terça-feira, 16 de setembro de 2014

Joguinho Politicamente Correto

Eu sempre gostei de videogame, embora hoje eu realmente me direciono mais para jogos de PC e no celular, faz já tempo que não jogo em consoles. E quando o assunto é jogo de celular, a variedade é realmente imensa em termos de tipos de jogos, uma grande diversidade que agrada a todos os públicos de todas as idades. Temos desde aquelas super produções com gráficos de última geração que acabam com a bateria rapidinho e aqueles joguinhos simples e bobinhos mas que são capazes de deixar qualquer um puto da vida a ponto de tacar o seu aparelho em uma parede de concreto.


Eu confesso que curto mais os jogos que são mais simples em termos de jogabilidade, pode até ter uma certa estratégia mas que não apresentem muita sofisticação. Assim, são jogos que se tornam divertidos, um bom passatempo mesmo naquelas horas curtas quando estamos no ônibus (com a janela devidamente fechada, para que trombadinhas não metam a mão no seu celular), na sala de espera do médico ou enquanto esperamos os colegas terminarem de almoçar. A diversão descompromissada, muito comum nos antigos jogos de Atari. Tipo aqueles joguinhos de carro ou de moto onde você usa o acelerômetro para controlar o veículo e desviar do tráfego, ou jogos de corrida tipo Temple Run ou Minion Rush, onde você leva o personagem correndo e pulando pelos obstáculos, mesmo um clássico como Angry Birds tem o seu tom de divertimento, embora já tenha chegado a um ponto que está enjoando.

Bom, chega dessa introdução tola, e vamos logo para o assunto da postagem. Como disse, a variedade de jogos é imensa quando você vai em uma Google Play ou App Store. E algo interessante é que tais lojas são relativamente bem democráticas, permitindo que mesmo produtores independentes ou qualquer um com tempo livre e habilidade de programação possam criar seus aplicativos e jogos, colocando-os à disposição. Isso dá espaço para que surjam alguns jogos interessantes, bem diferentes, com temas sem dúvida que chamam a atenção. E um desses jogos, o qual venho falar aqui, segue essa linha, o recentemente lançado Korruptus.


Faz tempo que eu não faço um review de jogos aqui. Esse joguinho é uma produção nacional, fruto da empresa AGW Global, que tem outros aplicativos já desenvolvidos e alguns outros em produção. Pelo pouco que li sobre eles na internet, é uma equipe de mais ou menos 10 pessoas que abraçou essa idéia de criar jogos, sem dúvida um exemplo de como o trabalho duro acaba dando frutos, principalmente quando fazemos uma coisa que gostamos. E eles provavelmente estão dando um passo sensacional com esse jogo, que está no topo das listas de aplicativos mais baixados nas lojas online da Apple e Android, o qual conheci recentemente.

E só pra deixar claro pros bundas-moles que gostam de me encher o saco, eles não me pagaram pra falar deles aqui! Esse blog é sem fins lucrativos, falo do que eu quiser, e nesse post quero falar a respeito desse jogo que me chamou a atenção, que acho legal e bem bolado para o atual momento de nosso país, em véspera das eleições. Não tenho rabo preso com ninguém, aqui não é que nem esses blogs que são financiados com dinheiro público pra ficar falando bem do governo e xingando a oposição. Continuemos...

Bom, Korruptus no final das contas é um jogo do tipo tower defense. Se você não faz idéia do que seja isso, é um estilo de jogo que é bem popular hoje nos celulares e mesmo nos computadores. Nele, você precisa defender alguma coisa de algum tipo de inimigo, usando para isso algum tipo de torre que ataca esses inimigos. Ficou ruim de entender? Realmente, é mais fácil entender jogando um, é só ir num site de jogos online que você certamente achará um desse tipo. Normalmente esses inimigos percorrem um caminho e você vai comprando determinadas torres, algumas delas mais fortes do que outras, e em certos jogos algumas até com certos poderes especiais. Em outros, você pode até fazer um upgrade dessas torres, deixando elas mais fortes ou com maior alcance. Claro que você não tem como ir construindo torres assim livremente, é comum que você tenha algum tipo de moeda que vai sendo consumida conforme você faz construções e que é adquirida ao destruir os inimigos. Normalmente nesses jogos há turnos, onde em cada um há uma certa quantidade de inimigos, e seguindo as leis do videogame, vão ficando mais fortes e rápidos. O jogo vai seguindo até que você derrote todas as ondas de ataque, ou então até que uma certa quantidade de inimigos consiga atravessar todo o mapa e chegar ao seu destino.


De uma forma geral, esses jogos seguem esse mote, mudando só o tema: por exemplo, há os que seguem a linha militar, onde você precisa defender a sua base de um exército inimigo, colocando tanques e artilharia; há os de estilo mais medieval, onde tipicamente você tem que defender seu castelo usando cavaleiros, arqueiros e magos; já vi até um bem bizarro e engraçado onde o objetivo é defender ovelhas de alienígenas que querem levá-las como cobaias de experimentos marcianos...

Mas o que torna Korruptus tão diferente a ponto de merecer um post aqui? Bom, aqui o maior barato é a história, com a qual nós brasileiros podemos nos identificar muito bem, ainda mais em um ano de eleições e quando temos um dos governos mais corruptos que já pisou em nosso país.

A história do jogo é a seguinte: um grupo de piratas decide treinar no Caribe, mais particularmente em Cuba, e então vem para o Brasil para invadir o país, com o objetivo de acabar com o crescimento e desenvolvimento da nação. Fazem isso comprando o povo com coisas básicas e fundamentais para assim controlá-los, chegando ao ponto de mandar os recursos nacionais de volta para Cuba e seus amigos, além de priorizar coisas como a Copa em detrimento da educação, saúde e segurança. Só que a população deu um basta, não aguentando mais o que esses piratas estavam fazendo com o país, e então se unem a diversos aliados para retomar o Brasil, e dando assim início ao jogo.


Bom, não precisa ser grandes coisas para entender nas entrelinhas... Até mesmo um ex-metalúrgico de 9 dedos consegue captar o tema do jogo...

Sem dúvida muito bem bolado o que fizeram. Em Korruptus, você joga pelo povo brasileiro, enfrentando os piratas baseados nos nossos grandes amigos petralhotários e seus comparsas. Eu ainda estou relativamente novo no jogo, não fui muito longe ainda, mas imagino que dá pra falar um pouco baseado no que eu já joguei. Afinal de contas, jamais deixaria passar uma oportunidade de falar de algo que zoa o PT de forma tão criativa e engraçada.


Basicamente o objetivo do jogo segue o que se espera de um tower defense, mas adaptado à história. Aqui a brincadeira é a seguinte: inicialmente você escolhe uma região do Brasil, sendo que até agora só vi Brasília (nem sei se as outras regiões já estão disponíveis ou se virão em uma futura atualização), e depois escolhe um dos meses do ano. Em cada mês você começa com uma tela informando quanto dinheiro você tem, sendo curioso que em cada mês há um certo "desconto", correspondente à nossa imensa carga tributária. Tipo, em janeiro você tem que pagar IPTU e IPVA, em fevereiro é a lista escolar dos filhos... Um toque engraçado que faz pensar em como se gasta dinheiro aqui pagando imposto e por tantas coisas.

Bom, em cada mês você terá que enfrentar uma onda de inimigos por dia, podendo colocar seus aliados em determinados pontos do mapa, ao redor de um caminho que leva até o Palácio do Planalto, onde está a Capitã dos piratas. Sim, ela mesma, a Dilma, que fica ali pilhando dinheiro e dizendo um monte de mentiras, como que não tem inflação e que vai entregar o trem bala. Lógico que seus recursos são limitados, logo você precisa escolher bem quais personagens vai disponibilizar no mapa.


Quanto à "base", foi feita uma jogada sem dúvida original. Do lado direito você pode ver um hospital e uma escola, cada um com sua barrinha de energia, e do lado esquerdo o pátio de obras de um estádio. Conforme os piratas chegam no Planalto, a energia dessas construções vai caindo, e o estádio vai sendo construído. Resumo da ópera: quando todos os recursos da educação e da saúde forem desviados para construir o estádio, você perde. Seu objetivo é segurar até o final do mês sem que eles sejam afetados, usando seus aliados para destruir todos os piratas, incluindo um chefe que vem no último dia do mês. Terminado esse mês, a grana que sobra fica à disposição para o mês seguinte, e assim vamos.


O toque especial fica por conta dos personagens mesmo. A maioria é mesmo de personagens pequenos que você vai enfrentando nos níveis, representando os tipos que acreditam nesses "piratas", como os cabos eleitorais com placas com a estrela vermelha, piriguetes assanhadas e policiais corruptos. Cada um tem as suas características, como por exemplo os seguranças e policiais de choque são mais resistentes e mais lentos.





Aqui cabe um comentário pessoal: como você pode ver, no bando de inimigos há aqueles que representam a polícia, inclusive o tal Pirata Malvado, cuja sigla é PM. Na minha visão, aqui foi uma certa "bola fora" dos criadores do jogo, pois acaba passando uma imagem de que a polícia é algo nocivo para a população. Sabemos muito bem que existem policiais corruptos, mas também tem muitos policiais que são gente honesta, que ganham pouco mas se mantém fiéis aos princípios que regem a boa conduta de um oficial da polícia. Colocar ali cabos eleitorais do PT, tudo bem, pois afinal de contas todos eles sem exceção defendem o partido e seus representantes, mesmo quando eles cometem delitos graves: você já viu algum petista admitir que os petralhas erram? Agora... generalizar e colocar todos os policiais como sendo corruptos, não é bem por aí...

Quanto aos chefões, sem dúvida conseguiram juntar uma gangue pior do que a lista de candidatos a governador aqui no Rio de Janeiro! Claro que foram usados certos nomes mais fantasiosos, diferentes a ponto de evitar qualquer problema com os políticos de verdade mas suficientemente compreensíveis para sabermos quem é quem. Liderados pela Capitã (Dilma), tem a turma toda, como toda a quadrilha do mensalão como Dirceu, Delúbio e Roberto Jéfferson, além de outros cretinos como Collor, Sarney e Renan.






Claro que o nosso ilustre ex-presidente, o Lula, não poderia ficar de fora. Com direito à uma garrafa de pinga e uma camisa do Corínthians.


Sem dúvida que caberiam ainda outros políticos que foram esquecidos, ou que talvez não tenham tido espaço de sobra para aparecer, afinal são só 12 meses no ano. Colocar uma Marta Suplicy como meretriz ou um Guido Mantega como um pirata carregando um monte de barras de ouro. Mas podemos dizer sim que foram escolhidos a dedo aqueles que mais representam a corrupção e a hipocrisia dessa década vermelha e fudida. Fico até pensando que podiam fazer uma versão aqui do Rio de Janeiro, colocando uma quadrilha com Eduardo Paes, Garotinho, César Maia, Benedita, Lindbergh e outros salafrários que passaram por aqui.

Daria até para aproveitar o escândalo da Petrobras e colocar mais algumas figuras. Já imaginou o Cerveró imitando o Sloth dos Goonies ou a Graça Foster como a bruxa má do Leste?


Bom, e para enfrentar essa piratada toda, você tem um grande grupo de aliados. Como comentei acima, nesse jogo você tem algumas posições no mapa onde pode colocar suas "torres" para enfrentar os inimigos. Em Korruptus, a proposta procura ser relativamente simples, existindo ao todo cinco tipos de aliados que você pode colocar no mapa, sendo que cada um deles pode receber até dois upgrades sequenciais, totalizando assim até quinze tipos de "torres" que você poderá colocar. Claro, tudo isso de acordo com o mês, no início do ano você terá um arsenal mais limitado, e os novos níveis vão sendo desbloqueados aos poucos. Vamos então conhecer cada um desses grupos...

O primeiro e mais básico deles parece estar voltado para estereótipos típicos da sociedade brasileira, que apesar de todas as políticas assistencialistas do governo no final acabam se dando mal. O mais básico é o Aposentado, que curiosamente pode até remeter àquele senhor que deu uma bengalada no Dirceu, mas que aqui joga seus chinelos nos inimigos. Fazendo o upgrade você tem a Dona-de-Casa, com pano na cabeça e que joga tomates, algumas vezes acertando cretinos quase do outro lado do mapa. Por fim, no último nível de promoção ela vira um Trabalhador, que curiosamente tem um visual de um Robin Hood negro que joga tortas.


Por algum motivo, ao falar em Robin Hood e tortas me lembrei daquele episódio do Pica-Pau, em que ele é o Robin Hood e no final tem aquela guerra de catapultas onde ele arruma a torta de pássaros pretos...


Continuemos, deixando o momento nostálgico de lado...

O segundo grupo de torres já se foca claramente em aglomerações de pessoas, começando com os Manifestantes, que atacam com bolotas que podem ser pedras. Bom, no segundo nível começamos a ver que pode ter faltado um pouco de criatividade, pois eles se tornam os Manifestantes+, sendo que a única diferença aparente é que em vez de um carinha com faixa temos três, à frente de sombras de outros manifestantes. Suba mais um nível e eles se transformam em um Black Bloc.


Mais uma vez vou me ser obrigado a dar aqui uma opinião contrária... Fazer uma apologia aos Black Blocs acho um erro grande. Tudo bem, deu pra entender a razão pela qual eles foram escolhidos, pois representam um nível de aglomeração popular mais extrema, que faz até sentido em ser o nível máximo desse grupo. Acontece que sabemos muito bem que os Black Blocs fazem uso da violência e que contribuem para que os protestos e manifestações tenham um ar criminoso, dando espaço para vândalos e ladrões. Outra mancada na minha visão.

Seguindo, o próximo grupo já começa a elevar ao nível de personalidades que se mostram como críticos do governo, aqui focando em jornalistas. Começa com P.Martins, que é o jornalista Paulo Eduardo Martins de uma afiliada do SBT no Paraná, que foi dispensado pela emissora depois de dizer que o PT implementou uma ditadura. Promovendo, passamos a ter a Sherazade, que esta na cara que é a Rachel Sheherazade do SBT, famosa pelos seus comentários ácidos contra a pouca vergonha de nosso país, com o curioso visual baseado nas Mil e Uma Noites. Por fim, no terceiro nível temos então LC Prates, ou Luiz Carlos Prates, comentarista que surgiu na RBS gaúcha, que da mesma forma critica Lula e seus comparsas com ferocidade, a ponto de dar porrada na mesa de tanta revolta. Recomendo inclusive dar uma olhada no YouTube por vídeos dos três, sem dúvida é interessante.


O grupo seguinte tem a sua base no poderio militar. E já começamos bem, com o personagem Bom-Sonaro que é o alter ego do Jair Bolsonaro, deputado aqui do Rio conhecido também por suas declarações polêmicas contra os partidos de esquerda, não tendo medo de colocar o dedo na cara dos petralhotários e defensores da bandidagem. Pena que ele é um personagem de nível baixo...  Nos dois níveis seguintes ele se transforma no General Heleno, um militar que eu confesso que pouco conhecia, que sempre criticou a política externa nacional. No segundo nível ele aparece simples, e depois no terceiro nível ele parte para uma versão com um tanque de guerra.


Por fim, o último grupo é de um homem só... Sim, ele... O Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo e visto por muitos como a solução para este país. Aqui fica clara a visão de upgrade mesmo, ele começa como um juiz, com direito àquela peruca ridícula que costumamos ver em filmes americanos. Depois ele assume o visual de juiz do STF, com direito a uma faixa presidencial, e por fim ele chega a uma versão quase que de super-herói, com roupa preta e capa como se fosse o Batman. Acho que poderiam ter explorado outras personalidades, deixando o Barbosão como o último nível, mas mesmo assim ficou legal.


Sob um ponto de vista de jogador, eu pessoalmente acho que as torres poderiam ser melhor exploradas e explicadas. Basicamente você vai escolher com base na força de ataque de cada um, e vemos que muitos possuem o mesmo poder de fogo. Por exemplo, um Bolsonaro tem a mesma força de ataque de um Trabalhador, por um preço muito mais em conta. Não ficam claras quais são as diferenças entre cada um dos personagens, se é que existem, como é comum em jogos tower defense. Por exemplo, cada um poderia ter um ponto forte, como ser mais eficiente contra determinados inimigos, ou mesmo capacidades mais específicas, como maior alcance de ataque ou uma taxa de arremesso de projéteis mais alta. Se tem, não tem nada que explica isso, penso que chega uma hora no final do jogo onde basta você colocar um exército de Barbosões e só esperar a vitória.

Além das "torres" convencionais, no jogo existe ainda um toque peculiar de uma espécie de ataque especial. Com o passar do tempo (ou ao ir destruindo inimigos, não sei), você pode observar um pequeno botão com um microfone no lado direito. Quando ele fica cheio, você pode clicar nele e escolher uma posição no mapa para colocar o grupo do CKC de Humoristas Jornalistas, que é uma clara alusão ao programa CQC, com cópias dos apresentadores Marcelo Tas, Dani Calabresa e Danilo Gentilli. A grande utilidade deles é que eles ficam entrevistando os inimigos que passam, fazendo com que na prática fiquem mais lentos e assim expostos ao ataque dos demais aliados.


Por fim, soma-se a isso um outro botão que tem ali a imagem inconfundível do Tiririca. Mas em vez de um ataque especial bizarro, ao clicar nesse botão você pausa a partida e pode ler uma piada de político. Lógico que muitas são aquelas piadinhas manjadas que alguns anos atrás encontrávamos naqueles livrinhos de piada toscos que vendiam nas bancas, algumas delas devidamente adaptadas de forma a colocar Lula, Dilma e o PT na anedota. E só, é pra isso mesmo, um botão de piadas. Confesso que no início até dava uma olhada nas piadas, mas depois de um tempo comecei a enjoar...

Bom, levando agora um pouco para a análise mais crítica da jogabilidade, Korruptus até consegue ser bem divertido, mas vou confessar que depois de um certo tempo ele se torna repetitivo e enjoado. Isso principalmente pelo fato de que você fica jogando sempre em um mesmo mapa, sempre enfrentando os mesmos inimigos, sem nenhuma novidade já nos primeiros meses. O barato é realmente ir desbloqueando os upgrades, mas também depois de algum tempo você passa a não ter mais nada de novo para liberar, com os meses se repetindo... Fator de retorno bem baixo, por assim dizer. Como disse acima, tendo acumulado grana e estando em níveis avançados, você praticamente pode deixar o jogo correndo ao seu lado sem olhar, depois de ter colocado uns cinco ou seis Barbosas para dizimar todos os inimigos. Inclusive como eu estou fazendo ao escrever este post agora.


Até porque como tower defense eu acho que a idéia poderia ser melhor explorada. Como disse acima, os inimigos e aliados podiam ter seus pontos fortes e fracos, o que exigiria um pouco mais de estratégia. Na prática os inimigos tentam ganhar na quantidade, chega uma hora que dá a impressão que são centenas de inimigos vindo em um só dia, podendo até travar o seu celular se ele for meia-boca. O máximo de estratégia que você precisa fazer é saber quando usar os repórteres do CQC para segurar uma horda imensa que está vindo de uma vez... Sem falar de alguns erros de português que são simplesmente sofríveis, parecendo que o jogo foi escrito pelo Lula.

Mas claro que temos que ter uma certa consideração, pois Korruptus certamente não veio ao mundo pra ser um jogo para rivalizar com outros títulos de jogabilidade mais interessante e fluida, a jogada aqui é dar uma zoada no governo e no PT. E isso podemos dizer que de uma forma geral faz muito bem: a Dilma andando pra lá e pra cá falando suas bobagens, o visual de muitos dos chefões e o fato de você poder colocar o Bolsonaro pra chutar o traseiro desses petralhas é um dos pontos altos do jogo. Certamente uma pessoa vai insistir em jogar Korruptus até o fim não muito pelo jogo em si, mas para ter uma oportunidade de descer o cacete no Lula e companhia.

Claro que os petralhotários devem ter ficado putos dentro das calças com a idéia... Não é difícil achar críticos do jogo, inclusive cheguei a ver uma resenha de um site de jogos onde ficou bem clara a posição partidária do autor, que fez questão de criticar certos aspectos como se o jogo estivesse passando uma imagem falsa. Que Korruptus passa uma visão parcial da política, isso não tenho dúvida, se você chegou até aqui e não percebeu a intenção do jogo de satirizar o PT, realmente você deve ser muito desligado. Mas acho que não tem nada de errado em um jogo passar esse recado anti-petralha: afinal de contas, não vivemos em uma democracia onde todos têm o direito de se expressar? Interessante como as mesmas pessoas que dizem que esse jogo é idiota e que passa uma visão parcial e falsa da realidade política, não dizem nada diante dos blogs pró-governo que são financiados com dinheiro público para inventar histórias positivas ao redor dos vermelhos e criar boatos e mentiras contra os adversários do governo?

Lógico que reforço mais uma vez minha opinião contrária a certas escolhas: generalizar a polícia como bandida e fazer apologia aos black blocs é sem dúvida uma questão delicada. Claro que não esperamos que uma pessoa vai moldar a sua opinião com base em um joguinho desses, mas imagino que deveria haver um pouco mais de respeito com a polícia e um pouco mais de consciência quanto ao verdadeiro papel dos Black Blocs. Valia ter por exemplo um Capitão Nascimento para equilibrar um pouco a balança da polícia, ou pensar em outro grupo de pessoas para colocar no jogo...

Mas quanto aos petralhas, não há problema em generalizar: pois sabemos bem que todo mundo que defende o PT com todas as suas forças tem uma visão deturbada da realidade, acreditando em promessas de cabresto e em idiotices proclamadas por seus líderes, adotando a velha postura agressiva contra aqueles que não compartilham de seus ideais comunistas, apontando o dedo para os erros dos outros mas se eximindo seus semelhantes da responsabilidade quando cometem os mesmos erros.

Vale a pena dar uma olhada, se você não suporta mais essa década atrasada que vivemos sob o governo da estrelinha vermelha. Korruptus pode não ser um joguinho lá de destaque, mas certamente vale umas boas risadas.

2 comentários:

Alex Roger disse...

Cara o seu review foi fantástico, ninguém entendeu a proposta do jogo, até no s pontos contrários vc pegou o espírito... quero fazer parte do seu hall de amigos... Alex Roger (criador do Korruptus)

Texugo disse...

Obrigado pela visita Alex! Vi muitos reviews que chegaram a ser bem contrários, onde a pessoa não procurou entender o objetivo da iniciativa, se deixando levar muitas vezes pela própria posição política. Parabéns por esse jogo, e sucesso nas próximas produções.