quinta-feira, 16 de maio de 2013

Lixo na rua

Mais uma das idéias do Dudu Paes, prefeito do Rio. A partir de agora, foi instituída uma lei que estabelece uma multa para quem jogar lixo na rua. Começa em julho, conforme pode ser visto nessa notícia, a multa tem diferentes valores dependendo da quantidade de lixo, indo desde R$157 para quem jogar algo até o tamanho de uma lata de refrigerante, mas podendo chegar a muito mais.


Tudo bem, é uma idéia até que louvável, pois realmente o povo brasileiro em sua imensa maioria só sabe agir de forma correta na base da porrada. O povão em geral não tem um pingo de educação e bom senso de não sujar as ruas, de perceber que emporcalhar a cidade só traz problemas, como mau cheiro, doenças e bueiros entupidos, que colaboram para as cheias durante as chuvas. Para qualquer pessoa inteligente e educada, isso seria suficiente para que não se jogue lixo nas vias públicas, mas aqui o cenário é outro. Só mesmo colocando uma punição...

Já comentei aqui em diversas oportunidades, e é fato de que o povo em geral só faz ou deixa de fazer alguma determinada coisa ou quando ele espera ser recompensado e levar vantagem por essa ação ou por medo de ser punido e sofrer consequências negativas. O povão em geral é burro, não pensa nas verdadeiras consequências de uma determinada atitude ou atividade, a não ser que ele seja imediatamente beneficiado ou prejudicado por ela. Isso se faz perceber ainda mais aqui no Brasil, onde é cada um por si, e que se fodam os outros.

É só você ver como que o cidadão brasileiro comum age quando o assunto é lixo, é só você caminhar uns dez minutos no centro de uma grande cidade para ver a total indiferença: o sujeito termina de comer um salgado e joga o papel no chão; a mulher termina de tomar seu suco diet e deixa a garrafinha estrategicamente largada na fachada de um prédio; o senhor termina de fumar seu cigarro e joga os restos no meio-fio. É uma sujeirada impressionante.


Existem ainda mais casos incríveis, que beiram o ridículo. Por exemplo, tente observar de manhã cedo, os faxineiros fazendo a limpeza das calçadas em frente aos prédios. Já vi inúmeras vezes certos edifícios onde os faxineiros pegam toda a sujeira que está na calçada, como folhas, latas de refrigerante e sacos plásticos, e simplesmente varrem para o meio-fio! Sim, tem muitos casos em que eles não recolhem essa sujeira, só jogam ela na rua. Faziam isso inclusive no meu prédio. Questionei o faxineiro certa vez a respeito da prática estúpida, ele me disse que eram ordens do síndico; fui então procurar o síndico, que me respondeu com um sorriso amarelo, dizendo que era responsabilidade do prédio limpar só a calçada, o meio-fio e a rua era com a Comlurb...

Na boa, deu uma vontade imensa de esmurrar o filho da puta do síndico. Típica postura de alguém que pode resolver o problema de maneira simples (só usar uma pá e um saco de lixo nesse caso), mas prefere apenas empurrar o problema para que seja responsabilidade de outro.

Aliás, esse é um comentário muito comum que certos idiotas fazem a respeito do lixo na rua. Certa vez vi uma mulher, uma dessas madames da Zona Sul que se acha melhor que a ralé e que quer arrotar salmão quando come sardinha, jogando um pacote de cigarros vazio no chão, bem na minha frente, a ponto de quase cair em meus pés. Chamei a atenção, até porque havia uma lixeira a menos de cinco metros dali, e a mulher me ver dizer que jogando lixo na rua a gente garante o trabalho dos garis...


Sério, esse é um povo muito sem vergonha... Muito porco... Garantir trabalho do gari, vê se pode? Agora, ninguém quer morrer pra garantir o trabalho do coveiro, né?

Tem uma conta que eu gosto de fazer, que tem a ver com a virada de ano. A festa de Reveillon em Copacabana é uma das mais famosas do mundo, com turistas vindo de todos os cantos do Brasil e do planeta.


Aí eu costumo enumerar alguns números. Pôrra, ficou redundante essa frase...

Na festa desse ano, foram recebidas somente na praia de Copacabana algo em torno de 2,3 milhões de pessoas. Todo esse pessoal assistiu uma festa de luzes e som proporcionados por 24 toneladas de fogos de artifício. Porém, no final da festa no dia seguinte, a Comlurb recolheu das areias 403 toneladas de lixo.

Você percebe que, para cada tonelada de fogos de artifício foram recolhidas em torno de 17 toneladas de lixo? É quase 200 gramas de lixo por pessoa que foi na festa. É muita coisa... É um retrato de como é nosso povinho.


E não adianta virem com a típica desculpa de que não há lixeira suficiente. Tudo bem, eu posso até entender que a distribuição das lixeiras pela cidade pode não ser a ideal, tem lugares que há lixeiras de mais e outros com lixeiras de menos. Mas não é desculpa: muitos estabelecimentos, como quiosques e lanchonetes possuem suas próprias lixeiras, é só jogar ali. Ou se não tiver nada por perto, que fique com o lixo até achar um lugar para deixá-lo, embora muitas pessoas ficam com frescura, cheia de nojinho. Eu mesmo por exemplo já peguei um ônibus na Gávea e fui até o Centro com uma lata de Coca-Cola na mão por não ter lixeira no ônibus, uma situação onde o carioca típico iria simplesmente largar a lata ali, escondidinha debaixo do banco, ou mesmo jogá-la da janela.


Infelizmente esse é um traço do brasileiro, é um povo porco, não dá a mínima para as demais pessoas que vão ter que se deparar com a sujeira. Vai num banheiro público, é sempre uma nojeira, gente que caga tudo (literalmente), aquele sentimento de que alguém vai limpar a sujeira depois. Vai em um cinema, depois do filme a maioria das pessoas larga tudo ali pelos cantos, como sacos vazios de pipoca, embalagem de chocolate e copos de refrigerante. E como no caso do ônibus, normalmente esse lixo é escondido no meio das cadeiras, ou debaixo das mesmas. É como vemos nos desenhos animados quando varrem a sujeira para debaixo do tapete, dando aquela sensação de estar escondendo a prova do crime, de que ninguém poderá acusar a pessoa de ser porca se o lixo não estiver visível...

Isso sem falar de um hábito nojento, abominável, escroto e repulsivo, que só o brasileiro tem...


Realmente, não tem coisa que me dá mais nojo do que estar andando na rua e vem alguém, rosnando como se fosse um animal enjaulado, puxando o ranho lá do fundo do esôfago e dando uma escarrada no chão. Muitas vezes disparando a gosma melequenta perto de outra pessoa, e já vi até vezes de porcos que acabavam não calculando muito bem o esforço labial e a geleca acabava caindo em suas camisas ou calças, o que eu acho muito bem feito. Sério, pra quê isso? É necessário dar essa escarrada nojenta no meio da rua? O mais nojento é que até já vi mulheres que fazem isso, turn-off pior impossível.

Tem aqueles que ainda fazem pior, que apertam bem o nariz, deixando somente uma narina aberta e dão aquela assoada violenta, voando catarro para todos os cantos. Por que não usar a pôrra de um lenço, cacete?


Dessa forma, como o povo não sabe ser limpo por bem, resta mesmo tentar força-lo a ser por mal, com a implementação dessa multa. Certamente muitas pessoas vão deixar de jogar lixo na rua com medo de serem multadas, os sujismundos vão ficar com um pé atrás antes de largar sujeira pelos cantos. E de quebra podiam multar também quem escarra na rua.

Acontece que eu honestamente não sei se isso vai funcionar assim tão bem. A quantidade de gente porca nessa cidade é absurda, e vai faltar gente para fiscalizar e multar essas pessoas. Como pode ser visto na notícia que indiquei, para começar seriam 500 fiscais, o que acho pouco para o tamanho da cidade e quantidade de lixo que se retira as ruas diariamente. É um começo, tudo bem... Mas tenho a certeza de que vamos continuar vendo as ruas sujas, porque esses fiscais não vão dar conta de tudo.

Claro que nessas horas em que se propõe uma medida dessas mais punitiva, aparecem aqueles que contestam, dizendo que punir não adianta, o importante é educar o povo. Concordo que ser limpo e não jogar lixo na rua é algo que vem da educação da pessoa, e isso deve vir desde o berço. Não pode, por exemplo, o pai ou a mãe da criança pequena  ficar dando mau exemplo ao jogar lixo na rua. Na escola essa postura mais limpa deve ser incentivada da mesma forma. E não descarto campanhas nos meios de comunicação, alertando para as consequências negativas que podem vir com a sujeira urbana. Mas acho que também deve ser colocada a multa, pois tem muita gente aí que por mais que você mostre o caminho certo, só vai aprender quando houver o risco de doer no bolso. Como já disse, o brasileiro é um povo egoísta, só pensa em si mesmo, está preocupado somente em resolver o seu problema, cagando e andando para as consequências que não o atinjam diretamente.

Só o tempo dirá se essa lei vai pegar, se ela vai conseguir ensinar o povo para ser um pouco mais limpo e não sujar nossas ruas. E que seja uma coisa permanente, e não somente mais uma dessas práticas de maquiagem só para gringo ver na Copa e nas Olimpíadas.

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