quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Jogos Clássicos: Moonsweeper

Já fazia um tempo desde que eu fiz uma postagem sobre jogos de videogame, e dessa vez eu retorno aqui com outro dos meus jogos favoritos da era de ouro do Atari. Tanto que é um dos jogos que eu ainda costumo jogar hoje em dia, sacando meu emulador para voar pelo espaço, pousando em luas para resgatar astronautas perdidos. Aqueles que como eu tiveram o privilégio de viver sua infância e adolescência na época do Atari, certamente sabem que eu estou me referindo ao jogo Moonsweeper.


Aliás, um post que eu já estava devendo aqui faz um tempo, teve até gente escrevendo nos comentários que estava aguardando essa postagem. Foi mal pela demora, faltou eu me organizar aqui pra baixar um emulador de Atari no novo computador pra tirar as imagens. Só lamento que por algum motivo algumas delas ficaram meio borradas, acho que pelo movimento intenso do jogo. Vamos seguindo então com esse clássico.

Isso somente comprova como o jogo não precisa ter gráficos sensacionais e histórias imensas, como é comum hoje em dia, para ser extremamente legal e desafiador. Jogos de antigamente tinham uma simplicidade tão assumida, mas uma simplicidade que sempre era acompanhada de uma grande criatividade, que conseguiam prender nossa atenção muitas vezes por horas sem parar. E Moonsweeper era um desses jogos, com uma idéia bem criativa e interessante, apesar de bem simples.


A história colocava você no comando da nave espacial USS Moonsweeper, tendo como objetivo resgatar astronautas mineiros que estavam perdidos em luas no quadrante de Jupiter². Não faço idéia o quanto esse tal quadrante tem a ver com o planeta Jupiter que conhecemos, mas enfim... Durante essa missão, caberia a você controlar a nave no espaço, se esquivando de meteoritos e outras ameaças siderais, até encontrar e se aproximar de uma das quatro luas, na primeira etapa da fase do jogo.


Uma vez conseguindo pousar em uma das luas, começava então a operação de procura e resgate por mineiros, agitando seus braços freneticamente e pedindo ajuda. Mas logicamente que a missão não seria assim tão simples, tendo que se desviar de torres e enfrentar naves espaciais inimigas, que por algum motivo queriam acabar com os pobres coitados dos carinhas. Após resgatados seis mineiros, era hora de voltar para o espaço, para fazer tudo de novo.


Sim, os jogos de Atari se caracterizavam pela repetição, e em Moonsweeper não era diferente. O jogo não tinha fim, e você ficava indo e vindo das luas, resgatando os astronautas, até perder todas as suas vidas. Mas o fato do jogo trazer uma grande diversidade de cenários e situações minimizava o efeito "dejá-vu".

Cada "turno" sempre se dividia em dois cenários principais, começando no espaço. Aqui você tinha que controlar sua nave, usando a haste do joystick para movê-la pra esquerda e pra direita, além de poder disparar infinitos mísseis com o botão vermelho. Sim, eram raros os jogos do Atari onde a munição não era infinita. Mísseis esses que acompanhavam um pouco a movimentação de sua nave: se você atirasse enquanto estivesse indo pra esquerda, seu míssil saía um pouco enviesado pra esquerda também.


Não tinha muito o que se fazer no espaço, o principal era se esquivar de cometas e meteoritos, que aparentavam mais com flechas de índio e pequenos pontos transitando pela tela, assim como bolas de fogo lançadas pelo sol que ficava no topo, mostrando que tal quadrante ficava perto de uma estrela meio estressada. Seguindo a típica fragilidade máxima dos jogos do Atari, um mero esbarrão em qualquer um desses obstáculos resultavam na sua nave explodindo que nem uma bola de fogo. Apesar de que todos eles poderiam ser destruídos com seus mísseis. Certamente o pessoal das naves do Armageddon e Impacto Profundo iriam gostar de ter mísseis capazes de explodir cometas.

Mas a USS Moonsweeper trazia ainda mais um ás na manga para enfrentar essas ameaças: um campo de força! Sim, o jogo ainda era dessa época mágica, onde a idéia de um campo de força impenetrável que não deixava passar nada era da hora, sendo acionado ao puxar a alavanca do joystick para trás junto com o botão vermelho (que poderia ser de outra cor também, claro). Embora em Moonsweeper a idéia de campo de força impenetrável parecia não ter sido reproduzida como deveria, pois na prática os objetos passavam pela nave. Tudo bem, desde que protegesse a nave sem perder uma vida, tá valendo.


Só que nem tudo são flores: por cada segundo que você mantivesse seu campo de força ligado, pontos eram deduzidos de seu placar, uma tática bolada pelos desenvolvedores para evitar jogadores filhos das putas que ficariam lá com o escudo ligado 100% do tempo. Embora isso pudesse ser usado ao seu favor: a cada 10 mil pontos você ganhava uma vida extra, logo alguém esperto poderia ficar com o campo de força ligado até seu placar cair até algo perto dos 9.900 pontos, e em seguida destruir algumas coisas para fazer 10.000 e ganhar uma vida, e assim por diante, até estocar uma quantidade razoável de naves extras.

Além dos destroços espaciais, durante essa etapa você poderia se deparar com as luas, na verdade círculos coloridos orbitando o sol, embora o conceito de lua indica um corpo celeste orbitando em torno de um planeta, que por sua vez é um outro corpo celeste que sim orbita em torno de uma estrela. As luas vinham em diversas cores de acordo com a dificuldade esperada, começando com a lua azul, mais fácil, passando pela lua de dificuldade média verde, depois pela difícil lua amarela e por fim na insana lua vermelha. Para pousar, bastava encostar com a nave na lua, desde que o milagroso escudo estivesse desligado.


Isso levava você e sua nave para o segundo cenário, na superfície da lua, que apresentava a cor associada, onde a missão de fato começava, onde sua nave voava a uma altitude extremamente baixa. Pelo meio do caminho você poderia ver os astronautas, os bonequinhos agitando os braços em cima de suas cabeças, desesperados pelo resgate, assim como torres que não serviam pra nada, a não ser atrapalhar seu trajeto. Nem mesmo um canhãozinho montado nelas! Mas bater em uma dessas torres custava uma vida. Claro que elas podiam ser destruídas com seus mísseis, embora valessem poucos pontos, não valendo assim muito a pena. Quanto aos astronautas, era necessário somente tocar neles com sua nave para resgatá-los, ato que era sempre acompanhado de um barulhinho estridente, que provavelmente tentava representar o carinha agradecendo. E como esperado, um simples astronauta não resistia muito ao impacto direto de um de seus mísseis, embora isso não custasse nenhum ponto apesar de toda a crueldade em vaporizar um pobre sujeito que você deveria estar resgatando...


Uma vez na superfície, os controles sofriam pequenas alterações. Para começar, nada de escudo na superfície da lua. Mas por outro lado você ganhava a capacidade de controlar a velocidade, acelerando ao empurrar a haste do joystick para frente e freando ao puxá-la para trás. Os mesmos mísseis continuavam a disposição, mas além disso você podia contar com mísseis superfície-ar (os populares Surface to Air Missiles, ou SAM), disparados para o espaço acima ao puxar a alavanca para trás e pressionar o botão de fogo. Mas, para quê você precisava desses mísseis?


Claro que não seriam somente torres estáticas que viriam a tentar impedir o resgate, e alguma raça de alienígenas (ou mesmo humanos canalhas) aproveitava esse momento de resgate para tentar destruí-lo. Bando de covardes filhos da puta, isso sim! Essas naves ficavam voando no espaço sobre a lua, com seu visual de disco voador e fazendo um barulho estridente, podendo ser atingidas pelos seus SAM. Essas naves eram chamadas de Lander Ships, devido a forma como agiam: em vez de armas, elas se aproximavam da superfície, e lançavam uma nave menor, chamada Surface Destroyer, para atacá-lo.


Embora a impressão era que na verdade a nave tinha soltado um cagalhão na direção da lua.

Depois de atingir a superfície, o Surface Destroyer (que mais parecia uma bolacha de água e sal gigante), começava a voar em círculos na sua frente, tentando destruir sua nave de duas formas diferentes. A mais comum era atirando, embora pela sua mira podemos dizer que era um Stormtrooper que ficava nos canhões. Porém, como essa nave se movia de forma destrambelhada, outra tática dela era simplesmente fazer um ataque suicida, se chocando contra a USS Moonsweeper. De quebra, além de tentar destruir sua nave, os putos tentavam atrapalhar o resgate também! Os Surface Destroyers podiam capturar astronautas, dificultando ainda mais a sua missão. Felizmente, além de poder vaporizar o Surface Destroyer com seus mísseis, você podia torcer para que ele desse uma de Felipe Massa e batesse numa torre.


Acontece que quase sempre, principalmente nas luas mais difíceis, o calhorda do Lander Ship ficava lá em cima voando, fazendo o seu barulho irritante, e tão logo você destruísse um Surface Destroyer, lá ia a nave e cagava mais outro Surface Destroyer para te encher o saco. Isso exigia que você também tentasse destruí-lo com seus SAM, acertando em cheio neles, resultando numa explosão em formato de bunda.


Além dos Lander Ships, volta e meia passavam pelo espaço satélites, estes totalmente inofensivos, mas que valiam muitos pontos e podiam ser destruídos também por um SAM certeiro, desaparecendo da mesma forma em uma explosão em forma de nádegas.


A idéia era percorrer a superfície da lua, evitando obstáculos e resgatando os astronautas mineiros. Uma vez tendo recolhido seis deles, chegava a hora de voltar para o espaço, e para isso a USS Moonsweeper dependia de Anéis de Aceleração. Basicamente uma estrutura bizarra no formato de garra, que só aparecia quando a nave estava lotada, e por onde você devia passar para ganhar velocidade. Depois de passar por uns 2 ou 3 deles em sequência, a nave ganhava velocidade para deixar a lua, onde um novo turno se iniciava, com inimigos mais perigosos.


Apesar de todo esse enredo se repetir sem parar, havia o toque de diversidade por conta da variedade de luas, pois quanto mais difícil a lua, mais complicado era o resgate, e consequentemente mais pontos podiam ser acumulados. De cara, a complexidade da lua estava associada à densidade de torres e astronautas, sendo que conforme a lua fosse mais difícil haviam mais torres e menos astronautas. 


Além disso, cada lua tinha suas peculiaridades. Na lua azul, mais fácil, os Lander Ships mal apareciam no topo da tela, o que, embora tornasse mais difícil acertá-los, dava mais tempo para atirar no Surface Destroyer em sua rota de pouso após ser defecado. Além disso, os Anéis de Aceleração ficavam aqui alinhados e não espalhados como ocorria nas outras luas, facilitando a decolagem. A partir da lua verde, os Lander Ships já mostravam a sua cara inteira, e os Anéis de Aceleração começavam a vir espalhados, exigindo muito mais agilidade para voltar ao espaço. A lua amarela seguinte tinha como grande característica o fato de que os Lander Ships costumavam lançar dois Surface Destroyers ao mesmo tempo, dificultando ainda mais a sua vida. E por fim, na infame lua vermelha sua nave ficava travada na velocidade máxima, exigindo muita rapidez nos controles e paciência para encontrar e resgatar os raros mineiros.


Sem sombra de dúvida era um jogo bem desafiador e legal de se jogar. Tá aí uma grande idéia de um remake para celulares, pois Moonsweeper tem um estilo bem divertido, ficando bem num meio termo entre uma diversão rápida e um jogo emocionante. Correndo o risco de parecer pouco original, realmente não fazem mais jogos como antigamente. 

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu sabia que esse post ia ser ótimo mas o engraçado é que todas as vezes que eu jogava esse jogo eu o achava horrível , mas quando li esse post achei ele muito bom ( acho que era porque eu não sabia jogar mesmo )

Agora eu queria saber uma coisa , porque em um blog com conteúdo tão bom como esse na parte dos comentários é tão parado ? Se bem que é melhor poucos comentários doque comentários idiotas como em sites famosos ( só espero que meus comentários não sejam como esses ! )

Texugo disse...

Obrigado pela visita, tava demorando pra sair esse post mas veio.

Realmente tem muitos jogos da época do Atari que eu não curtia, achava muito difícil talvez porque na época eu era moleque e faltava habilidade. Hoje, eu já consigo jogar melhor e é bem divertido.

Valeu pelos elogios, são poucos comentários sim, até porque sei que aqui não é um blog tão badalado como outros, mas o importante é saber que tem gente que vem aqui e está gostando. Obrigado mais uma vez!