quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Olim-piada no Rio

Nessa sexta-feira será eleita a cidade que vai sediar as Olimpíadas de 2016. A Cidade "Maravilhosa" está concorrendo com Chicago, Tóquio e Madri para receber um dos maiores eventos esportivos do mundo. Correndo o risco de ser chamado de anti-patriota e outros adjetivos mais baixos, eu pessoalmente estarei torcendo contra o Rio de Janeiro nesse dia.

Foto da quadrilha

Sinceramente, não dá para esperar nada de sério vindo dessa turma aí de cima, principalmente com aquele quadrúpede ali no meio. Já não basta a roubalheira do dia a dia, ainda querem inventar uma Olimpíada aqui para desviar mais verba com obras de fachada e superfaturadas. É brincadeira mesmo, e mesmo depois de todo o fiasco do Panamericano (ou seria Pan-demônio?) ainda tem gente que apóia essa idéia. Eu não consigo conceber como que nossos governantes conseguem ter a cara de pau de dar toda essa atenção a realização de um evento esportivo quando a nossa nação ainda enfrenta problemas graves como a miséria, fome, desemprego e violência. Desculpe, mas não há como comparar o Rio de Janeiro com cidades como Chicago, Madri e Tóquio.

Levanto questões básicas, fundamentais para a realização de um evento do porte de uma Olimpíada, que o Rio não é capaz de fornecer. É fácil começar pelo transporte, totalmente caótico com suas ruas engarrafadas, milhares de vans piratas, trens sem manutenção e por aí vai. Imagino que durante as Olimpíadas as escolas e universidades seriam forçadas a entrar de férias e as pessoas teriam que trabalhar de casa, para ajudar o trânsito a fluir. Prometeram o metrô chegando até a Barra, cadê? Daqui uns três meses (se tudo correr bem) vão abrir a estação na General Osório em Ipanema ainda, será que até 2016 o metrô chega lá? Ah, o ridículo Metrô na Superfície não conta! Para quem não sabe, essa é a engenhosa solução de nosso governo de levar o metrô mais longe, colocando ônibus que saem da estação final em direção à Barra. Fico só imaginando o condutor (ou melhor, motorista) falando no microfone coisas como "esta composição está parada por motivos de... engarrafamento".

Pessoalmente estou com preguiça de dissertar mais sobre os demais problemas de nossa cidade, até porque já cansei de falar a respeito deles por aqui. Apenas citando outras coisas graves do Rio de Janeiro, temos a constante violência, como mostro no post anterior, a sujeira da cidade, principalmente nos subúrbios mas também nos bairros mais nobres, a falta de hotéis para acomodar os visitantes e atletas (ou será que vão fazer outra vila olímpica, como a do Pan que hoje está afundando?) e a falta de educação do povo brasileiro, que vai atrapalhar os atletas durante as competições com vaias e berros, principalmente se eles forem dos Estados Unidos.

É mais do que certo que se as Olimpíadas vierem para cá, teremos a mesma putaria do Panamericano, com obras terminadas em cima da hora, com gastos muito maiores que o previsto. Por exemplo, para o Panamericano de 2007 imaginava-se no início que seriam gastos em torno de 500 milhões de reais, mas no final de tudo foram gastos mais de R$ 1,5 bilhões! Vai me dizer que uma boa parte disso não foi desviada de maneira ilícita? Agora pense só nos Jogos Olímpicos, onde a primeira estimativa beira a casa dos 30 bilhões, o quanto que essa cambada não vai roubar...

E é um absurdo que vão gastar tanto dinheiro com esse evento, quando temos hospitais caindo aos pedaços, escolas sem nenhum tipo de infraestrutura mínima e pessoas passando fome. Antes mesmo da maldita eleição, fico só pensando em quanto não se deve estar gastando pra mandar um monte de gente para acompanhar a votação (às custas do dinheiro público, é claro) e para fazer shows aqui na sexta. Sabe, fico me perguntando se o Rio não ganhar, se o governo vai pegar os bilhões que "teoricamente" seriam investidos na construção de estádios e na melhoria da cidade, e os usaria para melhorar as condições de nossa sociedade. Gostaria de perguntar para o nosso ilustre presidente o que é mais importante, fazer as Olimpíadas aqui no Rio ou melhorar a saúde e o ensino públicos. E ainda tem a ousadia de dizer que "nenhuma outra cidade precisa sediar uma Olimpíada, mas o Brasil precisa". Perdoe o meu linguajar, mas vai pra puta que pariu! O Brasil precisa é de governantes honestos, comprometidos com o povo que os elegeu, que não usem o cargo público para enfiar dinheiro no bolso, isso sim!

Enfim, vamos ver o que decidem lá na Dinamarca. Para o bem do país, espero que não escolham o Rio, não só para evitar a pilantragem que já conhecemos, mas pra ver o Lula lá com cara de bunda...

sábado, 26 de setembro de 2009

Bandido bom é bandido morto!

Nessa sexta-feira, tivemos aqui no Rio de Janeiro mais um episódio na longa história de violência com a qual convivemos. Porém, dessa vez o desfecho foi o melhor possível. Um desgraçado dum vagabundo fazia uma mulher refém em frente a uma farmácia, na Tijuca, ameaçando-a com uma granada. Minutos de pânico e negociação, e em um momento na qual a refém passou mal e se abaixou, um atirador acertou um tiro no meio da cabeça do bandido, matando o cretino.

Headshot!

Sei que vou desagradar defensores dos Direitos Humanos e o pessoal do Viva Rio, mas insisto em expressar a minha imensa felicidade com o desfecho da situação, onde apenas o filho da puta do bandido perdeu a vida! Foi simplesmente maravilhoso o tiro acertando a cabeça do pilantra, fez até o seu boné voar. É isso que essa turma merece, bala de fuzil no meio dos cornos, foi uma porrada tão forte que a bala atravessou a cabeça do bandido e foi acertar um portão de ferro alguns metros depois. Nesse link, veja o vídeo do episódio, que mostra em detalhes o fim do bandido! Agora ele vai comer capim pela raiz, desgraçado!

Estrago feito no boné. Imagina na cabeça do cretino!

Certamente muitos se lembraram do episódio do ônibus 174, onde um outro canalha manteve várias pessoas reféns por horas, e no final a polícia teve uma ação de pouco preparo, que resultou na morte de uma mulher. A única coisa certa que a PM fez foi ter matado o vagabundo dentro do camburão, pois em diversas vezes o bandido metia a cara na janela do ônibus, com todo o espaço de levar um tiro no meio da testa e acabar logo com o problema. Mas dessa vez a polícia fez um trabalho exemplar, executando o criminoso como se livra de barata. E o melhor de tudo, ao vivo, na televisão pra todo mundo ver. Que sirva de exemplo para a bandidagem aprender que um belo dia será a vez deles, e também que seja uma lição para o povo, tão acostumado a generalizar a polícia como incapacitada, corrupta e nociva para a sociedade.

Mas sabemos que não vai demorar para aparecer um monte de gente criticando a ação, talvez chamando a ação policial de "exagerada", lamentando a morte do "pobre coitado" do assaltante, que na verdade seria uma "vítima" da sociedade e da desigualdade social. Esses pseudo-intelectuais metidos que adoram defender direito de vagabundo têm mais é que ir pra puta que o pariu! Bandido tem que morrer mesmo, a partir do momento que ameaça a vida de inocentes, o filho da puta perde seus direitos, e tem mais é que levar um teco no meio dos olhos. É só ver a reação do povo, que aplaudiu quando a carcaça do vagabundo foi carregada pra dentro da ambulância. Direitos humanos é o caralho, quero ver se a refém tivesse morrido se iria aparecer alguém pra consolar a família.

Com isso, termino aqui deixando os parabéns para a polícia e para o atirador que apagou mais um calhorda dum bandido com uma bala no meio da cabeça! E que continuem com a limpeza de nossa cidade, mandando essa corja de criminosos sentar no colo do capeta!

"Porra, tu estragô o velório do muleque, rapá!"

domingo, 20 de setembro de 2009

Respeito pela paz pública?

Eu sou um texugo que vive em Copacabana, e antes que venham a achar que estou morando bem, ledo engano. Já contei aqui uma vez como que é a baderna no prédio onde moro, um verdadeiro cortiço com empregadas de voz insuportável que cismam em falar no telefone com seus familiares do Maranhão a plenos pulmões (como se fosse necessário gritar para poder ser escutado tão longe) e com moradores que cismam em ligar a televisão no último volume às onze da noite.

Mas antes fosse só o barulho interno aqui no prédio... Hoje estamos tendo uma maldita duma Caminhada pela Liberdade Religiosa, se somando aos frequentes eventos que cismam de fazer na praia de Copacabana. Perdoem-me aqueles que têm suas crenças religiosas, em nenhum momento sou conta a liberdade de religião, mas este texugo está consumido pela raiva de não conseguir ver um filme na televisão por causa do barulho incessante vindo da praia, e é natural que eu venha a descer ao nível de uma gilette deitada nas próximas linhas.

Por que sempre inventam de fazer esses eventos (ou melhor, bagunças) sempre aqui em Copacabana? Eu não moro de frente pra praia, mas daqui dá para escutar algum vagabundo dum pai de santo berrando no microfone alguma merda dum canto de umbanda, fico imaginando o sofrimento daqueles que pagam um IPTU astronômico para morar na Avenida Atlântica e estão sendo obrigados a escutar essa bosta. Puta que pariu, dá vontade de pegar emprestado com o Schwarzenegger uma daquelas metralhadoras de helicóptero e passar fogo nessa cambada toda! Tenho a certeza de que nenhum dos moradores daqui foi consultado sobre a realização desse evento, simplesmente a necessidade de fazer uma passeata de religiões alternativas (e barulhentas) se sobrepõe aos direitos dos moradores do bairro, que nada podem fazer a não ser aturar o barulho que invade suas casas e acaba com a tranquilidade de seu domingo...

Isso sem falar na sujeira que deve estar lá. Não me entendam mal, mas nesse evento posso apostar que a imensa maioria dos participantes veio lá de Caxias e de vários cantos da Baixada, lotando aqueles ônibus de turismo piratas que devem estar estacionados sobre as históricas calçadas de pedras portuguesas, destruindo seus desenhos. Não querendo generalizar, mas é fato que essa turma é bem baixa, desordeira, e vai aproveitar pra fazer uma verdadeira farofada nas areias de Copacabana, com várias famílias trazendo isopores cheios de cerveja e aqueles embrulhos de papel alumínio com arroz, feijão, farinha e carne. Acontece que normalmente as pessoas desses lugares são verdadeiros maus visitantes e vão sujar tudo, seja largando lixo na praia ou mijando no lado dos quiosques e veículos estacionados. Afinal de contas, no final do dia eles vão embora, e não vão ter que aturar a sujeira e o mau cheiro. Deixa isso para os moradores daqui...

O que mais me deixa puto dentro das calças é como isso se repete sempre, todo ano começamos com a maldita festa de Reveillon, onde temos milhões de pessoas vindo para Copacabana ver os fogos. Claro que não é só isso, no fim da festa fica um lixo só, uma praia repleta de latas de cerveja, restos de comida e bêbados dormindo sobre uma poça de seu próprio vômito, sob um odor misturado de mijo, cecê e pinga que paira por sobre as areias de Copacabana. É de lei, o ano sempre começa uma sujeirada só para os moradores de um dos bairros com os maiores impostos do Rio. Mas todo ano são vários eventos, teve a zona que foi no show dos Rolling Stones (ou de qualquer outra banda que venha tocar aqui), de passeatas religiosas, desfiles de carnaval e até a Parada Gay. Aliás, essa é uma das piores, ano passado foi quase o dia inteiro sendo obrigado a escutar um trio elétrico berrando músicas como "I Will Survive" e "YMCA", sem falar das ruas, que ficaram repletas de viados vestidos com roupas de couro (quando não estavam com suas bundas de fora), fazendo baderna e mexendo com as pessoas.

Como se não bastasse a desordem e a baderna provocadas pelos eventos realizados na praia, várias vezes o "palco" das festas é a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, principal rota que leva da Zona Sul ao centro. Muitas vezes são procissões religiosas, mas no início do ano também é muito comum ter um bloco de carnaval passando pela rua. Com todo o respeito, mas tudo isso simplesmente fode com todo o trânsito, sempre atrás das pessoas desfilando tem um pelotão de ônibus e carros, impacientes por estarem presos atrás de uma procissão de um santo ou de um bloco sambando as mesmas músicas e marchinhas de carnaval insuportáveis. Eu se estivesse ali atrás ia passar por cima, independente de ser beata ou folião.

Sinceramente, tudo bem que a praia de Copacabana é um belo cartão postal, mas as pessoas e principalmente as autoridades se esquecem que aqui é um bairro predominantemente residencial. Vai aparecer algum filho da puta dizendo que "ah, mas nós temos o direito de fazer essa passeata, é pela liberdade religiosa". Me desculpe, mas tem o direito é a puta que te pariu! E o direito dos moradores, como é que fica? Ou eu tenho que ser obrigado a ceder espaço para essa turma fazer sua passeata? Eu pago imposto para poder morar aqui, e quando quero andar no calçadão não vou poder porque tem uma cambada de vagabundo cortando a cabeça de uma galinha preta e fazendo macumba, tá certo isso?

Existem outros lugares onde tais eventos de grande porte e concentração de pessoas podem ser feitos. Por exemplo, por que não usar o sambódromo? O espaço ali é muito amplo, com direito a arquibancadas de onde as pessoas podem assistir de forma mais confortável o show ou desfile, sem falar que fica em uma região menos residencial. Ou mesmo que fizessem tais paradas em avenidas do centro do Rio, como a Presidente Vargas (como fazem, por exemplo, a parada militar do 7 de setembro) ou a Rio Branco. São lugares de fácil acesso, bem amplos, e o principal, fora de uma região residencial, sempre desertas nos fins de semana. Mas, claro que tais eventos não vão ser feitos em tais lugares, algo como a Parada Gay e uma caminhada pela liberdade religiosa têm que ser em um lugar bonito, e principalmente se nesse lugar vão "marcar presença", mesmo que venham a incomodar as pessoas que não estão nem aí para o evento...

Bem, parece que não há nada que nós, moradores de Copacabana, possamos fazer. Além de termos que pagar impostos caros para morar legalmente em um bairro nobre da Zona Sul, dividindo espaço com favelados que em nada contribuem para a arrecadação pública e ainda recebem grana do PAC do governo, precisamos aturar gente de fora que vem sujar nosso bairro e fazer baderna em pleno fim de semana.

sábado, 19 de setembro de 2009

Deficiente Intelectual

Nessa semana, mais uma pérola de nosso ilustre presidente:


"Talvez minha deficiência, diferentemente da do Ricardo, seja deficiência intelectual. Mas também fui vítima de preconceito. Hoje não sou mais, porque sou presidente da República"

Pronto, achamos um termo politicamente correto para chamar alguém de burro!

Dois comentários destinados ao nosso fantástico presidente: em primeiro lugar, deficiência intelectual é uma condição da pessoa, que possui algum tipo de limitação em sua capacidade de funcionamento mental, oriunda de questões genéticas ou de saúde. O fato da pessoa não ter estudado não a torna deficiente intelectual, ela até pode ter um pouco mais de dificuldade que os outros mas certamente ela vai ser capaz de não cometer erros grotescos como "nós vai mudar esse país" ou "a gente semos menas pior que os americanos". Claro, talvez não tenha sido culpa do Lula, afinal de contas, ele é "filho de uma mulher que nasceu analfabeta"...

Por fim, acho muito fácil ele dizer que é deficiente intelectual, isso a gente já imaginava. Agora quero ver se ele vai admitir que também é deficiente moral e ético.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

9

Esta postagem curiosamente foi feita exatamente no dia 9 de setembro (mês 9) de 2009, às nove horas e nove minutos. Resumindo, esse post nasceu (pelo menos oficialmente) em 9/9/09 às 9:09. Tudo bem que na verdade esse texugo trapaceou um pouquinho e escreveu todo esse texto meses antes e fez uso do recurso de post programado, mas o que vale é a intenção. Pelo menos sou honesto, e posso apostar que devem ter várias outras pessoas fazendo a mesma coisa e não admitindo a preparação prévia, se bem que deve ter alguns que de fato fizeram um post similar exatamente na hora, mas não passam de um monte de desocupados que não devem fazer nada o dia todo...

Pela data, tive a curiosidade de pesquisar um pouco mais sobre esse número em especial, que é muito mais do que um 6 de ponta-cabeça. É interessante como em diversos aspectos o 9 se destacam em relação aos outros números, veja só alguns fatos dele:
  • Na matemática (não faria sentido começar em outra coisa que não fosse na matemática), o 9 é o maior dígito no sistema decimal.
  • Na geometria, o polígono de 9 lados se chama eneágono (bizarro, não?)
  • Em binário, novamente o 9 é um 6 invertido: 9 em binário é 1001 e 6 em binário é 0110 (essa eu nem fazia idéia, mas quem afinal conta em binário?)
  • Na química, o elemento de número atômico 9 é o flúor (me lembrei que tenho que marcar meu dentista)
  • Na astronomia, eram 9 os planetas do Sistema Solar (até Plutão ser rebaixado)
É, parece que esse número 9 não tem muita coisa de especial. Não chega nem aos pés do 42, que é a resposta da Pergunta Fundamental da Vida, do Universo e Tudo Mais.

Claro que certamente deve existir alguma coisa mais mística por trás dessa data, aí é com os numerólogos de plantão. E é engraçado como em datas similares (onde dia, mês e ano se repetem) sempre aconteceu alguma coisa:
  • Em 08/08/08, foram abertos os jogos olímpicos de Pequim;
  • Em 07/07/07, as Novas Sete Maravilhas do Mundo foram anunciadas;
  • Em 06/06/06, foi a estréia da nova versão do filme A Profecia (aproveitando o 666 da data).
Vamos ver o que vai acontecer hoje...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Privacidade na Rede

Você certamente deve ter visto alguns dias atrás a história da professora que foi pega num vídeo no YouTube dançando um pagode, fazendo uma coreografia de deixar as Sheilas do É o Tchan com inveja, com direito ao cantor do grupo baixar a calcinha dela. Depois que o vídeo caiu na rede, ela virou motivo de zoação e perseguição na região onde mora, e acabou sendo demitida depois de um acordo entre professora e escola. Envergonhada do ocorrido, ela ainda precisou tirar a filha do mesmo colégio e agora tenta fazer de tudo para retomar a sua carreria. Ah, e antes que algum tarado pergunte, não, eu não vou colocar o vídeo aqui, quem quiser que procure!

Esse é mais um episódio deste novo mundo onde o avanço tecnológico afeta cada vez mais a privacidade das pessoas. Antes de mais nada, acho degradante esse tipo de música e coreografia, é algo que deveria ser banido da sociedade. Mas, por outro lado, acho também que é um certo exagero a comoção ao redor desse assunto, ao demití-la por ter dançado dessa forma. Afinal de contas, ela rebolar a bunda num palco não tem nenhuma influência sobre o trabalho dela, desde que ela não faça isso em cima da mesa na sala de aula. Profissionalmente devemos avaliar a pessoa o seu ambiente de trabalho e nas atividades correlatas, em nada interessa o que ela faz ou deixa de fazer em suas horas vagas, pelo menos é assim que eu vejo que devemos julgar um profissional. Há quem diga que seria uma má influência para as crianças, ao ter uma professora que se expôs de maneira degradante num show de música. Convenhamos, é muita hipocrisia dizer isso, como se a molecada precisasse disso para seguir um mau caminho. Ou será que programas como Big Brother, Gugu, Faustão e novelas da Globo são extremamente cultos e não-degradantes com as mulheres? Sem falar da Internet, a criançada consegue ver coisa muito pior hoje em dia sem maiores dificuldades... Sem brincadeira, se a questão são exemplos de boa índole e decência para as crianças, então temos que censurar muita coisa que aparece na TV.

Por outro lado, eu sou um texugo muito desconfiado, e se uma parte de mim fica revoltada com essa postura de revolta da sociedade com o caso, tem outra que fica com uma pulga atrás da orelha, imaginando se o motivo por trás do episódio não foi outro. Cada vez mais as pessoas usam escândalos para chamar a atenção e ganhar Ibope. Veja só, depois desse vídeo aparecer na rede, fala-se direto do tal grupo O Troco e sua música "Todo Enfiado" (com esse nome, certamente isso deve ser uma obra-prima da música nacional), antes da professora ninguém fazia idéia do que era essa merda, e agora sua música deve estar tocando direto, vai ser convidado para aparecer no Domingo Legal com o Gugu (se bem que ele agora está na rede do bispo). É só ver, faça uma busca por "O Troco" no Google, e veja que é o grupo baiano que aparece em primeiro lugar. E a professora, também ficou em evidência, deve ter aparecido no programa da Luciana Gimenez, daqui a pouco vai escrever um livro ou então vai ser convidada pra posar nua na Sexy. E certamente ambos vão acabar ganhando com isso, o que me leva a desconfiar se tudo isso não foi armado para que eles conseguissem com esse escândalo seus 15 minutos de fama...

Nessa época da Internet, celulares com câmera e YouTube, ficou muito mais fácil forjar um episódio desses para chamar a atenção dos jornais, revistas e programas de televisão. Quer ver um outro exemplo relativamente recente? A atriz-cantora mirim Vanessa Hudgens, dos filmes do High School Musical. Você certamente deve se lembrar de algum tempo atrás quando fotos que ela tinha tirado sem roupa caíram na Internet... Bem, passado algum tempo e sem novos filmes, agora há pouco surgiu um outro pacote de fotos da Vanessa Hudgens nua, e mais rápido que você possa dizer "cucamonga" todos já falam dela novamente. Vai me dizer que uma vez mais ela não tem nada a ver com isso... Ou é aquele namoradinho bicha dela que coloca as fotos na rede, ou ela é uma lolita exibicionista ou tudo não passa de uma grande jogada de marketing para ela ser convidada para programas de auditório e ficar em evidência nas revistas...

Tivemos inclusive um caso parecido aqui no Brasil muito recentemente. Dessa vez foi com uma integrante do Big Brother, a tal da Maíra (diga-se de passagem um espetáculo de bonita), que teve dois vídeos de sexo divulgados na Internet, um deles com ela na "boca do trombone". Assim como no caso da Vanessa Hudgens, atriz da Disney e logo com toda aquela imagem de princesinha inocente, a Maíra vinha com todo um discurso de ser mulher pura, de que não posaria pelada na Playboy (os cuecas de plantão choram até hoje) e depois vem e aparece num vídeo explícito desse. Com todo o respeito, mas quer enganar quem? Vem posar de puritana e correta, mas concorda em ser gravada pelo namorado dessa maneira?

Duas gatas, mas de santa elas não têm nada

Eu pessoalmente, se tivesse uma namorada, jamais iria propor de gravar o momento da ralação, tampouco iria aprovar que ela tirasse fotos suas nua para me dar. Seria algo íntimo para ser preservado entre as quatro paredes de nosso quarto. Mesmo com toda a segurança, sempre pode haver um deslize ou um esquecimento, poderia acontecer de um primo sacana achar as fotos no meu computador ou mesmo um hacker invadir a máquina. O avanço da mídia criou essa facilidade de se tirar fotos e gravar vídeos, antes com a magia da revelação nos laboratórios fotográficos as pessoas acabavam se comportando um pouco melhor. É a arma preferida dos ex-namorados em busca de vingança, colocando fotos de suas antigas companheiras como vieram ao mundo, e também é a forma preferida dos taradões exibirem as presas conquistadas na noite para as pessoas ao redor. Acredite, já presenciei sujeitos que fizeram ambos.

Fala sério, pra mim todos esses escândalos não passaram de histórias forjadas para chamar a atenção. Ou essas mulheres são muito tolas a ponto de se exporem tão facilmente. Mas mesmo que não tenha sido intenção de que essas fotos e vídeos tenham se tornado públicos, no mínimo todas elas mostram como não prezam pela sua privacidade.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

He-Man

Mais um desenho da minha infância... Também podia não ser um dos meus favoritos, mas dava pra assistir e se divertir um pouco com o campeão de Eternia. He-Man trazia todo aquele mundo de fantasia de lutas medievais e magia que os garotos gostavam, protagonizado por um guerreiro fortão e representante máximo da masculinidade, certamente influenciado pelo sucesso de Conan. Embora eu confesse que desde pequeno tive uma desconfiança de que o He-Man gostava de embainhar a espada, se é que você me entende... Tudo bem, chega de palhaçada, e vamos ao desenho.


A história é bem simples, He-Man é um guerreiro que tem como missão em todos os episódios defender o Castelo de Grayskull das forças do Mal. Mas o que poucos sabem é que ele na verdade é o herdeiro do planeta de Eternia, Príncipe Adam. Sempre quando necessário, o covarde príncipe erguia a sua Espada do Poder (sem piadinhas infames, por favor) e proferia as palavras mais repetidas pela garotada dos anos 80: "Pelos poderes de Grayskull... Eu tenho a força!", transformando-se no poderoso He-Man. E aí a porrada rolava solta, com He-Man enfrentando os inimigos e sempre vencendo no final.

Uma das coisas peculiares do personagem era a tática do alter ego, ou seja, o herói tinha o seu disfarce para conviver com as demais pessoas. Sinceramente, acho a idéia interessante desde que seja bem interpretada: por exemplo, não se suspeita de que o Bruce Wayne é o Batman, que Dan Moroboshi é o UltraSeven e Tony Stark é o Homem de Ferro. Mas o He-Man simplesmente é ridículo! Fora as roupas, a única diferença entre He-Man e o Príncipe Adam é o bronzeado, fala sério, pior até que o Superman que acha que só botando um par de óculos ninguém vai reconhecê-lo. Aliás, falando em roupas, fica evidente porque tinha as minhas desconfianças a respeito da preferência sexual do herói: como Príncipe Adam, ele se veste com roupinhas justas roxas e rosas, e se transformando em He-Man ele traja apenas um cinturão com o símbolo do Vasco e uma cuequinha peluda, que aliás deve dar uma coceira muito grande no saco...

"Dá coceira, mas é fashion!"

Aliados é que não faltavam ao fortão, a começar pelo Pacato, um tigre verde falante e medroso, mas que se transformava junto com o He-Man no Gato Guerreiro, se tornando mais macho. Havia também o bigodudo Mentor, com sua armadura tosca e um dos poucos a conhecer o segredo de He-Man, que lutava junto com sua filha Teela. Mas em termos de personagens femininas, se destacava a Feiticeira (não, nada a ver com aquela marombada do programa do Luciano Huck), que era a defensora do Castelo de Grayskull, muito gata com sua roupa de águia. E como era costume nos desenhos da época, sempre havia o personagem cômico, que sempre entrava em enrascadas e era motivo de piadas: Gorpo era uma criatura flutuante com chapéuzinho bizarro, cujas magias sempre acabavam dando errado.


Esses eram apenas os principais aliados, haviam muitos outros cada vez mais bizarros, como o anão Aríete, que dava cabeçadas-torpedo como o E.Honda do Street Fighter, o bizarro Abelhão, um gigantesco homem-abelha (o que você esperava com esse nome?), e o tosco Fisto, que tinha um mega mãozão. Fico me perguntando o que os criadores do desenho tinham fumado quando foram inventar esses personagens doidos. Aliás, fico pensando se esse tal de Fisto deve trabalhar nas horas vagas como proctologista do reino - explicaria por que todos os personagens masculinos ficam com as pernas meio arqueadas durante boa parte do tempo...


Mas sempre tem alguma coisa que salva nesses desenhos, e quase sempre são os vilões. Normalmente é algum maluco querendo conquistar o mundo, que tem as intenções mais cruéis possíveis mas que sempre tem o azar de trabalhar com comparsas estúpidos e inconsequentes. E em He-Man, essa figura do mal era o grande Esqueleto. Você consegue imaginar um bandido melhor que uma caveira mal-encarada de voz fina? Pra variar, o Esqueleto sempre tinha um plano infalível para invadir o castelo de Grayskull, mas no final acabava se dando mal. Era impossível não se simpatizar com o coitado do Esqueleto e seu azar incessante, eu confesso que torcia muitas vezes para o ele encher o He-Man de porrada, assim como torcia para o Mumm-Ra vencer os ThunderCats e o Coiote pegar o Papa-Léguas...


Ajudando, ou melhor, atrapalhando os planos do Esqueleto, havia uma corja da malucos, cada um mais tosco que o outro. A mais normal era a bruxa Maligna (em quem o Esqueleto devia dar uns pegas), e daí por diante, só criaturas bizarras como o Homem-Fera, um pé-grande laranja extremamente burro, o Mandíbula, que parecia um cyborg improvisado com sua boca mecânica, o Aquático, com sua voz arrastada e cara de peixe morto, e o abissal Triclope, um sujeito que tinha na cabeça um disco que girava, que tinha três olhos.

E a quantidade de personagens era assombrosa, muito possivelmente devido ao fato de que todos eles eram representados por brinquedos. Era a tática descarada das companhias em lucrar com a criançada, como fizeram com os Comandos em Ação. Falando por mim mesmo, eu cheguei a ter um boneco do He-Man, mas como não havia o Esqueleto para ele lutar, o fortão acabava sempre sendo um gigante a serviço dos Cobras nas minhas brincadeiras com os Comandos em Ação. Outra coisa na qual o desenho do He-Man imitava o desenhos dos soldados heróis eram as lições de moral no final do episódio. Eram aqueles papinhos irritantes de "não minta, pois a mentira tem perna curta" ou "nunca desista, mesmo se você errar na primeira vez" e etc, que eram prontamente ignorados pela criançada...

Além disso, os criadores, acharam que o desenho do He-Man era muito masculinizado (apesar de todos os traços pseudo-homo-eróticos), e decidiram criar uma versão feminina do desenho...


Peraí! Não foi isso que eu quis dizer! Não tornaram o He-Man viado (embora ele estaria desperdiçando uma grande chance), mas fizeram um outro desenho, onde a protagonista era sua irmã. Resumindo, o desenho seguia o mesmo molde, só que agora era a Princesa Adora que se transformava em She-Ra, novamente sem muita imaginação para disfarçar sua identidade secreta... Certamente era mais agradável de se ver uma princesa guerreira loirinha e doce do que seu irmão marombado desfilando com uma cuequinha peluda...


Mas enquanto no desenho do He-Man os personagens eram bem toscos a ponto de serem engraçados, aqui eles eram simplesmente insuportáveis! Pra começar, o próprio animal que acompanhava ela, um cavalo chifrudo de asas com voz de gay, intragável. Em vez do Gorpo, havia uma bruxa desastrada e o insuportável Corujito, um bicho escroto que voava com suas orelhas. Além deles, havia um monte de moças que eram as amiguinhas da She-Ra, com poderes de frutinha e outras baboseiras. Tão enjoadas que até o He-Man não aguentava ficar com elas, até mesmo na vez que estava quase mandando ver em uma delas... Se bem que a gente sabe que ele não curte essa de pegar uma gata com corpo de modelo, o negócio dele é montar no Gato Guerreiro...

"Me pega de jeito, He-Man!"
"Ai, que saudades do Pacato..."


E não podemos nos esquecer da presença de um personagem extremamente viado, o Arqueiro. Cacete, o He-Man pelo menos disfarçava, falando grosso e dando porrada, mas esse aqui realmente abraça a causa (por trás, ainda por cima). Fala sério, com esse bigodinho de bicha, esse penteado de almofadinha e ainda por cima carregando um coraçãozinho no peito, esse Arqueiro fingia que tava interessado em dar uns pegas na She-Ra, mas ele não me engana não, ele gosta é de outra coisa... Deve estar louquinho pra pegar na espada do He-Man, isso sim.


Bem, vamos deixar as brincadeiras sobre a masculinidade do He-Man e do Arqueiro de lado, fato é que eram desenhos bem divertidos de ser ver. Até tentaram fazer duas novas versões do desenho (uma nada a ver que o He-Man parecia ser do futuro, e outra mais recente e fiel ao original), mas nenhuma delas supera o desenho lá dos anos 80, que apesar de sua história manjada e animações toscas que eram reutilizadas em todos os episódios, animou uma geração.