sábado, 24 de janeiro de 2015

Dura Lex, Sed Lex (2)

Essa eu não resisti... Tive que voltar logo aqui para tecer alguns comentários com base em uma notícia relativamente antiga, mas que voltou à boca do povo logo depois que tivemos o fuzilamento do traficante de drogas Marco Archer na Indonésia, que comentei logo abaixo.

Sim, traficante de drogas. Instrutor de asa-delta é o escambau, que não passava de uma fachada para justificar as suas viagens para as ilhas do Pacífico.

Enfim, a execução do brasileiro causou realmente uma comoção muito grande nas redes sociais e na população em geral. E certamente não podia deixar de se falar a respeito da pena de morte em si, com opiniões diversas, uns favoráveis e outros contra. Muita gente dizendo que é assim mesmo, que tem que passar fogo, que temos que estourar a cabeça da bandidagem pois só assim a criminalidade vai se reduzir; e por outro lado outros dizendo que ninguém tem o direito de tirar a vida de uma pessoa, que pena de morte é uma barbárie e precisa ser erradicada. 


Como todos, eu tenho aqui também a minha opinião, onde penso que para certos crimes hediondos, para certos criminosos de altíssima periculosidade e reincidentes constantes, o melhor mesmo é uma bala na cabeça ou um laço no pescoço. Certos traficantes de drogas, tipo um Fernandinho Beira-Mar, gente assim não tem espaço em uma sociedade, é tipo que precisa ser exterminado que nem barata, em vez de gerar todo um custo de nossos cofres públicos para mantê-lo em uma prisão de segurança máxima. Criminosos como aquele Champinha, que matou aquele casal de adolescentes em São Paulo, depois de dias estuprando a menina das formas mais terríveis imaginadas, um sujeito assim não tem conserto, não merece ser reintegrado na sociedade de bem. Tipo esses bandidos, assassinos que tiraram a vida de dezenas de pessoas, que são colocados nas ruas após um indulto de Natal e voltam a matar, criminosos com total desprezo pela vida humana, esse tipo de marginal tem mais é que ser exterminado, eliminado.

Cruel? Talvez. Mas ninguém pensa muito na crueldade de seus crimes, muitos não pensam nas inúmeras famílias que são destruídas por conta desses criminosos. Criminosos esses que riem da justiça, que estão cientes da impunidade, alguns que inclusive tem licença total para matar como os "di menor". 

Enfim... Mas eu não vim aqui para discutir a questão da pena de morte em si, não é minha idéia querer te convencer de que estou certo. Opinião, cada um tem a sua, e em assuntos polêmicos como esse normalmente as pessoas acabam sendo bem firmes em suas convicções, e por mais que se apresentem argumentos contrários ou favoráveis, é muito difícil alguém mudar assim de opinião.

Bom, com exceção de nossa "maravilhosa democracia" petista. Você certamente viu como que a nossa presidente Dilma (que está bem sumida depois de começar a fazer aquilo que o Aécio faria, como aumentar impostos, reduzir benefícios e por aí vai) ficou estarrecida e indignada com a execução de Marco Archer. Começou a falar mais grosso do que de costume, dizendo que condenava tal punição exagerada, que tal atitude iria prejudicar as relações entre os governos brasileiro e indonésio, ignorando o, vamos dizer, direito da Indonésia ter as suas leis e colocá-las em prática. Usando aquela expressão que os petistas tanto gostam, sem respeitar a "soberania nacional" do país asiático.

Considerando então como que o governo brasileiro é tão assim contra a pena de morte, vamos resgatar essa notícia de doze anos atrás, durante o governo de nosso ilustríssimo presidente Lula. A notícia pode ser vista aqui, até que seja vítima do "controle social da mídia" que é defendido pelos esquerdistas.


O embaixador brasileiro em Havana, Tilden Santiago, justificou ontem a decisão do governo cubano de fuzilar três seqüestradores de um barco, que chamou de terroristas. "O regime cubano tinha o direito de se defender da tentativa de desestabilização estimulada pelos Estados Unidos", disse Santiago sobre a execução dos homens que seqüestraram um barco em abril para fugir para os Estados Unidos.  
O embaixador comentou o fato ao anunciar a primeira viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à ilha, em setembro próximo. "Se Luiz Inácio Lula da Silva sofresse uma desestabilização semelhante, o governo brasileiro teria que tomar providências. Se também tentarem desestabilizar Lula, teremos que tomar nossas medidas", disse Santiago, que lembrou que o representante americano em Cuba promovia reuniões periódicas para "alimentar a desestabilização e a oposição ao regime de Fidel Castro".
"É preciso entender em que contexto as coisas aconteceram e Lula, que está consciente desta situação, viajará sabendo que hoje o Brasil é considerado por Cuba como o país que pode operar a integração latino-americana", continuou. Santiago destacou ainda que o Brasil precisa atrair Cuba para "o mundo das nações que promovem e respeitam os direitos humanos". O Brasil adotou uma postura pragmática ao abster-se de votar uma condenação de Cuba nas Nações Unidas, concluiu Santiago.

Que bonito, hein? Como que nosso governo mudou de idéia ao longo dos anos...

Eu acho que não precisa queimar muito os neurônios para entender aqui. Alguém imaginaria que Lula e o restante do PT iria condenar uma decisão do governo amiguinho de Cuba? Ainda tiveram a audácia de justificar a decisão, pois afinal de contas o governo cubano tinha o direito de fazer qualquer coisa (inclusive aplicar pena de morte) para se defender da "tentativa de desestabilização estimulada pelos Estados Unidos". O bostaldo do embaixador finaliza dizendo que é necessário ser compreensivo, entender o contexto em que tal punição ocorreu.

Ou seja: a Indonésia aplicar a lei e executar um traficante de drogas brasileiro é revoltante e inaceitável, suficiente para deixar nosso governo indignado com a aplicação de uma pena tão severa; agora, se é Cuba que executa três caras que sequestraram um barco, está tudo bem, não tem problema, afinal eles estavam a mando dos EUA para desestabilizar o governo, e temos que aceitar qualquer decisão do governo cubano.

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