terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A estupidez da "Apropriação Cultural"

Não deu pra ficar quieto. Sinceramente eu me dou conta como ultimamente eu tenho feito muitos posts aqui meio revoltados, reclamando de coisas que estão acontecendo com a sociedade em geral, muitas vezes influenciados pela conduta politicamente correta que está cada vez mais entranhada nas pessoas. Eu tento, mas não consigo ficar calado diante de tamanha estupidez que esses sujeitos, com suas mentes limitadas e valores suspeitos (ih, rimou!), dizem tantas bobeiras. Sei lá, às vezes acho que tenho que desencanar e fazer aquelas postagens mais engraçadas, pra descontrair. Mas eu não consigo ignorar essas coisas... Agora é graças ao turbante.


Fiz há pouco tempo um texto falando daquela vestibulanda da USP, que de maneira inconsequente e provocativa veio dizer, após passar no primeiro lugar do concurso de medicina, que "a casa-grande surta quando a senzala vira médica". Mais uma iniciativa para promover o ódio e a segregação racial. E, no meio desse texto, comentei sobre outro caso recente, de uma mulher que foi acusada de apropriação cultural, que é a mais nova expressão do dicionário dos politicamente corretos.

Vou recapitular o caso. A mulher se chama Thauane Cordeiro, e uma postagem que ela colocou em seu Facebook acabou se espalhando pela rede. Ali ela relatou uma situação que passou em algum transporte público (não ficou claro pra mim, acredito que no metrô), quando ela estava usando um turbante. Na ocasião, algumas mulheres negras estavam ali olhando pra ela, como se estivessem incomodadas, até que uma delas se dirigiu a Thauane, dizendo que ela não deveria usar um turbante pois era branca. A autora do post então removeu a indumentária, expondo assim a cabeça completamente sem cabelos por conta do tratamento de um câncer. Foi o suficiente para a negra ficar provavelmente com cara de bunda, sem saber onde se enfiar, enquanto Thauane saiu dali. Reproduzo abaixo a imagem que coloquei no outro post, que mostra a declaração dela.


Apropriação cultural... Agora é isso que a turminha politicamente correta quer ficar falando. Como se a moça aí da foto não tivesse o direito de usar uma determinada peça de roupa apenas pelo fato de ser branca.

E viva a igualdade racial!

Agora, o mais absurdo de tudo é que, no meio de muitas pessoas que foram solidárias à Thauane e que acharam uma grande estupidez essa história de "apropriação cultural", ainda teve gente criticando ela! Eu não acreditei quando, ao olhar em outros sites que falavam dessa notícia, que teve idiotas tentando achar algum tipo de argumento pra acusar a moça de estar "roubando" sua cultura. Como essa imbecil aqui abaixo.


Desculpa, mas eu tenho que trazer de novo aqui aquela foto do doido lendo e fazendo aquela cara de "dafuq", porque é a minha exata reação ao ler o texto acima.


Deixa eu ver se entendi bem. Quem é que decidiu que o turbante só pode ser usado por negros? Onde é que está escrita essa regra estúpida? Convido essa tola do Twitter aí de cima a vir me explicar. Afinal de contas, tem um porrilhão de gente que não tem idéia de onde está escrito uma lei que impede que uma pessoa branca use turbante. Mostra pra gente aqui, Freakfeminist. Se você tiver coragem.

Peço desculpas pelo palavreado chulo que está por vir. Mas, na boa: vai tomar no rabo antes que eu me esqueça! Puta merda, parece que essas pessoas não têm mais o que inventar. Agora a polícia politicamente correta e defensora dos frascos e comprimidos vai ficar aí vigiando pra ver se não tem nenhum branco "criminoso" tentando roubar algo que faz parte da cultura negra. Tanto problema nesse país, e temos criaturas como essa sem noção aqui preocupada com a roupa que os outros usam.


A primeira coisa que vou dizer serve de resposta pra essa outra acéfala chamada Eduarda. Uma negra que, como provável "defensora da igualdade racial" e contra o preconceito, escreve uma frase desrespeitosa contra pessoas que têm câncer, como se as acusasse de não terem respeito pelos outros e acharem que podem fazer o que quiserem. Os próximos parágrafos são dedicados para você, Eduarda, e para todas as suas colegas que se sentiram ofendidas com uma branca usando um turbante.

A questão aqui não é fazer o que quiser só porque a pessoa tem câncer. Ninguém na sociedade pode fazer o que bem entender, tudo tem o seu limite. Seja um limite legal, de respeitar as leis, seja um limite de bom senso, etc. Inclusive os negros tá? Pois eu sei que pessoas assim como você acham que os negros podem tudo, só porque foram escravizados, que sofrem as consequências da escravidão, e blá blá blá. O velho vitimismo que é usado de forma exagerada, como escudo para que possam fazer o que bem entendem, inclusive para serem preconceituosos.

Acontece que, se o assunto é uma peça de roupa... Na boa, cada um é livre para usar o que quiser, logicamente dentro dos limites de pudor e convivência na sociedade. Não dá pra uma mulher, por exemplo, sair no meio da rua com uma roupa assim, pois já é demais.


Embora, convenhamos... Em se tratando de Carnaval, essa roupinha aí está até muito comportada...

Agora, dentro de um limite racional, dentro do aceitável pelo pudor, e até mesmo observando um certo código de vestimenta de determinadas ocasiões e lugares... A pessoa usa o que quiser! E ponto final! Com todo respeito, foda-se a cor da pele, pode ser branco, negro, mulato, índio, verde, azul, laranja... Todo mundo pode usar o que tiver vontade.

Não existe essa bobagem de que certas roupas devam ser exclusivas para determinada raça. Repito, onde está escrito que uma pessoa branca não possa usar uma roupa como um turbante? Ou fazer dreadlocks em seu cabelo? Onde diz que o turbante é exclusivo para negros?

Aliás, essas desinformadas ali do Twitter precisam se dar conta de que o turbante não é invenção dos negros não. Tal peça de indumentária já era usada há milhares de anos, nas cabeças de árabes e outros habitantes do Oriente Médio, pra depois vir a ser usada por diferentes povos ao redor do mundo. Se vamos falar de quem é o "dono" do turbante, então o povo árabe é que foi o pioneiro.


Então, suas escrotas... Ao dizer que o turbante é coisa de negro, vocês estão se apropriando da cultura árabe!

Eu estou ficando muito de saco cheio com essas babaquices da sociedade politicamente correta. Na boa, o mundo está ficando muito fresco, muito sensível, qualquer coisinha aí é vista como ofensiva. Onde já se viu, uma pessoa ser criticada, e até mesmo hostilizada por conta de uma determinada vestimenta, por causa de um corte de cabelo? Os politicamente corretos ficam ofendidos com qualquer bobagem, com coisas insignificantes que não os atingem de maneira nenhuma. Puta merda, gostaria de saber aqui o que é tão inaceitável assim numa mulher branca estar usando um turbante, por que essas pessoas ficam tão ofendidas com isso.


Cacete, tanta roubalheira na política, tantos impostos abusivos, tanta insegurança nas grandes cidades, tanto descaso com a saúde e educação pública... E esses imbecis aí ficam é ofendidos com um turbante na cabela de uma mulher branca?

Independente de sua doença, digo de passagem: sabemos que a Thauane provavelmente o fez por conta do tratamento de câncer, e optou por usar um turbante por sua preferência, por ser algo que ela gosta. E mesmo que ela não estivesse doente, tampouco haveria problema em colocar um turbante na cabeça, se assim ela quisesse. Repito, é o direito dela, e de qualquer pessoa.

Referencio aqui outro site que eu li sobre o fato. Com um detalhe bem interessante de se destacar: seu autor é negro. Mostrando que esse chororô vitimista não é generalizado, que são só poucos negros que ficam aí com esse discurso boçal de apropriação cultural. Poucos, mas muito barulhentos, muito agressivos e, infelizmente, muito valorizados pela mídia, que adora uma história comovente e personagens que ficam bem na foto.

Enfim, nesse site, eu tomei conhecimento de um caso semelhante ocorrido nos Estados Unidos, onde um rapaz branco com dreadlocks é xingado e hostilizado por uma negra na faculdade. Veja o vídeo.


O pior é que essa filha de uma puta faz de tudo pra tirar o cara do sério, agredindo-o verbalmente e chegando até a segurar o seu braço, tudo pra que ele estourasse. É como esses "pobres coitados" tentassem tirar os outros do sério, pra que quando viesse a reação, bastaria gritar "racista" e iria aparecer um monte de gente pra protegê-la. Pro azar dessa escrota, o carinha manteve a postura e ficou na dele, mesmo depois dela o agredir, e todo o tumulto foi gravado, deixando evidente que a agressora ali foi ela.

Não consigo entender a motivação dessas pessoas pra ficarem ofendidas com a suposta apropriação cultural. Vamos ver se eu entendi direito. Então, existem certas coisas que fazem parte da cultura de um determinado grupo social, tipo uma raça, uma religião ou país. Aparentemente, quem dita isso são as próprias pessoas que fazem parte dessa cultura. E na cabeça bitolada desses "defensores da cultura", essas coisas só podem ser usadas por aqueles que fazem parte da mesma. Se uma pessoa que não faz parte dessa cultura o usar, é o "crime" de apropriação cultural, ela não tem esse direito, podendo assim ser hostilizada e mesmo impedida de usar aquela determinada coisa.


Sim, isso é o que eu acho desse discurso. Mas, já que é assim, tudo bem. Legal. Vamos dar uma chance...

Então vamos fazer a seguinte brincadeira. Vamos agora enumerar algumas coisas aqui, e determinar quem é que está autorizado a usar ou fazer essas coisas.
  • Vamos começar com vestuário. Bom, bermuda é uma roupa criada na ilha de Bermudas, assim se você estiver usando uma bermuda está errado, pois está se apropriando da cultura de lá;
  • Quando se fala de perfume, os melhores são franceses, certo? Bom, só que ninguém pode usar perfume francês, a não ser que tenha nascido na França;
  • Hoje em dia está na moda o penteado samurai, com aquele cotoco de cabelo no topo da cabeça. Não pode, é apropriação cultural, só pode usar se você for um samurai;
  • Voltando pra França, ninguém mais pode comer pão francês. Afinal, pão francês é exemplo da cultura francesa, e como bons defensores da cultura ninguém pode comer algo que seja francês;
  • Todo mundo curte a Oktoberfest, não é verdade? Mas brasileiro não pode participar, seria errado se apropriar da cultura alemã pra tomar cerveja;
  • Na hora do lanche, a turma curte ir num McDonald's, num Burger King, num Pizza Hutt, né? Agora, estão proibidos, pois não se deve apropriar-se da cultura americana. Vai comer num Giraffas;
  • Atualmente se faz muitas tatuagens, e tem pessoas que gostam de fazer aqueles ideogramas japoneses. Bom, não pode mais, a não ser que você seja japonês.
Ora, estão achando que eu estou de sacanagem? Estou falando sério! Gostaria de ver vocês aí, politicamente corretos, deixar de fazer todas essas coisas, já que vocês condenam tanto a tal da apropriação cultural.

Mas o que acontece é algo que eu já citei aqui, é a indignação seletiva. Apenas alguns grupos sociais parecem merecer a simpatia da sociedade, de forma que certas infrações ou crimes só ganham evidência e são criticados quando estes ocorrem contra esses grupos. Então, o que acontece é o seguinte: na cabecinha ôca desses politicamente corretos, apropriação cultural só existe quando é a cultura supostamente negra que está sendo apropriada. Como acontece com o racismo.

Por exemplo, vamos aqui fazer um novo exercício. Pegando o gancho dessa história do cabelo, que o branco não pode usar dreadlocks por isso ser exclusivo dos negros, na cabeça desses otários.

Embora fosse mais comum há alguns anos atrás, ainda hoje vemos muitas mulheres negras que fazem alisamento em seus cabelos, certo? E vou focar apenas no alisamento, vou ignorar o fato que muitas chegam até a tingir os seus cabelos de loiro.


Acontece que os negros originalmente têm cabelo crespo, e não liso. Aliás, muitos defensores da cultura negra incentivam que seus integrantes mantenham o seu cabelo assim, como forma de "afirmação de raça". Tudo baseado em um conceito pífio de que o negro só é negro de verdade se deixa o cabelo crespo. Mas olhemos para os muitos negros e negras que existem por aí, com cabelos lisos, como a Beyoncé acima.

Bom, mas cabelo liso não faz parte da cultura negra. É coisa de gente branca...

E aí, podemos acusar uma mulher negra de cabelo liso de estar se apropriando da cultura branca?


Eu particularmente não iria criticar uma situação em que, por exemplo, uma mulher negra alise os seus cabelos. Não vejo problema, sinceramente. Pois, eu sou coerente com meus valores, e acho que a pessoa tem toda a liberdade de ter o penteado que quiser, independente da cor de sua pele, independente de suas origens. Da mesma forma que acho que a Thauane não fez nada demais ao usar um turbante, acho também que não tem nada demais na Beyoncé usar cabelo liso e loiro.

Penteado pra mim é que nem o orifício reto-furicular, cada um tem o seu. Tenho a noção de que existem muitas pessoas que não tem um pingo de originalidade, e acabam se penteando de acordo com a modinha vigente, tipo cabelinho samurai que os babaquaras gostam de usar. Bom, aí é outra história, trata-se de um modismo. Mas, no final das contas, é o indivíduo que escolhe seguir a moda, ele tem essa liberdade. Como também tem a liberdade de usar seu cabelo como quiser, de uma forma que ache legal e bonito na sua opinião, ou que seja mais prático e conveniente, como queira.

Assim, na minha cabeça se uma negra quiser alisar seus cabelos, não tem problema; por sua vez, se uma branca quiser fazer um afro, não tem problema também; pombas, se chegar aí uma oriental e quiser pintar o seu cabelo de azul pra parecer uma Sailor Moon, vá em frente.


Agora, a polícia politicamente correta e defensora da cultura negra adota uma posição extremamente parcial diante de uma questão dessas. Se é uma mulher negra que alisa os cabelos e/ou pinta de loiro, vão dizer que ela pode fazer o que quiser, vão achar lindo. Bobeando vai até aparecer algum paspalho dizendo que seria um exemplo de "empoderamento negro", pois demonstraria que ela está desafiando a sociedade ao usar um penteado que teoricamente não faz parte de sua cultura...

Mas, se a mulher branca faz um afro, ou faz trancinhas rastafari... Aí fudeu. Apropriação cultural! Não pode! Todo mundo vem abaixo...


Pra completar, se aparecer algum branco dizendo que uma mulher negra de cabelos lisos é apropriação cultural, que ela não pode usar o cabelo assim por estar roubando a cultura dos outros... Esses mesmos politicamente corretos vão explodir e dizer que trata-se de racismo, de preconceito por achar que uma pessoa negra não pode alisar cabelo, vão se revoltar pra burro e dizer que é um comentário opressivo...

Tá certo... Mas dizer que uma mulher branca não pode usar turbante, aí pode...

Realmente me dá nos nervos como que as pessoas estão ficando, como que cada vez mais temos uma sociedade que se deixa levar por valores politicamente corretos ao extremo, de forma exagerada e inconsequente. O mais hipócrita é ver como que tais pessoas defendem tanto uma bandeira de igualdade, mas diante de uma mesma situação agem de formas distintas, dependendo da cor da pele da "vítima". E com isso, acabam é incentivando dos dois lados uma maior hostilidade e preconceito.

Apropriação cultural é o escambau! Ainda mais aqui no Brasil, pombas. Aqui nós temos uma grande mistura de culturas, existe aqui a presença de coisas de origem africana, européia, asiática, árabe, índia, e por aí vai. Mesmo se olharmos uma determinada etnia, podemos ver várias diferenças: dos europeus, temos cultura portuguesa em sua maioria, mas também com influência italiana e alemã; mesmo os africanos, vemos alguns traços distintos da cultura negra presente no Nordeste e no Sudeste, onde os escravos vinham de regiões do Norte e Sul da África respectivamente; em relação aos asiáticos, existem muitas diferenças entre costumes japoneses e chineses. Assim, temos um país misturado, onde todos são iguais, e todos têm direito a usar e fazer o que quiserem.

Vamos deixar essa ladainha de lado. Repito, tem tantas coisas mais importantes para a sociedade se preocupar, do que ficar policiando o que cada um está vestindo e em como isso pode ofender alguém, em como isso pode ser apropriação de cultura. Deixem de lado essa frescura, essa preocupação exagerada sobre como fulaninho vai ficar tristinho e ofendido por conta de um turbante ou coisa parecida, pois isso só está é dividindo a sociedade e promovendo injustiça por conta de bobagem.

2 comentários:

JoLeAn disse...

Sem dizer que utilizar-se da religião de outros povos, pode (quer "apropriação cultural" pior do que se apropriar de "deuses" ou "deusas" de uma cultura da qual você nunca fez parte? E o quanto ao racismo, muitos de nós, ditos "pardos", ficamos no meio de um fogo cruzado, sendo discriminados pelos brancos por sermos negros e pelos negros, por sermos brancos...

JoLeAn disse...

Pena que nossa sociedade poli"titica"mente correta não permita comentários como os seus nos meios de comunicação..