domingo, 31 de janeiro de 2010

Liberdade de Expressão vermelha

Ultimamente se fala muito nos Direitos Humanos, né? E um dos direitos que é muito falado é a conhecida liberdade de expressão, definida no Artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos (que você pode ver na íntegra aqui), que reproduzo abaixo:

"Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras."

Muito bem, vamos agora fazer um rápido exercício, que recomendo que você faça com aquele seu amigo que é um inflamado defensor da esquerda. Caso seja o leitor desse humilde blog defensor da esquerda, peço que responda com toda a sinceridade.

Vamos imaginar que você veja essas notícias abaixo:

"Presidente retira do ar canais de televisão a cabo que se recusaram a transmitir seus discursos."

"Jornal publica sua opinião na seção editorial."

O que você acharia disso, em especial levando em consideração o Artigo XIX da Declaração acima? Creio eu que a grande maioria das pessoas iria concordar com o fato de que na primeira manchete é visível o desrespeito pela liberdade de expressão: afinal de contas, uma rede de TV a cabo tem o direito de escolher a sua programação, que muitas vezes vem diretamente de fora, como acontece aqui (você já viu a CNN interromper a programação para passar horário político?). E se um presidente fechasse essa TV, isso seria visto como uma ação totalitária. Por sua vez, a segunda notícia é bem simples, nada demais. Ora, o editorial é a seção que um jornal publica as suas opiniões, então não há nada de absurdo nisso.

Imagino eu então que todos concordamos que no primeiro caso a liberdade de expressão está sendo reprimida, enquanto que no segundo caso ela ocorre livremente, certo?

Legal, vamos agora pegar as mesmas manchetes e fazer umas mudanças sutis:

"Presidente Hugo Chávez retira do ar canais de televisão a cabo que se recusaram a transmitir seus discursos."

"Jornal Folha de São Paulo publica sua opinião na seção editorial sobre a ditadura."

O leitor bem informado sabe bem que essas duas notícias são verídicas: nessa semana vimos várias emissoras de TV venezuelanas terem seus sinais interrompidos, e o caso da Folha foi a famosa polêmica da ditabranda, sobre a qual comentei aqui e aqui. E agora? Será que você mudaria as suas respostas?

Aí é que vamos presenciar de nossos hilários amigos petralhas uma significativa reviravolta em suas opiniões, invertendo completamente as suas respostas em ambos os casos. E se engana quem pensa que isso é implicância minha com os petelhos, pois vimos que suas reações diante desses casos reais foram exatamente da maneira que relato em seguida. Contra a Folha, uma revolta total, dizendo que a Folha estava errada e tinha que pedir perdão ao povo brasileiro por sua heresia, que o jornal havia publicado uma inverdade mais absurda do que dizer que 2+2 é igual a 22. Por fim, em relação à decisão autoritária de Chávez, de fechar canais de televisão que não exibiam sua propaganda bolivariana, os petelhos não deram um pio sequer, nenhuma reclamação por parte dos defensores dos Direitos Humanos. E sabemos que "quem cala, consente".

É engraçado como os vermelhos têm esse interessante costume de definir suas opiniões se baseado unicamente na posição política. Um crime idêntico, cometido por um petelho e por algum de seus "inimigos", tem uma interpretação totalmente diferente de acordo com a pessoa que o comete: sendo aliado da esquerda, ele é tido como inocente, que seus atos são justificados e que suas intenções eram boas; porém, sendo adversário da mesma, ele é um bandido, um criminoso que deve ser julgado e o único veredicto aceitável é que ele seja punido. Um verdadeiro corporativismo político.

Querem ver um outro exemplo real, que está em evidência hoje? A questão dos crimes da época da ditadura. Não ignoro o fato de que os militares mataram várias pessoas que contestaram o regime em vigor na época, seja enfrentando os soldados ou expressando opiniões contrárias. Mas é indiscutível o fato de que os militantes de esquerda também foram responsáveis por várias mortes, inclusive de companheiros, que eles imaginavam serem traidores e foram julgados e executados. Todos esses criminosos de ambos os lados foram inocentados pela Lei da Anistia, e agora os petralhas no poder querem revisá-la. Claro que de uma forma que apenas os militares deveriam ser julgados pelos seus crimes, e era isso que aquela atrocidade totalitária do Programa Nacional de Direitos Humanos queria. Na cabeça desses comunistas, parece que as mortes promovidas pelos militantes foram necessárias e toleráveis, e que os adversários da ditadura militar não podem ser julgados culpados, pois estavam supostamente lutando pela "democracia". Resumindo, se os militares mataram, são crápulas assassinos; se os militantes mataram, são heróis inocentes.

É engraçado como os petelhos sempre caem em contradição, toda hora eles acabam mostrando que no final o mais importante é defender os seus, que a lealdade com seus aliados políticos e grupos sociais simpatizantes é muito maior que a justiça. Isso fica mais do que evidente nas duas situações acima. Não vou me estender na questão da ditadura, pois já falei bastante dela aqui no passado, mas podemos focar um pouco mais na visão que eles têm da liberdade de expressão, após esse episódio na Veneuzela.

Queria muito ouvir um comentário dos petralhas no poder sobre a decisão do Chávez. Queria saber se eles, em especial "heróis da resistência" que lutaram pela "democracia" como Dilma e Dirceu, aprovam a decisão do ditador venezuelano. Será que eles acham que está tudo certo? Ora, vocês precisam se decidir... Vou perguntar mais uma vez para vocês, esquerdistas: afinal de contas vocês são mesmo a favor da liberdade de expressão?

Volte a ler lá em cima o artigo que fala sobre a liberdade de expressão. Veja que as pessoas têm direito a ter as suas opiniões e expressá-las sem interferência. Ou seja, uma rede de TV tem todo o direito de não passar os discursos de Chávez e ser contra o seu regime, mas "El presidente" não pensa assim. Com isso, ele sufoca a sua oposição, quem falar mal dele é um inimigo do Estado que deve ser silenciado. Sabe-se lá até onde isso vai, daqui a pouco ele vai estar mandando prender ou executar aqueles que são contra o regime. E, meu amigo, isso está mais do que longe de ser um exemplo de democracia. Aí é que entra em cena o corporativismo político brasileiro: como nossos governantes de esquerda são simpatizantes de Chávez, eles solememente ignoram o ocorrido, nessas horas mais vale manter a amizade com o ditador chavista do que defender os Direitos Humanos. Lógico, se fosse a mesma situação em um país que não tivesse um governo de esquerda, a reação brasileira seria inteiramente diferente.

Na minha opinião, não restam dúvidas de que os petelhos não passam de um bando de filhos das putas que só defendem coisas como liberdade de expressão e Direitos Humanos quando lhes interessa. Não vejo outra explicação para eles terem adotado uma postura de ignorância (e consequentemente de consentimento) diante da decisão de Chávez em fechar as televisões que se recusaram a passar seus discursos. Naquela merda de país estão cada vez mais oprimindo a população, com um regime ditatorial onde os opositores são calados, e ainda me vem esses babacas de nosso governo dizerem que lá é uma democracia...

Não tem jeito... Para a esquerda a liberdade de expressão é um conceito relativo... Nas suas cabeças vermelhas, você tem direito à liberdade de expressão, desde que sua opinião esteja alinhada com o pensamento deles.

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