sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

50 Tons de Cinza

Ultimamente não se fala de outro assunto: foi lançado recentemente o filme do tal livro "50 Tons de Cinza", que veio dando o que falar, a ponto de ter vendido mais do que obras como Senhor dos Anéis e a série Harry Potter, que também recentemente chegaram às telonas. Curiosamente ou não, perto da época que chegamos no Carnaval, outro exemplo de putaria desenfreada que eu canso de falar mal por essas bandas. A ansiedade da mulherada com a chegada do filme foi algo surpreendente, imagino que entre uma sessão e outra o pessoal dos cinemas vai ter que enxugar as cadeiras que devem ficar encharcadas...


E logicamente, diante de um assunto que está na boca do povo e que tem a sua polêmica, não poderia ficar de fora. Mas adianto que não li o livro e tampouco vi o filme, e não pretendo ler ou ver nenhum dos dois, a não ser que surja uma garota que queira ir junto comigo, algo que tenho a certeza que não corro nenhum risco que venha a acontecer. Tudo que soube do livro/filme vem de resenhas que li em revistas e na internet, e dessa forma tenho a certeza de que posso até não ser muito justo em alguns pontos. Mas o que eu vim aqui comentar é algo mais geral, mais associado ao comportamento feminino, que tem um pouco a ver com a história.

Resumindo (e obrigado ao Wikipedia por me ajudar nessa), tem-se a mocinha chamada Anastasia, que faz todo aquele papel de adolescente virgem e pura que acaba se apaixonando pelo ricaço do Sr. Grey, após uma entrevista para o jornalzinho da faculdade. Ele logicamente preenche todos os requisitos de galã de chick-flick, sendo bonitão, rico, poderoso e boa-pinta. Conversa vai, conversa vem, o Sr. Grey fica interessado nela, mas Anastasia se acha a bolacha feia do pacote, todas aquelas baboseiras, até que então ele consegue convencê-la a trepar com ele. Mas somente após assinar praticamente um contrato como aqueles que aparecem quando instalamos um programa no computador, blá blá blá, e ele então diz que nesse contrato é só para os dois treparem mesmo, nada de jantarzinho romântico e buquê de flores. E tinha ainda um contrato plus adicional onde ela seria praticamente sua escrava sexual para práticas de sado-masoquismo. Isso mesmo, de chicotada pra baixo. No princípio ela topa somente a primeira parte, e depois de trepar com ele várias vezes como um macaco no cio, ela cede à parte mais pesada, e aí então toda a situação começa a ficar estranha. Lógico que no meio da trama é feita toda uma romantização, onde Anastasia começa a gostar do Sr. Grey, que por sua vez tem essa conduta BDSM devido a certos traumas no passado (que provavelmente devem ter envolvido uma lata de Red Bull na bunda ou coisa parecida). Pelo que parece, no final ela acaba desistindo dessa pouca vergonha... Pelo menos até lançarem um outro livro, se é que já não o fizeram, onde vão render um pouco mais com a trama.

Em poucas palavras: um filme de putaria para mulheres... Principalmente para aquelas que não tiveram a paciência para ler centenas de páginas do livro.


Mais uma vez eu não vou entrar muito em detalhes a discutir sobre o filme em si, mas fica evidente que 50 Tons de Cinza gerou uma grande repercussão, em especial para as mulheres, logo após a série de nosso grande amigo Vampicha.

Na minha opinião, a história da estudante inocente que aprende a levar palmadas e a série do vampirinho fresco que come carne de veado e brilha na luz do Sol compartilham uma mesma visão exageradamente fantasiosa de como deve ser o relacionamento entre um casal, criando em várias mulheres uma expectativa completamente surreal sobre o tipo de parceiro ideal. Não vou entrar em muitos detalhes no caso do Vampicha, mas no caso do filme cinzento, não há como negar que o Sr. Grey representa mesmo o estereótipo de homem perfeito que é idealizado pelas mulheres, o cara que é poderoso, grande empresário que anda de helicóptero particular e que tem chofer, que esbanja riquezas com seus relógios caros e roupas de marca, e que logicamente é bonitão, de corpo bem definido sem sequer uma cicatriz de barbear na cara e zero por cento de gordura. Um epítome de homem, por assim dizer. Algo que não existe na realidade, ou pelo menos é bem raro.

Tudo bem que se trata de um filme (vou aqui falar sempre em filme, mesmo sabendo que na verdade ele foi baseado num livro, para o qual valem os mesmos comentários), e certamente num filme sempre temos os personagens representados de uma forma muito idealizada, quase como um conto de fadas. Por exemplo, aquele filme Uma Linda Mulher, você pode apostar que na realidade dificilmente os dois personagens principais seriam o Richard Gere e a Julia Roberts, pode apostar que seria algo mais na linha de um cara como o Dedé Santana e uma mulher como a Rita Cadillac... E se o filme tentasse seguir nessa linha de ser realista, dificilmente teria todo o sucesso. Então, entende-se que numa história assim, os heróis sejam sempre perfeitos.

Acontece que me surpreende muito como que tem muitas, mas muitas mulheres que estão se deixando influenciar totalmente por esse tipo de imagem. Eu aposto que se você abrir seu Facebook, vai encontrar pelo menos uma de suas amigas alucinadamente excitadas com o filme, querendo se apaixonar loucamente por alguém como o Sr. Grey. O relacionamento dos dois no filme se tornou sonho de consumo de muitas mulheres, indo desde as jovens adolescentes nos seus vinte e poucos anos até às solteironas de quarenta e muitos. Um relacionamento que só existe no faz-de-conta, que não é real... Mas que as mulheres sonham em acreditar nisso.


Pode não parecer novidade, você vai dizer. Filmes para mulheres, os famosos chick-flicks, promovem sonhos de relacionamento impossíveis há anos. A grande diferença de 50 Tons de Cinza talvez seja pelo fato de que ele aborde de forma um pouco mais "carnal" o relacionamento, mostrando cenas mais quentes. Pelo que dizem, não é uma putaria a ponto de um filme pornô que vemos na internet, tampouco aquela sacanagem desenfreada adolescente de filmes como Porky's e American Pie, arrumando sempre desculpas para as garotas botarem as bazingas de fora. No filme cinzento, tudo vai mais pela linha erótica, com caras e bocas da garota quando está chegando lá, de ângulos e carícias que transmitem o ato de forma mais artística, para agradar a mulherada.

Como disse, 50 Tons de Cinza parece no final não fugir muito da fórmula já conhecida de fazer as mulheres sonharem com relacionamentos impossíveis. A diferença é que dá um passo além do que outros filmes chegaram, e com isso conquistou as mulheres pelas suas calcinhas.

Mas digo de novo que o filme retrata algo que não é real, algo impossível, muito fantasioso e romantizado para ser de verdade. E me deixa preocupado que as mulheres não percebem isso, se deixando ser seduzidas pela idéia de encontrar um Sr. Grey que não existe. Péssimo para eternos solteiros fudidos como eu, e muito bom para os cafajestes que agora já tem um exemplo a ser replicado para conseguir assim conquistar as mulheres.

Nessa hora deve aparecer alguma mulher aqui me xingando, dizendo que estou falando merda, que não é nada disso, que é possível que exista sim um homem assim, que isso aqui é lamento de um bosta que não fica com ninguém. E nesse momento, me sinto inclinado aqui a falar a respeito de uma teoria minha, acho que já a mencionei em algum momento aqui, que vamos chamar de Teoria das Canetas, que explica um pouco esse ponto de vista.

Nome escroto pra caralho! Mas vai fazer um pouco de sentido... Pense comigo, imagine que uma pessoa tenha uma caneta Mont Blanc, que é o que há de mais luxuoso no que diz respeito a canetas.


Pois muito bem... Vendo pelo naipe de uma caneta assim, fica claro que é um artigo de luxo, caríssimo, algo que não é tão trivial de se ter. Com isso, você pode apostar que o sujeito vai ter um zelo, um cuidado quase que maternal pela tal caneta, mesmo que seja desleixado por natureza. Duvido que a pessoa iria emprestar sua Mont Blanc para o filho desenhar numa cartolina, jamais iria deixar essa caneta largada ali em cima da mesa, teria o maior cuidado para não perdê-la, acho que chegaria até ao ponto de guardá-la em um cofre sem escrever uma letra sequer com ela. Sabe por quê? Pois não é qualquer um que arruma uma Mont Blanc, não é algo que você encontra facilmente. É uma caneta de grande valor, difícil de se conseguir.

Agora, pense outra pessoa que também tenha uma caneta... Só que essa caneta é uma Bic.


Cara... Bic é aquela caneta que você compra pacote com dez nas Lojas Americanas. O sujeito pode ser o mais cuidadoso do mundo, mas tenho certeza que com a Bic ele não vai se dar tanto ao trabalho. Vai emprestar e esquecer de pedir de volta, foda-se, na mão do camelô é três por um "reau", se perder em algum canto, que se dane. Pode cair no chão e pisar em cima, pode deixar o cachorro destruir, tem gente que conheço que a primeira coisa que faz quando pega uma Bic é quebrar aquela lingueta da tampa, tamanho é o desprezo pela pobre canetinha. Por que essa brutalidade, esse desleixo todo? Porque Bic você consegue com muita facilidade, não vale quase nada...

Esse conceito eu imagino que se aplica também na relação entre homens e mulheres. Imagine lá o Sr. Grey: rico, poderoso, atraente. Com todas essas qualidades, não tenha dúvidas que muitas mulheres vão se interessar por ele. De novo, não vi o filme, mas imagino que deve ter rolado porradaria no grupo do jornalzinho da faculdade para ver quem iria entrevistá-lo. Um cara assim é extremamente visado, para ele arrumar mulher é muito fácil.


E aí então ele começa a olhar para as mulheres de uma forma mais... digamos, desvalorizada. Cara, pra ele é mole arrumar a mulher que ele quiser, é fácil. É só chegar num barzinho no seu carro de luxo e mostrar o Rolex que vão aparecer dúzias de mulheres de pernas arreganhadas para ele. Com isso, por mais que ele seja um cara decente, por mais que ele seja um cara correto, ele vai acabar olhando para as mulheres como uma pessoa olha para uma Bic. Pode parecer meio rude o que estou dizendo, mas é o que acontece, o ser humano tem uma tendência de não valorizar muito aquilo que consegue com facilidade, tipo o filho que não sabe o valor do dinheiro porque o "papi" dá mesada de dois mil reais todo mês. Então, da mesma forma que a pessoa não vai ligar muito se pisar em cima de sua Bic, um homem no estilo do Sr. Grey dificilmente vai se importar com os sentimentos da mulher, o sexo oposto se torna superficial. Tipo, enjoou da loira com quem está saindo, é só escolher uma das morenas que está de olho nele; a atual está incomodando muito, é só arrumar a próxima da fila...

Por outro lado, para o cara que não atende a esses padrões estipulados pela sociedade e valorizados pelo filme, as coisas são mais difíceis. Imagine o anti Sr. Grey, que seria um cara feio, aquele tipo que tem pêlo demais, ou que é gordo seboso ou um raquítico desengonçado, que tem uma cara de babaca ou pele pálida; que só tem poder quando joga RPG sexta-feira à noite depois de trabalhar como caixa numa loja de discos; que mal tem grana pra pagar uma pizza e anda com roupas meio velhas. Para um cara que atenda a uma ou mais dessas "desqualidades", a vida é mais dura, arrumar uma mulher é bem mais complicado, pois a imensa maioria delas está interessada em alguém como o Sr. Grey.


Um cara assim acaba tendo uma tendência a valorizar mais as mulheres, já que para ele mulher é artigo de luxo, como uma Mont Blanc. Mesmo que ele seja um escroto, um cara que trate mal as mulheres, uma hora ele vai ter que mudar, pois ser feio, um merda e/ou não ter grana e ainda ser escroto tá fadado a morrer sozinho. É o que ele pode oferecer, um cara que não disponha dos requisitos para ser um Sr. Grey só vai ter mesmo como oferecer coisas mais abstratas, como atenção, respeito, carinho... Aquelas coisas que só depois de um certo tempo de convívio são percebidas, ninguém se atrai imediatamente pela personalidade de alguém. Tudo para que ele não a perca. Chega a um ponto que isso pode se tornar até mesmo ruim, pois a mulher pode começar a achar isso chato, tipo "namorado chiclete", e dispensar o carinha que não a deixa em paz.

"Ah, mas você está dizendo que um cara como o Sr. Grey sempre será cafajeste?" alguém certamente vai perguntar. Claro que não, sempre vão existir exceções. Mas com toda a certeza as exceções já estarão comprometidas, restando aqueles que se deixam influenciar pela facilidade que é arrumar mulher. Podem até dizer que "mas o Sr. Grey não ficava saindo com um monte de mulheres", tudo bem. Mas sabemos bem que a razão certamente tem a ver com seus gostos particulares...

Isso me leva então ao outro ponto abordado pelo filme, que se trata dessas preferências do Sr. Grey na hora H... Pelo que parece, o cara é forte admirador do sado-masoquismo, e após Anastasia assinar o segundo contrato e topar a brincadeira, ele faz diversos tipos de coisas, que aparentemente envolvem algemas, vendas nos olhos, chicotadas e outros atos um pouco mais violentos. Bom, gosto não se discute, eu particularmente não acho nem um pouco interessante essa de algemar e chicotear, mas tem gente que acha isso o máximo.


Aí é que vem um ponto interessante, baseado num post que vi no 9gag aqui. Nele, uma mulher comenta a respeito das práticas do sado-masoquismo, que eu confesso que não sabia que era assim tão "regulamentado". Resumindo, dá a entender que é algo que sim, algumas pessoas curtem, mas onde os dois, homem e mulher, se sentem confortáveis com isso, usando palavras descritas na postagem lá, "consentimento é necessário". Nesse ponto, acho válido: entre quatro paredes, o casal pode fazer aquilo que bem entender, e se os dois gostam de práticas mais violentas, de coisas como BDSM e por aí vai, está no direito deles, ainda mais se ambas as partes estão de acordo. O que não pode é um impor sobre o outro algo que não sinta confortável, não importa o que seja. Afinal de contas, ali é para ser um momento íntimo entre o casal algo especial e que venha a trazer prazer para os dois.

Mas pela postagem, parece que em 50 Tons de Cinza não é bem assim. De fato, se o cara precisa fazer um contrato com a garota onde ela autoriza que ele faça o que bem entender, acho que consentimento mútuo é o que menos está acontecendo aí. E tem mais: Anastasia não era virgem? Pôrra, a mulher nunca fez nada na vida e logo já parte para algo tão radical assim? Tanto que, pelo que tudo indica, ela fica meio desconfortável com o fato. Segundo a mesma postagem, o Sr. Grey chega a embebedá-la em um momento, e numa outra hora onde provavelmente estava mandando ver, ele vem a ignorar quando ela usa a "palavra de segurança", que é a indicação de que passou-se dos limites da pessoa dominada, e que segundo os verdadeiros adeptos do sado-masoquismo, é algo primordial a ser respeitado.


Resumo da ópera então, baseado nisso tudo: no final das contas, o Sr. Grey parece mais estar abusando sexualmente de Anastasia, praticamente a estuprando em determinadas cenas.

Mais uma vez é algo que me deixa muito perplexo... Engraçado, onde é que estão as ferrenhas feministas agora? Me surpreende como esse tipo de prática abusiva é mostrada assim de forma tão displicente, e me surpreende ainda mais como as mulheres parecem achar isso uma maravilha, algo sensacional. Se o sujeito fosse retratado mesmo como um canalha aproveitador, tudo bem, faria sentido pela trama, tipo aquele filme Menina_Má.com, onde tem o carinha que fica aliciando meninas até que uma despirocada o engana e o tortura. Mas em 50 Tons de Cinza o Sr. Grey acaba tendo um comportamento na minha visão deplorável e abusivo, e é colocado num pedestal de ouro como o objeto de interesse romântico de Anastasia e de todo o público feminino.

Será então que as mulheres no final das contas gostam desse tipo de atitude? Será que elas acham aceitável, e mesmo desejável, que o homem a trate dessa forma? É então perfeitamente natural que o homem domine a mulher desse jeito, indo além dos seus limites, pensando somente em seu prazer próprio e pouco se preocupando com a parceira?

É uma pergunta para se deixar no ar mesmo... Confesso que não sei dizer, se alguma leitora puder explicar pra mim, eu agradeço.

Mas uma coisa eu arrisco dizer, o que me parece é que existe um motivo pelo qual tal atitude do Sr. Grey com Anastasia no filme não é vista de forma ruim pelas mulheres: é porque é o Sr. Grey.

Da mesma forma que eu duvido que ela iria se apaixonar pelo sujeito se ele não fosse rico, poderoso e bonito, eu começo a suspeitar que essas qualidades todas, largamente valorizadas pelas mulheres, parecem dar meio que direito para que o cara faça o que quiser. É como aquela piadinha do cara perseguindo a mulher...


Parece a mesma coisa... Como o Sr. Grey é tudo aquilo, é o bonzão, o galã, ele pode fazer o que quiser. Mesmo abusar da mulher. Se ele fosse um feioso, na primeira investida que desse em Anastasia, iria levar um taparaço no meio dos cornos. Na verdade, ele sequer teria chance para isso, pois duvido que ela iria dar muita corda para ele se não fosse bonitão e poderoso. É aquela velha história, para decidir se o ato é ilícito ou não, depende de quem o está cometendo, e não do ato em si...

Provavelmente podem ter muitas leitoras aqui pedindo a minha cabeça por estar aqui "falando mal" do precioso filme e livro. Muitas vão dizer que eu estou falando bobagem, e que não tenho direito de comentar nada contrário, pois não o assisti; podem ter aquelas que vão dizer que tudo isso é recalque, que o filme está sendo um enorme sucesso e por isso eu e outros críticos estão se sentindo incomodados; talvez tenham até algumas que venham ser mais agressivas, me xingando de tudo quanto possível, que eu estou agindo assim por ser um energúmeno e estar longe do padrão de um Sr. Grey.

Confesso que essa última pode falar a vontade... Pois vendo o tipo de canalha aproveitador que ele é, um cretino que força uma mulher a assinar um contrato para poder mandar ver nela, que a força a fazer algo que ela não gosta... Teria orgulho se me disserem que eu estou longe de ser um Sr. Grey.

Claro, viva a liberdade de expressão... Aposto a minha bunda de texugo peluda que essas defensoras ferrenhas do 50 Tons de Cinza devem odiar um monte de coisa que outras pessoas gostam. Deve adorar criticar os filmes favoritos dos outros mas acha inaceitável que fale mal desse filmeco erótico de quinta. Parece aqueles Beatlemaníacos que não aceitam que alguém não goste das músicas do Quarteto de Liverpool, ou aqueles MPBabacas que acham absurdo quem não curte Caetano ou Chico. Todo mundo aqui tem a liberdade de gostar do que quiser, e da mesma forma todo mundo aqui tem a liberdade de não gostar do que quiser, pôrra!

E o ponto aqui que estou discutindo não é sobre a merda do filme... É sobre os valores que estão sendo martelados nas cabeças de mulheres, na minha opinião, de baixa auto-estima e fracas de espírito, que estão se deixando levar por coisas que não são corretas, uma postura extremamente superficial de achar lindo valorizar uma pessoa somente por sua aparência. E de quebra aceitar uma postura até certo ponto abusiva e criminosa do "herói" do filme, só por ele ser boa pinta. A crítica não é aqui contra o filme em si, mas aos valores que ele incentiva e representa, que para minha grande preocupação parecem ter seduzido milhares ou milhões de mulheres.

Diria que é mais ou menos como se você olhar um jogo de tiro como um Duke Nukem...


E fazendo um breve parênteses... A mulherada que idolatra o Sr. Grey deve achar um Duke Nukem um canalha, um cafajeste que não respeita as mulheres, né? Interessante, um cara dar uns trocados pra fazer uma stripper balançar os peitos é absurdo, mas mandar a garota assinar um contrato que o autoriza a abusar dela de todas as maneiras possíveis e imagináveis deve ser a coisa mais romântica do mundo...

Voltando... Na boa, é um jogo, sabemos disso. Eu mesmo já joguei várias vezes. Se uma pessoa joga um jogo desses e enxerga que aquilo é somente uma diversão, um passatempo, de que os valores e ações ali mostradas são para ficar somente dentro do jogo, não tem problema nenhum, não faz nenhum mal. Logicamente que o errado seria levar esses conceitos para sua vida real, inaceitável seria imaginar que estaria tudo bem sair explodindo a cabeça das pessoas, explodindo prédios e entrando nas casinhas dos banheiros públicos e matando quem estivesse ali soltando um barro.

Vale a mesma coisa para o filme cinzento. Você, mulher, que sabe que isso é só um filme, que trata-se somente de uma história para fazer você se divertir no cinema, para ter prazer (no bom sentido, claro), está tudo bem, você sabe que tudo isso não passa de uma fantasia, de algo que não é real. Agora você que enxerga esse filme como um incentivo para a forma como você quer viver a sua vida, você que acha maravilhosa a forma como a qual o Sr. Grey agiu com Anastasia e sonha em encontrar um sujeito que faça o mesmo... Só posso mesmo sentir pena de você, de uma mulher que parece não saber valorizar o que é um relacionamento de verdade, por não saber diferenciar um homem de verdade de um interesseiro tarado disfarçado de galã.

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