domingo, 23 de agosto de 2015

Literatura Infantil?

Quando se é criança, uma das coisas que os pais sempre incentivam é o hábito da leitura. Algo muito bom e saudável para desenvolver a inteligência nessa fase tão jovem, o que certamente ajuda para que no futuro essa criança tenha um bom desempenho escolar e profissional na fase adulta. Normalmente são livros bem simples, de vocabulário de fácil compreensão, muitas vezes com figuras para ajudar no entendimento da história. Certamente você passou por isso, folheando livros de algumas poucas páginas narrando contos de fadas, histórias de bichos que falam e se vestem como pessoas ou outras coisas lúdicas e criativas para entreter uma mente infantil.

A não ser que você tenha nascido na Alemanha e seus pais, em um momento de absurda bizarrice parental, te deram o livro do Strulwwelpeter.


Esse livro de nome difícil de se pronunciar é datado da metade do século XIX. O seu criador, vendo que aparentemente não haviam bons livros para crianças, decidiu ele mesmo fazer um, cheio de ilustrações e com estórias rimadas, para dar ao seu filho pequeno. Ao todo, dez contos que fogem do padrão mais comum de histórias infantis que estamos acostumados, o que me leva a imaginar qual o conceito doentio de "bom livro para crianças" o autor tinha.

O livro do Strulwwelpeter segue uma fórmula relativamente simples, trazendo histórias com muitas figuras e versos rimados, o que me faz imaginar como seriam rimas em alemão, com aquelas palavras com cinco consoantes seguidas e letras gregas no meio. Em cada uma delas, conta-se uma história a respeito de uma ou mais crianças que acabam fazendo alguma travessura ou malcriação, e no final temos um desfecho bem exagerado e muitas vezes selvagem, para assim tentar convencer o jovem leitor a não fazer a mesma arte para não sofrer as trágicas consequências apresentadas no livro.

Tipo aquelas morais do final dos episódios do He-Man. Mas com um toque bem mais sádico do que o desenho de nosso amigo bombado.


Lembrem-se, crianças! Na hora do banho com seus amiguinhos é muito divertido se abaixar pra pegar o sabonete!

Não resisti a curiosidade e acabei procurando na Internet as histórias do tal livro, você pode ver inclusive nesse link aqui. E realmente as histórias são hilárias de engraçadas, chega ao limiar do absurdo imaginar que alguém pensou que tal livro seria bom para crianças pequenas. A começar pelo sujeito que estampa a capa do livro, que é um garoto que não corta as unhas das mãos e não penteia o cabelo, se tornando assim uma criatura nojenta e grotesca que mais parece um espantalho depois da gripe.


A história seguinte fala do sujeito chamado de Cruel Frederick na versão em inglês. Um moleque pôrra louca, que só faz maldade, indo desde de arrancar fora as asinhas das moscas a matar pássaros, de jogar gatos de escadas (e aparentemente acertá-los na cabeça com um tijolo, como se vê na figura) a encher a garota de chicotadas. Tipo uma criança mimada que acha que pode sair fazendo merda pelos cantos. E que ainda tem um péssimo gosto pra roupas, parecendo um palerminha.


Até o belo dia que ele decide espancar com seu chicote um pobre cachorrinho, só que o canino revida, mordendo o filho da puta. O moleque então fica de cama, dando a entender que a mordida foi tanta que precisou amputar a sua perna, enquanto o cachorro se esbaldava, comendo toda a comida do moleque. A moral parece ser que você pode bater o quanto quiser, mas uma hora aparece alguém mais forte e te enche de porrada.


Se você achou o conto acima meio bobinho e inocente, acho que concordo contigo. Nada de muito mirabolante, mas não precisa ir muito longe pra ver o quanto o autor perde completamente a noção, quando chegamos na história de Harriet e os fósforos. A menina por algum motivo tem uma tara imensa por acender fósforos e os ver queimando, e na primeira oportunidade em que é deixada sozinha em casa, vai lá e começa a se divertir com os fósforos. Confesso que há um pouco de negligência por parte dos pais da pentelha, sabendo que ela tem toda a pinta de piro-maníaca, a última coisa que deveriam fazer seria largar uma caixa de fósforos ali dando sopa. Talvez eles confiassem na menina... Ou pensaram que os gatos da casa iriam convencê-la a não brincar com fogo.


Sim, são pais negligentes sim... Se chegam ao ponto de acreditarem em gatos falantes, é porque também não batem muito bem da cabeça.

Enfim, com toda a brincadeira, não demora pra que Harriet de alguma forma consiga tacar fogo em si mesma! Sério! Vemos a agonia da menina em chamas, enquanto os gatinhos ficam ali só assustados, ao ver a sua dona virando churrasquinho. Aliás, churrasco bem passado, pois no final o que sobra ali é só um montinho de cinzas, enquanto os gatos assoam o nariz vigorosamente, parecendo verdadeiras esguichos de ranho... E perceba que os gatos passaram a mão nos lacinhos da garota, colocando-os em suas caudas. O defunto mal esfriou (com trocadilho, por favor), e já rolou o saque.


A história seguinte é sem dúvida bem controversa, daquelas que se o livro fosse lançado aqui no Brasil atualmente, certamente seria censurada e renderia ao autor um processo. Nela, temos um garoto negro, que por algum motivo fica ali andando com um guarda-chuva verde, e então aparecem três paspalhóides que ficam ali zoando o moleque, dizendo que ele é tão preto como tinta.


Te disse que hoje em dia isso daria processo... Mostra como antigamente não existia muito dessa postura anti-preconceituosa, onde um livro chegava e abertamente dizia algo como "negro como tinta". Faz a gente imaginar outros termos pejorativos que os alemães deviam ter para os afro-descendentes.

Em todo caso, nessa história ainda tem um velho, que parece o Gandalf do Senhor dos Anéis, e que tem trocentos metros de altura por algum motivo, dizendo que os garotos tinham que deixar o negrinho em paz, pois ele não tinha como mudar a sua pele de negro para branco, por mais que quisesse. Sim, é nesse nível, nada de discurso de orgulho de ser negro... Os moleques continuam, e então o coroa faz algo ainda mais absurdo: pega os garotos e os mergulha em um puta vidro de tinta do tamanho do Maracanã...


... e assim os três bostinhas ficaram pretos como tinta, igualzinho ao negrinho.


Eu sinceramente não entendi qual foi a moral dessa história... As outras, tudo bem: o moleque que não tomava banho e ficava asqueroso, o pentelho que batia em todo mundo até encontrar alguém que revidou, a menina que se queimou ao brincar com fósforos... Mas essa, realmente não faz sentido. Tipo, zoe alguém negro e vão te pintar de negro? Acho que podiam passar uma idéia de que quem hoje é preconceituoso pode sofrer preconceito, mas acho que se enrolaram nessa...

Seguindo, a próxima história não envolve crianças, mas sim um caçador com cara de cú sem pestana e um trabuco maior do que ele, que vai caçar, enquanto tem um coelho sacana que fica ali só acompanhando o caçador estúpido.


Uma hora, depois de tanto caminhar, o caçador decide dormir debaixo de uma árvore. Afinal de contas, dá pra imaginar que o caçador é um velho meio cansado, deve ter dado aquela dor nas costas, e nada melhor do que puxar um ronco debaixo de uma árvore. E com isso o patife do coelho vai lá, devagarinho, pra roubar a espingarda e até mesmo os óculos do caçador. Que canalha, ainda pra deixar o velhote todo cegueta!


Eu não sei você... Mas pra mim essa história tá mais parecendo um daqueles muitos desenhos do Pernalonga e do Hortelino...


Enfim... Como acontece nos desenhos da Warner, o caçador se fode, levando chumbo do coelho que usa a espingarda pra atirar nele, chegando a ter um destino bem Looney Tunes ao cair no poço... Com detalhe pra um coelhinho excitado que parece que vai jantar o coitado do caçador e uma senhora que quase leva uma bala perdida lá no fundo. Também não faço idéia de que diabos é a moral dessa história...


O próximo conto ultrapassa os limites do tosco e absurdo. Somos apresentados ao Conrad, um moleque que tem uma tara por ficar chupando o seu dedo, talvez um dos primeiros indicativos de que no futuro venha a começar a passar gel no cabelo, vestir calças coloridas e cantar os sucessos da Gloria Gaynor. Sua mãe, preocupada com filho e não querendo que ele siga uma vida de pederastia, fala que ele não pode ficar chupando os dedos, ou então vai aparecer um sujeito (chamado ridiculamente de "o alfaiate alto") pra cortar os polegares dele fora.


A mãe vai lá na rua pra pegar a grana do Bolsa Família, e o nosso amiguinho Conrad não se aguenta, precisa colocar algum objeto roliço na boca e começa o chup-chups...


Fala sério... Com esse cabelinho de viado, essa roupinha amarela com sapatinho de salto e essa pose de "ui, cansei", dá pra ver que se Conrad não é viado está deixando passar uma ótima oportunidade. E pelas barbas do camarão, que diabos é aquela cabeça ali no alto?

Eis que então brota do nada um maluco com uma tesoura grande pra caralho, e que também tem uma pinta de quem gosta de dar marcha a ré no quibe, e corta fora os polegares do moleque. Vai me explicar uma merda dessas, que absurdo! Aparece um lunático do nada, que fica ali espreitando nas casas por crianças chupando o dedo, só pra decepá-los? Sei lá, talvez na Alemanha do século XIX tava cheio de maluco nas ruas.


A mãe chega, e tá lá o nosso amiguinho, com a maior cara de bunda, e ainda leva um esporro da mãe. Bem bizarra a história, nada de moral aqui, a idéia já vai mais pra política do medo, consigo ver os pais lendo a história pros seus pimpolhos e dizendo que se eles chuparem o dedo vão ter o mesmo destino do bostinha do Conrad...


É numa linha similar, de ameaça e terror, que segue o livro com a próxima história. Conhecemos o Augustus, que é um moleque gordinho e também com fortes tendências homossexuais, com esse cabelinho "vem cá meu puto" e sapatinhos vermelhos. O rolhinha de poço, como é de se imaginar, é um bom garfo, mas do nada ele despiroca e fala que não quer mais tomar sopa, e começa a dançar que nem uma bichinha.


Bom, não sei explicar o porque desse ódio repentino por sopa, imaginando que estamos na Alemanha deve ser um caldo de repolho, que tem pinta de ser meio intragável mesmo... E então os dias vão passando, e o molequinho vai emagrecendo. Mas emagrecendo MESMO, vai ficando fininho, fininho, chega uma hora que ele parece aqueles bonecos de pauzinho que todo mundo sabe desenhar. Que ridículo!


O desfecho é então bem macabro, fiz questão de copiar também o texto. Depois de cinco dias sem tomar sopa, o garoto morre. Isso mesmo, quer ameaça mais pesada? Passa aquela mensagem que se você for malcriado e não comer suas refeições, não vai passar mal ou ficar de castigo... vai é morrer! Puta que pariu, sutil e delicado como um soco inglês. E detalhe pra piadinha infame, parece que os pais como última sacaneada colocaram um pote de sopa por cima de seu túmulo.


Realmente tem umas histórias bem absurdas de doidas. A seguinte nos leva a um jantar de família, e a vítima... ou melhor, a criança da vez é Philip. O pestinha, que também tem uma pinta de boiola com esse topete, tem um péssimo hábito de ficar se apoiando nas pernas de trás de sua cadeira, enquanto faz uma cara como se estivesse liberando um churro de seu orifício reto-furicular. Seus pais lhe dão o maior esporro, que aquilo era coisa de babaca. Embora vendo o naipe dos dois, dá pra ver porque nasceu um acéfalo como esse pentelho.


Essa certamente era fácil de se imaginar, típica do Mr.Bean: não demora pra que Philip perca o equilíbrio e despenque feito um saco de batata. E logicamente ele tenta agarrar a primeira coisa que está ao seu alcance, que é a toalha da mesa, trazendo tudo pra cima dela. A mãe só olha com cara de bunda, pensando nas horas em que passou na cozinha preparando a bóia, que está prestes a ser arruinada, enquanto o pai tenta em vão salvar a travessa de carne moída. Embora que, por essa imagem, parece que ele queria era salvar a garrafa de pinga.


Philip se fudeu mesmo... Imaginando o estilo do livro, é de se imaginar que uma faca o tenha acertado bem no meio dos cornos, e a panela tenha despejado a comida fervendo em seu saco. A mãe, míope que nem um morcego, fica ainda olhando pra mesa, enquanto o pai dá um chilique, demonstrando de onde vem a bichice na família.


Pena que Philip não tinha a cadeira de 6 pernas do Homer...


Seguimos adiante, e o título da próxima historieta seria algo como "Joãozinho Cabeça de Vento". Não se trata do Joãozinho das piadas infames que conhecemos, com suas tiradas sacanas para seus pais, professores e amigos, mas sim um moleque que parece que se penteou na frente de uma turbina dum avião, que tem a curiosa mania de andar olhando pra cima.


Logo na primeira ele acaba sendo derrubado por um cachorro, ficando de barriga pro ar, que nem um panaca.


Mesmo depois de levar um tombaço, o Joãozinho não aprende, continuando a andar olhando pra cima. O que será que tem de tão interessante no céu assim, seu babaca? O pior de tudo é que agora ele caminha na direção do rio, como ele consegue ser tão besta assim, sem perceber que vai cair na água. Pior de tudo é esse passo de gazela, erguendo a perna que nem uma bailarina. Tão ridículo que os peixes ali no rio ficam sacaneando ele.


Não seu outra, o moleque vai lá e mergulha de cabeça. Espero que seja raso, pra assim ele ter quebrado o crânio no fundo...


Mas dois sujeitos aparecem lá, vendo o imbecil boiando na água, e decidem ajudá-lo. Um deles pega um gancho de pescaria pra arrancar o Joãozinho da água, enquanto o outro pega um cabo de vassoura pra violar sua inocência. Tudo isso diante dos olhos dos três peixes, rindo à toa, principalmente ao ver a pasta do moleque sendo levada pela correnteza.


Qual é essa moral? Tipo, olhe por onde anda, ou então você será impalado na bunda por um marinheiro barbudo enquanto é zoado por alguns peixes?

Cara, já estou me enchendo desse livro, tanto que a última história vou resumir a uma figura só, até porque é bem bestinha: fala de um garoto andando com o seu guarda-chuva em uma tempestade, até a ventania levar ele embora, pra nunca mais ser visto.


Impossível não se lembrar do padre dos balões...


Enfim, realmente é um livro bem tosco e bizarro. Fico imaginando toda uma geração de crianças sendo aterrorizadas por essas histórias, em especial as mais violentas e cruéis, como do gordinho que não tomava sopa e da menina queimada pelos fósforos. Podia ser enredo prum filme B ou mesmo pras páginas da revista Mad, de tão sem noção é absurdas que são essas histórias. Pelo menos, temos que admitir que é uma literatura que ensina alguma coisa de útil, em vez de toda uma trupe de cretinos aboiolados como Barney ou Teletubbies, que transformaram as crianças de hoje em mariquinhas de gelzinho no cabelo e pinta de viado...

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Pegaram o Zé

Tem horas que uma imagem vale mais que mil palavras...


sábado, 1 de agosto de 2015

Bizarrrice Odontológica

Você sabe que aqui as notícias muitas vezes chegam meio tarde, depois que todo mundo já comentou bastante. Isso é normal, pois em primeiro lugar tenho meus outros afazeres aqui e infelizmente não dá para eu vir aqui todo dia e escrever algo de novo. É a razão pela qual demoro um pouco para vir aqui e liberar comentários que os poucos mais fiéis visitantes fazem. Mesmo os comentários dos anônimos que adoram me provocar xingar, muitos deles assumidamente mulambos. Mas, enfim... Mesmo vindo falar de assuntos que já deixaram de ser notícia alguns dias atrás, eu acho legal trazê-los de volta e dar aqui a minha opinião.

E o "causo" de ontem que eu comento hoje foi sobre algo incrivelmente estúpido dito por uma mulher sem noção. Não, dessa vez não se trata de nossa presidanta, com sua admiração pela mandioca ou como atingir o dobro da meta que não existe. Foi algo dito pela tal da Bela Gil, outra filha pseudo-famosa do Gilberto Gil, que tem um programa de culinária alternativa num daqueles canais a cabo da Globo. No Facebook, a dita cuja veio sugerir para seus seguidores o uso de cúrcuma como substituto da pasta de dentes que nós conhecemos, criticada por ela por ter flúor e "outros porcaritos mais".  


Na boa... Eu não faço nem idéia do que diabos seja cúrcuma!

Apenas para concluir o episódio, embora milhares de pessoas deram jóinha em sua postagem, houveram também alguns outros criticando o comentário da Bela Gil, entres estes alguns dentistas, reprovando a atitude da cidadã. Lógico que tudo virou então uma bola de neve, com trocas de opiniões de forma até relativamente educada entre Bela e os dentistas, mas logicamente cada lado irredutível quanto à sua própria opinião, com a filha do Gilberto Gil apresentando argumentos a favor da cúrcuma e etc, e os membros da sociedade odontológica destacando os riscos de receitas artesanais para a higiene bucal. Você pode ver alguns deles aqui nesse site.


Pra começo de conversa, eu sinceramente não vou muito com a cara dessa Bela Gil... Esse ar de alternativa dela sempre me dá náuseas, além dela me parecer ser muito prepotente e arrogante, a ponto de afirmar que o que ela faz é sempre o certo. Pra mim ela faz aquele tipo de que inventa alguma doideira pra ser diferente de todo mundo, se achando a dona da verdade e que aqueles que não fazem como ela estão errados. Só ver no episódio acima: ela bate o pé em defender a cúrcuma, assumindo que aqueles que usam pasta de dente estão consumindo algo como se fosse veneno. 

E o pior de tudo é que tudo pra ela precisa ser diferente e alternativo... Vai lá no programa dela um convidado que gosta de churrasco, e ela então inventa um churrasco de quiabo e rúcula assado em fumos de incenso tailandês; na hora de dar a receita de um bolo, ela escolhe um de kiwi com calda de leite de soja misturado com cravo-da-índia; chega o inverno que pede uma sopinha, não pensa em nada comum como canja de galinha ou sopa de legumes, precisa ser um caldo de chuchu servido em uma cumbuca feita de argila do Mediterrâneo... Puta merda, fico imaginando como deve ser a casa de uma pessoa assim tão exageradamente alternativa (e que faz questão de mostrar isso para o mundo): em vez de lâmpadas, devem ser velas aromáticas; em vez de um colchão Ortobom ou semelhante, deve ser um saco cheio de feno; no lugar de papel higiênico, devem ser folhas de mangueira besuntadas em óleo de baleia... E em vez de pasta de dente, cúrcuma.

O mais curioso é ver como ela se refere ao flúor como algo nocivo... Confesso que com a onda fit que paira sobre a sociedade tal tipo de comentário não me surpreende muito. Hoje em dia tem gente dizendo que coisas como lactose e glúten são venenos, baseado nas postagens e teorias de blogueiras metidas a sabe-tudo de boa-forma. Agora, flúor... Sempre soube que era algo saudável para os dentes, que ajuda na proteção contra cáries. Por que todo esse ódio pelo flúor?


Lógico que qualquer coisa em excesso faz mal. Até mesmo cúrcuma, senhora dona Bela Gil. Claro que se a pessoa se expõe em demasia ao flúor, se algum tapado tem o hábito de comer um tubo de pasta de dente por dia, certamente isso vai trazer alguns malefícios para a sua saúde, no mínimo uma puta caganeira, assim como podendo levar até a problemas mais sérios. É até um dos motivos pelos quais os adultos devem supervisionar de perto quando as crianças pequenas escovam os dentes, já que elas são mais frágeis, Mas na minha concepção, durante as típicas três sessões diárias de escovação não se é exposto a uma quantidade absurda de flúor a ponto de que seja nocivo. Não acredito que todos os estudos, todo o desenvolvimento na saúde ao longo de décadas seja uma grande mentira, que o flúor não colabore em nada para a higiene bucal.

Na boa, a pasta de dente nos moldes do que conhecemos hoje data da segunda metade do século XIX. De lá pra cá, eu imagino ter havido tempo suficiente para todo o tipo de estudo, para comprovar a sua eficácia, assim como novos desenvolvimentos buscando aumentar a sua performance na higiene bucal, assim como auxiliar na prevenção de certos problemas. Por exemplo, além de limpar os dentes, elas ajudam a prevenir o mal hálito, combatem a formação de placa e protegem as gengivas. Todo esse tempo, e a sociedade continua usando pasta de dente... Se é assim, eu imagino que algum bem ela deve fazer, não acha? Se pasta de dente e flúor fossem tão ruins assim, já se teria percebido, é o que penso...


Quanto ao uso de cúrcuma... Como comentei acima, tem gente que nem sabia o que era cúrcuma até a Bela Gil postar sobre isso. E seu uso para limpar os dentes eu imagino que não seja algo tão datado como a pasta de dente tradicional. Ou então a gente já iria encontrar potinhos com esse pó amarelo nas drogarias e farmácias, ao lado de tubos de Colgate. Cheguei a ler uma das postagens dela em resposta a toda essa polêmica, onde fala a respeito de artigos científicos que comentam sobre o uso da cúrcuma, e os que vi são todos muito recentes, tem alguns que devem no máximo ter 1 ano. Fica evidente pra mim que esse é um conceito relativamente novo, e que precisa ser estudado ainda mais a fundo.

O que é mais engraçado é a postura dela a começar essa postagem, que eu faço questão de reproduzir aqui uma parte. Pra ver todo o texto na íntegra, e inclusive os links dos artigos, é só ir aqui na página dela.
"Não sei porque o mundo tem que girar em torno de artigos científicos, como se pudéssemos e devêssemos acreditar em todos eles sem reparar na tendenciosidade de muitos deles. (...) mas resolvi publicar esse texto com alguns artigos científicos relacionados ao beneficio da cúrcuma na saúde bucal e dentaria para ver se assim, com os tais artigos científicos, muitos possam abrir as suas mentes e quem sabe começar a fazer seus próprios estudos aqui no Brasil!!!"

Curioso, não? Acho meio insensato ela questionar a validade de artigos científicos, afirmando que eles são tendenciosos, mas aí ela vai e coloca artigos que falam sobre os benefícios da cúrcuma. Sendo que uma dessas referências que ela cita como "artigo científico" é um site chamado enxaqueca.com.br, que chega ao ponto de dizer que o flúor é um veneno e está associado ao programa nuclear dos EUA, em uma historieta comunista que não consegui ler inteira de ser tão ridícula. Voltando ao tema em questão, gostaria de saber da Bela Gil o que faz com que os artigos que defendem a cúrcuma e condenam o flúor sejam de inegável credibilidade e não tenham nenhum cunho tendencioso. Típica postura infantil, só os pesquisadores que pensam como ela é que merecem respeito, quem defende teorias diferentes de sua opinião são tendenciosos e contam mentiras. Como alguém bem citou em um comentários, primeiro ela ofendeu toda a comunidade odontológica, e depois toda a comunidade científica...

Não estou dizendo que seja impossível que a cúrcuma tenha seus benefícios. Pode ser que até tenha, e que esses benefícios sejam cientificamente comprovados. Mas eu pessoalmente fico um pouco cético quando são pesquisas relativamente recentes, não por questionar a sua validade, mas por não termos a certeza 100% de que não existem efeitos nocivos em seu uso para escovar os dentes. Não por achar que os artigos possam ser tendenciosos: eu creio que se são artigos sérios, e não postagens de um site qualquer com nome de dor de cabeça, eles foram elaborados com rigor científico de comprovar suas observações, sem nenhum interesse por trás. Artigos esses que podem gerar outros artigos que continuem pesquisando sobre seus benefícios, assim como aqueles que pesquisem sobre seus malefícios. É assim, por meio desses artigos que a Bela Gil critica, que a nossa sociedade se desenvolve cientificamente, proporcionando uma vida melhor para as pessoas, trazendo novas descobertas que possam ser usadas por todos.

Mas, como disse... É uma pesquisa muito jovem, pelo que vejo. Certos problemas, certos efeitos colaterais nocivos relacionados ao seu uso na escovação só podem começar a aparecer depois de um determinado tempo de uso. Quem me garante que, ao escovar os dentes três vezes ao dia com cúrcuma, isso não possa favorecer o surgimento de alguma doença na minha boca daqui uns cinco ou dez anos? Devo confiar na palavra da Bela Gil? Ela pode me garantir que nada de ruim pode acontecer após esse uso da cúrcuma para escovar os dentes? É como a onda de alimentação fit que temos hoje em dia: vamos ver se daqui a alguns anos essa galera que limita a sua dieta a peito de frango, ovo, batata doce e Whey não vai apresentar nenhum tipo de problema de saúde...


Embora eu sei o tipo de resposta que eu escutaria da Bela Gil ou de um de seus defensores: a cúrcuma não faria mal porque é natural...

Sério, isso não é desculpa! Não é porque algo é natural que por definição seja saudável. Por exemplo, tem pessoas que tem alergia a certas coisas, como camarão ou amendoim. Não interessa se esse sujeito pescar um camarão no meio do oceano Pacífico, que ele seja 100% natural, se ele comer o crustáceo vai ter uma reação alérgica que pode ir desde algo incômodo e passageiro até algo mais grave. Certas pessoas têm alergias, certas coisas se ingeridas de forma exagerada podem trazer consequências negativas, mesmo que sejam naturais. Se a Bela Gil fosse um pouquinho mais sensata, ia perceber isso, que qualquer coisa em demasia pode ser ruim. Mesmo batata doce que essa turma adora tanto, se você comer meia dúzia de batatas doces por dia no mínimo vai ficar com um peido horrorrível de fedorento, tipo o cheiro de um cavalo morto se levantando...


Da mesma forma, não podemos assumir que tudo artificial é veneno, mesmo quando nos expomos em raros momentos. Por exemplo, vamos falar da Coca-Cola: é indiscutível que ela tem mais produtos artificiais do que aqueles kits de Pequeno Químico que a gente brincava quando era criança. Não é algo saudável, concordo com isso. Mas não é porque se chegou um dia, quando estava com os amigos em um churrasco e tomei um copo de Coca-Cola que pronto, fudeu, condenei a minha vida pra sempre só por esse momento, por um momento isolado onde consumi um "porcarito". Não é assim... Claro que aquele cidadão que toma dois litros de Coca-Cola por dia vai se dar mal por isso, pois é uma ingestão exagerada de químicas que o nosso organismo não aguenta. Mas... um copinho por mês? Fala sério...

Sem falar que acho impossível que a Bela Gil ou qualquer outra pessoa vivendo em sociedade possa passar sem nenhum tipo de contato com nada artificial. Só se for um ermitão vivendo numa caverna numa ilha deserta perdida no oceano. Não discuto que coisas naturais tem uma tendência de terem menos efeitos colaterais, mas por outro lado existem muita coisa artificial que é inofensiva, que muito pelo contrário, são até benéficas para a nossa saúde. Uma vacina, por exemplo... não existe vacina na natureza, é algo criado artificialmente pelo Homem e que nos imuniza contra várias doenças. Hoje mesmo escutei que conseguiram desenvolver uma vacina contra o Ebola que aparentemente tem 100% de eficácia. Não desejando mal a ninguém, mas dá vontade de imaginar o que a Bela Gil diria se ela contraísse Ebola, será que ela iria se negar a tomar essa vacina, pois está cheia de "porcaritos" e iria se curar com uma poção mágica feita com cúrcuma, mijo de sapo e abobrinha uruguaia?

Há quem defenda a Bela Gil, dizendo que usar cúrcuma para a limpeza dos dentes é mais saudável, enaltecendo o fato de que ela só teve uma cárie em sua vida, e somente quando era menina e comia besteiras. Outro argumento que seus defensores levantam é que no passado (entenda quase como na época do homem das cavernas), não havia pasta de dente e nem flúor e nem assim as pessoas perdiam dentes ou tinham cáries. Tudo bem, é justo... Mas convenhamos que a alimentação era bem diferente, naquele tempo não existiam certas comidas que temos hoje, que afetam de maneira mais agressiva a dentadura. Acontece que mesmo sendo diferente, quem cuida bem dos dentes não tem problemas. Eu mesmo, só tive duas cáries em minha vida, todas elas também quando eu era um pequeno texugo. Desde que eu me entendo como gente, digamos, desde a adolescência, que eu tenho o costume de escovar os dentes três vezes ao dia, de ir ao meu dentista com regularidade para o check-up e para passar flúor... E nenhuma cárie mais. Sem precisar escovar os dentes com cúrcuma.

O que me deixa mais puto não é nem a questão da cúrcuma em si... Como comentei, ela pode até ser benéfica, desde que isso seja comprovado cientificamente. O que me enoja é a postura da Bela Gil em assumir que ela é a certa e todos que pensam diferente estão errados, com essa visão de que só porque ela leva uma vida natureba e alternativa ela sabe de tudo. Eu acho uma atitude meio arrogante e inconsequente, principalmente por se tratar de uma figura pública, que tem o seu certo nível de influência sobre as pessoas. Sem nenhum tipo de comprovação científica (afinal, ela só decidiu apresentar os artigos depois quando foi criticada, e não ao recomendar as pessoas a escovarem o dente com cúrcuma), ela induz o público a fazer algo contra aquilo que já é comprovado há anos. Tantas pessoas já escovaram os dentes com creme dental, me mostrem provas de que se alguém escovar os dentes três vezes ao dia om uma Colgate ou Kolynos vai ter problemas de saúde graves. Alguém? Da mesma maneira, será que se daqui a alguns anos observarmos que limpar dentes com cúrcuma pode causar algum malefício, sei lá, tipo dos dentes ficarem amarelos ou a língua cair, será que a Bela Gil assumirá a responsabilidade por ter influenciado as pessoas a usá-la?

Chega a ser engraçado... Na boa, acho que o Gilberto Gil tinha que ser proibido pela seleção natural de se reproduzir... Primeiro apareceu aquela coisa da Preta Gil, que acha que sabe cantar e ainda por cima fica posando de gostosa quando está mais pra uma mamífera marinha... e depois veio essa Bela Gil com essas idéias hippies e absurdas... Quem será o próximo herdeiro dele que vai fazer papel de ridículo?