segunda-feira, 9 de abril de 2018

"Defensores" do Desarmamento

Ultimamente tenho percebido cada vez mais a disputa político-ideológica nas redes sociais. Aquilo que poderia ser positivo para uma sociedade, incentivando a discussão sadia entre pontos de vista distintos, infelizmente aqui nessa merda de país vai pela linha do conflito, da propagação do ódio, do "nós contra eles". Vindo dos dois lados, por assim dizer. Embora seja evidente que tal tipo de postura agressiva seja bem mais frequente e difundida na mente daqueles que seguem uma ideologia de esquerda, possivelmente pela própria forma como ela sempre agiu, com a guerra de propaganda e o enfrentamento.

Nessa luta de idéias, geralmente esses fanáticos vestidos de vermelho acabam cometendo um dos deslizes mais críticos na minha opinião: se portam como verdadeiros hipócritas. E assim perdem a razão.


Tentarei ser breve... O que me motivou a escrever hoje aqui foi ter visto vários de meus conhecidos nas redes sociais propagando a notícia de uma marcha que teve agora em março nos Estados Unidos, pedindo a proibição da venda de armas. Notícia compartilhada por eles a partir de um site extremamente "imparcial" com o sugestivo nome de SputnikNews. Logicamente, compartilhada por esses meus colegas com aquelas frasezinhas de efeito, pra tentar convencer de que isso é o certo, e para apontar o dedo para os colegas que eventualmente possuem uma posição político-ideológica diferente.

Pois na cabeça binária da esquerda, só existem duas opções: ou você está com eles e é a favor do desarmamento e da vida, ou você defende a morte de pessoas inocentes.

Muito bem... Vamos lá então. Apenas um comentário prévio, eu tinha terminado esse texto na semana passada... mas a prisão do "nove dedos" sem dúvida foi o assunto do momento na ocasião.

Primeira coisa que eu digo é que acho muito engraçado como que os defensores da esquerda estão usando um ato ocorrido nos Estados Unidos como exemplo. Os mesmos Estados Unidos, berço do capitalismo que eles tanto criticam. Os mesmos EUA que eles xingam, que dizem que é um país escroto, que eles falam que é um lixo e é responsável por tudo que há de ruim na face da Terra.


Claro... sabemos também que são os mesmos Estados Unidos para onde os mortadelas adoram viajar, para curtir uma férias em New York ou comprar muamba em Miami, de onde veio a Apple que faz o iPhone X que eles usam pra publicar textão em defesa do Lula no seu perfil no Facebook, que também é de lá. De onde veio o Starbucks onde eles tomam o seu cafézinho chique, depois de comer um lanche no McDonald's que, adivinhem, também são de lá. 

Pois é... Nas horas que interessa aos esquerdopatas, os Estados Unidos podem ser muito legais... 

Como na hora de uma manifestação pelo desarmamento. Que aliás, acho curioso como só agora, a partir de janeiro de 2017, esses protestos se tornaram mais frequentes, mais incisivos. Não me lembro de tamanha revolta na época do Obama. Como se só agora, milagrosamente, a sociedade norte-americana estivesse se opondo contra as leis que permitem ao cidadão comprar uma arma, que existem há muito e muito tempo.

Será que é apenas uma coincidência que essa onda de protestos pelo desarmamento tenha se tornado mais constante, na mesma época que o Trump assumiu a presidência?


Não... deve ser só coincidência... sei...

Para explicar minha opinião sobre o desarmamento, antes eu penso que devemos entender que as armas de fogo podem ser distribuídas em dois grandes grupos de pessoas. De um lado, os cidadãos de bem, e do outro, a bandidagem.

Cabe aqui um parênteses, pois a expressão "cidadão de bem" é hoje usada de uma forma muito tendenciosa, indo novamente para a bipolaridade do conflito ideológico. Tipo, pessoas da esquerda se vêem como cidadãos de bem, por serem da esquerda e politicamente corretos, quem pensa diferente é um cretino golpista conservador que merece ser morto. Acontece também do outro lado, com pessoas de direita que se enxergam como cidadãos de bem. Como já disse, o extremismo, embora muito evidente na esquerda, existe dos dois lados.

Mas eu me refiro como cidadão de bem a uma definição mais ampla. É o indivíduo que respeita e segue as leis, que faz o melhor pela sociedade, que estuda e trabalha de forma honesta, que não apenas cobra pelos seus direitos mas também cumpre com os seus deveres, não prejudicando os demais cidadãos. Independente de orientação política.


Tipo o Super-Homem... com exceção da parte de sair arrancando árvores pelos cantos.

Bom... sendo um cidadão de bem, eu não vejo nada demais em que ele tenha uma arma, desde que ela seja legalizada, que o sujeito seja devidamente treinado e tenha a consciência e responsabilidade ao usá-la.


Espero alguns minutos para que os eventuais visitantes de esquerda e contrários às armas soltem o verbo pra me xingar, dizendo que eu sou um filho da puta de um cretino, que sou responsável pela morte da Marielle, que sou um coxinha golpista contrário à democracia, racista homofóbico e que promove a violência, e que mereço ser espancado e morto.

...

Sim, a esquerda é muito "paz e amor".

Repito que eu não estou defendendo que as armas sejam liberadas livremente (embora na mão da bandidagem já seja assim). Eu sei, para os esquerdopatas fica mais fácil ganhar o argumento sobre o desarmamento, se eles inventam essa falácia de que aqueles que são contrários querem que todo mundo tenha uma arma. Em nenhum momento eu estou dizendo isso.

O que eu digo é que deve haver sim uma fiscalização rigorosa antes de deixar que um cidadão tenha uma arma. O cara precisa passar por uma severa avaliação psicológica prévia, precisa passar por um treinamento, precisa ter um registro detalhado. Para justamente evitar que uma arma de fogo seja colocada na mão de um psicopata que vai acabar matando gente inocente ou que não vai ter a capacidade de acertar no alvo, tipo um Stormtrooper.


Como acontece com um carro, por exemplo. Nosso país tem milhares de vítimas no trânsito, pessoas que morrem diariamente, por conta de motoristas que não são devidamente capacitados ou mesmo imprudentes. Mas não vemos nenhuma passeada proibindo os carros... Afinal, um carro na mão de um cidadão de bem, que fez o curso de direção, que respeita as regras, que dirige com cautela e pensa nos demais motoristas e pedestres, não vai causar acidentes.

Enfim... Mas eu não quero nem entrar nesse mérito neste momento. O que eu quero debater aqui é sobre a opinião dessas pessoas, em sua imensa maioria esquerdistas politicamente corretos, sobre o desarmamento. Pois eu vejo duras críticas sobre o uso das armas, sempre usando casos isolados de malucos que saem matando gente como justificativa para uma proibição total da venda de armas de fogo. Promovem um discurso que a população deve ser desarmada, que não faz sentido que se tenha armas, chegam até ao ponto de dizerem que a polícia deve abrir mão das armas de fogo.

Bom, meu amiguinho petista que acredita na inocência do Lula, minha amiguinha politicamente correta que adora assistir a ao Fantástico e à Fátima Bernardes na Globo...

Me digam o seguinte, por que vocês só falam do desarmamento da população, do cidadão de bem (segundo a minha definição acima), mas em nenhum momento se pronunciam sobre o desarmamento dessa turminha aqui embaixo?


Na boa... nunca vi uma demonstração a favor do desarmamento que mencionasse uma vírgula sobre as armas nas mãos dos bandidos. Armas essas que são ilegais, entram aqui no país numa boa, e são usadas para roubos, assaltos, assassinatos, execuções e diversos outros crimes. 

Essas armas não têm problema?

Eu gostaria de entender o seguinte: se a gente coloca na balança todas as armas que têm aqui no Rio de Janeiro, por exemplo. De um lado, aquelas que estão na mão do cidadão de bem, aqueles que a esquerda caviar diz que precisam ser desarmados, e do outro as armas na mão dos vagabundos, dos bandidos, que parecem não ser foco do discurso do desarmamento... Pra mim é óbvio que a grande maioria está com a bandidagem. Não apenas em número, mas também em termos de poder de fogo, tem bandido aí com fuzil de guerra, que soldado tá usando em guerra.

Me expliquem então como que desarmar a população civil e deixar quieta a bandidagem, vai ajudar a combater a violência?

Sério, gostaria que os esquerdistas aqui favoráveis ao desarmamento me explicassem isso. Pois eu não consigo ver como que isso possa funcionar. Posso não estar percebendo aqui uma lógica nesse raciocínio, então elucidem isso pra mim. Eu sinceramente não consigo entender como que vamos reduzir a violência, se as armas que estão nas mãos dos bandidos, que são usadas para cometer crimes e vitimar os cidadãos de bem, continuam com os bandidos.

Possivelmente vão aparecer esquerdistas aqui dizendo que para resolver a criminalidade, a sociedade deve dar melhores condições para os mais pobres, que é necessário que existam políticas públicas para atender aos moradores das favelas, que é preciso que eles tenham acesso à educação e melhores condições de vida, e assim por diante.


Tá certo. Eu concordo que isso seja importante para evitar que um jovem seja seduzido pela vida do crime. Acho que sim, é necessária uma série de ações para proporcionar melhores condições para a população mais humilde. Mas... ainda não vi como isso resolve o problema vigente de criminalidade. Esse tipo de iniciativa na minha opinião funciona em um território que não seja dominado pela bandidagem, em que haja espaço para iniciativas mais fraternas. Situação que não reflete a realidade de guerra civil que temos hoje, em que nego tá assaltando carro com fuzil e metendo bala na cabeça das pessoas de graça.

Se vestir de branco, pedir por paz e pelo desarmamento... é moleza na orla de Copacabana. Quero ver fazer isso na favela. 

Esse é o meu recado para os defensores do desarmamento. Eu não estou aqui desmerecendo a luta de vocês, que acreditam em um mundo perfeito em que não existam armas. Mas eu questiono a forma como vocês estão fazendo isso, discordo das iniciativas promovidas. Começar com a população de bem, onde está a minoria das armas, não é a solução para o grave problema de violência que temos no Brasil. 

Querem pedir o desarmamento, tem dois caminhos mais efetivos.

O primeiro é começar a desarmar os criminosos. Pois, repito: as armas que promovem a violência, que mataram Marielle e tantas outras pessoas inocentes, que executaram dezenas de policiais em 2018, que espalham o terror nas cidades... essas são as armas mais perigosas, são aquelas que deveriam ser a prioridade de qualquer luta pelo desarmamento. Armas essas que entram no país de forma ilegal, sem nenhum tipo de registro, que estão nas mãos dos bandidos, até mesmo de crianças que perdem a sua infância pra virarem criminosos.


Quando vocês começarem a tirar essas armas de circulação, quando começarem a subir favela pra bater um papo com os traficantes para que eles entreguem de boa suas pistolas e fuzis... aí vamos ver a redução da violência. Vai até reduzir de forma indireta a quantidade de armas nas mãos dos cidadãos de bem, pois certamente muita gente vai deixar de ver necessidade em ter uma arma se não houver mais a ameaça dos bandidos.

Entretanto... se vocês conseguirem me mostrar que o caminho certo é outro, é começar com o cidadão de bem primeiro e só depois que a população estiver desarmada é que devemos nos preocupar com os bandidos. Tudo bem... Talvez seja esse mesmo o caminho.

Mas aí, que então os primeiros a darem exemplo sejam aqueles que tanto defendem o desarmamento... mas que contam com a proteção das armas para garantir a sua segurança.


Que comecemos com o Marcelo Freixo, constante defensor do desarmamento, abrindo mão de seguranças que possuem até fuzil. Que o Luciano Huck e a Angélica dêem o exemplo, indo passear no shopping com a família sem segurança armada. Que tirem os seguranças armados ao redor do Projac também, pois se a Fátima Bernardes é contrária às armas, que então peça para sua emissora tirar essa proteção. 

Afinal de contas... se devemos começar desarmando o cidadão de bem... por que as figuras públicas que defendem esse argumento não dão o primeiro passo?

São as duas opções que existem, que proporcionam um mínimo de bom senso e validade à luta pelo desarmamento. Querem que a população que está cética quanto a isso os apoiem? Então, façam isso ou priorizando as armas dos bandidos ou dando o exemplo.

Acontece que sabemos que não é assim que os defensores do desarmamento pensam... Tirar as armas dos traficantes e das milícias? Ah, isso aí é complicado, é muito perigoso, ninguém aí vai querer arriscar o pescoço pra desarmar a bandidagem... E gente como Freixo e Luciano Huck... ah, eles precisam sim de segurança, eles não querem se expor à realidade nua e crua que o restante da população enfrenta todos os dias. 

Desarmamento... só para o cidadão de bem que não está alinhado com o discurso politicamente correto da esquerda. Esses são, na cabeça dessa horda alienada de vermelho, os verdadeiros responsáveis pela violência, e que não precisam da segurança das armas. Essas, apenas os traficantes e os politicamente corretos que defendem o desarmamento têm direito...


Não tem como dar errado, né?

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