terça-feira, 2 de abril de 2013

Conta de Restaurante

Muitas pessoas dizem que eu sou anti-social. Dizem isso pois sou do tipo que prefere fazer as coisas sozinho, desde que eu me entendo como gente. Na época de colégio, eu preferia fazer os trabalhos sozinhos, em vez de ter que fazer em grupo, onde tinha toda aquela enrolação e sempre tinham uns espertos que montavam nos demais e não faziam nada. Viagens, por exemplo, eu curto muito mais sozinho, podendo fazer os passeios que me interessam e sem ter que ficar esperando os atrasados e lentos. Para ir em algum lugar, prefiro ir sozinho de ônibus ou pagar um táxi do que contar com a carona que vai se enrolar e demorar pra chegar...

Enfim, isso não me torna anti-social. É que eu convivo com pessoas que conseguem ser meio lentas ou espertas, e para não em aborrecer, prefiro "voar solo". E outra das coisas que eu já estou querendo passar cada vez mais a fazer sozinho é almoçar durante os dias de semana.

Tem horas que eu fico pensando como a hora de almoço é uma das grandes palhaçadas do mundo corporativo. Fica aquele ar falso de "todos somos amigos e vamos curtir uma hora de almoço juntos" que acho ridículo. Muitas vezes as pessoas se esquecem que na prática a maioria ali possui uma relação apenas de coleguismo de trabalho, não se vendo fora das 40 horas semanais de labuta, o que acaba resultando em que as conversas de almoço sejam sempre focadas no trabalho. Será que as pessoas não percebem que a hora de almoço não é somente o tempo que temos para comer alguma coisa, mas também para ficarmos livres do trabalho?


Enfim, mas o verdadeiro motivo que me trouxe aqui é o fato da hora mais macabra do almoço: pagar a conta. E o que está me convencendo cada vez mais a almoçar sozinho, ou apenas ir com o pessoal quando o destino for um lugar com comandas separadas.

Início do mês, e normalmente o pessoal do escritório cisma em querer almoçar em um lugar mais legal. Não sei se isso é para aproveitar os raros momentos nos quais o vale-refeição está com folga ou alguma razão estúpida para comemorar o início de um mês (afinal de contas, todo mês isso acontece). Acabou que eu topei, já que era um dos poucos restaurantes da região onde se podia comer uma comida decente. Cada um ia lá e pedia seus pratos feitos, uns pegando um salmão, outros chutando o balde no clássico arroz-feijão-farofa e assim por diante. Para complementar, uns pediam refrigerante, outros suco... No final, ainda havia espaço para alguns empurrarem uma sobremesa ou um cafézinho. Aquela "alegria" só...


E aí chegava a conta...

Bom, esse era um daqueles restaurantes onde a conta é fechada por mesa, então vinha o sujeito com o caderninho preto e aquela tripa de papel com tudo que a gente tinha comido. Para ganhar tempo, o atendente já tentava empurrar que todos pagassem o mesmo valor. Ou seja, soma tudo, mais os 10% do garçom e divide pela quantidade de cabeças. Eu até não me importei, mesmo que no final das contas eu iria pagar cinco reais a mais, e seria mais prático rachar a conta igual. Na prática, meu prato sairia por uns 35 reais, contando com o serviço, e pela divisão igualitária cada um pagaria em torno de 40.


Mas acontece que nessa hora tem sempre aqueles que se sentem injustiçados em dividir a conta igual, pois normalmente essas pessoas comeram menos que uma mulher de regime e acham errado que paguem tanto. Claro que aqueles que comeram que nem um viking esfomeado ficam assoviando e olhando para o teto nessas situações, torcendo para que a conta seja dividida igual e assim eles paguem menos.

Aí então o cara da outra ponta da mesa, que pediu um prato mais básico, meio que define que a conta será de acordo com o que cada um consumiu. Legal, então cada um vai lá, olha a comanda, digita os valores na calculadora do celular e indica pro garçom o quanto passar na maquininha. E este texugo que vos fala viria a ser o último a pagar...

Lógico que o pessoal do restaurante não é bobo, e não iria deixar de receber o valor total. Deve ser até uma das razões nas quais eles meio que forçam que a conta seja dividida por igual, não só para agilizar e expulsar o mais rapidamente aqueles clientes estúpidos que já comeram e deixaram de ser clientes para permitir que novos clientes se sentem, mas também para garantir que o restaurante não saia no prejuízo. Dessa forma, ao chegar na última pessoa (logicamente tinha que ser eu), o garçom se afastou, pegou uma calculadora e começou a somar os valores que já haviam sido pagos, sem nem deixar eu pôr as mãos na comanda. Aí ele fez a soma e me diz:

"Senhor, a sua parte é de 65 reais"


Sem brincadeira, perdi toda a minha educação e proferi um sonoro "puta que pariu" que assustou o garçom, mas que permanecia ali com a mão estendida, esperando que eu desse o meu cartão. Cacete, quase o dobro do que eu ia pagar! O que me deixou ainda mais puto dentro das calças foi ver alguns dos meus colegas rindo, com aquela expressão "Rá, se fudeu!". O garçom até me olhou com aquela cara de entender a minha situação, pois ele sabia que eu não tinha sido um ogro a ponto de gastar mais de sessenta reais ali, mas no final das contas não era problema dele... Deixar faltando na conta era algo que ele não podia.

O pior de tudo é que alguns dos meus colegas já haviam se levantado, depois de terem cumprido com sua obrigação (e provavelmente passado a perna em mim) de pagar a conta, e já tinham aquelas outras pessoas olhando com ódio para minha pessoa, querendo que eu me levantasse logo para que elas pudessem sentar. Não restava muito o que ser feito, a não ser arcar com o prejuízo.

Na volta para o escritório, xinguei muito os meus "colegas". Certamente tinha alguns filhos das putas que haviam gastado mais e disseram um valor mais baixo. É foda, sempre tem gente querendo levar vantagem, bando de canalhas! Duvido que se a comanda fosse individual esses escrotos iria comer tudo aquilo, é sempre querendo montar em alguém, achando que isso é certo. Vão tomar no meio do olho do cu, isso sim!

Por isso que a partir de agora eu só almoço sozinho! E se me arrastarem para um desses restaurantes com conta conjunta, vou meter a mão na comanda e fazer a minha conta correta, não vai ter mais essa putaria de eu ser o último e pagar a comida dos outros não!

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