quinta-feira, 20 de junho de 2013

Como odeiam a classe média!

Eu não costumo ler muito revistas, cada vez mais eu estou me distanciando do mundo do papel, muito mais pela questão das informações e notícias serem atualizadas muito mais rapidamente na Internet e para reduzir o peso dos livros na minha pasta que já estava fudendo com minha coluna, do que por uma questão meramente ecológica. Mas sempre tem aquelas situações onde temos que recorrer às publicações físicas, como quando vamos no consultório médico e presenciamos aquela infeliz coincidência da bateria de meu telefone estar baixa e de eu ter esquecido meu Kindle em casa com a presença de pessoas chatas na sala de espera, falando de assuntos extremamente agradáveis como doenças e hospitais.

Nessas horas não tem jeito, tive que recorrer à cesta de revistas e acabei lendo uma Época, para me atualizar das novidades do Brasil e do mundo, assim como ver qual era a beldade que estampava as páginas de frases da semana.


Sério, acho engraçado isso: toda a semana sempre tem alguma mulher exibindo a sua beleza nessas seções de frases da semana. Ela pode ter falado qualquer merda, mas ganha seu espaço...

Enfim, a edição daquela semana falava a respeito de como a classe média brasileira é a que paga o pato nesses tempos de inflação. Sempre ela, que se encontra naquela fronteira entre os ricos que têm grana saindo pelo rabo e os pobres que são cada vez mais favorecidos pelo assistencialismo do governo. Já não é de hoje que a classe média costuma ser mesmo a maior vítima das falcatruas do governo, tendo que pagar impostos exorbitantes e precisando se virar nos trinta. E a reportagem (que parte dela você pode ler aqui neste link) fala a respeito disso, mostrando principalmente como que essas pessoas da classe média precisaram se reorganizar para não chegar no final do mês no vermelho, sendo obrigadas a mudar hábitos, cancelar ou postergar planos e fazer as contas.

Me considero um texugo de classe média. Faço até questão de pegar parte do texto que descreve esse grupo do qual faço parte:
"Fazem parte desse contingente os assalariados e os empresários de pequeno e médio porte relativamente bem-sucedidos, com um patrimônio conquistado quase sempre com o próprio esforço, além dos profissionais em ascensão na carreira. Em sua maioria, eles têm diploma universitário, nível cultural elevado e estão acostumados a frequentar restaurantes, bares, cinemas e shows. Sempre que possível, viajam para fora do país com a família ou com os amigos."
Trata-se de pessoas que chegaram onde chegaram muitas vezes depois de muito esforço. Eu, por exemplo, ralei nos meus estudos, meti os cornos para conseguir entrar em uma boa faculdade e me formar bem, buscando sempre cursos adicionais para incrementar o meu currículo. Me esforcei para ter meu teto, meus bens, conseguidos graças ao trabalho duro, mesmo tendo que pagar altos impostos e por serviços que deveriam ser oferecidos pelo nosso governo. Não nasci em berço de ouro e tampouco precisei contar com esmola do governo ou política de cotas para conquistar o que eu tenho hoje. E que agora, como muitas outras pessoas, preciso rever meus gastos, deixar de fazer coisas para que eu possa chegar no próximo mês sem perder os cabelos e acumulando dívidas. 

Ao longo da reportagem, vários casos semelhantes são apresentados: é o sujeito que deixou de ir em bares e passou a comprar cerveja no mercado para beber com os amigos em casa; a família que abriu mão do costumeiro programa de ir no cinema e comer em um restaurante para baixar um filme no Netflix depois de fazer um lanche no Bob's; a mulher que abriu mão da empregada diarista para se virar com uma faxineira mensal; o casal que postergou a viagem para o exterior e passou as férias em casa... Por aí vai...

Bom... Essa revista era de alguns dias atrás, e acabou que nessa semana tive que ir no mesmo médico novamente, para entregar exames e tudo mais. Novamente, a espera foi tremenda. E mais uma vez, eu não estava com meu inseparável leitor digital. Tive que recorrer novamente à revista, e estava lá a Época seguinte. Fui ali folheando a revista, e me intrigou bastante quando cheguei na seção de cartas, onde alguns leitores haviam tecido suas opiniões a respeito da matéria de capa da semana anterior. 

Vou te dizer que, ao ler as opiniões de três leitores, me senti extremamente puto! Fiz questão de sacar meu celular e tirar uma foto das cartas, para que eu pudesse vir aqui, reproduzi-las e comentá-las.


Para que você possa ler com maior facilidade, seguem as cartas.
"Se a intenção do governo atual é diminuir a desigualdade social e tirar o país do nível de pobreza, é aceitável que o crescimento de renda seja maior para os mais pobres para que os mais ricos e que o Bolsa Família represente 35 vezes o consumo da classe média tradicional"
Vanuza Valcazara, São Paulo, SP
"Nossa, como sofre a classe média. Ter de comer na praça de alimentação do shopping e abandonar a hidratação facial é mesmo uma lástima. E a vida real mandou lembranças para essas pessoas."
Paulo Velasque, São Paulo, SP
"Tantas pessoas passando fome, sem um lugar para morar, em situação de extrema pobreza. E, no entanto, a reportagem retrata o sofrimento de quem não pode fazer viagens caras ou ter uma empregada doméstica. Daqui a pouco, até transporte público esses pobres coitados serão obrigados a usar. Que absurdo, não!?"
Flávio Serpa, Rio de Janeiro, RJ

Na boa, eu gostaria muito de ter a oportunidade de dialogar com esses três energúmenos. Nunca vi tanta concentração de babaquice em tão poucas palavras, uma postura certamente bem parcial de ódio mortal pela classe média. Gostaria de poder argumentar contra todas essas baboseiras vindas desses três, que não duvido que alguns deles (se não todos) devem fazer parte da mesma classe média que criticam.

Começo dirigindo minhas palavras para a Vanuza da primeira carta. Minha cara, imagino que se você acredita que o governo tem o interesse de reduzir a desigualdade social e acabar com a pobreza, deve acreditar também em Papai Noel e coelhinho da Páscoa. Até parece que o governo iria acabar com uma das mazelas que é a maior responsável por garantir os seus votos nas eleições.

Acabando com a pobreza, você passa a ter uma população não apenas com maior renda, mas também que acaba se instruindo mais, que começa a raciocinar mais, que procura se informar e que começa a ser muito mais crítica. Uma população que seria mais difícil de se alienar, mais complicado de conquistar com políticas assistencialistas e conversa de campanha. Pobre não tem quase nada, e se você der qualquer esmola e prometer um monte de coisas ele fica contente, por isso é melhor que continuem com quase nada, que aí o esforço para comprar seus votos será menor.

É só você ver o exemplo dessa bosta do Bolsa Família, que é citado nessa carta. Essa merda não passa de voto de cabresto, esmola para os pobres para que eles apoiem Dilma e companhia. E que nunca vai erradicar a pobreza, nada mais é que o governo sustentando pobres com o nosso dinheiro.


Vou falar uma coisa aqui e tenho a certeza de que serei mal interpretado, mas tudo bem. Na minha opinião, um dos grandes problemas é que o pobre em geral não tem educação. Calma, não estou falando sob um ponto de vista acadêmico ou de postura como cidadão. Me refiro ao fato que em geral as pessoas pobres não são instruídas a ponto de entender como que são as coisas, de como é a vida e dos reais interesses do governo. Pobre em geral se ilude fácil, se deixa enganar por pessoas mal-intencionadas que fingem que estão os ajudando mas na verdade querem levar vantagem. Talvez uma palavra maior seja dizer que eles são ingênuos. É por essa razão que se costuma dizer que, se fossem pegar todas as riquezas do mundo e distribui-las igualmente entre todas as pessoas, não demoraria até que a desigualdade voltasse a ocorrer, com as pessoas que eram pobres voltando a ser pobres.

Vou explicar... Como diz na própria reportagem, a classe média está hoje revendo os seus gastos, deixando de fazer certas coisas para não estourar o orçamento. São pessoas que normalmente possuem uma consciência financeira elevada, que sabem o valor das coisas, e que sabem definir o que é mais importante na hora de escolher o que fazer com seu dinheiro, que não ficam acreditando nas baboseiras que a gerentona diz que não tem inflação e a economia brasileira está numa boa.

Agora, o pobre em sua maioria não pensa assim. A consciência financeira do pobre é muito limitada, principalmente nos momentos de aparente calmaria. Se a Dilma fala que a economia está boa, se o Lula falar que as pessoas podem consumir sem problemas, essa parcela da sociedade acredita, e acaba torrando o pouco que tem para comprar eletrodomésticos novos, roupas e tudo mais. Claro que entrando em parcelamentos imensos onde vão pagar 100% do valor do bem só em juros, caindo no cheque especial ou precisando pegar dinheiro emprestado.


Claro, não estou sendo generalista: sei que tem muitas pessoas humildes que sabem o valor do dinheiro que têm, que procuram planejar seus gastos. Mas é fato que a maioria não é assim.

Cito o exemplo da senhora que faz a limpeza em nosso escritório. Estava toda contente pois seu marido tinha comprado uma TV 3D de mais de 40 polegadas pra ver a Copa das Confederações, pagando só 100 reais por mês. Certamente uma dívida que vai se alastrar até a Copa do Mundo no mínimo, e que se você colocar na ponta do lápis sairia muito mais barato se eles esperassem e economizassem durante um tempo, pagando menos parcelas maiores ou mesmo à vista, reduzindo assim o custo de juros. E o mais legal é o seguinte: eu aqui ainda segurando a minha televisão de tubo de vinte e poucas polegadas...

Aí nessa hora me dirijo à segunda carta, a que provavelmente me deixou mais puto. O tal do Paulo comenta com tom de deboche aquilo que ele considera como uma frescura da classe média ao considerar sofrimento abrir mão de certos luxos, dizendo que a "a vida real mandou lembranças"...

Sério, vai se fuder, pôrra!


Como a revista comenta no trecho que destaquei, a classe média chegou onde está devido ao próprio esforço, após batalhar muito para ter uma renda que atenda não somente às demandas do dia-a-dia, mas que também permita que faça aquilo que gosta, aquilo que dá prazer. Deixando claro isso, que primeiro vem a obrigação, as despesas fundamentais, como pagar conta de água e luz, plano de saúde, aluguel, escola dos filhos, e depois se sobrar alguma coisa, usar para seus planos próprios, para fazer algo que goste, um lazer para aproveitar a vida. Tudo de forma planejada, de forma a não estourar o orçamento.

E aí essa pessoa faz o que ela quiser, Paulo! Se a pessoa quiser fazer hidratação facial, jantar em restaurantes, ir ao teatro, pagar acupuntura para seu poodle, viajar para a Letônia ou seja que for, fazendo algo que lhe dê prazer usando o dinheiro que ela conquistou e economizou com seu próprio esforço, qual o problema? O dinheiro é dela, ela faz o que quiser, e não é da pôrra de sua conta, caralho!

Dá até a impressão que esse sujeito na verdade ficou é revoltado, expressando sua raiva contra pessoas que fazem aquilo que ele gostaria. Deve estar zangado porque nem na praça de alimentação de um shopping ele consegue ir, tendo que se contentar com um salgado e um refresco da birosca da esquina. Ou até mesmo pode estar putinho pois sente que seu rosto está muito ressecado e precisa de uma sessão de hidratação facial.

Esse é um reflexo de nossa sociedade, onde as pessoas têm essa inveja contra aqueles que têm condições de ter e fazer coisas que não podem. Sempre julgando isso da pior forma possível: aí nós temos a parcela mais humilde da sociedade olhando para esses "riquinhos exibidos" com ódio, com aquela visão de que tais "burgueses" têm tudo aquilo por causa da sua pobreza, como se por exemplo o sujeito tem um carro importado ou a mulher um vestido de griffe tivesse quase que tirado o dinheiro dos pobres. Em outras palavras, uma visão alinhada com a luta de classes que os petralhotários e outros vermelhos adoram.


Claro que essa revolta só é dirigida para parte da sociedade. Essa parte corresponde à (adivinhe?) classe média, como se fosse errado que essas pessoas façam certas coisas e tenham certos luxos, que faço questão de repetir, conquistados com seu esforço e dedicação. Outras classes não sofrem essa inveja, é visto até como algo legal, algo a ser valorizado.

Por exemplo, para pessoas como esse Paulo e boa parte da sociedade, é absurdo e revoltante, é exibicionismo e superficialidade se for, por exemplo, uma advogada moradora de Ipanema ir em um salão fazer hidratação facial, pagando com o dinheiro que ela ganha com o trabalho dela. Trata-se de uma mulher que não tem noção de como é a vida real, uma convencida, uma dondoca...

Agora, se a Xuxa tem um spa particular em sua mansão, todo mundo aplaude, acha bonitinho, não tem nada de exibicionismo, ela pode, é a Rainha dos Baixinhos e merece nossa admiração. E se a Dona Crezileide, empregada de New Iguáçu, gasta metade de seu salário pra ir no salão pintar as unhas de laranja e colocar um Mega Hair, também está tudo bem, acham maravilhoso, enaltecem a inclusão social, que ela merece se cuidar...

O mais legal de tudo é ver que as classes mais pobres são as que mais parecem não ter noção de como é a vida real. Como comentei acima, essas pessoas têm pouco, e acabam sempre caindo nas armadilhas das dezenas de prestações e outras práticas do comércio pra fisgar pobre. Em detrimento de coisas realmente importantes, como educação de seus filhos, saúde e etc. Ao contrário do que ocorre com a classe média, conforme é dito na reportagem, que tem a consciência financeira sobre o que é prioritário e o que pode ser deixado de lado. Algo que os mais pobres não fazem: qualquer empregada ou moto-boy anda por aí com celular de última geração pra ficar jogando Candy Crush e postando no "Faice" e TV de alta definição pra aproveitar a seleção completa de canais do gato-Net...

Principalmente quando o dinheiro vem sem esforço, como no famigerado Bolsa Família. Repito, uma política assistencialista que no final das contas é esmola para os pobres, que usam isso da forma que querem. Você se lembra daquela mulher dessa postagem, não lembra?

"Só ganho 134 reais, não tá dando pra comprar nem uma calça pra minha filha que tem dezesseis anos, porque uma calça pruma jovem de dezesseis anos... É mais de 300 reais."
Pergunto pro Paulo: isso aí é vida real?

Ou seja, o governo vai lá, dá uma ajuda financeira pra mulher, para que ela possa comprar comida e se manter, até para que ela possa pagar um curso para sua filha... Mas na cabeça dela ainda é pouco o que ela recebe, pois não dá para fazer coisas mais importantes como comprar uma calça pra filha...

Me diga agora o que é mais, digamos, insensato: uma mulher de classe média pegar um dinheiro que ela tem à disposição para pagar uma hidratação facial sem prejudicar as contas da casa, ou uma mulher pobre que provavelmente mal tem o que comer torrar seu Bolsa Família pra comprar uma calça?

Aposto ainda que vai ter gente me criticando, argumentando que as pessoas mais pobres têm direito a ter e fazer essas coisas também, julgando que eu pense que só a classe média tem direito a luxos. Estão enganados, os pobres têm direito sim a ter esses luxos e comprar essas coisas, como disse cada um faz o que quer, desde que arquem com as consequências desses gastos. Todo mundo tem que saber o valor do seu dinheiro, tem que saber quais as suas prioridades, para definir o que não pode faltar e o que pode esperar. Isso vale para todos, independente de classe social.

Ou seja: não adianta ficar chorando por aí, dizendo que está passando fome, se você depende de um Bolsa Família e gasta mais de trezentos em uma calça pra sua filha de dezesseis anos. Que vá fazer as contas e planejar seus gastos de forma coerente, sem estourar seu orçamento.

Ou vai chorar pra Dilma, pra que ela crie um Bolsa-Calça.


Tom semelhante tem o autor da terceira carta, que adota aquela postura de alguém que tem consciência social, criticando o fato da revista falar do "sofrimento" da classe média enquanto que existem pessoas de classes mais humildes que passam por problemas mais graves. Dá vontade de perguntar para esse meu conterrâneo carioca se ele faz alguma coisa em prol dessas classes mais humildes. Ele podia adotar um menor abandonado ou abrir as portas para uma família sem-teto, se é tão preocupado assim com os problemas desses mais pobres.

Eu não discuto quanto à questão de que as classes mais pobres passam por problemas realmente graves. É evidente que existem pessoas que não têm condições de ter três refeições por dia, que vivem em condições precárias, extremamente nocivas para sua saúde, que não tem acesso a coisas tão básicas da sociedade como luz, água encanada e esgoto, que sofrem com o transporte público precário... A lista é grande, não digo que vida de pobre é fácil. Embora torne a repetir que muitos desses que se enquadram nessa classe não tem uma educação financeira adequada para às condições em que vivem, e que um pouquinho de bom senso ajudaria a tornar suas situações menos piores. Não estou dizendo que os pobres são os únicos culpados por sua pobreza. Mas gastar o pouco que tem com televisão nova ou calça de mais de 300 reais pra filha não ajuda.

Mas isso não invalida a situação que a classe média passa. Só porque as pessoas têm uma condição de vida relativamente um pouco melhor, elas não têm o direito de reclamar que cada vez mais pagam impostos, que cada vez mais a inflação abocanha suas contas bancárias, obrigando-os a abrir mão daquilo que estavam acostumados a ter ou fazer? Lembrando mais uma vez: com dinheiro suado, conquistado com muito esforço.

O Brasil é o país onde mais se paga imposto, trabalhamos meses só para sustentar esse governo filho da puta. Abra seu contra-cheque e todo mês está lá o IRRF, o INSS, abocanhando o seu salário. Chega início do ano, tem que pagar IPTU, IPVA... Você vai numa loja comprar alguma coisa e nem consegue ver o quanto está pagando de imposto naquela mercadoria, principalmente se for um eletrônico (como comentei aqui, onde na época um iPhone saía mais de cinco vezes mais caros que nos EUA). Até uma bala Juquinha, metade dela deve ser só de imposto.

Pelo amor de Deus... Até aqueles que fazem a declaração de Imposto de Renda e têm a infelicidade de descobrir que não vão ter restituição, precisam pagar um imposto para pagar o imposto devido!

Acontece que boa parte desses impostos é proveniente da classe média.

Por exemplo, quem mora num bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro paga um dos IPTUs mais caros da cidade, tem moradores que devem pagar quase mil reais de imposto pela propriedade todo o ano. Agora, você acha que o sujeito que tem um barraco no Morro do Cantagalo, estrategicamente colocado entre Copacabana, Ipanema e Lagoa com uma vista exemplar, paga algum centavo de IPTU?


E posso dar vários outros exemplos: moradores de favela não pagam por energia elétrica, não pagam por coleta de lixo. TV a cabo pagam só uma taxazinha lá pro dono do morro pra ter uma seleção de canais muito maior do que eu que tenho a assinatura oficial. Quase todas as favelas têm lugares para a prática esportiva gratuita, vem aqui embaixo no asfalto e o único jeito é pagar para entrar em um clube. Morro do Alemão até teleférico tem! Todo um tratamento especial que nossos governantes dão à essas pessoas. Pessoas que contribuem muito menos com  impostos do que a classe média.

Antes que venham me criticar, não estou dizendo que a classe mais pobre não mereça a atenção dos governantes. Mas não só ela. A classe média também. O governante deve representar, deve trabalhar em prol de todo a população, não apenas de uma parcela, mesmo que ela seja mais necessitada.

O meu ponto aqui é que é meio exagero achar que a classe pobre só sofre, e a classe média tem tudo de bom. Cada uma tem suas vantagens e seus problemas.

Na minha visão, comparar os problemas da classe pobre com os da classe média é como comparar maçãs com laranjas, são coisas bem distintas. Um não invalida o outro. Só que na cabeça bitolada de criaturas como petelhos, só os problemas dos pobres são dignos de revolta, só eles podem se sentir prejudicados. É a síndrome de terceiro mundo que a maioria da população desse país de merda tem.

Claro que tem outra coisa também: há classe média e classe média. A classe média que é alvo de críticas, que é crucificada por pessoas como os autores das três cartas, corresponde àquelas pessoas que fazem parte dessa parcela da sociedade mas que não são seguidoras da mentalidade comunista dos partidos de esquerda. Apenas aqueles que não compactuam com os ideais vermelhos, que não apoiam Dilma e Lula, é que são vistos com ódio por pessoas como a tal de Marilena Chauí, professora da USP (antro de petralhotários) que mais parece o cruzamento da Vovô Mafalda com o Dick Vigarista, que proferiu com todas as sílabas que "odeia a classe média".


Sim, essa puta declamou seu ódio em um evento do PC do B, e o mais legal de tudo isso é que disse isso na frente da Dilma, que tem como maior sonho que o país seja composto somente pela classe média (algo bem irônico, não?). Fico me perguntando de que classe essa mulher faz parte: pobre ela não deve ser, seria ela então rica? Ou talvez ela faça parte da "outra" classe média. Afinal de contas, se você defende os ideais de esquerda, então tá tudo bem, mesmo que você seja de classe média. Classe média que não presta é só aquela que não segue a cartilha vermelha, se você é de classe média mas acredita no Lula e na Dilma, então você é cidadão de bem, não é alvo das críticas de paspalhos como os três que escreveram as cartas mencionadas.

Bobeando ela deve fazer hidratação facial e jantar todo dia em restaurante.

E digo mais: teria até uma terceira parcela da classe média que é "de bem", que tem todo o direito de exercer seu direito de gastar com  que quiser. São muitos dos favelados desse país, que com todas políticas assistencialistas do governo e se omitindo deliberadamente de vários impostos, já conseguiram alcançar uma renda que os confere o status de classe média. Como você pode ver nessa reportagem, em torno de 65% da população que mora nas "cumunidades" tem uma renda melhor que anos atrás e pode ser classificada na classe média.

Resumo da ópera então: se você é da classe média mas defende o PT e/ou mora em favela, você pode fazer o que quiser com o seu dinheiro; do contrário, você é uma desgraça para a sociedade que não tem direito a reclamar de nada.

Essa é a mentalidade do PT e seus adeptos: perpetuar uma luta de classes, onde eles por definição são os donos da verdade, os bonzinhos que amparam os pobres coitados das classes menos favorecidas que merecem tudo, enquanto que tudo que tem de ruim, os vilões da sociedade são sempre aqueles que trabalham duro para ter o que tem, que sustentam com seus impostos o mesmo governo que os critica.

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