sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Derrubando o preconceito aéreo

Eu sou um texugo trabalhador, e muitas vezes preciso fazer viagens pela minha empresa. Até o momento, sempre foram viagens dentro do território nacional, e a maioria delas ou é para destinos dentro do estado do Rio de Janeiro ou para a cidade de São Paulo, centro comercial do Brasil. Embora a métropole tenha uma série de desvantagens, como a poluição e o trânsito infernal, não desgosto de ir a São Paulo, há coias boas por lá também, por exemplo o povo lá é mais educado que aqui no Rio, gastronomicamente não faltam opções (lá ainda existe o Pizza Hut), os shopping centers são muito bons... E, claro, não posso deixar de observar o fato de que as paulistanas são muito mais atraentes que a grande maioria das cariocas: enquanto aqui no Rio de Janeiro a maioria das mulheres é vulgar, no estilo popozuda, lá em São Paulo as mulheres são mais elegantes e sensuais, algo que este texugo platônico admira muito.

Enfim, para chegar em São Paulo são várias opções, e eu sempre preferi o meio aéreo, não só por ser mais rápido (seis horas com a bunda na poltrona de um ônibus ninguém merece) e por eu gostar muito de andar de avião, é simplesmente fantástico toda a tecnologia e potência envolvida nas aeronaves. Infelizmente eu ainda era moleque na época clássica da ponte-aérea, com os saudosos Electra da Varig fazendo o trajeto. Hoje os Electras estão aposentados e a Varig praticamente não existe mais, e várias companhias fazem o percurso. E este texugo sempre teve preferência por pegar vôos das duas principais companhias, ou da Gol ou da Tam. Mas, devido a sérias restrições orçamentárias, minha empresa havia comprado passagens pela pequena OceanAir, provocando minha prematura revolta.

Não estava muito animado com essa viagem, não estava aceitando voar por uma empresa pequena, ficava o sentimento de que as coisas seriam complicadas e sem-graça. Talvez pelo fato da OceanAir ser uma empresa simples, sem o nome das demais companhias mais conhecidas, ou por não voar com os majestosos Boeings ou Airbus, mas em um singelo Fokker 100... Eu fiquei muito chateado, e até tentei convencer a empresa a me colocar em outro vôo, mesmo que eu pagasse a diferença, mas em vão. Com isso, fiz minhas malas, fui pro aeroporto e me preparei para o que eu esperava ser um dos piores vôos de minha vida... Mas acabei sendo surpreendido.


O check-in foi bem tranquilo e muito ágil, sequer foi necessário dizer o meu código de reserva, a atendente simplesmente entrou com o número de minha identidade e tudo resolvido. Me dirigi até o portão, e logo embarquei na aeronave. Logo percebi algo interessante, as poltronas eram diferentes, um modelo mais simples do que aquele que vemos em um Boeing. Mas não necessariamente era uma poltrona desconfortável (pelo menos para uma rápida ponte-aérea), e por ser mais fina permitia um maior espaço para as pernas, não teria que deixá-las quase no meio do corredor para evitar cãimbras e não teria tanto risco do passageiro da frente quase pousar a cabeça no meu colo ao recostar sua poltrona.

Rapidamente todos os passageiros embarcaram, e logo uma das comissárias anunciava que a OceanAir havia finalizado o embarque antes do previsto. De fato, o avião começou a taxiar antes do horário marcado, e logo estava no ar. Tudo bem que pelo fato do avião ser menor, sente-se mais as trepidações e as pancadas do trem de pouso na pista, sem falar que o fato das turbinas do Fokker serem traseiras, o barulho é bem alto dentro da cabine, especialmente para quem senta atrás. Mas mesmo assim, o aviãozinho é valente, e tomou rumo até São Paulo.

Sobre o atendimento em vôo, uma vez mais fui surpreso. Eu imaginava que seria atendido por "aerovelhas", mas as comissárias eram bem bonitas e solícitas. Podiam não estar vestindo aquela blusinha branca justa como as aeromoças da Gol, e em termos de beleza estavam longe de uma japonesa que vi em um avião da Tam, mas as comissárias da OceanAir não deixavam a desejar. E sobre a comida, aí é que finalmente joguei a toalha: como lanche, um pedaço de pizza com dois brigadeiros! Cara, falando em ponte áerea, a melhor refeição que já comi, nada de amendoim ou barrinha de cereal. Sensacional!

Confesso que me arrependo do preconceito que tive com a OceanAir antes de voar. Como dizem, não podemos dizer que não gostamos de alguma coisa se não a experimentamos, e aprendi a lição depois de ter sido surpreendido tão positivamente pela pequena porém eficiente companhia. Um bom atendimento, sem falar em um preço bem em conta, com certeza voltarei a voar pela OceanAir em outras oportunidades.

Nenhum comentário: