domingo, 28 de fevereiro de 2010

Censura Religiosa


Nessa semana tivemos mais uma daquelas notícias bizarras, de coisas que só acontecem aqui no Brasil... Dessa vez, quem levanta a polêmica é a Arquidiocese do Rio, que está querendo processar os produtores do filme 2012. Tudo isso por conta da cena onde o Cristo Redentor é destruído durante a série de catástrofes que marcam o fim do mundo (veja a notícia aqui).

Meu amigo, sem comentários... Acho que os padres não tem muito mais o que fazer além de rezar missa (e alguns deles, de pegar meninos), e precisam procurar algo para criticar em nome dos "bons costumes". Na cabeça deles, mostrar a estátua do Cristo Redentor sendo destruída é algo que poderia abalar a fé cristã, e com isso querem exigir dos produtores uma indenização por mau uso da imagem do monumento.

Começa que a Igreja não é dona da estátua do Cristo Redentor. Diria que ela é um patrimônio de todos os moradores da cidade, ou mesmo de toda a nação, em função da importância e destaque dela lá fora. Honestamente, embora a estátua seja baseada na imagem de Jesus Cristo, ela está mais para atração turística ou marco da cidade do que símbolo religioso. Se for assim, corremos o sério risco de que a petralhada e seu Plano Irracional de Direitos Humanos, venham a derrubá-la antes de 2012, com sua proposta de remover símbolos religiosos da cidade. Como comentou Reinaldo Azevedo em seu blog, desse jeito vão acabar trocando o Cristo por uma estátua de Lula...

Afinal, quem fez mais pelo povo? Cristo ou Lula?

Dizem que a Igreja não pode lucrar com sua imagem, embora é o que as pessoas mais fazem, com camisetas e souvenirs que são vendidos para os turistas. Mas ela julga que tem o poder de veto sobre o seu uso, que se a Arquidiocese não quiser que a imagem do Cristo seja usada, sua decisão é final e irrevogável. Já aconteceu por diversas vezes no Carnaval carioca, teve até uma vez que a escola protestou, cobrindo a estátua com um pano preto, reclamando da censura imposta pelo clero. Mas eu acho que tudo tem um limite, vejo que essa atitude foi um pouco exagerada perante os criadores do filme, a meu ver não foi nada demais. Não é como se eles estivessem associando a imagem do Cristo Redentor ao crime, às drogas e outras grandes mazelas da sociedade, como acontece no exemplo abaixo...

Isso sim que é inaceitável! Cadê a Igreja numa hora dessas?

Cara, estamos falando de um filme, o que na imensa maioria das vezes significa ficção. Sem falar que mega-produções catastróficas estão aí desde a época que o Ultraman destruía metade de Tóquio ao lutar com um monstrengo vindo do espaço. Em produções como Independence Day e Armageddon vimos grandes monumentos como a Casa Branca, o Empire State, a Torre Eiffel e outras construções conhecidas virem abaixo, e nunca vi ninguém reclamar nem um pouco. Mesmo com os atentados de 11 de setembro, depois de um período de luto Hollywood voltou a destruir as cidades, inclusive Nova York, sem nenhuma repreensão por parte de seus habitantes. Pôxa, até mesmo no filme 2012 criticado pela Arquidiocese o Vaticano é destruído, com uma igreja desabando sobre os fiéis, e não escutamos nenhum comentário por parte do Papa e outros religiosos.

E tem mais, se a Igreja acha que um filme vai afetar a fé de seu rebanho, então é porque ela não está fazendo um bom trabalho em manter os seus fiéis e se sente ameaçada por um mero filme. Na minha opinião, acho que o que está afastando as pessoas da Igreja católica não são filmes como 2012, mas a postura demasiadamente conservadora e atrasada da cúria, que não aceita que o mundo está evoluindo. Por fim, o que é ainda mais engraçado é como só agora eles vieram com esse protesto: o filme estreou, ficou nos cinemas, saiu de cartaz e já está nas locadoras, e só agora o clero decidiu reclamar.

Embora certamente o conservadorismo religioso foi determinante para essa crítica, no final das contas tudo isso não passa de fruto da fraqueza de espírito brasileira. Não é novidade que tem muita gente aqui que se ofende facilmente quando é alvo de uma piada ou comentário incômodo. Lembram quando fizeram aquele episódio dos Simpsons no Brasil? Não demorou para aparecer um bando de desocupados com merda na cabeça criticando Homer e sua família ,sendo xingados e criticados pelas autoridades? Inúmeros outros países foram satirizados pelos Simpsons, como França e Japão, e seus habitantes não ficaram de choro, muito pelo contrário, até se sentiram "honrados" de estarem em uma das séries mais vistas da atualidade.


Mesmo os próprios americanos, que são muito mais zoados pela simpática família amarela, não se sentem ofendidos... Apenas os brasileiros, com seus egos exarcebados, é que não toleram ser alvo de piadas desse tipo, não aceitam que seus símbolos e sua cultura sejam ofendidos de qualquer maneira, principalmente se a "ofensa" veio dos EUA, eternamente odiados pelas ONGs e petelhos (que, juntamente com a Igreja, adoram reclamar dos americanos). Embora parece não haver muito problema quando o autor da piada é brasileiro: se é um humorista tupiniquim sacaneando algo nacional, é engraçado, é cultura, mas se for um comediante americano fazendo a mesma piada, é uma ofensa, o cara não sabe da realidade. Um pseudo-patriotismo que esconde a xenofobia, em que esses intelectuais e comunistas fazem de tudo para rechaçar qualquer ofensa contra o Brasil que vem de fora, mas na hora de fazer algo pelo país, estão mais preocupados em si mesmos e em quanta grana conseguem desviar para seus bolsos.

Pelo menos minha esperança é que essa crítica da Igreja contra o filme não vai dar em nada, vai acabar sendo apenas um episódio para chamar a atenção e vender jornais. Afinal de contas, nosso povo é preguiçoso, o Brasil já tem a fama de reclamar, reclamar e reclamar, mas não fazer nada a respeito...

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