domingo, 16 de abril de 2017

O Destino do Papel Higiênico

Tem horas que eu me surpreendo... Venho aqui pra escrever sobre umas coisas que não tem nada a ver, que chegam realmente ao limite do ridículo. Mas, como está escrito lá em cima, aqui se fala de tudo. E dessa vez eu acredito que chegarei a um novo patamar de tosqueira, escrevendo aqui sobre algo em que pensei nesses últimos dias, que é o destino daquele nosso companheiro de todas as manhãs, o papel higiênico.


Estou falando sério.

Você pode estar se perguntando como que eu cheguei a esse assunto. Pois muito bem, vamos então à motivação que me levou a dedicar aqui alguns parágrafos ao papel para uso sanitário. Tudo começou em mais uma de minhas viagens a serviço, que ocorreu fazem alguns dias. Embora eu até curta mudar de ares um pouco e não reclame de viajar, tem uma coisa que eu não suporto, que é ser obrigado a dividir o quarto com um colega de serviço. 

Não sei se o pessoal que está aqui lendo está acostumado com isso. Sempre quando comento com meus amigos, eles dizem que quando viajam a trabalho ficam sempre em quartos individuais, mesmo quando há muitas pessoas indo para o mesmo destino. Parece que só no lugar onde estou é que rola uma prioridade da economia exagerada sobre o respeito pela privacidade do funcionário que está se ausentando de sua vida familiar por conta da labuta. É de costume que as pessoas sejam colocadas em quartos duplos, até mesmo triplos se o hotel permitir, tudo para economizar um pouco mais, e isso se repetiu em essa viagem. 

E se você está pensando que pode ser algo legal ter alguém para dividir um quarto de hotel, talvez esteja imaginando que eu teria a sorte de uma companhia como essa...


... mas aí seria sonhar demais, até porque nenhuma empresa em sua sã consciência colocaria um homem e uma mulher no mesmo quarto. Na verdade geralmente é algo mais nesse nível aqui com o que divido o quarto.


Brincadeiras à parte, nessa ocasião eu tive essa viagem à trabalho juntamente com outras três pessoas. Ficamos hospedados em um hotel da rede Íbis, que imagino que muitos aqui conhecem, um hotel de baixo custo mas muito confortável e ajeitado. Isso inclusive me deu uma falsa esperança de que eu ficaria em um quarto sozinho, pois achava que nesse hotel só existiam quartos com cama de casal, e provavelmente a empresa não iria forçar que dois marmanjos dormissem juntos. Mas acabei descobrindo que ele oferece também quartos com duas camas de solteiro. O quarto é pequeno, adequado para uma pessoa, mas para duas era realmente meio apertado. A foto abaixo mostra bem. Assim, fomos distribuídos em dois quartos como esse aí.


A chegada havia sido bem de noite, outra das artimanhas da minha empresa para economizar: colocando os funcionários para viajar mais tarde, dava pra economizar na janta, partindo do pressuposto que a responsabilidade com as despesas da companhia só começava a partir do momento em que você embarcasse no avião. Rapidamente, me apoderei da cama mais perto da janela e mais distante do banheiro, principalmente pelo fato de ser ao lado de um pequeno sofazinho ali no canto, onde dava para colocar minhas tralhas. Como o sono era forte, logo me arrumei para dormir, enquanto meu companheiro de quarto ficou ali jogando em seu tablet.

Felizmente ele não era do tipo que roncava. Ao menos o meu sono estava garantido. Mas o episódio que transformaria a minha viagem desagradável, e que me levou a escrever aqui, viria a ocorrer pela manhã...

Eu normalmente costumo acordar cedo para já usar o banheiro. Nada melhor que ter a possibilidade de realizar todos os seus afazeres matinais com o banheiro ainda limpo. Mas, para meu azar meu colega de quarto havia levantado antes. Não restava nada mais a fazer, a não ser esperar...

Até que passados alguns minutos o sujeito saiu do banheiro, aparentemente já de banho tomado, e disse que ia tomar o café da manhã. Não reclamei, pois isso me daria alguns minutos de privacidade, com o quarto só para mim. Dava pra me arrumar sem problemas, e se fosse necessário "tocar corneta" durante o lançamento do submarino, poderia fazê-lo sem me preocupar que alguém escutasse e depois dedurasse no escritório a minha sinfonia matinal.

Só que, quando entrei no banheiro...


Puta que pariu! Sinceramente, fica difícil descrever o fedor que estava ali dentro. Parecia que um cavalo morto havia se erguido e dado uma barrigada! Cacete, era insuportável! Olha que eu já havia dividido quarto com outros colegas de trabalho que destruíam na hora de cagar, mas esse aí tinha realmente passado dos limites. Tava insuportável, dava a impressão que os azulejos iam despencar da parede...

Foi então que eu descobri a razão do terrível mau cheiro. Estava vindo do cesto de lixo do lado do vaso sanitário. Um cesto que estava cheio de pedaços de papel higiênico usados, alguns bens besuntados, cagados mesmo. Sem brincadeira, metade do cesto estava cheio com o papel que meu colega usou para limpar o rabo...


Foi dose, viu?

Felizmente nos outros dois dias da viagem eu consegui acordar mais cedo que esse meu colega, para assim usar o banheiro antes que ele deixasse lá aquela sujeira. Mas, não dava pra evitar 100%: eu tenho o costume de escovar os dentes depois de voltar do café da manhã, e nesse momento eu tinha que ficar lá com o nariz tampado para seguir com as minhas obrigações odontológicas. Bem desagradável, ficava ali imaginando uma nuvem de germes voando pelo banheiro e entrando pela minha boca, que eca...

Isso que me trouxe a falar sobre esse tema. Pois depois dessa viagem insuportável, eu comecei a perceber em algumas situações, como no banheiro do escritório e mesmo públicos em aeroportos, rodoviárias e restaurantes, ao ver que não foi um caso assim tão isolado. Em muitos momentos era possível ver ali que o papel higiênico usado após mandar um fax para as Tartarugas Ninja era depositado no cesto, em vez de ser despachado pelo vaso junto com o churro, como eu sempre tive o costume de fazer. Aí me levou a essa dúvida cruel, sobre qual seria a forma correta.

Eu sempre dei descarga no papel usado após fazer o número 2. Penso que é o mais correto, considerando que estamos falando de dejetos ali oriundos do término do sistema digestivo. Principalmente pelo fato do mau cheiro, resultando em uma experiência horrível como tive no hotel. A não ser que o saco de lixo seja jogado fora imediatamente, o que eu acho que não é muito comum: eu vejo que existe um costume universal em que o lixo só é fechado quando está quase transbordando. O motivo? Bom, pode ser pensando em um melhor aproveitamento do espaço da lixeira, ou mesmo pensando no meio ambiente e controlando o consumo de sacos plásticos. Ou deve ser por preguiça mesmo, pra deixar pra outra pessoa trocar.


Assim, seguindo essa premissa, é de se imaginar que largar ali o papel usado depois de limpar a bunda resulta em deixar aquele cheirinho característico eternamente em seu banheiro. Aí, não tem bom ar que aguente.

Por sua vez, dando descarga no papel usado, ele já se manda dali, já segue o seu rumo ao longo do esgoto e longe de nosso banheiro, em vez de ficar ali poluindo o ambiente. Isso sem falar em toda uma questão higiênica, pois não quero nem imaginar o tipo de transformação que os vestígios de "mousse de chocolate" sofreriam, passados alguns dias lá no cesto. Imagina o tipo de micróbios e outras ameaças microscópicas que deve se proliferar com o passar do tempo, principalmente se começam a se combinar com outros detritos jogados no lixo do banheiro, como pedaços de fio dental sujos de comida e absorventes usados?

Só se vestindo assim pra trocar o lixo...


Em todo caso, há quem diga que o descarte do papel higiênico usado pelo vaso sanitário é errado. Uma das justificativas é que o papel ali pode provocar entupimentos no encanamento, o que pode resultar em problemas tão ou até mais desagradáveis que o mero cheiro de merda. Se a privada entope, você corre o risco de que o banheiro fique alagado com aquela água suja, e você ainda vai ter que brincar de bombeiro pra desentupir tudo.


Bom, vamos por partes... A primeira coisa é que precisa haver um pouco de bom senso. Eu imagino que muitos casos de vaso entupido ocorrem porque o paspalho não faz várias descargas. Dependendo do tamanho do depósito feito no Banco de Boston, é de bom tom que o sujeito faça uma primeira descarga para descer com o dito cujo, e depois realize pelo menos mais uma para mandar embora o papel usado na limpeza da poupança.

É quase um projeto de engenharia. Precisa ter uma noção da capacidade de fluxo da descarga e levar em consideração a bitola do buraco lá do vaso, além de ajustar a quantidade de etapas de despacho com base na qualidade do papel e das propriedades do charuto...

O grande problema é que muita gente vai lá, senta no trono e solta a âncora. E depois sai largando papel em cima, até quase chegar na flor de oríba. Aí, sem dúvida que ao puxar a descarga a massaroca não vai descer...


Mesmo assim, algumas pessoas insistem que o papel higiênico não deve ser enviado pelo ralo. Diversas teorias surgem, como de que mesmo sem entupir a privada ele pode gerar problemas no encanamento e no esgoto, que podem resultar em problemas. Há quem comente até que isso é prejudicial para a natureza, pois o papel vai poluir o ambiente...

Sinceramente, já escutei uma pessoa comentando isso. Se me lembro bem, foi na escola, uma professora acho que de Biologia. Parece que ela se esquece que a matéria-prima do papel é a madeira, material que realmente é totalmente sintético e que não tem nada de natural...

Acho que esses argumentos não tem nada a ver, pois penso que o papel higiênico é feito pensando em ser descartado pelo vaso mesmo. Pelo menos aqui no Brasil. Na boa, pegue algumas folhas dele e mergulhe numa bacia ou pia cheia de água. Perceba que logo ele começa a ficar meio molenga, se despedaçando com facilidade. É assim que ele funciona, ele se degrada com contato com a água, e não vai provocar nenhum tipo de entupimento, se descartado em um volume normal.

Claro que depende da qualidade do papel... O mesmo não pode ser dito se você estiver limpando o seu traseiro com aquele papel higiênico rosa. Aquele que parece uma cartolina e fornece uma sensação agradável de uma lixa raspando o seu fiofó.


Outras pessoas dizem que o papel higiênico não deve ser usado para limpar a sua retaguarda, que trata-se de uma prática nojenta e porca. São pessoas que dizem que o mais correto é que a limpeza seja feita com água mesmo, o que seria mais efetivo do que esfregar papel. Para isso, geralmente o que é usado é o bidê...

Não sabe o que é bidê? Tudo bem, trata-se de uma peça de banheiro de outrora, que ainda pode ser encontrado em casas e apartamentos relativamente antigos. É como um vaso sanitário, só que não fica cheio d'água, onde existe um pequeno ralo tipo de uma pia e uma espécie de chuveiro virado para cima, acionado por uma torneira. Me lembro que na casa de minha avó tinha um com água quente e fria. Serve para lavar a toca da marmota depois da prática de rapel sentado, mas também pode ser usado para lavar as partes íntimas e até mesmo os pés.


Sim, uma peça de antiguidade que é cada vez mais rara nos lares brasileiros. Aposto que muitos de vocês nem fazem idéia do que era um bidê.

O que acontece é que hoje em dia tal aparato acabou sendo substituído pela mangueirinha que algumas vezes vemos perto da privada, cujo nome mais correto é ducha higiênica. Geralmente no formato de uma pistola com um esguicho de chuveirinho, que tem o mesmo objetivo do bidê. Só que nesse caso a pessoa usa o próprio vaso sanitário para fazer a limpeza, com a ajuda dessa mangueira. Alguns banheiros públicos até oferecem esse item, mas que geralmente cada um vai colocar em sua casa.


Segundo os críticos do papel higiênico, o chuveirinho proporciona uma limpeza muito melhor do que o método tradicional. Embora, eu conheça algumas pessoas que gostam de usar essa ducha por conta de outros motivos, não-publicáveis nesse horário.


Verdade seja dita, essa questão do descarte do papel higiênico não parece ter uma definição correta, e gera uma discussão tão extensa e acalorada como sobre a posição correta em que o rolo deve ser colocado no suporte. Chega a ter até uma influência regional, como se em cada cultura houvesse uma recomendação mais indicada para isso, de acordo com as características particulares de cada país, no que diz respeito a sua rede de esgoto e tipo de vaso sanitário. Nessas minhas andanças pela internet para saber sobre o assunto, me deparei com esse site aqui, que parece listar a orientação em cada país, se você deve dar a descarga no papel ou jogá-lo na lixeira. Por exemplo, em países do Leste Europeu o sistema de esgoto geralmente é uma merda (com trocadilho, por favor) e não dá conta de papel, e aí você precisa usar um cesto. Por sua vez, em países mais modernos e industrializados não tem problema dar descarga no papel higiênico.

E se for no Japão, provavelmente será uma privada tecnológica, que limpa sua bunda automaticamente com esguichos de água quente, mede o quanto que você perdeu de peso depois da cagada, incluindo acesso a rede wi-fi para que você possa ver o 9gag ou postar nas redes sociais que está borrando a porcelana. Lá, certamente a menor das preocupações é se você vai ter que jogar o papel no cesto ou na privada.

Ou até mesmo outra opção. Afinal de contas, existem países onde o processo de soltar o pardal da gaiola foge completamente do que estamos acostumados. Dizem que na Índia o sujeito limpa com a mão mesmo, e precisa ser a esquerda, pois a da direita serve pra comer. Em outros países mais ermos, nem vaso você vai ter à disposição, é fazer um buraco e depois enterrar tudo, que a natureza dá um jeito. E se você for um urso, dizem que coelhinhos são ótimos para limpar a bunda.


Faz você pensar em como esse mundo é imenso, com uma grande diversidade de hábitos e costumes. E quando o assunto é limpeza higiênica depois de atender um chamado da natureza, é curioso ver como que existem tantas diferenças. Chega ao ponto de existirem países onde você sequer vai encontrar papel higiênico, ou até mesmo que nem tenham o cesto! Confesso que vou levar isso em consideração quando for planejar minha próxima viagem de férias, sem dúvida não quero passar pela situação desagradável de ter que me virar com minhas meias caso precise esvaziar o buffer durante um passeio. Ou então vou ter que colocar alguns rolos na minha mala... Até porque imagino que em certos lugares como, sei lá, Casaquistão, se existe papel higiênico deve ser pior que aquele rosa.


Acho que já deu... Se chegou ao nível do Borat aparecer por aqui, é o atestado de que essa postagem já está absurda o suficiente...

Enfim, seja jogado no cesto ou despachado pela privada, depois de ver como é aí fora, acho que vamos todos aqui valorizar o fato de que amanhã de manhã teremos um rolo de papel higiênico macio e fofinho para a limpeza depois do número 2.


2 comentários:

Arne Krogdahl disse...

Velho... hahahahahahahaha!!! RI PRA CARALHO!!
Ou... papel higiênico breado na lixeira, puta merda... Pior que tem muita gente que ainda faz isso nesse mundo.

Texugo disse...

Obrigado pela visita, Arne!

Realmente, foi dose... Mas o que mais me surpreendeu é que em muitos países por aí é assim que fazem mesmo, jogam o papel usado no cesto. Isso porque o esgoto é tão ruim que não consegue lidar com o papel.

Pior é em certos países, na África ou Ásia. Aí você em que cavar um buraco e depois enterra tudo.