quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Carga Máxima

Vale a pena fazer de vez em quando aquelas postagens de nostalgia. Como já cansei de dizer, fico feliz de ter passado a minha infância na década de 80 e 90, quando na minha opinião as diversões infantis eram bem mais legais do que hoje. Sei que pode parecer lamento de geração, é comum a gente sempre achar que aquelas que vêm depois não são tão boas... Mas eram sim tempos mais simples, sem o exagero do politicamente correto, com idéias bem divertidas e originais. Hoje em dia, a imensa maioria das brincadeiras está nos aplicativos de celular e na internet, sempre com aquela preocupação exagerada de não estragar os valores das crianças... Mas, isso é assunto para outra hora.

Hoje eu apareço aqui para falar de um jogo de tabuleiro que eu gostava muito. Talvez não seja um dos mais conhecidos, está longe da fama de um Banco Imobiliário ou Detetive, mas que para este texugo era um barato, e até hoje lamento profundamente que ele tenha sido dado pelos meus pais... Estou falando do jogo Carga Máxima.


Tudo bem, imagino que alguns de vocês podem estar se perguntando "que porcaria é essa?", então vou explicar.

Vou tentar me lembrar um pouco das regras, recorrendo à Internet para me ajudar a preencher os lapsos de memória. Cada jogador é um caminhoneiro e o objetivo é terminar com a maior quantidade de dinheiro, conseguido através de entregas de cargas pelo Brasil. No início cada um pegava algumas cartas com ordens de serviço, indicando a quantidade de carga, sua origem e o destino. Aí, na base do dado, você fazia o seu caminhão trafegar pela estrada, transportando pequenos bloquinhos de plástico que representavam a carga. Dava até pra fazer vários trajetos ao mesmo tempo, para assim aproveitar o máximo a sua viagem: por exemplo, se você tinha que levar uma carga de Fortaleza até Porto Alegre, e desse a sorte de ter outra ordem de serviço com um frete de Salvador pra São Paulo, não tinha problema parar na capital baiana pra carregar o seu caminhão e fazer a entrega no caminho. Desde que não ultrapassasse o limite do caminhão, que podia ser ampliado com um reboque. O jogo ia assim, até acabarem as ordens de serviço, e ganhava quem tivesse mais grana.


O jogo ainda tinha outros detalhes, curiosos. Além do reboque, haviam as cartas no estilo do "sorte ou revés" do Banco Imobiliário, com algum acontecimento bom ou negativo. As ordens de serviço adicionais eram conquistadas por meio de um leilão entre os jogadores, com uma curiosidade de que quanto maior o valor pago no leilão, menor o dinheiro pago, exigindo aí uma atenção sobre quando parar. Tinha outra sacada também que, ao rolar um no dado, um bloqueio de estrada, no formato de uma barrinha plástica, era colocado na casa onde seu caminhão estava, impedindo a passagem dos demais jogadores. Sei lá, era como se a carreta tivesse dado uma barrigada no caminho, ou foi uma barbeiragem que fechou a pista.


Uma curiosidade é que esse jogo originalmente era alemão, e a Grow fez a adaptação dele para o território brasileiro. Provavelmente sem muita veracidade quilométrica, mas que não atrapalhava a diversão. 


Depois me dei conta que faria mais sentido ter colocado essa foto na vertical, mas enfim...

O que me agradava aqui era a maior estratégia necessária para se ganhar. Outros jogos típicos, como Banco Imobiliário ou Jogo da Vida, eram muito baseados na sorte, ficava até sem graça em certos momentos se os dados te faziam sempre cair naquela propriedade do outro jogador que tinha um hotel. Aqui você precisava pensar um pouco mais sobre o que fazer, avaliar qual a melhor rota para entregar a carga o mais rapidamente possível ou para aproveitar as entregas. Tinha que avaliar se certas ordens de serviço valiam a pena mesmo, imagina só ter que pegar uma entrega lá no Acre que não ia compensar muito dinheiro. Precisava queimar um pouco mais os neurônios pra ganhar.


E eu adorava também os caminhões que vinham no jogo. Sei lá, acho que quando criança eu só ganhava carrinhos Matchbox, então ter alguns caminhões, mesmo que meio bobinhos, era algo que me empolgava. Como sempre fui um texugo que gostava de veículos automotores, Carga Máxima era um de meus favoritos, juntamente com RPM, aquele jogo de corrida de Fórmula 1 que havia na época também...

Caraca, tenho que fazer um post dele também!

Conto até uma pequena história, na época em que esse jogo foi dado, juntamente com outros que eu tinha. Fazia parte daquelas velhas situações em que os pais tentam abrir mais espaço no armário de seus filhos, e assim tentam se desfazer de alguns brinquedos. E o Carga Máxima foi um dos escolhidos, não me lembro por que isso aconteceu, pois eu gostava de jogá-lo, enquanto que o Banco Imobiliário que eu achava chato havia sido um dos poupados para ficar. Talvez essa seja uma razão pela qual nunca me animei muito por esse jogo clássico...

Enfim, e lá estava o Carga Máxima numa pilha junto com outros jogos de minha infância, aguardando o momento em que seria levado embora, para ser dado para alguma escola ou instituição de caridade. Não pensem mal de mim, como se eu fosse um texuguinho mimado... Mas eu fiquei ali chateado por ver um jogo de que eu gostava tanto ser despachado assim, sem nem me dar chance de opinião... Talvez tenha sido a culpa do videogame, que cada vez mais ganhava espaço aqui em casa, não apenas me distraindo um pouco dos jogos de tabuleiro, mas também meus amigos que preferiam mais jogar Master System e Nintendo.

Aí eu por algum motivo tive uma idéia meio sem noção, de tentar "salvar" os caminhões. 


Comento que esse aí são da versão original alemã do Carga Máxima, de um site que fala dele e de muitos outros jogos de tabuleiro. Aposto que muitos podem ter pensado que esses aí eram os ditos cujos que eu havia subtraído do jogo que eu tinha, mas não. Me lembro que os brasileiros tinham um formato diferente, menos quadradão, mas com as mesmas cores.

Bom, acontece que eu quase consegui... Na minha pressa e estupidez infantil, eu tentei levantar as caixas dos outros jogos que estavam em cima, e aí tudo caiu no chão e fui pego no flagra. Levei um esporro e fiquei de castigo no canto, pra aprender. E não consegui salvar os meus queridos caminhõezinhos...


Hoje eu até fico pensando em como eu estava sendo um canalha. Imagina só a pessoa que ganhasse o jogo, e após abrir a caixa visse que não tinha nenhum caminhão? Ia ser muita sacanagem mesmo...

Aliás, lanço até aqui uma idéia meio doida. Se alguém tiver esses caminhões do jogo e quiser se desfazer deles, pode apostar que eu tenho espaço aqui na minha casa pra eles! É só deixar um comentário.

Carga Máxima foi um exemplo de um jogo bem interessante. Como disse, dentre os típicos jogos de tabuleiro da época, ele conseguia mesclar um nível de diversão bem legal com uma necessidade de estratégia mínima. Claro que não era algo difícil e pesado como um WAR, por exemplo. Mas o suficiente para ser disputado. Além disso, era um jogo relativamente rápido de se jogar, coisa de uma hora mais ou menos, longe da eternidade de um Banco Imobiliário.

É uma pena que não tenho mais esse jogo, ia ser legal ter uma sessão nostalgia de tabuleiro. Muitas foram as tardes que eu bancava o caminhoneiro, levando bloquinhos de plástico pelas estradas brasileiras, tentando ganhar a vida fazendo entregas que nem o Pedro e o Bino.


É, não podia faltar essa piadinha...

Nenhum comentário: