domingo, 21 de abril de 2013

Strike

Mais uma postagem sobre jogos, essas são bem legais, principalmente por muitas vezes ser uma sessão de nostalgia, me lembrando dos tempos nos quais eu ficava nos fins de semana jogando videogame. Já tivemos algumas por aqui, e essa de agora varre uma série de jogos que figuravam entre os meus favoritos na época do Mega Drive. Trata-se da série Strike (embora raramente referenciada dessa forma), com os jogos de helicóptero que surgiram lá com o Desert Strike há quase 20 anos...

Puta merda... Vinte anos? Como o tempo voa...

Sempre gostei de jogos de tiro e guerra, juntamente com os jogos de corrida. Mas esse tipo de jogo costumava seguir sempre duas linhas principais, com suas respectivas vantagens e desvantagens. Muitos jogos valorizavam mais a ação e a qualidade gráfica, sendo bem empolgantes de se jogar, porém pecando fortemente contra a realidade. Por exemplo, imagine o avião do After Burner, com seu arsenal de mais de 80 mísseis... Por outro lado, haviam jogos que partiam para a premissa de serem realistas, verdadeiros simuladores bem detalhados, exigindo muita estratégia e raciocínio para jogar. Porém isso estava associado a uma dificuldade muito maior de jogar, além de serem jogos com uma qualidade gráfica muito inferior, pelo menos na época dos consoles de 16 bits.

Em 1992, surgiu então Desert Strike, desenvolvido por um sujeito com Doutorado em Engenharia Mecânica e que nunca tinha criado sequer um jogo, que viria a revolucionar por completo os jogos de guerra e tiro da época, conseguindo criar um jogo empolgante, com gráficos muito bem feitos, mas que trazia um toque suficiente de estratégia para que Desert Strike não viesse a ser apenas um joguinho de tiro estúpido, se tornando um dos jogos mais vendidos na época da Electronic Arts, que começava naquele tempo a sua caminhada para ser a gigante que conhecemos hoje.


Desert Strike foi descaradamente influenciado pela Guerra do Golfo, algo que muitos moralistas criticaram (sempre tem uns merdas para criticar), com uma história semelhante. Tudo começa apresentando o bandido da história, o General Kilbaba, que na base da força conseguiu dominar um pequeno país do Oriente Médio (cujo nome jamais é citado em todo o jogo). Ele é visivelmente inspirado no Saddam, porém ao contrário do bigodinho Kilbaba é bem mais nervoso e violento.


E tem um prazer em descer a porrada em seus lacaios, como podemos ver na abertura do jogo...


Buscando evitar uma explosão midiática como da Guerra do Golfo, o que certamente poderia provocar Kilbaba a tomar atitudes mais extremas, os Estados Unidos preparam uma pequena equipe para se infiltrar no território inimigo e dar um fim à invasão. E aí era que o jogador entrava, personificando o piloto de um helicóptero AH-64 Apache, invadindo as linhas inimigas.

Como eu disse, Desert Strike apresentava um bom equilíbrio entre a ação dos jogos de tiro com a estratégia dos simuladores. Era um jogo em terceira pessoa, onde você via o seu helicóptero ali na tela, se deslocando em uma ampla região totalmente interativa, que podia ser estudada através de um mapa. Apesar de você não poder controlar a altitude, era possível se deslocar para qualquer lugar, podendo bater em prédios, mas também atirar em qualquer coisa. Essa interatividade era uma das coisas legais do jogo, não deixando-o preso a um caminho pré-determinado. E, graficamente, o jogo também era bem feito. Claro, para os padrões da época.


Mas havia também a questão da estratégia. Ao contrário de jogos de tiro, onde você normalmente fica voando com um caça de combate com combustível infinito, podendo atirar sem parar, em Desert Strike você precisava controlar certos aspectos de seu helicóptero, disponíveis na mesma tela do mapa. Por exemplo, você tinha uma certa quantidade de combustível, que ia sendo gasto conforme você ia voando (exceto sobre a água, sobre a qual misteriosamente o combustível não gastava), acabou a gasosa e o helicóptero caía, perdendo-se uma vida.


O mesmo podia ser dito pela munição, seu arsenal era finito e precisava ser controlado. O mais legal era que o jogo trazia o armamento real, típico de um Apache: além de uma metralhadora frontal, ele trazia casulos com foguetes Hydra de curto alcance e os poderosos mísseis anti-tanque Hellfire. Cada munição com sua quantidade pré-determinada e poder de fogo: dessa forma, tentar destruir um tanque na base do canhão levava muito tempo, enquanto que usar um míssil em um soldado era um grande desperdício de munição, sem falar de ser exageradamente sádico.

Fugindo um pouco da realidade, tanto o combustível como a munição podiam ser recarregados ao pegar galões de gasolina ou caixas de munição, espalhadas por diversos locais do mapa ou debaixo de construções que precisavam ser postas abaixo, usando para isso um gancho com corda que saía da barriga do helicóptero. Tudo bem, o Apache de verdade não tem gancho, e essa de reabastecer em pleno vôo é um pouco bizarro, mas foi a forma criativa e bem bolada de tornar a ação do jogo mais fluida e rápida, sem exigir que você procurasse sempre uma base para reabastecer.

Além do gancho, o Apache contava com uma escada, podendo com ela pegar passageiros, até um máximo de seis pessoas. Sim, absurdo mesmo, quem entende mais da área militar ou tem um mínimo de noção espacial sabe que de verdade esse helicóptero não tem como levar passageiros. Mas, melhor enfrentar um ditador louco com um Apache meio falsificado do que com um helicóptero de carga, não é?


A possibilidade de transportar passageiros abria opções para missões de resgate e captura de inimigos, ampliando ainda mais a diversidade do jogo. Haviam também soldados americanos espalhados pelo mapa (os MIAs, ou Missing In Action), civis em acampamentos fora da cidade e até mesmo soldados inimigos pegos de surpresa e correndo de cueca, que podiam ser igualmente resgatados. Esses passageiros podiam ser descarregados em pequenas bases aliadas (as famosas landing zones, ou LZ's), sendo que cada passageiro descarregado recuperava alguns pontos da blindagem, também finita (em Desert Strike não tinha essa de levar uma pedrada e o helicóptero explodir). Ou, caso você estivesse no aperto e não tivessem passageiros, podia recorrer a uma caixa de ferramentas, item bem raro de achar, e que recuperava toda a sua blindagem.

Mas nem tudo no Apache era fantasioso... Como ocorre de verdade, são dois tripulantes, sendo que você personifica o piloto que controla a aeronave. Há também o co-piloto, que opera as armas do helicóptero e aqui também opera o gincho/escada. Antes de cada campanha, você podia escolher um dos cinco co-pilotos disponíveis, cada um com suas habilidades. Alguns eram melhores de tiro, sendo capazes de atingir alvos mais distantes ou mesmo atirar em um ângulo mais aberto, enquanto outros eram melhores em operar a escada, conseguindo pegar objetos com mais facilidade. Para deixar as coisas mais interessantes, o melhor deles estava desaparecido, e cabia a você encontrá-lo em uma das missões.


O jogo trazia quatro campanhas, e cada uma delas uma sequência de missões. Normalmente, essas missões tinham que ser feitas em ordem, pois tipicamente uma influenciava a outra. Por exemplo, logo na primeira campanha o objetivo principal é destruir os aeroportos inimigos, mas antes você deve neutralizar duas estações de radar, para assim não ser detectado, e também destruir a estação de força que supria eletricidade para o aeroporto. Tentar fazer as missões fora de ordem era muitas vezes assinar uma sentença de suicídio, e nas campanhas mais avançadas algo impossível, uma vez que as missões só ficavam habilitadas a partir de um certo momento.


E a diversidade de missões era algo legal no jogo. Embora a maioria das missões fosse mesmo "destruir X", haviam também as sempre tensas missões de resgate de prisioneiros ou captura de comandantes inimigos. Tinham algumas missões de velocidade, como localizar e destruir lançadores de mísseis Scud antes que eles fossem lançados, e até mesmo interromper grupos de soldados que estavam lançando óleo no golfo, mostrando que Desert Strike também tinha consciência ecológica. Claro que nessas missões você vinha a enfrentar o pesado arsenal de Kilbaba, composto com tanques anti-aéreos, lança-mísseis e carros blindados, além de soldados a pé.


Uma das missões mais legais era o resgate da embaixada americana, na terceira campanha. Em vez de levar os caras em seu helicóptero, a idéia era mandar o seu co-piloto dirigir um ônibus escolar com toda a equipe da embaixada, de forma que você tinha que providenciar a escolta. Sensacional!


E as missões não podiam ser feitas à la Bangu, como diria o Capitão Nascimento era importante ter estratégia. Avaliar a região, isolar o perímetro ao redor de uma prisão antes de iniciar o resgate, dar uma olhada no radar, ver se tem munição disponível, todos esses cuidados eram necessários. Até porque certas missões tinham chance de dar zebra, se você fizesse uma cagada muito grande, como deixar muitos civis morrerem ou mandar um foguete sem querer na cabeça daquele espião inimigo que guarda uma informação valiosa. Caso isso acontecesse, você recebia um SNAFU (Situation Normal, All Fucked Up) e tinha que voltar pra fragata, para ter o seu rabo comido pelo comandante...

A dificuldade era razoável, pode não ser aquele jogo mega difícil, mas desde que você atue com cautela e estratégia. Lutando bravamente pelo deserto, você conseguia ficar frente a frente com o filho da puta do Kilbaba, tendo que destruí-lo dentro de seu bombardeiro durante a decolagem, antes que ele viesse a atacar alguma cidade...


... e com o ditador morto, você terminava conhecendo o presidente Bush pai!


Desert Strike foi sem dúvida um grande sucesso, tanto que não demorou para que fosse lançada uma continuação. E ao contrário do que costuma ocorrer em filmes, a sequência foi simplesmente sensacional, superando o primeiro jogo em diversos aspectos, embora mantivesse o cerne do seu predecessor. Tanto que Jungle Strike, lançado em 1993, é normalmente considerado o melhor dos três jogos da primeira geração da série Strike.


A história de Jungle Strike era muito boa, deixando de ser meramente uma adaptação da Guerra do Golfo. O jogo começa com uma ilha do Pacífico Sul indo pelos ares, como uma demonstração de força dos dois bandidões desse jogo. Sim, dessa vez são dois cretinos, o primeiro deles chamado Carlos Ortega, conhecido como Drug Lord, um chefão de drogas sulamericano, dono de um exército de grande porte; e o outro é Ibn Kilbaba, simplesmente o filho do ditador do primeiro jogo, que herdou o arsenal nuclear do papai (e possivelmente o par de óculos escuros) e quer se vingar dos EUA. 


Ou seja, problemas à vista, e os putos já começam atacando Washington, tacando o terror na capital norte-americana. Você vem mais uma vez como o piloto da campanha do deserto, que coincidentemente estava em Washington no início dessa crise, e mais uma vez deve enfrentar esses bandidos, dessa vez pilotando um moderno helicóptero de ataque RAH-66 Comanche.


Um breve parênteses para uma curiosidade: na época, Jungle Strike foi (provavelmente) o primeiro jogo a retratar um Comanche, um helicóptero high-tech com capacidades stealth, que depois protagonizou diversos jogos e filmes, embora seu projeto não tenha seguido muito adiante. De qualquer forma, o Comanche se comportava da mesma forma que o Apache do outro jogo, com um arsenal semelhante e a escada/guincho.

Jungle Strike trazia realmente uma grande melhoria em relação à Desert Strike, sob diversos aspectos. Para começar, era graficamente superior, com um detalhamento muito maior dos equipamentos, prédios e terreno. Também era um jogo muito maior: ao todo eram nove campanhas, a maioria ocorrendo no país sulamericano fictício e sem nome de Ortega. Isso permitiu aos criadores do jogo variar bem os cenários, como florestas, desertos, cidades e até mesmo uma campanha nas montanhas com neve e outra com a floresta de noite, onde as explosões clareavam tudo. E de quebra, duas campanhas ocorrendo em Washington, que trazia vários prédios famosos, como a Casa Branca, o Memorial de Jefferson e o Monumento de Washington (aquela escultura fálica e pseudo-erótica que todo mundo zoa).


Não precisa nem dizer que destruir um desses prédios e monumentos importantes acabava com sua missão. Bem feito, afinal de contas de que lado você está?


Foi mantida aqui a idéia da escolha do co-piloto, mas dessa vez você começa tendo somente dois merdas à disposição, e os outros três melhores devem ser encontrados em outras campanhas. Tem todos os estereótipos, como o novato, o metidão à Top Gun e o cowboy com chapéu. Ao contrário de Desert Strike, aqui as diferenças entre as habilidades dos pilotos ficavam mais evidentes, principalmente no que diz respeito à velocidade de tiro, com alguns deles sendo verdadeiros Schwarzeneggers na metralhadora.


Além disso, Jungle Strike trazia outra coisa muito legal: você podia controlar outros veículos além do Comanche. Sim, isso era um diferencial muito legal. O primeiro deles era um hovercraft, que apesar do visual meio "brinquedo dos Comandos em Ação", causava um bom estrago, sendo usado em praticamente toda a campanha da costa. Ele podia se deslocar sobre a água e a terra (como se espera de um hovercraft), e tinha como armamentos uma metralhadora, um lança-foguetes e minas híbridas, que podiam ser colocadas no caminho de inimigos em movimento. Não tinha o gancho e escada, aqui para pegar algum item a jogada era andar bem devagarinho e encostar nele; sair que nem um desembestado pra pegar um tanque de combustível resultava em atropelá-lo e mandar tudo pelos ares.


Semelhante ao hovercraft era a moto de assalto, dotada de um armamento semelhante. Algo meio bizarro, uma moto com dois casulos de lança-foguetes imensos nas suas laterais. Só que essa motinho era meio que auxiliar, muito frágil e só sendo usada em uma missão, onde era necessário destruir carros blindados imunes a ataques vindos de cima. Valia aqui a mesma dica de encostar devagarzinho nos itens para pegá-los.


E antes que você pergunte, aquilo meio da estrada não é o pinto de um robô, é um detonador que você tinha que recuperar de dentro dos carros blindados.

Mas o veículo mais legal viria a ser usado na fase do rio, simplesmente um caça F-117 Nighthawk. Só que ele era um pouco "tricky" de se usar, afinal de contas ao contrário de um helicóptero um avião não pode ficar parado, logo o F-117 fica sempre em movimento, sendo que uma vantagem é que você pode controlar a sua altitude. Aqui não teve jeito e tiveram que chutar o realismo pra casa do caralho, já que o avião tem combustível e munição infinita, essa última caracterizada por uma metralhadora, mísseis e bombas guiadas por laser. Ele possui uma blindagem boa também, embora o maior risco aqui é bater em alguma construção, o que era fatal. Tanto que convenientemente nessa fase havia um lugar quase que obrigatório de se ir, ainda com o Comanche, onde podiam ser encontradas quatro vidas adicionais.


O jogo manteve a mesma estrutura, com diversas campanhas cada uma delas com diferentes missões a serem cumpridas. Estas apresentam uma grande variedade, além das típicas de destruição e resgate, temos missões como recuperar um reator nuclear roubado, destruir fábricas de drogas e até mesmo escoltar a limosine do Clinton até a Casa Branca. E agora muitas missões podem dar SNAFU: deixe o Drug Lord escapar em sua lancha, mate sem querer o general russo aliado dos bandidos ou deixe que um caminhão bomba mande a Casa Branca pelos ares, e é fim da linha pra você, meu amigo.


E em termos de inimigos, podemos dizer que eles vem bem preparados dessa vez. Desde veículos improvisados como caminhonetes e lanchas, até carros blindados, lançadores de foguetes e tanques leves. Pra você ver como eles estão fortes dessa vez, o arsenal inimigo inclui tanques pesados M1 Abrams, que você deve conhecer de outros jogos, além de helicópteros Apache.


Jungle Strike foi sem dúvida um dos melhores jogos da série, trazendo desafios ainda maiores, juntamente com uma qualidade excelente. Foi tão bom que dizia-se que seria difícil superá-lo, mas mesmo assim os desenvolvedores decidiram lançar, logo no ano seguinte em 1994, a sua continuação. Urban Strike veio para fechar a primeira geração de jogos da série, e podemos dizer que veio também para dividir opiniões.


Urban Strike é visto por muitos como um jogo bom, trazendo melhorias em termos gráficos e mesmo de som, com explosões muito mais chamativas, por exemplo. Mas há quem diga que o jogo ficou devendo um pouco, com uma dificuldade inferior aos demais jogos da série, mas talvez principalmente pelo fato de Urban Strike ter aloprado um pouco em termos de futuro.

O jogo se passa em 2001, e tentou-se dar um ar relativamente futurista ao mundo. Nada de muito exagerado, como carros voadores e etc. Mas fazendo com que todos os veículos do jogo (ou pelo menos a imensa maioria) viessem a ser fictícios. Um exagero, afinal de contas nessa época as pessoas já podiam imaginar que o ano 2000 não seria como os Jetsons.

Enfim, enquanto Desert Strike era focado na Guerra do Golfo e Jungle Strike no combate a um grupo de traficantes sulamericanos, em Urban Strike o conflito ocorre dentro dos EUA. O bandido da vez é H.R. Malone, um milionário que tentou concorrer à presidência e que agora era líder de praticamente um culto de pessoas fanáticas, que buscavam mudar o país. Com a ajuda de um espião (Ego, um dos co-pilotos do jogo anterior), descobre-se que Malone está construindo secretamente uma arma de destruição em massa, e que quando ela estiver operacional ele vai tentar subjugar o governo.


Bom, Malone não era bobo, descobre o alter-ego de Ego (com trocadilho, por favor), e o manda pelos ares. Você retorna como o mesmo piloto dos jogos anteriores, agora fazendo parte da organização Strike C.O.R.E. (primeira vez que o nome Strike é diretamente referenciado pelos jogos), buscando não só vingar a morte de seu companheiro, mas também acabar com mais esse gênio do mal.

Pouco original, alguns podem dizer. O próprio personagem se questiona por que sempre é um gênio do mal, alguma vez podia ser um imbecil do mal...

E já fica aqui um spoiler, embora ele seja bem conhecido. Logo na primeira campanha, uma das missões consiste em resgatar um cirurgião plástico, que apresenta a verdadeira identidade de Malone: ele na verdade é o Carlos Ortega, aquele bandidão de Jungle Strike, que de alguma forma conseguiu fugir do ônibus em chamas e assumiu a identidade de Malone, para ter finalmente a sua vingança.


Urban Strike não mudou muito a fórmula vencedora dos outros jogos, mantendo a mesma forma de jogar. Como disse acima, todos os veículos são meio inventados, e dessa vez você pilota um helicóptero fictício de nome Mohican, que se parece com um caça stealth, mas que segue a mesma estrutura dos outros jogos, dotado de metralhadora, foguetes e mísseis, além da escada e gancho. Estiloso o Mohican até é, mas confesso que preferia comandar um helicóptero real...


Seguindo o que foi feito em Jungle Strike, também há outros veículos. Um deles é um outro helicóptero, o Blackhawke, bem maior do que o Mohican. Esse aqui é de fato um helicóptero de transporte, podendo levar até 20 passageiros, o que é interessante para missões de resgate. Como armamentos, ele fica um pouco atrás, tendo uma metralhadora frontal, canhões nas asas e lança-foguetes, mostrando que ele não é um bom combatente. O interessante é que, ao contrário do que ocorre em Jungle Strike onde você era meio que obrigado a usar os outros veículos, o Blackhawke normalmente fica estacionado em algum ponto do mapa em algumas campanhas, e você pode usá-lo se quiser.


Outro veículo à disposição é o G.A.V., abreviação de Ground Assault Vehicle. Na prática, um blindado que parece ter fugido dos Comandos em Ação que você pega emprestado dos inimigos por um tempo. Ele só tem uma metralhadora e o seu canhão, mas com um artifício curioso que é sua torre de tiro, que pode ser movimentada de forma independente. Tem munição pra burro, mas só serve para uma única missão do jogo, que nem a motinho de Jungle Strike.


Entretanto, existe uma novidade interessante em Urban Strike. Você deve se lembrar que nos jogos anteriores haviam missões onde seu co-piloto desembarcava e fazia alguma missão em terra. Pois bem, nesse jogo existem algumas campanhas onde você desce do helicóptero e invade alguma instalação a pé, como uma plataforma de petróleo, a prisão de Alcatraz e um cassino em Las Vegas. O carinha se comporta quase como o helicóptero, carregando consigo um fuzil com lança-foguetes. Apesar do estilo futurista, esse era um toque especial de Urban Strike.


Foram mantidos os co-pilotos, agora com uma variedade maior à sua disposição, logicamente com os melhores perdidos em alguma fase e precisando ser resgatados. O interessante é que agora a organização é global, e você poderá escolher até mesmo um co-piloto da Nicarágua. Acho que, fora jogos de futebol, é a única participação do país da América Central em um jogo de videogame. Completam o time de bizarrices outras figuraças, como a israelense que parece homem, o russo de cara amassada, o negão americano que parece o B.A., o alemão de olhos esbugalhados, o panariço do australiano com chapéu de Crocodilo Dundee, o inglesinho metido a James Bond e a japonesa aspirante à pirata. Realmente exageraram na dose...


As campanhas se desenrolam em diversas cidades dos EUA, você vai batalhar em lugares como o Havaí, San Francisco (em um dia de neblina, de forma que você não vê muita coisa), Las Vegas e New York. O mais legal é que grandes marcos dessas cidades podem ser reconhecidos, como a ponte Golden Gate e alguns cassinos famosos.


As missões são as mais diversas, trazendo até mesmo algumas que são bem originais, como o resgate dos passageiros do transatlântico, roubar planos de veículos secretos e limpar a Las Vegas Strip de inimigos. A grande novidade fica por conta de missões de múltipla escolha, como por exemplo desarmar uma bomba, onde você deve escolher qual fio cortar, normalmente com uma dica dada em uma das missões anteriores.


Uma curiosidade, digamos, fúnebre, fica por conta da campanha de New York. Isso porque ela começa no momento em que Malone faz a demonstração de força e dispara o seu laser contra... o World Trade Center. Isso mesmo, nesse jogo ocorre um atentado contra o complexo, com parte de uma das torres inteiramente destruída, cabendo ao jogador resgatar pessoas dali. 


E o pior de tudo, é se você for ver o ano em que o jogo ocorre: sim, 2001, o mesmo ano onde tivemos os covardes ataques terroristas do Bin Laden. Teriam os criadores de Urban Strike previsto o futuro? Ou será que o Bin Laden se inspirou no jogo?


Urban Strike encerrou o que podemos chamar de primeira geração dos jogos da série Strike, que foram lançados principalmente para os consoles de 16-bits como o Mega Drive e, posteriormente, para o Super Nintendo, embora alguns títulos vieram a ter versões para consoles mais modestos. Pessoalmente, Jungle Strike sempre foi meu favorito, seguido de perto pelo Desert Strike, com o Urban Strike ficando um pouco mais para trás.

Na sequência, foram lançados mais dois jogos, que se aproveitaram do maior poder computacional dos consoles mais modernos, começando com Soviet Strike e terminando em Nuclear Strike. Mas esses jogos eu deixo para falar a respeito em uma outra oportunidade, já que eles são praticamente uma nova cronologia e trazem uma grande quantidade de novidades.

Além disso, esse post já está grande à beça, e estou cansado pra cacete de digitar. Fica pra próxima!

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