sábado, 28 de janeiro de 2017

Pichação: arte ou vandalismo?

Neste começo de ano um assunto tem tomado muito espaço na mídia e nas redes sociais, a ponto de mesmo aqueles que estão relativamente longe da polêmica em outras cidades estão acompanhando e dando os seus pitacos. Tudo por conta de uma iniciativa recente implementada pelo prefeito de São Paulo, João Dória, de passar a borracha... ou melhor, passar a tinta cinza sobre grafitis e pichações espalhadas pela maior cidade do país. 


Não precisa dizer que a grande maioria dos comentários é contrário a isso. Desde que assumiu o poder, Dória é criticado quase que diariamente pela esquerda caviar, que não tolera o fato de um prefeito já ter feito em um mês mais que o anterior, o petista Haddad, tentou fazer em anos. Mas, sabemos como são os esquerdistas, em sua cruzada teimosa de falar mal dos seus adversários políticos independente do que façam, se o sujeito atravesar a nado o Tietê pra salvar uma criança se afogando, pode apostar que esses animais vão inventar alguma forma de criticar.

O mais curioso de tudo é que esses petistas, psolistas e outros amantes do martelo e da foice têm um apoio quase que irrestrito simplesmente da Rede Globo. Ela mesma, aquela que os mesmos esquerdistas tanto criticam, que dizem ter apoiado o "golpi" e a ditadura. A emissora aparentemente é outra grande crítica de Dória, quase que diariamente tentando menosprezar os seus feitos.

Como fez recentemente, quando ele aumentou o limite de velocidade nas marginais. Não deu dois dias e a Rede Globo já estava gritando, pois em um dia e meio já tinham acontecido nove acidentes. E nem perceberam que, tirando a média deste curto período que foi suficiente para trazer revolta para a rede do Plim-Plim, tem-se uma média de seis acidentes por dia... Menos que os sete que aconteceram em 2016, durante a gestão do Haddad... Como mostrou bem a Caneta Desesquerdizadora


Mas vamos focar aqui na questão do grafiti, tentando ignorar o fato que esses bundões julgam as pessoas e não os atos...

Sobre esse assunto, eu honestamente não sei como que foi todo o processo, como que a prefeitura decidiu quais grafitis apagar e quais deixar, uma vez que alguns foram poupados da demão de tinta cinza que está causando tanta polêmica. Mas, em um primeiro momento temos que separar um pouco o que é cada coisa. Existe aquele grafiti que ao meu ver está mais relacionado com arte mesmo, que o cara faz numa boa e se dedica, pintando um muro ou parede de forma lícita. Por outro lado, existe aquele que eu chamaria mais de pichação, alguns até podendo ser relativamente artísticos, mas sua maioria sendo apenas alguma obscenidade ou assinatura escrita numa parede, feita de forma ilícita


Assim, penso ser errado assumir que qualquer grafitagem seja errada, como na foto acima. Ali o desenho do guarda mandando apertar os cintos é algo que eu imagino ter sido feito de forma legal, até porque acho difícil que um pichador fora da lei faria tal homenagem à polícia. Por outro lado, também não se pode ter a postura dos grafiteiros e afins que acha que todo tipo de pintura é legal. Por exemplo, o garrancho ali abaixo pra mim é pichação sem nenhum propósito.

Eu pessoalmente suponho que a nova prefeitura tenta sim separar o joio do trigo, pois como disse houveram grafitis que não foram apagados. E limparam aqueles que poluem a visão, que não passam de pichações sem sentido. Nesse quesito, aprovo o que o prefeito fez.


Mas claro que a turma de pichadores, já revoltados por natureza, ficou puta com isso. E se aliaram à turminha da esquerda (aqueles que por ventura ainda não fossem), ainda zangados com o resultado democrático da eleição em que o candidato à reeleição da estrelinha sequer foi pro segundo turno. Começou então a onda de protestos, muitos nas redes sociais onde existe a segurança de se estar atrás de uma tela de computador, e alguns levando isso para as próprias ruas, pichando os muros recém pintados.


Bom, deixa eu falar aqui... Volto à questão de diferenciarmos o que é lícito do ilícito. Independente do assunto, essa tem que ser a temática para a gente avaliar certas coisas que são feitas na sociedade. Se é lícito, tudo bem; se é ilícito, tem que ser combatido sim.

Pois muito bem, meu amiguinho pichador que deve estar querendo a minha cabeça. Vamos por partes então, para que eu possa expressar meu ponto de vista. Vamos pegar um muro qualquer da cidade. 


Esse muro não está ali do nada. Esse muro aí tem dono. Pode ser de propriedade do morador de uma casa que ele circunda; pode fazer parte das instalações de uma escola ou igreja; talvez seja um muro construído pelo dono do terreno apenas para que não fiquem olhando pra sua propriedade. Ou seja, esse muro é de alguém.

Mesmo que ele tenha sido erguido pela prefeitura, ele tem dono. No caso, é por exemplo a prefeitura. As coisas públicas, embora sejam usufruídas por todos, são de responsabilidade do governo, seja municipal, estadual ou federal. Como acontece nas ruas, por exemplo: se acontece alguma coisa na rua, a responsabilidade é da prefeitura, certo?

Sendo então que esse muro é de propriedade de alguém, ninguém tem o direito de fazer nada nele, sem a aprovação do seu dono. Afinal, se o muro é de responsabilidade do fulano, esse fulano é quem vai ter que limpar o muro quando estiver sujo, consertar o muro se estiver quebrado, e assim por diante. Mesmo as coisas ditas públicas, que ainda merecem um certo zelo por parte do cidadão, até porque a limpeza e o conserto vão sair dos cofres públicos, que enchem graças aos nossos impostos.


Vamos agora colocar na equação a figura do "artista" de rua. Coloco entre aspas pois no momento é uma pessoa qualquer, que não sabemos de suas verdadeiras intenções, se são lícitas (onde aí ele será sim um artista de rua, sem aspas) ou ilícitas (em que temos na verdade um vândalo que se diz "artista"). 

Se o cara estiver agindo dentro da lei, ele vai se dar conta que aquele muro cinzento, por mais feio que possa ser, não é dele, e assim ele não tem o direito de fazer nada, mesmo que seja uma reprodução da Mona Lisa ou outra obra de arte. Uma pessoa assim sabe que não se pode sair chegando pintando por cima de propriedade alheia. Mas aí rola uma coisa simples que é a comunicação: ele pode ir lá, falar com o proprietário do tal muro, explicar que ele gostaria de fazer um grafiti ali pra dar uma embelezada no muro, fazer algo artístico. Se o dono recusar, paciência. Está no seu direito. Mas, se ele topar e estiver de acordo com o tipo de arte que será feita, então tá tranquilo. Todos ficam felizes, ninguém vai estar abusando ou prejudicando a propriedade dos outros.

Reforçando mais uma vez que a arte a ser executada deve ser aprovada pelo proprietário, ele precisa estar de acordo com o que será exposto ali. Imagina só um judeu autorizar uma arte no muro e o cara faz ali um mural pró-nazista? De novo, tem que haver o diálogo para que ambas as partes fiquem na boa.

Essa pra mim é a atitude correta que um grafiteiro deveria ter. Inclusive vale para espaços tidos como públicos, vai lá conversar com a prefeitura, propõe ali a arte que você quer fazer, e tendo a aprovação todos ficarão satisfeitos. Bobeando a própria prefeitura vai colaborar de alguma forma, por exemplo com tinta. 


Mas casos assim são raros. Infelizmente pelo fato de que a grande maioria desses pichadores quer fazer as coisas de forma ilícita. Podem falar o que for, mas é o que penso. Principalmente se você observa que a grande maioria dessas pichações não tem nada de artístico, como o painel do Boulevard Olímpico aqui do Rio. Na grande maioria das vezes, como falei, é apenas um garrancho "estilizado", com algum nome escroto, ou apenas um assinatura mesmo. Normalmente acompanhado com aquele papo escroto de "liberdade de expressão".

Isso quando não se trata de uma pichação de cunho político...


Aliás, eu deixo até a seguinte pergunta para os defensores do "pixe", que acham certo algo como o que está na foto acima. E se a pichação for como essa daqui de baixo?


Vocês defendem essa pichação também? Liberdade de expressão vale pra essa também?

Aposto que a turminha que está xingando o Dória adoraria que ele passasse uma tinta cinza por cima...


Sobre essa questão de "liberdade de expressão", eu acho que as pessoas exageram. Todo mundo tem liberdade de expressão, desde que isso não interfira nos outros. Em outras palavras, o cara é livre pra expressar seus dotes artísticos, desde que não invada a propriedade de outra pessoa, desde que não venha a expressá-la em algo que não é seu. Como disse acima, há meios pro cara fazer a sua arte de forma legal, com a autorização do proprietário do espaço, seja ele uma pessoa física ou mesmo a prefeitura. Não tem motivos pra ter que fazer isso de forma ilegal.

Mas, como falei, os grafiteiros e pichadores em sua maioria parecem achar que sua "arte" só é válida se for feita dessa forma ilícita. São aquelas baboseiras que plantam na cabeça, quase como se fosse um pré-requisito pra fazer grafiti, que precisa ser feito de forma errada. Parece ser o prazer em sujar aquilo que está limpinho, em deixar a sua marca sem ter que pedir autorização para ninguém.


Isso pra mim não é arte, é vandalismo.

E tem muito pichador que é hipócrita pra cacete. Vi outro dia um vídeo extraído do programa Profissão Repórter, em que a menina entrevista um desses artistas. Dá uma olhada.


Eu não sei o que é mais absurdo. Se é na hora em que a entrevistadora propõe conversar com a dona do muro, que segundo o sujeito o autorizou a pichar ali, e ele fica todo abafado, dizendo que vai colocar ele em "maus lençóis", "de repente ela pode não gostar" e "pode complicar"... Ou se quando ela chega na casa dele, com os muros limpinhos e sem nenhum pingo de tinta, e ao ser perguntado onde está a pichação ele responde que "não pode", que "aqui é o lar, não pode ter nenhuma"...


Que cara de pau! E o lar dos outros, seu desgramado? No muro dos outros pode?

Pra finalizar, não posso deixar de tentar dar um nó a mais na cabeça dos esquerdotários amantes do Lula e dos politicamente corretos que adoram defender causas estúpidas dessas, travestidas de arte e liberdade de expressão. E não vou dar um nó só não, vou dar dois.

Pra começar, já que o pessoal aqui acha o Dória um filho da puta, que não respeita a "arte das ruas", gostaria que eles comentassem a respeito dessa notícia, que tem mais ou menos um ano, dessa forma retratando um fato ocorrido durante o governo do "super-prefeito" Fernando Haddad. Coloco abaixo alguns trechos da reportagem.

"Não é de hoje que as outrora horrendas pilastras do Elevado Presidente Costa e Silva, o Minhocão, ganharam cores e formas. Obras de grafiteiros desta São Paulo que há muito se consagra capital mundial da arte de rua passaram a ser vistas no local. Até esta semana.
Conforme publicou a Folha de S.Paulo na edição desta quarta, a Prefeitura passou tinta cinza nos pilares do Minhocão, na altura da Rua Amaral Gurgel. (...) Como é do feitio desse tipo de arte contemporânea, sazonal e mutante, as pilastras apagadas recentemente já começaram a receber novas intervenções. Em uma delas, a cobrança é ao prefeito Fernando Haddad (PT): 'Mais cor na cidade! Haddad não apague nossa arte!', pede a obra. (...)"
Que coisa, não? Tenho certeza que tem muita gente que há menos de um ano aplaudiu a prefeitura por ter pintado os desenhos, e que hoje acha a mesma atitude um absurdo. Mas por quê? Por que Dória hoje é criticado por algo que vocês não falaram nada quando o Haddad fez a mesma coisa?

Pra fechar, esse próximo nó é para aqueles pseudo-intelectuais, que acham absurdo calar a "arte das ruas", que é necessário garantir o direito à liberdade de expressão, mesmo quando essa agride ou ofende o dono do espaço ou a sociedade. Afinal, são pessoas que acham lindo se expressar... O que elas dizem dessa pichação que volta e meia fazem aqui no Rio?


Ah, aí não pode, né? Aí vão dizer que tá errado. Afinal, pra essas pessoas pichar o monumento do Zumbi é vandalismo, mas pichar uma ponte, uma igreja ou a casa de uma pessoa é expressão artística...

Aliás, a imagem que abre o post pode ter gerado também alguma revolta, pois está ali um carinha fazendo uma pichação que é uma caricatura de um negro. Essa também deve ser um "pixe do mal" na cabeça desses mesmos intelectuais de esquerda que estão xingando o Dória. Aí ninguém lembra da liberdade de expressão...

Realmente... Essas pessoas são muito engraçadas, muito parciais. Digo e repito, para esses imbecis o que torna um ato certo ou errado não é o ato em si, mas quem pratica ou contra quem é praticado. Se o Dória ou outro político não-petista faz alguma coisa, não importa o quanto seja boa, ele será crucificado; se o Haddad ou outro político de esquerda faz algo errado ou criminoso, começa o "veja bem", o "não é bem assim", o "rouba mas faz"... Se algo é feito e de alguma forma possa ser invasivo ou ofensivo contra negros, mulheres, homossexuais ou outra minoria, é visto como algo inaceitável, criminoso, merece punição; mas se faz a mesma coisa contra outro qualquer, aí não tem problema...

Esse mundo tá difícil de aturar, isso eu digo...

Nenhum comentário: