quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Demagogia da Tragédia

Nos últimos dias presenciamos diversas imagens chocantes sobre o terrível terremoto que ocorreu no Haiti, um dos países mais pobres do mundo. Estima-se que milhares de pessoas perderam a vida nessa tragédia e outros tantos estão desaparecidos, e os esforços das forças de paz da ONU, lideradas por militares brasileiros que compõem a maior parte do grupo, continuam para tentar encontrar sobreviventes. Diversas nações estão enviando doações e ajuda humanitária para um país que certamente não conseguiria sobreviver por conta própria, e muitas pessoas, solidárias com os haitianos, estão oferecendo doações de alimentos, roupas e dinheiro para organizações que estão trabalhando para ajudar o país.

Eu imagino que acabarei sendo tido como um cretino insensível pelo que vou dizer nos próximos parágrafos, mas fico imaginando o quanto de todo esse empenho e esforço pelos haitianos é verdadeiro e o quanto é apenas demagogia. Vocês sabem, ajudar para dizer para todos que ajudou, para ficar "bem na fita", para posar de que tem consciência social. Acredito que não devem ser poucos, e desconfio muito de nosso governo estar adotando exatamente essa postura.

Não é perseguição com o Lula, embora eu já tenha deixado claro em muitas postagens aqui que acho que ele não tem capacidade nem para administrar uma barraquinha de cachorro-quente. Mas sabemos muito bem que o barbudo adora posar de defensor dos pobres, ele deve sentir orgasmos ao se mostrar como um homem do povo. Afinal de contas, sabemos muito bem que a maioria que votou nele é de pessoas humildes, e nada melhor para aumentar a simpatia delas do que se mostrar como um semelhante, demonstrando compaixão pelo sofrimento de um dos povos mais miseráveis do planeta.

Levanto ainda uma outra questão: você percebeu como a resposta de Lula e seu governo para a tragédia do Haiti foi extremamente veloz e de grande porte? Logo no dia seguinte ele já estava falando e aviões decolando com destino para o Haiti. Agora compare com a resposta do governo federal diante dos acontecimentos ocorridos em Angra dos Reis e outras regiões afetadas pelas fortes chuvas. Me desculpe, mas é evidente que a velocidade de resposta para a tragédia aqui do Rio foi relativamente mais lenta, está bem claro que as autoridades não estão direcionando muita atenção para as consequências das fortes chuvas em São Paulo. Por quê?

Vejo que uma razão óbvia para isso é exatamente a ânsia de mostrar para o mundo sua preocupação com os povos necessitados. Sejamos frios, coloque na balança o terremoto do Haiti e os deslizamentos provocados pelas chuvas aqui no Brasil: a tragédia ocorrida no país caribenho é certamente mais grave e com mais mortes, e com isso ela também acaba também sendo um fenômeno de maior evidência para o mundo. Mais uma vez, não me veja como um cubo de gelo, mas a verdade é que as dezenas de mortes em Angra, por exemplo, são notícias pequenas e de pouco destaque na mídia internacional, comparadas com as vítimas do Haiti. Convenhamos, os deslizamentos em Angra são tidos como meras ocorrências locais, enquanto o terremoto no Haiti é de interesse global. E a "propaganda" ao redor daqueles que atuam com ajuda humanitária em um episódio desses é diretamente proporcional ao tamanho da tragédia. Ou seja, Lula vai aparecer muito mais na mídia internacional liderando ações de resgate em um país vítima de uma catástrofe do que em uma cidade brasileira, daí a velocidade na resposta.

O que me revolta é que as pessoas parecem se esquecer dos graves problemas que nós temos aqui, que são solenemente ignorados pelos nossos governantes. Por exemplo, todo o verão aqui no Brasil morre gente à beça, por causa das pesadas chuvas seguidas de deslizamentos. Ao contrário do terremoto do Haiti, uma tragédia sim mas isolada, os problemas de infra-estrutura, e saúde de nosso país são coisas recorrentes. Todos os anos podemos estar certos de que o Tietê vai transbordar de água devido às chuvas de verão, provocando o caos na capital paulista, e que isso vai se repetir e nada será feito para evitar que ocorra. Não se vê um décimo de esforços de nosso governo hoje destinados ao Haiti serem empregados na solução de problemas locais. Típica postura comunista da esquerda, com uma preocupação maior de se mostrar para o mundo como uma nação solidária do que em resolver problemas graves que ocorrem dentro de suas fronteiras, principalmente se for para tentar se mostrar superior aos EUA.

Ah, como poderíamos esquecer do já manjado anti-americanismo? Mesmo em uma situação onde a preocupação humanitária com as vítimas do terremoto deveria ser mais importante, sempre existem aqueles petralhas que nunca perdem a oportunidade de arrotar críticas infundadas, estúpidas e sem nexo contra os EUA. Durante essa semana que se passou, já escutei os mais incríveis absurdos, verdadeiras diarréias verbais vindas de membros do governo e simpatizantes da esquerda. Por exemplo, muitos idiotas contestaram o envio do porta-aviões Carl Vinson para a região, mesmo sabendo que o gigantesco navio não está levando nenhum avião de guerra, mas apenas helicópteros para ajudar na ajuda aos desabrigados, além de ser capaz de gerar centenas de milhares de litros de água potável por dia e contar com um hospital de alto nível, que está sendo destinado aos casos mais graves. E ainda tem gente que acha errado, que se revolta com a presença do porta-aviões americano lá. Escutei até um paspalho que comentou que o Brasil deveria fazer frente aos EUA e não aceitar a presença do Carl Vinson na área, e que o nosso porta-aviões, desculpe, navio-aérodromo, São Paulo, fosse para o Haiti, para "marcar presença". Sinceramente, um idiota que fala uma estupidez desse tipo tinha que levar uma surra com um cabo de vassoura. Como comentei aqui recentemente, o São Paulo só chegaria lá rebocado, e nem queira comparar a simplória embarcação brasileira com um dos navios de guerra mais modernos da atualidade: o Carl Vinson tem um deslocamento (que seria o peso total do navio) mais de 3 vezes maior que o São Paulo e uma tripulação 5 vezes maior, é como comparar uma Ferrari com um fusquinha. Só para se ter uma idéia, o navio-hospital norte-americano Comfort, que também está no Haiti e pode receber 1000 pacientes, tem o dobro do deslocamento do São-Paulo...

Pessoalmente, acho ridícula a postura do governo brasileiro em querer peitar os EUA, de se achar superior aos americanos nessa situação. É como diz o ditado, "cão que ladra não morde", e nesse caso o Brasil seria um vira-lata banguela. Os EUA já forneceram um valor de doações imensamente maior que todos os demais países juntos, conta com um contingente maior e melhor preparado de pessoas para ajudar os haitianos, sem falar que eles têm muito mais experiência com operações de resgate e apoio após tragédias desse porte: afinal de contas, os EUA estão acostumados com terremotos e furacões em suas terras, enquanto que o Brasil mal consegue lidar com os efeitos de chuvas de verão. Mesmo assim, os petralhas não toleram a presença americana lá, tampouco abrem mão da liderança nas operações, e vão continuar inventando absurdos para denegrir a presença norte-americana lá (a última foi dizer que os EUA pretendem dominar o Haiti, é mole?). Como falei acima, toda a mídia internacional está de olho, e Lula não vai querer que os americanos ofusquem a sua atuação como líder do resgate ao Haiti.

No final das contas, parece que vale mais para o governo brasileiro ganhar um espaço nos holofotes e posar de maioral, enfrentando os EUA... Enquanto isso, o povo haitiano está lá passando necessidade, ansioso pela ajuda, não importando se ela é brasileira ou norte-americana...

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