sábado, 29 de janeiro de 2011

O Gênio do Crime


São poucas as postagens com o tema de leitura que tenho aqui, você já deve ter percebido (ou não). Não é pelo fato de eu ser um texugo iletrado, eu gosto muito de ler, mas infelizmente o tempo corrido não me permite ter esse luxo: as semanas são curtas, o trabalho tomando todo meu tempo, e nos fins de semana tenho uma série de afazeres, impossíveis de serem realizados nos dias úteis. Tudo bem que eu poderia dedicar menos tempo escrevendo no blog menos lido da Internet e ler algo que preste, mas sou um texugo teimoso...

Mas hoje eu venho para falar de um livro de minha juventude, "O Gênio do Crime". Essa história é relativamente antiga, escrita em 1969, e até hoje continua fazendo sucesso! Sim, se você for em qualquer livraria hoje, é possível encontrar o livro à venda. Tenho até hoje o livrinho azul, que incluía também uma outra história da mesma série, "O Caneco de Prata". Já li e reli essa história várias vezes, inclusive já consegui uma versão em PDF recentemente que traz algumas sutis diferenças em relação ao livro que tenho.

A história se passa em São Paulo, e começa apresentando os três amigos estudantes que viriam a se tornar os protagonistas da trama: Edmundo, Pituca e Bolacha, todos alunos da quinta série do colégio Três Bandeiras. Logo de cara somos introduzidos à trama principal, que se trata de uma coleção de figurinhas de futebol. Se a pessoa conseguisse completar o álbum, poderia pegar uma série de prêmios, e para Edmundo faltava apenas uma figurinha (do craque Rivelino). Seu colega Pituca então veio com a dica: um cambista na cidade vendia figurinhas abertas, e dessa forma seria possível completar o álbum.

Tudo culpa do bigode!

Quando Edmundo e Pituca foram na Fábrica de Figurinhas Escanteio com o álbum completo debaixo do braço, se deram conta de que haviam muitos outros garotos que completaram o álbum e estavam na espera dos prêmios, que aparentemente haviam sido suspensos. Depois de um breve tumulto e a ajuda de um advogado, a garotada toda consegue ganhar os seus prêmios. Nessa hora somos apresentados ao Seu Tomé, o bondoso e hipocondríaco dono da fábrica, que vai até a casa de Edmundo e lhe explica sobre a existência de falsificadores de figurinhas que estavam levando-o à falência. E ele consegue convencer os garotos a ajudá-lo a encontrar os bandidos.

Sim, é uma história um pouco exagerada, imaginar que uma molecada de 12 anos seria capaz de combater o crime... Mas a história flui muito bem, prendendo a atenção de todos. Cada personagem tem sua característica marcante, sendo que Edmundo é o mais corajoso e destemido (vemos isso numa cena que ele sai no braço com o cambista) e Pituca é o mais bobão e piadista. Bolacha, muitas vezes chamado simplesmente de Gordo, apesar de ter tudo para ser o bocó do grupo, logo começa a ganhar a posição de protagonista. Vem de família rica, tem algumas manias meio bizarras e está sempre comendo, mas também é o cérebro do grupo, o que fica provado ao conseguir "quebrar" o esquema infalível de despistamento do cambista que vendia as figurinhas.

Cara, a idéia do gordo (e do autor que escreveu o livro, claro) é tão fantástica que vale até explicar aqui. Para evitar que os detetives o perseguissem e encontrassem o ponto onde faria contato com os falsificadores, o tal cambista adotava uma tática complexa: após sair da praça onde vendia as figurinhas, ele pegava três ônibus diferentes, sempre olhando para todos passageiros para ter certeza de não estar sendo seguido. Ao saltar do terceiro ônibus, atravessava uma rua de contra-mão e pegava um táxi. E a cada dia fazia um trajeto diferente, para tornar a perseguição ainda mais difícil... Depois de duas tentativas frustradas, Bolacha sugere que o cambista seja seguido ao contrário! Como assim? Em vez de descobrir para onde ele estava indo, eles iam descobrir de onde ele estava vindo. Afinal de contas, para chegar à praça, ele provavelmente pegaria o mesmo caminho sempre. E a cada dia os três jovens detetives chegavam um pouco mais cedo do que o cambista, e assim traçando o caminho de onde vinha, até descobrir a casa dele. Muito bem bolado!


A essa altura surgem novos personagens na história, sendo que um deles viria a rivalizar com os garotos: o Mister John Smith Peter Tony, o Detetive Invicto, vindo diretamente da Escócia. Um grande investigador que também tinha um curioso senso de humor e uma fala atravessada, tentando falar em português mas misturando tudo (como "pôr essa copo de água em cima do seu cabeça, e deixar a copo equilibrada, sem pôr o mão no ele"). Ele rapidamente consegue localizar a casa do cambista, graças ao seu super silencioso helicóptero (como ninguém não havia pensado nisso antes?), juntamente com a ajuda de Jonas, seu ajudante que só sabe dizer "Saludos amigos" e é fissurado em colecionar poeirinhas dos locais de crimes. Não demora para que Bolacha fique furioso com a competição do escocês, a ponto de colocar querosene na garrafa de whisky dele.

E outra que a aparece é a jovem Berenice. Depois de descobrirem que o filho mais novo do cambista provavelmente é o responsável por passar a lista de figurinhas para os falsificadores, Bolacha acaba sendo matriculado na mesma turma dele com a ajuda de Seu Tomé, sendo que para não levantar muitas suspeitas por causa da idade, o gordo precisa fingir que é debilóide. E acaba conhecendo Berenice na turma, que em questão de segundos descobre que Bolacha é um detetive e está atrás do filho do cambista. Chame isso de um forte sexto sentido, sorte descarada, intuição feminina ou leis da conveniência literária, e o gordo acaba então contando com a ajuda dela para não estragar o seu disfarce. Berenice, que parece ser uma namoradeira compulsiva (afinal, dois segundos depois de conhecer o gordo fica afim de namorar com ele), acaba se propondo a ajudar. E não demora para que o gordo comece a gostar dela...

Alguns dias depois Bolacha consegue descobrir a localização da fábrica clandestina, depois de se esconder dentro do carro do informante bandido e de uma casinha de cachorro. Conhecemos também a gangue, liderada por um anão cujo nome nunca descobrimos, o tal "gênio do crime", todo meticuloso e sistemático, planejando muito bem suas ações, e ainda capaz de imitar vozes. E como todo vilão, tinha os seus comparsas, dois grandões meio tapados, o peludão Atlas e o de cabelos cacheados Almeidinha. Eles acabam prendendo o gordo e o levam para a fábrica clandestina, que fica escondida debaixo de uma grande máquina da fábrica de tecidos real que ficava em cima.

O Gênio do Crime

Contrariando o que se espera em típicos livros infantis e juvenis, os bandidos da história não são figuras caricaturadas e estúpidas, mas sim grandes malfeitores. Por exemplo, há a cena da tortura, onde os grandões usam um alicate e quase arrancam a unha do dedão do gordo, para convencê-lo a falar, e o próprio plano do anão para se livrar dele era bem sinistro: dissolvê-lo em um banho de ácido. Mas Bolacha era realmente muito esperto, e logo bolava um plano para avisar as autoridades, alterando os tipos da impressora para escrever uma mensagem no verso das figurinhas falsificadas.

Para não me alongar mais, acontece que Bolacha acaba sendo salvo, pelo Mister e seus amigos, graças ao filho de Atlas, que viu a mensagem no verso de uma das figurinhas que seu pai lhe deu, e depois de uma grande luta do Mister com os dois grandões. Claro que com isso o escocês acabava perdendo o seu título de Detetive Invicto, já que na verdade o gordo era quem havia chegado à fábrica clandestina primeiro. E assim terminava a história, mas não a série...

Isso mesmo, depois desse grande sucesso o autor criou várias outras histórias envolvendo o gordo e sua turma. Na época, eu só conhecia "O Caneco de Prata", que vinha no mesmo livro, uma história bem bizarra, tendo como pano de fundo um campeonato de futebol escolar. Bizarra não apenas pelos personagens mais doidos (como um marciano, um tigre verde falante e um psicanalista maluco), mas até pela estrutura da narrativa alternativa. Nunca me esqueço de um capítulo que se resumia a seguinte frase:

"O professor Giovanni tinha sete filhos e comeu um macarrão."

Fala sério... Ou então esse outro capítulo:

"A ARANHA ESTROBOSCÓPICA deu um pulo e comeu o mosquito. E assim termina a rapidíssima participação da ARANHA ESTROBOSCÓPICA nessa minha história"

Mas houveram outros livros, que mantiveram não só a turminha de crianças, mas também as aventuras bem engraçadas e hilárias. Pena que eu não as tenha lido, mas depois dessa postagem deu vontade de dar uma passada num sebo e procurar por outros livros da série.

Ou então dar uma procurada na Internet, quem sabe não teve alguém que já os digitalizou? Assim será certamente mais saudável, evitando lojas de livros antigos bolorentas e cheias de mofo...

6 comentários:

Anônimo disse...

muito bom

Anônimo disse...

nao era o que eu estava procurando

e uma merda

Texugo disse...

O que você estava procurando, Anônimo nº2?

Se queria baixar o livro, faça o favor de comprar na livraria.

Anônimo disse...

receba anonimo nº2

Anônimo disse...

nao gostei

Anônimo disse...

que ruim esse livro