quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A Manipulação da Mídia e o Pobrismo

Esse post trata-se de um assunto que já tem algum tempo, mas que eu preferi dar uma breve segurada até que eu terminasse um outra postagem que eu estava fazendo, que tinha como protagonista a mesma pessoa dessa, no caso a cantora Anitta. Achei melhor falar primeiro da boa notícia de saber que ela, além de ser uma über gata, torce para o Botafogo, antes de comentar sobre essa questão polêmica na qual ela se envolveu alguns dias atrás.

A história foi a seguinte: ela estava fazendo um de seus shows no Espírito Santo, quando então alguém atirou uma latinha de cerveja na direção dela. Com isso, Anitta parou tudo e começou a dar um esporro em quem fosse que tivesse tacado a lata, usando um linguajar digno de um estivador (embora nada demais, mulher pode falar palavrão sim), perguntando onde estava o "mal-educado que jogou essa p%$$@ aqui?", completando depois com o comentário dizendo que seria "coisa de pobre". Segue o vídeo que saiu na mídia.



Pronto. No mundo digital então ninguém falou de outra coisa, foram vários posts furiosos no "Faice", inúmeros revoltados com seus "tuítes" condenando a cantora por tal comentário. Todos os "jornalistas" de programas de fofocas fazendo juízo dela, e em pouco tempo a poderosa se tornou a pessoa mais "non grata" nesse país.

Só que aí teve o seguinte... O vídeo que você viu ali em cima, que foi largamente difundido pelos cantos, é somente um pequeno trecho que foi cortado de um vídeo maior, onde ela estava brincando com seus fãs, tentando dar uma de comediante de stand-up depois que um ator foi até o palco para promover sua peça. Realmente latas haviam sido atiradas no palco, inclusive na primeira o próprio comediante que estava lá com ela deu uma sacaneada, e depois ela então fez a piada em todo o estilo de stand-up comedy, fazendo inclusive uma voz forçada para acentuar a zoação, e no final falando pra todos que era só uma brincadeira. Você pode ir neste link aqui que fala a respeito do ocorrido, inclusive com o vídeo completo, que reproduzo aqui em baixo (se quiser pular toda a parte da música e dos babacas dançando e ir direto para o momento, vá para o instante 1:50, a tempo de escutar o ator mandar também um "não taca coisa no palco não, c@$%^&*.). 



Bom, vamos então falar a respeito desse assunto, que mostra duas características muito marcantes de nossa cada vez mais decadente sociedade brasileira. A começar pela falta de vergonha na cara daqueles que se dizem jornalistas, que fazem toda essa arruaça e criam uma situação muito desagradável ao forjar uma notícia. Fica claro que foi uma editada de vídeo muquirana, mostrando somente uma pequena parte do ocorrido na prática, que aliada a um texto manipulador consegue criar uma notícia totalmente deturpada, que muitas pessoas de pouco ou nenhum senso crítico acreditam.

O "jornalismo" de celebridades tem muito disso, coisa baixa que vemos em programecos da televisão como TV Fama ou exemplos de desperdício de papel como a revista Caras.


Sempre foi assim, as notícias negativas, difamadoras, comprometedoras e chamativas é que ganham destaque nessas merdas, chamam mais a atenção do que falar de coisas normais ou corriqueiras. Tudo bem, não precisamos partir para o exagero de noticiar o cotidiano de tudo, como típicas pérolas do site Ego como "Fulano de tal é visto andando com camisa xadrez" ou "Siclana, a Coisinha da novela, na padaria comprando meia dúzia de pão francês". Mas bem que se podia falar a respeito de coisas mais naturais e relacionadas ao mundo das celebridades, mostrar por exemplo o sucesso que uma determinada peça de teatro está fazendo ou contar a trajetória difícil de uma personalidade até chegar na fama.

Acontece que o povo gosta de polêmica, gosta de fofocas e boatos. O povão quer ver as fotos de paparazzi de uma atriz dando pro amante, sem o conhecimento do marido; o povão quer ver o ator sendo parado na blitz da Lei Seca discutindo com o guarda; o povão quer ver a cantora bêbada, sentada de pernas abertas sem calcinha no carro; o povão quer ler sobre a frase que uma personalidade disse que foi considerada ofensiva. E por aí vai... 

E esses "jornalistas" dão ao povão o que eles querem. Tudo bem que tem muitas personalidades que dão munição de sobra pra mídia, é só pegar exemplos de cantores e atores que são extremamente polêmicos, que parecem que fazem questão de fazer essas merdas para aparecer nos tablóides e nos jornais. A "cantora"/"atriz" Miley Cirrus é um dos maiores exemplos na atualidade, com suas aparições bizarras e participando de situações absurdas, acho que nunca ninguém poderia imaginar que a cuti-cuti que fazia a Hannah Montana poderia virar um pesadelo pós-apocalíptico.



 Até o Ozzy se cagou nas calças depois de ver essa

Mas é realmente deprimente descer tão baixo a ponto de manipular a verdade só para criticar uma pessoa. Isso é inadmissível, se esses energúmenos se dizem jornalistas, deveriam ter compromisso com a verdade. Só que parece que o desejo de criar uma matéria polêmica, de ter os seus cinco minutos de fama por expor algo controverso para ganhar uma grana em cima falam mais alto. 

O pior de tudo é o seguinte: antes essa manipulação de notícias e fatos fosse apenas no mundo das celebridades, o grande problema é que ela ocorre também em todas as esferas da comunicação, em todos os tipos de fatos e histórias. É muito descarado, tem horas que você assiste a mesma notícia em telejornais diferentes e dá pra perceber claramente como muitas vezes se tenta dar a notícia de uma forma direcionada, destacando mais um determinado fato que interessa mais, alterando o papel de vítima e vilão da história ou induzindo o público a pensar de determinada forma. Às vezes uma tática tão sutil, como usar uma determinada palavra, mostrar uma foto de um determinado ângulo ou, como foi no caso da Anitta, mostrar somente a parte do vídeo que interessa, é suficiente para manipular a informação e passar uma idéia que não tem nada a ver com o que de fato aconteceu.


Eu já havia dito na outra postagem que falei da Anitta, que não curto as músicas dela, pelo menos enquanto ela estiver nessa fase de funk. Admito inclusive que ela estrelou aquele post muito mais pelos seus "atributos" que beiram a perfeição e pelo fato de torcer pelo meu Botafogo. Mas eu, não sei... Eu tenho uma certa percepção sobre as pessoas, consigo muitas vezes ver se alguém vale a pena ou não, se é uma pessoa de bem ou não. E por mais que possa ser exagero de minha parte, ou possa parecer que eu esteja me deixando influenciar pela aparência dela, eu não consigo perceber a Anitta como sendo uma pessoa que iria ter uma postura discriminatória, não consigo ver nela uma pessoa metida à besta e escrota. Como eu por exemplo vejo na Miley Cirrus, que só falta pendurar uma melancia no pescoço. Ela sem dúvida está sendo muito alvejada por pessoas que têm o interesse de manchar a sua vida, seja com uma intenção de atacar a sua pessoa ou somente com o objetivo de criar manchetes para jornalecos de quinta categoria. Afinal de contas, ela é uma personalidade em destaque hoje em dia.
 
Faço até questão de reproduzir aqui parte do texto que a cantora divulgou após essa polêmica, apenas parte pois nesse ponto a Anitta se parece comigo, escreve bastante. E para não dizerem que eu estou manipulando a informação e só colocando aqui o texto que me interessa, podem ver o texto na íntegra aqui, no mesmo site que vi o vídeo completo.


"Eu sempre pensei que o jornalista fosse um profissional de muita importância na sociedade. Na minha cabeça, eles exerciam um papel de extrema delicadeza: levar ao público informações sobre os fatos e acontecimentos.

Hoje em dia parece não funcionar mais assim. Com o aparecimento da internet, qualquer um se diz jornalista e distribui seus 'conteúdos' para o público.

Cada dia que passa eu me dou mais conta de que os valores de compromisso e responsabilidade com a verdade para com o espectador se perderam. (...)

A mídia tem o poder de transformar uma lebre em lobo… e vice versa. Simplesmente porque nós, como público, acreditamos que essas pessoas tem o papel de transmitir informações pra gente. E não de criar ou manipular notícias para que vendam mais.

Antes, quando leitora, eu acreditava em tudo. Hoje só acredito no que vejo com meus próprios olhos… e olhe lá.

A nossa cultura acostumou o povo a se interessar por aquilo que é ruim. Comparem o tempo em que uma catástrofe fica sendo falada na mídia, com o tempo em que se fala de ações humanitárias ou acontecimentos que acrescentam na nossa cultura, educação ou caráter (a não ser que tenha dinheiro envolvido). Portanto, é muito mais fácil pra um 'jornalista', vender matérias inventadas que falam sobre como eu faço coisas ruins com os outros, do que como o meu trabalho é um trabalho legal e sobre como eu trabalhei igual louca pra chegar onde cheguei. Ou das coisas que faço pelos fãs, pela minha família e pela minha equipe. E aí, tudo que eu falo ou faço é distorcido ou aumentado ao triplo para que gere mais interesse do público em acessar/comprar aquilo. E lá vai o povo ser enganado, como sempre, a troco de dinheiro. Quero deixar claro que não sou todos. Conheço jornalistas sérios e profissionais e não duvido que exista muito mais. (...)"

Olha, pode até ser que ela tenha precisado de ajuda de algum assessor de imprensa ou relações públicas para escrever esse texto, ou mesmo tenha sido tudo escrito por ela mesma, não importa. Mas só digo o seguinte: palmas para a postura da Anitta, falou tudo. Mostra que não é só porque ela canta funk e usa roupinhas provocantes que signifique que ela não tenha valores corretos. Mostra que ela parece ser sem dúvida uma pessoa correta e de bem.


Muitas pessoas que estão esbravejando comentários contra a cantora fazem inúmeras críticas contra ela e sua música, aproveitando a oportunidade deste momento onde surgiu essa notícia para criticar o trabalho. Já disse isso várias vezes e repito, quanto o assunto é preferência cultural, seja para música, cinema, literatura ou qualquer coisa, cada um tem a sua preferência, cada um possui estilos dos quais é fã e outros que condena. Ninguém é obrigado a gostar de uma determinada coisa, todo mundo é livre pra curtir aquilo que bem entender. Eu mesmo admito, não gosto de funk, as músicas da Anitta não me agradam, mas não é por isso que vou hostilizar a moça. 

Sim, quando o assunto é música tem muitos que eu critico e hostilizo sim, não tenho vergonha de admitir. Mas a causa da crítica não é só pelo fato de que eu não goste da música, sempre tenho alguma razão para isso. Critico por exemplo cantorezinhos de merda da MPB que se tornam estrelas de topo das paradas por inventarem palavras como um "shimbabaliê" da vida ou somente graças à postura exacerbadamente nacionalista de nossa mídia, ou bandas de desenho animado que são tidas como fenômenos da música não pela música que tocam mas pela jogada de marketing de ser um grupo "virtual", ou artistas que estão mais preocupados em aparecer em situações escandalosas ou ir para os palcos vestidos de forma bizarra e com isso ganham espaço nas rádios. Diferente do que as pessoas fazem, que por simplesmente não gostarem da música que ela canta, descarregam críticas e xingamentos.

Muito interessante é que, como poderia se esperar, boa parte dessas pessoas são os já conhecidos "filhos de Deus", os religiosos ferverosos que acham a música de Anitta subversiva, imprópria para menores, sempre aparecendo algum lesado dizendo coisas como "imagina só minha filhinha vendo isso!". As mesmas pessoas que criticam coisas como, por exemplo, desenhos como Simpsons e South Park, filmes do Stallone e do Chuck Norris, jogos como GTA e Duke Nukem, dizendo serem más influências para as crianças. Pessoas que parecem que de propósito ignoram o fato de que estes desenhos, estes filmes, estes jogos e da mesma forma músicas como a da Anitta são para adultos, e não crianças. Pessoas que em vez de educarem seus filhos para explicar que não devem reproduzir o que vêem nos filmes, que o que tem nos jogos é só uma brincadeira que deve se restringir ao computador, enfim, pessoas que parecem que não querem dedicar tempo para educar os seus filhos, deixando eles largados com seus videogames, televisão e celulares, e que depois querem proibir ou condenar aquilo que não é direcionado para os pimpolhos.


Claro, que as mesmas pessoas não criticam a putaria do Carnaval, os péssimos valores apresentados pelas novelas da Globo ou as músicas pseudo-eróticas ou que fazem apologia às drogas da MPB, todas elas apresentadas de forma gratuita na rede aberta para todos... Mas isso é assunto para outra hora...

De qualquer forma, permita-me agora direcionar o tom da conversa aqui para outra questão que observei no meio de toda essa grita contra a Anitta. Afinal de contas, declarações polêmicas estão por toda a parte, toda hora tem alguém falando alguma coisa mais chamativa, que tipicamente vai para aquelas páginas de "frases da semana" da Veja ou da Época. Mas por que o que foi dito pela cantora gerou tanta fúria, tanta revolta das pessoas? Por que isso gerou mais fúria do que aquele viado do Caetano Veloso apoiando os terroristas do Black Bloc, por exemplo? Por que a frase dela (reforçando novamente, apresentada de forma isolada fora do contexto real e induzindo idéias erradas) foi tida como preconceituosa, mais do que as inúmeras pérolas proferidas pelo animal do Lula, que entre outras falou coisas como "a crise é culpa de gente branca de olhos azuis" ou dizer que a mulher tem que ser submissa a homem por gostar dele? 


Isso ocorre pois, induzidos pelas notícias manipuladoras, essas pessoas interpretaram que a Anitta pensa que todo pobre é mal-educado... E aí então o povinho de merda explodiu em revolta...

Tudo isso porque o Brasil é uma nação onde a sociedade é tomada por uma, digamos... doença que podemos chamar de "pobrismo". O pobrismo é aquela postura adotada por muitos aqui, se destacando os nossos ilustríssimos políticos petralhotários e seus fãs ardorosos de camisas vermelhas do Che Guevara que apreciam exemplos de "democracia" como Cuba e Venezuela, onde parte-se do pressuposto que o pobre é tudo de bom, tudo relacionado à vida do pobre é o que há de melhor, que o pobre por definição sempre está certo, sempre é gente de bem e honesto. 

Aí quando alguém critica uma pessoa pobre, quando alguém diz alguma coisa que é interpretada como uma ofensa contra a pobreza... A sociedade se revolta.

Eu já falei um pouco a respeito disso nessta postagem aqui, onde comentei sobre o ódio exacerbado que se tem pela classe média, onde falei também muito da classe pobre, como ela é sempre tão defendida pela sociedade em geral e sobre como ela age muitas vezes de forma inconsequente, sem noção das prioridades e do que é importante, como aquela mulher que reclamava que o Bolsa-Família mal dava pra pagar uma calça pra filha de dezesseis anos, porque uma calça para uma jovem de dezesseis anos é mais de 300 reais. Inclusive naquele texto eu escrevi com todas as sílabas de que eu via que os pobres em sua imensa maioria não têm educação, sob um ponto de vista que eles por não serem suficientemente instruídos, por eles não terem noção de como a realidade é, se deixam ser influenciados e enganados pelos nossos políticos e suas esmolas assistencialistas, acabam sendo ingênuos e não percebem que eles são pobres porque é interesse dos governantes que se mantenha a pobreza. Pois a pobreza dá Ibope, seu voto é fácil de ser conquistado com um Bolsa-alguma-coisa, sua opinião é facilmente manipulada com as historinhas que eram contadas pelo Imperador Inácio I e pela presidenta dentuça. 


Essa é a cultura do pobrismo, que aplaude a pobreza, que a considera o que há de melhor em nosso país. O pobrismo assume que o pobre nunca é responsável pelo seu estado de pobreza, que a culpa é sempre da classe média, que retém mais capital do que tem direito, esse excedente que deveria ser por direito dos mais pobres. Mas que, apesar de viver em condições difíceis, o pobrismo defende que o pobre tenha direito a ter seus luxos, que aquele que sobrevive com salário mínimo tem todo direito de ostentar um iPhone, de assistir o Mengão numa TV de 80 polegadas, de comprar uma calça de mais de 300 reais para a filha de dezesseis anos. Convencida, deslumbrada e metida é a classe média se fizer o mesmo, o pobre pode. 

E isso que resulta da má interpretação que as pessoas fizeram do episódio da Anitta. Pois além de tudo isso, o pobrismo prega que o pobre é inimputável. O pobre está sempre certo, nunca errado. O pobre é sempre honesto, nunca mentiroso ou aproveitador. O pobre é sempre gente de bem, nunca é bandido ou marginal. E o pobre é sempre a finesse em pessoa, nunca é mal-educado. 

Da mesma forma que a Anitta, eu não estou dizendo que todo pobre é mal-educado. Mas, infelizmente, boa parte é. Me refiro agora mesmo à educação de saber se portar de forma educadas em um lugar, e não à instrução ou formação (embora também não seja o forte da classe pobre). Isso em grande parte pelos pobres não terem recebido determinada educação para certas coisas, ou mesmo por ignorarem e desprezarem solenemente uma postura educada, o que faz com que alguns deles achem perfeitamente normal atirar uma lata de cerveja em um palco. Podem falar o que quiser, estou só apontando um fato.

Embora a cantora estivesse naquele momento fazendo uma piada, improvisando como numa comédia stand-up diante daquela situação, fato é que teve gente que jogou lata mesmo em direção ao palco, e isso é sim um exemplo de falta de educação, diria até uma agressão. Se essa lata pega em alguém no palco ou na platéia, pode machucar. Está errado sim. Mas aí as pessoas preferem é condenar e criticar a Anitta, preferem dizer que ela é preconceituosa e dizer que ela acha que todo pobre é mal-educado. Se a lata pegasse na cabeça dela, cortasse o rosto dela, será que alguém iria falar alguma coisa? Será que alguém iria criticar o filho da mãe que tacou a lata? 

Talvez só se ele não fosse pobre. Sim, de novo o pobrismo faz com que o pobre seja sempre inocente, errado sempre é o "rico", mesmo que esse "rico" seja na verdade alguém de classe média. Se a Anitta levasse uma lata nas fuças, por definição não teria sido um pobre, teria sido um rico. É que nem quando morre alguém no morro: nunca o tiro veio da arma do traficante, sempre é da polícia, segundo os moradores da favela.  

E vou mais longe: a Anitta fez uma piada de pobre sim. E se tivesse sido outra pessoa, será que ia gerar essa polêmica toda? O Falabella no Sai de Baixo cansava de mandar essas piadas de pobre, por que ninguém pediu a cabeça dele? 

 
Parte disso também é pela própria "aura" de inocência que se põe sobre os pobres. A sociedade pobrista é tolerante, perdoa as falhas da classe mais pobre, com as mais diversas desculpas. De novo, pobre sempre é inocente, pobre pode fazer as coisas e ficar sem ser punido, porque ele é pobre. Se eu chegar e jogar um papel no chão, se eu levar meu cachorro pra praia, levo multa; mas, será que o pobre será multado se largar lixo na praia, será que o mendigo será multado se revirar lixeira atrás de lata de cerveja ou cagar na rua, será que o favelado será multado por despejar lixo na encosta do morro? Duvido!

Antes que venham a colocar palavras na minha boca, não estou sendo generalista. Não estou dizendo que todo pobre é mal-educado, e que não existam pessoas de melhor classe social que sejam mal-educadas. Mas eu acredito que seja um fato, seja algo que possa ser comprovado estatisticamente, que quanto mais pobre, maiores as chances de que a pessoa venha a ter um nível de educação mais baixo, novamente, em parte pelo fato de não ter tido acesso ao mesmo nível de instrução de classes em melhores condições, mas também graças à postura complacente pró-pobre de nossa sociedade que lhes confere o direito de serem mal-educados e ninguém poder dizer nada.

Apenas para comprovar isso, é só ver a teoria do 484. Quem mora no Rio, principalmente na Zona Sul, conhece o ônibus que faz o itinerário Olaria x Copacabana. Imagine um domingo de verão, 40 graus no Rio de Janeiro, lá pelas quatro ou cinco da tarde. Aí você vê 484 lotado como esse ônibus, cheio de gente pendurada nas janelas, batucando dentro do ônibus, gritando alto e mexendo com as pessoas na rua, atazanando a vida dos outros passageiros, muitas vezes criando problemas com a polícia que se vê obrigada a parar o coletivo e remover os mais baderneiros...


Pergunta: esse 484 está indo pra Copacabana ou Olaria?

Enfim, brincadeiras à parte, é realmente revoltante ver como uma mídia manipuladora aliada a uma sociedade hipócrita e estúpida resulta nesse episódio que fez a caveira de uma cantora inocente. Não gosta da música da Anitta, vai escutar outra coisa; acha que ela é um mau exemplo para seus filhos e filhas, então os proíba de ver (embora até parece que proibir, ainda mais hoje nos tempos de Internet, adianta alguma coisa). Agora, inventar bobagens a respeito dela só para justificar seu ódio por ela ou só para vender jornal, aí é uma puta sacanagem. Deixa a gatinha em paz, ela não fez mal pra ninguém...

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