quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Sim à meritocracia


Recentemente vi aqui um colega meu compartilhando nas redes sociais um texto que me chamou a atenção. Tudo bem que eu, ao abrir o link referenciado por esse meu colega, já poderia imaginar o tom do texto, vendo que ele veio de um site extremamente "imparcial" como o Pragmatismo Político. Para quem não conhece, é mais um dos blogs de esquerda, que muito provavelmente devia receber algum cascalho do governo do PT, que gosta de criar aqueles textos de lavagem cerebral para a massa petista facilmente alienada. Confesso que apesar de não gostar de aumentar o contador de visitas desse e de outros sites do gênero, às vezes me rendo a tais sites, pois servem realmente como aprendizado, sobre como a mídia de esquerda tem algumas idéias absurdas que me fazem questionar se a estupidez humana tem limites.

E também serve para dar algumas gargalhadas. Tem algumas coisas que essa turminha fica dizendo que é mais engraçado do que as piadas do Costinha.


De qualquer modo, achei interessante o assunto, e ainda mais interessante (e também extremamente estúpido) como que a esquerda enxerga com tão maus olhos a tal da meritocracia. Tomei a liberdade de reproduzir aqui o texto, que foi escrito por sua vez por uma juíza de Direito chamada Fernanda Orsomarzo. Ela a princípio não tem ligação com o site, mas sua postagem foi reproduzida lá.

Ralei duro para ser Juíza de Direito. Cheguei a estudar 12 horas por dia em busca da concretização do tão almejado sonho. Abdiquei de festas, passei feriados em frente aos livros, perdi momentos únicos em família. Sim, o esforço pessoal contou. Mas dizer que isso é mérito meu soa, no mínimo, hipócrita.
Em primeiro lugar, nasci branca. Faço parte de uma típica família de classe média. Estudei em escola particular, frequentei cursos de inglês e informática, tive acesso a filmes e livros. Contei com pais presentes e preocupados com a minha formação. Jamais me faltou café da manhã, almoço e jantar. Nunca me preocupei com merenda ou material escolar.
Todos têm suas lutas e histórias de vida. Todos enfrentam dificuldades e desafios. Porém, enquanto para alguns esses entraves não passam de meras pedras no caminho, para outros a vida em si é uma pedra no caminho. Meu esforço individual contou, mas eu nada seria sem as inúmeras oportunidades proporcionadas pelo fato de ter nascido – repito – branca e no seio de uma família de classe média minimamente estruturada.
O mérito não é meu. Na linha da corrida em busca do sucesso e realização, eu saí na frente desde que nasci. Não é justo, não é honesto exigir que um garoto que sequer tem professores pagos pelo Estado entre nessa competição em iguais condições. Nunca, jamais estivemos em iguais condições.
O discurso embasado na meritocracia desresponsabiliza o Estado e joga nos ombros do indivíduo todo o peso de sua omissão e da falta de políticas públicas. A meritocracia naturaliza a pobreza, encara com normalidade a desigualdade social e produz esquecimento – quem defende essa falácia não se recorda que contou com inúmeros auxílios para chegar onde chegou.
Bom, eu nem sei por onde começo...

Acho que vou começar dizendo que eu, ao contrário da autora desse texto, sou sim a favor da meritocracia. Trata-se de uma, digamos, política que se aplica perfeitamente em diversas situações em nossa vida. Segundo a descrição formal, a meritocracia corresponde a um sistema ou modelo onde o indivíduo é classificado ou premiado baseado em seu mérito próprio. Diria até que a meritocracia pode, com algumas ressalvas, ser aplicada de certa forma não apenas à pessoas, mas mesmo para situações e coisas. Depois explico, se eu me lembrar.

Enfim... Acontece que a meritocracia é algo extremamente repulsivo na cabeça da turma da esquerda. Ela é vista como algo que incentiva a segregação, a desigualdade. E usam como justificativa do seu discurso algo na linha do que foi escrito por essa juíza: em um processo meritocrático, é visto como injusto que uma pessoa seja melhor classificada do que outra, se essa outra não teve as mesmas condições. Aí, logicamente, aproveitam para alfinetar "a zelite" e condenar o preconceito contra pobres, negros e por aí vai. Ou seja, para incentivar a luta de classes, o discurso de ódio do negro contra o branco, do pobre contra o rico, do proletariado contra a burguesia...


Mas eu acho muito engraçado esse tipo de comentário... Vamos trazer o discurso para algo mais mundano, do dia-a-dia do brasileiro. Vou pegar um exemplo bem legal, que é a Copa do Brasil, competição com mata-mata que coloca grandes clubes contra times de todos os tamanhos. Para não demonstrar nenhum tipo de influência da rivalidade futebolística carioca e para poupar os flamenguistas de mais uma piada, vamos imaginar um jogo que seja entre o Santos de São Paulo e o ASA de Arapiraca, lá de Alagoas, e os dois vão disputar uma partida classificatória.

Mesmo aqueles que não sejam profundos conhecedores de futebol devem já perceber que estamos comparando dois times com realidades bem distintas, um confronto no estilo de Davi contra Golias. De um lado, um clube renomado, que revelou nada menos do que o Pelé, que coleciona três Libertadores, vários títulos brasileiros e estaduais, detentor de uma mega estrutura para treinamento e uma comissão técnica respeitável. Do outro lado, um clube modesto, com um estádio pequeno, alguns títulos regionais de um estado sem tradição no cenário nacional, e jogadores desconhecidos e que devem até ter um segundo emprego para garantir a sua sobrevivência.


Sei lá, apenas um comentário paralelo... Acho que o clube alagoano foi um pouco infeliz em inventar um mascote que parece ter fugido de um grupo do Klu-Klux-Klan. Continuemos...

Aí, quando temos um jogo entre os dois clubes e o Santos goleia de sete a zero... Não aparece nenhum petista aqui dizendo que é injusto pois os times têm condições desiguais. Ninguém vai dizer que não foi mérito do Santos ter ganho, ninguém vai dizer que é injusto que o time de Alagoas não tenha uma estrutura similar. E, mesmo com condições distintas, há sim a possibilidade de que o ASA de Arapiraca surpreenda, e também por seu mérito próprio consiga vencer o time santista. Afinal, mesmo com todo seu histórico e força futebolística, se os santistas não levarem a sério podem até mesmo perder a partida e passar um vexame.

Aliás, usei a Copa do Brasil como exemplo pois ela tem em seu histórico vários exemplos de partidas desse tipo, onde o time mais fraco e de menor investimento surpreendeu e venceu o time mais renomado e forte, que antes mesmo do apito inicial já era visto como o vencedor. O Flamengo de 2004 que o diga...


Não podia ficar sem uma piadinha sobre o Framengo, é mais forte do que eu.

Bom, voltando então ao foco da questão. Eu não discuto que não existam desigualdades, elas de fato existem. Mas eu acho que não é pelo fato de que existam tais diferenças que a meritocracia seja algo ruim. Na minha cabeça, um processo meritocrático, quando realizado de forma correta, é um processo justo, onde os indivíduos são avaliados de forma igual, são submetidos às mesmas condições e são classificados segundo um critério de comum conhecimento, preferencialmente um que seja discreto (como, por exemplo, as notas de uma prova). Há algo de injusto em um processo assim? 

Vamos tomar um exemplo na linha mais acadêmica, como o usado pela autora do texto. Seria o caso, por exemplo, de um vestibular. É um processo seletivo onde todos têm o mesmo direito de participar, sob as mesmas condições, com uma quantidade de vagas definida e de conhecimento de todo mundo. Chega ali, a prova é no mesmo dia para todos, com a mesma duração. E, logicamente, a prova é exatamente a mesma. Terminada a prova, a correção é feita de forma igual para todos, os alunos sequer são identificados, e caso a prova seja de múltipla escolha, mais fácil ainda, pois basta comparar com o gabarito. Cada questão tem a sua pontuação, que também é de conhecimento de todos os candidatos, e somando os acertos temos uma nota para cada candidato. Aí, meu amigo, é a matemática mais elementar, onde as notas são classificadas em ordem decrescente, e são selecionados aqueles que ficam com as vagas.


Simples assim. Pergunto: o que há de errado nisso?

Acontece que os esquerdopatas chegam nesse momento e começam então a questionar que na prática os candidatos não estão competindo em condições iguais. Dizem que o indivíduo negro, pobre, morador da Baixada e aluno de escola pública está menos preparado do que o sujeito branco, de classe média, morador da Zona Sul e aluno de escola particular. Na cabeça deles, isso invalida o processo de um vestibular, ou qualquer outro processo meritocrático. Ditam então que é necessário algo para tornar a disputa mais justa (entenda-se, favorecer um dos lados). E com isso, nascem idéias assistencialistas e retrógradas como a política de cotas nas universidades.

Mais uma vez, eu não estou negando a existência de desigualdades na preparação das pessoas. Mas eu entendo que tais desigualdades não são responsabilidade do indivíduo que está em melhor capacitado para competir. Não é culpa dele. Da mesma forma que não é culpa do Santos se o ASA de Arapiraca não tem estrutura de treinamento ou jogadores de qualidade. Tampouco é na minha opinião culpa do processo meritocrático, que apresenta regras isentas e imparciais. Da mesma forma que o regulamento de um torneio de futebol como a Copa do Brasil, que diz que o time que fizer mais gols nos dois jogos ganha a partida. 

Eu achei muito curioso o último parágrafo da autora. Começo em especial com o "quem defende essa falácia não se recorda que contou com inúmeros auxílios para chegar onde chegou." que ela diz, certamente apontando o dedo para cruéis burgueses como eu. Eu discordo totalmente, minha cara. Pois defender um sistema meritocrático não significa que eu venha a ignorar os eventuais auxílios que eu possa (mas não necessariamente) ter recebido. Pois a meritocracia não é um processo que exclui automaticamente aqueles que não tiveram auxílio. E mesmo com auxílios, apenas eles não bastam, necessariamente não quer dizer que a pessoa dotada de melhores condições venha a alcançar uma classificação maior. Eu vejo também como o mérito saber aproveitar as oportunidades que temos, algo que muitos não fazem.

Diria até para a autora algo mais, pois ela mesma destaca que não é apenas o fato dela ser branca e ter nascido em uma família de condições razoáveis que ela consegui se formar. Ela mesma diz "Abdiquei de festas, passei feriados em frente aos livros, perdi momentos únicos em família. Sim, o esforço pessoal contou." em seu texto. Assim, eu discordo que dizer que formar-se foi um mérito dela seja uma hipocrisia, pois houve sim esforço de parte dela, houve dedicação pessoal. Dizer isso não significa ignorar os auxílios que ela teve, pois torno a dizer que ter tais auxílios não garante nada por si só. Claro que tem muita gente besta por aí, não duvido que existam pessoas que recebem todo um apoio e na hora que conquista algo enxergam que elas fizeram isso sozinhas. Mas, dizer que foi por seu mérito não significa necessariamente que se ignora tudo aquilo e todos aqueles que ajudaram nessa conquista. 


Na boa, é o tipo de pensamento oito e oitenta muito comum dos petistas... 

Eu falo por experiência própria. Eu estudei em escola particular, pois meus pais tiveram condições de me dar essa educação. Algo que foi uma escolha deles, e que foi possível graças ao mérito deles também, devido ao seu esforço e seus sacrifícios. Mas mesmo assim, eu não tive o auxílio que muitos de meus colegas tinham. Por exemplo, na época de vestibular esses meus colegas faziam cursinho, tinham professor particular, tutor, tudo que tinham direito. Quanto a mim, eram apenas as aulas da escola e passar as minhas tardes e fins de semana estudando por conta própria. Não podia nem mesmo contar com a ajuda de meus pais nos estudos, pois meu pai tinha que trabalhar e minha mãe cuidar da casa. Se formos pensar neste pequeno universo da minha classe, eu estava ali em condição de desvantagem perante os meus colegas de turma, dotados de mais recursos.

Mas, mesmo assim, dentro das condições que eu tinha, fiz tudo para aproveitá-las o máximo possível, algo que não acontece sozinho, pois para aproveitar tais oportunidades não é só estalar os dedos e pronto, demanda sim de esforço. Para muitos, estar cursando uma escola particular seria considerado uma vantagem automática que eu teria se comparado com alunos de escola pública. Só que esse é o tipo pensamento de esquerda, que não tem nada a ver. Não adianta nada ter as condições mais favoráveis se você não as aproveita da melhor forma possível. O aluno ser de escola particular não quer dizer que ele vai automaticamente passar no vestibular, tampouco o fato do aluno ser de escola pública dita que ele automaticamente será reprovado. Volto às minhas lembranças de tempo de colégio: haviam colegas em minha turma que tinham ali boas condições como citei acima, melhores do que eu. Mas que cagavam pra isso, não levavam a sério os estudos. No terceiro ano do segundo grau, estavam mais preocupados em curtir a balada do que estudar, e desprezavam esse auxílio e essas boas condições que eles tinham para entrar em uma boa universidade...

Chegou então a época do vestibular. E mesmo no vestibular existem certos gastos, mesmo em universidades públicas tem lá a taxa de inscrição que você precisa pagar. Enquanto os pais dos meus colegas pagaram a inscrição em mais de dez vestibulares (para garantir), eu concentrei esforços em três universidades públicas, por serem as mais conceituadas. Não tinha condições de me dar ao luxo de fazer vários vestibulares, assim minhas chances de entrar numa universidade eram estatisticamente menores que meus colegas. Mais uma vez, estava em desvantagem, focando na minha turma.


Aí, meu amigo... Passado todo o processo de vestibulares, vi colegas que tentaram para dez universidades e passaram só em uma ou duas, das mais fraquinhas. Enquanto este texugo que aqui vos fala... bem, este texugo passou nos três vestibulares que tentou. 

E sim, foi meu mérito, mesmo estando em condições inferiores aos meus colegas de colégio. Graças sim ao meu esforço, à minha dedicação, mesmo não tendo à disposição todos os recursos que eles tiveram. E sem em nenhum momento me esquecer daqueles que me ajudaram no processo, que foram sim importantes para essa conquista. Foi um mérito também de meus pais, que lutaram para me dar as melhores condições que eles podiam me dar para que pudesse entrar em uma universidade.

Acontece que isso na cabeça da pessoa de esquerda é injusto. 

Agora, eu acho curioso como que para eles é injusto que uma pessoa em melhores condições participe e passe em um mesmo processo seletivo que outra pessoa que participou mas em condições piores, mas é perfeitamente justo que uma pessoa tenha a sua aprovação em um processo facilitada pelo simples fato dela ter a pele de uma cor... Errado é o auxílio se dar na forma de melhores condições da família para pagar uma escola particular; mas não tem nada demais se esse auxílio ocorrer como uma política que favorece parte dos candidatos pelo simples fato de serem negros...


Claro, depois o preconceituoso sou eu... Sei...

Vou pegar outra frase da autora e comentar. Ela diz "O discurso embasado na meritocracia desresponsabiliza o Estado e joga nos ombros do indivíduo todo o peso de sua omissão e da falta de políticas públicas." no final de seu texto. Aqui, eu concordo em parte com ela. Pois, falando no caso particular da educação, o grande responsável por essa desigualdade em termos de preparação é o Estado, são os governos. Todo mundo sabe que as escolas públicas se encontram em condições precárias, sem infra-estrutura, sem professores, sem aulas. Em um cenário como esse, a parcela de população que depende dessas escolas realmente fica em desvantagem quando for disputar um vestibular. Vou até mais além: sem essas condições no ensino básico, estamos formando pessoas que não estão sendo devidamente preparadas para a vida, para serem cidadãos. 

Acontece que para os governantes não interessa resolver o problema da educação. Primeiro, porque para os políticos é muito mais fácil controlar e subjugar uma população que não tenha uma boa formação. A pessoa educada pensa, raciocina, questiona, contesta. E esse é o tipo de pessoa que os políticos não querem. Muito mais fácil se for um povo sem educação que é facilmente enganado e alienado. Segundo, resolver a educação dá trabalho e custa caro. Leva muito tempo também, mais do que o ciclo eleitoral, corre-se o risco de inaugurar uma escola e ser o seu adversário político quem vai inaugurar, e ninguém quer isso. E, gastando com professores e escolas, assim sobra menos dinheiro pra propina, pra contratar os amigos, pras falcatruas dos governos corruptos, independente do partido.


Afinal... o PT esteve no governo por mais de uma década, e o que melhorou na educação? A criança que entrou na escola quando Lula subiu ao poder conseguiu ter uma educação pública de melhor qualidade? É só ver o recente resultado do Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico, saiu hoje o resultado do ano de 2015 (ou seja, ainda no governo Dilma) com a nota de 3,7 em uma escala que vai até 10. Brasil, pátria educadora...

Enfim... Mas discordo dela ao dizer que é a meritocracia que tira essa responsabilidade do Estado. Isso não tem pé nem cabeça. É só voltar lá em cima e ver o que eu escrevi como meritocracia. Não é pelo fato de que, por exemplo, um vestibular segue um processo meritocrático que os governos tiram o deles da reta. Isso ocorre porque eles são um bando de filhos das putas, porque eles não querem um povo educado e não querem gastar o dinheiro público com coisas para o povo. Não tem cabimento dizer que um mero sistema meritocrático seja responsável por isso. É desviar a atenção, dizer isso é sim transferir a responsabilidade da má gestão do ensino para um método isento e perfeitamente natural, que funciona. Afinal, temos tantos países onde os processos acadêmicos em todos os seus níveis seguem os preceitos da meritocracia, e mesmo assim a educação fundamental é de qualidade, as escolas públicas funcionam e são capazes de preparar bem os seus alunos. Sério, dizer que a meritocracia é culpada pela péssima qualidade das escolas públicas é uma estupidez sem tamanho.

Voltando ao exemplo do futebol... Seria como dizer que a regra que diz que o time que marcar mais gols é culpada pelo fato do ASA de Arapiraca ter piores condições do que o Santos. Não faz sentido...


Digo mais ainda, vamos supor só de sacanagem que isso fosse verdade. Que a meritocracia é a culpada pelo fato do ensino público ser uma merda. Mesmo com tantos exemplos no mundo, de nações onde a meritocracia é amplamente aplicada e mesmo assim a educação é exemplar. Mas, vamos fingir que seja isso. Então, me digam, defensores dos fracos e oprimidos, qual é a solução? É algo como política de cotas?

Na boa... Canso de dizer isso aqui, táticas assim assistencialistas em nada resolvem. Uma das piores coisas que inventaram foi essa maldita política de cotas. Isso sim é injusto na minha opinião, pois ao estabelecer que no mínimo 50% de vagas precisam ser destinadas a negros e pardos, você terá situações como um sujeito que tirou 6 passando no vestibular por ser negro e um que tirou 8 não passando por ser branco. Me explica como que isso ajuda a resolver o problema da educação fundamental? Como que dar uma ajuda pro negro entrar numa universidade resolve o problema de escolas públicas sem infra-estrutura, sem professores e sem aulas? 

A política de cotas, como tantas outras políticas "sociais" tão enaltecidas pelo PT, não resolvem o problema pela raiz, apenas dão aquela maquiada para deixar uma imagem mais bonita o mais rapidamente possível, sem apresentar uma solução bem estruturada e duradoura. É muito mais fácil dar uma canetada do que resolver o problema de forma definitiva. Como eu várias vezes disse aqui, ela é apenas uma solução rápida para agradar os "intelectuais" de esquerda e para conquistar uma parcela da sociedade negra, preferencialmente aquela em idade de cursar uma universidade (e de votar). Além de ser extremamente preconceituosa, afinal ela estabelece um favorecimento a parte da população apenas em função da cor da pele. E esses filósofos de esquerda ainda cismam em dizer que isso é igualdade racial, que é justiça social, quando na verdade só colabora para aumentar o preconceito e a segregação. Não é à toa que existem até negros que são contrários a essa política, pois são pessoas que enxergam a coerência e a justiça em um sistema onde todos são avaliados de forma igual, sem nenhum tipo de vantagem artificial. 


Sem falar que muita gente enxerga essa vantagem de forma acomodada. Evito sempre ao máximo os generalismos, diferente dos petistas "democráticos". Tenho a plena consciência de que, considerando um vestibular, existem negros que vão se classificar sem a necessidade de cotas, assim como vão existir negros que, recebendo esse auxílio, vão valorizar e muito essa oportunidade, se dedicando aos estudos. Mas, convenhamos que seria muita ingenuidade pensar que não deve ter negros que, sabendo que têm essa vantagem, que já saem na frente desde que nasceram só pelo fato de serem negros (usando aqui o mesmos termos da autora), que não vão se acomodar e não se esforçar muito para passar no vestibular. Apenas incentiva a postura preguiçosa típica do brasileiro, de contar sempre com um empurrão pra conseguir as coisas em vez de fazer pelo seu próprio esforço. Uma postura que enfatizo que não é exclusiva do negro, mas sim uma característica do brasileiro em geral, sempre querendo levar vantagem e fazer o mínimo de esforço.

Há quem possa dizer que as cotas servem como o auxílio para buscar o equilíbrio, para acabar com as desigualdades. Trazem as mais diversas teorias, tentam justificar com contabilidades criativas que as cotas são corretas e estão ajudando. Mas, novamente, repito que tal política é no final algo preconceituoso, pois olha somente para os negros, lhes dá uma vantagem. Afinal, pense comigo: será que todos os negros são pobres e não têm condições de ir para uma escola particular? Será que todos os brancos são de classe média ou alta e podem cursar escola particular? O negro que nasceu em uma família de recursos e já largava na frente vai ter mais uma ajuda com tal política, enquanto que o branco de família pobre não terá nenhum tipo de apoio. Isso por acaso é igualdade?


No final das contas, temos é que reescrever a frase da juíza, dizendo que a política de cotas desresponsabiliza o Estado e joga nos ombros do indivíduo branco todo o peso de sua omissão e da falta de políticas públicas. 

O mais engraçado é que essas pessoas ficam criticando a meritocracia... mas se esquecem de que ela faz parte de suas vidas. Como eu comecei lá em cima, trata-se de um conceito mais amplo, que vai além de um vestibular, pode ser aplicado até mesmo em situações onde não há necessariamente uma competição, uma classificação. Não há nada de errado em conseguir as coisas por mérito. Lembrando que esse mérito não está associado somente ao próprio esforço, como a autora do texto critica, mas também em saber aproveitar as oportunidades que tem. E existem vários exemplos em nossa vida em que isso acontece.

Por exemplo, vamos imaginar a seguinte situação: existe um determinado evento que você deseja assistir, pode ser uma partida de futebol, um show de música ou peça de teatro. Consideremos que seja um evento de alta procura, muitas pessoas querem assistir também, o que torna então sua missão de conseguir um ingresso mais difícil. Aí, mesmo considerando que estamos em uma época onde tudo se faz online, vamos imaginar que os ingressos para tal evento serão vendidos fisicamente nas bilheterias do local, e existem, vamos supor, 100 ingressos disponíveis. Ou seja, os 100 primeiros na fila da bilheteria vão poder assistir a tal evento, os demais ficam de fora.

Você quer muito ir nesse evento, então você toma a decisão que é a seguinte: você então vai lá na bilheteria bem cedo, pra garantir o seu ingresso. Abre mão, por exemplo, de passar um dia na praia ou de sair com os amigos para não perder a oportunidade de ver esse show. E esse esforço acaba então sendo recompensado, pois você chega lá é não tem quase ninguém ainda, assegurando assim o seu ingresso.


A não ser que o filho da mãe na sua frente seja um cambista que compre todos os ingressos pra revender, como aconteceu certa vez com o Homer.

Sob uma certa ótica, trata-se de um exemplo de meritocracia: você conseguiu o seu objetivo (comprar o ingresso) graças ao seu mérito e esforço próprio (chegar mais cedo na fila). E nessa situação, se você conseguir o seu ingresso, vai aparecer alguém dizendo que foi injusto? Alguém vai vir dizendo que foi sacanagem, por que você teve a condição de chegar cedo e outras pessoas não podiam se dar ao mesmo luxo?

Tudo bem que meu exemplo é de algo bem simplório, mas minha idéia com ele é mostrar como que em nossa vida há diversos momentos onde buscamos algo e fazemos um determinado esforço para conseguir, seja com a ajuda de terceiros ou não. Conseguindo, não deixa de ser o seu mérito sim que permitiu essa conquista. Excluindo situações que sejam predominantemente influenciadas pelo acaso e pela sorte. Como ganhar na loteria, não há como seu esforço e sua dedicação ajudar muito aqui... Embora logicamente temos que afirmar que a pessoa jamais vai ganhar se ela não teve ali a iniciativa de apostar, podemos até dizer que ela teve um certo mérito de escolher os números que foram sorteados, mas enfim...

Eu concluo aqui dizendo que desprezar a meritocracia é uma grande hipocrisia. Não apenas pelo fato dela estar mais presente em nosso dia-a-dia do que os esquerdopatas gostariam, mas também porque todo mundo alguma vez na vida usufruiu da meritocracia e não achou mau negócio. A autora, por exemplo, conseguiu entrar na faculdade graças sim ao seu mérito, pois ela precisou prestar um vestibular e só entrou na universidade pois sua classificação a colocou entre as X vagas que haviam na época, sem meritocracia ela não poderia começar o seu "textão" dizendo que é juíza; o seu time de futebol ter ganho um campeonato, permitindo que você vestisse orgulhoso a camisa de seu clube e zoasse os rivais, só foi possível graças ao mérito do seu time, um mérito construído não apenas pelo esforço não só dos jogadores, mas também do técnico e todo corpo pessoal do clube, assim como de sua estrutura; até mesmo você, lá na sua infância, em um determinado momento ganhou aquele tão desejado presente de aniversário ou Natal depois de terminar o ano com o boletim só com notas azuis, ganhando a sua recompensa devido ao seu mérito.

E poderia citar aqui vários outros exemplos, para comprovar que não tem nada demais na meritocracia, que todo mundo alguma vez na vida se beneficiou dela. Então, sejamos um pouquinho menos hipócritas e vamos admitir que meritocracia não tem nada a ver com injustiça?

6 comentários:

Anônimo disse...

O ponto a que quero chegar é que, quando há uma desproporção (estou falando de dados reais de pesquisas sobre negros e brancos com relação a rendas e cargos, entre outras coisas) o preconceito torna-se forte na parte que detêm maiores recursos.

Enfim, neste ano de 2016 comecei a pesquisar sobre o assunto e vi que o buraco é mais embaixo. Mesmo que não leve em conta dos dados reais (pesquisas a respeito de desigualdade com relação a raça), ainda se levar o senso comum ou pesquisar pessoalmente para negros e brancos quem sofre maior preconceito a balança vai pesar sempre para o lado dos negros. Já esta coisas de falar negro, preto, pardo também nunca entendi por conta das várias opções que tive em provas ou pesquisas respondidas pelo governo. Algumas com preto, outras com negro, outras com afrodescendente. Seria justificável como me falaram pro uma ser raça e outra cor... Porém, brancos permaneciam brancos dando a entender que havia alguma incerteza quanto ao modo de tratar, pois implicitamente não havia nenhuma questão ligada a objetividade de tais mudanças.

A explicação do Prof. Mestre em psicologia foi que, o racismo no Brasil é velado e a questão racial vai além dos estigmas históricos. Um branco é privilegiado (e este professor exemplificou que acontecia de escolherem brancos pela cor) em vários momentos da vida. Assim perdi oportunidades. Bom, não aderi as cotas pela questão de serem mau explicadas (em termos de objetivos e fundamentos) e também por conta de o governo não trabalhar com outras questões envolvidas na educação relacionadas ao preconceito, seja ele contra góticos, negos, gays etc.

No final fica uma ferida grande pois o que se dá a entender e que estamos tirando oportunidades dos brancos. Nada é explicado a fundo e as pessoas começas a justificar com base em achismo. Ferida de ambos os lados, por falta de informação.

Venho aqui sugerir que pesquise mais sobre o assunto e busque relatos a respeito. Gostaria de outro tópico a respeito, não tenho que discordar de sua opinião, pois se trata de uma opinião, mas gostaria que fosse mais e fundo para buscar fundamentos que vão além de uma pessoa com título de Juiz ou seja lá qual for. Busque referências científicas, pesquisas, especialmente na área social, de comportamentos humanos para sabermos como as coisas realmente funcionam.

Anônimo disse...

Olá caro amigo texugo, não sou petista nem acredito que tenha algum político digno de meu voto e não vou entrar com mais detalhes nesta questão. Eu também nunca respondi ou escrevi um texto sobre algo ligado a questões raciais, esta é a primeira vez e vou tentar ser rápido. É certo que haverá erros de ortografia... Releve porquê não vou fazer revisão. Vejo que aqueles que se expões são criticados ou atacados de um lado e você já foi bastante a frente expondo seus pontos de vista a respeito de uma questão bastante delicada para se discutir.

Bom, tempos atrás eu era contra as cotas... Me dariam o título de suicida porque sou negro. A questão é que uma forma de preconceito dar mais direitos a um grupo específico, como se não fossem capazes como os demais.

Ano passo tivemos palestras e discussões a respeito. O professor em questão é um professor branco. De um lado ele, utilizando de seu conhecimento histórico e científico de psicologia para explicar a questão das cotas e do outra minha crítica.

Acontece que acabei mudando de ideia. Porquê? Não acho que justifique dizer que desde criança havia todas as formas de preconceito dentro de sala de aula e nos demais ambientes, e isso atrapalhou MUITO minha vida e a de outros alunos. Moramos numa cidade onde a maioria é de origem pomerana, mas viemos primeiro e, quando em minoria, acabamos por ser esmagados sem sequer lutar.
E eu achava que isto tinha ficado no passado, mas não em um passado tão distante quanto foi a época de escravidão a meu ver, e sim a uns 20 anos. Achava que as coisas tinham mudado e que essa ideia se manteria se não fosse toda semana ter algum ato de racismo contra a minha pessoa (tipo macaco e umas piadas específicas além de privilégios para brancos em determinados órgãos).

Texugo disse...

Anônimo, eu entendo todos os pontos que você comentou. E em nenhum momento eu estou desprezando uma herança histórica devido ao passado escravocrata ou mesmo em relação ao preconceito, que existe sim. Conheço várias pessoas brancas que são racistas contra os negros.

A minha visão aqui sobre esse assunto de preconceito racial é que, embora exista sim uma situação desfavorável para os negros, eu não vejo como correto combater esse tipo de situação com atitudes que são ao meu ver tão preconceituosas quanto. A política de cotas traz uma visão discriminatória, onde os candidatos são classificados pela cor de sua pele.

No significado da palavra, isso é discriminação racial sim. Favorecer um branco a ganhar uma vaga de emprego pelo fato dele ser branco é tão preconceituoso como favorecer um negro a entrar na faculdade por ser negro. Esse é o meu ponto. Por que está tudo bem quando uma determinada atitude, como a política de cotas, favorece o desprivilegiado?

Eu sei que tal pensamento é mal visto pelas pessoas. Muita gente discute comigo pelo fato de eu ser contra políticas que favoreçam os menos afortunados. A questão não é que eu seja contra, desde que tal políticas não prejudiquem outras partes.

E torno a levantar a seguinte questão: será que todo branco é mesmo despriveligiado? E o branco que é pobre? Como fica pra ele entrar na universidade?

Em diversos momentos eu já discuti aqui sobre essa questão racial, você pode pesquisar em minhas postagens. Eu posso não ter aqui embasamento de pesquisas científicas, até porque vejo que certas pesquisas nessa área social acabam sendo muito tendenciosas: em nossa sociedade, é visto como inaceitável criticar as minorias menos favorecidas, se alguém criticar um negro por algum motivo qualquer, essa pessoa será vista como racista. Mas procuro embasar tudo o que eu escrevo em fatos e no que observo no dia-a-dia. Convido também que você compartilhe então referências e estudos para contribuir com a discussão...

Anônimo disse...

Este ano teremos bastante material a respeito de meritocracia e cotas. Este é um tema que estamos abordando mais profundamente.
Segundos dados disponíveis nos sites do governo sobre a comparação entre negros e brancos na faculdade, o número de negros tem crescido, contudo a maioria ainda é branca.
Os links abaixo fazem referências a sites de pesquisa do brasil.
http://www.valor.com.br/brasil/4342534/ibge-acesso-de-negros-universidade-cresce-maioria-ainda-e-branca
Negros representam 54% da população do brasil, contudo, com relação a estudo, renda e ocupação de cargos bem remunerados ou com importância como cargos políticos é sempre inferior para negros com relação a brancos.
http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/12/04/negros-representam-54-da-populacao-do-pais-mas-sao-so-17-dos-mais-ricos.htm
A questão que vamos estudar agora é que, a desigualdade de nível sociais (não só com relação a raças) pode favorecer o preconceito em vários âmbitos, mas principalmente social e racial. Torna-se encerraria então a aplicação e “políticas de equilíbrio”. Isto é o (em tese) se deveria fazer quando há uma diferença com relação a proporções e quando isso gera consequências negativas.
Como exemplos podemos citar o acesso em todos os níveis para pobres com relação aos ricos... Acesso à educação e saúde ou uma boa alimentação por exemplo.
O problema que levante, como já colocou em vários posts, é a mal aplicação de políticas por parte do governo com relação a fiscalização, estudos, gerência etc.
Posso comparar com o bolsa família e dizer que conheço várias pessoas que se inscrevem sem necessidade.
Em uma analogia, poderíamos dizer que seria como se duas pessoas fosse construir uma casa. Uma das, a pessoa “A” têm ferramentas e material e ainda um pedreiro para ajudar (relação de proporção, maioria com renda maior e alfabetizada), já a pessoa “B” além de não ter material e ferramentas ou alguém para ajudar (níveis inferiores), ainda têm alguém para atrapalhar (preconceito).
Muitas vezes, com relação a meritocracia, nega-se os números para buscar dentro dos grupos (desproporcionais) indivíduos em pé de igualdade para comprar. Deste modo é lógico que a meritocracia fica justificada, negando as proporções desfavoráveis.

Arne Krogdahl disse...

Concordo com você. Meritocracia SIM (bem capslockado, haha)
Todo mundo sabe o que tem que fazer pra subir na vida, vai acordar cedo, ralar, estudar, comer livro pra ver o que acontece.
A vida é dura pra quem é mole.

Eu mesmo tinha uma pancada de motivo pra desistir, barreiras biológicas, linguisticas, financeiras (porque eu não sou daqui, sou norueguês, pinguei aqui com 14 anos de idade), aos 27 ainda nem tinha ensino médio, nem grana pra pagar professor de português, aprendi com a galera do bairro em Fortaleza, além disso tem o albinismo e a poha da cegueira com a poha do nistagmo que dá uma tontura do carai. Sem falar do sol nordestino dae viemos pra Minas Gerais. Tive que ralar muito pra ajudar em casa. Ajudei cuidar de sítio, vendi brigadeiro nos pontos de ônibus, resolvi ensinar música pra pirralho,eu e minha irmã, e parei nisso, porque deu certo. Hoje to estudando Psicologia. Eu só não fiquei doido porque isso é uma frescura do cacete.

E ae, ninguém me perguntou, mas eu sou escandinavo, branco duas vezes, católico, machista no bom sentido e to procurando o privilégio até hoje, pior ainda na crise e com um filho de dez meses pra criar.

Tipo, quem quer mesmo fazer alguma coisa arranja um jeito, se vira. Quem não quer arranja desculpa.

Abraço!

Arne Krogdahl disse...

Agora, que o racismo no Brasil é foda, isso é.