sexta-feira, 15 de março de 2013

Abaixo o cavalheirismo e o romantismo?

Estava outro dia vendo televisão, algo que ultimamente tem sido cada vez mais raro, em função da correria do dia-a-dia. Falo sério, acho que a última vez que liguei aqui a TV foi para assistir mais uma vez o menguinho levar uma corça do meu Fogão...

Sim, nunca perco essa oportunidade de zoar os mulambos.

Continuando, era o Dia Internacional da Mulher, e estava uma hora vendo um programa na GloboNews, onde algumas mulheres estavam comentando sobre essa data. E foi no exato momento onde uma psicóloga/sexóloga estava falando a respeito de questões como cavalheirismo e romantismo. Na verdade, esculachando os dois. Em resumo, a mulher vinha dizendo que o cavalheirismo é algo péssimo e que agride as mulheres, enquanto que o romantismo é algo que está saindo de cena. Se você quiser, pode ver a entrevista neste link daqui.

Na boa... Eu sei que muitos aqui vão achar que estou de sacanagem, levando em conta o histórico de postagens que de vez em quando (entenda-se com relativa frequência) que faço aqui com fotos de mulheres. Mas acredito que já comentei que sou um texugo cavalheiro e romântico, do tipo que abre as portas para as mulheres e gosta de mandar flores para a mulher amada. E ver tal entrevista foi como uma voadora de dois pés no meio do saco.


Mas, o pior de tudo... É que até faz um pouco de sentido... E aí é como eu dar um chute no meu próprio saco. Mesmo que isso seja humanamente impossível.

Vamos por partes, começando com o cavalheirismo. Eu sempre pensei que ser cavalheiro era algo que as mulheres gostassem, que fosse um traço masculino que elas valorizassem. Pequenos gestos que entendo como tratar com certo carinho, como abrir a porta do carro e ajudar a mulher a descer, segurar a porta de algum lugar para que ela passe, deixar ela ir primeiro quando estiverem subindo uma escada, e ir na frente dela quando estiverem descendo...


Sim, é isso mesmo, quando um cavalheiro vai descer uma escada com uma mulher, ele vai na frente, pois caso ela se desequilibre e tenda a cair, ele estará lá para segurá-la. São poucos que sabem dessa. Agora você sabe, e como os G.I.Joes falam, saber é metade da batalha.

Acontece que segundo a sexóloga, agir com cavalheirismo acaba sendo na verdade uma forma de subjugar a mulher, algo nocivo! Pôrra, que idéia! Na minha opinião é o contrário, quando um homem age como cavalheiro é uma forma de valorizar e respeitar a mulher. Algo que eu vejo que se aplica não somente à companheira, como a esposa ou namorada, mas à qualquer mulher, uma forma de ser legal com elas. Mas acontece que parece que hoje em dia não é bem assim. Tudo isso imagino que por causa do fato que as mulheres estão ganhando cada vez mais espaço na sociedade e diminuindo as diferenças com os homens.

Não me leve a mal, acho legal que as mulheres ganhem cada vez mais o seu espaço e que não tenhamos mais diferenças. Até algum tempo atrás a sociedade via a mulher como um ser inferior, sem direito a voto e que devia se relegar somente ao trabalho de casa, enquanto que o homem ia trabalhar. Babaquice, a mulher tem direito ao seu espaço sim, tendo todo o direito, por exemplo, de buscar a sua realização profissional e ter um emprego. Até porque, do jeito que o Brasil está hoje em dia, quanto mais dinheiro se traz pra casa, melhor. 

Só que aí eu acho que muitas mulheres exageram, o que puxa essa questão contra o cavalheirismo. Usando palavras da própria psicóloga, o cavalheirismo traria uma idéia de que a mulher é incompetente. Ela até acerta ao dizer que gentileza é algo que pode e deve vir dos dois lados, mas acho  uma estupidez pensar dessa forma, que o cavalheirismo é nocivo para as mulheres, que é algo que as oprime e as agride...


Por exemplo, vamos pegar a situação de abrir a porta do carro. Eu penso que, se eu estou lá dirigindo o meu carro, acompanhando de minha namorada/noiva/esposa, e estaciono, acho um gesto educado e carinhoso que eu vá até o lado do carona, abra a porta, estenda minha mão para ela e a ajude a descer. Em nenhum momento eu estou enxergando ela como incompetente, não estou pensando que ela não tem a capacidade de abrir uma porcaria duma maçaneta. Só estou querendo ser educado, por que se enxergam as coisas sempre da pior maneira possível?   

Na boa, se as mulheres pensam dessa forma, pra mim é complexo de inferioridade. O cara vai lá, tenta ser cavalheiro, e a mulher fica pensando que ele acha que ela é inferior.


Mas é engraçado como tem horas que as mulheres acabam entrando em contradição quanto a esse assunto. Por exemplo, as mulheres modernas não gostam que o cara pague pelo jantar, elas insistem em dividir a conta (embora muitas no fundo preferem quando o cara pague, mas não admitem isso), sob o argumento de que ela não é uma pobre coitada e que não precisa ser sustentada pelo homem. Agora, se depois o encontro acaba em um motel, muitas delas acham que o cara é quem tem que pagar a conta...

Tive certa vez um encontro que foi mais ou menos assim (exceto a parte do motel, não sou de cair matando logo de primeira), em que fomos lanchar e eu insisti em pagar a conta toda. E ela ficou aborrecida, dava pra ver na cara dela que ela estava se sentindo subjugada. Pombas, só por causa de um agrado inocente, só porque paguei o lanche dela? Ficou ainda falando que ela era independente desde os 18 anos, quando saiu de casa, e por aí foi. Nem preciso dizer que não houve um segundo encontro...

Seguindo no assunto, depois a psicóloga/sexóloga (fico pensando o que se estuda num curso desses...) dizendo que o amor romântico deve desaparecer para melhorar os relacionamentos. Destacando ainda que, felizmente que o romantismo está saindo de cena. Posso dizer que nessa hora de entrevista, deu vontade de ou trocar de canal ou de, constatando que sou um texugo romântico, me jogar na linha do trem.

Todo esse argumento dela é baseado na teoria de que hoje as pessoas buscam cada vez mais a individualidade, procuram olhar para si mesmas e dar atenção aos seus interesses, algo impossível de ser alcançado com o romantismo, que prega a união entre duas pessoas. Outra estupidez, na minha humilde opinião... É possível ter individualidade e ter um relacionamento romântico ao mesmo tempo.


Eu sei que existem pessoas que são exageradamente românticas... Eu mesmo confesso que eu costumava ser. E essas pessoas realmente acabam sendo possessivas e melosas demais, achando que a vida deve ser vivida a dois somente. Mas não é verdade, cada pessoa é um indivíduo, com os seus desejos, anseios, medos, preferências e etc. Vão haver momentos em que o casal não estará junto, por haverem diferenças, é utópico imaginar um casal precise viver 120% do tempo junto, que cada minuto longe de sua cara-metade é um sofrimento terrível. Lembra aquele filme Endiabrado, na hora que o Brendan Fraser acaba virando um sujeito exageradamente romântico e chorão, ser assim não rola...


Aliás, falando desse filme eu me lembro da participação da Elizabeth Hurley como o diabo, toda hora com uma roupinha mais exótica, retratando quase todos os fetiches dos homens. E com aquele sotaque britânico...


Bem... Continuando...

Mas eu penso que o romantismo não é somente essa convivência a dois constante. O romantismo pra mim é uma possível característica dos momentos a dois, uma forma de falar e fazer as coisas, pequenos gestos de carinho quando o casal está junto. Isso depende do relacionamento, da personalidade das pessoas: conheço casais que estão juntos há um bom tempo, mas que o romantismo é uma parcela mínima, já que os dois acham uma babaquice. Um relacionamento à maneira deles, onde existem outras coisas que substituem atos românticos.

Não sei se eu estou sendo claro, vou tentar mais uma vez. O romantismo é uma maneira de encarar o relacionamento, ao fazer certas coisas românticas, como escrever um poema para a mulher amada, mandar flores em uma data especial, ou mesmo em um dia qualquer, assistir a um belo pôr-do-sol da praia, ligar pra ela para saber como ela está... Indo desde a pequenas coisas do dia a dia ou mesmo alguns gestos mais grandiosos em certas oportunidades, para demonstrar o quanto você gosta dela.

Até os brutos podem ser românticos

Pergunto: coisas assim devem ser mesmo extintas? Devemos estar felizes pelo fato de que o romantismo está cada vez menos presente em nossas vidas?

O mais curioso é ver a mulher se exaltando de felicidade em dizer que uma das coisas que o fim do romantismo levaria junto (dando a entender que é algo que ela gosta) a exigência de exclusividade, dando espaço ao que ela chama de "amores múltiplos"...

Ou seja: libertinagem total, uma filosofia de Tribalistas de "não sou de ninguém, sou de todo mundo".


Mais uma vez discordo em gênero, número e grau dessa velha. Não acho certo, pra mim isso é putaria rolando solta. Seria extinguir também com conceitos como fidelidade, ao imaginar que é totalmente normal que a pessoa tenha relacionamentos amorosos com várias outras ao mesmo tempo. Eu não consigo me ver numa situação dessas, acho uma falta de respeito. Mesmo se fosse eu a ter várias namoradas ao mesmo tempo, é algo que não me entra na cabeça, por mais que possam pensar que eu seja doido. 

Eu até entendo uma questão mais, digamos... instintiva dessa poligamia, algo que eu acho que já comentei aqui. Se formos analisar de forma fria, é até compreensível que o homem tenha uma tendência à poligamia, como uma forma de difundir o seu DNA o máximo possível. Não quer dizer que eu aprovo isso, estou falando somente sob um ponto de vista mais científico. Da mesma forma que é até compreensível que a mulher seja mais seletiva quanto à escolha de seu parceiro, já que ela tem um período fértil mais curto, buscando assim os melhores parceiros de forma a gerar um descendente geneticamente melhor. Claro que isso é mais aplicado ao Reino Animal, quando falamos de seres humanos, criaturas dotadas de sentimentos, esse aspecto acaba ficando em segundo plano... No meu ponto de vista, um homem e uma mulher não ficam juntos com o único objetivo de perpetuar a espécie, há muito mais envolvido.
 
É algo que eu volta e meia penso, pois embora eu acredite no romantismo e o considere algo legal em um relacionamento, fato é que ele está mesmo desaparecendo aos poucos. Retrato de uma sociedade cada vez mais superficial, onde são os sentimentos por uma pessoa que acabam ficando em segundo plano, em relação ao prazer próprio. Ou busca pela individualidade, como a sexóloga diz.

O mais curioso de tudo é que se você for perguntar para as mulheres, posso dizer que 90% delas sempre vem dizendo que querem um cara que seja romântico, que iriam adorar um cara que aparecesse na porta delas com um buquê de flores ou que declamasse um soneto em sua homenagem. Dizem que querem isso, pois na prática a imensa maioria delas não dá valor a essas coisas, a não ser que as flores sejam entregues pelo Brad Pitt ou o poema seja lido pelo Gianechini. Ou seja, no final das contas, o que vale é a aparência em primeiro lugar, sendo tão superficiais quanto dizem que os homens são.

Acontece que a maioria dos caras bonitões acaba sendo bem superficial também, afinal de contas eles são extremamente visados pelas mulheres, pros galãs não tem tempo ruim. Aí quando é fácil conseguir uma mulher, pra que se preocupar em ser legal, honesto, fiel e romântico? Se a garota com quem estiver ficar incomodada, a fila anda e logo aparece outra pra ficar no lugar. E aquela que foi dispensada vai ficar por aí, choramingando, se sentindo pior do que a mosca do cocô do cavalo do bandido, e dizendo que homem não presta...

Só coloquei ela porque a achei gatinha.

Cansei de falar sobre isso aqui, as pessoas vêem os relacionamentos de forma cada vez mais superficial e descompromissada. Homens e mulheres vão para as baladas para se pegarem, bailes funk são verdadeiros antros de putaria quase como motéis comunitários, com as popozudas esfregando suas bundas no colo de rapazes no cio, chega Carnaval e é aquela beijação desenfreada por todos os cantos, como se fosse uma competição para ver quem vai comer ou ser comida mais... Em uma sociedade dessas, não é surpresa que o romantismo esteja cada vez menos presente.

Aí é algo que até me desanima bastante... Realmente é uma tendência que coisas como o cavalheirismo e o romantismo sejam cada vez menos importantes para um relacionamento, é algo que eu já venho observando há tempos. A minha geração, na qual já apresenta uma igualdade mais forte entre os sexos masculino e feminino, já traz essa conduta com uma certa presença, provavelmente responsável pelo fato de mesmo depois de inúmeras tentativas eu ainda estar solteiro, logicamente se somando ao fato de que eu não tenho a boa pinta de galã de novela da Globo. É algo que eu percebo faz tempo, como certas atitudes não são valorizadas, sendo até muitas vezes mal vistas, sempre perdendo espaço para o sujeito boa pinta, que tem o carro do ano, bronzeado em dia e boa lábia.

Tem momentos que eu começo a me perguntar se não seria melhor eu "ir com a maré" e deixar de ser babaca, largando de vez essa de ser cavalheiro com as mulheres, de ser romântico com a garota que eu estiver gostando. Só quebrei a cara agindo dessa maneira, perdi a conta de quantas garotas vinham dizer que queriam um cara que as respeitasse e dez segundos depois estavam travando um duelo de línguas com o bad boy mulherengo na faculdade, ou mulheres solteiras que lamentavam não ter ninguém que as escutasse e que acabavam se derretendo por ratos de praia que só valorizam seus corpos e as querem de boca fechada, ou moças que diziam que adorariam ser tratadas com romantismo e se permitiam ser enganadas e usadas por cafajestes interesseiros. Eu olho ao meu redor e vejo como é tão raro ver um cara superficial, falso, sacana e pilantra solteiro, enquanto que os caras que tentam ser legais, educados, atenciosos e cavalheiros ficam na merda... Fico mesmo com vontade de mudar, mas no final eu acabo percebendo que eu já estaria começando com o pé esquerdo, não sendo honesto comigo mesmo.

Agora, é interessante observar como que parece ser algo cultural, em particular algo presente mais na mulher ocidental. Tenho um amigo (parecido comigo, no aspecto de ser um sujeito cavalheiro e desprovido da aparência que é normalmente valorizada) que certa vez fez um desses passeios de mochileiro pela Europa, e no grupo haviam duas garotas russas. E ele me contou já inúmeras vezes como ficou surpreso em perceber como as duas tinham uma visão inteiramente diferente, parecendo valorizar mais gestos carinhosos, parecendo não serem tão superficiais. Uma teoria defendida por outro amigo, esse que trabalha com aqueles jipes que fazem excursão pela cidade e que acabou conhecendo uma garota da Romênia que era muito mais feminina do que muitas brasileiras, dando toda a impressão de valorizar mais um homem que as respeite, que as trate com respeito. Fico pensando se isso não é uma consequência de sociedades muito mais machistas, como ocorre em países de cultura mais tradicional, como no Leste Europeu. Embora isso possa parecer algo escroto de minha parte, eu vejo que mulheres de lugares assim parecem ainda ter certos valores por coisas como cavalheirismo e romantismo, não tendo sido influenciadas pelas más consequências inerentes da igualdade entre sexos, que na minha opinião estragou muito as mulheres.

É, meu amigo, já disse isso e digo de novo... Acho que vou procurar uma namorada na Rússia, Ucrânia ou da região...


Bom, falando sério, acho que essa é infelizmente uma realidade cada vez mais presente em nossa sociedade. E me dá uma certa revolta ver como tem tanta gente teoricamente bem informada, como essa psicóloga, que aplaude essa nova tendência, que incentiva a extinção do cavalheirismo e do romantismo. Fica aquele sentimento triste de que fica cada vez mais difícil para pessoas como eu, que acredita nessas coisas. O exagero de certas mulheres em querer estar em pé de igualdade em tudo com os homens e uma sociedade que valoriza a superficialidade e falta de compromisso tem causado essas mudanças drásticas em como os relacionamentos são, e parece ser um caminho sem volta...

Resta agora eu ver quanto tempo eu aguento, por quanto tempo mais eu vou insistir em ser assim do jeito que sou, até mudar de vez e me tornar um cafajeste superficial, interesseiro e mulherengo, que parece ser mesmo o tipo mais valorizado pelas mulheres hoje em dia...

Ou quanto tempo eu vou levar para fazer minhas malas e ir procurar uma namorada lá numa ex-república soviética!

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