quinta-feira, 6 de julho de 2017

Fanatismo Beatlemaníaco

Esta postagem aqui vem trazendo de volta um tema que eu já escrevi extensamente há algum tempo, mas que teve uma repercussão recente em seus comentários. Interessante como algo que eu escrevi há mais de quatro anos ainda está sendo lido, e com uma marca de ter passado dos vinte comentários. Pelo o que me lembro, acho que não teve post assim que recebeu tantos, apesar de não ter sido um dos textos mais visitados por aqui. 

O post ao qual me refiro foi um onde expliquei o porquê de eu odiar os Beatles. Não preciso repetir aqui as razões, se quiser você vai lá e dá uma lida.


Foram diversos comentários ali, alguns deles concordando com o meu ponto de vista, outros discordando de forma educada e tranquila. O que é válido, a diferença de opiniões é natural e não tem nada demais em lados opostos exporem seus pontos de vista de forma polida e controlada. Mas boa parte desses comentários seguiu a linha do que eu normalmente percebo nos fãs mais ardorosos dos quatro rapazes de Liverpool: convencidos e cheios de prepotência ao criticar a minha opinião, com um discurso muitas vezes agressivo como se eu estivesse dizendo um absurdo inaceitável, ao dar minha opinião a respeito deles.

Logicamente, muitos deles se escondendo por trás do manto do anonimato... Principalmente um que enviou vários comentários mais recentemente, e que foi um dos grandes motivadores para que eu fizesse esse post.


Começo repetindo algo que que disse no post original e em diversas oportunidades nos comentários: todos são livres para gostar e desgostar do que quiserem. Ainda mais quando falamos de algo relacionado ao meio artístico, como música, cinema ou literatura. Existem diferentes estilos, e é natural que diferentes pessoas vão se interessar mais por esse ou aquele grupo musical, da mesma forma que podem não gostar de outros, pelos motivos que lhes façam sentido. Trata-se da liberdade de escolha. Dessa forma, não tem nenhum problema se você gosta de Beatles; mas, eu não gosto.

E essa é uma das principais diferenças que eu vejo entre uma pessoa que gosta de uma outra banda e um beatlemaníaco, algo que se comprovou ao ver certos comentários. Para o fã mais inflamado dos Beatles, o discurso é nessa linha:

"Você tem o direito de gostar do que quiser... mas também deve gostar dos Beatles. 
E você tem o direito de não gostar do que quiser também... desde que não seja dos Beatles."


Isso fica claro, quando um dos que comentou começa escrevendo "não entra na minha cabeça que uma pessoa não gosta de Beatles". Como se eu estivesse dizendo uma heresia, um absurdo sem tamanho, tipo como se eu estivesse dizendo que a Terra é plana. Como se os Beatles fossem uma unanimidade incontestável, a ponto de ser totalmente impossível uma pessoa não gostar deles.

Sinceramente eu não entendo esse tipo de postura. Não vejo fãs de outras bandas promoverem um desprezo total pela opinião contrária como os beatlemaníacos fazem. É como se eles fizessem parte de uma seita religiosa, com o objetivo de converter os "infiéis" que não gostam das músicas de John Lennon e companhia, fazendo com que eles abram seus olhos (ou ouvidos) para aceitar suas músicas como as obras-primas da Humanidade. Fica a impressão de que estes fãs devem procurar na Internet qualquer site que, como o meu, falou mal dos Beatles, para assim chegarem com seus argumentos para tentarem convencer de que o autor dessa opinião contrária está errado, que não sabe de nada... Vejo isso até em alguns amigos meus, como os que citei no post original, que sempre quando têm a oportunidade me apresentam justificativas do porquê dos Beatles serem os maiorais, mesmo que eu não tenha falado nada, querendo me tornar um fã da banda.


Na boa... fica mesmo a impressão de que tem beatlemaníacos que dedicam mais tempo procurando quem fala mal dos rapazes de Liverpool para promover essa discussão, do que ver coisas que gostam sobre a banda. Parece que em vez de irem conversar com pessoas que compartilham seu gosto musical, querem se desfazer e hostilizar aqueles que não gostam dos Beatles... Parece que pelo prazer da discussão, ou então acreditam que estão mesmo em uma cruzada de converter as pessoas a ter o mesmo gosto musical.

Revendo os comentários, acho interessante falar sobre a questão mais técnica de suas músicas, pois foi curioso ver como houveram argumentos a favor e contra. Fãs dos Beatles dizendo que suas canções são ricas em melodia e harmonia, com uma qualidade musical fora de série, chamando-os até de alienígenas, como se suas músicas fossem fora desse mundo... Mas houveram outras pessoas, que como eu não gostam dos Beatles, que destacaram que suas músicas eram pobres e muito fracas sob um ponto de vista de construção musical, sem muito talento e não passando de modinhas, chegando até ao ponto de dizer que foram o que teve de menos criativo nas décadas de 60 e 70.


Apenas comprova como, mesmo sob um olhar mais frio e técnico, existe subjetivismo. É difícil acreditar que seja possível uma avaliação mais fria sob esse ponto de vista, no final sempre vai haver a influência da opinião pessoal. Embora, lendo os comentários, fica evidente que a defesa da qualidade musical dos Beatles acaba sendo sim muito influenciada pelo fanatismo pela banda. Afinal, qual fã ardoroso do quarteto inglês iria admitir que as suas composições são musicalmente pobres?

Eu não tenho conhecimento técnico de música para poder argumentar sobre essa questão. Tentando ser frio aqui, eu vejo que a imensa maioria das canções dos Beatles é meio fraca sob o ponto de vista musical mesmo. Como comentei no meu post anterior sobre eles, vejo que muitas músicas são muito forçadas, sem graça e repetitivas, algumas não passam de berros. "Twist and Shout", por exemplo, exagera no direito de usar gritos. Pra mim, isso não é música, quando o vocalista berra a plenos pulmões... Não importa qual seja o cantor.


Pego outro exemplo que eu nunca entendi, embora sei que será algo considerado pelos beatlemaníacos como um pecado imperdoável. Pega a música "Hey Jude", que é tida como um de seus maiores sucessos. Pra mim, é uma música sem graça e repetitiva, onde o verso "Na Na Na Na Na Na Na, Na Na Na Na, Hey Jude!" é dito trocentas vezes de forma seguida no final da canção.

Isso aí é típica técnica que usam pra criar uma música "chiclete", com a repetição incessante de versos, para ser fácil de cair na memória e no gosto do povo, algo que é muito usado por diversos outros músicos, especialmente aqui na MPB. Aliás, um verso que tem a elaboração musical e eloquência em mesmo nível que o desenho abaixo tem para as artes plásticas e pintura.

Levei menos de um minuto pra desenhar esse bonequinho no Paint. Mesmo tempo que devem ter levado para escrever esse verso do "Hey Jude". Na boa, é muita repetição do mesmo verso, mais da metade da música é assim, a única coisa que muda são os berros que acompanham em segundo plano. Isso pra mim não passa de artimanha comercial, para que a música caia facilmente na boca do povo.

Ainda sob o ponto de vista técnico, existe algo que podemos perceber na música que é uma coisa que vou chamar de atemporalidade (nem sei se existe essa palavra). Seria a capacidade da música ter um estilo e uma construção que a torna atemporal, de forma que se você a escuta no rádio hoje, em pleno 2017, você imagina que ela foi escrita recentemente. Diferente das músicas que são temporais, que possuem traços e características que fazem com que você perceba imediatamente de que época elas são. Tipo, músicas dos anos 80 e 90 com as suas batidas eletrônicas e guitarras exageradas, ou aquelas músicas com um coro acompanhando o cantor principal, típicas da época da guerra. E no caso dos Beatles, muitas músicas são assim, você escuta dez segundos e já percebe o estilo musical dos anos 60 e 70.

Não estou negando o fato de que os Beatles tiveram algumas poucas canções que são atemporais (mas que não necessariamente as tornam boas em minha opinião), não serei hipócrita a ponto de ignorar esse fato. Acontece que várias bandas conseguiram criar músicas atemporais também, sobram exemplos de cantores recentes, principalmente dos anos de 1980 e 1990, que ainda estão aí fazendo shows e suas músicas tocando nas rádios, e podemos jurar que é uma música nova. Pegue artistas como U2, Madonna, Michael Jackson, Metallica, Roxette, Gloria Estefan, Radiohead, Bon Jovi, Red Hot Chili Peppers, Tears for Fears, e muitas outras, que continuam na ativa justamente por terem feito muitas músicas atemporais, e também por terem se atualizado. E praticamente todas estas que citei, na minha opinião são de longe muito superiores ao quarteto de cabelinho de cuia.

Até mesmo bandas que surgiram na época dos Beatles conseguiram esse feito de atemporalidade e de sobreviverem até hoje: por exemplo, os Rollings Stones têm vários sucessos que permanecem atuais e atraindo fãs hoje em dia, não é à toa que eles continuam na ativa.


Sei que meti o dedo na ferida, pois beatlemaníacos mais fervorosos costumam detestar os Rolling Stones, claros rivais na época dos Beatles. Esses fanáticos geralmente menosprezam a banda de Mick Jagger, fazem questão de dizer que é ridículo que eles continuem cantando e fazendo shows (mas acham lindo que o Paul McCartney continue), alegam que os Stones copiaram tudo dos Beatles e assim por diante. Aposto que deve ter gente que chega ao ponto de chamar o Mick Jagger de viado, por conta de sua dancinha, algo que na época o John Lennon falou.

Pra completar e deixar os beatlemaníacos mais putos comigo, digo que os Rollings Stones, embora não os escute tanto como outras bandas que curto mais, na minha opinião são muito, mas muito melhores que os Beatles...


Sigo essa deixa de ter citado algumas bandas mais recentes para falar sobre outro comentário que tipicamente os fãs mais fanáticos dos Beatles fazem: dizer que eles influenciaram essas bandas mais novas. Aí o beatlemaníaco de carteirinha apela, dizendo que se você gosta de uma banda X e ela foi influenciada pelos Beatles, então você é obrigado a amar os Beatles. E se odiá-los, dizem que você é hipócrita.

Nada a ver...

De novo, não nego que muitas bandas mais novas tenham sido influenciadas pelos Beatles. Algumas delas dizem isso abertamente, admitindo que escutavam suas músicas na adolescência. Certamente existem pessoas que decidiram seguir a carreira musical graças aos Beatles, por terem escutado as músicas deles, e até mesmo devem haver bandas que se inspiraram em suas canções na hora de escrever as próprias. Lógico que os Beatles influenciaram muitos que vieram depois deles.

Como acontece com qualquer outra banda! Todas as bandas tiveram algum tipo de influência vinda de seus predecesores, e a grande maioria das bandas vai exercer a mesma influência em seus sucessores. É o curso natural das coisas.


Acho muito idiota essa idéia dos beatlemaníacos se apoderarem de certas coisas, de acharem que tudo que há de bom na música é dos Beatles e ninguém mais faz. Cacete, influenciar outros músicos, isso é algo que sempre aconteceu e sempre vai acontecer! Eles mesmo, certamente foram influenciados por outras bandas que vieram antes deles, os Beatles não surgiram do nada, e tampouco são influência para todos que vieram depois deles, como muitos fãs exagerados pensam. Essa idéia estúpida de achar que todos os músicos de hoje devem tudo aos Beatles, façam-me o favor!

Seguindo... os beatlemaníacos costumam sempre trazer certos argumentos para dizer que eles foram e sempre serão a maior banda de História. Falam da quantidade de músicas que colocaram no topo das paradas, falam das centenas de milhões de álbuns vendidos, falam que eles revolucionaram a música, falam que eles criaram o videoclipe... Enfim, falam como se o Beatles fossem o epítome musical por conta de uma série de números.

Como disse no post original, eu não discuto esses números. É fato que eles venderam muitos álbuns ao longo dos anos, e que eles tiveram diversas músicas no número 1. São critérios discretos, embora exista sim algum tipo de subjetivismo em alguns deles.

Mas... os Beatles não são unanimidade nestes números. Se formos olhar outros critérios, vemos que em alguns destes a banda de Liverpool sequer figura entre os dez mais. E a matemática, apesar de ser uma ciência exata, permite uma série de interpretações que contribuem para o fato de que eles não foram tão grandiosos assim. Vamos fazer algumas contas...


Falemos do número de álbuns. Começa que essa quantidade já dá uma margem muito grande à dúvidas. Como que se garante a quantidade oficial de discos vendidos? Por exemplo, já escutei certa vez que essa contagem de vendas não leva em conta as compras feitas pelo consumidor, mas sim a quantidade de unidades encomendada pelas lojas. Assim, mesmo que os CDs fiquem empacados ali nas prateleiras, já estariam contando para a estatística. Sei lá se é verdade, mas não duvido que seja um número que dá margem a diferentes interpretações.

Tanto que existem órgãos certificadores que atestam isso, que tentam dar um pouco de seriedade a essas métricas. Órgãos esses que existem em maior quantidade hoje do que nas décadas de 60 e 70, e que determinam segundo seus critérios quantos álbuns foram de fato vendidos. Tomando o próprio exemplo dos Beatles, vemos como a discrepância pode ser grande: teoricamente certificados, foram vendidos 270 milhões de álbuns; mas se diz que eles venderam 600 milhões. A diferença é muito grande, praticamente o dobro, o que pra mim é algo muito suspeito...

É como a quantidade de gols de um atacante de futebol. Tem o número oficial da FIFA ou CBF, mas o cara sempre vai dizer que fez mais, contando gol que fez em jogo amistoso ou na pelada de fim de semana... Tipo o Túlio do Botafogo, com aquela história do milésimo gol.


Além disso, números absolutos sempre são meio tendenciosos para fazer comparação. Ainda mais quando consideramos que os Beatles são uma banda muito antiga, e que graças à perpetuação exagerada promovida pela mídia e pela sociedade em geral, recebem uma mão pra chegar no topo da lista. Mas, não é correto comparar números absolutos assim, na minha cabeça temos que fazer uma conta relativa, levando em conta quantos anos eles tiveram para atingir essa marca, por exemplo... Algo como renda per capita, ou, no caso álbuns por ano.

Por mais que eu tenha a certeza de que os beatlemaníacos vão criticar, alegando que eu estou tentando arrumar uma forma de diminuí-los, não é por aí. Esse é o caminho que eu acho justo, pois leva em conta as diferenças de tempo de presença no mercado. Voltando ao caso de jogador de futebol, não é muito honesto comparar a quantidade de gols marcado por um jogador de quinze anos de carreira com um outro que só jogou dois anos, não é verdade? Ao fazer uma comparação relativa, estimando a quantidade por ano, tem-se uma comparação mais justa, uma matemática mais minuciosa e detalhada que permitirá comparar as bandas em condições igualitárias.


E, além disso... os beatlemaníacos não têm direito de reclamar disso não! Afinal de contas, se os Beatles são supostamente tão superiores assim, é pra que eles fiquem em primeiro independente do critério adotado.

Me baseando aqui pelo Wikipedia, o que eu vou fazer é pegar o número absoluto de álbuns da banda e dividir pela quantidade de anos desde a sua origem até hoje. Vou ser ainda bem justo, considerando o ano em que cada músico teve o seu primeiro álbum registrado. E não adianta dizer que é injusto considerar todos esses mais de quarenta anos dos Beatles, pois os próprios beatlemaníacos dizem que eles são tão bons a ponto de que seus álbuns vendem até hoje, consequentemente influenciando esse número absoluto.

Considerando os 270 milhões de álbuns vendidos (de forma certificada) ao longo dos 55 anos desde o início da medição deles, os Beatles acumulam então uma média de quase 5 milhões de álbuns por ano. Nessa hora, provavelmente os beatlemaníacos aqui devem estar sorrindo, ao ver um número expressivo de seu amado quarteto de Liverpool.


Acontece que... se fazemos a mesma conta com outros artistas, vemos que eles ficam na mesma faixa da Madonna e da Mariah Carey. Comparando com outros músicos recentes, em uma época onde o número certificado é mais criterioso e exigente (devido principalmente à venda digital) e onde a globalização torna a competição mais difícil do que era antigamente, com uma maior quantidade de bandas em atividade, vemos que os Beatles perdem feio para astros dos dias de hoje. Por exemplo, Rihanna vendeu 219 milhões, um número não muito longe dos engravatados de cabelo de cuia, mas em um período de apenas 12 anos, o que lhe confere a marca de 18 milhões de álbuns por ano. Quase quatro vezes mais. Lady Gaga, Bruno Mars e Katy Perry também acumularam dois dígitos por ano. E isso pra citar só alguns exemplos mais expressivos.

Pombas, até aquele boçalzinho do Justin Bieber acumulou quase 15 milhões de álbuns por ano...

Não acredita? Vai lá no link que eu passei e faz a conta. Mesmo se você, meu caro beatlemaníaco, for para o lado tendencioso da quantidade de álbuns que clamam que eles venderam, com suspeitos 600 milhões, mais que o dobro do certificado... Isso ainda daria aproximadamente 10 milhões por ano, ainda atrás de muitos outros músicos... incluindo o Justin Bieber.


É, meus caros beatlemaníacos... deve incomodar bastante saber que esse panariço pseudo-cantor do Justin Bieber vendeu mais álbuns por ano do que seus amados Beatles...

Falando nessa bicha, algo que provocou uma grande revolta dos fãs do quarteto inglês na minha postagem foi o fato de que eu os comparei com um grupo com outras cinco bichas, o One Direction. Digo e repito, mantenho sim essa comparação, pois ela foi baseada na histeria frenética e exagerada das fãs do sexo feminino, que esperneiam como galinhas no cio ao ver os boyzinhos do "1D"... de forma semelhante a qual muitas garotas esperneavam como galinhas no cio nos anos 60 e 70 ao ver os Beatles.

Os comentários mostram que ninguém lê o que está escrito... ou simplesmente ignoram. Vou lá explicar de novo: por mais que eu não goste das músicas dos Beatles, por mais que eu ache elas pobres sob diversos aspectos, elas ainda são musicalmente muito melhores do que qualquer coisa que saía da boca dos cinco moleques do One Direction. Coloca nesse balaio também o Justin Bieber, pra completar a feira da fruta...


Acontece que, repito mais uma vez o que eu disse lá na postagem original: até a minha bunda é musicalmente superior a esses tosquinhos aí de cima.

A minha comparação vai justamente na linha de que tanto os Beatles como o One Direction e outras bandas possuem uma trupe de fãs extremamente histéricas, dessas que berram loucamente, despencam desmaiadas no chão e que ficam de olhos e calcinhas encharcadas ao ver a sua amada banda favorita. Algo que eu entendo que começou com a "beatlemania". Os quatro músicos ingleses foram os pioneiros em causar essa histeria coletiva em fãs, dessas como vemos nos filmes e documentários. Mesmo que muitos dos beatlemaníacos tentem menosprezar esse fato, dizendo que os Beatles não curtiam isso, estamos falando de fatos. Acontecia, não há como negar.


Vou tentar aqui ser o mais neutro possível. Eu sei que quando gostamos muito de uma banda, é natural que a gente nutra uma certa paixão por ela, que vai provocar reações das mais diversas. Não vou entrar em certos detalhes pessoais aqui, mas quando fui pela primeira vez ao show de minha banda predileta, lágrimas de felicidade vieram aos meus olhos na primeira música. Foi uma emoção por estar finalmente testemunhando aquela banda que me acompanhava há anos em meu walkman, meu discman e mais recentemente em meu MP3 Player, em diversas idas e vindas do colégio, da faculdade e do trabalho, além de terem sido a trilha sonora de muitos momentos de minha vida. É natural, é normal reagir assim.

Agora, eu acho que chega um certo ponto que já é exagero. A ponto de perder os sentidos e desmaiar? Faça-me o favor... Me explica, se essas fãs curtiam tanto as músicas deles, por que gritavam tão alto a ponto de quebrar vidraças? Como que isso ajuda a escutar melhor suas músicas? Chorar copiosamente, de soluçar... isso não é emoção, é frescura exagerada. Aposto que milhares de garotas ficavam em seus quartos, admirando um pôster do John Lennon, babando em fotos do Paul McCartney, decorando as respostas do George Harrison em suas entrevistas e sonhando se casarem com o Ringo Starr.


Esse é o exagero ao qual me refiro. Aí estamos falando de adolescentes histéricas, que podiam até gostar das músicas deles, mas o fanatismo era muito mais por conta de uma apaixonite aguda por um dos quatro membros do grupo, ou todos eles. Um tipo de fanatismo exagerado, que não se limitava à música. Tanto que muita gente sem dúvida aproveitou para ganhar dinheiro com isso, pois essas alucinadas certamente iriam gastar suas mesadas comprando qualquer produto que estampasse os rapazes de Liverpool.

Por mais que venham aparecer aqui beatlemaníacos dizendo que isso não conta, que eles não gostavam dessa fama forçada... Ela existiu, gostem ou não. E esse fanatismo doentio contribuiu para alavancar o sucesso deles, sem sombra de dúvida.


E esse tipo de fanatismo é bem semelhante ao que vimos ao longo dos anos para várias outras bandas. Vimos isso com o Menudo, vimos isso com o New Kids on The Block, vimos isso com os Backstreet Boys, vimos isso com o N'Sync e vimos isso com o One Direction. Todas essas boy bands, juntamente com os Beatles, compartilham o fato de que todas elas tiveram um apelo adolescente e feminino muito forte, a ponto de deixar garotas histericamente apaixonadas por eles, resultando em reações exageradamente emotivas como prantos, gritos e desmaios. E todas essas bandas usufruíram desse fanatismo extremo, pois isso ajudava a vender álbuns, a fazer aparições na televisão e assim ficarem mais famosas. Fato, gostem ou não.

Repito mais uma vez, não estou falando sobre a música deles. Estou falando sobre a existência de fãs alucinadas molhando as calcinhas por esses cantores. Meu comentário aqui é refletir como todo o sucesso dos Beatles, e mesmo dessas outras bandas de garotos mais recentes, tem sim a influência de um fanatismo que é causado não necessariamente pela música, mas pela reação tempestuosa e explosiva de fãs exageradas que os valorizavam por outros aspectos, como a aparência. Isso ocorre com todas as bandas, lógico; mas em quantidade muito inferior ao que vemos com as boy bands, estilo que, se não foram os Beatles quem o criou, certamente ajudaram muito para que ele se consolidasse, ficando aí até hoje.


Voltando aos números, pois eu acredito que os números tendem a ser mais discretos e inquestionáveis, embora eu muitas vezes perceba que tem gente que gosta de interpretá-los da forma mais conveniente. Por exemplo, vamos olhar a lista do Hot 100 da revista Billboard, que é uma das que mais se comenta quando o assunto é música, onde eles apresentam diferentes marcos de artistas, músicas e álbuns. Se quiser ver, está aqui no Wikipedia.

Se você olhar lá, tem critérios em que os Beatles estão sim em primeiro. Tipo, como de melhores artistas, embora não fique muito claro o critério aqui, simplesmente dizem isso sem comprovar com nenhum número, o que deixa dúvidas sobre a honestidade desse critério. Mas, mesmo assim, em alguns deles o quarteto de Liverpool fica mesmo em primeiro. Por exemplo, com a maior quantidade de singles na primeira posição.

Só que eles não são unanimidade...

Por exemplo, na lista das 10 melhores músicas de todos os tempos, o primeiro lugar é de um sujeito chamado Chubby Checker, e não dos Beatles, que estão no 10º lugar... Com a proeza de estarem atrás da Macarena, lembra dessa merda?


Isso mostra que os Beatles não foram tudo isso que os seus fãs dizem. Da forma como são incisivos, os beatlemaníacos promovem uma idéia de que suas músicas e álbuns são infinitamente superiores a qualquer um que tenha surgido ou que venha a existir. Não é por aí, coisas assim são muito mais discurso de fã fanático do que de alguém sensato. E por mais que possam me acusar do contrário, de estar menosprezando eles pelo fato de não gostar de suas músicas, convido mais uma vez a olhar nas listas mostradas, para ver que não sou eu quem está dizendo, são os números.

Há várias outras classificações que podemos ver onde outros artistas ficam à frente dos Beatles. Por exemplo, Whitney Houston teve 7 singles consecutivos na primeira posição, um a mais que os Beatles; Katy Perry ficou 69 semanas com músicas no Top 10 da Billboard, algo inconcebível para a banda inglesa, observando que hoje a competição é muito mais ferrenha do que na época; Madonna acumula 38 singles que chegaram ao Top 10, dois a mais que os Beatles, e ela ainda está relativamente em atividade.

E o interessante de observar é que no próprio Wikipedia alguém sugeriu uma conta em que o número dos Beatles deveria ser somado com os trabalhos solo de Paul McCartney, para assim acumular uma marca de 57 singles e assim liderar a lista. Como disse, uma interpretação tendenciosa para favorecer um ponto de vista...

Mais números... Se fazemos a conta considerando a maior quantidade de singles entre os Top 40, os Beatles não chegam à metade do que o Elvis conseguiu, e ainda conseguem ficar atrás do elenco da série Glee! O Rei do Pop, Michael Jackson, não deixou pra ninguém quando o assunto era colocar músicas de um mesmo álbum no topo das paradas, sete músicas de "Thriller" ficaram nas Top 10, e cinco músicas de "Bad" atingiram o número 1.


Aliás, olhando nas listas de álbuns, em nenhuma delas vemos nada dos Beatles... algo que não seria de se esperar, se fosse indiscutivelmente a melhor banda de todos os tempos...

E falando nisso, esse é um dos pontos que realmente me deixa incomodado, como eu comentei no post original: é essa mentalidade de achar que os Beatles foram, são e serão a maior banda de todos os tempos. Como se não fosse possível que apareça alguém que os supere. Como se não fosse possível uma evolução... O que eu acho estúpido, então todo e qualquer músico que apareça no decorrer da história da Humanidade é obrigado a aceitar que nunca será maior que os Beatles? Quer dizer que lá pelo ano 6874 os Beatles ainda serão perpetuados como maior banda de todos os tempos, e qualquer outra música que surja ao longo desses milênios será impedida de superá-los?

Vou tomar um exemplo, baseado nas listas que vi do Billboard. Vamos considerar a cantora Mariah Carey.


E sim, a escolhi por conta de ser muito gata! E pra dar uma melhorada no visual da postagem.

Mas, apesar do rostinho bonito, ela alcançou até o momento números impressionantes na carreira. Por exemplo, uma de suas músicas ficou 16 semanas na primeira posição das paradas, o maior recorde na categoria; essa, juntamente com outras duas canções, estrearam no número 1, a fazem a artista com maior quantidade de estréias direto nessa posição; ela por enquanto está empatada com 79 semanas acumuladas no topo, basta emplacar uma que os supera; ao longo de sua carreira, colocou 18 músicas nessa posição, apenas duas atrás dos Beatles; e ela também é a cantora que conseguiu colocar singles lá na liderança por mais anos consecutivos, conseguindo a proeza de ter atingido essa posição por onze anos seguidos, enquanto o quarteto de cabelo de cuia chegou até sete anos.

Tudo isso por enquanto, pois ela ainda está na ativa.

E olha, não curto muito as músicas dela, uma ou outra até são ouvíveis, mas em geral acho que suas canções são enjoadinhas e fazem aquele estilo comercial de "diva do pop" com uma divulgação da mídia relativamente exagerada (mas longe do que fazem com outros, como os Beatles). Mariah Carey não figura entre meus músicos favoritos, e é outra razão pela a qual a tomei como exemplo, para que vagabundo não apareça aqui pra dizer que eu estou puxando o saco de quem eu gosto...


Sim, coloco mais uma foto sexy dela, pra dar uma melhorada no nível da postagem.

Voltando, isso mostra como os números não são assim tão favoráveis aos Beatles. Repito mais uma vez, existem sim critérios que eles lideram, e com folga. Não estou negando isso. Mas eles perder feio em outros, como mostrei acima em alguns exemplos (tem muitos outros). Uma banda que supostamente é considerada de longe superior a todas as outras não deveria passar por isso.

Claro que os beatlemaníacos mais doentios vão adotar aqui o velho discurso parcial que já conhecemos, típico de gente mimada, arrogante e hipócrita: vão dizer que esses critérios não valem nada. Só são importantes os critérios em que o quarteto de Liverpool ganha, os que eles perdem não devem ser considerados.

Exatamente como os flamenguistas fazem: se eles ganham o estadual, por exemplo, ele tem a importância maior que uma Copa do Mundo; agora, se eles perdem, aí dizem que é um campeonato que não vale nada...

Outra coisa que eu vi muito nos comentários é que muitos fãs dos Beatles destacam "feitos" que eles consideram como revolucionários para a música em geral, como se eles fossem os únicos responsáveis por contribuir com o desenvolvimento da música. Citam que eles supostamente inventaram o videoclipe, que certas técnicas de gravação são de sua autoria, chegou-se a falar do uso de instrumentos indianos.


Na boa... Eu acho essa muito forçação de barra... Que diabos é essa grande contribuição? Só porque eles passaram uma temporada lá na Índia, então eles precisam colocar em suas músicas um instrumento indiano que parece uma guitarra que tomou Viagra, e isso vira uma grande revolução musical?

Se é assim, vou então inventar uma banda e vou fazer moda ao incluir um instrumento musical sei lá, lá da Letônia ou de um Putaquepariuistão da vida, ou vou bolar uma forma de tocar bateria com a cabeça...


O que eu acho engraçado é como são só os beatlemaníacos que fazem todo esse auê por conta de coisas pequenas como usar um instrumento diferente... Tem um monte de bandas que já fez ou que faz o mesmo, usando instrumentos musicais típicos de seu país ou de outro lugar, e não vemos tanto alarde. Mais uma vez, me parece que é exagero de fã, que acha que qualquer coisinha diferente que sua banda favorita faça é para ser considerado como uma grande revolução.

Vou comentar outro exemplo, de uma banda que até acho simpática, embora também não figure nas minhas favoritas. Uma banda que provavelmente deve ser desconhecida por muitos, chamada The Corrs.


Se formos olhar com mais detalhe para essa banda familiar irlandesa, composta por quatro irmãos, podemos destacar vários aspectos diferentes e originais. Por exemplo, incorporar o violino em suas canções. Embora em boa parte das músicas eles trazem um estilo mais tradicional de seu país, o instrumento é usado e com destaque em músicas mais pop e rápidas, algo que eu vejo como bem original. Outra, é uma das pouquíssimas bandas onde uma mulher é a baterista, de cabeça só me lembro do White Stripes fazer algo semelhante. Pra completar, essa irmã que toca bateria também usa em muitas músicas um instrumento irlandês chamado bodhrán, algo como um tambor que faz um som diferente que você pode ver na foto acima. Pra completar, embora não seja tão diferente assim, a vocalista em algumas músicas toca outro instrumento típico de seu país, uma flauta de som meio diferente.


E peço para os moleques, de mente mais suja que cueca de carvoeiro e que estão rindo do fato dela tocar flauta, que vão chupar um prego.

Enfim, trata-se de uma banda que faz várias coisas diferentes, que é original em diversos aspectos... Mas beatlemaníaco nenhum aceita isso. Original é só o George Harrison tocando guitarra indiana.

Para falar de revolução na música, tem inúmeros exemplos de bandas e cantores que romperam paradigmas, que desafiaram o padrão de sua época, que implementaram novas técnicas e que trouxeram algo de novo que viria a ser replicado pelos seus sucessores. Isso não é exclusivo dos Beatles.

Aliás, vale a pena comentar sobre o fato de que eles supostamente inventaram o videoclipe, algo que eu retruquei nos comentários. Beatlemaníacos têm uma forte tendência de acreditar nisso, talvez mais uma de suas idéias para achar que toda e qualquer banda que faça um vídeo musical tenha que ser eternamente grata aos Beatles, por terem inventado tal forma de divulgação de música.


Não, eles não inventaram o videoclipe. Algo simplório como o visto acima, eles quatro ali fingindo que estão tocando em frente a um fundo branco, não é videoclipe nem aqui nem no raio que o parta!

A idéia básica de usar o recurso visual em conjunto com uma música, como uma forma adicional de divulgá-la para as pessoas, começou desde a época em que o cinema apareceu, lá pelos anos de 1920. Claro que não eram ainda no formato que conhecemos, não era ainda um material de divulgação da música, mas apenas uma forma de apresentá-la em um contexto. Eram os filmes musicais como os estrelados por Elvis ou Marilyn Monroe, até mesmo os desenhos animados como da Warner e Disney, que eram uma proposta, ainda que inicial, de vídeo musical.


Eu sei o que os pentelhos dos beatlemaníacos vão dizer: "ah, mas isso não é videoclipe." Sim, eu sei. Como eu disse, ainda eram filmes musicais, alguns com horas de duração, longe do padrão que conhecemos. Mas ainda assim, era uma forma de divulgação visual da música. E mesmo que os Beatles tivessem mesmo inventado o videoclipe, teria sido por influência desses filmes e desenhos musicais. Desistam dessa idéia de que eles criaram tudo do zero.

Segundo o que vi na Wikipedia, os primeiros videoclipes começaram a surgir na década de 50 (ou seja, antes dos Beatles). Quem diz ter sido o pioneiro é o cantor Tony Bennett, onde gravaram ele andando num parque e depois colocaram uma música por cima. Citam até alguma banda da antiga Tchecoslováquia que fez o primeiro clipe mais abstrato. Os Beatles, como vários outros músicos na década de 60, apenas foram na onda da idéia inventada anos antes, gravando clipes de suas músicas ou apelando para os filmes musicais (como os que foram inventados décadas antes), onde improvisavam uma historinha boba só como desculpa para colocar algumas de suas músicas na íntegra.

E convenhamos: o videoclipe, no estilo que conhecemos hoje, só veio realmente a surgir com os programas de música na TV, até então eram vídeos promocionais que passavam no jornal da noite ou em algum programa de auditório tipo Jô Soares ou Faustão da época. Tem-se como grande marco o clipe de Bohemian Rhapsody do Queen, que foi na opinião de muitos o primeiro videoclipe de fato, como um material de marketing que acompanhava a música durante a sua divulgação. Isso em 1975, antes do surgimento da MTV, que viria a consolidar alguns anos mais tarde a proposta dos vídeos de música... e também dar origem àquela tosqueira do Beavis e Butthead.


Assim, dizer que eles inventaram o videoclipe é uma falácia. Como outros dos devaneios de fãs exagerados da banda...

É realmente difícil de aguentar como tem tanto beatlemaníaco chato. Parece que de cada dez fãs dos Beatles, oito são exagerados, como muitos dos que escreveram nos comentários do post original, e como os outros tantos que vão aparecer neste daqui. Pessoas que não aceitam a possibilidade de que possa existir gente como eu que não gosta de suas músicas, e que em certas situações partem para a agressão contra os "infiéis" que odeiam Beatles.

Sério, chegou um ponto que eu precisei cortar os comentários, tamanho era o baixo nível das agressões. E olha que eu sou bem neutro, coloco mesmo aqueles que são contrários à minha opinião ou que me xingam de alguma forma... mas alguns mais recentes, possivelmente do mesmo anônimo que de forma insistente tentou me convencer de que eu estava errado, foram baixaria total, nível de uma Gillette deitada.


De novo, digo que todos têm o direito de gostar do que quiserem. E de não gostar do que quiserem. Se você curte Beatles, tranquilo. Mas eu não curto, e tenho os meus motivos. Está no meu direito ter a minha opinião e não gostar deles e das músicas deles, não importa por quais razões. Como você, beatlemaníaco, também tem o direito de odiar a banda que vocês quiser, por qualquer motivo que você queira. Mesmo que seja algo tão simplório como o simples fato dessa banda não ser os Beatles.

Sério, um desses meus amigos fanáticos por Beatles odeia toda e qualquer outra música... e admite que todo esse ódio e desprezo por todos os outros músicos é pelo simples fato de que ele gosta dos Beatles, e por isso todo o restante é uma merda. E depois eu que sou o estranho, por não gostar da música deles.

O engraçado é o seguinte... No início, eu simplesmente não gostava dos Beatles. Era apenas uma banda que eu não curtia, ficava ali na dela e não me incomodava. Até conseguia escutar algumas músicas, admito. Mas duas coisas contribuíram para que eu começasse a ter um verdadeiro asco pela banda e tudo associado a ela. Foi graças a exposição e mega valorização da mídia e da sociedade para eles, em detrimento de outros músicos, e essa postura arrogante e convencida dos beatlemaníacos.

Reproduzo aqui algo que disse nos comentários. Certa vez eu estava querendo comprar um CD de minha banda favorita (a mesma do show que citei lá em cima). Fui em diversos lugares, como em várias Lojas Americanas, naquela Saraiva grandona que tem aqui no centro do Rio, e em nenhum desses lugares eu achei. Fui até mesmo na Modern Sound, famosa loja que ficava em Copacabana e era uma das maiores referências em termos de música aqui no Rio de Janeiro, e nada!


Aliás, saudades da Modern Sound... Tudo bem que a música digital abriu portas, mas foi chato que uma loja tão legal e histórica, que vendia álbuns raros e tudo mais de música, acabou desaparecendo por conta disso...

Mesmo numa loja como essa, não achei o CD que procurava... E não era um álbum tão antigo assim, deviam fazer uns cinco ou seis anos desde o seu lançamento, e não se trata de uma banda alternativa e desconhecida, trata-se de um grupo de fama internacional. Tive que buscar no eBay, não deu jeito.


Essa é uma das coisas que me fez começar a detestar certas bandas, que eram demasiadamente valorizadas. Isso incluía não apenas os Beatles, os quais você consegue achar quase todos os álbuns em uma Americanas Express, mas também nomes da MPB e músicos de momento, tipo uma bandinha de um sucesso só que é a trilha sonora da mocinha da novela das oito. Eu ficava puto ao ver como que era dado um espaço tão grande para essas bandas, no que diz respeito à CDs nas lojas, clipes na televisão e músicas nas rádios, tirando o espaço de outras.

Não acho legal... Como disse, é como se a mídia conspirasse a você gostar desses músicos. Sem dar a chance de que você possa gostar de outra coisa... E se tem uma coisa que me emputece é quando tentam me forçar a gostar de uma coisa que eu não gosto.

E outro responsável por esse meu ódio pelos Beatles são os beatlemaníacos fanáticos. Como o Anônimo dos comentários no post original. Me surpreende como essas pessoas são tão arrogantes e agressivas, seguindo uma forma de pensar bitolada, chegando até a xingamentos e provocações. Algo assim, se eu digo que não gosto dos Beatles, esses tipos olham para mim como se eu estivesse cometendo um pecado, respondem com arrogância dizendo que eu estou errado, que estou falando merda...


Sinceramente, não queria ficar aqui dando tanto Ibope para o tal Anônimo lá dos comentários... Mas não resisto, preciso reproduzir aqui certas pérolas que ele escreveu, muitas que eu já escutei de outras pessoas, que mostram como que essas pessoas podem tirar qualquer um do sério:

  • "Não entra na minha cabeça que uma pessoa não gosta de beatles" - como disse no início deste post, um indicativo de como muitos beatlemaníacos pensam que todo mundo deve obrigatoriamente gostar dos Beatles.
  • "gosto não se descute mas isso não muda o fato de vc estar completamente equivocado nas suas argumentações" - reforçando a idéia de que todos têm liberdade de gostar do que quiser, mas ter uma opinião contrária e não gostar do quarteto inglês quer dizer que você está errado. Faz sentido? E temos que aplaudir o "descute" do panaca, não adianta nem culpar o teclado, pois o "e" tá bem longe do "i"...
  • "Que quando toca yesterday no rádio a pessoa quase chora ouvindo" - mais uma vez assumindo que os Beatles são unanimidade, que todas as pessoas se emocionam ao escutar Yesterday. Eu não, acho ela uma música enjoada. E posso listar pelo menos umas dez músicas mais tocantes e emocionantes que ela.
  • "Quem esta perdendo é você!" - não, eu não estou perdendo nada. Se eu não gosto das músicas deles, deixar de ouví-las para mim não me incomoda, muito pelo contrário.
  • "fico triste por quem não gosta, os funkeirinhos que nunca vão escutar isso na vida" - como é de costume com os fanáticos fundamentalistas, acha que todo mundo que não gosta de Beatles curte funk. 
Triste... quando a pessoa se torna extremamente radical, cega por conta de seus ideais, começa a adotar esse discurso agressivo e convencido, naquele estilo "eu estou certo e você está errado". Beatlemaníacos exagerados são assim, não admitem que alguém não goste de Beatles, e quando encontram alguém assim, menosprezam sua opinião e suas preferências. Aposto que se eu falasse aqui das minhas bandas favoritas, estes fanáticos iam fazer de tudo para desprezar e diminuir a música que eu gosto, como forma de vingança. Na cabeça deles, eu não tenho direito de não gostar dos Beatles, simples assim...

E isso me tira do sério. Repito mais uma vez, gosto não se discute (assim, com "i"), e cada um deve ser livre para gostar da música que quiser. Não importa que música seja. E por quaisquer motivos possíveis, na minha opinião. Pode gostar por ter sido uma música que tocou em um momento marcante, pode ser por achar as letras bem escritas, por curtir o som da guitarra, por ser a banda de sua cidade natal, por achar a vocalista gostosa... Não importa, todo mundo é livre para curtir aquilo que gosta, não importa a razão. Mesmo se for pelo simples fato de todo mundo dizer que tal banda é a melhor do mundo.

Afinal, aposto que muitos fãs dos Beatles curtem suas músicas não por vontade própria, mas por se submeterem à opinião alheia, promovida pela sociedade... Eu acho sinceramente uma estupidez isso, pois considero que a música é algo pessoal, cada um tem que buscar aquelas que gosta, e não moldar as suas preferências por conta do que diz uma maioria que força a sua opinião aos outros.

Mas... da mesma maneira que somos livres para gostar do que quiser, somos livres para desgostar do que quiser também. Não importa que música seja. E também pode não gostar pelos motivos que quiser. Pode não gostar de uma música pois ela lembra um momento chato ou triste de sua vida, pode detestar a voz do vocalista, pode achar que as letras são mal escritas, pode odiar a banda por ela ter uma posição política contrária a sua, pode ser por repulsa ao som que fazem. Não importa quem seja.

Ou será que não tenho esse direito, se a banda que eu não gostar for os Beatles? 

4 comentários:

André Luiz disse...

Cara...que post gigantesco!!! Puta que pariu!!! É um tratado sobre beatlemania, laudas e mais laudas sobre "tolerância musical".
Mas tá certo. Qualquer tipo de fanatismo é, no mínimo, chato pra caralho!
Agora...petismo já é "filhadaputice" mesmo!

Texugo disse...

Obrigado pela visita, André. Eu sei, escrevo bastante... Ainda mais quando tinha tanto pra desabafar.

É nessa linha, o fanatismo pode ser muito chato, pois a pessoa fica cega e muitas vezes arrogante. Tudo em exagero é ruim, na minha opinião. E essa valorização exagerada dos Beatles vai nessa linha: gera fãs extremamente fanáticos e prejudica a divulgação de outras bandas.

E concordo: petismo não é fanatismo, pra mim já vai na linha da burrice. Pois, defender um partido hipócrita, criminoso e ladrão como esse é dose...

Lis Joner disse...

Não sou fanática com nada, mas em assunto de Beatles eu sinto uma antipatia nauseante; eu detesto os Beatles e principalmente esse tal de Paul McCartney com aquele ar blasé, aquela cara de nojo. E por tabela, detesto beatlemaníacos, essa gente que se acha por causa de gosto musical, tão fútil quanto essa gente que se acha por causa de roupa de marca.
Prontofalei.

Texugo disse...

Obrigado pelo comentário, Lis.

É nessa linha, como eu escrevi, no início eu só não gostava dos Beatles, simplesmente não simpatizava com a música deles. Mas o fanatismo exagerado dos beatlemaníacos, que se acham donos da verdade e superiores àqueles que pensam diferente deles, contribuiu para que eu começasse a não gostar de verdade.

Estou só esperando os comentários aqui, defendendo o quarteto de Liverpool.