domingo, 22 de janeiro de 2012

Pirataria virtual

Nessa semana, muitas pessoas se surpreenderam quando foram tentar baixar algum arquivo hospedado no site do Megaupload, considerado por muitos um dos melhores e mais estáveis sites para baixar arquivos. Só pelo fato de que no Megaupload não havia aquele maldito limite de downloads por tempo comum em outros sites, que obrigava o sujeito a esperar quase meia hora para poder baixar um segundo arquivo, colocava esse site em destaque.

Acontece que, aos pedidos do governo norte-americano, o Megaupload foi tirado do ar, e inclusive os seus donos foram presos (veja a notícia aqui), sob a justificativa de fazerem parte de uma rede de pirataria virtual, ferindo os direitos autorais dos criadores dos arquivos disponibilizados ali... Logicamente, isso provocou a ira de muitas pessoas, que inclusive tentaram hackear sites do FBI e de outras entidades.

Aproveitando a deixa, vamos pensar um pouco sobre essa questão de "pirataria virtual", que é algo bastante comum e corriqueiro hoje em dia. Afinal de contas, posso apostar que você alguma vez na vida já deve ter baixado algum arquivo que, sob um certo ponto de vista mais rigoroso, estava protegido por direitos autorais. Seja uma música, um filme, um jogo, um livro, qualquer coisa. Não adianta enganar, alguma vez você fez um download desses. Essa de baixar um arquivo na Internet para uso próprio está mais comum e rotineiro do que ver ministro sendo demitido no governo Dilma.

Você viu que eu dei ênfase ao "uso próprio". Embora o sujeito está de certa forma levando vantagem ao obter alguma coisa sem pagar, pelo menos ele não está lucrando com isso. Eu pessoalmente não vejo isso como uma pirataria digna de colocar o cidadão atrás das grades, embora hajam pessoas que considerem isso de uso pessoal como um delito também. Eu acho uma putaria mesmo são aqueles que se enriquecem com isso. É aquele cretino que baixa programas pela Internet, grava uns CDs e vai pra porta do shopping Avenida Central (para quem não é do Rio, trata-se de um dos maiores shoppings de informática da cidade) e fica lá segurando aqueles montes de CDs, gritando incansavelmente para atrair os transeuntes...

Coréu, Otocádi, Fotoxopi e Uindos Xispê, dez reau!

Voltando à questão do uso pessoal, sinceramente acho uma utopia grande das autoridades norte-americanas achar que vai vencer esse fenômeno que eles denominam como pirataria, de maneira exagerada na minha opinião. A idéia agora vai ser fechar todos os demais sites, como Rapidshare, Hotfile e Filesonic? Tentaram fazer isso no passado, fechando o Napster, aquele programinha que compartilhava música, e veja só se mudou alguma coisa...

Acredito que o compartilhamento de arquivos é uma realidade nova, fruto de um avanço estupendo que a Internet nos proporciona. Acredito que melhor que tentar uma abordagem punitiva e opressora, baseada em conceitos que surgiram quando sequer existia computador, é tentar se adaptar a essa nova realidade, onde essa de direito autoral e propriedade intelectual têm cada vez menos espaço... Permita-me apresentar dois exemplos:

Na última postagem aqui, falei a respeito daquele comercial da Luiza, que está no Canadá. Ou melhor, que estava no Canadá e já voltou para o Brasil...


***UPDATE*** Graças a um leitor mais observador, essa garota aí de cima não é a Luiza. Seu nome é Eva Andressa, e na opinião desse texugo até mais interessante que a Luiza, que estava no Canadá. Apesar dela ser uma dessas marombeiras, com um abdômen todo malhado...

Bom, O tema se tornou uma grande febre, já está cheio de sites fazendo piada, citando a garota e o fato dela estar no Canadá. Agora, me diz uma coisa: e os direitos autorais no criador da propaganda? Ele pode alegar que foi ele quem bolou a frase, logo se alguém lucrar em cima disso, deve pagar royalties para ele. Ou então, a própria Luiza, que estava no Canadá, pode achar que merece receber por essa exposição, pois é a sua imagem que está sendo usada...

Mas não é bem assim que a banda toca, ou que pelo menos está acontecendo... Até o presente momento, não vi ninguém, seja a agência publicitária, seja a Luiza, exigindo os direitos pela frase e imagem. Se por um lado eles podem a princípio estar deixando de ganhar um dinheiro pela questão de direitos autoriais e de uso de imagem indevida, por outro eles ganharam um destaque na mídia absurdamente fantástico, que jamais sonhariam conseguir de forma natural. Mesmo com milhares de pessoas aproveitando-se do fato, pode apostar que a imobiliária deve ter conseguido vender vários apartamentos, a produtora de comerciais deve ter fechado vários contratos e a Luiza, que estava no Canadá, ganhou seus 15 minutos de fama, e vai lucrar muito com isso. Mais do que ganharia se recebesse por direitos autoriais e de imagem...

Agora, será que haveria essa movimentação toda, se a agência publicitária proibisse os vídeos no YouTube e o pai da Luiza, que estava no Canadá, proibisse o uso da imagem dela? Duvido...

Vamos ver um segundo exemplo, mostrando que é necessário que as pessoas coloquem em suas cabeças ocas que é preciso se adaptar aos novos tempos. Veja a questão de músicas, todo mundo já deve ter baixado músicas pela Internet, eu não sou exceção. Mas, o que motiva as pessoas a baixarem músicas? Existem vários fatores, o primeiro é o preço de um CD, principalmente aqui no Brasil, que costuma ter um preço bem salgado. Certa vez, fui comprar um CD de uma das minhas bandas favoritas, e tive que morrer em quase 50 reais! E isso porque era um CD produzido aqui no Brasil, nem queria imaginar por quanto sai um CD importado. Eu paguei tudo isso pois era uma banda que eu curto, mas muitas pessoas não podem se dar ao luxo de gastar tudo isso.

Claro, apenas os CDs bons, de músicos de qualidade, é que chegam nessa faixa de preço. Só mesmo atrocidades como essa é que você consegue por R$9,99 nas Lojas Americanas...


E depois aparece gente aqui me criticando, dizendo que o nacionalismo musical exarcebado aqui no Brasil é lenda. Continuando...

Soma-se a isso o fato de que normalmente os CDs não são 100% bons em termos de músicas. Salvo raras exceções, quando trata-se de um Greatest Hits ou então quando o sujeito é fã incondicional da banda, nem todas as músicas do álbum interessam à pessoa, você vai contar nos dedos das mãos quais músicas é que valem a pena. Aí é complicado pagar trinta pratas por causa de uma música só...

Vendo tudo isso, dá pra culpar uma pessoa de baixar uma música na Internet?

Agora é que está se popularizando aqui no Brasil essa de comprar a música pela Internet, como no iTunes da maçã mordida... Provavelmente ainda vão haver pessoas que vão baixar nos outros sites, mas não duvido que vai ter muita gente que vai acabar comprando a música certinha, como manda o figurino, pois dessa forma evita os problemas de gastar muito por um CD no qual apenas uma ou duas músicas são de interesse... Ou seja, em vez de adotar uma postura agressiva, de sair fechando sites, é usada a criatividade para oferecer uma forma atrativa e idônea das pessoas conseguirem baixar suas músicas.

O curioso é o seguinte, é que esse tipo de "pirataria pessoal" já existia faz tempo, e nunca ninguém falou nada contra. Por exemplo, os mais antigos vão certamente se lembrar do aparelho abaixo. Para os mais novos que já começaram na geração iPod e MP3, isso era um aparelho de video cassete, que era usado alguns anos atrás para assistir fitas de filmes que eram alugadas.


Mas, além de simplesmente reproduzir as fitas que eram alugadas, existia lá no controle dele aquele famoso botão com a bolinha vermelha, muitas vezes acompanhado da legenda REC, de Record. Bastava fazer as conexões corretas, e podíamos então gravar nele qualquer coisa que estivesse passando na TV. E se o sujeito tivesse grana para ter dois aparelhos de vídeo, olha só que barato: dava pra ligar um no outro, o que permitia pegar aquele filme alugado e gravar uma cópia para você!

E ninguém falava nada a respeito disso, sem brincadeira! Nenhum papo de pirataria, de direitos autorais, nem nada! Tudo era tranquilo... Então, naquele tempo era perfeitamente normal ir numa loja, comprar aquelas fitas Basf ou TDK e usá-las para gravar aquele filme que passava na Tela Quente, ou o mais novo episódio do Alf.


Lógico, antes mesmo do video-cassete, havia ainda a mágica fita K7, essa para gravar músicas (e até mesmo programas de computador, mas não vamos voltar tanto assim no passado). Os aparelhos de som da época vinha sempre com um deck de fitas, que podia gravar facilmente a música que estivesse tocando no aparelho, seja ela vindo de outra fita, do disco ou mesmo, alguns anos mais tarde do CD. Sim, antes do gravador de CD se popularizar, só tinha como gravar em fita...

Até mesmo da rádio era possível gravar: me lembro que eu fazia isso, pegava uma fita de longa duração, daquelas de 90 minutos, e deixava gravando a minha estação favorita. Depois eu pegava uma outra fita e copiava pra ela apenas as músicas que eu queria, tendo toda uma ginástica de pressionar os botões de pause para que a gravação saísse perfeita. E sempre com a ajuda de uma lanterna, para ver através da janelinha de acrílico do aparelho, se ainda havia fita suficiente para gravar mais uma música... Ah, se a geração de hoje, já tão acostumada em simplesmente ripar e copiar os MP3 para seus iPods soubesse como era antigamente...

Aí eu pergunto para você: na prática, qual a diferença entre os dois processos? Tudo bem que hoje, com o advento da tecnologia digital, ficou tudo mais fácil, mas será que há alguma diferença tão grande entre o cara que gravava um filme que passava na televisão e aquele que hoje baixa o filme do Emule? Ou entre o cara que pegava o LP emprestado com os amigos e gravava numa fita e o sujeito que hoje vai num site e baixa os MP3? Se hoje se pune os sites que, sob uma certa ótica, favorecem a pirataria, o que dizer das próprias empresas que desenvolviam os aparelhos de VCR e gravadores cassete ou as fitas? Pombas, seria tão simples, era só obrigar a Sony, a Panasonic e outras companhias a tirar aquele botãozinho vermelho de REC de seus aparelhos...

Voltando à nossa realidade digital, existe ainda aquela questão de que a princípio podemos baixar arquivos, desde que tenhamos aquele produto original, muito comum com jogos. Se você tem o cartucho daquele jogo de Mega Drive, poderia baixar o ROM e jogar em um emulador, do contrário você era obrigado a apagar o arquivo 24 horas depos, lembra disso? O mesmo vale para aqueles famosos patchs de no-CD, que permitem jogar jogos sem precisar colocar o CD ou DVD toda hora no drive. Muito útil, só quem perdeu um jogo do qual gostava pela maldita mídia ter ficado arranhada de tanto usar sabe o quanto isso é ótimo. Mas, tais patches também são considerados como fonte de pirataria: afinal de contas, isso permitiria "absurdos" como eu emprestar o jogo para um amigo e ele poder jogar sem ficar de posse do meu CD...

E aí, será que alguém vai verificar se os jogos que tenho aqui no meu computador estão válidos, se os arquivos estão aqui há mais de um dia, e se eu tenho fisicamente os jogos? Fala sério, isso é impossível de ser feito, não há como ter um controle desse tipo, o cara pode dizer que ele baixou todos aqueles 200 ROMs de Super Nintendo naquele momento, e os baixa todos os dias, respeitando o limite de 24 horas. Como provar o contrário?

Levanto ainda a seguinte questão: eles podem até fechar os sites, mas e quanto aos milhões (ou mesmo bilhões) de pessoas que possuem arquivos que foram obtidos de forma, digamos, ilegal? Qual é o plano deles, investigar o computador de cada ser humano desse planeta, à procura de arquivos protegidos por direitos autorais que foram baixados desses sites, e prender aqueles que tiverem esses arquivos? Pôrra, vai faltar prisão pra toda essa gente...

Enfim, a verdade é que todos agora estão em uma situação de alarme total, pois a pergunta que não quer calar é: qual será o próximo site a ser fechado?

***UPDATE 2*** E já temos a repercussão do fechamento do Megaupload, agora foi a vez do Filesonic, outro site muito bom, remover o compartilhamento de arquivos, como forma de evitar um destino parecido. Agora, a pessoa só consegue ver os arquivos que ela mesmo fez o upload. Não quero ser pessimista, mas parece que vamos ter algumas consequências graves à caminho...

3 comentários:

Guilherme disse...

Essa mulher não é a Luiza, é outra!
http://www.diversao-web.com/2012/01/eva-andressa.html
Pombas, 17 anos e ia ter essa bunda toda!

Texugo disse...

Obrigado pelo comentário Guilherme, realmente aquela não é a Luiza. Tinha visto essa imagem em um site, fiz uma busca reversa e todos os sites diziam que era ela, talvez foi trapaceado pelo texto escrito...

Anônimo disse...

Caraca, pode não ser a Luiza, mas é gata!!!!