domingo, 18 de março de 2018

Vencendo G.Ceara

Eu tenho a certeza que esse título aqui só os fortes entenderão! Se você não faz idéia, provavelmente será melhor pular fora e ver alguma outra postagem mais abaixo, ou mesmo passear em outro site. Agora... se você sabe quem é G.Ceara, você certamente deve ter tido um Mega Drive em sua infância e jogou muito Super Monaco GP... e talvez esteja dizendo que esse título é uma grande mentira!


Vamos por partes então, até para explicar para aqueles que tiveram a curiosidade de continuar aqui lendo. Na época de ouro dos videogames de 16-bits tinha esse jogo sensacional que era o Super Monaco GP para o Mega Drive.

Se me lembro bem, na época alguns consoles vinham com esse cartucho incluso. Não foi o meu caso, como muitos o primeiro jogo que veio com meu Mega foi a jornada pseudo-erótica dos bombadões transformistas de Altered Beast. Sério, acho que nunca teve um jogo mais gay na história...


Mas eu cheguei a ganhar um pouco depois o Super Monaco GP, que veio a se tornar um de meus jogos favoritos.

Não entrarei aqui em muitos detalhes, pois eu pretendo fazer (em breve, assim espero) um post focado no jogo. Aqui, eu vou me resumir muito como era a mecânica em Super Monaco GP: você pilotava no campeonato mundial de Fórmula 1, enfrentando equipes e pilotos que faziam referência aos de verdade, buscando assim o título mundial. Era um jogo bem interessante, colocando você em uma visão de primeira pessoa no cockpit, e as corridas em pistas reais envolviam treinos classificatórios e paradas de box.


E uma das coisas curiosas e originais em Super Monaco era a possibilidade de você desafiar um outro piloto. Se você conseguisse vencer ele em dois desafios, você tomava o seu lugar na equipe dele. Essa era a técnica pra você conseguir carros mais possantes. Logicamente, eles podiam te desafiar também, quem jogou lembra daquele filho da puta do R.Cotman, inglês que representava o Nigel Mansell sem bigode, e que desde o início tentava te tirar de sua equipe.


Guarde bem essa questão, pois o foco aqui tem a ver com essa troca de equipes.

Pois muito bem. Depois de ralar muito, você conseguia ganhar o título pela primeira vez. Como campeão da temporada, você era contratado pela equipe Madonna (vulgo, MacLaren), que tinha o carro mais foda de todos.


Aí então é que começava a merda... Pois na segunda temporada você teria que defender o seu título. Vai lá, primeira corrida era em San Marino, e considerando que o jogador fosse minimamente bom para ter vencido o campeonato, certamente seria moleza marcar a pole position com o carro mais rápido. Tudo isso pra chegar no box, e ver que a equipe Bullets estava te desafiando.


Tá bom, cabe explicar um pouco para quem não conhece. Super Monaco tinha dezesseis equipes, divididas em quatro grupos. A equipe Madonna onde você está é a melhor de todas, enquanto que a Bullets é um time fraquinho do grupo C.


Vendo isso, provavelmente alguém diria que era algo ridículo. Como que um piloto num carrinho boçal daqueles iria tentar desafiar o campeão?

Nessa hora, aparecia a tela do desafiante... que era um piloto novo na competição. Um brasileiro, chamado G.Ceara, que não precisa nem dizer em quem ele era baseado, e dizia de forma ameaçadora que seus dias tinham acabado...


Ou seja: fudeu!

E realmente era isso. Eu tenho certeza que todo mundo que está lendo aqui e jogou Super Monaco GP ficou de queixo caído na primeira vez, quando o tal do G.Ceara, largando na segunda posição, disparava na frente que nem um míssil.


Não dava, era impossível vencer o sem-vergonha! Veja no mapinha ao lado, como você (a letrinha P) e o Ceara (o pontinho laranja) estavam ali disparados na frente em relação ao restante do pelotão. Pior de tudo, você acelerava e neca! O filho da puta lá na frente. Isso só levava ao desespero e a frustração, tipicamente terminando com uma porrada de frente em um obstáculo, tirando você da prova.

Vinha então a segunda prova, o GP do Brasil, disputado no saudoso autódromo de Jacarepaguá, que deu lugar ao "legado olímpico" do Dudu Paes. E de novo o carinha te desafiava, e logicamente ele te vencia de novo. Aí, perdendo duas vezes para o mesmo rival o jogador levava um pé na bunda da equipe Madonna, e ia lá prum time fraquinho, pra ter que remar tudo de novo.


Sempre era assim...

Aposto que muita gente ficou puta na época, o que deve ter tido de nego quebrando o gamepad ou tacando o cartucho na parede... Eu mesmo me lembro que uma vez eu estava voando atrás dele, e aí uma derrapadinha e enfiei as fuças na proteção de pneus, que me deixou tão revoltado que eu caí do banquinho onde eu jogava videogame. Isso sem contar a coletânea de palavrões que eu gritei ao perder pro clone do Senna.


Parecia ser algo de propósito... Afinal, a gente já tava acostumado na época com certos jogos e fases impossíveis. Dava toda a impressão que aquilo era proposital, que o tal do Ceara era pra ser mesmo invencível, pra assim gerar um pouco mais de disputa em Super Monaco GP. Afinal de contas, você voltava a ter um carro fraco, precisando se esforçar para ganhar alguma coisa. Eu, por exemplo, nas primeiras vezes que joguei, não conseguia o título na segunda temporada, apenas na terceira, correndo pela Firenze (a cópia da Ferrari) é que dava pra faturar algo.

Passou o tempo... Novos jogos de corrida surgiram, embora poucos conseguiram ser tão simpáticos e divertidos como Super Monaco GP. E nenhum tão frustrante também, com um adversário imbatível.

Acontece que vim a descobrir alguns anos depois que G.Ceara não era tão imbatível assim...


Graças à Internet, não demorou para um dia eu estar aqui olhando por sites falando de jogos, e encontrar um que mostrava que sim, era possível bater o G.Ceara no jogo. Resumindo, você tinha que fazer uma corrida perfeita, sem errar nada, pisando no acelerador como um louco e aproveitando sempre que possível o vácuo pra ganhar velocidade. De pouquinho em pouquinho você ia chegando perto, pra finalmente passar o apelão.

No final das contas, o mega nitro dele só dura para as duas primeiras corridas, de forma que vencendo o Ceara em San Marino ou no Brasil era suficiente pra garantir o seu posto na Madonna. Jogar com câmbio manual era a melhor sugestão, pois o carro ficava mais rápido: essa era a típica jogada da época, pra que os preguiçosos que não sabiam andar de manual tivessem um certo prejuízo. Mas há gente que conseguiu bater o brasileiro mesmo correndo com automático. Veja o vídeo abaixo, que comprova isso.



Logicamente que eu voltei ao meu emulador de Mega Drive pra tentar essa proeza. Ralei que nem um corno, mas consegui bater o Ceara pela primeira vez. E eu xinguei muito. Tipo, "venci, seu filho da puta duma figa, vai se fuder!".

Finalmente... Agora eu me sinto realizado, por ter vencido o G.Ceara.

Um comentário:

Ciro Lira disse...

Cara, que postagem boa! Lembro do dia que consegui vencer esse infeliz, depois
de muito treino e sempre usando a manha de passar por cima das zebras sem sair muito da pista. Outro que eu jogava muito era o hack do Ayrton Senna pra Super Nintendo em cima do jogo Nigel Mansell's Racing.