempre agendadas em horários onde deveríamos estar em casa, para não tirar tempo de labuta? Que deixem pelo menos as nossas férias em paz!

Da mesma forma que eu escrevi nessa postagem que mencionei, eu apresentei para o supervisor a minha postura de sempre procurar separar as coisas. Eu evito ao máximo misturar minha vida profissional com minha vida pessoal, procuro não misturar casa e escritório. Faço tudo que posso para minimizar o impacto da minha vida própria, das minhas coisas como meu lazer, minha família, meus amigos e até minha saúde na vida do escritório, e espero que o serviço aja da mesma forma. Embora sabemos bem que a empresa acaba sempre exigindo a compreensão do funcionário, sem compreender o lado do mesmo.


É como em uma situação, que eu inclusive comentei nesse dia. Imagina se eu tenho um médico agendado para, sei lá, quatro da tarde. Aí eu teria que sair umas três horas para chegar com antecedência lá, e com isso se vão duas horas de trabalho. Essas duas horas eu vou ter que repor de alguma forma, certo? Seja consumindo um banco de horas, caso a empresa trabalhe com essa política, ou ficando até mais tarde um pouco durante alguns dias. Ou, dependendo de como for a política de pagamento, sendo descontado de duas horas da folha. Afinal de contas, a empresa foi "lesada", saiu no prejuízo, e não vai querer pagar essas horas onde eu estava resolvendo um assunto particular, não é mesmo?

Agora, se chega uma situação como essa de férias, vamos supor que eu tivesse sido um funcionário mais "correto" e tivesse dedicado, digamos, uma hora por dia para ver e responder alguns e-mails. Suponha que em férias de um mês tenha vinte dias úteis, então eu teria usado vinte horas de minhas férias, o equivalente a dois dias e meio de trabalho, para fazer coisas do serviço. 

Me diga o que a empresa vai dizer se eu argumentar que ela teria que me dar esses dois dias e meio de descanso, para compensar o trabalhado nas férias...


Duvido que ia dar! Vai ficar por isso mesmo, nada será compensado. No mínimo vão questionar o tempo, dizer que nada prova que eu fiquei esse tempo todo trabalhando (essa é a conveniência de se ter o relógio de ponto só no escritório), podem até chegar ao cúmulo de dizer que se eu trabalhei nas minhas férias foi porque eu quis, mesmo depois de vir com esse papo que seria sinal de profissionalismo que eu trabalhasse nesse período. E ficaria por isso mesmo, as horas de suas férias que foram usadas para o trabalho jamais seriam compensadas ou sequer pagas. Um ótimo negócio para a empresa, lógico, pois afinal de contas pôde contar com horas gratuitas de um funcionário.

Sou totalmente contra essa sobreposição da vida profissional sobre a vida pessoal, e vice-versa. Embora a primeira seja a que ocorre com mais frequência. Essa é uma das razões pelas quais eu sou totalmente contra o home-office. Cara, essas duas palavras nunca poderiam andar juntas. Não funciona, pois esse é um primeiro passo para que a vida profissional invada a sua vida pessoal.


Pense comigo, ao trabalhar de casa, apesar de haver algumas vantagens como evitar o trânsito, poder ficar mais à vontade (o sujeito pode se quiser trabalhar de cueca) e evitar as chatices da vida do escritório, é na minha opinião um grande risco para que você trabalhe mais do que deveria. Dependendo da atividade de seu trabalho, você pode ficar ali imerso e quando der conta já trabalhou mais do que deveria. Quantas vezes não estamos na Internet por lazer, e então nos damos conta da hora que passou, damos aquele salto exclamando "caramba, já são duas da manhã?!". Corremos o mesmo risco ao trabalhar de casa.

Só pelo fato do deslocamento você pode acabar trabalhando mais: pense só, imagine que você sai do trabalho às cinco e leva uma hora pra chegar em casa, logo sua vida pessoal começa às seis horas. Há um risco muito grande de que, acostumado a iniciar sua vida particular nesse horário, você acabe trabalhando durante aquele horário em que você está se deslocando! Sim, acontece, já aconteceu comigo uma vez. Por mais que as horas de deslocamento não sejam horas laborais, não sejam horas de interesse para a empresa, elas constituem horas dedicadas ao trabalho.

Claro que o home-office possui outros riscos também, estes que podem ser prejudiciais ao trabalho em si. Estando em casa, por mais que você se isole em um escritório montado para esse fim, por mais que você fique concentrado no trabalho, é praticamente impossível que a sua vida de casa não venha a interferir. Vai ter horas que vai tocar o telefone com algum atendente de telemarketing chato, vai tocar a campainha com um vizinho aporrinhando tua paciência. Se você morar com mais alguém, como esposa ou marido, ou mesmo filhos, certamente vão ter horas que eles vão lá perguntar alguma coisa, como a mulher reclamando que você deixou a tampa do vaso levantada ou o filho pedindo pra você ajudar no dever de casa. E sem falar nas distrações que temos atualmente... Afinal de contas, para home-office você certamente estará num computador, e a tentação para dar uma espiada no Facebook, pra ver as notícias do time de futebol ou mesmo admirar algumas fotinhos de mulher pelada, será constante. E tudo isso sem dúvida vai atrapalhar o serviço.


Outra do Oatmeal, veja aqui na íntegra

Um dos grandes problemas é que na relação empresa-funcionário, o último sempre está em posição de relativa submissão à primeira, as grandes corporações (e mesmo as pequenas) têm mais força do que um mero trabalhador CLT. E para a empresa, nessa situações onde possa haver algum tipo de conflito entre a vida profissional e pessoal de um de seus funcionários, ela sempre vai adotar uma postura de proteger os seus interesses, não querendo nunca ficar em desvantagem, mas não tendo o pudor de pedir a colaboração do funcionário para que ele ceda parte de tempo livre em prol da empresa.

Como eu comentei ali em cima, para que uma pessoa use parte de suas horas de trabalho para outros fins, há uma grande dificuldade, vários embrolhos para que você consiga uma autorização, mesmo que seja algo relativamente urgente ou crítico. Acredita que já passei por um lugar onde um colega de trabalho teve horas descontadas pois ele teve que sair correndo do serviço para ir no hospital, pois sua esposa tinha sofrido um acidente de carro? Estou falando sério, claro que não são todas as empresas que têm essa postura fria como um iceberg, mas digo que todas possuem certas ressalvas quanto ao funcionário chegar mais tarde ou sair mais cedo por algum motivo particular. Somente se sua falta for devidamente justificada, tipo com um atestado médico ou coisa parecida, é que você não perderia essas horas, sem isso pode apostar que você terá que compensar de outra forma.


Essa tirinha é do site Pagando o Pato, muito legal

Mas no outro lado isso não ocorre... A empresa costuma se achar no direito de envolver o funcionário com atividades de trabalho fora do horário de serviço, tomando horas que deveriam ser de seu lazer e descanso. Já presenciei várias dessas durante a minha vida profissional, como quando precisam te mandar para alguma outra cidade: são vôos realizados bem de manhã cedo para fazer a ponte-aérea e estar lá para a reunião antes das nove, ou então aqueles que são agendados para depois das oito da noite por "segurança", pois nunca se sabe como vai estar o trânsito no caminho do aeroporto. Piores são aquelas situações onde você precisa estar segunda de manhã bem cedinho em seu compromisso, e te mandam viajar no domingo, ou então é aquele compromisso de sexta que acaba tarde e só tem como você retornar no sábado de manhã. Horas de seu tempo livre, de seu fim de semana, nas quais você deveria estar descansando, fazendo as suas coisas, se divertindo e passando tempo com a família e amigos, que muitas vezes sequer são pagas como hora extra.


Uma das mais bizarras foi em uma empresa onde trabalhei, onde certa vez tínhamos um supervisor que tinha um péssimo hábito, algo de me deixar extremamente puto: eram os almoços-reunião. Uma vez por semana o cara tinha a mania de agendar uma reunião que se passava na hora do almoço, tipicamente sobre algum assunto interno, algo que não tinha assim um impacto tão grande nas atividades gerais. Não queria dizer entretanto que todo mundo ia bancar o faquir naquele dia e passar fome, pois ele pedia que fosse entregue comida ali no escritório para que todos almoçassem. Cabia ao chefe definir também qual seria o menu, tipo certa semana ia ser comida chinesa (a mais comum de todas), tinha dias que era comida árabe, e por aí ia. Cada um escolhia dentre a culinária e o restaurante definido pelo chefe o que iria comer, e ao meio-dia eram todos ali sentados na mesa de reunião, com caixas de papelão e talheres plásticos, resolvendo assuntos ali do trabalho.


Puta merda, pra mim o almoço é mais uma das horas de lazer, sem trabalho! Eu já fico de ovo virado quando vou almoçar com o pessoal do serviço e começam a surgir os assuntos de trabalho na mesa, é uma das razões pelas quais eu prefiro muitas vezes almoçar sozinho (a outra é pra não me fuder novamente na hora da conta, como contei aqui). É aquela uma horinha no meio do expediente que é fundamental pra você descansar os neurônios, pra você relaxar a sua cabeça... O Dilbert retrata bem minha opinião quanto a isso.


E aí o cara inventa de fazer uma reunião na hora do almoço? Claro que ninguém era liberado pra sair às quatro da tarde, dessa forma no final era um dia com nove horas de expediente. Mas que logicamente só ganhávamos por oito, pois a uma hora de almoço não contava, ainda mais por ser contra a lei trabalhista. Ainda bem que esse workaholic não durou muito...

O pior de tudo é que hoje em dia essa é uma tendência mesmo, as pessoas estão ficando cada vez mais e mais vidradas no trabalho, o que dá munição para as empresas se sentirem confortáveis com esse tipo de "exploração". Existem pessoas que são mesmo fanáticas por trabalho, que por conta própria se dedicam mais do que deveriam oficialmente, não se incomodando em abrir mão de suas horas particulares pela empresa. Sempre existiu gente assim, parecem que sentem verdadeiros orgasmos ao estar lidando com o serviço. Fico às vezes me perguntando se esse tipo de gente tem vida, se eles têm algum tipo de lazer ou distração fora do ambiente de trabalho... Tipo, o cara que não pára de pensar no trabalho, a ponto de mal comparecer com a esposa para um pouco de diversão marital debaixo dos cobertores.


E chegam muitas vezes ao ponto do ridículo! Tinha um colega de trabalho que ficava aqui no Rio de Janeiro, e que era um verdadeiro tarado por trabalho, desses que sempre estava falando de alguma coisa relacionada ao serviço, nunca saía da boca desse animal nada relacionado a futebol, filmes ou outros assuntos diversos. Esse era tão vidrado no trabalho, que ele fazia algo que eu simplesmente não acreditava: arrumava viagens a serviço em feriados regionais! Tipo assim, dia 20 de janeiro é feriado só aqui no Rio, feriado de São Sebastião. E nesse dia ele sempre arrumava alguma reunião em São Paulo ou outra cidade! Cara, que absurdo!

Outra coisa que colabora com esse conflito, igualmente incentivado pelos workaholics, é o grande avanço da tecnologia e dos meios de comunicação. Laptops, tablets, smartphones, tudo isso aí nos conecta com nossos amigos e familiares, mas também acaba sendo usado para nos manter ligados no trabalho. Graças a esses aparelhinhos, não precisamos esperar até chegarmos no serviço para ler e responder um e-mail, podemos agora receber uma ligação enquanto estamos na hora do almoço. Causa aquela disponibilidade eterna, em qualquer momento você pode ser encontrado por alguém do trabalho ou por um cliente, e sempre será em um momento inoportuno, quando você está ocupado com alguma outra coisa ou mesmo quando você está em seu tempo livre.


As pessoas hoje em dia estão hiper-conectadas, e isso torna os workaholics ainda mais ansiosos, pois isso permite que eles trabalhem em qualquer hora e em qualquer lugar. Parece não perceberem que a sociedade chegou até onde chegou sem celulares e banda larga, não conseguem aceitar que uma resposta demora menos que alguns segundos. Já presenciei o ridículo de ter recebido um e-mail de um colega de trabalho, pedindo alguma coisa, mas eu estava ocupado. Passados CINCO MINUTOS que a mensagem chegou, o filho da mãe foi até a minha mesa para perguntar se eu tinha visto o maldito e-mail, pois ele não tinha recebido resposta ainda! Cinco pôrras de minutos!


E essa portabilidade também chega para invadir a nossa vida privada, pois as empresas pensam que só porque você tem um celular da empresa, você deve atendê-lo em qualquer hora, mesmo que já esteja fora do expediente. Tem lugares aí que reclamam do funcionário que usa o telefone fixo do escritório para ligar para casa, para avisar que vai chegar mais tarde, ou que acham inconveniente que as pessoas atendam suas ligações em seus celulares pessoais quando estão no trabalho; mas que acham que você deve estar com o celular da empresa sempre ligado, mesmo de noite ou nos fins de semana, pronto para atender se for necessário.

Onde eu trabalho cismaram de me arrumar um celular da empresa, aparelhinho do mais simples possível, mas que sempre desligo quando não estou em serviço. Antes de chegar no trabalho, mantenho ele desligado no bolso, afinal de contas ainda não bati a merda do cartão ponto; na hora do almoço, não faço questão de levá-lo comigo, largando ele em cima da mesa; e quando estou para ir embora, faço o mesmo ritual sempre que consiste em trancar meu gaveteiro, desligar meu computador, desligar meu celular da empresa, bater o ponto e ir embora. E, claro, nos fins de semana, o bichinho fica lá quietinho, dormindo dentro da minha pasta.

Deixa eu contar outra: me recordo quando certa vez um ex-chefe meu chegou pra mim e disse que estava pensando em trocar meu computador. Achei meio estranho, pois eu havia acabado de receber um novo computador, Windows 7 e o caralho a quatro. Aí ele me disse que era um laptop que ele estava pensando em me arrumar. Cara, saquei na hora, pois eu sei como a imensa maioria das pessoas do escritório que tem um laptop acaba chegando na sexta e levando ele para casa, isso quando não o leva mesmo em outros dias da semana. No final das contas o corno estava querendo me arrumar um laptop para que assim pudesse me induzir a levar trabalho para fazer em casa... Aí disse que beleza, podia arrumar sim um laptop, mas eu já fui avisando que ele ia ficar ali na minha mesa e não ia sair mais pra nada.


Bom, felizmente desistiram da idéia.

Claro que existem profissões onde o profissional precisa ficar à disposição, não discuto isso. Médicos por exemplo passam boa parte de seus dias em um horário de plantão para atender uma emergência. Bombeiros precisam ficar a postos pois incêndios não ocorrem somente das oito às cinco. Mas eu acho que hoje em dia as pessoas estão exagerando, ao achar que qualquer tipo de emprego exija esse tipo de disponibilidade. Existem profissões e profissões, e algumas delas não estão associadas a questões de vida e morte, podendo esperar até o dia seguinte para que sejam resolvidas. Só que nem todo mundo pensa assim. Vejo várias pessoas de minha empresa que não se sentem acanhadas de enviar um e-mail para um cliente no fim de semana, que não se sentem incomodadas se o celular da empresa toca às nove da noite.

Outro dia foi muito engraçado... Era segunda-feira, e eu ia participar de uma fone conferência juntamente com uma pessoa que trabalha com vendas. E você deve imaginar como que é trabalhar em vendas, tendo aquelas metas a serem atingidas mês a mês, dependendo de concretizar negócios para assim garantir a sua comissão. Esse tipo de gente é que normalmente acaba se tornando exageradamente workaholic, parece que vivem constantemente sob aquela idéia de "tempo é dinheiro". Aí esse meu colega de vendas, tomado pelo desespero em fechar o negócio, havia passado um e-mail para um possível comprador no sábado, com algumas informações associadas à venda. Sim, sábado! O cara passou o fim de semana trabalhando, e havia enviado o e-mail no fim de semana.

Enfim, começa a fone conferência, logo na primeira hora da manhã, e logo no início meu colega chegou para o possível comprador dizendo "bem, eu passei para você um e-mail com a cotação da venda no sábado, mas vi que você não tinha respondido...". Nisso, o cara do outro lado da linha retrucou com uma voz sarcástica, dizendo "claro que não, eu não trabalho no sábado, pôrra!". Com detalhe ao "pôrra" no final, para não deixar dúvidas de que ele achava um absurdo que estivessem esperando que ele respondesse no fim de semana.

E com isso temos essa constante disputa entre a vida pessoal e a vida profissional... Eu sei que é importante trabalhar, e também tenho a consciência que algumas pessoas têm a sorte de trabalhar em algo que gostam, alguma coisa que lhes dá prazer de fazer. Mas por mais que essa profissão seja agradável, eu duvido que trabalhar venha a ser mais agradável do que sair com os amigos, estar com a família, praticar uma atividade física, estimular um hobby ou se divertir. Sem falar que é necessário termos equilíbrio entre o lado profissional e pessoal. Não podemos logicamente dar atenção 100% às coisas de nossa vida pessoal, é importante para que sejamos úteis como cidadãos que a gente se dedique sim à vida profissional, é uma forma de se sentir útil; mas por outro lado não podemos focar somente nisso e deixar de lado a nossa vida pessoal, ou então não estaremos tendo motivos para viver, não vamos fazer nada de realmente importante para nós.

Como um amigo meu já disse, emprego vai e vem... Mas vida só temos uma. E é por isso que temos que ter um certo controle, um certo bom senso de não permitir que a vida profissional invada por completo a nossa vida pessoal. Pois se deixarmos, o trabalho toma o lugar de tudo mesmo, sem deixar que você tenha tempo para sequer se coçar...

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Oportunismo Politicamente Correto

Todo ano, a revista People (uma espécie de Caras lá dos Estados Unidos) costuma lançar uma edição onde apresenta a lista com as personalidades mais bonitas do ano. Mais uma daquelas babaquices sem noção que não serve de pôrra nenhuma, apenas mais uma dessas superficialidades destinadas a perpetuar o estereótipo de beleza que deve ser seguido e apreciado incondicionalmente pela sociedade. Tudo bem que fazer listas é algo que pode ser até divertido, mas ficar lendo uma revista que lista as 100 celebridades tidas como mais bonitas não é algo que me agrada muito. 

Mas por que então eu decidi falar a respeito disso? Bom, na verdade não vim falar particularmente dessa revista, mas da postura assumida que ela adotou, ao escolher a vencedora do ano de 2014. Mesmo considerando que ainda temos mais de um semestre pela frente...


Sim, a eleita mais bonita nesse ano foi a atriz Lupita Nyong'o. Aquela que ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante esse ano por conta daquele filme dos escravos.

Cara... Eu tenho a certeza absoluta que vou ser hostilizado, xingado e criticado por essa postagem. Mas eu tenho que falar o que penso a respeito dessa escolha, que ao meu ver foi simplesmente horrível...

Pronto, podem mandar as críticas. Vão aparecer as pessoas dizendo que eu estou falando bobagem, que não sei o que estou dizendo, que ela é a mulher mais bonita do ano sim, que eu tenho que pegar um cabo de vassoura e me espancar até ficar que nem o Rocky Balboa. E claro que vai aparecer gente dizendo que eu estou sendo racista, me acusando de não concordar com a escolha somente pelo fato dela ser negra.

Deixa eu falar um pouco sobre o que penso a respeito disso. A começar por destacar mais uma vez a futilidade e falta de importância de uma maldita lista dessas. Ainda mais quando é uma lista baseada em uma coisa tão subjetiva e particular como a beleza. Quer fazer a lista dos dez países onde mais se paga impostos, ou dos cinco times com maior número de títulos internacionais, ou mesmo a lista dos dez filmes onde o Samuel L. Jackson mais fala a palavra "fuck", tudo bem, essas são listas que são objetivas, onde não tem erro, e que até têm a sua utilidade pública.


"Who the fuck is the fucking fuck that is fucking my fucking brain?!"

Mas uma lista dos mais bonitos... É como fazer uma lista dos melhores filmes, das melhores músicas... É algo muito subjetivo, cada um tem a sua preferência, da mesma forma que para uns "E O Vento Levou" é uma obra prima e para outros filmaço é "American Pie", quando se trata de julgar a beleza, é uma coisa que depende muito de cada um, das preferências que cada pessoa possui. Como diz o velho ditado, a beleza está nos olhos de quem vê.

Eu particularmente não acho a tal Lupita uma mulher bonita a ponto de figurar entre as 50 celebridades mais bonitas. Com todo respeito, podem me xingar ou o que for, ela parece mais o Robinho. Na boa, existem muitas anônimas que eu acho mais atraentes do que atriz de descendência africana que está dando o que falar. Acho ela magra demais, tem um rosto que na minha opinião não me agrada muito, o cabelo curtinho demais é algo que eu considero broxante em uma mulher. E eu sei que serei crucificado pelo que vou dizer, mas eu admito que não sinto muita apatia por mulheres negras...


Antes que apareçam aqui pessoas raivosas pedindo a minha cabeça e querendo que eu seja preso, não, eu não estou dizendo isso por racismo! Acho que não tem nada demais, é somente uma questão subjetiva de beleza feminina. Por que não há problema se um cara fala que prefere morenas do que loiras ou se diz que gosta mais de mulheres de olhos claros do que olhos castanhos, mas se ele diz que prefere brancas do que negras ele é chamado de racista? Não pode. Eu sou obrigado a gostar de negras? Pra você ver que um sujeito dizer que prefere orientais, ou mesmo quando ele parte para a ignorância ao dizer que só gosta de mulheres peitudas, é algo que passa sem muita reclamação... Mas dizer que não gosta muita de uma mulher negra, é preconceito...

E o mais engraçado é que os negros acabam se preferindo entre si mesmos, homens negros preferindo ficar com mulheres negras e vice-versa... Mas aí não é preconceito...

Digo mais ainda: eu não disse em nenhum momento que a mulher negra é inferior à mulher branca. Disse apenas que eu particularmente não costumo me sentir muito atraído pela mulher de pele negra. Existem até mesmo mulheres negras que eu considero bonitas e atraentes: Beyonce e Halle Berry são exemplos de beldades que acho muito lindas, logo não me considero racista. É apenas uma preferência inocente, sem nenhum cunho preconceituoso...

Mas eu fico me perguntando o que levou a essa escolha da tal Lupita como mulher mais bonita do ano. Pombas, com todo o respeito, mas existem dezenas de celebridades muito mais atraentes do que ela. Daria pra escalar aqui uma equipe de beldades, só levando em consideração atrizes badaladas de Hollywood, como Angelina Jolie, Sandra Bullock, Anne Hathaway, Natalie Portman, Catherine Zeta Jones, Jennifer Aniston, Sienna Miller, Mila Kunis, Scarlett Johansson, tantas que são de longe muito, mas muito mais bonitas do que a Lupita Nyong'o.


Sério, só do pescoço pra cima a Scarlett Johansson tem muuuuuito mais beleza do que uma dúzia de Lupitas...

Então fico me perguntando por que a revista não elegeu uma outra mulher como mais bonita. Por que tinha que ser a Lupita?

Sabe por quê? Por causa disso:


Ela foi sem sombra de dúvida quem roubou a cena na grande festa do cinema, ao faturar o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Desbancou competidoras na mesma categoria como a famosa Julia "Pretty Woman" Roberts e a mais nova queridinha da América Jennifer Lawrence. No dia seguinte, muitas das machetes destacavam o feito de uma atriz negra e desconhecida, que havia participado de um filme que falava da escravidão, segurando a estatueta mais cobiçada por várias atrizes. De uma hora pra outra ela se tornou uma grande celebridade.

E certamente foi esse um dos principais motivos que levaram a revista a escolhê-la como a mais bonita de 2014. Afinal de contas, nada como se aproveitar da fama repentina dela para vender mais revista, não acha? Duvido que, se ela não tivesse ganho o Oscar, que ela iria ser eleita a mais bonita. É um oportunismo malandro, tirando vantagem de que ela está na boca de povo, que todos estão ainda falando dela, para usar a sua imagem para chamar a atenção e vender mais exemplares de revista. É como se na prática um dos fatores que define a beleza é o nível de fama na atualidade...

Claro que tem outra razão que colaborou com essa escolha, indiscutível também. E por mais que me xinguem, acredito que não dá para discutir que o fato dela ser negra ajudou também. Inclusive deve ter ajudado ela a ganhar o Oscar.

Podem me xingar mesmo! Mas é a verdade. Eu não vi a atuação dela no filme, mas concordo com o comentário da apresentadora do Oscar, a comediante Ellen DeGeneres, que logo na abertura da cerimônia disse que haviam duas opções: ou o filme "12 Anos de Escravidão" ganhava, ou todos da Academia eram racistas. E deu no que deu...


É a onda do politicamente correto que temos hoje em dia, esse monte de dedos em não dar a impressão de que se tem uma postura preconceituosa contra aqueles da raça negra. Muitas pessoas têm hoje esse medo, essa insegurança em ficar "mal na fita" ao parecer estar sendo racista. Parte disso sem dúvida graças à postura revanchista e igualmente preconceituosa de muitos negros, que acham que sempre quando estão em desvantagem ou se sentem prejudicados, é porque estão sendo vítimas de racismo. Como o caso das cotas nas universidades aqui. Por isso, as pessoas que querem bancar as corretas acabam tendo uma tendência a serem favoráveis aos negros. O comentário da Ellen DeGeneres reflete bem isso: chega lá e alguém faz um filme sobre a escravidão, e esse filme vai concorrer ao Oscar. Se ele perde, certamente iriam aparecer muita gente dizendo que o filme não ganhou por conta de preconceito, por que as pessoas que votaram não gostam dos negros. Ou seja, importa menos a qualidade do filme, vale mais não dar a impressão de estar se cometendo uma injustiça racial.

Torno a dizer que eu não vi o filme "12 Anos de Escravidão". Posso até estar perdendo realmente um grande filme, talvez ele tenha sido realmente, dentre os nominados, aquele que se destaca mais. Mas nada me convence de que parte dos votantes escolheu tal película pelo medo de ser interpretado como racista. Ou mesmo pensando somente na repercussão positiva, ao ver um filme que fala de uma minoria sofrida e injustiçada ganhar.

Claro... Acha que não tem um apelo "legal" fazer uma dessas? Quer algo mais poético, mais tocante e emocionante, do que ver um filme que fala de negros ganhar o Oscar? É a mesma repercussão positiva como quando Obama se tornou o primeiro presidente negro, ou quando a gerentona aqui se tornou a primeira presidente mulher. Romper essas barreiras do preconceito sempre é uma coisa que fica bem aos olhos do povo. E é pela mesma razão que a revista People quis chamar a atenção, quis posar de consciente social e de boa índole, ao romper os padrões comuns e escolher uma negra como a mais bonita de 2014.

Lógico que nessa altura já devem ter várias pessoas pedindo a minha cabeça. Mas eu acredito que não estou falando nada demais, e estou falando de um fato que, gostem ou não ocorre. Nada contra uma mulher negra ser eleita a mais bela do ano, nenhum problema. Mas acho que no fundo a escolha por Lupita Nyong'o não passa de um oportunismo barato e apoiado em uma vontade de posar de politicamente correto, ao escolher a atriz negra que ganhou o Oscar. Se ela fosse uma atriz negra somente que não tivesse ganho nada, ou se ela fosse uma atriz vencedora do Oscar mas dotada de uma aparência ariana, dificilmente estamparia a capa da contra-parte da Caras dos EUA...