quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O caso do professor da UFRJ

Recentemente a Revista Época fez uma reportagem falando a respeito de um professor do departamento de Física da UFRJ, Adlène Hicheur. Até aí, você pode se perguntar o que esse sujeito fez para ser foco de algumas páginas da revista, seria por algum feito científico, ou por alguma outra coisa relacionada à educação? Mas na verdade a grande motivação era falar a respeito de como esse professor, nascido na Argélia e naturalizado na França, tinha um passado obscuro, com envolvimento com grupos terroristas.


A revista teve acesso a diversas mensagens dele com uma outra pessoa em um fórum frequentado por jihadistas, falando a respeito de uma série de ações que poderiam ser feitas na França, a princípio relacionadas com a Al Qaeda. Suas mensagens estavam sendo monitoradas pelo governo francês, até o momento em que Adlène começou a citar ações como executar assassinatos. Foi o suficiente para a polícia prendê-lo. Ele ficou preso por alguns anos, após receber em 2012 liberdade condicional, e em seguida tentou em vão recuperar seu emprego naquele centro de pesquisas nucleares na Suíça, onde ele foi proibido de pisar por alguns anos, devido ao seu passado.

Aí é que então ele decidiu vir para o Brasil para trabalhar como pesquisador, com direito ainda a uma bolsa de pesquisa. Está hoje como professor convidado na UFRJ, com um salário de 11 mil reais. Até então ele estava na surdina, mas os olhos da Polícia Federal caíram sobre ele depois de tomarem conhecimento de uma reportagem da CNN em uma mesquita carioca, realizada logo depois do atentado àquele jornal satírico francês, onde um sujeito bradou apoio ao atentado e tirou a blusa, mostrando uma camiseta do Estado Islâmico. Coincidência ou não, o professor citado acima frequenta a mesma mesquita, e nesse momento é que as autoridades daqui descobriram que há anos Adlène já estava aqui, apesar de todo o seu envolvimento com aquelas mensagens incitando terrorismo. 


Bom... Como esperado começaram a surgir vários comentários a respeito do assunto. E como já era esperado, muita gente defendendo o professor de passado suspeito. Não precisei correr muito pela minha página do Facebook para ver muitos colegas prestando solidariedade a ele. Aparecem muitos que são alunos ou ex-alunos da UFRJ, condenando as denúncias contra um membro de seu corpo docente, além dos já costumeiros esquerdistas de plantão, dizendo que é perseguição, que é xenofobia contra muçulmano, dizendo que é coisa da Globo e por aí vai.

E aí vamos pra minha opinião...

Eu não vou entrar aqui no mérito pessoal desse caso... Já tem muita gente aí olhando sob esse ponto de vista, dizendo que ele é gente boa, que está sendo injustiçado e etc. Só comento sobre como é fascinante o corporativismo em nosso país... Não importa o que um de seus semelhantes possa ter feito, sempre há uma postura incondicional de defendê-lo. Penso como deve ter muita gente que sequer o conhece, mas que defende Adlène pelo fato dele fazer parte da UFRJ, ou pelo fato dele ser um professor de Física. Como se o fato de um sujeito compartilhar a mesma instituição de ensino ou área de pesquisa já fosse por definição um certificado de idoneidade. Não é por aí, em minha opinião...

Aí falam a respeito de sua capacidade técnica, de que é um excelente pesquisador, blá blá blá. Tudo bem, em nenhum momento aqui eu vi alguém dizendo que o cara não sabe nada. Pode ser um ótimo professor, pode ter um conhecimento ímpar. Mas isso não é atestado de caráter, não define que a pessoa seja automaticamente de bem. Conheço muita gente aí com PhD que não vale a merda que caga. Pergunto para essas pessoas que estão defendendo o sujeito, levanto uma questão aqui para os professores e alunos da UFRJ que o apóiam: o Fernando Henrique Cardoso tem também uma vasta formação, chegou a lecionar aulas em universidades de renome mundial como Stanford e Cambridge... E aí, por conta disso podemos dizer que ele é gente fina? Podemos dizer que ele é decente?


Pode apostar que essas pessoas vão xingar o FHC de tudo que tem direito, dizer que ele entregou o Brasil pros gringos, dizer que ele prejudicou os pobres, etc. Seu currículo acadêmico não faria nenhuma diferença, diferente da postura que esses petralhas estão tendo com o argelino...

Me desculpe... Mas não é por aí. Eu estudei em faculdade pública, sei muito bem como que é a posição política ali dentro, sei muito bem o que é a lavagem cerebral comunista que tentam fazer nos alunos, fui hostilizado por professores e colegas que me viam como parte da burguesia por não concordar com os ideais do PT, tinha vagabundo ali que em vez de dar aula declamava sobre as coisas boas da esquerda. Ainda mais na UFRJ, onde esse tipo de influência "vermelha" é bem visível, só não é mais incisiva neste caso particular pois ocorreu com um professor das Exatas, se tivesse sido com alguém das Humanas... Nada me faz acreditar que essas pessoas que estão agora focando na excelência técnica e conhecimento do professor Adlène iriam ter a mesma postura se fosse um outro professor, igual ou mais capacitado do que ele, mas que tivesse em seu passado algo contrário aos seus ideais.

Por exemplo... Se fosse um professor americano que no passado trabalhou na CIA, já iriam querer expulsá-lo, dizendo que ele estava ali para espionar.

Deixando um pouco de lado a questão política, o ponto principal que quero comentar é a respeito do seguinte: parece que só agora as autoridades daqui do Brasil se deram conta do histórico desse professor, precisou um maluco gritar numa mesquita e uma revista procurar por informações da polícia francesa para verem que Adlène esteve preso por associação com organizações terroristas. O sujeito foi recebido em nosso país, cruzou aqui a nossa fronteira, recebeu um visto de trabalho e está aqui de forma legalizada e sendo pago por uma instituição pública, sem que em nenhum momento fosse feita uma devida investigação de seus antecedentes...


Esse é o ponto que eu quero focar aqui. Não venho aqui discutir o caso particular do professor, pois sabemos muito bem que as instituições envolvidas estão cegas pelo corporativismo de defendê-lo com unhas e dentes. Minha preocupação maior aqui é como não há nenhum tipo de segurança para se entrar em nosso país. Em nenhum momento nenhum órgão envolvido (sejam as instituições de pesquisa daqui que deram a bolsa, seja a UFRJ, seja a Polícia Federal) viu que Adlène foi condenado e esteve preso, e não por qualquer coisa, foi por crime de terrorismo. Não estou dizendo que ele deveria necessariamente ser barrado de entrar no país, mas pelo menos é um tipo de informação de seu passado que as autoridades deveriam estar cientes e levarem em conta na hora de permití-lo ficar no Brasil ou não. E no mínimo deveria haver algum tipo de controle sob suas ações... Afinal, da mesma forma que ele pode ter se arrependido e cortado qualquer vínculo com os demais frequentadores daquele site... ele também pode estar mantendo contato com eles ainda...

É um reflexo de nosso país que não tem nenhum tipo de lei anti-terrorismo, deixando tudo aqui sendo feito nas coxas. Em um país sério, nunca uma pessoa que esteve envolvida com ações terroristas (mesmo que tenha sido só incitação e planejamento) entraria assim tão facilmente, muitas vezes sequer entraria. Afinal, não foi à toa que Adlène escolheu o Brasil... Por que ele não tentou ir para a Alemanha, para a Inglaterra, para os Estados Unidos? Se ele étão interessado na sua pesquisa científica, sem dúvida nesses países ele teria acesso a uma estrutura muito superior que a que temos aqui... Será que foi por que o Brasil é um país acolhedor, por que o brasileiro é receptivo? Que nada... Escolheu o Brasil porque é um dos lugares mais fáceis de se entrar do mundo, onde não tem nenhum tipo de lei contra o terrorismo.

E sabem por que o nosso ilustríssimo governo não se mexe pra colocar isso em prática? Para proteger um "movimento social" parceiro...


Na boa... MST é um movimento terrorista. Uma organização que faz uso da violência para invadir as terras dos outros pra mim está longe de ser um movimento social. Um grupo armado, que se precisar matar para cumprir os seus objetivos, o fará sem pensar duas vezes. E que é ainda recebido livremente no Palácio do Planalto, me chega o líder dessa corja e fala abertamente nos microfones coisas como "pegar em armas e ir para as ruas", sendo ainda aplaudido pela nossa presidente. Se colocam aqui uma lei anti-terror como deve ser, o MST será um dos primeiros a ser enquadrado nela. Mas sabemos bem que Dilminha e companhia jamais vão querer prejudicar os seus aliados... Só nesse país mesmo...

Me preocupa bastante ao ver que temos nesse ano um evento de grande criticidade, que são as Olimpíadas. Ao contrário da Copa do Mundo, que é muito mais espalhada pelo país e que não traz pra cá tanta gente do planeta, a competição Olímpica é de muito maior porte, com um volume de pessoas muito grande em um espaço relativamente concentrado. Imagina a quantidade de pessoas que vai estar entrando aqui no Rio de Janeiro... Se houver o mesmo tipo de cuidado que houve durante a entrada de Adlène aqui no país, é certo que vai entrar muita gente perigosa, sem nenhum tipo de controle.

Principalmente depois que a nossa presidenta sancionou um decreto que isenta de visto qualquer estrangeiro que queira entrar no país, próximo ao período dos jogos. Mesmo que o turista não tenha nenhum ingresso comprado. Literalmente, a porteira será aberta mesmo. Soma-se isso a falta de uma regulamentação anti-terrorismo e órgãos extremamente incompetentes, sem nenhum tipo de verificação sobre o histórico dos visitantes.


Tenho seriamente um medo grande do que pode acontecer por aqui... Digo de novo, as Olimpíadas são muito diferentes em relação à Copa do Mundo. A cidade do Rio de Janeiro vai ficar abarrotada de gente. Já em condições normais as autoridades não conseguem garantir a segurança, é só dar um domingo de sol e vemos bandos praticando arrastões nas praias. Imagina a cidade com milhões de pessoas do mundo todo! Sinceramente eu desejo muito que eu "morda a língua" e me provem que estou errado... Mas vendo como um estrangeiro condenado por envolvimento com terrorismo entrou aqui numa boa (e ainda estão passando a mão na cabeça dele, defendendo-o), não ficaria surpreso que outros entrem, ou mesmo já tenham entrado no país, aguardando o momento em que todos os olhos do mundo estarão voltados para os Jogos Olímpicos aqui, para praticarem algum ato terrorista...

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