sexta-feira, 3 de março de 2017

Escola sem Partido

Voltamos aqui aos assuntos mais polêmicos... Trata-se de algo que já é falado faz algum tempo, sobre a iniciativa chamada "Escola sem Partido", que inflama ainda mais a briga entre grupos da sociedade que são favoráveis e contrários a tal proposta. Logicamente, um desses lados é tomado pelas pessoas de esquerda e os "politicamente corretos", o que já nos leva a suspeitar sobre qual deles é o que deve ter intenções suspeitas por trás de sua opinião...


Na verdade, existe um movimento com esse nome, liderado por pais e alunos, que busca divulgar e combater a doutrinação político-ideológica que ocorre em salas de aula do Brasil, promovidas principalmente por professores que de alguma forma tentam convencer suas classes de seguir determinada opinião. E existem também alguns projetos de lei com o mesmo nome, com uma boa influência do movimento, que buscam estabelecer os direitos e deveres de pais e professores no que diz respeito à educação das crianças e adolescentes. Algumas dessas propostas nas leis incluem impedir que as partes (professores, pais e alunos) tentem incentivar os outros a seguirem suas crenças, participar de movimentos e mesmo hostilizar aqueles que pensam diferente. Vi muitas dessas informações aqui neste site do G1, embora sinta um certo teor de parcialidade na reportagem, que parece dar mais destaque para aqueles que querem combater essa iniciativa.

Pois muito bem, vamos então pensar um pouco a respeito dessa história toda...

Começo aqui narrando um pouco a minha experiência acadêmica. Eu estudei em escola particular e depois fiz uma universidade pública. E a transição entre os dois ambientes deixou bem clara a diferença em termos de como o ensino era promovido em cada um desses lugares de uma forma geral. Particularmente, observei na escola particular uma conduta de professores e diretores bem focada no ensino, inclusive com muitas disciplinas que faziam você pensar. Tive, por exemplo, aula de Filosofia, em que o professor não apenas ensinou questões da disciplina em si, mas sempre incentivou o debate e o senso crítico, tudo sempre pautado no respeito à opinião alheia. Era comum ele dividir a turma em dois grupos e promover algum tipo de debate sobre um assunto polêmico, mostrando como se pode discordar sem ser ofensivo.

Por sua vez, logo no primeiro período da universidade, vi uma realidade extremamente contrária. Acho que logo no segundo dia, já apareceu um professor que passou mais da metade do tempo de aula com discurso político, pregando ódio ao governo (era época em que o FHC estava na presidência), enaltecendo o Lula e coisas assim, o que já deixava bem visível a sua postura política. E, além de incentivar os alunos recém-ingressados na universidade a irem pra rua protestar e pedir o impeachment do presidente (naquela época os petistas achavam que o impeachment era algo normal e constitucional), o cara ainda hostilizava aqueles alunos que não concordavam com a sua opinião política. Os acusava de estarem querendo acabar com a universidade e o ensino, por exemplo. 


O cretino chegou ao ponto de hostilizar também qualquer aluno que ele descobrisse que fazia parte do "inimigo", como aqueles que eram "burgueses da Zona Sul" ou que haviam estudado em escola particular. Estes, ele dizia que eram pessoas egoístas, que estavam roubando a vaga em uma universidade pública que deveria ser destinada a um aluno de escola pública. O filho da puta era tão radical que era mais severo na correção das provas e trabalhos destes alunos, e quando algum desses ia tirar dúvida, ele dizia que não tinha tempo pra ficar ajudando burguês e ladrão de vaga de aluno humilde...

Não estou exagerando, isso de fato aconteceu. Na primeira prova teve uma questão que o cara me zerou, e que pra outras pessoas (que seguiam a sua ideologia) deu os pontos. Apesar de tudo, ele não conseguiu me reprovar, até porque se o fizesse, certamente ia feder pro lado dele, mas ele fez tudo pra que eu passasse com a menor nota possível, fudendo assim com minha média do período.

Depois de ler esse pequeno testemunho de minha vida acadêmica, eu imagino que você já suspeite de minha posição sobre o Escola sem Partido.


A minha visão aqui é bem simples: a escola é um lugar para se aprender. Tenho a total consciência de que em um ambiente escolar pode-se aprender muitas coisas além das matérias convencionais, diria até que é algo indispensável, especialmente no ensino fundamental. Mas, penso que tais coisas seriam destinadas a tornar os alunos melhores cidadãos, seriam valores mais gerais e importantes para a sociedade como disciplina, respeito pela autoridade, cidadania e assim por diante. Acontece que existe uma linha muito tênue que separa esses conceitos e ideais de opiniões próprias. Diria que mesmo é muito fina a fronteira que separa fatos e temas de uma matéria de uma interpretação particular, muitas vezes influenciada pela posição política e/ou ideológica daquele que ensina.

Em outras palavras, eu penso que um profissional do ensino não pode usar a sua posição como professor para tentar influenciar os alunos a terem a mesma opinião que ele. Acontece que não é isso que ocorre em muitos casos.

Dei o meu exemplo próprio da universidade pública pois é um dos mais evidentes. Quem aqui cursou uma UFRJ, uma USP ou outra instituição federal ou estadual, sabe o que eu estou falando. Bom... Me refiro àqueles que como eu resistiram e não foram doutrinados pela ideologia de esquerda desses lugares, pois aqueles que hoje erguem a bandeira do martelo e da foice devem estar me xingando e me hostilizando, dizendo que não existe doutrinação ideológica em tais lugares.


Aliás, não apenas em universidades públicas: não duvido que deve ter muito professor de universidades particulares que adoram botar camisa do Che Guevara e defender o socialismo... embora não abram mão de seus altos salários e suas mordomias...

Historicamente, tais universidades públicas têm sido local de grande concentração de pessoas simpatizantes da esquerda, especialmente quando se trata de algum curso de Humanas. E a tentativa de doutrinação dos alunos é muito evidente, como comentei no caso em que passei. Trata-se de mais uma das idéias retrógradas dessas pessoas, que pensam que somente pelo fato de você cursar uma instituição de ensino pública você precisa ser de esquerda, chega a ser quase como obrigatório. É como se houvesse um "perfil ideal" de aluno, ao qual todos devem se moldar: deve se vestir mostrando que é de esquerda, usando vermelho, camisa do Che Guevara e deixando a barba crescer. 


Uma verdadeira lavagem cerebral, isso sim...

Continuo comentando do que eu observei quando fiz faculdade. Como disse, o tal professor me perseguia por eu não concordar com os ideais comunistas dele e por ter vindo de escola particular. Algo que ele fazia com alguns outros alunos em igual situação. Desse grupo, aqueles que passaram tiveram média 7, a mínima possível, independente da nota que tiramos na prova. Alguns que não foram aprovados também sofreram algo parecido ao fazer a prova final, passando de raspão. E isso também acontecia em outras disciplinas, onde tivemos professores que eram esquerdistas ao extremo, fazendo de tudo para mudar a nossa opinião, e não conseguindo isso, fazendo de tudo para tornar nossas vidas um inferno. Tanto que alguns colegas desistiram e foram para outras universidades, por não aguentarem a pressão.

Pergunto: esse é o tipo de conduta que devemos esperar de um professor? Por acaso é certo que o corpo docente seja preconceituoso e discriminatório contra alunos que não seguem o seu ponto de vista?

Digo ainda mais: não eram só professores não, mas também os alunos. Os veteranos, já com um carimbo do PT em seus cérebros, faziam a mesma coisa. Ficavam lá incitando os alunos mais novos a irem em passeata contra o FHC e declamando as teorias da esquerda sobre o capitalismo e os Estados Unidos (e olha que naquela época não havia Facebook divulgando tanta teoria furada). Muitos dos calouros, uns por medo, outros por fraqueza de espírito, acabavam assim se deixando influenciar pela lavagem cerebral promovida pelos seus colegas. E os que não se deixavam levar (como eu), eram hostilizados, excluídos do grupo, xingados de babaca pra baixo. Tive uma vida dura na universidade, sendo sempre excluído e fazendo poucas amizades, geralmente com pessoas que compartilhavam da mesma posição que eu, ou mesmo que tinham simpatia pela esquerda mas não aprovavam a doutrinação corporativista que existia ali na instituição.


Pra você ver que até mesmo no trote os filhos das putas pegavam mais no pé dos alunos que pareciam ser mais ricos e de escola particular. Me lembro que um colega da minha turma, morador de Copacabana, teve a inocência de ir no dia do trote com um tênis novinho da Nike. Nunca me esqueço do veterano barbudo, que tinha um Chevette com um adesivo dizendo "Viva Cuba", zoar o rapaz chamando-o de "burguesinho da Zona Sul", e chegando ao ponto de pintar o tênis todo com tinta guache, arruinando-o inteiramente. 

Essa é uma das principais razões que me motiva a ser favorável ao Escola sem Partido: por não aceitar essa doutrinação política que é praticada nas escolas e universidades públicas.

Cada um tem direito a ter a sua opinião política, somos livres para isso. Ainda mais ao ingressar na universidade, em que o jovem em geral está iniciando também a sua vida eleitoral, e assim tem teoricamente a liberdade de escolher um viés político que esteja mais alinhado com sua opinião. Porém, o que vejo é que em instituições de ensino públicas existe uma grande influência da esquerda na tentativa de induzir os alunos a seguirem os seus ideais, o que resulta em casos como esses que eu citei, de grande intolerância. 

Precisamos separar as coisas. Se os alunos estão ali em uma faculdade de Direito, por exemplo, o interesse maior ali tem que ser em aprender Direito, em cursar as disciplinas necessárias para que ele possa concluir o curso e se tornar um bom profissional de Direito. Afiliação política e posição ideológica, não tem nada a ver com isso.


Antes que venham me acusar de perseguição contra a esquerda, não é isso que eu estou dizendo. Eu não gosto da esquerda, isso é verdade, sempre deixei claro isso aqui. Pois eu discordo de praticamente todos os valores e conceitos defendidos pela esquerda (incluindo nisso a tentativa de doutrinação política, que sabemos que eles fazem). Tenho esse direito, não? Como uma pessoa pode gostar da esquerda e acreditar nas mesmas coisas que ela prega. Cada um é livre para escolher o que gosta ou não gosta, essa idéia corporativista de que o sujeito deve ter determinada filiação política só por conta da faculdade onde estuda é uma grande babaquice.

Não acontece só na universidade, isso segue até na vida profissional logo depois. Se o sujeito trabalha em alguma estatal, principalmente uma federal tipo Petrobras, Eletrobras ou outra que termine com "bras", a tendência também é que lá dentro exista um ambiente incentivando a doutrinação política, sempre voltada para uma ideologia de esquerda. Inclusive muitos alunos de universidades públicas acabam desejando muito ir para essas empresas públicas também, pois enxergam que elas são empresas que pensam no povo, onde ali vão poder promover os ideais do socialismo e combater o capitalismo.

Claro, agora o detalhe de receber um bom salário, ter a garantia da estabilidade independente de sua dedicação ao trabalho, deve ser um mero detalhe...

Acho engraçado é essa postura de achar essa história de que a empresa pública pensa no povo. Como temos agora, os esquerdopatas cariocas aqui revoltados com a venda da Cedae, empresa de água e esgoto aqui do Rio de Janeiro, sob a alegação de que é um "patrimônio dos cariocas" e que uma empresa responsável pela distribuição de um bem natural como a água não pode cair nas mãos da iniciativa privada, que, segundo os adoradores do martelo e da foice, vai priorizar o lucro e prejudicar a população.


Dizem que a água é nossa, é do povo... Então, se a água é do povo... Por que eu tenho que pagar tanto por ela?

Sério, vai se fuder! Não tem essa história de "do povo" não. O povo só entra pra pagar a conta e levar na bunda, com obras desnecessárias e mal-feitas, vazamentos constantes na rede de distribuição, falta de seriedade no tratamento de esgoto e elevados salários os seus funcionários. Pombas, se gostam tanto desse discurso socialista, então socializem a porcaria da água pra toda a população, socializem os seus salários também, pois afinal de contas se a água é um bem público que pertence a todos, que seja então distribuído fraternamente entre a população e que ninguém ganhe dinheiro com isso.

Foi como uma discussão que tive certa vez com um colega que trabalha na Petrobras, petista de carteirinha, que criticava a abertura da concessão de poços aqui no Brasil, pois isso seria "entregar o ouro para o bandido", vindo com aquele papinho escroto de "o petróleo é nosso". Perguntei pra ele então, se o petróleo é nosso, se é do povo... por que quando vou no posto de gasolina pra encher o tanque do meu carro eu tenho que pagar uma grana preta? Ora, se o petróleo é do povo, por que o povo tem que pagar tão caro por ele, pôrra?


Sério, é cada babaca que tem por aí...

Mas enfim, como de costume começo a me desviar do tema. Voltando ao assunto da educação, é curioso ver como essa doutrinação de fato existe, principalmente em instituições públicas onde o discurso da esquerda tem mais força. Acontece que mais curioso ainda (e diria revoltante) é como essa ideologia acaba até mesmo influenciando os livros e demais materiais didáticos, principalmente se considerarmos publicações que começaram a ser difundidas nas escolas quando o PT chegou ao poder com o sapo barbudo. Livros que são descaradamente parciais, com uma proposta de doutrinação travestida de ensino, buscando formar "soldadinhos de esquerda".

Aposto que se vier alguém da esquerda aqui, vai começar dizendo que eu estou falando bobagem. Pois muito bem... Deixa eu dar um exemplo, começando com algo que não tem nada a ver pra expressar a minha opinião.

Por algum motivo eu me lembrei da embalagem de pão de queijo congelado que a gente comprava aqui em casa. Tive essa recordação pois no seu verso haviam instruções que eram apresentadas de forma bem interessante, dizendo o que devia ser feito para o pãozinho de queijo ficar bom e suculento, assim como o que não se deveria fazer para não arruinar o lanche. E cada grupo de instruções vinha acompanhada pelo desenho de um pão de queijo, com uma carinha feliz ao lado das recomendações e outra triste perto dos erros que não deviam ser cometidos. Infelizmente isso tem muito tempo, e não achei na Internet uma foto dessa embalagem, então tentei aqui reproduzir a idéia:


Claro que exagerei no "como não fazer"...

Enfim, a idéia é bem simples: não precisa ser grandes coisas para perceber as deixas visuais para indicar o que seria certo e errado, dicas que ajudam a pessoa a perceber, mesmo que seja um zero à esquerda na cozinha, sobre o que se deve fazer e o que não se deve fazer. A cor verde junto com a carinha feliz ajudam a pessoa a fixar as instruções que se seguem como as corretas, enquanto o texto em vermelho e a carinha triste mostram como você vai ficar se fizer o que está escrito ali abaixo.

Concorda? Acredito que sim. É um conceito bem trivial.

Então, vamos ver agora outro desenho, que provavelmente você já deve ter visto em algum momento nas redes sociais, que foi extraído de um livro de História lançado recentemente.


Aí, meu amigo... Vai aparecer gente insistindo que não existe doutrinação ideológica nas escolas.

São feitas as mesmas jogadas visuais, onde no capitalismo vemos os operários ali tristes, com medo do patrão, enquanto que no socialismo os mesmos caras ali estão felizes, de boa. Ou seja, com uma mensagem nem um pouco subliminar de que o socialismo é bom e o capitalismo é ruim. Por mais que alguém possa dizer que o quadro apresenta a ideologia proposta por Marx e Engels, pais do socialismo, as figurinhas são muito forçadas e acabam sim passando uma clara mensagem sobre o que seria certo e errado... Poderiam ter ilustrado isso de outra forma mais neutra, se tivessem o interesse de serem imparciais.

Não vou nem entrar aqui no mérito de discutir os dois regimes. Apenas comento que o socialismo tem um discurso muito bonito, de igualdade e tudo mais... Só que na prática vemos que não é bem assim, está aí o exemplo da Venezuela mostrando como que essa falácia de "bem-estar da sociedade" está longe da realidade, onde a fome é tanta que estão chegando ao nível de comer cachorros...


Na minha opinião um livro ou outro material didático deve ser informativo e neutro, focando apenas nos fatos. Não discuto que podem haver temas que possam ser utilizados para uma discussão em sala de aula, esse mesmo do capitalismo e socialismo seria um deles. Mas repito, uma discussão que deve ser promovida pelo professor de forma imparcial, sem se deixar levar pelas suas opiniões particulares, e sem usar uma bibliografia tendenciosa como a mostrada mais acima.

Aliás, temos que registrar aqui o culpado pelo livro acima, principalmente pelo fato de sua "obra" ser praticamente uma cartilha de formação de petista. O sujeito se chama Mario Furley Schmidt, que embora não tenha conseguido comprovar que tem formação em História, consegui vender milhões de exemplares de seu livro "Nova História Crítica", superando a venda de outras publicações lá pelos idos de 2007 (não precisa nem falar quem era "el presidente"). Isso por conta de um grande volume comprado pelo MEC, para abastecer as escolas com esse livro. Nas suas páginas, vemos o já manjado discurso de esquerda, com textos que enaltecem o Lula, aplaudem o regime "democrático" de Cuba, defendem as FARC colombianas e chamam Che Guevara de herói.


Sabe, tenho às vezes a curiosidade de comprar esse livro pra ver como é... No mínimo serviria pra dar umas gargalhadas ao ver as idéias sem noção de alguém com sua mente controlada pela ideologia esquerdista... Alguém que aliás, como um bom adorador do socialismo, ganhou muito dinheiro com esse livro...

Acho válido comentar aqui sobre outra crítica que fazem contra o Escola sem Partido. Muitos professores e "entendidos" dizem que isso fere a liberdade de expressão, que no final das contas é como se estivessem censurando os educadores por citarem determinadas ideologias.

Não é bem assim. O professor quando está na sala de aula tem o papel de ensinar. Pode parecer um pouco ríspido, mas vejo que ele fica lá falando e os alunos escutando, ele é o agente que transmite o conhecimento para a turma. Não que não possa existir debate em sala de aula, claro que isso é interessante em determinadas matérias, mas no final do dia é o professor quem vai determinar o que os alunos vão aprender. Aí, numa situação dessas, esse discurso de liberdade de expressão é um pouco relativo...


Relativo sim, goste ou não. O professor tem a liberdade de pensar o que quiser, de ter a sua ideologia política, seja ela de esquerda ou direita. Da mesma forma que os alunos têm o mesmo direito. A partir do momento que o professor está em sala de aula e detém a responsabilidade de ensinar, esta não deve ferir a liberdade de pensamento da turma, não deve ser usada como forma de moldar a opinião própria de cada indivíduo.

Sei que vai aparecer gente dizendo que estou errado, que não tem como um professor desligar totalmente a sua opinião enquanto dá aula, que isso seria algo como uma mordaça ou censura. Entendo que pessoas assim são aquelas que acham natural a doutrinação, que não vêem nada errado no professor apresentar seu ponto de vista e opinião ideológica como matéria a ser seguida pela turma. Lógico, vão dizer isso apenas para defender seus semelhantes, para defender professores que seguem uma linha de pensamento de esquerda; agora, se essas mesmas pessoas descobrirem que o professor de História de seus filhos chamou Cuba de ditadura, disse que o socialismo não funciona ou falou que o Lula é um criminoso... ah, aí pode apostar que todo esse discurso ensebado de "liberdade de expressão" vai por água abaixo.

Tudo isso em mais uma demonstração de indignação seletiva, parcialidade e hipocrisia que são típicas dessas pessoas.

Por isso que eu penso que o ensino deve estar distante da política. Teoricamente, os professores deveriam ter algo chamado ética profissional, para não deixarem que suas opiniões próprias, não apenas políticas e ideológicas mas também morais e religiosas por exemplo, venham a influenciar na sua atividade profissional de ensinar. Como deve acontecer em qualquer outra profissão. Faço um esforço para acreditar que em sua maioria os docentes brasileiros seguem essa premissa. Mas infelizmente existe aqui uma tendência a sempre arrumar uma justificativa pautada em uma falsa idéia de "liberdade de expressão" para tolerar uma postura doutrinadora de certos professores, principalmente quando estes fazem parte de instituições públicas onde impera o pensamento de esquerda. Ideologia de esquerda que, por sua própria natureza, já usa a doutrinação política e lavagem cerebral para construir soldadinhos. Repito, o professor usar de sua posição em sala de aula para doutrinar os alunos a pensarem como ele na prática é abuso de autoridade.

Mas eu imagino que essa idéia de Escola sem Partido infelizmente não vai dar em nada. No máximo devem só colocar alguns cartazes nas salas de aula e só. Essa postura doutrinadora na academia, principalmente nas instituições públicas, está aí há muito tempo e dificilmente será extinta. Fica é a esperança que os alunos tenham um pensamento mais crítico, que tenham a coragem e o bom senso de ter a sua opinião, sua orientação política, seja ela de direita ou de esquerda. Mas que tomem essa decisão por si mesmos e não por terem sido induzidos e manipulados por um educador mal intencionado. Aí, eu imagino que naturalmente essa doutrinação nas escolas e universidades vai perder força e teremos de fato um ensino livre de influência política.

Um comentário:

Arne Krogdahl disse...

Excelente.
Cara, maioria da galera das faculdades aqui de MG, especificamente da UFMG é de esquerdista maconheiro que jura ter personalidade e senso crítico, aprendem macaquear um jargão de algum curso de humanas (quase sempre humanas), mas nem sabem o que falam.
A turma de Psicologia é triste. Ainda bem que estou acabando o curso.
Galera antipática do cacete.