sábado, 23 de fevereiro de 2013

Out Run

Na história dos videogames, como no cinema, há vários clássicos que marcaram época nas telas de televisão e monitores de computadores pelo mundo. Diria até que essas escolhas acabam sendo bem subjetivas, visto a quantidade tremenda de jogos que já foram lançados dos mais diversos gêneros. Mas tem aqueles jogos que sem sombra de dúvida se destacaram, sendo lembrados até hoje, muitas vezes com um relançamento. Essa aliás é uma tática já conhecida e manjada, mesmo assim muito bem-vinda por reeditar esses clássicos para os dias de hoje, tirando proveito dos recursos tecnológicos mais avançados disponíveis atualmente. Fizeram isso com o Super Mario, com o Sonic, com o Street Fighter... E fizeram também isso com um joguinho simpático que conheci na época do Master System, o nostálgico Out Run.


Tudo bem que fizeram isso há um tempão... Mas levou algum tempo até eu ter um computador decente para jogar, mais um tempo para eu descobrir esse jogo, e mais um pouco até eu conseguir finalmente colocar esse post no ar.

Vou concordar com os criadores do jogo, que dizem que Out Run não é um jogo de corrida, mas um jogo de dirigir. Na época tratava-se de um jogo original, onde dirigia-se uma Ferrari vermelha, acompanhando de sua namorada, ao longo de uma estrada, com o objetivo de chegar até o final. Nada demais, você diria, mas o charme em Out Run era que você podia escolher seu caminho, a cada cenário surgia uma bifurcação levando para dois lugares diferentes. As localidades eram as mais diversas, começando sempre na praia com os coqueiros, e depois podendo ir para campos verdes, desertos ou parques com ruínas históricas.


E ainda tinha um leve toque de humor: cada um dos finais tinha uma historinha (como o motorista receber o troféu de uma gostosa e a namorada fica com ciúmes), sem falar que nas batidas os passageiros sempre demonstravam seu desespero, como a garota dando esporro no cara depois de uma derrapada, ou com ambos sendo lançados para fora da Ferrari após capotar...


Além de toda a empolgação da corrida, havia ainda um pequeno detalhe especial: antes de começar a jogar, você podia escolher a música que você ouviria durante o jogo, na clássica tela onde aparecia a mão mexendo nas estações do rádio. Das músicas originais, Magical Sound Shower era mais ou menos, muito estilo latino, e Passing Breeze era até simpática, com um ar de cruisin... Mas era Splash Wave que eu mais gostava, uma música super legal que combinava muito bem com o ritmo do jogo. Talvez foi a primeira música de videogame que eu comecei a gostar, principalmente depois de vir de uma época no Atari onde as músicas não eram nada mais do que beeps...


Pessoalmente para mim (putz, saiu meio redundante essa frase), o Out Run permaneceu por muito tempo como um dos jogos preferidos do velho Master System, fizeram até a versão 3D dele mas sem o mesmo estilo. Ainda tive a oportunidade de jogar em um fliperama em uma das minhas viagens para os EUA quando criança, e foi um barato jogar dentro de um cockpit e dirigindo no volante. Mas outras versões vieram a ser lançadas alguns anos mais tarde, e com a vinda dos emuladores logo conheci a versão do Mega Drive, muito mais bonita graficamente e com maior senso de velocidade, sem falar em outros jogos da série (embora não oficialmente continuações) como Turbo Out Run com a corrida contra o rival da Ferrari branca, e o futurista Out Run 2019. E para a minha felicidade, vim a descobrir recentemente a continuação da série, Out Run 2006 Coast2Coast, lançado para os consoles de alta geração e também para o PC, que motivou esse post.

Imagine pegar o clássico jogo lá dos anos 80, e mantendo seu estilo coloque gráficos mais modernos e bem-feitos, novas modalidades de disputa e para completar uma extensa coleção de Ferraris para dirigir. Essa é a premissa desse novo jogo, atualizando com sucesso o clássico Out Run. Para começar, a possibilidade de poder correr com uma Ferrari é algo raro nos jogos de videogame atuais, e como o jogo é patrocinado pela montadora italiana esses carros tão desejados são representados fielmente. Vão desde modelos clássicos como a Dino 246 e a 250GTO até modelos mais recentes, como a F430 e a Enzo Ferrari. E claro que não poderiam faltar modelos famosos como a incrível F50, a clássica F40 e a estiliosa Testarossa. O mais legal é que além de poder escolher a cor do carro, é possível usar versões "tunadas", como modelos de corrida ou com partes diferentes.


Os cenários impressionam, sem dúvida muito mais bonitos que outros jogos mais badalados. Existem no jogo dois mapas, um deles com cenários mais europeus e outro que retrata os EUA, e embora não sejam explicitados os nomes das cidades, pelo visual é mole reconhecer New York, Roma, Las Vegas e Paris. As pistas apresentam uma dificuldade progressiva, com subidas, curvas de baixa velocidade e muito tráfego, com carros, ônibus e caminhões. O mesmo estilo das bifurcações permanece, mas agora também é possível correr todos os estágios em sequência, um verdadeiro enduro apenas para os bons.


Outro ponto interessante são as modalidades. Além do OutRun convencional, existem também as típicas corridas contra o relógio, onde você deve fazer o melhor tempo em um trecho ou numa corrida inteira. Mas certamente o modo de jogo mais curioso é o Heart Attack, onde você deve não só chegar ao seu destino, mas também fazer manobras com seu carro para impressionar a garota ao seu lado. Faça os movimentos corretos que ela pede e você ganhará pontos (na forma de corações), bata com o carro ou ignore seus pedidos e ela vai ficar chateada. E nesse ponto o jogo é bem realista: além de comprovar que tendo um carrão as mulheres ficam interessadas, elas querem ser agradadas, pedindo coisas extremamente complicadas...


O curioso é que existem três garotas diferentes também, e cada uma delas tem os seus desejos, o que se reflete nos pedidos. A primeira delas é Clarissa, que gosta de emoção, com ela você terá pedidos básicos como fazer drifts até coisas mirabolantes como driblar meteoros que caem do céu. Jennifer, que é a namorada "oficial", curte uma boa técnica, então você precisará colar nos outros carros sem bater e andar na faixa que ela solicitar. E a morena Holly gosta de inteligência, e os seus pedidos envolvem mais raciocínio do que habilidade no volante, como contar carros verdes, memorizar sequências de figuras e dar a resposta correta para uma série de operações matemáticas.


Comentário paralelo, a loirinha Clarissa é mesmo a mais gracinha e bonita, com sua blusinha azul amarrada e um generoso decote, infelizmente só presente na versão japonesa do jogo. Era de se esperar, a sociedade ocidental fica com essa frescura puritana exagerada, enquanto que os japoneses estão pouco se preocupando com isso.


É foda, eu fico aqui me derretendo por uma personagem de videogame... Não presto... Melhor continuar.

Por fim, existe também o OutRun Mode. Além de poder impressionar as garotas acima, existem várias corridas de habilidade contra outros competidores. O mais comum são corridas simples, onde o objetivo é chegar na primeira posição, mas existem outras modalidades diferentes, como o knock-out, onde a cada momento o último colocado é eliminado, provas de drift onde você deve derrapar mais que o adversário, e até mesmo uma corrida curiosa chamada Don't Lose Your Girlfriend: aqui você compete contra outro corredor pelo coração da garota, basicamente quem fica atrás perde pontos, e aquele que perder tudo será largado pela moça.

Em todas essas modalidades, no final da corrida você acumula "milhas", que nada mais são do que pontos, de acordo com a sua performance na prova. Esses pontos podem ser usados na loja, para desbloquear novos carros, pinturas, músicas e até mesmo estágios.


E sobre as músicas, o mais legal é que as originais estão de volta, juntamente com as músicas do Turbo Out Run, bem como com músicas novas, algumas delas com vocais. As faixas estão disponíveis em suas versões originais, na reedição para este novo Out Run e em versões especiais, como versões instrumentais e remixes. Vou confessar que quando joguei esse jogo pela primeira vez, não pensei duas vezes e escolhi Splash Wave, trazendo lágrimas aos olhos de nostalgia...


Enfim, em época de jogos badalados como Gran Turismo ou Need for Speed, muitos deles pecam por serem extremamente detalhados e realistas, tanto no aspecto visual, o que exige um computador super moderno e caro para poder jogar com qualidade máxima, como pelo aspecto de jogabilidade, o que muitas vezes torna o jogo menos divertido e mais frustrante. Sem falar que os jogos hoje são extremamente longos, após algumas muitas horas de jogo é que você finalmente vai poder colocar as mãos naquele carro maneiro, e muitos deles apenas após corridas extremamente difíceis, onde você precisa ter a politagem mais perfeita em velocidade máxima sem bater em nada para ganhar. Out Run 2006 Coast 2 Coast resgata a diversão descompromissada em jogar um jogo emocionante, ideal para passar o tempo naquelas curtas horas entre o expediente do trabalho e a hora de dormir ou antes de sair no fim de semana.


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